Domingo, 7 de Maio de 2017

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 APRISIONANDO IDENTIDADES FAZ-NOS REGREDIR NO TEMPO …

 

Um texto que vem de Angola, escrito em bom Português, em Português Culto, e cuja leitura recomendo ao actual governo português que, ao recusar-se a ver o óbvio, mostra-nos uma estranha cegueira mental que envergonha Portugal e amarfanha a Identidade Portuguesa.

 

É que Portugal é um país europeu, e não um país sul-americano, mas os nossos governantes não sabem disto, nomeadamente, o ministro dos Negócios DOS Estrangeiros.

 

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Origem da imagem: Internet

 

«Um ataque pessoal a Camões

 

Um texto de Indira dos Santos |

1 de Maio, 2017

 

Não entendo esta ideia da obrigatoriedade linguística. Faz-nos regredir ao tempo, que não vivi, da política colonial do assimilacionismo em África e que de certa medida anulou o pluralismo das línguas nativas e dos discursos periféricos emergentes.

 

A língua não devia aprisionar identidades. Eu não sou a língua que falo, mas falo a língua que escrevo. O desacordo ideológico é bem-vindo ou pelo menos devia sê-lo quando o assunto é a cultura das línguas.

 

Devíamos debater, o debate é filosoficamente “obrigatório”, sensato, diverso, correto ou correcto o português vernáculo foi apartado pela própria língua portuguesa- acordo ortográfico, facto consumado em Portugal… fica a dúvida. Talvez devêssemos actualizar a oralidade no alfabeto angolês alfabeto de uma força discursiva que se Camões estivesse vivo reformularia Os Lusíadas, ou acrescentaria o xé, o cá, o ocó, acá… líricas, de “Os Lusíadas de Angola”.

 

Foi a língua portuguesa que fez Camões poeta ou as viagens pelo mundo? Quem nos faz poetas, escritores, romancistas, mulheres e homens de letras? Os livros. As pessoas. A cultura dos lugares. As palavras do alfabeto, alfabeto de origem grega, (alphábetos mestiçado ou estrangeirado com o latim). Um dicionário. É necessário um dicionário.

 

O dicionário! O primeiro dicionário da “angolanidade” e as suas ramificações, é possível num só livro colocar os universos simbólicos e linguísticos de um país que se vê confrontado, excluído e absorvido pelos vários mundos culturais. Vamos abrir esta porta, este território que anda sobrevivido pelos códigos de rua, como no antigamente fora sonhado pelos intelectuais do musseque mas que precisa ser matéria nas escolas.

 

Com certeza que nascerão heterónimos e os jovens do meu bairro que jogam damas com tampas de cerveja serão os próximos poetas e dramaturgos. O modelo ortográfico para o ensino em Angola tem um peso de consciência intelectual enorme. Etnocentrismos postos de parte este modelo deve condensar todos os caminhos. Tem que ser o caminho.

 

O caminho da unidade angolar, da fonética, da oralidade, da escrita criativa, do multiculturalismo angolês. Um dicionário da metamorfose linguística: Ganguela, Kikongo, Chócue, Latim, Kimbundo, Inglês, Umbundo, Holandês, Português, brasileirês… tanto.

 

Imaginem como o mundo seria enfadonho se vivêssemos todos em acordo. Há dois dias desapareceu-me o Desacordo Ortográfico, o livro. O título é sugestivo e confesso que foi um dos pressupostos para a compra. É deste livro que provêm as ideias para o alfabeto angolês e a dialectologia nacional.

 

O livro é uma (re)união de escritores de língua oficial portuguesa em desacordo com a noção conservadorista de um vocabulário único, mas mais que isso, é uma celebração viva da liberdade literária. Uma produção artística em diferença que rompe com a rigidez normativa do “lusismo” e apresenta soluções (ou contra-percepções) verbais a nível sintáctico e morfológico.

 

Luandino Vieira, Pepetela, Ondjaki fazem parte dos geniais que tiveram a audácia de escrever em “mau” português o Desacordo Ortográfico. O diálogo fora criado a partir da similaridade e da diversidade que nos remonta para um convívio linguístico onde a língua portuguesa é apenas um dos códigos das nacionalidades /internacionalidades dos escritores. Fica a saudade do livro e a vontade de comprar outro Desacordo Ortográfico. E no futuro quem sabe o “Lusíadas de Angola”.

 

Fonte:

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/um_ataque_pessoal_a_camoes

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:15

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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

O ERRO ORTOGRÁFICO

 

Excelente raciocínio. Excelente artigo.

Não sei por que os governantes não ouvem estas vozes lúcidas. Serão surdos mentais?

O ministro Santos Silva, não quer saber. Ele é apenas o ministro dos Negócios DOS Estrangeiros. Vá-se lá saber porquê! E os outros ministros vão atrás...

Faço minhas as palavras do António Manuel Ribeiro.

 

janela da frente Antonio final.png

 

 «Na semana em que uma delegação da Academia das Ciências de Lisboa promoveu na Assembleia da República uma abordagem sobre rectificações necessárias e urgentes ao Erro Ortográfico – cuidado, que há mais gente por aí certificada ao domingo ou “adoutorados” por soma de cupões da Farinha Amparo -, li um artigo sobre os erros ortográficos nos comunicados da Casa Branca, publicado pelo insuspeito The Guardian. Confrangedor e banal, a arrogância do cobói abafará os precários do alfabeto inglês.

 

Por cá tem sido um fartote, por ventura nunca se escreveu tão mal e há muito boa gente que já se encosta ao disparate do Erro Ortográfico (para haver um acordo tinha de haver signatários desse acordo, mas até agora não houve consenso) para escrever deficientemente. O meu rígido professor da 4.ª classe deixaria as mãos a arder a muito nariz levantado da nossa praça.

Há dois dias, na abertura do portal Sapo vi um anúncio da MEO. Prometia à clientela da operadora que se iria apaixonar com letra grande (A), escrito numa tarja rosa, quando o correcto seria apaixonar com letra maiúscula.

 

Talvez um criativo da agência de publicidade contratada pela MEO nos queira dizer que o defeito é feitio. Mas não é. É erro. Das letras do abecedário não se diz grande ou pequeno, mas maiúsculo ou minúsculo. Ou será que os alvos do anúncio estão tão bem identificados que a mensagem passa muito melhor defeituosa? Perdoa-lhes Camões, que eles não sabem mas fazem.

 

Ainda esperei (até hoje) um laivo de inteligência por parte do governo ao receber a proposta de afinação do Erro Ortográfico em vigor, a que chama Acordo, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros – por onde andarão os da Educação e da Cultura? – proferiu, em resposta, uma daquelas declarações que eles empinam quando chegam ao poder. É um manual secreto que ensina a todos que entram para as cadeiras da governação como falar sem nada dizer mantendo a compostura, o tom e o ar de estarem a dissertar profundamente sobre coisas muito pensadas.

 

Confesso que nunca fui à bola com este senhor, que esteve ao lado dos que nos trouxeram a mais uma bancarrota, a de 2011, comentador trauliteiro que revelava restos de um trotskismo mal enterrado. Mas tem vocação para ministro, percebe-se.

 

Disse que não era este o tempo para alterar um Acordo assinado e em vigor em dois países, Portugal e Brasil (não é verdade, senhor ministro, há muito que o povo brasileiro adoptou maneirismos que agora fomos copiar), esperando-se que o resto da lusofonia o faça. Quando? Porquê perder a alma?

 

Este Erro Ortográfico viola o princípio científico de uma língua, a etimologia que criou vocábulos e estes um discurso escrito e falado coerente.

 

Para quando, senhor ministro, o tempo certo para corrigir os erros que vão sendo somados, essas calendas gregas vulgares em política, esta deriva que está a criar mais analfabetos funcionais, apesar de, nas tiradas inflamadas dos últimos governos, dizerem que temos as gerações mais qualificadas, quando o correcto seria dizer mais certificadas?

 

Dá-se, por ventura, ao luxo de anotar os erros que os jornais, em papel e virtuais, publicam sem uma correcção a posteriori, porque das duas, alguma, ou já ninguém sabe corrigir, ou esquecer dá mais jeito?

 

Talvez o senhor ministro sacuda a importância de uma língua correcta – é a nossa – por ter outros assuntos mais urgentes, como por exemplo, aclarar se devemos cortar relações diplomáticas com o Iraque ou prepararmo-nos para a guerra – a agressão ao miúdo português foi comprada e todos se calaram. Diplomacia e livro de cheques. Soberania, logo se vê. A ironia serve este tempo.

 

Andamos de cócoras em tantas horas do dia que dava gosto ouvir por uma vez a diferença que não batesse na vulgaridade, no lugar-comum, no mais do mesmo que mantém os do poder no poder e os outros no rebanho.»

 

António Manuel Ribeiro

 

Fonte:

http://frentecivica.blogspot.pt/2017/02/janela-da-frente-o-erro-ortografico.html?spref=fb

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

NÃO PODEMOS DEIXAR MORRER O PORTUGUÊS!

 

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Texto de SÉRGIO MARQUES

 

«É incompreensível que uma instituição com a tremenda responsabilidade cívica de contribuir para a construção de uma sociedade cuja evolução tenha entre os seus principais pilares o conhecimento científico, se demita de assumir publicamente uma posição sobre o Acordo Ortográfico de 1990 assente exclusivamente em critérios científicos.

 

Com o vil argumento de não pretenderem fazer política - a ACL não é contra o AO90 e, aparentemente, nem se reconhece com legitimidade para poder sê-lo!... Santa paciência... foram muitos anos de salazarismo ... - acabam precisamente a fazer política, mas pela via mais infame: respeitando servilmente os poderes instituídos e os poderes fácticos, caucionam ignobilmente com a falsa chancela da ciência o mais violento e atroz atentado alguma vez cometido pelo Estado de uma nação soberana contra a sua própria língua.

 

A Academia de Ciências de Lisboa está, politicamente, de acordo com este assassinato irresponsável e doloroso do património maior de um povo, dispondo-se, apenas, a propor paliativos em vez de, com a coragem que se impunha, almejar erradicar a doença.

 

Tudo em nome de um projecto absurdo de unificação e uniformização da língua portuguesa no mundo, castrador da evolução natural e orgânica da diversidade geográfica dos falares lusófonos. Em nome de um tenebroso empreendimento orwelliano de empobrecimento coercivo da língua - coisa que os anglo-saxónicos, espanhóis e franceses tiveram a sabedoria e o bom senso de jamais tentar pôr em prática.

 

É uma espécie de imperialismo ao contrário, ditado pelos mesquinhos interesses de uma ou duas editoras portuguesas, posto em marcha por governantes acéfalos e ignorantes, gente sem visão nem sentido de Estado, notavelmente apoiada, à época, por todos os representantes eleitos pelos cidadãos deste país assim tristemente entregue em imundas mãos.

 

Face à cobardia e/ou ao comprometimento das instituições e individualidades nacionais de quem se esperaria outra independência e integridade moral e intelectual perante esta guerra desencadeada de forma brutal contra a língua de Pessoa e Camões, de Eça e Saramago, de Torga e Vieira e de outros ilustres embaixadores da Pátria maior que é o Português, guerra pusilânime que tomou como reféns e arautos involuntários da 'novilíngua' as nossas crianças e jovens, só nos resta, cidadãos comuns, tomar em mãos a tarefa de salvar a língua portuguesa da tragédia que se anuncia.

 

Com este inominável acordo, não estamos apenas a importar uma grafia estrangeira que reflecte uma fonética que nos é estranha, que incorpora uma História que não é a da nossa língua.

 

Com este acordo, estamos a garantir que no prazo de duas gerações se concretize a importação e assimilação dessa fonética que não é a nossa. Ou seja, a adulteração inorgânica e artificial, mas que será real, da língua portuguesa falada, e não apenas escrita, em Portugal.

 

Não podemos deixar morrer o Português às mãos da triste e fraca gente que nos governa e governou. É um dever patriótico. É um dever moral, de cidadania, por respeito aos nossos antepassados, mas, principalmente, por respeito pelas gerações vindouras. É um imperativo histórico, de combate a esta afronta fascizante ao povo português, mas também aos povos de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor, da Guiné, de São Tomé e Príncipe, do Brasil.

 

A língua é a manifestação maior da civilização humana. Tem vida, evoluiu, cresce, ramifica-se, diverge, mistura-se com outras línguas, gera novas línguas. Morre. É História. É quase Biologia. Não precisa de iluminados, oportunistas e neocolonialistas (neste caso, com papéis invertidos), auto-empossados ditadores da história futura, inteligências menores arrogadas em senhores do destino de um mundo que não lhes pertence.

 

Deixem em paz o Português do Brasil. Um dia já não será português, será outra coisa que a evolução histórica ditar, igualmente rica e tão nobre como o Português de Portugal, tão preciosa e respeitável como qualquer outra língua de outro lugar qualquer do mundo.

 

Já não falamos Latim! Mas deixem igualmente, em paz o Português de Portugal. Um dia, será, também diferente. E morrerá. Como qualquer outra língua. Mas não a matemos por decreto. Porque ainda está exuberante de vida. Porque está na boca, no pensamento, nos sentidos, na pena, na ponta dos dedos com que os nossos filhos riscam o ecrã do “tablet” e do telemóvel. Porque lhes está na alma. E há muito se entranhou na nossa.

 

Desobediência civil, massiva, activa, imperativa, ao criminoso acordo da vergonha. Pelos nossos filhos Pelos filhos deles. Não há legado maior do que a nossa língua. A Língua de Portugal.

 

VAMOS À LUTA!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/sergio.marques.37266/posts/1044559192322071

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:32

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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015

COISAS DA LÍNGUA

 

PARA REFLECTIREM…

 

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(Origem da imagem: Internet) 

 

Oficialmente ninguém pode obrigar alguém a escrever MAL ao abrigo do acordo ortográfico de 1990.

 

Têm de protestar. Têm de bater o pé. Têm de dar murros na mesa. Mas não há "oficialidade" nenhuma que nos obrigue a escrever MAL, até porque o AO/1990 não é válido, pois nenhum país a não ser Portugal o aplica. É um acordo sem acordo.

 

Se todos os que se opõem a este aborto ortográfico se recusarem a utilizá-lo, incluindo nas ESCOLAS, o AO/1990 acaba em dois tempos.

 

Pensem nisto.

 

***

Comentários a propósito de textos a “malhar” no AO/1990:

 

O Joaquim enviou-me este comentário:

 

«Só tenho uma coisa a dizer. Pela sua lógica, ainda estaríamos a escrever como no início do século XX, com pharmácia, etc. A escrita não tem de ter as marcas de etimologias passadas e que só aos linguistas interessam. Não faz sentido. Para isso há manuais da História da língua. A escrita deve ser fonética, isso sim. O mais simples possível. Já agora, não digo que concordo com tudo o que o acordo estabelece, mas, seguindo a lógica de fora (verbo) e fora (exterior), então porque não para (verbo) e para (preposição)?!»

 

Respondi deste modo, ao Joaquim:

 

Joaquim, e eu só tenho uma coisa a dizer também:

 

Uma coisa é a EVOLUÇÃO NATURAL de uma Língua, da qual deu pHarmácia/farmácia como exemplo.

 

Outra coisa é a MUTILAÇÃO IRRACIONAL de uma Língua, decretada por INTERESSES ECONÓMICOS, só porque uns editores quiseram encher os bolsos, à culta da ignorância.

 

Evolução, sim. Mutilação, não.

 

E já agora, pelo que disse, depreendo que o Francisco é unilingue: só conhece a língua estropiada que lhe impingiram.

 

Se conhecesse a Língua Inglesa, a Língua Francesa, a Língua Alemã, a Língua Italiana ou a Língua Castelhana, saberia que a Língua Portuguesa faz parte desse rol de línguas cultas e europeias, que têm uma história.

 

A escrita debe ser funética? Atão bamos lá escrebê-la comu se fála. Qer à móda do Puârto ou à alentejana, cumpadri?

 

***

O brasileiro Paulo disse:

 

«Este aborto ortográfico DESTRUIU um Património Português sem nada acrescentar aos lusófonos de outras nacionalidades

 

Correctíssimo.

 

***

Paulo Simões partilhou uma legenda da TVi onde podia ler-se esta calinada: “espétaculos” e um amigo brasileiro comentou isto: "Rapaz, que baderna terrível fizeram com a língua portuguesa por aí...Se fosse uma ex-colônia a fazer isto, mas trata-se da "dona" do vernáculo..."

 

Este comentário vale ouro. Diz tudo o que há a dizer sobre este acordo do desacordo.

 

Ainda haverá alguém que tenha dúvidas?

 

***

Um “linguista” desconhecido, sem nome, nem cara, atirou-me esta:

 

«Peço desculpa, mas o que escreve não faz sentido. Qual é a sua formação? Está ligada à área das letras? Se está não parece.»

 

Respondi-lhe deste modo:

 

Pois seja quem for, senhor linguista, e sem lhe pedir desculpa (por que deveria?) a minha formação não lhe interessa, mas é pública (se quiser saber é só procurar).

 

E sabe por que não interessa, senhor linguista? Porque qualquer pessoa, neste nosso País, que tenha a quarta-classe concluída em 1977 ou antes desta data, entende perfeitamente o sentido daquilo que escrevo contra o acordo ortográfico de 1990.

 

O aborto ortográfico de 1990 vem tão-só na sequência da mutilação irracional de uma Língua, decretada por interesses meramente económicos.

 

As Línguas evoluem. Não se mutilam.

 

Na linguagem nova, que por aí desponta, já não se escreve “que”, mas Q ou K. Não é mais fácil? Poupa-se tempo e letras.

 

Dizer: “tou indo”…é mais a direito do que dizer “estou indo”… e infelizmente caminhamos para esta simplificação analfabética

 

Senhor linguista, vê-se logo que não tem qualquer conhecimento da Língua Portuguesa, se tivesse, saberia por que a palavra ARQUITETO, escrita desta maneira estropiada, se lê arquitÊto.

 

E arquiteCto, que é como se deve escrever este vocábulo, em boa Língua Portuguesa, se lê arquitÉTo.

 

É por estas e por outras que este aborto ortográfico tem de ser atirado ao caixote do lixo, que é o lugar onde deve estar. No caixote do lixo.

 

E os que o defendem devem aprender a Língua, começando pelo alfabeto, e pela origem da palavra ALFABETO.

 

***

E o Manuel disse:

 

«A reforma ortográfica de 1911, ao substituir o "ph" pelo "f", o "th" pelo "t" e o "ch" (com valor de "k") por "c" ou "q", também descaracterizou a língua e afastou-a, neste caso, da sua herança grega. Passar a escrever "assinatura" em vez de "assignatura", "erva" em vez de "herva" ou "prática" em vez de "practica" também afastou a nossa grafia da sua herança latina. Acha "natural" escrever "filosofia", "prática" ou "caos" apenas porque já aprendeu a escrever assim. Nada mais. Precisamente da mesma que as crianças de hoje, quando crescerem, vão encarar "atual", "diretor" ou "ótimo". A ortografia é apenas uma convenção. Como dizia Fernando Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"

 

E eu respondi:

Manuel, o que aqui está em causa é a IMPOSIÇÃO de uma linguagem mutilada que não partiu da EVOLUÇÃO NATURAL DA LÍNGUA, como aconteceu nas reformas ortográficas anteriores a 1990. E se passámos de “practica” para “prática”, deveríamos passar de “director” para “dirétor”, e não passámos.

 

Desta linguagem, do tempo de D. Diniz:

 

«Vós me preguntades polo vosso amigo? E eu ben vos digo que é sano e vivo. Ai, Deus, e u é?» passou-se NATURALMENTE, para a que hoje utilizamos, com o aval de quem sabe das coisas da Língua, e não por decreto secreto, votado por gente vergada ao lobby dos editores.

 

***

E o Manuel voltou a encostar-me à parede:

 

«Cara Isabel, acho que confunde as coisas. Confunde a evolução da fonética, da sintaxe e da gramática da língua com a ortografia. A ortografia é o conjunto das regras que definem a escrita das palavras de uma dada língua. Estas regras são estáticas. Não evoluem "naturalmente"... São convenções, tal como o código da estrada. O vermelho é para parar e o verde para avançar apenas porque se convencionou que assim seria. Indo buscar o exemplo de D. Dinis: seria perfeitamente aceitável que escrevêssemos "ben" em vez de "bem". Mas, na ortografia portuguesa, convencionou-se que as palavras nunca deveriam terminar em "n" mas sim em "m". É uma característica tipicamente portuguesa que, nesse pormenor, nos afasta das ortografias espanhola, francesa, inglesa, etc. O que a leva a concluir que não foi mutilação o que se fez em 1911? Substituir o "ph" pelo "f" ou acabar com o "y"? Na época, a oposição também foi enorme. Teixeira de Pascoaes escreveu: «Na palavra lagryma, a forma da y é lacrymal; estabelece a harmonia entre a sua expressão graphica ou plastica e a sua expressão psychologica; substituindo-lhe o y pelo i é offender as regras da Esthetica. Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mysterio... Escrevel-a com i latino é fechar a boca do abysmo, é transformal-o numa superficie banal». Fernando Pessoa dizia que a ortografia sem y era um escarro que o enojava, etc. etc. Como disse, a Isabel vê as alterações anteriores como evoluções perfeitamente naturais e aceitáveis e as novas como mutilações irracionais, abortos, etc. porque contraíam o que se habituou a ter como certo. Mas, muitas das pessoas que passaram por alterações anteriores também as acharam igualmente irracionais, aberrantes, etc. Ou seja, é tudo uma questão de hábito

 

E eu respondi:

 

Manuel não, não é uma questão de confundir as coisas, até porque cada coisa é uma coisa, em qualquer Língua: fonética, fonologia, sintaxe, gramática, ortografia, etimologia, léxico, morfologia, semântica, enfim… a Língua é algo complexo, que nós, os menos novos, aprendíamos em profundidade, com a “ajuda” do Latim e do Grego.

 

Eu pessoalmente, apesar de ser portuguesa, aprendi a ler e a escrever no Brasil, porque fui para lá com dois anos. E tinha as “coisas” da Língua como definitivas.

 

Enganei-me.

 

Aos oito anos, de regresso a Portugal tive de reaprender aquela Língua que ouvia de um modo em casa, e aprendia de outro modo, na escola, e foi então que me apercebi de que havia duas línguas faladas e escritas de modo diferente.

 

Aos quinze anos, fui novamente para o Brasil, com uma bagagem da Língua onde já havia a aprendizagem do Latim e do Grego, o que me deu uma outra perspectiva da “minha” Língua.

 

E nada mais foi igual.

 

Mas no Brasil, novamente, se quis continuar os estudos, tive de desaprender o que havia aprendido em Portugal e regressar àquela outra língua que, para mim, já era desconhecida e mutilada.

 

Aos vinte anos, depois de já ter frequentado o primeiro ano da Universidade, regressei a Portugal definitivamente, e deparei-me outra vez com a “minha” Língua materna. E voltei ao Latim e ao Grego, por necessidade imperiosa do estudo da Epigrafia, Paleografia e Civilização Grega.

 

O que aprendi e desaprendi, nestes entretantos, foi que a Língua Portuguesa tinha uma origem, que foi perdida no Brasil, por diversos motivos, e lá, o Latim era “língua” de missa. E o Grego era a Língua dos emigrantes que vieram da Grécia.

 

Não se ia à origem das palavras.

 

Em 1911 não houve mutilação.

 

Quando iniciei a minha carreira jornalística (quem diria?) escrevia-se “òbviamente”, “ràpidamente”, etc., e tive de aprender a reescrever aquilo que já tinha aprendido e desaprendido várias vezes.

 

Como vê, em mim, isto não é uma questão de não estar habituada a escrever “assim ou assado”.

 

Os que trabalharam no acordo ortográfico de 1911, eram estudiosos da Língua Portuguesa, e não estavam PRESSIONADOS por editores que querem, porque querem ganhar dinheiro, e há que colocar a Língua Portuguesa à venda, sem mais, nem porquê, e a transformá-la no “simplex” tão socrático que deu cabo disto tudo.

 

Teixeira de Pacoaes (que muita gente escreve Pascoais erradamente) e Fernando Pessoa, grandes estilistas da nossa Língua, foram críticos das mudanças da época deles, sim, porque estavam “habituados” àquele tipo de escrita que aprenderam na escola. E as mudanças nem sempre são fáceis de aceitar.

 

Eu não. O meu motivo não é esse, porque aprendi a escrever ATO em vez de ACTO, e depois tive de aprender a escrever ACTO, e quis saber PORQUÊ.

 

E nesse PORQUÊ é que está o âmago da minha CRÍTICA ao AO/90.

 

Aceitei sem qualquer peleja a escrever “obviamente” em vez de “òbviamente”.

 

Mas não aceito escrever ATO (novamente), em vez de ACTO apenas porque uns tantos senhores que não sabem o que fazem, querem, porque querem a unificação de uma Língua, que já não é a Língua Portuguesa.

 

Apenas isto, caro Manuel…

 

***

E ao João Pedro que me interpelou sobre a palavra arquitecto, respondi-lhe deste modo:

 

João Pedro, "arquiteto" e arquiteCto não se lêem da mesma forma. Aliás o que será um "arquitÊto"????

 

Quanto ao Português ser uma das línguas mais faladas no mundo… até pode ser...

 

Mas não reconheço que a Língua Portuguesa, a Língua de Camões, seja falada ou escrita no Brasil. Porque não é.

 

Eu conheço as duas versões e garanto-lhe que não é a mesma coisa... Se fosse, eu não teria de REAPRENDER a Língua de todas as vezes que ia de cá para lá, ou vinha de lá para cá...

 

E também lhe garanto que nunca mais na minha vida hei-de escrever ATO em vez de ACTO, ou FATO em vez de FACTO.

 

João Pedro, por favor, vá à etimologia da palavra HOMEM.

 

É provável que na época de Camões, os menos esclarecidos escrevessem "omem" em vez de homem..., bem como os menos esclarecidos, nossos contemporâneos, escrevem “helicótero”, em vez de helicóptero.

 

No Brasil escreve-se UMIDADE, em vez de HUMIDADE.

 

Mas esteja atento a quem escreve o quê...

 

Agora vá á etimologia da palavra HUMIDADE...

 

Que importância terá isto?

 

Tem TODA a importância.

 

Por algum motivo as palavras têm uma HISTÓRIA.

 

A Língua Brasileira desviou-se da Língua Portuguesa. Enriqueceu-se com um vocabulário oriundo dos Indígenas e Africanos, e maneiras de dizer muito próprias, que dão um certo encanto àquele falar.

 

Mas não lhe chamem Língua Portuguesa, por favor.

 

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Origem da foto:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90?fref=ts

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:02

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

DESLIGUEM A MÁQUINA!

 

ANTÓNIO MACEDO.jpg

 

Um excelente e elucidativo texto escrito em 9/6/2013, porém, actualíssimo.

 

Em Portugal é assim… Os anos vão passando… os portugueses cultos vão reclamando… os governantes fazendo orelhas moucas… e tudo continua teimosa e nesciamente na mesma: um atraso de vida!

Um texto para ler com atenção e partilhar e enviar aos irresponsáveis «acordistas»

 

Por ANTÓNIO DE MACEDO

 

Os apoiantes do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) acusam frequentemente os opositores de serem «Velhos do Restelo», avessos à «evolução» da língua, saudosistas de se escrever «pharmácia» com ph, e outros doestos do mesmo teor. Equívocos grossos por parte de quem fala de coisas que não conhece ou conhece mal.

 

Comecemos pela alusão ao «Velho do Restelo» (Canto IV de “Os Lusíadas”, estâncias 94 a 104). A sua identificação com mentalidade retrógrada, conservadorismo, pessimismo e afins resulta do desconhecimento do que realmente se lá encontra, ou então de uma leitura pela rama. Dou a palavra a quem sabia muito mais disto do que eu, o pensador António Telmo, que nos seus livros (p. ex. “Congeminações de um Neopitagórico”) nos explica que «o Velho do Restelo não significa aquilo que vulgarmente se diz significar, e tanto se tem repetido que quase se tornou proverbial», acrescentando mais adiante: «uma espécie de superego do homem, de censor ou de censurador de quanto nele aspira à inovação pelo heroísmo, à criação pelo imprevisível…»

 

Sendo um velho «venerando», quer dizer, que «deve ser venerado», e «com um saber de experiência feito», na verdade alerta-nos para os perigos a fim de podermos superá-los e vencê-los, não para fugirmos a eles, numa alusão à antiga máxima alquímica de que as provas que defrontamos não são obstáculos, mas desafios — curiosa máxima que até os políticos mais rasteiros já papagueiam quando tentam justificar os apertos orçamentais (e outros…) apregoando que as dificuldades são «oportunidades»…

 

Por outro lado, e passando ao tópico seguinte, se quisermos ser minuciosos concluiremos que os verdadeiros «saudosistas» do «português antigo» (?) não são os que suspiram pelo regresso à tal «pharmácia» com ph, situação que ocorreu apenas entre o séc. XVII e 1911, em que a grafia da língua portuguesa se caracterizou por um pedantismo renascentista e depois iluminista, de influência francesa, adoptando uma escrita que procurava reproduzir as transliterações latinas de palavras gregas, sobretudo em certos termos eruditos ou mitológicos, como «philosophia», «theologia», «chimera», «symmetria», etc..

 

O alfabeto do latim clássico não dispunha de letras que equivalessem aos sons de algumas letras gregas, que, com muito boa vontade, se poderiam representar por um “p” aspirado (ph), por um “t” aspirado (th), por um “c” (duro) aspirado (ch) e por um “y” com pronúncia aproximada do “u” francês.

 

Mas esta foi uma fase intercalar: nos primeiros séculos da língua portuguesa (séc. XII e até mais ou menos sécs. XVI-XVII) a grafia era uma tentativa de compromisso entre a fonética e a etimologia, cheia de erros e de irregularidades quando vista à luz da ciência linguística moderna, mas que ia acompanhando o evoluir da língua falada, em relativo paralelismo com o que sucedia com o castelhano.

 

Consultando as edições antigas das cantigas trovadorescas medievais, passando pelos autos de Gil Vicente e até à 1.ª edição de “Os Lusíadas”, ou seja, desde aproximadamente 1200 até 1572, praticamente não encontramos termos com ph, th, etc. Na 1.ª edição de “Os Lusíadas” é normal depararmos com grafias como «ninfas», «profeta», «cristalino», «fantasia», «Olimpo», etc., palavras que na posterior fase cultista passaram a escrever-se «nymphas», «propheta», «crystallino», «phantasia», «Olympo», etc. É certo que na epopeia de Camões também aparecem coisas como «triumphante» ou «hemispherio», mas não podemos esquecer que nos finais do século XVI já se esboçava a transição da norma tradicional portuguesa para a norma do cultismo de ascendência renascentista.

 

A fase cultista acentuou-se sobretudo a partir da revolução de 1640 e correlativo desvincular de Portugal da coroa espanhola. A moda da «orthographia etymológica» deveu-se, como disse, ao fascínio dos eruditos portugueses pelo Renascimento clássico e pelo Iluminismo, mas sobretudo por reacção xenofóbica anticastelhanista, para nos demarcarmos da grafia do antigo dominador, sendo essa uma outra maneira de afirmar a nossa independência e a nossa distância em relação a Espanha.

 

Com efeito, e apesar da tentativa da Real Academia Española, em 1741, para se utilizar o grupo “ph” em certas palavras de origem grega, essa ideia não foi por diante e os espanhóis mantiveram a simplificação tradicional: onde os portugueses, no séc. XVIII, escreviam «philosophia», os espanhóis continuaram a grafar «filosofía».

 

Em Portugal a grafia «cultista» manteve-se até à reforma ortográfica de 1911, que, com o pretexto da simplificação para obviar o gritante analfabetismo português, no fundo acabou por regressar, em termos modernos, à nossa real matriz de escrita. Os ajustes de 1931 e 1945 mais não fizeram do que «aperfeiçoar» (enfim, sem ironia e dentro do possível…) o espírito lusitanizante de 1911 — nunca devendo esquecer-nos que uma ortografia «idealmente perfeita» não existe, o máximo que se pode conseguir é um compromisso inteligente entre etimologia e fonética, coisa que, em minha humilde opinião, alcançou um relativo limite, «menos mau», com a convenção de 1945. Ir mais longe em termos de simplificação pró-foneticista é perigoso, veja-se o resultado catastrófico do abortivo AO90, que na salgalhada em que está a enredar-se acaba por ser tudo menos inteligente.

 

Finalmente a guerrilha da «evolução». Que a língua portuguesa evoluiu, no sentido biológico do termo, desde as suas origens até hoje, não surpreende, porque uma língua é um organismo vivo e vai passando por sucessivas mudanças naturais ao longo do tempo. É normal que a representação gráfica das progressivas alterações fonéticas não se processe com a mesma rapidez destas: a grafia, com o correr dos tempos, tende a ser uma espécie de “signe de reconnaissance”, e com o avançar da cultura, a sua permanência gráfica pode tornar-se um factor importante de identificação visual.

 

Por sua vez uma «mutação» é uma mudança brusca dos constituintes genéticos de um organismo, podendo dar origem a indivíduos bastante diferentes dos da espécie onde ocorre a mutação. Pedindo desculpa aos especialistas pela maneira simploriamente profana como falo deste complexo assunto, digamos que as mutações podem ser naturais ou induzidas, e ainda benéficas ou desfavoráveis. No caso das mutações desfavoráveis, os organismos resultantes, não sendo viáveis, geralmente acabam por se extinguir, por selecção natural.

 

O que se passa com o AO90 é que se trata de um «organismo» que não surgiu naturalmente, foi induzido artificialmente de uma maneira violenta e brutal, tendo gerado um «ser» abortivo — ou seja, trata-se de uma MUTAÇÃO desfavorável, não de uma EVOLUÇÃO natural, basta observar os erros, as incongruências, os descalabros e as desorientações provocados no Ensino e em diversas áreas culturais, e auscultar as queixas de professores e alunos sobre o calamitoso estrago causado pela imposição do AO90.

 

Ora, quando um organismo não é viável, como por exemplo um doente terminal em estado vegetativo, a ciência médica pode fazê-lo sobreviver por «tecnologia clínica», ligando-o a uma máquina que lhe prolonga a agonia artificialmente.

 

No caso da mutação desvantajosa do AO90, verificamos que o seu deplorável estado vegetativo somente se mantém porque foi ligado à máquina por «tecnologia política», e a sua falsa vida, prolongando-se, está a proporcionar uma agonia intolerável aos que lhe sofrem os efeitos.

 

Senhores políticos, acabem com o sofrimento do doente e dos próximos que já não aguentam suportar-lhe o fardo. É um destes casos extremos em que a eutanásia se justifica.

 

Por favor, desliguem a máquina!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:08

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