Quinta-feira, 23 de Março de 2017

RESISTAMOS À IGNORÂNCIA

 

Sobre o acordo ortográfico

Um texto de 2013, como se fosse de 2017, o que significa que o atraso de vida continua…

Portugal na senda da ignorância…

 

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Por Maria do Carmo Vieira

 

«Entranhou-se em nós este gosto mórbido de reverenciar a ignorância e assistir ao absurdo, amplamente apregoados por fervorosos militantes que defendem o indefensável e optam também por silenciar críticas, consideradas perigosas, porque capazes de despertar incautos ou resignados. Outros há que, usando um discurso oco e de características labirínticas, tendem a confundir os mais ingénuos e pouco habituados a reflectir. Passa-se isto não só no campo político, mas também cultural. O Acordo Ortográfico é um entre muitos exemplos. Vejamos apenas alguns aspectos:

 

  1. Lendo os discursos do ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, e do presidente de Portugal, Cavaco Silva, proferidos no Rio de Janeiro, a 7 de Março de 2008, neles encontramos subjacente a ideia da «projecção internacional da língua portuguesa» na base do Acordo Ortográfico, fortemente justificado pelo número de falantes brasileiros, num colonialismo linguístico inaceitável para Portugal e para os países africanos de expressão portuguesa. Num faz-de-conta de cultura, refere-se o nome de Fernando Pessoa e a sua frase escrita por Bernardo Soares, «Minha pátria é a língua portuguesa», ignorando que a mesma, no contexto em que se integra, se associa a uma outra frase que defende vigorosamente a vertente etimológica da língua, posta tão em causa pelo referido AO – «Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha». Num outro passo do discurso, Lula da Silva retoma a literatura portuguesa e foca o conceito de «Quinto Império» de Vieira, de novo evidenciando desconhecer o seu significado, mas sentindo sem dúvida o agradável cheiro a poder que depois mascara com pozinhos de «solidariedade entre povos e de justiça universal».

 

De acentuar que ambos os discursos, o de Lula da Silva e o de Cavaco Silva, diferenciam-se pela sua sintaxe e pela sua ortografia, disso não resultando qualquer problema na compreensão do sentido do texto nem qualquer confusão relativamente às palavras escritas de maneira diferente. Convivem sem qualquer ruído «projetar, projeto, efetivo, ação, proteção, respetivo com projectar, projecção, projecto, actuação, protecção, respectivo». No entanto, querem fazer-nos demagogicamente crer que estas diferenças dificultam a compreensão e a aprendizagem da língua, constituindo «divergências sérias» que são «largamente prejudiciais para o prestígio do português no Mundo».

 

  1. Em sintonia com o actual gosto de mastigar um vocabulário moderno, novo, que repudia o antigo e o velho, repete-se à exaustão «inovador» ou «inovação», pretendendo-se assim mostrar quão modernos e progressistas são os adeptos da mudança seja ela qual for, para o bem ou para o mal. Daí a estafada acusação de «Velho do Restelo» a quem resiste e reage a essa argumentação. A expressão camoniana, tão continuamente usada por ignorantes que, na verdade, desconhecem o significado desse «Velho de aspeito venerando», surgiu no debate de 17 de Maio de 2008, na Assembleia da República, cuja leitura das actas da referida sessão envergonhará qualquer português. Com efeito, alguns deputados, de partidos vários, adeptos convictos do «novo», do «moderno» e da «língua portuguesa do futuro», falaram assim:

 

– «A continuação da língua portuguesa deve ser o nosso desafio e essa deve ser a medida das posições de todos os que se preocupam com o futuro da língua portuguesa, recusando seguir posições e posicionamentos que Camões tão bem retratou e deu a conhecer como de “Velhos do Restelo.”»

 

– Os portugueses devem abandonar a «vocação para isolacionismos», sabendo «ser os legítimos herdeiros de quem não temia o novo, de quem ousava descobrir novos rumos de progresso.»

 

– «[…] não podemos deixar de perguntar aos que questionam este Acordo o que têm feito, por exemplo, para defender a língua portuguesa que é tão maltratada nas nossas escolas?»

 

– «[…] respeitando as opiniões de autores, de cientistas, de especialistas de que uma ou outra solução técnica possa não ter sido a mais perfeita, não é isso que pode impedir um olhar político e uma perspectiva de futuro acerca da língua portuguesa».

 

– «Como já foi dito, a ninguém fica castrada a liberdade de criar segundo as regras da sua própria escrita.»

 

Talvez também por inovação, querem agora obrigar-nos a pronunciar «dáblio» (w) no alfabeto, tal como aparece no AO, base I, 1º, em vez de «dâblio» na norma ortográfica portuguesa.

 

  1. A Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) apresenta argumentos que dificilmente acreditamos terem sido desenvolvidos por «peritos» e «especialistas» da Língua Portuguesa, como dificilmente podemos acreditar na aceitação do mesmo texto por parte de alguns professores universitários, cultos e inteligentes. Não referimos já os deputados que discutiram o AO na Assembleia da República porque lamentavelmente nenhum deles a terá lido. Com efeito, na argumentação usada nesta Nota Explicativa, ficamos, como Las Casas (1474-1566), sem saber se rir ou se chorar perante o absurdo e a ignorância das afirmações feitas. Por uma questão de espaço, exemplificaremos apenas três situações:

 

. Ponto 4.2 («Justificação da supressão de consoantes não articuladas»), alínea c), em que sobressai a compaixão pelas crianças de 6-7 anos face ao uso das consoantes mudas: «É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. […] Só à custa de um enorme esforço de memorização» poderiam as crianças fazê-lo o «que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua».

 

. Ponto 4.2 («Justificação da supressão de consoantes não articuladas»), alíneas d) e f), em que se refere a «teimosia lusitana em conservar consoantes que não se articulam» quando a «norma brasileira» já «há muito as suprimiu», acentuando-se o facto de não se dever tentar «impor a sua grafia àqueles que há muito as não escrevem, justamente por elas não se pronunciarem.»

 

. Ponto 4.4 («Casos de dupla grafia) em que erroneamente se afirma «Sendo a pronúncia um dos critérios em que assenta a ortografia da língua portuguesa […]». (sublinhado nosso).

 

São alguns dos exemplos sobejamente conhecidos, mas duvidando muitos da sua veracidade precisamente porque não se dão ao trabalho de ler a Nota Explicativa; outros, lamentavelmente, conhecem-nos, mas silenciam-nos tal como aconteceu com os vários pareceres contrários à aplicação do Acordo. Enquanto professora, não posso deixar de transcrever o parecer dado pela Direcção-Geral dos Ensinos Básico e Secundário: «Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação e é, frequentemente, uma simples consagração de desacordos».

 

Cansados certamente da falta de eficácia dos argumentos de influência «salazarista» e de «velhos do Restelo», os defensores do Acordo iniciam agora nova estratégia, aproveitando-se da chaga que representa o desemprego. Com efeito, chegam ao desplante de afirmar que o AO virá aumentar as possibilidades de emprego e, no mesmo âmbito miserabilista, apontado às crianças africanas, alega-se «que o acordo facilita a alfabetização das crianças pobres dos países africanos, o que aumenta o número de falantes/escreventes».

 

Gostaria de salientar que se quisermos podemos alterar esta situação. Basta que resistamos à ignorância e que não aceitemos ser passivos perante o absurdo. Podemos intervir, assinando por exemplo a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, no endereço www.ilcao.cedilha.net ; solicitando uma audiência ao Grupo de Trabalho para Acompanhamento do AO, criado recentemente pela 8ª Comissão de Educação, Ciência e Cultura; participando activamente em debates e fóruns, podendo também organizá-los com outros amigos, como o que irá realizar-se no auditório 1 da Universidade Nova (FCSH), Av. de Berna, em Lisboa, no dia 20 de Março pelas 18.00 horas, intitulado «Onde Pára e Para Onde Vai a Língua Portuguesa», sendo intervenientes o deputado Mota Amaral, a professora Maria Alzira Seixo, o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares, o jornalista Nuno Pacheco do jornal Público, o jornalista António Guerreiro, a tradutora Hermínia Castro (ILC), a par de professores e alunos do ensino secundário e universitário.

 

Termino com Fernando Pessoa: O Estado nada tem a ver com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno […].

 

Maria do Carmo Vieira

 

Lisboa, 17 de Março de 2013

 

Fonte:

http://ilcao.cedilha.net/?p=10212

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:53

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

DEPUTADOS DA NAÇÃO USAM MIXORDÊS PARA SE COMUNICAREM

 

O mixordês é a mistura do Português com o acordês, que dá uma linguagem que não se encaixa na Língua Oficial de Portugal, e que se encontra em vigor - a Língua Portuguesa.

 

Não é uma vergonha? Chego a duvidar que  Portugal seja um país Europeu...

 

Os deputados dos restantes países Europeus também escreverão, nas respectivas línguas oficiais, assim tão mal?

 

«Num texto que cabe numa página, o espelho da actual situação ortográfica em Portugal: mistura das normas pré e pós-Acordo Ortográfico e erros por hipercorrecção que antes não se verificavam. O poder político, que instituiu o AO, é o primeiro a desrespeitá-lo, mas finge que nada se passa. Até quando irá durar esta cegueira voluntária que fustiga a língua portuguesa?» (Tradutores contra o Acordo Ortográfico)

 

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Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614.1073741827.199515723483437/1171925266242473/?type=3&theater

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:00

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Domingo, 19 de Março de 2017

NA GUINÉ-BISSAU PREDOMINA A FRANCOFONIA… ONDE SE ENCAIXARÁ A LUSOFONIA?

 

Recentemente, ao ver a reportagem de Vítor Bandarra para a TVI24 - O que é feito da Guiné-Bissau? – que pode ser consultada na íntegra neste link:

http://www.tvi24.iol.pt/dossier/o-que-e-feito-da-guine-bissau/58b021410cf222228e5c0012

descobri que o Português ali é uma escolha terciária. Mal se fala. Mal se escreve. Portanto não é correcto falar em Lusofonia, quando se fala da Guiné-Bissau.

E com toda a propriedade, como podemos comprovar nos excertos desta reportagem, que seleccionei.

 

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 Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde a língua utilizada para a aprendizagem é o Francês.

Origem da Foto: https://www.facebook.com/184265201684674/photos/a.187740458003815.37050.184265201684674/187748824669645/?type=3&theater

 

Nesta reportagem pode ler-se:

 

«Muito dependente da ajuda internacional (incluindo da cooperação portuguesa) e das fracas exportações de caju, a Guiné-Bissau sofre de crónica falta de escolas, hospitais, infra-estruturas, formação técnica. "Entalada" entre vários países francófonos (a começar pelo Senegal e Guiné-Conacri), a própria Língua portuguesa vai sofrendo a erosão do Francês. Só as elites e os mais velhos (que cresceram no tempo colonial) ainda falam, ou apenas entendem, o Português.

 

Por motivos lógicos e simples: a primeira língua que as crianças aprendem é a materna (o fula, o mandinga, o balanta, o papel, o bijagó...) E para que todos se entendam e comuniquem, aprendem também o crioulo.

 

O Português, quando não é ultrapassado pelo Francês, é apenas a terceira línguados guineenses.

 

(…)

 

Um choque cultural e linguístico para três jovens médicos lusitanos, recém-licenciados, que os repórteres da TVI foram encontrar, de mochila às costas, em Nhacra, a caminho de Bafatá, no interior. Ao contrário de muitos compatriotas, em vez de escolherem o Algarve, Cabo Verde ou o Brasil, os três aventureiros decidiram fazer férias... na Guiné-Bissau. E descobriram que, por aqui, o Português é uma língua meio exótica, ainda que seja a Língua oficial do Estado guineense.»

 

***

Na segunda parte desta reportagem (que vale a pena ver na íntegra), lá mais para o final, Vítor Bandarra entrevista um professor da Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde se diz que os alunos que frequentam aquela faculdade utilizam o Francês, como língua de aprendizagem.

 

Nas escolas, pede-se para falar crioulo, para que entendam, pois têm grandes dificuldades em compreender o Português.

 

Perante isto, podemos questionar: qual o interesse de impingir à Guiné-Bissau o dialecto brasileiro, ou seja, o AO90, se lá o Português, embora sendo a Língua oficial, não o é na prática?

 

Por que não se deixa as ex-colónias seguir o seu próprio caminho, em liberdade?

 

Por que terão de andar a reboque de Portugal, a arrastar uma língua que não lhe diz nada? Incluindo o Brasil, que descartou a Língua Portuguesa em 1945, ficando com o seu dialecto americanizado, italianizado, afrancesado, aportuguesado, e com os dialectos indígenas e africanos à mistura.

 

E em Cabo Verde, o Português é considerado língua estrangeira.

 

Que CPLP será esta?

 

O que é que se pretende UNIR aqui?

 

A Língua, não é com toda a certeza.

 

E no meio disto tudo, só existe UM país "lusófono", ao qual interessa a expansão de uma ortografia que nada tem a ver com a matriz Portuguesa. E esse país não é Portugal.

 

Em Portugal a ortografia estrangeira que está a ser imposta ilegalmente às nossas crianças, só interessa a uma pequena franja da classe política e seus lacaios.

 

A quem é que o governo português quer fazer de parvo?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:29

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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

TEOLINDA GERSÃO DIZ POR QUE É MILITANTEMENTE CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

E eu concordo plenamente com ela.

 

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Fonte:   http://www.delas.pt/teolinda-gersao/

 

O jornalista pergunta:

«É militantemente contra o acordo ortográfico. Porquê?»

 

Teolinda Gersão responde:

 

«Porque o Português Europeu é uma língua latina e deve manter a sua etimologia. Não se pode ensinar às crianças que o Português é uma língua latina quando as raízes latinas foram apagadas. Os países germânicos, como a Inglaterra e a Alemanha, mantêm-nas porque herdaram muitas palavras latinas, por influência do Império Romano. Por que é que nós, que somos um país latino, as vamos tirar? Para copiar o Brasil? Não faz qualquer espécie de sentido. No Brasil, eu percebo que o latim não diga nada. Não há ruínas romanas, obviamente, é um país muito jovem, está noutro continente, tem um enquadramento completamente diferente. Portanto, eu percebo que, no Brasil, as raízes latinas sejam eliminadas. Percebo perfeitamente. Para nós, não faz nenhum sentido. Faz parte da nossa identidade e depois começa a ter influência também na pronúncia. Temos de ter a noção de que as consoantes aparentemente inúteis estão lá a ter uma função que é de abrir a vogal.»

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:45

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Sexta-feira, 3 de Março de 2017

"PORTUGUESE (AFRICA)"??????

 

"Portuguese (Africa)"??

 

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Depois de remover o Português Europeu do Google Tradutor, deixando apenas o Português Brasileiro e apelidando-o apenas de "Português", está o Google agora a admitir que existe um Português em África? E assim sendo, será esta diferente das outras? Ou pelo menos da vertente brasileira? De que modo? Aplicará o AO?

Será esperar para ver... (Firefox contra o Acordo Ortográfico)

 

***

Isto é influência do Brasil.

 

Para muitos brasileiros, pouco dados à Geografia e à Cultura Geral, Portugal não pertence à Europa, mas sim à África. E eu sou testemunha desse ENSINO deturpado. Já tive de me levantar numa aula, no Brasil, para chamar mentiroso ao professor de Geografia Económica, que queria passar essa ideia à turma.

 

A mim, alguns brasileiros chamam-me de marroquina. Não é que ser marroquina me faça mossa. Mas colocam-me num país que não é o meu.

 

Não consigo entender por que os políticos portugueses ainda não se aperceberam de que estão a tomá-los por parvos.

 

E o ministro Santos Silva é um bom ministro dos NEGÓCIOS dos estrangeiros.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/FirefoxContraOAcordoOrtografico/photos/a.248609471911266.45227.213877095384504/992980824140790/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Quinta-feira, 2 de Março de 2017

NÃO POSSO ACREDITAR QUE A "MINHA" UNIVERSIDADE TENHA ADERIDO À MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA DE 1990

 

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Origem da imagem: http://www.voyagevirtuel.de/portugal/photo/coimbra_381.php

 

Tive de enviar um e-mail para a Reitoria da Universidade de Coimbra, e responderam-me numa ortografia estranha, que nem é carne, nem peixe, nem boi, nem vaca, nem água, nem vinho…

 

Todos sabemos que a ortografia preconizada pelo AO90 é quase na sua totalidade importada do Brasil. Digo quase, porque existem algumas raríssimas excePções.

 

No Brasil, a palavra recePção escapou à guilhotina, e escreve-se correCtamente, mantendo a sua etimologia, comum às várias línguas (cultas) europeias, oriundas do Latim.

 

Mas em Portugal, incompreensivelmente, a palavra perdeu o P, e o seu significado transformou-se numa coisa esquisita, que ninguém sabe o que é.

 

Por outro lado, a palavra contaCto, no Brasil, foi mutilada, porque lá, italianizaram o termo e não se lê, nem se escreve o C, ao contrário do P de recePção.

 

Mas em Portugal, o C de contaCto, lê-se, logo deveria ser grafado. Deveria, mas não é, porque,  incompreensivelmente (ou não) os acordistas grafam a palavra à moda do Brasil.

 

Depois temos o termo dirÊto (pois é assim que se lê isto), grafado á brasileira.

 

E pronto. Aqui temos uma mixórdia ortográfica, que nem é Português, nem brasileiro, nem acordista. É simplesmente uma mixórdia que envergonha a Lusofonia.

 

Fiquei desiludida. A Universidade de Coimbra já não é a “minha” Universidade.

 

E é esta mixórdia que os políticos portugueses defendem, e os subservientes aplicam às ceguinhas. É que o AO90 e seus derivados não estão legalmente em vigor em parte alguma do mundo lusófono.

 

Nunca país nenhum se rebaixou tanto a interesses estrangeiros, como Portugal. E esta atitude é simplesmente desprezível.

 

Eis o e-mail da Reitoria:

gbreitor@uc.pt

15:48 (Há 2 minutos)

   

para mim

 

Acusamos a receção da sua mensagem à qual foi atribuído o código de identificação acima mencionado, ao qual pedimos que faça referência sempre que nos contatar sobre este mesmo assunto, com vista à sua rápida identificação.

 

Com vista a garantir uma resposta célere, solicitamos que use este canal apenas para a correspondência dirigida aos Órgãos de Governo da UC, recorrendo a  um canal / email mais direto, disponível em http://www.uc.pt/sobrenos/localizacao_contactos, de acordo com o assunto em causa.

 

Com os melhores cumprimentos,

Reitoria da Universidade de Coimbra • Reitoria Paço das Escolas | 3004-531 COIMBRA • PORTUGAL

Telefone: +351 239 859 810/20/40/90 | Fax: +351 239 859 813 E-mail: gbreitor@uc.pt

www.uc.pt/governo/reitoria/gbreitor/

 

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:46

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

A MÁ INFLUÊNCIA DA MUTILAÇÃO INTRODUZIDA PELO AO90 NAS PALAVRAS PRONUNCIADAS

 

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Um destes dias, “passei” pela RTP3 e estava a dar uma notícia qualquer sobre produtos portugueses promovidos na Rússia, no preciso momento em que o correspondente da RTP naquele país, Evgueni Mouravitch dizia que aquele s’tor (pronunciado assim tal e qual) estava em expansão.

 

Ora, Evgueni Mouravitch é um cidadão russo que aprendeu Português, com todas as regras, como um bom estrangeiro quando quer aprender uma Língua, e sempre falou a nossa língua com fluidez e bem pronunciada.

 

Ora acontece que com esta moda mutiladora das palavras introduzida no nosso Português pelo abrasileirado AO90, quebrou-se todas as regras da linguagem escrita, e a falada foi fatalmente afeCtada. E tanto os portugueses, como principalmente os estrangeiros que se deparam com as palavras mutiladas, começaram a ler conforme a grafia aconselha.

 

Assim, aquele “sector”, sem o , forçosamente terá de ser pronunciado “s’tor”, ou então teria de ser acentuada - sétor - ou, repondo a legitimidade da palavra, teria de estar grafada seCtor, para que Mouravitch a pronunciasse correCtamente. E isto qualquer estrangeiro e também qualquer criança portuguesa que esteja a aprender a ler entenderá. As crianças já lêem s’etor. Só os acordistas não entendem, porque a cultura linguística deles não lhes chega sequer aos calcanhares.

 

Já ouvi jornalistas a ler as notícias nos pontos, e pronunciar as palavras mutiladas, segundo as regras gramaticais: dir’tor, âção, dirêto… que é assim que têm de ser pronunciadas, se não estão acentuadas ou grafadas correCtamente.

 

Eu própria, quando vou a um banco e vejo escarrapachado à minha frente aquele “diretor de marketing”, peço para falar precisamente com o “dir’tor”. Diante dos olhos esbugalhados do meu interlocutor, confirmo: «sim, dir’tor, não é isso que ali está escrito

 

É preciso pôr termo a este descalabro. Pretendem que os estrangeiros, que aprenderam Língua Portuguesa (não a brasileira), a reaprendam a escrever segundo a ignorância do AO90?

 

Ora se os Ingleses ou os Espanhóis lhe dessem para fazer acordos ortográficos com as ex-colónias, lá teria eu de desaprender o que levei anos a aprender com todas as regras, para falar e escrever bem estas línguas????

 

Ponho-me no lugar dos estrangeiros que suaram muiiiiito para aprender uma das Línguas mais completas, mais ricas, mais cultas, mas também mais difíceis do mundo, a Língua Portuguesa, para agora a verem mortalmente mutilada…

Que pobreza!!!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:54

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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

QUANDO O TERMO “UNIFICAR” SIGNIFICA “CADA UM PARA O SEU LADO”…

 

Um dos argumentos de quem defende o AO90 é o delírio de se pretender unificar o que eles chamam de Português de Portugal e Português do Brasil, para que todos se entendam debaixo do mesmo “toldo” …

Dizem que o Acordo Ortográfico de 1990 se propõe a unificar a grafia das duas variantes da Língua Portuguesa (e as variantes africanas, não contam?) criando uma ortografia comum aos países lusófonos (entenda-se apenas Brasil e Portugal).

Isto é o que dizem quanto à grafia made in Brasil que nos querem impingir. E por que não a grafia made in Portugal, como seria mais natural, uma vez que a Língua Portuguesa (de Portugal) é a Matriz, e os Africanos de expressão portuguesa já a usam com elevado nível, apenas o Brasil se afastou dessa matriz?

 

UNIFICAÇÃO2.png

 O que vemos na imagem é um dos entraves à impossível unificação

 

Mas não é apenas a ortografia mutilada que está em causa, neste negócio fraudulento e obscuro do AO90.

 

Existem aquelas outras palavras (e são às centenas) que os brasileiros dizem e os Portugueses e Africanos de expressão portuguesa não dizem.

 

E se é para haver unificação, a unificação deveria ser total, ou o objectivo dos negócios estrangeiros não se concretizará jamais…  

 

Ora vejamos esta situação: escanção ou sommelier?

 

Ontem, numa reportagem da SIC, sobre vinhos alentejanos, que estão a ser promovidos no Brasil, fiquei a saber algo que desconhecia por completo, simplesmente porque de vinhos percebo o mínimo.

 

Mas sei que em Portugal existe o vocábulo escanção, oriundo do francês antigo eschanson, que por sua vez tem origem no latim medieval scantio, e que significa profissional especializado em vinhos, ou aquele que nos banquetes antigos deitava o vinho nas taças dos convidados, ou ainda o oficial da corte que estava encarregado de servir o vinho na taça e oferecê-lo ao rei nas refeições.

 

E qual não foi o meu espanto, quando o jornalista aplica a palavra sommelier, e explica que no Brasil, os brasileiros utilizam esta palavra francesa, para designar o que em Português é escanção.  

 

Ora se a Língua Portuguesa tem um termo específico para designar   profissional especializado em vinhos, haveria necessidade de se ir buscar um vocábulo francês?

 

Talvez sim… Talvez para esnobar a Língua do colonizador… É uma hipótese.

 

E agora das duas uma: com esta unificação pretendida pelo AO90, ou passamos nós e os Africanos de expressão portuguesa a dizer sommelier, ou passam os brasileiros a dizer escanção. Ou a unificação é apenas restrita à ortografia?

 

É que existem outras questões.

 

Aqui há tempos, um editor brasileiro pretendeu que eu traduzisse para brasileiro, um livro que escrevi em Língua Portuguesa, porque disse ele, no Brasil ninguém sabe o que é um quarto de banho (entre outros termos usados cá, mas não lá). Eles lá dizem banheiro, que em Portugal significa um vigilante ou instrutor de natação, nas praias.

 

Neste caso, mais depressa um português se baralharia com banheiro, do que um brasileiro, minimamente instruído, com quarto de banho, uma vez que, estando-se a falar de uma habitação, um quarto de banho não seria entendido como um compartimento para dormir… Ou seria…

 

O livro ficou por traduzir e por editar, obviamente.

 

Se cada um diz a sua, como fica a unificação para que todos se entendam debaixo do mesmo “toldo”?  

 

O pior é que como esta do sommelier, há centenas de outras palavras que os brasileiros adoptaram, ou americanizaram ou afrancesaram ou italianizaram, para se afastarem do Português. E então, ou eles lá, abdicam dessas palavras estrangeiradas e começam a utilizar o léxico Português, ou nós cá, abdicamos do nosso Português e adoptamos essa estrangeirice, em prol da tal pretendida unificação, para que todos se entendam…

 

Agora pergunta-se: por que é que cada país não fica com a sua própria diversidade linguística na oralidade e na escrita?

 

É que nós cá, também temos regionalismos, e nem por isso alguém se lembrou de unificar o Português, em Portugal.

 

É que no Norte existem termos que os do Sul desconhecem, e vice-versa. Como por exemplo: estrugido e refogado; garoto e pingo; imperial e fino; bica e cimbalino. Lá para o Sul é mais oiro, loiro, toiro, moiro… No Norte é mais ouro, louro, touro, mouro… Por que não deixar o léxico brasileiro ser brasileiro, e o léxico português ser português, e o léxico africano ser africano, na grafia e nas diversas pronúncias e nos preciosos regionalismos?

 

Os regionalismos brasileiros são riquíssimos (não estou a referir-me à estrangeirice) mas não estou a ver os Portugueses (ou os Angolanos ou Moçambicanos) a usá-los nem na escrita, nem na oralidade.

 

Na diversidade é que está a riqueza de uma Língua partilhada por oito países. Não na unicidade, que é redutora e anti-cultural.

 

Para se adoptar uma ortografia comum unificante, teria de se adoptar um léxico comum também unificante.

 

Que interesse terá Portugal (e o Brasil) em escrever teto, arquiteto, direto, setor, convição, rutura, invita, mas os Portugueses desconhecerem o que é um curumim ou uma cumbuca, e os Brasileiros não saberem o que é um brindeiro ou um bisalho?…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

MAL VAI UM GOVERNO QUE NÃO CONSEGUE VER O ÓBVIO NEM OUVIR AS VOZES DE TODAS AS RAZÕES…

 

AO/90 NEGÓCIO ESTRANGEIRO!

Que vergonha! Quanta subserviência!!!!!

 

O ministro Santos Silva diz que o aborto ortográfico de 1990 não é para abortar???????

Não é por acaso que esta matéria está a ser conduzida pelo MNE. É que no Brasil, quem manda nas questões da língua é o Itamaraty… o correspondente brasileiro do nosso Ministério dos NEGÓCIOS Estrangeiros.

Não ficará tudo dito???????

CEGO.jpg

 

Como disse, senhor ministro Augusto Santos Silva?

 

Está a pôr a hipótese de nem sequer REVER o AO90, referindo que está em vigor em Portugal????? Onde?????

 

E que falta ser aplicado pelos países onde a ratificação ainda está em curso????? Quando sabemos que NÃO ESTÁ EM CURSO coisa nenhuma, e que Cabo Verde até colocou o Português para segundo plano, como língua estrangeira…

 

Diz que o acordo ortográfico "é um acordo internacional que obriga o Estado português”?????

 

Obriga o Estado Português a quê????? A ser subserviente ao Brasil????? Por alma de quem????? Ou não fosse o AO90 pura e simplesmente o abrasileiramento do Português, que os brasileiros até já nem seuqer estudam...

 

Sabemos que no Brasil o AO90 não está em vigor, porque todos escrevem como sempre escreveram, sem tirar um acento… Lá, estão-se nas tintas para o AO90; tal como não está em vigor em Portugal. Aqui, apenas os subservientes ao poder político o aplicam, e aliás, muito atabalhoadamente…

 

Os outros países estão-se nas tintas para um acordo que milhares de vozes contestam.

 

Se andaram para trás com tantas medidas dos governos anteriores, que consideraram “parvas”, então porque não recuam com esta medida que é a mais parva de todas?????

 

O que é que vos impede?????

 

A que é que estão “amarrados”?????

 

Um governo que é cego e não consegue ver o óbvio;

Um governo que é surdo e não ouve as vozes da razão;

Um governo que se verga a interesses obscuros;

É um governo que não merece a confiança do povo português.

 

Por isso demita-se o governo liderado por António Costa, ou então tratem de cumprir a Constituição da República Portuguesa.

 

Os Portugueses estão fartos da incompetência de governantes que não governam segundo os interesses de Portugal, mas de acordo com um acordo desacordado… que subservientemente mantém em pé… desequilibradamente…

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:52

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

MANIFESTO: CIDADÃOS CONTRA O "ACORDO ORTOGRÁFICO de 1990"

 

“O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Foi o que aconteceu com o AO90: os efeitos que produziu foram exactamente o contrário do que se pretendeu.

 

MANIFESTO.jpg

 

A Língua é um património valioso e um instrumento determinante para a afirmação dos povos e das suas culturas, porque é através dela que exprimem a sua identidade e as suas diferenças. Tal como a espontaneidade da vida e dos costumes de cada povo, a Língua é um elemento vivo, e não pode, por isso, ser prisioneira de imposições do poder político, que limitam a sua criatividade natural.

 

O “Acordo Ortográfico” de 1990 (AO90) nasceu de uma ideia, no mínimo, imprevidente do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, que, sob o pretexto de “unificar” “as duas ortografias oficiais” do Português (sic), — alegadamente para evitar que o Português de Portugal se tornasse uma “língua residual”(!) —, e de “simplificar” a escrita, o que fez foi abrir uma caixa de Pandora e criar um monstro. O AO90 — a que os sucessivos Governos, com uma alegre inconsciência, foram dando execução —, é um fiasco político, linguístico, social, cultural, jurídico e económico.

 

Manifesto contra Acordo Ortográfico contesta critério de pronúncia por gerar "aberrações"

 

O processo de entrada em vigor do AO90 nos Estados lusófonos começou por ser um golpe político: o AO90 teria de ser ratificado por todos os Estados. Mas Angola e Moçambique, os dois maiores países de língua portuguesa a seguir ao Brasil, nunca o ratificaram. E, dos restantes países, só três o mandaram “aplicar” obrigatoriamente: Portugal, a partir de 2011-2012; Cabo Verde, a partir de 2014-2015; e o Brasil, a partir de 2016.

 

“O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”. Foi o que aconteceu com o AO90: os efeitos que produziu foram exactamente o contrário do que se pretendeu.

 

Senão vejamos: o princípio que presidiu ao AO90 foi o de que a ortografia deveria ser determinada pelo alegado “critério da pronúncia” (?!), o que gerou aberrações da maior gravidade, de que damos apenas alguns exemplos:

 

— Ao pretender eliminar as consoantes “mudas”, o AO90 criou arbitrariamente centenas de lemas (entradas de dicionário), até aí inexistentes em qualquer das ortografias (portuguesa ou brasileira): “conceção”, por “concepção”; “receção”, por “recepção”, “espetador” por “espectador” — o que criou confusões semânticas, como, por exemplo, “conceção de crédito”, “receção económica” ou “espetador de cinema”.

 

— No entanto, pela mesma lógica, o AO90 deveria começar por cortar a mais “muda” de todas as consoantes: o “h” inicial. O que não fez.

 

— Estabeleceu 17 normas que instituem duplas grafias ou facultatividades, assentando num critério que se pretende de acordo com as “pronúncias” (?!): “corrupto” e “corruto”, “ruptura” e “rutura”; “peremptório” e “perentório”.

 

— “Óptico” (relativo aos olhos), com a supressão da consoante “muda” “p”, passou a “ótico” (relativo aos ouvidos), o que cria a confusão total entre os especialistas e o público, que deixam de saber a que órgão do corpo humano nos estamos a referir!

 

— Em Portugal, a eliminação sem critério das consoantes “c” e “p”, ditas “mudas”, afasta as ortografias do Português europeu e do Brasil (quando o quese pretendia era aproximá-las), criou desagregações nas famílias de algumas palavras e provoca insólitas incoerências: passou a escrever-se “Egito”, mas “egípcios”; produtos “lácteos”, mas “laticínios”; os “epiléticos” sofrem de “epilepsia”; um “convector” opera de modo “convetivo”; o “interrutor” produz uma “interrupção”.

 

— O facto de as facultatividades serem ilimitadas territorialmente (por exemplo, “contacto” e “contato”; “aritmética” e “arimética”) conduz a uma multiplicação gráfica caótica: por exemplo, o Curso universitário de “Electrónica e Electrotecnia” pode ser grafado com 32 combinações diferentes; o que é manifestamente absurdo.

 

— A confusão maior surgiu entre a população que se viu obrigada a ter de “aplicar” o AO90, e passou a cortar “cês” e “pês” a eito, o que levou ao aparecimento de erros, tais como: “batérias”, “impatos”, “ténicas”, “fição”; “adatação”, “atidão”, “abruto”, “adeto”; “exeto” (por “excepto”); para além de cortarem outras consoantes, como, por exemplo, o “b” em “ojeção”, ou o “g” em “dianóstico”.

 

— No uso de maiúsculas e minúsculas, o caos abunda; “Rua de Santo António” pode escrever-se de quatro formas: também “rua de Santo António”, “rua de santo António” ou “Rua de santo António” (se acrescentarmos as quatro do Brasil, com “Antônio”, dá um total de 8 formas possíveis (!)).

 

— O AO90 prescreve ou elimina o uso do hífen de forma totalmente caótica. Vejamos alguns exemplos: “guarda-chuva”, mas “mandachuva”; “cor-de-rosa”, mas “cor de laranja”; zona “infantojuvenil”, mas “materno-infantil”; e aberrações como “cocolateral”, “cocomandante”, “conavegante”, “corréu”, “coutente”, “semirreta”.

 

— Entre outras arbitrariedades, a supressão do acento agudo cria situações caricatas. A expressão popular: “Alto e pára o baile”, na grafia do AO90 (“Alto e para o baile”) dá origem a leituras contraditórias. A frase “Não me pélo pelo pêlo de quem pára para resistir” fica, com o AO90, escrita deste modo: “Não me pelo pelo pelo de quem para para resistir” — o que é incompreensível, seja qual for o contexto.

 

— Em contrapartida, acentos fora da sílaba tónica “correção” escrito “corréção”; “espetaculo” corrigido para “espétaculo” ou mesmo “letivo” que passa a “létivo”!

 

Em suma, com este caos (orto)gráfico, como se poderá “ensinar” as crianças a escrever Português?

 

Mas há mais: o AO90 não incide sobre os factores de divergência da linguagem escrita entre Portugal e o Brasil, nas quais existem diferenças lexicais (fato – terno; autocarro – ônibus; comboio - trem), sintácticas (tu – você) e semânticas (palavras com sentidos diferentes: camisola, por exemplo, que, no Brasil, significa “camisa de dormir”). Estamos perante diferenças atávicas que caracterizam as duas variantes do Português e que não se alteram por decreto.

 

O caos na grafia grassa nos vários dicionários, correctores e conversores. Com estas ferramentas discrepantes, os utilizadores da Língua Portuguesa, que já têm dificuldade em “aplicar” o “Acordo”, ficam ainda mais confusos e instáveis. Hoje, ninguém sabe escrever Português com o “Acordo”.

 

Sejamos claros: a diversidade ortográfica — entre apenas duas variantes do Português: o de Portugal e o do Brasil — nunca foi obstáculo à comunicação entre os diversos povos de Língua portuguesa; como nunca foi razão de empobrecimento, mas, pelo contrário, uma afirmação da pujança da nossa Língua; o que, aliás, faz dela uma das mais escritas e utilizadas do Mundo. O Inglês tem 18 variantes, e não deixa por isso de ser a principal língua internacional; o Francês tem 15 e o Castelhano, 21.

 

Por outro lado, as “aplicações” do AO90 afastam o Português-padrão das principais línguas internacionais, o que só traz desvantagens em termos etimológicos, de globalização e de aprendizagem dessas línguas estrangeiras, em relação às quais não temos qualquer vantagem em nos afastar. Por exemplo, a palavra “actor”: em todas as línguas, como a nossa, em que a palavra é de raiz latina, escreve-se “actor” com c ou k (excepto em Italiano, mas em que se escreve com duplo tt, que tem idêntica função de abrir a vogal “a”).

 

É caso para dizer que “foi pior a emenda que o soneto”.

Mas o AO90 é também um lamentável exemplo da forma como o Estado abusou do seu poder. A “Nota Explicativa” contém erros crassos, falácias e falsidades. Mais grave, nunca foi promovida qualquer discussão pública sobre o AO90. Em 2005, foram emitidos 25 pareceres negativos por parte de especialistas e de entidades consultadas. Porém, esses documentos foram ocultados. Todo o processo do AO90, culminando com a Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, é um péssimo exemplo de falta de transparência, inadmissível num Estado de Direito democrático (artigos 2.º e 48.º, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa).

 

Por sua vez, o AO90 dividiu a sociedade e as gerações, ao impor uma forma de escrita nas escolas, universidades, instituições do Estado e da sociedade civil — enquanto a esmagadora maioria dos portugueses continua a escrever com o Português pré-AO90.

 

A maioria dos escritores lusófonos, muitos dos professores, dos tradutores e da comunidade científica têm manifestado a sua repugnância em acatar o “Acordo”. Mesmo o grande número dos que acatam o AO90, por convicção, pragmatismo, inércia, subserviência, ou porque são obrigados a obedecer-lhe, na realidade, escrevem em Português normal, e limitam-se a deixar que os textos sejam depois adaptados pelos correctores ou revisores.

 

Finalmente, no domínio jurídico, há vários atropelos que devem ser denunciados. Desde logo, o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, para entrar em vigor, deveria ter sido ratificado por unanimidade, e não apenas por três Estados, como sucedeu.

 

Por outro lado, o AO90 é inconstitucional, porque o Estado não pode programar a cultura e a educação segundo quaisquer directrizes estéticas, políticas ou ideológicas (artigo 43.º, n. 2, da Constituição). E viola também o dever de defesa e de preservação do nosso património cultural (artigo 78.º, n.º 1).

 

Em suma, o AO90 teve os efeitos exactamente opostos aos que se propunha: não uniu, não unificou, não simplificou. É um fracasso político, linguístico, social, cultural e jurídico. E é também um fracasso económico, pois, ao contrário do que apregoou, não fez vender mais nem facilitou a circulação de livros. Pelo contrário: as vendas caíram. O Português pré-AO90 continua a ser a ortografia utilizada nos dois países luso-escreventes mais populosos (logo a seguir ao Brasil): Angola e Moçambique; o que obriga a duas edições de livros e de manuais escolares por parte das editoras: uma com e outra sem o AO90.

 

A Língua é o instrumento decisivo da formação das crianças e dos jovens. Não podemos permitir que o arbítrio de decisões erradas seja transmitido às gerações futuras, de que somos cuidadores, separando filhos e pais, muitos dos quais escrevem hoje com ortografias diferentes.

 

Em 18 de Maio de 1991, durante a discussão no Parlamento sobre o “Acordo Ortográfico”, o deputado Jorge Lemos declarou, profeticamente: “O acordo é inútil, ineficaz, secretista, prepotente, irrealista, infundamentado, desnecessário, irresponsável, prejudicial, gerador de instabilidade e inoportuno. (…) Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, este texto que nos foi distribuído, como sendo o texto do Acordo, só pode ter uma solução: ser rasgado.” E, perante a Assembleia, passou das palavras aos actos — e rasgou-o.

 

Vinte e cinco anos depois, é mais do que tempo de lhe seguirmos o exemplo.

 

Subscritores do Manifesto

 

M. Pires Cabral – Escritor

Acílio Estanqueiro Rocha – Professor universitário; ex-vice-reitor da Universidade do Minho

Adalberto Alves – Escritor, arabista

Adelino Gomes – Jornalista

Albano Martins – Escritor

Alfredo Barroso – Ex-membro do Governo; ex-chefe da Casa Civil do Presidente da República

General Amadeo Garcia dos Santos

Ana Isabel Buescu – Professora universitária

Ana Zanatti – Actriz; escritora

André Ventura – Professor universitário; penalista

António Arnaut – Escritor; Fundador do Serviço Nacional de Saúde

António Bagão Félix – Professor universitário; ex-ministro das Finanças e Segurança Social

António Barreto – Professor universitário; sociólogo

António Carlos Cortez – Escritor; professor

António de Castro Caeiro – Professor universitário

António Chagas Dias – Economista; tradutor

António Frederico Oliveira Figueiredo – Comentador desportivo; ex-dirigente do Sport Lisboa e Benfica

António Garcia Pereira – Professor universitário; advogado

António Gentil Martins – Médico; ex-bastonário da Ordem dos Médicos

António Lobo Antunes – Escritor

António M. Feijó – Professor universitário; universidade de Lisboa

António-Pedro Vasconcelos – Cineasta

António Salvado – Escritor

Belmiro Fernandes Pereira – Professor universitário

Boaventura de Sousa Santos – Professor universitário; sociólogo

Bruno Prata – Jornalista

Camané – Cantor, fadista

Carlos do Carmo – Cantor, fadista

Embaixador Carlos Fernandes – Jurista

Carlos Fiolhais – Professor universitário

Carlos Fragateiro – Professor universitário; encenador

Carlos Guilherme – Cantor lírico

Casimiro de Brito – Escritor; ex-presidente do PEN Club Português

Carlos Tê (Carlos Alberto Gomes Monteiro) – Compositor

Catarina Vieira Molder – Cantora lírica; directora artística

Constança Cunha e Sá – Jornalista

Desidério Murcho – Professor na Universidade Federal de Ouro Preto (no estado federado de Minas Gerais, Brasil); escritor

Diogo Leite de Campos – Professor universitário; Advogado

Eduardo Lourenço – Ensaísta; membro do Conselho de Estado

Eugénia Melo e Castro – Cantora; compositora

Eugénio Lisboa – Escritor

Fernanda Mota Alves – Professora universitária

Fernando Araújo – Professor universitário

Fernando Dacosta – Jornalista; escritor

Fernando Tordo – Cantor; músico

Francisco Bélard – Jornalista

Francisco Miguel Valada – Intérprete de conferência junto das instituições da UE

Gastão Cruz – Escritor

Germano de Sousa – Professor universitário; ex-bastonário da Ordem dos Médicos

Gonçalo Sampaio e Mello – Professor Universitário; coordenador do Arquivo Histórico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Hélder Costa – Dramaturgo/encenador

Helder Guégués – Escritor; tradutor

Helena Buescu – Professora universitária

Helena Roseta – Arquitecta; deputada à Assembleia da República

Hélio Alves – Professor universitário; linguista

Henrique Cayatte – Designer

Henrique Jales Ribeiro – Professor universitário

Inês Lourenço – Escritora

Inês Pedrosa – Escritora

Isabel Pinto Ribeiro Sanches Osório – Professora universitária; patologista forense

Isabel Pires de Lima – Professora universitária; ex-ministra da Cultura

Isabel Wolmar – Jornalista; escritora

Januário Torgal Ferreira – Bispo

João Barrento – Professor universitário

João Bosco Mota Amaral – ex-presidente da Assembleia da República; ex-presidente do Governo Regional dos Açores

João de Sousa – Jornalista; director do jornal Tornado

João Ferreira do Amaral – Professor universitário

João Maria de Freitas Branco – Filósofo/ensaísta

Joaquim Pessoa – Escritor

Jorge Custódio – Professor universitário; presidente da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial

Jorge Gonçalves Martins – Artista plástico; pintor

Jorge Palma – Cantor; compositor

José d’Encarnação – Professor universitário; epigrafista

Coronel José Eduardo de Sanches Osório – Professor da Academia Militar; organizador da Revolução de 25 de Abril de 1974

José Luís Bonifácio Ramos – Professor universitário

José Magalhães – Membro dos XIV, XVII e XVIII Governos

José Mendes Bota – ex-deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu

José Pacheco Pereira – Professor universitário; jornalista

José Pedro Serra – Professor universitário

José Renato Gonçalves – Professor universitário

José Ribeiro e Castro – ex-Líder do CDS; ex-deputado pelo CDS à Assembleia da República

Júlio Isidro – Autor e apresentador de programas de rádio e televisão

Júlio Machado Vaz – Médico psiquiatra

Júlio Pomar – Pintor

Lena d’Água – Cantora

Lídia Franco – Actriz

Luís Aleluia – Actor

Luís Bigotte Chorão – Jurista; historiador

Luís Menezes Leitão – Professor universitário; presidente da Associação Lisbonense de Proprietários

Luís Raposo – Presidente da Aliança Europeia do Conselho Internacional de Museus (ICOM Europa); vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses

Luísa Costa Gomes – Escritora

Luiz Fagundes Duarte – Professor universitário; ex-deputado pelo PS

Manuel Alegre – Escritor; ex-deputado à Assembleia da República

Manuel Freire – Cantor; ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores

Manuel Monteiro – Professor universitário; ex-líder do CDS-PP

Manuel S. Fonseca – Editor; escritor

Manuela Mendonça – Historiadora; presidente da Academia Portuguesa da História

Maria Alzira Seixo – Professora universitária

Maria do Carmo Vieira – Professora de Português; membro da Direcção da Anproport (Associação Nacional de Professores de Português)

Maria do Céu Guerra – Actriz; directora da Companhia de Teatro A Barraca

Maria do Rosário Gama – ex-directora da Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra; presidente da Asociação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (Apre!)

Maria do Rosário Pedreira – Escritora; editora

Maria do Sameiro Barroso – Escritora; membro da Direcção do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos

Maria Carmen de Frias e Gouveia – Professora universitária; linguista

Maria Cristina Pimentel – Professora universitária; directora do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Maria Eduarda Gonçalves – Professora universitária

Maria Filomena Molder – Professora universitária; ensaísta

Maria Filomena Mónica – Professora universitária; escritora

Maria Luísa Duarte – Professora universitária

Maria Regina Rocha – Linguista; consultora linguística do programa de televisão Cuidado com a Língua!

Maria Renée Gomes – Professora universitária; antiga representante da União Latina em Portugal

Maria Teresa Horta – Escritora

Mário Cláudio – Escritor

Coronel Mário Tomé – Membro do “Movimento dos Capitães” na Guiné-Bissau; ex-deputado à Assembleia da República pela UDP

Martim de Albuquerque – Professor universitário

Matilde Sousa Franco – Historiadora; ex-deputada independente pelo PS

Michael Seufert – ex-deputado pelo CDS-PP; ex-presidente da Juventude Popular (CDS-PP)

Miguel Esteves Cardoso – Jornalista; escritor

Miguel Real – Escritor

Miguel Sousa Tavares – Escritor

Miguel Teixeira de Sousa – Professor universitário

Paulo de Morais – Professor universitário; presidente da “Frente Cívica”

Paulo Saragoça da Matta – Advogado; juiz ad hoc no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

Paulo Teixeira Pinto – Editor; ex-presidente do Milenium BCP

Pedro Abrunhosa – Cantor; compositor

Pedro Barroso – Cantor; músico

Pedro Mexia – Escritor

Pedro Quartin Graça – Professor universitário

Pedro Tamen – Escritor; ex-administrador da Fundação Calouste Gulbenkian

Raquel Varela – Investigadora; professora universitária

Raul Miguel Rosado Fernandes – Professor universitário; ex-reitor da Universidade de Lisboa

Ricardo Santos – Professor universitário

Richard Zimler – Escritor

Rita Ferro – Escritora

Rosa Maria Perez – Antropóloga

Rosário Andorinha – Professora de Português; presidente da Direcção da Anproport (Associação Nacional de Professores de Português)

Rui Veloso – Cantor; compositor

Santana Castilho – Professor universitário

Sérgio Godinho – Cantor; compositor

Silvina Pereira – Investigadora; directora Artística do Teatro Maizum

Sofia Miguens – Professora universitária

Teolinda Gersão – Escritora; professora universitária

Teresa Rodrigues Cadete – Professora universitária; escritora

Tozé Brito (António José Correia de Brito) – Autor e compositor

Vanda Anastácio – Professora universitária

Tenente-Coronel Vasco Lourenço – membro activo dos “Capitães de Abril”; presidente da Associação 25 de Abril

Vicente Jorge Silva – Jornalista

Vítor Aguiar e Silva – Professor universitário; ex-presidente da Comissão Nacional da Língua Portuguesa

Vítor Manuel dos Anjos Guerreiro – Doutor em Filosofia da Arte; tradutor.

 

Instituições:

Anproport – Associação Nacional de Professores de Português

Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Associação Clenardvs – Promoção e Ensino da Cultura e Línguas Clássicas

Sociedade Portuguesa de Autores

Associação “Tornado” – Comunicação Social

 

E ainda:

Fernando Venâncio – Professor de ascendência portuguesa, de nacionalidade holandesa, na Universidade de Amesterdão; filólogo

Luís F. Rosa Lopes – Escritor (Angola)

Luís Fernando – Jornalista; escritor (Angola)

Paulo Horácio de Sequeira e Carvalho – Sociólogo (Angola)

Delmar Maia Gonçalves – Escritor; presidente do Núcleo de Escritores Moçambicanos na Diáspora

Aldo Lopes Dinucci – Professor na Universidade de Sergipe (Brasil)

Celso Augusto Conceição Nunes – Professor na Universidade de Cecusa, Cachoeirinha, Rio Grande do Sul; linguista

Lucas Miotto – Mestre; doutorando brasileiro em Filosofia do Direito, na Universidade de Edimburgo

Matheus Martins Silva – Doutor em Filosofia da Linguagem

Osvaldo Frota Pessoa Junior – Professor na Universidade de São Paulo

Paulo Franchetti – Professor na Universidade Estadual de Campinas, São Paulo

Pasquale Cipro Neto – Professor; Colunista na Folha de São Paulo (1997-2016)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2017/01/23/culturaipsilon/noticia/manifesto-contra-acordo-ortografico-contesta-criterio-de-pronuncia-por-gerar-aberracoes-1759313

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:41

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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