Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

ACORDO ORTOGRÁFICO: ERRAR É DA CONDIÇÃO HUMANA, INSISTIR NO ERRO É DA CONDIÇÃO INSANA

 

ACORDO.jpg

(Origem da imagem: Internet)

 

Está mais do que provado que o Acordo Ortográfico de 1990 resultou de um monumental erro humano, perpetrado por um grupo de indivíduos brasileiros e portugueses, das áreas política, editorial e livreira, devido a interesses políticos obscuros e interesses económicos vantajosos para os envolvidos.

 

Esses indivíduos, à revelia dos 25 pareceres técnicos negativos (contra apenas dois positivos) puseram a funcionar ilegalmente uma engrenagem que não está a resultar em parte alguma: nem no Brasil, nem em Portugal, e muito menos em Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

 

(A Guiné Equatorial não será para aqui chamada, uma vez que nada tem a ver com a lusofonia).

 

Não estando a funcionar essa engrenagem, que pretendia aproximar a escrita lusíada à escrita do Brasil (afinal, o único país lusófono que se distanciou, de um modo sistematicamente incorrecto, da matriz da língua que adoptou) desunindo-as de um modo quase babélico, que interesse há em continuar esta farsa, este negócio obscuro?

 

Quem está a lucrar com isto?

 

Os governos brasileiro e português? Os seus servidores? Os editores de um e de outro lado do Atlântico? Os que já encheram os bolsos e agora não quererem vê-los esvaziados, nem que seja para devolver a Portugal o seu mais precioso património: a Língua Portuguesa? Nem que seja para restituir a Portugal a sua Identidade Nacional, que está a esvair-se lentamente… Vilmente?

 

Nós, os que escrevemos e para quem a Língua Portuguesa é parte da nossa vida, exigimos a revogação imediata deste Acordo Ortográfico que não tem ponta por onde se lhe pegue.

 

Já estamos fartos de ver a nossa Língua humilhada, vilipendiada, decepada, esvaziada da sua matriz culta e europeia, na Internet e nos órgãos de comunicação social, visuais e escritos, (à excepção de uns oásis em papel, porque nas televisões, os seus responsáveis dobraram a espinha dorsal aos vendilhões).

 

E não me venham falar em evolução, porque este AO/90 nada tem a ver com evolução, mas com a redução pura, nua e crua da nossa língua a uma condição primária e desenraizada de qualquer matriz culta.

 

Vou dar apenas um exemplo, que servirá para todos os outros vocábulos estropiados: no Brasil diz-se e escreve-se fato, quando querem referir-se a um acontecimento.

 

Ora, fato provém do gótico fat, e significa vestuário exterior, indumentária.

 

E quando uma mestranda me escreve uma mensagem (como aconteceu há dias) a pretender «a versão portuguesa dos fatos referentes ao legado científico e cultural que a família real deixou ao Museu Nacional, fundado em 1818 por Dom João VI, no Brasil», apetece-me (porque ainda não respondi) sugerir a esta mestranda que se dirija ao Museu Nacional do Traje e procure esses fatos.

 

Porque se ela pretende algo relacionado com o que aconteceu em relação ao legado de Dom João VI, deveria ter escrito faCtos, porque facto é uma palavra originária do latim factum, e significa, acontecimento.

 

Portanto, fato nada tem a ver com o que, no Brasil, se quer referenciar.

E como esta, existem muitas palavras que não dizem a treta com a careta, porque estão totalmente desenraizadas e afastam-se do seu significado original.

 

E é esta linguagem sem história, que nos querem impingir, por alma de quem?

 

Para terminar, farei minhas as palavras do Luís Filipe Pimentel Costa, com as quais concordo inteiramente: «Todo e qualquer prejuízo financeiro resultante da anulação desta afronta à dignidade dos cidadãos de todos os países vitimados deverá ser imputado a todos e cada um dos responsáveis por ela, desde os políticos implicados, aos vendilhões da indústria livreira, passando pelos intelectuais e sábios e doutos senhores de muitos canudos e escassa vergonha. Eles que lavem, com dinheiro, a afronta que nos vêm causando. Mas... que nunca, repito, que NUNCA alguém, seja quem for, me venha dizer que eu sou obrigado a escrever mal para que os responsáveis por isso não percam dinheiro.»

 

É que já sabemos que ERRAR é da condição HUMANA, mas INSISTIR NO ERRO é inteiramente da condição INSANA

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:46

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
14
16
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. NOVA CARTA ABERTA A MARCE...

. «TROVA DO TEMPO QUE PASSA...

. ADULTERAÇÃO, NO BRASIL, D...

. «AS VÍTIMAS E OS ALVOS DO...

. EM PORTUGAL ESCREVE-SE E ...

. É O QUE DÁ “FABRICAR” UM ...

. «A CÉSAR O QUE É DE CÉSA...

. 1910/2017 – HOJE, CELEBR...

. NUMA SÃ DEMOCRACIA, O MIN...

. «CARTA ABERTA À SOCIEDADE...

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.BLOGUES

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
blogs SAPO