Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016

EXIGIMOS A ANULAÇÃO DO AO90 EM NOME DAS CRIANÇAS PORTUGUESAS

 

Andam por aí a correr umas notícias que, apesar de parecerem boas, não soam bem…

 

A ACL (Academia das Ciências de Lisboa) veio a público dizer que quer apresentar, ainda este ano, um “estudo para aperfeiçoar o AO90”. Aperfeiçoar o imperfeiçoável para quê?

 

A APP (Associação de Professores de Português) veio logo dizer que aceita uma “revisão ligeira” do AO90, mas não a sua anulação. Revisão ligeira de algo que não tem pernas para andar?

 

A ANPROPORT (Associação Nacional de Professores de Português) por sua vez diz que a “revisão do AO90 é bem-vinda”. Nenhuma revisão é bem-vinda. Apenas a anulação deste aborto é bem-vinda.

 

AOCRIANÇAS.png

Origem da imagem: Internet

 

Ora tudo isto seria interessante se o AO90 tivesse pernas para andar.

 

Mas, como sabemos, o AO90 é a maior fraude política de todos os tempos, e assenta em interesses político-económicos obscuros, e numa atabalhoada e aparvalhada visão do que é uma Língua Culta.

 

Esmiucemos o que diz a APP:

 

«A presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira, afirma que aceita uma “revisão ligeira” do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), “para não trazer tantos prejuízos, mas nunca anular o AO90”

 

Para não trazer tantos prejuízos a quem, senhora Edviges?

 

«Relativamente ao regresso de algumas consoantes mudas, Edviges Ferreira foi clara: “nós não concordamos; é muito mais simples escrever conforme falamos do que estarem a perceber ou a decorar, principalmente depois de ter abolido e estar a escrever de uma determinada forma, estar a voltar atrás”.

 

Não admira que o Português ande tão de rastos. Se a senhora disse isto assim tal e qual, não estará tudo dito?

 

Vamos lá a ver, senhora Edbiges (é assim que se fala no Porto, logo deverei escrever assim), se é mais simples escrever conforme falamos, deitemos ao lixo as gramáticas, e ensinemos às crianças o alfabeto, depois a juntar as letras e depois que escrevam conforme falam. E teremos uma Torre de Babel no nosso minúsculo país, que de terra, para terra, fala-se de modo diferente.

Cá para os meus lados diz-se ceboles e batates.

Mais ao sul, dizem se nan qerem ir nan van.

Ao norte, bai-se de calqer jeitu.

Em Lisboa paceiase à bâira riu.

 

A senhora Edbiges parece não ter andado na escola, e não aprendeu a decorar. Todos nós decorámos tudo e cantávamos todos os rios e seus afluentes e linhas de comboios, e montanhas e mais tantos outros saberes, apenas com 8/9 anos. Só os menos dotados intelectualmente é que se atrapalhavam.

 

Não é desse tempo a senhora Edbiges.

 

A senhora referiu ainda que «observando as contestações ao AO90, o nível etário das pessoas é bastante elevado, em média, o que significa que há sempre aquelas vozes, que são os ‘Velhos do Restelo’, que tudo que seja mudança, não a vêem com bons olhos».

 

Como disse senhora Edbiges?

 

«Velhos do Restelo»?

 

Não sei se a senhora ensina crianças, se ensina, pobres crianças.

 

A senhora conhece a expressão “Velhos do Restelo”, mas não sabe aplicá-la.

 

Nesta jornada anti-AO90, existem muitos jovens, que de velhos do restelo nada têm. O que têm é bom senso e amor à sua Língua Materna, e sabem distinguir o trigo (a Língua Portuguesa) do joio (a ortografia abrasileirada que dá pelo nome de AO90).

 

É mais fácil dizer às crianças: escrevam como falam, do que lhes ensinar as regras gramaticais. Não é? Ensinar dá muito trabalho. Mas se ganhamos salários é para ensinar, não é para fazer-de-conta-que-ensinamos.

 

Defensores da anulação do AO90 rejeitam propostas de revisão

 

Os defensores da anulação (não se diz “revogação” porque não podemos revogar algo que não existe, é ilegal) do Acordo Ortográfico de 1990, entre eles o jurista Ivo Miguel Barroso, consideram que as posições “revisionistas” do AO90 “são de rejeitar”.

 

Porquê?

 

As razões jurídicas apresentadas por Ivo Miguel Barroso:

 

«O destino adequado para o AO90 é o caixote do lixo.

 

 

Quem conhece o Direito dos Tratados sabe perfeitamente que, se o AO90 é para ser revisto, é necessário que haja uma alteração do teor do Anexo I e II (Bases e Nota Explicativa). Ou seja, tal implicaria um novo Tratado ou uma revisão do mesmo entre todos os Estados da CPLP, no sentido de alterar o Anexo I do AO90.

 

Ora, para que isso suceda, é necessário que todos os Governos dos Estados assinem; e que, depois, o novo Tratado seja ratificado internamente. Por outro lado, tal propósito de revisão significaria que pelo menos parte das normas do AO90 não seriam para cumprir».

 

Outras razões razoáveis:

 

Não queiram atribuir às crianças a PARVOÍCE dos adultos.

 

Colocam as crianças como escudo, para não terem de retroceder e anular o aborto.

 

No entanto é preciso ter em conta o seguinte: se as crianças conseguem aprender facilmente o Inglês, cujo léxico inclui tantas consoantes mudas, poderão mais facilmente aprender o Português que tem algumas, mas não tantas, como a língua de Shakspeare (ou deverei escrever Xeikcepiâr?

 

Se elas conseguem aprender a escrever THOUGHT, mais facilmente aprenderão a escrever ACTO ou ACÇÃO. Porque sem o , estas palavras terão de ser escritas assim: ÁTO e ÁÇÃO. Ou então atirem com a Gramática ao lixo.

 

Está provado cientificamente que o cérebro das crianças é como uma esponja: absorve tudo com muita facilidade, porque ainda está vazio de conhecimentos (isto dito assim para que todos entendam). Aprendem e desaprendem com uma perna às costas, sem a mínima dificuldade.

 

Para as que já aprenderam a língua mutilada, vai ser muito simples desaprendê-la, e reaprender a verdadeira Língua Portuguesa, acompanhada pela Gramática, até porque, muitas estão também a aprender a Língua Inglesa, e para elas é estranho escrever-se , em inglês, por exemplo direCtor e em português diretor (e atenção, que neste caso deve ler-se dir’tor). O abre o E, se no há deve escrever-se dirÉtor.

 

Vou aqui repetir algo, que já escrevi muitas vezes, para que se saiba que uma criança não é a estúpida que os adultos, nomeadamente os professores menos dados a “esforços extras”, dela pretendem fazer: eu viajei para o Brasil com dois anos, e aos seis, lá aprendi a ler e a escrever o Português mutilado; aos oito anos tive de regressar a Portugal, e cá tive de reaprender a língua culta (era o que me diziam) tal como deve ser. E simplesmente APRENDI, sem a menor dificuldade. Aos catorze anos, de volta ao Brasil, tive de DESAPRENDER a minha Língua Materna e regressar à língua mutilada. Sem problemas.

 

Aos vinte anos deixei o Brasil definitivamente e fui estudar para Coimbra, e lá tive eu de abandonar a língua mutilada, e fixar-me na minha adorada Língua Materna, que aprendi a amar com a leitura dos nossos clássicos, e hoje defendo-a com as garras de fora.

 

E por aqui me fico, dizendo que o AO90 nada tem para rever.

É lixo ortográfico que deve ser incinerado como lixo altamente tóxico.

 

Isabel A. Ferreira

 

(Os textos completos das notícias, em que me baseei, podem ser lidos nestes links):

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/reversao-do-acordo-ortografico-associacao-de-professores-de-portugues-so-aceita-revisao-ligeira

 

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/associacao-nacional-de-professores-de-portugues-diz-que-as-pessoas-nao-conseguem-cumprir-novo-acordo-ortografico

 

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/defensores-da-revogacao-do-novo-acordo-ortografico-rejeitam-propostas-de-revisao

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:31

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Domingo, 27 de Novembro de 2016

ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESES QUE NÃO APLICAM O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

 

É de louvar e divulgar os órgãos de comunicação social portugueses que não se vergaram aos políticos vendilhões da Língua Portuguesa.

 

É que nem todos andam de olhos vendados, nem têm vocação para o servilismo.

 

Esta é uma recolha da página do Facebook Tradutores contra o Acordo Ortográfico

 

Quem faltará nesta lista?

(Em actualização…)

AO.jpg

 

PúblicoRádio ComercialSÁBADO — Rádio RenascençaJornal de NegóciosTime Out LisboaTime Out PortoDiário de Notícias Madeira [www.dnoticias.pt]National Geographic PortugalSporting TVCANAL QPlayboy PortugalMeios & PublicidadeInimigo PúblicoLe Monde Diplomatique - ed. portuguesaLOUD!Granta PortugalArte Sonora RevistaPCGuiaO DiaboExecutive DigestVICE PortugalJornal TornadoForbes PortugalRevista MotojornalRevista de Vinhos PT — Revista "XXI, Ter Opinião" (Fundação Francisco Manuel dos Santos) — Jornal "Avante!" (Partido Comunista Português) — O MiranteDiário de AveiroDiário de CoimbraCorreio do MinhoCorreio AlentejoJornal de LeiriaRUM - Rádio Universitária do MinhoCorreio do RibatejoDiário de ViseuJornal de BarcelosRevista Mais AlentejoDiário de Leiria — Jornal "Abril Abril" — A Guarda JornalJornal Alto AlentejoDiário dos Açores — Jornal de Sintra — Rádio Pax — Pombal Jornal — Gazeta das CaldasO Setubalense — Notícias de Vouzela — Correio dos Açores — Jornal Terras de Sicó — Jornal "O Riachense" — Jornal AuriNegra — Rádio Voz da PlanícieJornal Terras da Beira — Jornal "Soberania do Povo" (Águeda) — Diário da Região – Distrito de Setúbal — Jornal "O Comércio de Alcântara" — Revista "Seara Nova" — Jornal "Notícias de Almeirim" — Jornal da Economia do Mar — Revista Saúda (Associação Nacional das Farmácias) — Agricultura e Mar — Revista "Smart Cities – Cidades Sustentáveis" — Jornal "O Gaiato" — Revista "Áudio & Cinema em Casa" — Revista "Wilder" -- O Comércio de Alcântara -- Diário de Leiria -- Jornal Terras de Sicó - Pombal Jornal -- Jornal da Economia do Mar -- Jornal O Mirante-- Revista Smart Cities Portugal -- Revista Executive Digest Portugal -- Revista XXI Ter Opinião -- Revista Áudio e Cinema em Casa -- O Comércio de Alcântara -- Notícias de Almeirim -- Revista da Ordem dos Médicos -  Motojornal

 

Fonte: Tradutores contra o Acordo Ortográfico

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/1004730519628616/?type=3

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:48

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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

NÃO HÁ NADA A REVER NO AO90

 

AO90.png

 

O AO90 É UMA MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA, E A ÚNICA SAÍDA AIROSA PARA ESTA QUE É A MAIOR FRAUDE POLÍTICA DE TODOS OS TEMPOS É A SUA ANULAÇÃO, PURA E SIMPLES.

Apenas a anulação do AO90 serve os interesses de Portugal.


Os interesses do Brasil não nos interessam.

 

A Academia das Ciências de Lisboa prepara-se para rever o acordo ortográfico. O Professor Artur Anselmo foi entrevistado, nesse sentido. Há que colocar a Ciência acima da Política.

 

Mas mais do que isto, há que seguir o bom senso e ser-se racional, e colocar os interesses de Portugal, acima de toda e qualquer negociata política e financeira.

 

Apenas a eliminação deste desacordo interessa a Portugal.

 

 

Um dos maiores símbolos da identidade portuguesa está em vias de extinção.

 

Há que tomar medidas drásticas, e deixarmo-nos de mariquices.

 

Basta de tanto servilismo, por parte dos que mandam e dos que cegamente obedecem.

 

O O90 não interessa nem ao mais ignorante dos ignorantes.

 

Portanto, vamos todos, mas TODOS (só nas páginas anti-AO90 do Facebook são aos milhares) EXIGIR aos governantes que ANULEM esta tentativa de VENDA da Língua Portuguesa a um país que nunca soube respeitá-la.

 

O Brasil nunca cumpriu os acordos ortográficos que assinou com Portugal. Já retirou o Português do currículo escolar, e está a destruir o que resta da língua, de um modo manifestamente assustador.

 

Por alma de quem Portugal tem de cumprir este aborto ortográfico que assinou com o Brasil?

 

Aqui deixo os contactos, para que TODOS enviem mensagens a exigir a ANULAÇÃO desta pouca vergonha política:

 

O AO90 é a maior fraude política de todos os tempos. Exigimos a sua anulação imediata.

 

gp_psd@psd.parlamento.pt

 gp_ps@ps.parlamento.pt

gp_pp@pp.parlamento.pt

 bloco.esquerda@be.parlamento.pt

 gp_pcp@pcp.parlamento.pt

pev.correio@pev.parlamento.pt

comunicacao@pan.com.pt

CC:   belem@presidencia.pt, geral@acad-ciencias.pt, illlp@acad-ciencias.pt

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:41

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (II)

 

O meu objectivo com este trabalho é simplesmente o de traçar o percurso da Língua Portuguesa no Brasil até chegar ao AO90, e demonstrar que além dos interesses económicos dos editores e livreiros (portugueses e brasileiros) existem interesses políticos obscuros, (pergunte-se a Cavaco Silva sobre as "pressões do Brasil") porque incompreensíveis à luz da razão, e seria fundamental exigir aos políticos e à dupla evanildo bechara-malaca casteleiro que expliquem aos portugueses o que realmente está por trás deste desacordo ortográfico, que parece ter sido engendrado por quem sofre de disortografia.

 

O que Sérgio Vaz diz é a mais pura verdade.

 

SÉRGIO VAZ.png

 

Origem da imagem: «Tradutores Contra o Acordo Ortográfico»: https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/?fref=ts

 

Quando falamos em AO90, falamos de uma ortografia abrasileirada, do que no Brasil já se chamou Língua Portuguesa e hoje se chamaTécnicas de Comunicação e Expressão”.

 

Esta ortografia mutilada, nada tem a ver com o nosso Português, que já foi a Língua Oficial do Brasil, a qual foi sendo enriquecida pelas línguas indígenas e africanas, pelas línguas das vagas de emigrantes de várias nacionalidades, que se fixaram no país, e pelos neologismos que foram surgindo, a partir de palavras inglesas, que os brasileiros preferiram adoptar, pondo de parte as palavras já existentes em Português, integrando um léxico que podemos chamar, com toda a propriedade, brasileiro, já muito distanciado do português.

 

Em 1911 houve uma tentativa de simplificar e unificar a Língua Portuguesa, que não deu certo, porque o Brasil não concordou com o que foi proposto, e distanciou-se da ortografia portuguesa.

 

Em 1945, foi assinada uma Convenção Ortográfica entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, e a qual ainda está em vigor em Portugal, porque não foi revogada, e que o Brasil, apesar de a ter assinado, acabou por rejeitar.

 

A este propósito, Antônio Houaiss, o editor das enciclopédias brasileiras, declarou que a Convenção Ortográfica de 1945 que, realmente, unificava a língua, foi recusada por ser "lusitanizante". O que é que isto significa? Significa que o Brasil já tinha a ortografia abrasileirada e mutilada e nada o faria regressar à ortografia do colonizador.

 

E tudo o que era (é) lusitanizante era (é) desprezível. E nos anos 30, os motivos invocados para a recusa da ortografia portuguesa são também de ordem política.

 

Deslusitanizar a Língua Portuguesa foi um objectivo do governo, uma vez que a “colonização” estava (e, por mais inacreditável que pareça, ainda está) atravessada na garganta daqueles brasileiros, que nunca compreenderam o fenómeno da colonização europeia pelo mundo, e lamentam-se de não terem sido colonizados pelos Ingleses, que estão na génese dos Estados Unidos da América do Norte, pois sonham vir a ser os Estados Unidos da América do Sul, e ainda não tendo sido capazes de o ser, apesar dos 194 anos de independência do jugo português, culpam os portugueses pela própria incompetência (ainda há pouco tempo, Lula da Silva o fez, alto e em bom som, em Espanha) o que tem gerado uma lusofobia, que se foi evidenciando em actos governamentais, e sobretudo no estudo de uma língua mutilada, e de uma História do Brasil totalmente deturpada e lusófoba.

 

A mutilação do Português no Brasil teve também um outro propósito: diminuir o alto índice de analfabetismo, que então grassava naquele que é o maior país livre da América Latina, uma vez que a Língua escrita não coincidia com a língua falada, e isso complicava a aprendizagem, nomeadamente no que dizia respeito às consoantes mudas, que deixaram pura e simplesmente de ser grafadas, originando um patoá sem o mínimo nexo.

 

E este tipo de sentimento menor foi se propagando ao longo dos tempos, e hoje, na Internet, correm os maiores despautérios não só na escrita da Língua, como no que se diz da História do Brasil ligada a Portugal, o que tem fabricado uma quantidade incontável de ignorantes.

 

Apenas para se ter uma ideia, vou aqui transcrever, ipsis verbis, um texto que encontrei na Internet, (e como este há milhares deles) onde podemos verificar duas coisas: a falta de informação e de estudo, e a falta de formação em Língua Portuguesa.

 

(Sublinhei e coloquei a negrito o que mais me intrigou):

 

«O português é falado em cinco continentes, porém sempre vêm à tona as diferenças entre o português do Brasil e o português do Portugal. São os dois países de língua portuguese mais importantes. A variante africana é muito parecida com europeia, portanto o Brasil é a única ex-côlonia portuguesa que se distanciou mais da língua do Imperio Português de Vasco de Gama e companhia.

 

A realidade é que os quase dez milhões e meio de portugueses representam uma pequena porcentagem dos 200 milhões (aproximadamente) de brasileiros. Nem somando a população falante de português na Angola (14,7 milhões), Moçambique (12,6), Guiné-Bissau (1,46) e Cabo Verde (450 526 pessoas) chegam a fazer sombra ao todo-poderoso Brasil.

 

A influência do Brasil é tão grande que nos últimos anos, houve uma reforma ortográfica para unificar ambas, e na qual a normativa brasileira ganhou mais peso. Além disso, curiosamente, o Museu da Língua Portuguesa não se encontra em Lisboa, mas em São Paulo.»

 

Origem deste texto:

https://www.blazaar.com/blog/5-curiosidades-do-portugues/

 

Um museu que, há pouco tempo, foi estranhamente incendiado.

 

***

Aqui há uns anos, o Ministério da Educação do Brasil decidiu mudar os currículos e a metodologia do ensino da Língua Portuguesa. Então começou-se pelo nome da disciplina, saindo o vocábulo Português, que deu lugar às «Técnicas de Comunicação e Expressão». E com esta mudança, foi retirado do ensino os textos dos clássicos portugueses e brasileiros, que foram substituídos por relatos de futebol e coisas do género. Isto tudo em nome da “felicidade” dos alunos.

 

Foi também eliminado o estudo da Literatura Portuguesa.

 

Resultado: o ensino da Língua, no Brasil, degradou-se substancialmente.

Vejamos a opinião de uma docente brasileira, que me respondeu deste modo, quando lhe falei no ataque que a Língua Portuguesa está a sofrer com a imposição da ortografia mutilada que o AO90 sugere:

 

«Estou numa guerra constante contra ataques muito mais drásticos, porque a concordância já desapareceu há anos, o adjetivo já não concorda com o substantivo em gênero nem em número, os verbos a cada dia perdem mais tempos e pessoas, depois de perder modos, neologismos pavorosos aparecem da noite pra o dia a partir da cópula ilícita do português com o americanalhês, e é um verdadeiro suplício ter que suportar o hediondo gerúndio de Miami: vamos estar enviando, vamos estar verificando, e assim por diante. E quando se protesta, os novos teóricos de plantão acusam: puristas! Danem-se! Declarei guerra, porque a língua ninguém me rouba, haja o que houver, custe o que custar. A língua despencou no abismo. É uma calamidade indescritível. Desde a ditadura militar que se implantou em 1964, começou um programa de desalfabetização dos brasileiros, que devem ser condenados a eternos produtores de matéria-prima e fornecedores de mão-de-obra. O projeto para o Brasil é continuar a ser uma grande fazenda na qual se vive pra engordar o boi, matar o boi, comer o boi e depois dormir. Entretanto, se vocês fizessem ideia do descalabro a que chegou a "última flor do Lácio", bela e rica língua portuguesa, aqui no Brasil, por obra de um programa deliberado de políticos a serviço da invasão USA, entenderiam que pra nós oi ou olá é de somenos. O que me diz de "aonde" ter-se tornado uma partícula conectiva para todos os casos e situações imagináveis, em que o pobre falante indigente não faz ideia da existência e função dos pronomes relativos, dos advérbios de tempo e modo, e até de conjunções conclusivas ou explicativas? Já não se escreve cantar, mas sim canta. Os erres foram eliminados dos verbos» L. Nóbrega

 

***

Entretanto vejamos o que nos diz Ivo Miguel Barroso, um jurista português, empenhado na causa anti-AO90:

 

«Não há nenhum argumento de carácter linguístico, pedagógico e cultural que justifique a adopção de mais uma reforma ortográfica em Portugal; bem pelo contrário. O AO90 regula apenas certos aspectos da ortografia, não incidindo sobre nenhum dos restantes aspectos da linguagem escrita: o léxico, a sintaxe, a morfossintaxe e a semântica, nas variantes euro-afro-asiático-oceânica e do Português do Brasil. Por isso, alegar que o AO90 contribui para uma “língua comum unificada” - que ninguém escreve (nem fala) - é uma falsidade.

 

O aspecto mais grave do alegado "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa" é ter criado, a partir do nada, centenas de palavras "novas", inexistentes em qualquer das ortografias, mesmo na variante do Português do Brasil: “conceção”, por “concepção”; “receção”, por “recepção”; “percepção”, por “percepção”.

 

O AO90 foi imposto na AR, em todas as suas Plataformas, através de Deliberação de 15 de Dez. de 2010 (por iniciativa do próprio Presidente da AR, Jaime Gama), com efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2012.

 

Essa Deliberação foi aprovada por unanimidade (!!), ou seja, com votos a favor de PS, PSD, CDS, PCP, BE e PEV. Mas, passados mais de 4 anos, a mixórdia continua»

 

***

De facto, a mixórdia continua.

 

Vejamos agora o que nos diz (textualmente) Gustavo Vieira, um brasileiro com quem andei a esgrimir, no Google:

 

(Os sublinhados e negritos são meus):

 

«Sinto muito, mas lendo os comentários que aqui escrevem, tenho alimentado um certo sentimento de recusa deste academicismo europeu, que mesmo sofrendo não consegue reconhecer a cultura de outros povos.

 

Você como historiadora que se identifica deveria saber que a história não é a mesma para quem "ganha ou perde" uma ação político-social.

 

Graças não só ao grande destaque que o Brasil tem na América Latina, mas também aos nossos maravilhosos escritores que deram uma impulsinada na literatura, agora então genuinamente brasileira <3 que o português brasileiro é reconhecido e diferenciado no Mundo. Somos os únicos lusofonos na América, e conseguimos nos diferenciar dos nossos vizinhos de língua espanhola - o que em certo ponto não acho legal, pois a língua acaba sendo uma barreira entre as nações, embora nos viremos no chamado portunhol. Há denominações que eu também não acho boas como dizem os americanos: "O Brasil e a América Latina", sendo que ambos os países possuem raízes linguísticas originadas do latim.

 

A academia brasileira não costuma fazer essa segregação entre nações lusofonas inclusive, não sei Portugal, mas o Brasil possui representantes de outros países de língua portuguesa na Academia Brasileira de Letras.

 

Penso que além de poder constituir um belo bloco cultural as nações lusofonas possam ter relações econômicas mais estreitas, isso embora estejam os países extremamente presos aos seus respectivos blocos; relações diplomáticas também seriam ótimas, como por exemplo, a facilitação de vistos, o que para Portugal seria difícil devido ao Espaço Schengem

 

***

Sim, tudo poderá ser um mar de rosas, e uma união de corações brasileiros e portugueses, unicamente se cada país (Brasil e Portugal,) continuar a aplicar a sua própria língua: no Brasil, as tais «Técnicas de Comunicação e Expressão», e em Portugal, a Língua Portuguesa, saída da Convenção Ortográfica de 1945, ainda em vigor, oficialmente, porque oficiosamente aplica-se o AO90.

 

Entretanto, na conversa entrou um Badstuber, que representa a “galera” baixa do Brasil, e que, também em reprodução, ipsis verbis, diz esta coisa espantosa, infelizmente, comum a milhares de brasileiros:

 

«Precisamente por ter muitos negros no Brasil, é que eu não gosto de negros. Eu sei como são vocês. Onde têm negros sempre vai ter pobreza, delinquência, favelas, etc. E ainda assim vocês se vitimizam. Odeio os portugueses por ter trazido tantos negros para o Brasil.

 

Isabel A. Ferreira portugueses de merda, o Brasil é um pais ruim por culpa de vocês. Vocês trouxeram escravos africanos. negros são sinônimos de pobreza, favelas, delinquencia, assaltos, violência, vandalismo, trafico de drogas, aids, funk, estupros, atraso, homicidios, etc. Sem negros o Brasil seria um pais muito melhor.»

 

A fonte desta conversa está no link (mais abaixo) onde pode ler-se inacreditáveis comentários de muitos mais badstubers onde a lusofobia está bem patente no que representa o pensar de, infelizmente, uma larga franja do actual povo brasileiro.

 

 

***

Na terceira parte deste trabalho ater-me-ei a um livro de crónicas, intitulado “A Brasilidade dos Portugueses”, da autoria de A. Gomes da Costa, presidente do Real Gabinete Português de Leitura, sediado no Rio de Janeiro (Brasil), publicado pela Editorial Nórdica Ltda., e com o qual espero provar a origem política do AO90 que Portugal, servil e parvamente, está a tentar impingir-nos.

 

Isabel A. Ferreira

***

Para recordar:

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (I)

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-52848

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:51

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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

HOJE, NUMA LIVRARIA, EM ACÇÃO ANTI-AO90…

 

LIVROS.jpg

 

Hoje, descoloquei-me à livraria onde habitualmente compro livros e material de escritório, em busca de um determinado livro, para oferecer a um amigo galego (que lê bem o Português), e naturalmente frisei que só o levaria na versão Portuguesa (não vou oferecer gato por lebre a um amigo com quem costumo “trocar” livros). Até agora enviei os meus, e em troca, ele envia-me autores galegos, em bom Galego e Castelhano. Mas só tenho nove livros publicados. Agora terei de lhe enviar outros autores.

 

E aproveitei para dar uma vista de olhos.

 

Encontrei autores portugueses que não se vergaram à ortografia mutilada, e a quem tiro o meu chapéu, mas em contrapartida, encontrei uma série de livros, da Porto Editora, para crianças, mal escritos. Horrorosamente escritos em acordês, e todos os livros traduzidos, que eu até gostaria de ler, seguem o ao-mutilado, e terei de lê-los nos originais, ou nas traduções inglesa e castelhana.

 

E foi isto mesmo que disse à empregada de balcão, acrescentando também que, às minhas crianças, ofereceria os livros que as editoras me enviavam (antes desta tragédia chamada AO90), para que eu os comentasse e publicitasse nas minhas páginas dedicadas à infância, num jornal, que já foi um dos mais prestigiados do Norte, e que a incompetência extinguiu: «O Comércio do Porto». Tenho-os ali todos. Novinhos. E são esses que oferecerei. As novas versões desses mesmos livros serão para atirar ao lixo.

 

Hoje estava sozinha na livraria. Então a senhora aproveitou (penso eu, porque eu sempre que ali vou digo o mesmo) para me dizer que de todos os clientes que ali vão eu sou a única que ligo ao pormenor da Língua.

 

Como disse?????

 

Nunca ninguém aqui entrou a procurar livros escritos em boa Língua Portuguesa?

 

«Não. Nunca. A senhora é a única! Os outros, pedem os livros, e estejam como estiverem escritos, compram-nos».

 

Confesso que fiquei desiludida.

 

Então eu ando pelo Facebook, e aparece-me tanta gente a dizer que não compra e não oferece livros em acordês-malaquês e dou comigo a ser a única a ligar ao pormenor da Língua, numa livraria onde tanta gente compra livros?

 

Das duas uma: ou a senhora da livraria mentiu-me, ou existem muitos mentirosos por aí…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:43

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

HÁ COISAS MAIS IMPORTANTES DO QUE O AO90

 

 

Angola e Moçambique não têm qualquer interesse em ratificar uma ortografia mutilada

 

BARRICA.png

 

José Marcos Barrica, Embaixador de Angola em Portugal, diz que "Há coisas mais importantes” do que o Acordo Ortográfico de 1990.

 

Logo, o AO90, não sendo acordado pelos oito países que fazem parte da lusofonia, não tem qualquer validade.

 

Não tendo qualquer validade, não pode continuar a ser aplicado em Portugal, muito menos ensinado às crianças, nas escolas.

 

José Marcos Barrica, à semelhança do que disse o moçambicano Murade Isaac Murargy, Secretário executivo da CPLP, antes da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP salientou que «Há coisas mais importantes a ter em conta do que o Acordo Ortográfico. Nós entendemo-nos perfeitamente escrevendo com ou sem alguns cês ou pês. Na nossa óptica, não é uma questão que deva mobilizar os nossos esforços

 

Ora o senhor Embaixador Angolano disse o que disse, e muito bem.

 

Estávamos nós todos, muito tranquilos, a escrever em Bom Português, e a entendermo-nos perfeitamente, com todos os cês e pês nos seus devidos lugares, por que motivo haveríamos de deitar ao lixo todo um legado linguístico culto e um precioso acervo literário, apenas para satisfazer a vontade obscura a uma minoria?

 

Refira-se que Angola e Moçambique continuam sem ratificar o AO90,  nem o 1.º, nem o 2.º Protocolos Modificativos, o que deverá levar a um recuo, que ficou suspenso por um fio de aranha, quando Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, visitou Moçambique, e   inteirando-se da situação, disse alto e em bom som que o assunto deveria ser ponderado, mas desde então emudeceu, não estando a defender a constitucionalidade, conforme jurou defender.

 

A Angola e Moçambique, que têm para cima de duas dezenas de “línguas nacionais”, não têm qualquer interesse em ratificar o AO90, que, com as suas duplas grafias, erros e deficiente cientificidade, em vez de unificar a língua, desunificou-a, de tal modo que seria um desastre implementar esta ortografia mutilada apenas porque sim, nestes países africanos, assim como está a ser desastroso em Portugal e, a manter-se, só irá prejudicar o ensino do Português euro-afro-asiático-oceânico, que até 2012 estava de muito boa saúde.

 

O AO90, que não interessa nem ao Menino Jesus (como sói dizer-se)  seduz apenas os subservientes políticos que, vá-se lá saber porquê (ou saberemos?) querem, porque querem, vender por dez réis de mel coado, aquela que é a Língua Oficial de Portugal, consignada na Constituição da República Portuguesa.

 

E como diriam os nossos irmãos brasileiros: «Nesse mato tem coelho».

 

Isabel A. Ferreira

Fonte:

http://www.jornaltornado.pt/angola-e-mocambique-nao-tem-qualquer-interesse-em-ratificar-o-acordo/#.WClrASMMzoY.facebook

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016

A ANPROPORT (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS) PRETENDE FIM DO AO90 NAS ESCOLAS

 

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Origem da imagem: Internet

 

Com o objectivo de pôr fim ao AO90 nas escolas, a Associação Nacional de Professores de Português (Anproport) com a colaboração do grupo “Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990”, constituído na rede social Facebook e que já tem mais de 30 mil membros, avançou com uma acção no Supremo Tribunal Administrativo, a impugnar a resolução do Conselho de Ministros 8/2011, que mandou aplicar nas escolas o Acordo Ortográfico de 1990.

 

E muito bem. Até porque é um crime enganar as crianças que não têm como defender-se da imposição de um ensino mutilado da própria Língua Materna.

 

E se houver bom senso, racionalidade e intenção de repor a legalidade e cumprir o que está consignado na Constituição da República Portuguesa, nomeadamente, no Artigo 11º, alínea 3, que diz respeito aos símbolos nacionais e língua oficial: «A língua oficial é o Português» (não é o acordês), as escolas podem deixar de ter de ensinar a Língua Portuguesa, segundo um acordo que não é legal.

 

Artur Magalhães Mateus, jurista e primeiro autor da acção, explicou à agência Lusa que, caso a acção vingue, o AO90 continua, mas deixa de ser imposto, não será vinculativo. E o responsável acredita que, não sendo vinculativo, em pouco tempo será esquecido.

 

No passado mês de Maio os mesmos autores apresentaram uma outra acção, no sentido de que fosse anulada a norma jurídica que aplica o AO90 que, como já foi provado em livro, é ilegal, e se não estou enganada, ainda se aguarda por uma resposta. Em Portugal é tudo tão lento....

 

Artur Magalhães Mateus referiu ainda que esta acção «segue-se a outras intentadas na administração pública com o mesmo objectivo, bem como a apresentação de petições”, e recolha de assinaturas para um referendo sobre a matéria.

 

Questionado sobre se uma nova mudança na forma de escrever não poderia vir a confundir os alunos o jurista assegurou que: “Regressar a uma grafia correcta e não responsável por novos erros é sempre positivo. Quando foi feita esta resolução do Conselho de Ministros, também ninguém questionou se seria penoso para as crianças”.

 

E eu posso garantir, por experiência própria, que uma criança desaprende tão facilmente como aprende. Foi isso que fiz quando tive de aprender e desaprender a Língua nas versões brasileira e portuguesa, na infância, adolescência e juventude, por viajar de Portugal para o Brasil, e do Brasil para Portugal, várias vezes. Uma criança aprende tudo, porque tem o cérebro ainda bastante disponível.

 

Ainda de acordo com o jurista, a vantagem da mudança é uma grafia “muito mais lógica, mais fácil de aprender e que não causa erros como a de agora”, tanto mais que, com o AO90, há palavras que estão a ser escritas e acentuadas de forma errada.

 

Acrescente-se que foi José Sócrates o grande responsável pela imposição desta mixórdia ortográfica, sem ponta por onde se lhe pegue, através da resolução do Conselho de Ministros 87/2011, do XVIII Governo Constitucional, por ele liderado, daí este acordo ser também conhecido em Portugal por “socratês”, e que o mandou aplicar no sistema de ensino no ano lectivo de 2011/2012.

 

Para que se entenda toda esta “ondulação forte” ao redor do AO90, recomendo vivamente a leitura do livro do Embaixador Carlos Fernandes «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor - Prepotências do Governo de José Sócrates e do Presidente Cavaco Silva», publicado em Abril/2016, pela Guerra & Paz.

 

Creio que este livro não foi lido por nenhum actual governante português, desde o PR ao mais apagado deputado da Nação, passando pelo PM, e alguém ligado aos tribunais. 

 

Creio… porque se os actuais governantes portugueses e esses “alguéns” ligados aos tribunais o tivessem lido (como é obrigatório ler) neste momento (Novembro de 2016) já este acordo estaria atirado ao lixo e no novo ano escolar de 2016/2017, as nossas crianças já não teriam de levar na cara com este pano encharcado de água choca.

 

Porque, este livro prova com todas as letras, que o AO90 é ilegal, não está em vigor em Portugal e que os nossos governantes andam a brincar connosco, mas pior do que brincar com os Portugueses é ENGANAR as nossas crianças, e se isto for bem esmiuçado, até poderia ser alvo de um processo-crime.

 

Por que não?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:49

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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (I)

 

Esclarecimento: para que não subsista qualquer dúvida na mente dos leitores, acerca do que escreverei sobre esta matéria, sinto-me na obrigação de, desde já, esclarecer que sou uma assumida e aguerrida anticolonialista, anti-imperialista, anti-racista, anti-xenófoba, antiesclavagista e anti-preconceituosa.

 

Tenho o Brasil no coração, como minha segunda pátria, e considero todos os povos do mundo meus irmãos. Porém, nunca me calei, nem nunca me calarei, diante do menosprezo a que o meu País é frequentemente votado, por mero preconceito, profunda ignorância e uma incompreensível lusofobia.

 

Sei que existem muito bons aliados brasileiros, como o Paulo Franchetti, que aqui cito, mas também sei que além de serem uma minoria, não são eles que mandam nestas coisas da Língua. É o Itamaraty.

 

Por isso, e por conhecer bastante bem a realidade, tanto a de lá como a de cá, ouso atrever-me (assim mesmo) a dizer o que muitos já poderão saber, mas não têm a coragem de dizer alto.

 

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Realmente, a ordem que vem de cima, na esmagadora maioria das vezes, assenta num interesse que vem de baixo, e quase nunca é a ordem das coisas.

 

E isto é absolutamente inaceitável. Se numa Democracia, o povo é soberano, é ao povo que cabe acabar com a descomunal fraude do AO90.

 

Todos nós sabemos que o chamado Acordo Ortográfico de 1990 não é mais do que a ortografia (mais coisa, menos coisa) que o Brasil, continuou a adoptar, quando renegou, apesar de a ter assinado, a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 que, esta sim, unificava a Língua, e a qual, «desde então, tem vigorado em Portugal e antigo Ultramar português, como ortografia oficial portuguesa e (…) ainda vigora, por falta da sua revogação», à excepção «desse esquisito irmão de Portugal, que é o Brasil» (1).

 

Posto isto, quando falamos do abrasileiramento da ortografia portuguesa, daquela que entrou em vigor em Portugal e em mais seis países lusófonos (exceptuando o Brasil), a 1 de Janeiro de 1946, estamos a falar do acordês, do brasileirês, do malaquês, do socratês, do lulês, do cavaquês, e mais recentemente do costês e do marcelês, vulgarismos pelos quais o AO90 é conhecido. Ou seja, é tudo menos Português.

 

Como chegámos a este ponto?

 

Temos de recuar no tempo e analisar o que nos diz a História.

 

1 - A História diz-nos que o território, ao qual se deu o nome de Brasil, foi achado a 22 de Abril de 1500, pela frota de Pedro Álvares Cabral, um ilustre navegador português, ao serviço de Dom Manuel I, nosso Rei.

 

2 – Lá chegados, os Portugueses encontraram um território já povoado por tribos indígenas com uma cultura primitiva, mas que era a deles. E estes é que eram os verdadeiros donos daquele território.

 

3 – Tal como fizeram os restantes povos (descobridores de mares e terras), os Portugueses mesclaram-se com os indígenas e levaram para o Brasil homens e mulheres (gente boa e menos boa) e ali cresceram e multiplicaram-se à boa maneira bíblica.

 

4 – Como os indígenas eram senhores de si, não alinharam de livre e espontânea vontade com os Portugueses no que respeita à construção de um país. Então, já descobertos os territórios africanos, cujos indígenas raptavam os seus próprios irmãos e os vendiam como escravos a quem os quisesse comprar, os Portugueses (como todos os outros povos colonizadores) viram ali um grande negócio e levaram para o Brasil os africanos e, com uns e com outros, assim se foi criando um novo povo.

 

5 – Na fúria daqueles tempos, em que os senhores do mundo queriam dominar os povos descobertos, à América do Sul foram chegando Espanhóis, Ingleses, Franceses, Holandeses, e pelo que sabemos, as senhoras daquela época eram formosas como as rosas, e então continuou-se aquela multiplicação bíblica, agora com mais possibilidade de escolha.

 

6 – E o tempo foi passando e, entre o povo, cada vez mais brasileiro, foi crescendo o sonho da independência, até porque Dom João VI foi criando no Brasil as estruturas essenciais a um povo, para que caminhasse com os próprios pés. Em 1820, rebenta em Portugal uma revolução liberal e a família real foi forçada a regressar a Lisboa. Dom João VI nomeia então o seu filho mais velho, Dom Pedro de Alcântara Orléans e Bragança, como Príncipe Regente do Brasil, em 1821. Instado pelas circunstâncias, a 7 de Setembro de 1822, encontrando-se Dom Pedro nas margens do riacho Ipiranga, (onde se situa a actual cidade de São Paulo) deu aquele grito de “independência ou morte” e em 12 de Outubro do mesmo ano é proclamado Imperador, com o nome de Dom Pedro I. E assim nasce o Império do Brasil, completamente desligado de Portugal. E o Brasil continuou Império até 15 de Novembro de 1889, quando se transformou no Brasil República.

 

7 – A partir daqui, já completamente livre do jugo português, e com, pelo menos, duas gerações legitimamente brasileiras, os Brasileiros ficaram senhores de si próprios e responsáveis por tudo o que daí em diante fizeram (ou não fizeram) pelo Brasil.

 

8 – A partir daqui nasceram quatro grupos de cidadãos brasileiros: os indiferentes, para quem tanto faz, como tanto fez; os saudosistas, que suspiravam pela majestade do antigo Império; os progressistas, aqueles para quem o passado é passado, vamos construir o futuro (infelizmente a minoria); e os ressabiados, aqueles que, sem saberem sequer porquê, rejeitaram pura e simplesmente o passado de colonizado, e criaram à volta dessa rejeição, quase irracional, um complexo de inferioridade (que o escritor e jornalista brasileiro, Nelson Rodrigues, com muito humor, designou como “complexo de vira-lata”, e, ainda mais irracionalmente, vivem no sonho de quererem ter sido colonizados pelos Ingleses, uma vez que têm como “ídolo” o gigante norte-americano, desconhecendo por completo que a história do gigante norte-americano é tão igual ou até mesmo inferior (facto: os Ingleses sempre foram muito mais racistas e xenófobos do que os portugueses) do que o gigante (ainda a ser) sul-americano, desenvolvendo-se a partir daqui uma perniciosa e irracional lusofobia.

 

9 – E é dentre estes ressabiados que, vá lá saber-se como, saíram uns tantos que, chegados ao poder, introduziram esta lusofobia no ensino da Língua Portuguesa (idioma que livremente adoptaram depois da independência, pois ninguém lhes impôs nada) e também no (inacreditável) ensino da História do Brasil.

 

10 – Chegados aqui, há que dar provas disto.

 

O que ficará para a segunda parte.

 

(1) in «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor» da autoria do Embaixador Carlos Fernandes (Edição Guerra & Paz)

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:42

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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

BASTA DE TANTA SUBSERVIÊNCIA GOVERNAMENTAL AO LOBBY ACORDISTA!

 

É lamentável que mais vozes não se façam ouvir na Assembleia da República. A subserviência do governo português ao lobby acordista é deplorável, é indecente, é criminosa, é um insulto à inteligência dos Portugueses, à sua História, aos seus antepassados, que lutaram para nos deixar um PAÍS LIVRE, que os actuais governantes querem transformar numa COLÓNIA.

 

Quanta indignidade! Quanta desonra! Quanta bajulação! Quanta infâmia! 


Agradecemos ao Senhor Deputado José Carlos Barros, e esperamos, pelo menos eu espero, que não se conforme mais vezes, muitas mais vezes. E que faça muitas intervenções do género, porque é preciso lembrar aos que acham que o AO90 é uma moda "moderna" que o AO90 tem berço antigo, muito anterior a 1990 e assenta numa lusofobia que brevemente será provada, e os governantes portugueses andam a fazer uma triste figura, sendo tão subservientes ao abrasileiramento (porque o AO90 não passa disto mesmo ) da Língua Portuguesa, rejeitada no Brasil. Eu disse, e muito bem, REJEITADA.

 

É que nem sequer ensinam Língua Portuguesa ou Português no Brasil. No Brasil ensina-se "Comunicação e Expressão", porque a palavra "Português" lembra o colonizador.

 

Já Houaiss havia declarado que o acordo de 1945 - que, esse sim, unificava a língua - foi recusado no Brasil por ser "LUZITANIZANTE". E nos anos 30, os motivos invocados para a mutilação da língua são também de ordem política, ou melhor, lusófoba.

 

E esta subserviência portuguesa é absolutamente intolerável, vergonhosa.

 

O que pretende Portugal com isto?

 

Isabel A. Ferreira
 

 

«Tradutores contra o Acordo Ortográfico

 O ministro da Cultura foi ontem directamente confrontado pelo deputado do PSD José Carlos Barros com o caos decorrente da aplicação do Acordo Ortográfico. Como exemplo, é citada a nota técnica do Orçamento do Estado para 2017 do Ministério da Cultura que apresenta a já generalizada mixórdia ortográfica que o próprio Estado dissemina, violando o tratado que pôs obstinadamente em vigor. O ministro reage com a habitual insipidez sempre que o assunto é o AO.

 

Perante o alheamento e a desvalorização da língua, não se alegue, portanto, que o poder político desconhece a situação ou que não lhe é chamada a atenção para o problema.»

 

Vídeos retirados daqui: http://bit.ly/2eOF6T5

(http://bit.ly/2fi7D47) Subscreva a iniciativa de referendo:

https://referendoao90.wordpress.com/documentos-para-recolh…/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

«O PORTUGUÊS QUE NOS PARIU»

 

QUANDO OS PORTUGUESES SÃO HUMILHADOS E NINGUÉM SE INSURGE CONTRA ESSAS HUMILHAÇÕES...

 

Em 2009, escrevi um texto a propósito destas humilhações, às quais os portugueses se vergam com muita deferência, o que me deixa perplexa.

 

Vou recuperar este texto para servir de Introdução ao que pretendo divulgar sobre a génese do AO90, que tem tudo a ver com o que se escreveu no livro «O Português que nos Pariu», objecto deste meu texto.

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QUANDO OS PORTUGUESES SÃO HUMILHADOS E NINGUÉM SE INSURGE CONTRA ESSAS HUMILHAÇÕES...

(Parte II)

 

Continuando com o tema dos maus-tratos a que o povo português tem sido sujeito por parte de gente preconceituosa e que ignora o que fomos e o que somos, hoje debruçar-me-ei sobre o livro da jornalista brasileira Angela (sem circunflexo) Dutra de Menezes, intitulado «O Português Que Nos Pariu», publicado no Brasil, no ano 2000, pela Relume-Dumará, e editado em Portugal pela Civilização Editora, em 2007.

 

Quando me foi sugerida esta leitura, disseram-me: «Se ficou indignada com o livro «1808», de Laurentino Gomes, ao ponto de escrever a sua «Contestação», então com este ainda terá mais motivos para se indignar».

 

Confesso que fiquei curiosa.

 

Tratei imediatamente de adquirir o livro. E de facto fiquei estupefacta. Alguns autores portugueses vêem-se rejeitados pelas nossas editoras, com obras válidas, com qualidade literária e que respeitam a Língua Portuguesa. São rejeitados como lixo. Contudo essas mesmas editoras aceitam publicar tudo o que vem de fora, sem qualquer pejo, ainda que maltratando a nossa Língua e o nosso Povo.

 

É injusto. Muito injusto!

 

O Português que nos pariu é um livro híbrido. Nem peixe, nem carne.

Comecemos pelo título, nitidamente conotado com aquela outra expressão vulgaríssima, que se usa para insultar a mãe dos outros (neste caso o pai). Um título infeliz e que diz muito sobre o conteúdo do livro.

 

Na contracapa lê-se que a escritora, «propõe uma nova maneira de encarar a História (...) lançando mão de uma linguagem bem-humorada e sem a rigidez dos livros didácticos. (...) A perspectiva da História que nos apresenta é um “olhar índio”. É como se (...) um audaz grupo de índios pegasse numa piroga e desembarcasse nas margens do Tejo para ver de onde (...) tinham surgido aqueles homens brancos e de hábitos estranhos que foram desinquietar as suas vidas».

 

Fiquei ainda mais curiosa. Um olhar índio. Eu, que quando estudei nas escolas brasileiras a parte da História comum aos dois países, sempre considerei que os indígenas brasileiros, esses sim, tinham muitas razões de queixa contra aquele povo que, um certo dia, entrou no seu território e se apossou das suas terras, transformando-as no quintal deles, e as suas crenças e a sua cultura foram tidas como coisas do “diabo”, que deviam ser banidas e substituídas pelos valores ocidentais da Cristandade.

 

No entanto, que desilusão! O “olhar” não foi de índio, mas de uma ex-colonizada que ainda não “encaixou” o facto de aquele território ter sido dado a conhecer ao mundo por um povo pequeno, mas de alma grande (à parte os despautérios perpetrados contra os indígenas e mais tarde contra os escravos vindos de África, o que não tem perdão à luz da razão, mas pode ser admitido à luz dos archotes que então ardiam, por todo o mundo, ainda pouco iluminado, naquele tempo).

 

Devo dizer que em questão de contextualização, o livro da Angela (não sei o que me parece escrever este nome sem acento circunflexo) é mais correcto do que o «1808», do Laurentino Gomes, que disse as coisas fora do seu contexto, o que retirou credibilidade à narrativa. No entanto, O Português que nos Pariu contém algumas imprecisões históricas, e é todo escrito num tom nitidamente escarnecedor (não de humor, humor é outra coisa), ao jeito do vídeo da Maitê Proença, uma brincadeirinha... que acabou com uma cuspidela na fonte (e os porcos somos nós!).

 

Já agora posso igualmente fazer uma referência ao filme da brasileira Carla Camurati, intitulado Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, uma pretensa comédia, que faz uma caricatura pavorosa da coitada da Dona Carlota e do Dom João VI, se bem que a interpretação dos actores seja admirável. Porquê esta aleivosia contra um povo que até nem foi dos piores no que respeita ao desempenho colonizador?

 

Antes de entrar propriamente nos meus comentários, devo dizer que fiz uma breve pesquisa na Internet, sobre este livro, e deparei-me com dois textos que me deixaram perplexa.

 

Um deles, numa página que suponho ser da editora Relume-Dumará, que inclui um texto não assinado, diz o seguinte (os sublinhados são meus):

 

Além de um casal luso, alguém sabe fazer um português?

 

«A receita está no livro O português que nos pariu - Uma viagem ao mundo dos nossos antepassados, de Angela Dutra de Menezes. Junto com a receita, o leitor leva, de brinde, "estórias" da História portuguesa. Fatos que, de um jeito ou de outro, marcaram o caráter brasileiro.

 

Tudo narrado com bom humor, já que a história oficial é insossa e arrastada. Por que não jogar na mesa que o grande Afonso Henriques provavelmente amargava um insolucionado Complexo de Édipo? Que dom Henrique, o Navegador, não sabia navegar? Que dom Sebastião, o tal do messianismo, não passaria em psicotécnico de nenhum Detran da vida? Descontração não anula a verdade dos fatos. Se o livro dá um "jeitinho" de colorir a História é porque nosso "jeitinho" também é herança lusa.

 

Nossos antepassados portugueses foram grandes e audazes. Inventaram o Estado-Nação, descobriram novos mundos e, um dia, olhando o mar, concluíram filosoficamente que aquilo era um caminho – para além havia terras. Lá se foram eles; aqui estamos nós.

 

Cinco séculos se passaram. Sobrou tempo para os portugueses inventarem a palavra saudade, enquanto se esbaldavam no estupro e no saque. Entre a ternura e a porrada, descobriram o Brasil, colonizaram o Brasil e inventaram um país mestiço, miscigenado e sofrido: mas cheio de graça. (...)»

 

Devo dizer que, de repente, pareceu-me regressar aos meus maus velhos tempos de estudante, quando ouvia estes e outros descalabros sobre a nossa História, nas escolas brasileiras (eu que já havia estudado História em Portugal).

 

E fiquei triste, porque verifiquei que nada mudou, e já lá vão tantos anos! As mentalidades continuam preconceituosas. Continua a ensinar-se disparates. Como hão-de os Brasileiros ter uma ideia correcta da sua própria História? Do seu passado? Do que são e do que foram?

 

Reparem nos sublinhados: a história oficial é insossa e arrastada... Dito mais desditoso! Depende de quem a conta e de como a conta, nenhuma História é insossa e arrastada. Isto depende da inteligência e da sensibilidade de quem ensina História. E o que se diz de Afonso Henriques, do nosso Infante D. Henrique e de D. Sebastião! Quanta ignorância!

 

O livro não dá um jeitinho de colorir a História. A História que nele se conta está completamente enfarruscada pela fuligem negra que se despega das palavras.

 

E perdoem-me, mas o “jeitinho” brasileiro de que se fala neste texto, não é, de modo algum, herança portuguesa; é simplesmente o “jeitinho” daqueles que, depois da independência, se tornaram genuinamente brasileiros, mas não souberam “libertar-se” do que eles consideram o “estigma” português. Sim, porque hoje, no Brasil, nada sobra do que foi verdadeiramente português, a não ser as obras de arte, os palácios, a arquitectura que, por exemplo, transformou a cidade de Ouro Preto em Património Mundial da UNESCO. Nem sequer a Língua, que apesar de parecer, não é a Portuguesa.

 

Fixemo-nos no último parágrafo do texto reproduzido: aquilo é de quem renega o seu passado e vive frustrado com o peso de uma ignorância, que não tem graça nenhuma.

 

Como se isto não bastasse, vagueei mais um pouco pela Internet e deparei com o blog do jornalista português Antunes Ferreira, antigo Chefe de Redacção do Diário de Notícias (1975-1991) e escritor.

 

Este senhor diz: «Êta livro fascinante. A Civilização Editora que o publica em Portugal merece um muito obrigado, à vontade. Firme. Sentido. Permitiu aos Portugas a leitura de um texto primoroso, cheio de graça, ironia (...) Falo de uma obra, neste caso perfeitamente prima, vinda de quem vem, 189 páginas magníficas (...)»

 

Sempre respeitei a opinião dos outros, e esta opinião merece todo o meu respeito, mas não a minha concordância: em primeiro lugar porque um Português que se preze não devia encontrar tanto fascínio numa obra que, de certo modo, e camufladamente, nos amesquinha. Em segundo lugar, a linguagem utilizada no livro é de uma vulgaridade tão nua e crua, que não pode ser (no meu entender) qualificada de primorosa e magnífica.

 

Um exemplo: «A arqueologia prova que os pré-históricos ibéricos já se assemelhavam aos gajos pós-modernos – ora, pois».

 

A autora dá-nos a receita de como se faz um português: misturam-se vários ingredientes (a que ela chama povos) e lá mais para diante diz: «Cuidadosamente misture os revoltosos (refere-se aos lusitanos), os romanos e as tribos que se lixaram para a invasão romana».

 

Diz também que «A cidade do Faro, no Algarve, última em poder dos muçulmanos, voltou a pertencer a Portugal». Seria a cidade do faro do cão de água português, que tanto cativou Barack Obama?

 

Apenas mais uma: «Até hoje, Portugal acredita que os gajos (refere-se aos portugueses emigrados) se esfalfaram de trabalhar em uma pobreza bíblica, desprezados pelos brasileiros, infelizes, desgraçados, maltratados. Só que voltar para lá quase ninguém voltou».

 

Sou testemunha de que sim, os emigrantes portugueses, no Brasil, menos privilegiados do que eu, esfalfaram-se a trabalhar e eram desprezados pelos brasileiros (obviamente) menos cultos.

 

Não regressaram a Portugal aqueles que apesar de trabalharem arduamente, não conseguiram juntar dinheiro suficiente para tal. Outros, mais afortunados, ficaram ricos e não regressaram, porque constituíram lá família e posição social privilegiada. Outros, ainda mais afortunados, embora não enriquecessem, puderam regressar à pátria (o meu caso), por se recusarem a viver cercados de preconceito, e porque as várias estadias no Brasil foram sempre provisórias, por razões do foro privado.

 

Ao contrário, os emigrantes brasileiros em Portugal são tratados como iguais. São respeitados como seres humanos que são. Os Portugueses não costumam escrever livros a escarnecer dos ex-colonos: nem dos do Brasil, nem dos de África, nem dos do Oriente. Aliás, os Portugueses não costumam escrever livros que firam a honra de um povo.

 

Os Portugueses são um povo civilizado (há excepções, certamente, como em todos os povos). Passada a era dos archotes, evoluíram, e não lhes interessa humilhar ninguém, especialmente aqueles que, por infortúnio da vida, não são belos, cheirosos e ricos.

 

Voltando ao livro: se a obra é prima, então não sei de mais nada!

 

Além da linguagem vulgar (não a considero nem irónica, nem bem-humorada) é simplesmente vulgar, no sentido mais inferior da palavra, e gramaticalmente imperfeita, há várias imprecisões históricas e piadinhas que mostram (ainda) o desprezo que o brasileiro (é preciso frisar) menos culto tem pelos portugueses.

 

A Angela ao dizer que Portugal deve ao infante alguns mil quilómetros quadrados, embora naquela época, ninguém falasse em quilómetros, principalmente quadrados não fez mais do que aludir (rodeando a questão) à tão incómoda (para eles) “ignorância” dos portugueses, uma vez que o termo quadrado tem essa conotação.

 

Para terminar, gostaria apenas de deixar aqui uma sugestão aos Brasileiros que escrevem sobre os Portugueses, e aos editores portugueses:

 

Aos jornalistas brasileiros que escrevem sobre História, antes de se aventurarem a abordar o que quer que se seja, a esse propósito, sugiro que leiam os bons livros de História, já não digo os da autoria dos historiadores Portugueses, mas, por exemplo, os de um prestigiado historiador brasileiro, Manoel de Oliveira Lima, para aprenderem a não se envergonharem do seu passado português. Procurem ler também algumas obras de escritores portugueses, e os vossos maravilhosos clássicos (como Machado de Assis, Jorge Amado, Olavo Bilac, Monteiro Lobato, José Mauro de Vasconcelos, entre muitos outros) para não perderem o jeito da Língua Portuguesa. Não se limitem a ficar com o que aprendem nas escolas. Nas escolas aprende-se o preconceito. E isso é mau. É péssimo.

 

Aos que publicam em Portugal estas escritas preconceituosas, aconselho a terem mais brio profissional, e a defenderem a Língua Portuguesa e o Povo Português.

 

Ao contrário do que muitos proclamam, defender a Língua e o Povo não é um conceito rançoso, de antanho, dos tempos das mariquinhas e dos manézinhos e dos chás das caridadezinhas. Essa é uma visão empalada da questão. Quem assim pensa, ficou parado na vida e no tempo.

 

Defender a Língua e o Povo, hoje, é simplesmente defender a própria dignidade, a honra, aquilo que fomos e que somos. O eu colectivo.

 

Dizer sim aos que nos humilham é negar-nos como povo. Não podemos dar razão a quem nos vê como uma gentinha ainda porca, ainda feia, ainda má, ainda ignorante, e deixar que isso corra mundo como uma verdade, nos filmes que os outros filmam, ou nos livros que os outros escrevem...

 

Basta de estimular as mentes deformadas!

 

Já não vivemos no tempo dos archotes. As luzes hoje são outras...

 

Isabel A. Ferreira

 

in

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/24702.html

21 de Outubro de 2009

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:59

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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