Terça-feira, 18 de Abril de 2017

ANTÓNIO BARRETO ESCREVEU SOBRE A ACTUAL COMUNICAÇÃO SOCIAL

 

 Um excelente texto, escrito em bom Português, para reflectirmos o actual estado do país, através da actual comunicação social (com dignas excepções), vendida ao poder político, numa total e vergonhosa vassalagem.

 

Informa-se apenas o que interessa aos governantes, aos políticos, aos partidos; fala-se incorrectamente, e legenda-se ainda pior, ou seja, na versão mais inculta da Língua Portuguesa.

 

Faço totalmente minhas, todas as palavras de António Barreto.

 

AntonioBarreto-2[1].jpg

 António Barreto (Sociólogo português)

(Origem da imagem: Internet)

 

É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática.

 

A preguiça é virtude. O tosco é arte.

 

A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

 

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não se sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense.

 

Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

 

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiza a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

 

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

 

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! 

 

Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. 

 

Arte? Um director-geral chega. Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

 

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. 

 

Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

 

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

 

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

 

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

 

Origem do texto:

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/as-noticias-na-televisao-5407534.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:39

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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

LATIM É LATIM… GALEGO É GALEGO… PORTUGUÊS É PORTUGUÊS…

 

Proponho uma pequena reflexão sobre esta matéria, para examinarmos a dimensão do disparate que o AO90 é.

 

COISAS DA LÍNGUA.jpg

 

Comecemos por definir o AO90: dizem que é um acordo, no entanto, sendo o acordo mais desacordado de todos os tempos, é um disparate chamar-lhe “acordo”. Além disso, é a cara chapada da ortografia brasileira, e quem diz o contrário não sabe nada de ortografia brasileira.

 

Ora, os Brasileiros, sendo brasileiros, têm todo o direito de escrever à moda deles. Optaram por desaportuguesar a Língua Portuguesa e não cumprir a convenção ortográfica assinada com Portugal em 1945, por motivos que não nos dizem respeito, afastando-se da lusofonia que, no entanto, se mantém em todas as outras ex-colónias, até aos dias de hoje (excepto em Cabo Verde, onde apesar de o Português ser língua estrangeira, aderiram cegamente ao AO90). Nada contra. O Brasil, nessa época, era (e continua a ser) um país livre.

 

Dizem que Portugal também é um país livre. Mas eu cá tenho grandes dúvidas. E porquê? Porque sendo o AO90 a cara chapada da ortografia brasileira, e tendo o governo português cedido servilmente à introdução em Portugal, dessa ortografia brasileira, não me parece que a isto se chame ser livre e senhor do seu nariz.

 

Entretanto, nós, Portugueses, temos o direito, mas principalmente o dever, de escrever na nossa própria Língua, na que está consignada na Constituição da República Portuguesa, ou seja, na Língua Portuguesa. Por muito que eu já procurasse, não encontrei nenhum documento oficial ou lei alguma que obrigue as escolas portuguesas a ensinar a ortografia brasileira às nossas crianças. E isto não é de um país livre e soberano.

 

O AO90, para o Brasil, significa apenas retirar o trema, um hífen ou um acento aqui e ali… E nada mais.

 

Para Portugal, o AO90 significa escrever incorreCtamente uma quantidade enorme de palavras, afastando-as das suas raízes latinas, que ao Brasil nada diz. Significa adoPtar literalmente o dialecto brasileiro, salvo algumas excePções, incluindo este vocábulo que no Brasil manterá o P, que em Portugal foi mandado às malvas, tal como em recePção.

 

De resto, com AO90 ou sem AO90, os Brasileiros continuarão a escrever CONTATO, e nós, contaCto. Eles, “FATO” e nós, faCto. Eles, ANISTIA, e nós aMnistia; eles, UMIDADE, e nós, humidade, apenas para referir uma percentagenzinha mínima das grandes diferenças que continuarão a existir.

 

Para além disto, os Brasileiros continuarão a andar de bonde, e nós, de eléctrico; a ter bunda, e nós, traseiro; a fazer esporte, e nós, desporto; a usar terno, e nós, fato; a ir ao banheiro ou ao mitório, e nós, ao quarto de banho (casa de banho era nos “antigamente” quando se ia “lá fora” … à “casinha” …) ou ao mictório; a ir NO médico (ou seja, encavalitados no médico), e nós, AO médico; a fazer turismo na Amazônia, e nós, na Amazónia; a andar de trem, e nós, de comboio; a ir ao açougue, e nós, ao talho; a tomar café-da-manhã, e nós, pequeno-almoço; eles continuarão a estressar, e nós, a stressar, por conta desta insanidade.

 

Segundo os acordistas, a isto chama-se UNIFICAR a Língua, e assim sendo, o termo unificar, com o AO90, também mudou de significado.

 

Penso que os Brasileiros não gostariam nada se lhes impusessem novamente HOJE a ortografia de 1945 (a que está em vigor em Portugal) e que o próprio Brasil rejeitou na altura, depois de ter assinado com Portugal essa mesma convenção.

 

Ora, como todos sabem, o Brasil nunca cumpriu os acordos que assinou com Portugal. Por alma de quem havemos nós de aceitar agora ESTE acordo, que tanto desacordo está a provocar, o governo português e os seus escravos aderiram às ceguinhas?

 

Outra coisa bastante grave é o que está a acontecer no Google: vendido ao Brasil, utiliza incorreCtamente nas traduções, nos textos, em tudo, o Português, que já não é europeu, passou a ser africano (e ainda se o fosse, seria bom, porque o Português africano é Português), mas é o dialecto brasileiro que predomina, disfarçado de Português, gramaticalmente um desastre, e o governo português está-se nas tintas para esta morte anunciada da identidade portuguesa.

 

Portugal nunca se impôs ao Google para separar as águas: Português é Português; dialecto brasileiro é dialecto brasileiro.

 

Assim como Latim é Latim, Galego é Galego e Português é Português.

 

Esta gente ainda não conseguiu entender algo muito importante e básico: Portugal é Portugal, e as ex-colónias são EX-colónias, têm vida própria e uma linguagem também própria.

 

Por que havemos nós de adoPtar a ortografia de uma delas, só porque tem mais (mal) escreventes? Nenhum país ex-colonizador o fez. Tinha de ser Portugal, sempre na cauda do mundo e servilmente, como o mais submisso dos subjugados.

 

E nós vamos deixar que isto aconteça?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

RESISTAMOS À IGNORÂNCIA

 

Sobre o acordo ortográfico

Um texto de 2013, como se fosse de 2017, o que significa que o atraso de vida continua…

Portugal na senda da ignorância…

 

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Por Maria do Carmo Vieira

 

«Entranhou-se em nós este gosto mórbido de reverenciar a ignorância e assistir ao absurdo, amplamente apregoados por fervorosos militantes que defendem o indefensável e optam também por silenciar críticas, consideradas perigosas, porque capazes de despertar incautos ou resignados. Outros há que, usando um discurso oco e de características labirínticas, tendem a confundir os mais ingénuos e pouco habituados a reflectir. Passa-se isto não só no campo político, mas também cultural. O Acordo Ortográfico é um entre muitos exemplos. Vejamos apenas alguns aspectos:

 

  1. Lendo os discursos do ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, e do presidente de Portugal, Cavaco Silva, proferidos no Rio de Janeiro, a 7 de Março de 2008, neles encontramos subjacente a ideia da «projecção internacional da língua portuguesa» na base do Acordo Ortográfico, fortemente justificado pelo número de falantes brasileiros, num colonialismo linguístico inaceitável para Portugal e para os países africanos de expressão portuguesa. Num faz-de-conta de cultura, refere-se o nome de Fernando Pessoa e a sua frase escrita por Bernardo Soares, «Minha pátria é a língua portuguesa», ignorando que a mesma, no contexto em que se integra, se associa a uma outra frase que defende vigorosamente a vertente etimológica da língua, posta tão em causa pelo referido AO – «Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha». Num outro passo do discurso, Lula da Silva retoma a literatura portuguesa e foca o conceito de «Quinto Império» de Vieira, de novo evidenciando desconhecer o seu significado, mas sentindo sem dúvida o agradável cheiro a poder que depois mascara com pozinhos de «solidariedade entre povos e de justiça universal».

 

De acentuar que ambos os discursos, o de Lula da Silva e o de Cavaco Silva, diferenciam-se pela sua sintaxe e pela sua ortografia, disso não resultando qualquer problema na compreensão do sentido do texto nem qualquer confusão relativamente às palavras escritas de maneira diferente. Convivem sem qualquer ruído «projetar, projeto, efetivo, ação, proteção, respetivo com projectar, projecção, projecto, actuação, protecção, respectivo». No entanto, querem fazer-nos demagogicamente crer que estas diferenças dificultam a compreensão e a aprendizagem da língua, constituindo «divergências sérias» que são «largamente prejudiciais para o prestígio do português no Mundo».

 

  1. Em sintonia com o actual gosto de mastigar um vocabulário moderno, novo, que repudia o antigo e o velho, repete-se à exaustão «inovador» ou «inovação», pretendendo-se assim mostrar quão modernos e progressistas são os adeptos da mudança seja ela qual for, para o bem ou para o mal. Daí a estafada acusação de «Velho do Restelo» a quem resiste e reage a essa argumentação. A expressão camoniana, tão continuamente usada por ignorantes que, na verdade, desconhecem o significado desse «Velho de aspeito venerando», surgiu no debate de 17 de Maio de 2008, na Assembleia da República, cuja leitura das actas da referida sessão envergonhará qualquer português. Com efeito, alguns deputados, de partidos vários, adeptos convictos do «novo», do «moderno» e da «língua portuguesa do futuro», falaram assim:

 

– «A continuação da língua portuguesa deve ser o nosso desafio e essa deve ser a medida das posições de todos os que se preocupam com o futuro da língua portuguesa, recusando seguir posições e posicionamentos que Camões tão bem retratou e deu a conhecer como de “Velhos do Restelo.”»

 

– Os portugueses devem abandonar a «vocação para isolacionismos», sabendo «ser os legítimos herdeiros de quem não temia o novo, de quem ousava descobrir novos rumos de progresso.»

 

– «[…] não podemos deixar de perguntar aos que questionam este Acordo o que têm feito, por exemplo, para defender a língua portuguesa que é tão maltratada nas nossas escolas?»

 

– «[…] respeitando as opiniões de autores, de cientistas, de especialistas de que uma ou outra solução técnica possa não ter sido a mais perfeita, não é isso que pode impedir um olhar político e uma perspectiva de futuro acerca da língua portuguesa».

 

– «Como já foi dito, a ninguém fica castrada a liberdade de criar segundo as regras da sua própria escrita.»

 

Talvez também por inovação, querem agora obrigar-nos a pronunciar «dáblio» (w) no alfabeto, tal como aparece no AO, base I, 1º, em vez de «dâblio» na norma ortográfica portuguesa.

 

  1. A Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) apresenta argumentos que dificilmente acreditamos terem sido desenvolvidos por «peritos» e «especialistas» da Língua Portuguesa, como dificilmente podemos acreditar na aceitação do mesmo texto por parte de alguns professores universitários, cultos e inteligentes. Não referimos já os deputados que discutiram o AO na Assembleia da República porque lamentavelmente nenhum deles a terá lido. Com efeito, na argumentação usada nesta Nota Explicativa, ficamos, como Las Casas (1474-1566), sem saber se rir ou se chorar perante o absurdo e a ignorância das afirmações feitas. Por uma questão de espaço, exemplificaremos apenas três situações:

 

. Ponto 4.2 («Justificação da supressão de consoantes não articuladas»), alínea c), em que sobressai a compaixão pelas crianças de 6-7 anos face ao uso das consoantes mudas: «É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. […] Só à custa de um enorme esforço de memorização» poderiam as crianças fazê-lo o «que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua».

 

. Ponto 4.2 («Justificação da supressão de consoantes não articuladas»), alíneas d) e f), em que se refere a «teimosia lusitana em conservar consoantes que não se articulam» quando a «norma brasileira» já «há muito as suprimiu», acentuando-se o facto de não se dever tentar «impor a sua grafia àqueles que há muito as não escrevem, justamente por elas não se pronunciarem.»

 

. Ponto 4.4 («Casos de dupla grafia) em que erroneamente se afirma «Sendo a pronúncia um dos critérios em que assenta a ortografia da língua portuguesa […]». (sublinhado nosso).

 

São alguns dos exemplos sobejamente conhecidos, mas duvidando muitos da sua veracidade precisamente porque não se dão ao trabalho de ler a Nota Explicativa; outros, lamentavelmente, conhecem-nos, mas silenciam-nos tal como aconteceu com os vários pareceres contrários à aplicação do Acordo. Enquanto professora, não posso deixar de transcrever o parecer dado pela Direcção-Geral dos Ensinos Básico e Secundário: «Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação e é, frequentemente, uma simples consagração de desacordos».

 

Cansados certamente da falta de eficácia dos argumentos de influência «salazarista» e de «velhos do Restelo», os defensores do Acordo iniciam agora nova estratégia, aproveitando-se da chaga que representa o desemprego. Com efeito, chegam ao desplante de afirmar que o AO virá aumentar as possibilidades de emprego e, no mesmo âmbito miserabilista, apontado às crianças africanas, alega-se «que o acordo facilita a alfabetização das crianças pobres dos países africanos, o que aumenta o número de falantes/escreventes».

 

Gostaria de salientar que se quisermos podemos alterar esta situação. Basta que resistamos à ignorância e que não aceitemos ser passivos perante o absurdo. Podemos intervir, assinando por exemplo a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, no endereço www.ilcao.cedilha.net ; solicitando uma audiência ao Grupo de Trabalho para Acompanhamento do AO, criado recentemente pela 8ª Comissão de Educação, Ciência e Cultura; participando activamente em debates e fóruns, podendo também organizá-los com outros amigos, como o que irá realizar-se no auditório 1 da Universidade Nova (FCSH), Av. de Berna, em Lisboa, no dia 20 de Março pelas 18.00 horas, intitulado «Onde Pára e Para Onde Vai a Língua Portuguesa», sendo intervenientes o deputado Mota Amaral, a professora Maria Alzira Seixo, o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares, o jornalista Nuno Pacheco do jornal Público, o jornalista António Guerreiro, a tradutora Hermínia Castro (ILC), a par de professores e alunos do ensino secundário e universitário.

 

Termino com Fernando Pessoa: O Estado nada tem a ver com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno […].

 

Maria do Carmo Vieira

 

Lisboa, 17 de Março de 2013

 

Fonte:

http://ilcao.cedilha.net/?p=10212

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:53

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

DEPUTADOS DA NAÇÃO USAM MIXORDÊS PARA SE COMUNICAREM

 

O mixordês é a mistura do Português com o acordês, que dá uma linguagem que não se encaixa na Língua Oficial de Portugal, e que se encontra em vigor - a Língua Portuguesa.

 

Não é uma vergonha? Chego a duvidar que  Portugal seja um país Europeu...

 

Os deputados dos restantes países Europeus também escreverão, nas respectivas línguas oficiais, assim tão mal?

 

«Num texto que cabe numa página, o espelho da actual situação ortográfica em Portugal: mistura das normas pré e pós-Acordo Ortográfico e erros por hipercorrecção que antes não se verificavam. O poder político, que instituiu o AO, é o primeiro a desrespeitá-lo, mas finge que nada se passa. Até quando irá durar esta cegueira voluntária que fustiga a língua portuguesa?» (Tradutores contra o Acordo Ortográfico)

 

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Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614.1073741827.199515723483437/1171925266242473/?type=3&theater

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:00

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Domingo, 19 de Março de 2017

NA GUINÉ-BISSAU PREDOMINA A FRANCOFONIA… ONDE SE ENCAIXARÁ A LUSOFONIA?

 

Recentemente, ao ver a reportagem de Vítor Bandarra para a TVI24 - O que é feito da Guiné-Bissau? – que pode ser consultada na íntegra neste link:

http://www.tvi24.iol.pt/dossier/o-que-e-feito-da-guine-bissau/58b021410cf222228e5c0012

descobri que o Português ali é uma escolha terciária. Mal se fala. Mal se escreve. Portanto não é correcto falar em Lusofonia, quando se fala da Guiné-Bissau.

E com toda a propriedade, como podemos comprovar nos excertos desta reportagem, que seleccionei.

 

FDG.png

 Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde a língua utilizada para a aprendizagem é o Francês.

Origem da Foto: https://www.facebook.com/184265201684674/photos/a.187740458003815.37050.184265201684674/187748824669645/?type=3&theater

 

Nesta reportagem pode ler-se:

 

«Muito dependente da ajuda internacional (incluindo da cooperação portuguesa) e das fracas exportações de caju, a Guiné-Bissau sofre de crónica falta de escolas, hospitais, infra-estruturas, formação técnica. "Entalada" entre vários países francófonos (a começar pelo Senegal e Guiné-Conacri), a própria Língua portuguesa vai sofrendo a erosão do Francês. Só as elites e os mais velhos (que cresceram no tempo colonial) ainda falam, ou apenas entendem, o Português.

 

Por motivos lógicos e simples: a primeira língua que as crianças aprendem é a materna (o fula, o mandinga, o balanta, o papel, o bijagó...) E para que todos se entendam e comuniquem, aprendem também o crioulo.

 

O Português, quando não é ultrapassado pelo Francês, é apenas a terceira línguados guineenses.

 

(…)

 

Um choque cultural e linguístico para três jovens médicos lusitanos, recém-licenciados, que os repórteres da TVI foram encontrar, de mochila às costas, em Nhacra, a caminho de Bafatá, no interior. Ao contrário de muitos compatriotas, em vez de escolherem o Algarve, Cabo Verde ou o Brasil, os três aventureiros decidiram fazer férias... na Guiné-Bissau. E descobriram que, por aqui, o Português é uma língua meio exótica, ainda que seja a Língua oficial do Estado guineense.»

 

***

Na segunda parte desta reportagem (que vale a pena ver na íntegra), lá mais para o final, Vítor Bandarra entrevista um professor da Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde se diz que os alunos que frequentam aquela faculdade utilizam o Francês, como língua de aprendizagem.

 

Nas escolas, pede-se para falar crioulo, para que entendam, pois têm grandes dificuldades em compreender o Português.

 

Perante isto, podemos questionar: qual o interesse de impingir à Guiné-Bissau o dialecto brasileiro, ou seja, o AO90, se lá o Português, embora sendo a Língua oficial, não o é na prática?

 

Por que não se deixa as ex-colónias seguir o seu próprio caminho, em liberdade?

 

Por que terão de andar a reboque de Portugal, a arrastar uma língua que não lhe diz nada? Incluindo o Brasil, que descartou a Língua Portuguesa em 1945, ficando com o seu dialecto americanizado, italianizado, afrancesado, aportuguesado, e com os dialectos indígenas e africanos à mistura.

 

E em Cabo Verde, o Português é considerado língua estrangeira.

 

Que CPLP será esta?

 

O que é que se pretende UNIR aqui?

 

A Língua, não é com toda a certeza.

 

E no meio disto tudo, só existe UM país "lusófono", ao qual interessa a expansão de uma ortografia que nada tem a ver com a matriz Portuguesa. E esse país não é Portugal.

 

Em Portugal a ortografia estrangeira que está a ser imposta ilegalmente às nossas crianças, só interessa a uma pequena franja da classe política e seus lacaios.

 

A quem é que o governo português quer fazer de parvo?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:29

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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

TEOLINDA GERSÃO DIZ POR QUE É MILITANTEMENTE CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

E eu concordo plenamente com ela.

 

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Fonte:   http://www.delas.pt/teolinda-gersao/

 

O jornalista pergunta:

«É militantemente contra o acordo ortográfico. Porquê?»

 

Teolinda Gersão responde:

 

«Porque o Português Europeu é uma língua latina e deve manter a sua etimologia. Não se pode ensinar às crianças que o Português é uma língua latina quando as raízes latinas foram apagadas. Os países germânicos, como a Inglaterra e a Alemanha, mantêm-nas porque herdaram muitas palavras latinas, por influência do Império Romano. Por que é que nós, que somos um país latino, as vamos tirar? Para copiar o Brasil? Não faz qualquer espécie de sentido. No Brasil, eu percebo que o latim não diga nada. Não há ruínas romanas, obviamente, é um país muito jovem, está noutro continente, tem um enquadramento completamente diferente. Portanto, eu percebo que, no Brasil, as raízes latinas sejam eliminadas. Percebo perfeitamente. Para nós, não faz nenhum sentido. Faz parte da nossa identidade e depois começa a ter influência também na pronúncia. Temos de ter a noção de que as consoantes aparentemente inúteis estão lá a ter uma função que é de abrir a vogal.»

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:45

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Sexta-feira, 3 de Março de 2017

"PORTUGUESE (AFRICA)"??????

 

"Portuguese (Africa)"??

 

PR ÁFRICA1.png

 

Depois de remover o Português Europeu do Google Tradutor, deixando apenas o Português Brasileiro e apelidando-o apenas de "Português", está o Google agora a admitir que existe um Português em África? E assim sendo, será esta diferente das outras? Ou pelo menos da vertente brasileira? De que modo? Aplicará o AO?

Será esperar para ver... (Firefox contra o Acordo Ortográfico)

 

***

Isto é influência do Brasil.

 

Para muitos brasileiros, pouco dados à Geografia e à Cultura Geral, Portugal não pertence à Europa, mas sim à África. E eu sou testemunha desse ENSINO deturpado. Já tive de me levantar numa aula, no Brasil, para chamar mentiroso ao professor de Geografia Económica, que queria passar essa ideia à turma.

 

A mim, alguns brasileiros chamam-me de marroquina. Não é que ser marroquina me faça mossa. Mas colocam-me num país que não é o meu.

 

Não consigo entender por que os políticos portugueses ainda não se aperceberam de que estão a tomá-los por parvos.

 

E o ministro Santos Silva é um bom ministro dos NEGÓCIOS dos estrangeiros.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/FirefoxContraOAcordoOrtografico/photos/a.248609471911266.45227.213877095384504/992980824140790/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Quinta-feira, 2 de Março de 2017

NÃO POSSO ACREDITAR QUE A "MINHA" UNIVERSIDADE TENHA ADERIDO À MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA DE 1990

 

UC.jpg

Origem da imagem: http://www.voyagevirtuel.de/portugal/photo/coimbra_381.php

 

Tive de enviar um e-mail para a Reitoria da Universidade de Coimbra, e responderam-me numa ortografia estranha, que nem é carne, nem peixe, nem boi, nem vaca, nem água, nem vinho…

 

Todos sabemos que a ortografia preconizada pelo AO90 é quase na sua totalidade importada do Brasil. Digo quase, porque existem algumas raríssimas excePções.

 

No Brasil, a palavra recePção escapou à guilhotina, e escreve-se correCtamente, mantendo a sua etimologia, comum às várias línguas (cultas) europeias, oriundas do Latim.

 

Mas em Portugal, incompreensivelmente, a palavra perdeu o P, e o seu significado transformou-se numa coisa esquisita, que ninguém sabe o que é.

 

Por outro lado, a palavra contaCto, no Brasil, foi mutilada, porque lá, italianizaram o termo e não se lê, nem se escreve o C, ao contrário do P de recePção.

 

Mas em Portugal, o C de contaCto, lê-se, logo deveria ser grafado. Deveria, mas não é, porque,  incompreensivelmente (ou não) os acordistas grafam a palavra à moda do Brasil.

 

Depois temos o termo dirÊto (pois é assim que se lê isto), grafado á brasileira.

 

E pronto. Aqui temos uma mixórdia ortográfica, que nem é Português, nem brasileiro, nem acordista. É simplesmente uma mixórdia que envergonha a Lusofonia.

 

Fiquei desiludida. A Universidade de Coimbra já não é a “minha” Universidade.

 

E é esta mixórdia que os políticos portugueses defendem, e os subservientes aplicam às ceguinhas. É que o AO90 e seus derivados não estão legalmente em vigor em parte alguma do mundo lusófono.

 

Nunca país nenhum se rebaixou tanto a interesses estrangeiros, como Portugal. E esta atitude é simplesmente desprezível.

 

Eis o e-mail da Reitoria:

gbreitor@uc.pt

15:48 (Há 2 minutos)

   

para mim

 

Acusamos a receção da sua mensagem à qual foi atribuído o código de identificação acima mencionado, ao qual pedimos que faça referência sempre que nos contatar sobre este mesmo assunto, com vista à sua rápida identificação.

 

Com vista a garantir uma resposta célere, solicitamos que use este canal apenas para a correspondência dirigida aos Órgãos de Governo da UC, recorrendo a  um canal / email mais direto, disponível em http://www.uc.pt/sobrenos/localizacao_contactos, de acordo com o assunto em causa.

 

Com os melhores cumprimentos,

Reitoria da Universidade de Coimbra • Reitoria Paço das Escolas | 3004-531 COIMBRA • PORTUGAL

Telefone: +351 239 859 810/20/40/90 | Fax: +351 239 859 813 E-mail: gbreitor@uc.pt

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Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:46

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

A MÁ INFLUÊNCIA DA MUTILAÇÃO INTRODUZIDA PELO AO90 NAS PALAVRAS PRONUNCIADAS

 

LÌNGUAS.png

 

Um destes dias, “passei” pela RTP3 e estava a dar uma notícia qualquer sobre produtos portugueses promovidos na Rússia, no preciso momento em que o correspondente da RTP naquele país, Evgueni Mouravitch dizia que aquele s’tor (pronunciado assim tal e qual) estava em expansão.

 

Ora, Evgueni Mouravitch é um cidadão russo que aprendeu Português, com todas as regras, como um bom estrangeiro quando quer aprender uma Língua, e sempre falou a nossa língua com fluidez e bem pronunciada.

 

Ora acontece que com esta moda mutiladora das palavras introduzida no nosso Português pelo abrasileirado AO90, quebrou-se todas as regras da linguagem escrita, e a falada foi fatalmente afeCtada. E tanto os portugueses, como principalmente os estrangeiros que se deparam com as palavras mutiladas, começaram a ler conforme a grafia aconselha.

 

Assim, aquele “sector”, sem o , forçosamente terá de ser pronunciado “s’tor”, ou então teria de ser acentuada - sétor - ou, repondo a legitimidade da palavra, teria de estar grafada seCtor, para que Mouravitch a pronunciasse correCtamente. E isto qualquer estrangeiro e também qualquer criança portuguesa que esteja a aprender a ler entenderá. As crianças já lêem s’etor. Só os acordistas não entendem, porque a cultura linguística deles não lhes chega sequer aos calcanhares.

 

Já ouvi jornalistas a ler as notícias nos pontos, e pronunciar as palavras mutiladas, segundo as regras gramaticais: dir’tor, âção, dirêto… que é assim que têm de ser pronunciadas, se não estão acentuadas ou grafadas correCtamente.

 

Eu própria, quando vou a um banco e vejo escarrapachado à minha frente aquele “diretor de marketing”, peço para falar precisamente com o “dir’tor”. Diante dos olhos esbugalhados do meu interlocutor, confirmo: «sim, dir’tor, não é isso que ali está escrito

 

É preciso pôr termo a este descalabro. Pretendem que os estrangeiros, que aprenderam Língua Portuguesa (não a brasileira), a reaprendam a escrever segundo a ignorância do AO90?

 

Ora se os Ingleses ou os Espanhóis lhe dessem para fazer acordos ortográficos com as ex-colónias, lá teria eu de desaprender o que levei anos a aprender com todas as regras, para falar e escrever bem estas línguas????

 

Ponho-me no lugar dos estrangeiros que suaram muiiiiito para aprender uma das Línguas mais completas, mais ricas, mais cultas, mas também mais difíceis do mundo, a Língua Portuguesa, para agora a verem mortalmente mutilada…

Que pobreza!!!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:54

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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

QUANDO O TERMO “UNIFICAR” SIGNIFICA “CADA UM PARA O SEU LADO”…

 

Um dos argumentos de quem defende o AO90 é o delírio de se pretender unificar o que eles chamam de Português de Portugal e Português do Brasil, para que todos se entendam debaixo do mesmo “toldo” …

Dizem que o Acordo Ortográfico de 1990 se propõe a unificar a grafia das duas variantes da Língua Portuguesa (e as variantes africanas, não contam?) criando uma ortografia comum aos países lusófonos (entenda-se apenas Brasil e Portugal).

Isto é o que dizem quanto à grafia made in Brasil que nos querem impingir. E por que não a grafia made in Portugal, como seria mais natural, uma vez que a Língua Portuguesa (de Portugal) é a Matriz, e os Africanos de expressão portuguesa já a usam com elevado nível, apenas o Brasil se afastou dessa matriz?

 

UNIFICAÇÃO2.png

 O que vemos na imagem é um dos entraves à impossível unificação

 

Mas não é apenas a ortografia mutilada que está em causa, neste negócio fraudulento e obscuro do AO90.

 

Existem aquelas outras palavras (e são às centenas) que os brasileiros dizem e os Portugueses e Africanos de expressão portuguesa não dizem.

 

E se é para haver unificação, a unificação deveria ser total, ou o objectivo dos negócios estrangeiros não se concretizará jamais…  

 

Ora vejamos esta situação: escanção ou sommelier?

 

Ontem, numa reportagem da SIC, sobre vinhos alentejanos, que estão a ser promovidos no Brasil, fiquei a saber algo que desconhecia por completo, simplesmente porque de vinhos percebo o mínimo.

 

Mas sei que em Portugal existe o vocábulo escanção, oriundo do francês antigo eschanson, que por sua vez tem origem no latim medieval scantio, e que significa profissional especializado em vinhos, ou aquele que nos banquetes antigos deitava o vinho nas taças dos convidados, ou ainda o oficial da corte que estava encarregado de servir o vinho na taça e oferecê-lo ao rei nas refeições.

 

E qual não foi o meu espanto, quando o jornalista aplica a palavra sommelier, e explica que no Brasil, os brasileiros utilizam esta palavra francesa, para designar o que em Português é escanção.  

 

Ora se a Língua Portuguesa tem um termo específico para designar   profissional especializado em vinhos, haveria necessidade de se ir buscar um vocábulo francês?

 

Talvez sim… Talvez para esnobar a Língua do colonizador… É uma hipótese.

 

E agora das duas uma: com esta unificação pretendida pelo AO90, ou passamos nós e os Africanos de expressão portuguesa a dizer sommelier, ou passam os brasileiros a dizer escanção. Ou a unificação é apenas restrita à ortografia?

 

É que existem outras questões.

 

Aqui há tempos, um editor brasileiro pretendeu que eu traduzisse para brasileiro, um livro que escrevi em Língua Portuguesa, porque disse ele, no Brasil ninguém sabe o que é um quarto de banho (entre outros termos usados cá, mas não lá). Eles lá dizem banheiro, que em Portugal significa um vigilante ou instrutor de natação, nas praias.

 

Neste caso, mais depressa um português se baralharia com banheiro, do que um brasileiro, minimamente instruído, com quarto de banho, uma vez que, estando-se a falar de uma habitação, um quarto de banho não seria entendido como um compartimento para dormir… Ou seria…

 

O livro ficou por traduzir e por editar, obviamente.

 

Se cada um diz a sua, como fica a unificação para que todos se entendam debaixo do mesmo “toldo”?  

 

O pior é que como esta do sommelier, há centenas de outras palavras que os brasileiros adoptaram, ou americanizaram ou afrancesaram ou italianizaram, para se afastarem do Português. E então, ou eles lá, abdicam dessas palavras estrangeiradas e começam a utilizar o léxico Português, ou nós cá, abdicamos do nosso Português e adoptamos essa estrangeirice, em prol da tal pretendida unificação, para que todos se entendam…

 

Agora pergunta-se: por que é que cada país não fica com a sua própria diversidade linguística na oralidade e na escrita?

 

É que nós cá, também temos regionalismos, e nem por isso alguém se lembrou de unificar o Português, em Portugal.

 

É que no Norte existem termos que os do Sul desconhecem, e vice-versa. Como por exemplo: estrugido e refogado; garoto e pingo; imperial e fino; bica e cimbalino. Lá para o Sul é mais oiro, loiro, toiro, moiro… No Norte é mais ouro, louro, touro, mouro… Por que não deixar o léxico brasileiro ser brasileiro, e o léxico português ser português, e o léxico africano ser africano, na grafia e nas diversas pronúncias e nos preciosos regionalismos?

 

Os regionalismos brasileiros são riquíssimos (não estou a referir-me à estrangeirice) mas não estou a ver os Portugueses (ou os Angolanos ou Moçambicanos) a usá-los nem na escrita, nem na oralidade.

 

Na diversidade é que está a riqueza de uma Língua partilhada por oito países. Não na unicidade, que é redutora e anti-cultural.

 

Para se adoptar uma ortografia comum unificante, teria de se adoptar um léxico comum também unificante.

 

Que interesse terá Portugal (e o Brasil) em escrever teto, arquiteto, direto, setor, convição, rutura, invita, mas os Portugueses desconhecerem o que é um curumim ou uma cumbuca, e os Brasileiros não saberem o que é um brindeiro ou um bisalho?…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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