Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

«SE FOSSE SÓ TRÊS SÍLABAS!»

 

Este texto de Nuno Pacheco, publicado ontem no Jornal Público, diz tanta coisa nas entrelinhas…

Mas será que os governantes entenderão?...

 

HÍFEN.jpg

 

 

Por NUNO PACHECO

 

«Desacordai, ó gentes que dormis! É que já passou o tempo dos silêncios vis.

 

Estava a caterpillar socialista posta em desassossego, a trabalhar a todo o vapor na desmontagem do edifício legislativo do anterior governo, quando José Pacheco Pereira resolveu perguntar a António Costa sem grandes rodeios: se estão a acabar com tanta coisa, por que não acabam com o acordo ortográfico? Isto foi-lhe perguntado na SIC-N, numa edição especial do programa Quadratura do Círculo — onde Costa, ex-comentador residente, esteve agora como convidado e, claro, Primeiro-ministro. "Acho que não faz sentido mexer no acordo", disse Costa. E arrancou às suas memórias este diamante: "A minha geração já aprendeu na escola que Luís se escreve com S e não se escreve com Z." Quis com isso dizer: já houve um acordo, este é outro, para quê tanta preocupação? Mas foi infeliz (com Z) no exemplo. Porque Luís, palavra de origem alemã que na sua evolução pelos continentes deu Ludwig, Louis, Luigi ou Luís, já se escrevia por cá com S no tempo de Camões, como se pode confirmar na capa original d’Os Lusíadas. Houve luíses com Z, é certo, mas onde eles proliferaram foi no Brasil. Querem um exemplo? Vão à página oficial do Instituto Lula e lerão: Luiz Inácio Lula da Silva. Assim mesmo, com Z. Conclusão: Camões escrevia como ensinaram a António Costa e Lula, no Brasil, usa o Z que a escola disse a Costa que era errado. Confuso? De modo algum. Confusa é a forma como os políticos, absolutamente ignorantes na matéria, continuam a falar do acordo ortográfico. Mas ficámos a saber uma coisa: Costa não tomaria a iniciativa de fazer este acordo, disse-o na SIC-N, mas também não toma a iniciativa de o desfazer. Compreende-se. É muito mais "importante" do que os exames ou a TAP... Parafraseando O’Neill, se o acordo fosse só três sílabas, e de plástico, para ser mais barato, não havia problema. Mas é, como lhe chamou um crítico literário brasileiro, um aleijão que incomoda. Em Portugal, no Brasil ou onde quer que vegete. Desacordai, pois, ó gentes que dormis! É que já passou o tempo dos silêncios vis.»

                                                                                            in:           

http://www.publico.pt/opiniao/noticia/se-fosse-so-tres-silabas-1720251

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:20

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
comentários:
De Arsénio Pirs a 15 de Janeiro de 2016 às 12:15
O mal é que o deus Hypnos mergulhou de tal forma os nossos políticos no enxergão da ignorância que jamais ACORDARÃO para desACORDAR esta ignorante estupidez do AO90.

(Passagem administrativa a língua portuguesa foi o que eles tiveram no pós-revolução de Abril!)
De Isabel A. Ferreira a 15 de Janeiro de 2016 às 14:26
Gritaremos tão alto (mas temos de ser muiiiiiitos) que obrigá-los-emos a ACORDAR para o DESACORDO óbvio, e a revogar este ABSURDO, Arsénio Pires.
De Tristão a 15 de Janeiro de 2016 às 15:25
Lamento discordar, mas na ortografia imediatamente anterior a 1911 escrevia-se Luíz, tal como se pode comprovar pegando na antiga moeda de 20 reís, por exemplo, e verificar que se escrevia com Z. Faça uma pesquisa no google em Imagens. E já agora, escrevia-se Queiroz, e não Queirós, como hoje todos nós fazemos, e agredimos assim um dos nossos maiores escritores.
De Isabel A. Ferreira a 15 de Janeiro de 2016 às 18:34
Tristão,

Certo, mas o que aqui está em causa não são os ZZ ou os SS de LUÍS.

O que aqui está em causa é a pobreza de argumentação do António Costa.

Todos os problemas do AO/90 fossem os SS e os ZZ finais dos nomes própios.
Mas infelizmente não são.

Além disso discutir os nomes próprios, não é próprio de um Ministro que deveria saber que nos nomes próprios não se mexe. Quem nasce LUIZ deverá morrer LUIZ. Quem nasce LUÍS deverá morrer LUÍS. Ponto final.

Quanto ao Queiroz, do Eça, é vergonhoso o que fazem com o nome do escritor.

Eça de Queiroz nasceu Queiroz e morreu Queiroz, mas os chicos-espertos mudam-lhe o nome para Queirós, e a isso chama-se IGNORÂNCIA.

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
18
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. «NÃO HAVERIA DITADORES SE...

. RESISTAMOS À IGNORÂNCIA

. O ERRO ORTOGRÁFICO

. DEPUTADOS DA NAÇÃO USAM M...

. FILME "SILÊNCIO", DE SCOR...

. NA GUINÉ-BISSAU PREDOMINA...

. O GOVERNO PORTUGUÊS NÃO É...

. O GOVERNO PORTUGUÊS TAMBÉ...

. «ORTOGRAFIA E IDENTIDADE»

. BRASIL DOA 1.200 LIVROS A...

.arquivos

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.BLOGUES

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
blogs SAPO