Segunda-feira, 15 de Maio de 2017

EM PORTUGUÊS, SALVADOR SOBRAL CANTOU E ENCANTOU O MUNDO

 

O dia 13 de Maio de 2017 foi um dia que ficará para a História de Portugal. Um dia que, no futuro, será recordado com verbos conjugados no pretérito perfeito, e celebrará apenas aquele que, nesse dia, elevou a Humanidade (o Papa Francisco), e aqueles que levaram aos píncaros o nome de Portugal (Salvador e Luísa Sobral)… em Português.

 

Nesse futuro, os que, nesse dia, na ala das autoridades, fingiram representar Portugal, já terão sido esquecidos há muito.

 

SALVADOR.jpg

 Salvador Sobral: vencedor do Festival da Eurovisão da Canção de 2017 - Origem da foto: Internet

 

O 13 de Maio de 2017 ficará marcado para sempre com a “vitória da música”. Mas também com a vitória de Portugal e da Língua Portuguesa.

 

A vitória da verdadeira arte, da simplicidade. Da autenticidade. E tudo isto em Português.

 

O mundo está farto do artificialismo. Do ruído musical. Da música de plástico. Do espectáculo sem conteúdo.

 

A dupla Luísa e Salvador Sobral conseguiu o que mais ninguém, em 48 participações, conseguiu.

 

Desta vez, Portugal venceu e convenceu o mundo. Em Português.

 

A fórmula foi simples: simplicidade.

 

Não foi preciso “inglesar” a língua, nem banalizar a música, nem espalhafatar a interpretação para que se tornasse mais festivaleira a participação de Portugal.

 

Os irmãos Sobral deram uma lição ao mundo, e principalmente a Portugal e aos políticos que o (des)governam).

 

Eles são os verdadeiros representantes da Cultura em Português.

 

A propósito, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: «Quando somos muito bons, somos os melhores dos melhores. Muitos parabéns ao Salvador Sobral». Sim, somos. Mas para isso temos de ser genuínos. Quando somos muito bons Portugueses, somos os melhores dos melhores, não precisamos de imitar ninguém, não precisamos de nos subjugar a ninguém. Cantámos e encantámos exclusivamente em Português.

 

Salvador Sobral representou Portugal, algo que Marcelo não representa, por não defender a língua em que Salvador se expressou.

 

António Costa, por seu turno, declarou: «Fez-se história em português hoje na Eurovisão. Parabéns Salvador! Parabéns Portugal!» Sim, no dia 13 de Maio de 2017, na Eurovisão, fez-se História em Português, algo que António Costa nunca fará, por ter vendido a Língua Portuguesa ao estrangeiro.

 

Portugal está de parabéns. Mas não António Costa.

 

Os Portugueses, em Portugal e no mundo, têm orgulho dos irmãos Sobral, por estes não se terem deixado ir na onda do modismo linguístico. A nossa Língua é cantável, sendo bem pronunciada e cantada. Salvador provou que não é preciso cantar em Inglês para se ganhar um Festival da Canção.

 

Parabéns, Salvador e Luísa, por não terem renegado a vossa Língua. Mais do que os governantes portugueses, vós sois os verdadeiros representantes da Identidade Portuguesa no mundo: com uma bela melodia, a mais bela melodia que já se compôs para os Festivais da Canção (em Portugal), cantada sobre um belíssimo poema, escrito numa das mais belas e ricas línguas indo-europeias.

 

O Festival da Eurovisão pretendeu celebrar a diversidade. Falhou na celebração da diversidade linguística, uma vez que a esmagadora maioria dos países cantaram em Inglês. Lamentável.

 

A diversidade é bem-vinda. É saudável. É recomendável. É natural.

 

Espero que esta vitória dos irmãos Sobral sirva para a tomada de consciência dos nossos governantes para algo primordial: Portugal é um país europeu. Portugal tem uma Língua – a Portuguesa. Não queiram destruir o que temos de mais precioso e belo para nos representar e identificar como um país soberano.

 

No dia 13 de Maio de 2017 quem na verdade representou Portugal no mundo foi Salvador e Luísa Sobral, em Português.

 

Tudo o resto foi um vergonhoso faz-de-conta.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:56

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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

MAL VAI UM GOVERNO QUE NÃO CONSEGUE VER O ÓBVIO NEM OUVIR AS VOZES DE TODAS AS RAZÕES…

 

AO/90 NEGÓCIO ESTRANGEIRO!

Que vergonha! Quanta subserviência!!!!!

 

O ministro Santos Silva diz que o aborto ortográfico de 1990 não é para abortar???????

Não é por acaso que esta matéria está a ser conduzida pelo MNE. É que no Brasil, quem manda nas questões da língua é o Itamaraty… o correspondente brasileiro do nosso Ministério dos NEGÓCIOS Estrangeiros.

Não ficará tudo dito???????

CEGO.jpg

 

Como disse, senhor ministro Augusto Santos Silva?

 

Está a pôr a hipótese de nem sequer REVER o AO90, referindo que está em vigor em Portugal????? Onde?????

 

E que falta ser aplicado pelos países onde a ratificação ainda está em curso????? Quando sabemos que NÃO ESTÁ EM CURSO coisa nenhuma, e que Cabo Verde até colocou o Português para segundo plano, como língua estrangeira…

 

Diz que o acordo ortográfico "é um acordo internacional que obriga o Estado português”?????

 

Obriga o Estado Português a quê????? A ser subserviente ao Brasil????? Por alma de quem????? Ou não fosse o AO90 pura e simplesmente o abrasileiramento do Português, que os brasileiros até já nem seuqer estudam...

 

Sabemos que no Brasil o AO90 não está em vigor, porque todos escrevem como sempre escreveram, sem tirar um acento… Lá, estão-se nas tintas para o AO90; tal como não está em vigor em Portugal. Aqui, apenas os subservientes ao poder político o aplicam, e aliás, muito atabalhoadamente…

 

Os outros países estão-se nas tintas para um acordo que milhares de vozes contestam.

 

Se andaram para trás com tantas medidas dos governos anteriores, que consideraram “parvas”, então porque não recuam com esta medida que é a mais parva de todas?????

 

O que é que vos impede?????

 

A que é que estão “amarrados”?????

 

Um governo que é cego e não consegue ver o óbvio;

Um governo que é surdo e não ouve as vozes da razão;

Um governo que se verga a interesses obscuros;

É um governo que não merece a confiança do povo português.

 

Por isso demita-se o governo liderado por António Costa, ou então tratem de cumprir a Constituição da República Portuguesa.

 

Os Portugueses estão fartos da incompetência de governantes que não governam segundo os interesses de Portugal, mas de acordo com um acordo desacordado… que subservientemente mantém em pé… desequilibradamente…

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:52

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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

CRIADO GRUPO DE TRABALHO NO PARLAMENTO PARA AVALIAR O IMPACTO DA APLICAÇÃO DO AO90

 

A comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto aprovou a criação de um Grupo de Trabalho para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. O requerimento para a constituição deste Grupo de Trabalho foi apresentado pelo PSD e aprovado com a abstenção do PS.

 

Com a abstenção do PS, claro. Só podia ser.

 

AO90.jpg

 

A propósito, a minha amiga Maria João Oliveira lembrou, e lembrou muito bem, que Gabriela Canavilhas (apesar de ser aficionada de touradas) foi ministra da Cultura e exerceu funções nos governos de José Sócrates, o tal que ajudou a alastrar o acordês-socratês, e aprovou a Resolução do Conselho de Ministros nº 8 / 2011, de 25 de Janeiro, que mandou aplicar o AO90.

 

E como se isto fosse pouco,  Canavilhas fez parte de um Grupo de Trabalho intitulado "Acompanhamento da aplicação do Acordo Ortográfico", tendo até havido uma Petição que exigia a saída dela desse Grupo...

 

O  PS está enterrado nisto até ao cocuruto da cabeça. Por isso António Costa anda tão caladinho. Por isso, o PS se abstém de votar numa matéria em que a abstenção vale (neste caso) como um sim ao AO90.

 

Os deputados aprovaram, também por unanimidade, a proposta do Bloco de Esquerda para uma audição do presidente da Academia de Ciências de Lisboa (ACL), Artur Anselmo, naquela comissão, o qual, como se sabe, pretende a “revisão” do AO90.

 

Mas já não haverá demasiada contestação pública a este malfadado AO90 para que os parlamentares percebam que é um erro crasso manter o erro mais crasso ainda de ter impingido aos portugueses mais subservientes uma ortografia medíocre, que nada tem a ver com a cultura linguística europeia?

 

Ainda será preciso discutir o quê????? Se tudo já foi discutido. Se tudo já foi dito. Se tantas vozes já se levantaram desde que esta aberração ortográfica foi impingida à força nas escolas, nas repartições públicas e na comunicação social, enganando os mais incautos com a falsa obrigatoriedade da sua aplicação?

 

O deputado social-democrata José Carlos Barros afirmou que a proposta de criação deste grupo de trabalho surgiu pelos recentes alertas da ACL, que referiram "a necessidade de aperfeiçoar as bases do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), que gerou instabilidade ortográfica, que não estabelece uma ortografia única e inequívoca, que deixa várias possibilidades de interpretação, em muitos casos".

 

Mas que necessidade é essa de aperfeiçoar o que não é aperfeiçoável e que falhou redondamente os seus objectivos?

 

Isto é como remendar remendos. O AO90 não tem ponta por onde se lhe pegue, de tão mau que é. Pretende-se aperfeiçoar o quê????? Um arremedo de ortografia?

 

Os dois objectivos do AO90 não conseguiram manter-se por serem completamente inviáveis, ou seja, o de ordem política e que tem a ver com a intenção (mais brasileira do que portuguesa) de reforçar o papel da Língua Portuguesa (leia-se brasileira, pois a ortografia é toda brasileira) como uma língua de comunicação internacional (que nem de propósito, enquanto era Portuguesa foi usada no Vaticano, quando começou a ser brasileira, depois do AO90, foi sumariamente rejeitada); e o outro objectivo de ordem técnica, assente na ideia de uma base ortográfica comum, mostrou-se algo tecnicamente impossível.

 

Isto já seria o bastante para o Parlamento atirar ao lixo uma ortografia que envergonha a História Portuguesa, sem mas, nem mas….

 

José Carlos Barros, deputado do PSD, afirmou ainda que o seu partido continua a ser a favor do objectivo de ordem política. Mas a Língua não tem de ter objectivos de ordem política. Não tem.

 

Além disso este objectivo, senhor deputado, só seria válido com a Língua Portuguesa íntegra, e não com a língua Portuguesa desintegrada e mutilada. E se neste aspecto alguém tem de ceder não é Portugal, é quem desintegrou a língua, transformando-a numa aleijadinha.

 

Agora atente-se neste parágrafo:

 

«O que a ACL vem dizer é que este objectivo de ordem técnica não está a ser cumprido, o que nós entendemos é que devemos perceber porque é que não está a ser cumprido este objetivo técnico", disse o deputado social-democrata, realçando que "a política não se deve meter na ortografia».

 

(Este parágrafo foi retirado do texto original que me serviu de fonte. E repare-se logo aqui o que este acordo faz: ora se escreve correctamente objeCtivo, ora se escreve objetivo, na mesma frase).

 

O que será preciso dizer mais?

 

Esperemos que a criação deste Grupo de Trabalho não seja mais uma daquelas manobras de diversão a que os nossos parlamentares nos têm habituado, numa tentativa de calar as vozes que se têm levantado contra este linguicídio.

 

Fonte:

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/cultura/detalhe/impacto-do-acordo-ortografico-avaliado-no-parlamento

***

O AO90 é o instrumento dos que foram atacados por uma profunda cegueira mental, que não os deixa ver os propósitos perversos desta negociata obscura, que pretende destruir património português.

 

A isto chama-se crime de lesa-língua e de lesa-pátria.

 

Os que amam a Língua Portuguesa, por favor, assinem esta petição, lançada pelo grupo do Facebook “Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990”.

 

Não podemos deixar MORRER o que nos identifica como nação.

 

Petição pública:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:14

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

A NOMEAÇÃO DE GUTERRES PARA A ONU ORGULHA PORTUGAL, E PORTUGAL ORGULHARÁ GUTERRES?

 

Com que ortografia se comunicará com o mundo?

 

É o que vamos esmiuçar

 

AG-1[1] GUTERRES.jpg

 

Penso que serão poucos, aqueles que não se sentirão orgulhosos da nomeação de António Guterres, ocorrida no passado dia 6 de Outubro, para Secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Da direita à esquerda, a unanimidade, perante esta aclamação, parece-nos inequívoca.

 

António Guterres é dos poucos portugueses que passaram pela política sem nódoas negras a manchar-lhe o nome e a reputação.

 

Como Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados reuniu consensos e prestigiou Portugal nas suas atitudes serenas e sensatas, ao contrário de outros portugueses que nos envergonham e arrastam o nome de Portugal pela lama…

 

A sua candidatura a Secretário-geral da ONU foi transparente e, apesar da pouca cristalina entrada de Kristalina Georgieva, já no final da “corrida” ao cargo, com pretensões menos claras, a aclamação de António Guterres foi absolutamente cristalina. Disso ninguém tem dúvidas.

 

Portugal intumesceu de tanto orgulho. Nunca um português chegou tão alto em cargos da governação do mundo.

 

Então, no mundo, quem não sabia, ficou a saber que António Guterres é oriundo de Portugal, um pequeno país europeu, situado na ponta mais ocidental da Península Ibérica.

 

Portugal é agora falado no mundo inteiro. Parece estar na berlinda. Na mó de cima.

 

Mas estará?

 

Os mais curiosos pretenderão saber que país é este, de onde é oriundo o novo Secretário-geral da ONU, uma organização que integra 193 estados-membros.

 

Que país será o país de Guterres?

 

É um país com um bom clima. Muito sol. É Lisboa. É o Porto. É o Algarve. É a Ilha da Madeira. As boas praias. Os passeios pelo Douro. Os bons vinhos. A boa gastronomia. Os excelentes e premiados hotéis. É a Arquitectura. O rio Tejo, onde aportam os maiores cruzeiros do mundo…

 

Mas isto é o Portugal dos turistas, que aqui vêm trazidos pela propaganda, pelo sol e pelo clima de tranquilidade que, por cá e por enquanto, ainda se vive, longe da mira dos terroristas.

 

E deste Portugal todos nós nos orgulhamos. Mas este Portugal representa apenas uma pequena parcela dos 92.090 km² do total do seu território.

 

Existe um outro Portugal. O Portugal das mentes mirradas, que se esconde dos turistas, para não parecer mal. Mas isto acontece em quase todos os países do mundo. Mesmo naqueles mais civilizados. Um turista é levado a ver apenas o que a propaganda quer que vejamos. Já me aconteceu a mim, em vários países. Sei como é. Mas como sou curiosa, não me fico pelo que me querem mostrar. Vou sempre muito mais além. Nem que vá às escondidas.

 

Deste Portugal das mentes mirradas, aposto que nem António Guterres, nem nenhum português que se preze de o ser, sente qualquer orgulho. Eu não sinto.

 

Vejamos:

 

Portugal é um país fragmentado. Venderam-no aos Brasileiros, aos Angolanos, aos Chineses, aos Espanhóis… e são estes povos que praticamente “mandam” no país.

 

Há ainda cerca de meio milhão de analfabetos em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), com base no Censos de 2011. Não se aposta na Educação (e quando o Ministro desta tutela pede aos professores para não chumbarem os alunos, estará tudo dito), no Ensino, na Cultura Culta. Aos políticos convém manter o povo no banho-maria da ignorância para que ele seja mais facilmente manobrado.

 

Ainda um destes dias ouvi falar na geração Nem, Nem, aquela que nem estuda, nem trabalha, e só atrapalha a evolução do país. Mas interessará aos políticos fazer evoluir o País, acabando com esta geração Nem, Nem?

 

(…)

Da União Europeia, os Portugueses são dos cidadãos com menores taxas de participação em actividades culturais (cultas), segundo o relatório do Eurobarómetro. Esta miséria cultural em que Portugal está mergulhado deve-se à falta de investimento no sector, à débil aposta na Educação e ao baixo poder de compra dos portugueses, dizem vários especialistas e responsáveis por estas matérias.

 

(…)

E para culminar, Portugal, que é um dos mais antigos países da Europa, e que até há bem pouco tempo podia gabar-se de ter uma Língua culta e europeia, bem estruturada e das mais belas e ricas, lexicalmente falando, hoje, devido a uma desmedida e incompreensível cegueira mental, à incultura, à ignorância e a interesses económicos (entre outros) obscuros, anda por aí vulgarizada uma ortografia terceiro-mundista, cientificamente desestruturada, inútil, funesta, grotesca, inconstitucional, ilegal e inculta rejeitada por milhares de portugueses, cultos e menos cultos, a que continuam a chamar inadequadamente Português, que os políticos estão a tentar impingir aos Portugueses e ao mundo.

 

Ainda agora na China, António Costa, primeiro-ministro de Portugal, referiu a necessidade de difundir a nossa Língua, a 5ª mais falada no mundo e que até está difundida na Internet… esquecendo-se António Costa de que o que está difundida na Internet é a versão inculta e desenraizada de uma ortografia que envergonha Portugal, e nada tem a ver com o verdadeiro símbolo da Identidade Cultural Portuguesa.

 

A Língua Portuguesa não é um símbolo da Identidade do Brasil. O Brasil adoptou-a como língua oficial, mas não se identifica com ela, por isso, desenraizou-a, afastando-a das suas origens europeias. Mas os Portugueses não são obrigados a ceder a esta proposta indecente que é substituir a Língua Portuguesa pelo AO90.

 

Será com esta ortografia terceiro-mundista, (mal) engendrada no outro lado do Atlântico e que nada tem a ver com as raízes cultas das línguas europeias, que o novo Secretário-geral das Nações Unidas começará a comunicar-se com o mundo?

 

O Engenheiro António Guterres tem duas opções: ou rejeita liminarmente esta ortografia parva, que os governantes portugueses escrevem e querem impingir ao povo, e preserva a Identidade Cultural Portuguesa, a dignidade e a verticalidade com que até hoje regeu as suas atitudes, como figura pública, ou entra no jogo inquinado dos políticos, e mancha o seu nome e a sua reputação, arrastando o nome de Portugal pelo chão.

 

Pesando os prós e os contras, que aqui foram expostos, penso que o Engenheiro António Guterres não tem motivo algum para se orgulhar de Portugal, enquanto este panorama terceiro-mundista se mantiver.

 

E se quiser que Portugal mantenha o orgulho que nos deu a sua nomeação para Secretário-geral da ONU, António Guterres terá de fazer a opção certa, e talvez recomendar aos governantes portugueses que se dignem entrar no século XXI D.C. e abandonem o primitivismo em que ainda se encontram, e façam Portugal crescer como nação integrada numa Europa evoluída, que mantém as suas Línguas cultas e intactas, e que há muito deixou as práticas medievais que envergonharam um passado que já passou, avançando para o futuro.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

«ATÉ "TU", ANTÓNIO!» APUNHALAS A LÍNGUA!

 

(Carta aberta a António Costa)

 

ANTÓNIO.png

Fonte da imagem Tradutores Contra o Acordo Ortográfico:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645077242260614.1073741827.199515723483437/818534008248269/?type=3&theater

 

Senhor primeiro-ministro, peço desculpa pelo tratamento informal, mas foi deste modo que o imperador romano Júlio César, vítima de uma conspiração de senadores para destituí-lo do cargo, se mostrou surpreendido com a atitude do seu filho adoptivo, Marcus Brutus, quando este também o apunhalou, entre tantos outros senadores, e o imperador, já moribundo, sussurrou perplexo: «Até tu, Brutus!»

 

E a frase, proferida no século I A.C., arrastou-se até aos dias de hoje, para indicar surpresa quando uma pessoa trai a confiança de outra.

 

Naturalmente, a circunstância aqui será outra.

 

Contudo, temos quase todos os ingredientes deste episódio romano, para reconstruirmos um cenário idêntico, agora no século XXI D.C., quando um grupo insignificante de impatriotas decidiu APUNHALAR a Língua Oficial Portuguesa.

 

António Costa, primeiro-ministro de Portugal, de costas voltadas para os Portugueses, Brasileiros e Africanos (de expressão portuguesa) mais cultos, teima em continuar a impingir-nos uma ortografia que nem é carne nem peixe (desculpando-me a expressão).

 

Depois que o AO90 começou a ser ilegalmente aplicado (como deve saber melhor do que eu), a Língua Portuguesa transformou-se numa salada russa, que nem é Português nem acordês.

 

E quem tem de escrever, escreve mal uma e outra coisa: políticos, governantes, jornalistas e até professores.

 

É vergonhoso receber um ofício de uma autoridade ministerial dizendo que “foram compridos os pressopostos do Despacho n.º tal … e mais adiante qure o “Serviço de Proteção” e “Direção Regional”… enfim, um texto que envergonha a escadaria do Palácio de São Bento.

 

Poucos serão os que, em Portugal, escrevem bem em Português, ou em acordês, a mescla de uma ortografia sem pés nem cabeça, que torna a língua escrita numa vergonhosa mixórdia.

 

Não há ninguém em Portugal que saiba escrever acordês correCtamente, nem os próprios engendradores deste aborto ortográfico.

 

E todos os países a sério têm um Língua Oficial, que deve ser preservada e aplicada pelos seus representantes máximos com o máximo rigor: no mínimo, sem erros ortográficos. Já não se pede que sejam exímios escritores.  

 

E o vírus AO90, que atacou a Língua Portuguesa que, como sabe, é o símbolo maior da Identidade de Portugal, assim como a Bandeira Nacional e o Hino Nacional, está a enxovalhar Portugal, sem que quem tem o dever de defender esses símbolos mexa uma palha para eliminar o mal que corrói a Língua.

 

E ainda pior: são os próprios governantes que dão o mau exemplo, não sabendo escrever nem em Português, nem em acordês, ou devo dizer como se diz por aí: bechara-malaquês, socratês, lulês, brasileirês, ou mixordês, todos os nomes em que se transformou a nossa amada Língua Portuguesa.

 

Está a ver onde isto já vai…?

 

Nós, que temos na Língua Portuguesa o nosso instrumento de trabalho, não podemos permitir que políticos avessos à Cultura Culta desestruturem, deste modo aviltante, este símbolo maior da nossa Identidade.

 

E muito menos um primeiro-ministro pode andar por aí a escrever numa língua descaracterizada. Ora é uma coisa. Ora é outra. Uma língua com duas caras.

 

«Até “tu”, António!» Apunhalas a Língua!

 

O primeiro-ministro de uma Nação, que se quer culta e moderna, não pode, não deve apunhalar a Língua Portuguesa, desta maneira. 

 

Os Portugueses, Brasileiros e Africanos de expressão portuguesa, que não se subjugaram ao lobby político-editorial vendilhão da Língua, estão de olhos voltados para a Assembleia da República Portuguesa, esperando que os políticos cumpram o seu dever: devolvam a Portugal a sua Língua Oficial, culta e europeia.

 

É uma vergonha o que está a passar-se na República Portuguesa, que não tem uma Língua Oficial aprumada, como o têm os restantes países europeus. Nenhum país jamais se rebaixou a tanto quanto se rebaixou Portugal.

 

Por alma de quem, senhor primeiro-ministro?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:51

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

AO/90: NÃO HÁ QUALQUER OBRIGAÇÃO

 

Um excelente artigo que põe a nu a ilegalidade e a completa inutilidade de uma aberração chamada AO/90

 

OCTÁVIO.jpgTexto de Octávio dos Santos

in Jornal Público

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/nao-ha-qualquer-obrigacao-1726730?page=-1

22/03/2016 - 06:30

 

Há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar.

 

Que não restem dúvidas, que não sobrem ilusões: o “(des)acordo ortográfico de 1990” não é susceptível de qualquer aperfeiçoamento, melhoria ou revisão mas sim de uma erradicação completa e irreversível. Que, sim, não só é possível mas também indispensável.

 

Há 25 anos eram muitos os que não imaginavam, que não acreditavam, que os seus piores pesadelos nesta matéria se tornariam realidade. Eu e outros contestatários do AO90 pensámos (prematuramente, percebeu-se depois) que o “dito cujo carcará” ficara definitivamente morto e enterrado quando então se tentou implementá-lo pela primeira vez; nessa altura já estávamos… “acordados” para combater os delírios de candidatos a ditadores.

 

Entretanto, e à medida das possibilidades de cada um, tentámos promover a Lusofonia - a verdadeira, a respeitadora e apreciadora das especificidades, a do “todos diferentes, todos iguais” - de vários modos; no meu caso, lendo, estudando, recolhendo informações, participando em acções de promoção cultural, escrevendo artigos e um livro - “Os Novos Descobrimentos”, com Luís Ferreira Lopes, que neste ano de 2016 celebra(rá) o décimo aniversário da sua publicação…

 

... Até que, há cerca de dez anos, aconteceu que dois extremistas, dois radicais, alcançaram quase em simultâneo o poder em Portugal e no Brasil, e decidiram “desenterrar” uma aberração que tem tanto de imbecil como de inútil… e de ilegal.

 

Curiosamente, um já esteve na prisão (José Sócrates) e o outro está quase a ir para lá (Lula da Silva). Porém, e o que é pior, os que lhes sucederam e/ou continuaram no poder não tiveram (não têm) coragem para acabar com esse atentado à cultura. Dois exemplos recentes… Primeiro, o de Aníbal Cavaco Silva – que, nunca é demais recordar, era primeiro-ministro quando o AO90 foi iniciado e Presidente da República quando aquele foi “finalizado”: não vetou em (Agosto de) 2015 uma resolução da Assembleia da República que ratificou em Portugal o acordo relativo ao Tribunal Unificado Europeu de Patentes, entidades cujas únicas línguas de trabalho são o Inglês, o Francês… e o Alemão; a resolução foi aprovada com os votos favoráveis do PSD e do CDS e com a abstenção do PS, isto é, os três partidos (ir)responsáveis pela subsistência do aberrante “acordês” - ou seja, os protagonistas desta capitulação são os mesmos da concepção e da implementação do AO90: diferentes momentos, diferentes assuntos, e, no entanto, a mesma incompetência, a mesma falta de patriotismo, a mesma subserviência face ao estrangeiro; este - lamentável - caso é mais um exemplo de como o dito “acordo” falhou, e continuará a falhar, no seu alegado objectivo principal – o de contribuir para o aumento da expansão e da projecção internacionais da língua portuguesa. Segundo exemplo, o de António Costa: o actual primeiro-ministro* afirmou em Janeiro último na SIC, no programa “Quadratura do Círculo”, que “não tomo a iniciativa de desfazer o acordo ortográfico”, mas, entretanto, não hesitou em tomar a iniciativa de desfazer a privatização da TAP; aparentemente, há coisas mais “desfazíveis”, mais reversíveis do que outras... Os “acordistas” mencionam amiúde os (alegados) custos elevados de o “acordês” ser abandonado (patético “argumento”...); todavia, a “re-nacionalização” da transportadora aérea nacional poderá revelar-se tão ou mais dispendiosa do que mandar para a reciclagem livros e documentos cheios de erros.

 

Depois de três décadas de debate sobre a “questão ortográfica” ainda não me decidi sobre o que mais me surpreende nos “acordistas”: se a ignorância, se a desonestidade intelectual, se a cobardia... Algo que eles não compreendem claramente é o conceito de “evolução”: esta é uma transformação, ou conjuntos de transformações, que acontece(m) continuamente, muito lentamente, imperceptivelmente; são adaptações, respostas, a alterações ocorridas no ambiente (natural e/ou cultural). Obviamente, não serve como uma prova de “progresso” qualquer - ridícula, risível – lista de palavras que “perderam” as ditas “consoantes mudas”. Porque basta olhar para outras línguas (mais?) civilizadas, como o Inglês, o Francês e o Alemão, e verificar que elas mantêm todo o “excesso” de letras... sem, indubitavelmente, isso ter efeitos adversos no desenvolvimento cultural dos respectivos países.

 

Não é por acaso, evidentemente: maior complexidade - reflexo e receptáculo da história, da tradição, enfim, da etimologia – pode significar, ser, maior riqueza. Nem sempre a “simplicidade” é benéfica. O AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e, frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em Portugal como no Brasil. Seria de supor que, em democracia, tais rupturas radicais, referentes ao que de mais básico há numa nação - isto é, a sua forma de comunicação - e feitas à revelia do povo, da generalidade da população, já não fossem possíveis. Porém, e infelizmente, são... o que demonstra que, dos dois lados do Atlântico, a democracia não está, não é, propriamente desenvolvida e verdadeira.

 

A ver se nos entendemos de vez: não há qualquer obrigação, qualquer dever, de se proceder a regulares (grandes ou pequenas) alterações na ortografia. Se a maioria dos cidadãos as recusar, elas não se fazem. Ponto final. E eles não têm, não precisam, de dar qualquer justificação, qualquer explicação, da sua recusa; pelo contrário, quem tem de explicar e de convencer, correcta e legitimamente, são os “acordistas”, e estes têm falhado rotundamente nessa tarefa. Por isso, e como já escrevi em outra ocasião aludindo ao “jargão” futebolístico, tão do agrado de brasileiros e de portugueses, eles preconizam a “técnica da força” (a imposição sob pena de penalização) em vez da “força da técnica”...

 

E, ao contrário do que foi prometido, há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar. Que não estão a ser defendidos pelos seus professores. E o que estes poderiam e deveriam fazer era juntarem-se – nas suas escolas, nos seus agrupamentos, nos distritos, no país – e recusarem-se a aplicá-lo. Se forem ameaçados com sanções… que recorram aos serviços jurídicos dos respectivos sindicatos. Apelem à FENPROF, e esta talvez os leve a sério, porque à ILCAO não levou aquando de uma reunião que tivemos em 2014.

 

Ganhem coragem! Após tantas greves, tantas manifestações, que os professores têm feito ao longo dos anos para defenderem os seus direitos e as suas regalias, que tal, finalmente, se mexerem em prol dos estudantes e do ensino (de qualidade)? E da cidadania e da democracia? E da liberdade?

 

Jornalista e escritor

 

(Os sublinhados são da responsabilidade da autora do Blogue).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:54

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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

«SE FOSSE SÓ TRÊS SÍLABAS!»

 

Este texto de Nuno Pacheco, publicado ontem no Jornal Público, diz tanta coisa nas entrelinhas…

Mas será que os governantes entenderão?...

 

HÍFEN.jpg

 

 

Por NUNO PACHECO

 

«Desacordai, ó gentes que dormis! É que já passou o tempo dos silêncios vis.

 

Estava a caterpillar socialista posta em desassossego, a trabalhar a todo o vapor na desmontagem do edifício legislativo do anterior governo, quando José Pacheco Pereira resolveu perguntar a António Costa sem grandes rodeios: se estão a acabar com tanta coisa, por que não acabam com o acordo ortográfico? Isto foi-lhe perguntado na SIC-N, numa edição especial do programa Quadratura do Círculo — onde Costa, ex-comentador residente, esteve agora como convidado e, claro, Primeiro-ministro. "Acho que não faz sentido mexer no acordo", disse Costa. E arrancou às suas memórias este diamante: "A minha geração já aprendeu na escola que Luís se escreve com S e não se escreve com Z." Quis com isso dizer: já houve um acordo, este é outro, para quê tanta preocupação? Mas foi infeliz (com Z) no exemplo. Porque Luís, palavra de origem alemã que na sua evolução pelos continentes deu Ludwig, Louis, Luigi ou Luís, já se escrevia por cá com S no tempo de Camões, como se pode confirmar na capa original d’Os Lusíadas. Houve luíses com Z, é certo, mas onde eles proliferaram foi no Brasil. Querem um exemplo? Vão à página oficial do Instituto Lula e lerão: Luiz Inácio Lula da Silva. Assim mesmo, com Z. Conclusão: Camões escrevia como ensinaram a António Costa e Lula, no Brasil, usa o Z que a escola disse a Costa que era errado. Confuso? De modo algum. Confusa é a forma como os políticos, absolutamente ignorantes na matéria, continuam a falar do acordo ortográfico. Mas ficámos a saber uma coisa: Costa não tomaria a iniciativa de fazer este acordo, disse-o na SIC-N, mas também não toma a iniciativa de o desfazer. Compreende-se. É muito mais "importante" do que os exames ou a TAP... Parafraseando O’Neill, se o acordo fosse só três sílabas, e de plástico, para ser mais barato, não havia problema. Mas é, como lhe chamou um crítico literário brasileiro, um aleijão que incomoda. Em Portugal, no Brasil ou onde quer que vegete. Desacordai, pois, ó gentes que dormis! É que já passou o tempo dos silêncios vis.»

                                                                                            in:           

http://www.publico.pt/opiniao/noticia/se-fosse-so-tres-silabas-1720251

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:20

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Domingo, 10 de Janeiro de 2016

CARTA ABERTA A ANTÓNIO COSTA, PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

 

Porque o que disse na “Quadratura do Círculo” sobre o AO/90 é bastante grave, para ser dito por um primeiro-ministro: é um atentado à inteligência de milhares de Portugueses; é uma desonra para Portugal, é um insulto à Lusofonia; é uma violação ao direito das crianças aprenderem uma Língua Materna íntegra.

 

António Costa, instado por José Pacheco Pereira na "Quadratura do Círculo" especial (SIC Notícias, 08/01/2016), pronuncia-se pela primeira vez sobre o Acordo Ortográfico na qualidade de primeiro-ministro: «Não faz sentido mexer no Acordo Ortográfico. Eu, por mim, não teria tomado a iniciativa de fazer o acordo, mas não tomo a iniciativa de o desfazer.» (Tradutores Contra o AO/90)

Exmo. Senhor Primeiro-ministro de Portugal
Doutor António Costa,

 

Não posso ficar calada perante o que na passada sexta-feira ouvi Vossa Excelência dizer na “Quadratura do Círculo”, quando confrontado com a monumental cacetada que José Pacheco Pereira, falando por milhares de portugueses, deu ao AO/90.

 

Confesso que esperava outra resposta de alguém que não poupou meios para chegar ao poder, em nome da mudança que queria para Portugal, tendo como palavras de ordem: rever, revogar e reverter as medidas tomadas pelo anterior governo, que Vossa Excelência tanto criticou e quis, porque quis, substituir.

 

Pasmei com a resposta que deu à pergunta de José Pacheco Pereira.

Primeiro, porque me pareceu bastante superficial, e deu a entender que percebe tanto do AO/90, como eu de Física Quântica, ou seja, nada, deixando o seu eleitorado muito, muito desiludido, pelo que consegui apurar.

 

Segundo, porque ficou muito mal a um Primeiro-ministro o facto de estar-se completamente nas tintas para um assunto de suma importância para Portugal e para os Portugueses, e que atinge a identidade nacional, dado tratar-se da venda da Língua Portuguesa a um país com cerca de 15 milhões de analfabetos adultos (fora os outros) à revelia dos restantes países lusófonos, que se recusam a aplicar esta mixórdia ortográfica, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990 (no que se mostram muito mais inteligentes do que Portugal), aligeirando os argumentos que levaram àquela resposta indigna de um Primeiro-ministro: «Eu, por mim, não teria tomado a iniciativa de fazer o acordo, mas não tomo a iniciativa de o desfazer».

 

Isto demonstra a atitude de um senhor feudal, que tem milhares de pessoas à porta do seu castelo a pedir clemência para uma bela dama de alta linhagem que foi condenada ao degredo, porque um outro senhor feudal, que prometeu alargar os domínios do primeiro, por mero capricho, assim o quis. Contudo, o todo-poderoso senhor feudal faz ouvidos moucos ao clamor dessa multidão e manda os seus lacaios executar a pena: envie-se a bela dama para o degredo.

 

Foi exactamente assim que me soou aquela resposta, despida de qualquer sensibilidade pela Língua Portuguesa. Até me pareceu vislumbrar nela um certo desprezo e cinismo.

 

E ainda tem a ousadia de dizer que acha que temos convivido todos bem, e ninguém deixou de compreender bem… o dito AO/90, quando milhares de pessoas, em todos os países lusófonos, incluindo Brasil e Portugal (os únicos que aplicaram ilegalmente o AO/90) têm feito um ruidoso protesto ao redor desta imposição absurda?

 

Isto é andar fora da realidade, ou num faz-de-conta que não sei, não ouço, não vejo, inadequado a um Primeiro-ministro que pretende distanciar-se dos erros cometidos pelos seus antecessores.

 

Então Vossa Excelência vem dizer que no seu tempo se escrevia Luiz (com Z) e agora é Luís (com S)? Quando quem nasce Luiz, Baptista, Lourdes, Izabel, Queiroz, deve morrer Luiz, Baptista, Lourdes, Isabel, Queiroz? Porque neste AO/90, os nomes próprios, são nomes próprios e não sofrem alterações?

 

E em que tempo é que se escrevia Luiz com Z? No tempo da avozinha… O senhor ministro será assim tão antigo?

 

Então Vossa Excelência diz que não faz sentido mexer no AO, e faz sentido deixar que a sociedade evolua naturalmente na sua aplicação?

Qual sociedade? Que evolução, Senhor Ministro?

 

Este acordo está a ser ilegalmente imposto nas repartições públicas e nas escolas portuguesas que por medo ou ignorância o aplicam, estando-se a enganar as crianças e o povo menos esclarecido.

 

Este acordo não faz parte de qualquer evolução linguística. Estão mais do que provadas as incongruências, o desatino, a desunião e a desordem ortográfica provocada pelo AO/90, criado unicamente para satisfazer os interesses económicos de uns tantos editores brasileiros e portugueses.

 

Quiseram unificar a língua e o resultado foi este: a coexistência (nada pacífica) do acordês, do brasileirês e da Língua Portuguesa. Uns escrevem em acordês e brasileirês. Outros escrevem em Língua Portuguesa. E ainda outros escrevem como calha, porque o ensino da língua está depauperado. Cá (em Portugal) e lá (no Brasil).

 

Os documentos oficiais são uma vergonha. No mesmo texto, ora se se escreve aCtividade (e muito bem) ora atividade (e muito mal). Os livros para crianças ora são colecções (e muito bem) ora coleções - devendo ler-se col’ções (e muito mal).

 

E sabemos mais. Sabemos que algumas editoras, por mais absurdo que isto seja, controlam os governantes portugueses. Talvez por isso (talvez!) a resposta de Vossa Excelência foi como foi.

 

O que não faz sentido, senhor primeiro-ministro, é o actual governo andar a revogar tudo e mais alguma coisa, em nome da mudança pretendida, e não revogar esta vergonhosa venda da Língua Portuguesa ao Brasil, e que os Portugueses exigem.

 

Que democracia será esta?

 

As novas gerações não merecem este insulto. Esta afronta. Esta violação ao direito de aprenderem uma Língua Materna íntegra, e não uma fraude linguística.

 

Se Vossa Excelência continuar a insistir nesta posição de senhor feudal, não terá valido a pena ter derrubado muralhas, para invadir domínios alheios. Porque outras muralhas se erguerão, e ficará isolado no seu feudo.

 

Sendo Português e Primeiro-ministro de Portugal ficava-lhe bem ter dito que o seu Governo iria pensar no assunto, e que a revogação do AO/90 poderia ser uma possibilidade. Mas não disse. Portou-se muito mal.

 

Ao contrário de Inglaterra, que não se submeteu à gigante América do Norte, Portugal verga-se ao gigante Brasil, como um país indigente, sem dignidade, sem orgulho algum na sua própria História.

 

Sinto o maior orgulho em ser portuguesa, e gostaria de ter orgulho num Governo que não rastejasse e defendesse os verdadeiros interesses de Portugal e dos Portugueses.

 

Será que ainda não é desta que poderemos vir a orgulhar-nos de um Governo Português que se mova com verticalidade?

 

Com os meus cumprimentos,

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:55

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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