Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

PORTUGAL E O DESENGONÇADO AO90

 

Quando aprendi as minhas primeiras letras, num colégio brasileiro, com a minha professora Marilena, estava longe de imaginar que um dia teria de reaprender a Língua que, afinal, não era a minha Língua Materna - a Portuguesa.

 

Também jamais imaginei ter de lutar por ela.

 

LÍNGUA.png

 

Nesta minha vida, já travei publicamente várias lutas: por direitos humanos, por direitos das crianças, por direitos das mulheres, por direitos de animais não humanos, contra a pobreza, a favor dos mais desfavorecidos, dos excluídos, enfim, batalhas que pontualmente fui travando, conseguindo ajudar os envolvidos.

 

Jamais me passou pela cabeça ter de lutar pela minha Língua Portuguesa, porque jamais pensei que pudesse haver portugueses suficientemente cobardes para a venderem ao estrangeiro, tão despudoradamente, tão vilmente, tão vergonhosamente.

 

Consta por aí que os ministérios da Cultura (?) e dos Negócios (dos) Estrangeiros de Portugal vão articular uma política estratégica de promoção internacional da Cultura Portuguesa (?).

 

Para 2017, estão previstas 1300 acções, que incidirão em 75 países.

 

Algumas delas já foram iniciadas no passado dia 5 de Maio, dia em que a CPLP, o instituto Camões e o governo socialista de Portugal decidiram celebrar uma língua a que chamam português, mas já não é a Língua Portuguesa, pois uma coisa é um linguajar para comunicação fácil entre povos, outra coisa é uma Língua bem estruturada e assente nas Ciências da Linguagem.

 

Uma estratégia de divulgação cultural no estrangeiro?

 

Qual o objectivo desta estratégia conjunta dos Ministérios dos Negócios e os da Cultura (?) (do Brasil e de Portugal)?

 

Que Cultura?

 

Que “língua” será divulgada nesta estratégia?

 

Que ortografia utilizarão? A culta ou a inculta, proposta pelo AO90?

 

Anda por aí o “corneteiro de Sócrates” (deparei-me com esta expressão que assenta como uma luva ao ministro socialista) a atroar mentiras acerca das “vantagens” de um acordo que não serve os interesses de Portugal, mas tão só os interesses obscuros de uns poucos, e sem a mínima noção do que diz.

 

É uma vergonha para Portugal a atitude indigna do actual governo português que, sem pejo algum, anda a espalhar pelo mundo uma ignorância militante e activa inédita.

 

E o pior de tudo é que nem sequer estão a dar-se conta disso, apesar de todos os avisos, de todas as críticas, de todas as advertências dos mais abalizados guardiães da Língua Portuguesa e das elites cultas portuguesa, brasileira e africana de expressão portuguesa.

 

E esta infantil casmurrice insulta a dignidade dos Portugueses, arrasta pelo chão a nossa bela e indo-europeia Língua e enxovalha a Identidade Portuguesa.

 

Dizei-me: Portugal merece isto?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:20

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Quarta-feira, 10 de Maio de 2017

SANTOS SILVA DIZ QUE SE CELEBROU O DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA, MAS NÃO É VERDADE

 

 

Foi no passado dia 5 de Maio. Já não no dia 10 de Junho, porque as coisas mudaram, e a Língua já não é a de Camões.

 

Numa linguagem mutilada, sul-americanada, o ministro dos Negócios (dos) Estrangeiros, Augusto Santos Silva, escreveu um artigo de opinião no DN, sob o título “No dia da língua portuguesa”, algo que envergonha o Estado Português, os Portugueses e todos aqueles que amam a verdadeira Língua Portuguesa.

 

E o Instituto Camões insulta o poeta que lhe deu o nome.

E a CPLP faz-de-conta que é uma comunidade lusófona.

 

E todos juntos são a vergonha de Portugal, e querem fazer-nos de parvos.

5 de maio.png

 

Propus-me reescrever o vergonhoso texto escrito pelo nosso ministro, que anda por aí, subservientemente, a vender a Língua Abrasileirada como sendo Portuguesa.

 

Eis o que o ministro, dada a circunstância caótica em que se encontra a Língua Oficial de Portugal, a Portuguesa, consignada na Constituição da República Portuguesa, devia ter escrito, se fosse realmente Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e pugnasse pelos interesses do país que diz representar, mas não representa. Com o que escreveu, enganou o mundo.

 

Aqui deixo o link do vergonhoso texto original (mal) escrito pelo nosso ministro socialista:

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/no-dia-da-lingua-portuguesa-7207190.html

 

Eis a versão que o ministro português deveria ter escrito:

 

Hoje (dia cinco de Maio – e não maio) decorrem iniciativas sobre a língua abrasileirada ou brasileirês, imposta em Portugal pelo governo PS, organizadas ou apoiadas pelo Instituto Camões (que deve mudar o nome para Instituto Manoel de Barros, que Drumond considera o maior Poeta brasileiro) em várias dezenas de países. Por exemplo: em Roma, Rabat e Colónia têm lugar jornadas de estudo em Brasileirês; em Xangai, começa o Mês de Documentários também em Brasileirês; em Havana, inaugura-se o I Festival de Cinema no idioma que no Brasil substituiu a Língua Portuguesa; na Feira do Livro de Bogotá, hoje (dia 5 de Maio) será a Tarde Abrasileirada; e em Tbilisi (Geórgia) e Montevideu terminam programas multidisciplinares em torno dessa língua fabricada no Brasil. Se contarmos também as iniciativas que têm lugar em dias próximos, elas somam, este ano, 210 acções (e não ações (leia-se âções) como escreveu Santos Silva), em 49 países diferentes, de todos os continentes.

 

Isto sucede porque, desde 2009, o 5 de Maio foi escolhido como Dia da Língua Abrasileirada ou Brasileirês e da InCultura na CPLP, porque as coisas mudaram e a língua já não é a de Camões, e a Cultura também não, tendo sido bastamente desvirtuada. Queremos descelebrar, com ele, quatro atributos essenciais a uma língua, que já não é a Portuguesa e deixou de ser língua, para ser um patoá.

 

O primeiro, é que é um dos factores (e não fatores (leia-se fâtores) como escreveu Santos Silva) principais de desagregação da identidade nacional de cada um dos países em que a língua abrasileirada é língua materna (isto é, apenas no Brasil e para o subserviente governo português e seus lacaios) e língua estrangeira em Cabo Verde; sendo a verdadeira Língua Portuguesa, língua segunda ou terceira em São Tomé e Príncipe, e língua oficial ou uma das línguas oficiais nos restantes países lusófonos, nomeadamente Angola e Moçambique.

 

O segundo, é que é o traço mais sólido que desune as nações lusófonas e a comunidade de países que decidiram (e mal) constituir a CPLP), que já não é CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa - porque apenas os países africanos de expressão portuguesa a adoptam, à excepção de Cabo Verde.

 

O terceiro é que já não é uma das grandes línguas globais do nosso tempo, policêntrica e pluricontinental, (o Vaticano, por exemplo, já a excluiu); já não é a terceira língua indo-europeia mais falada em todo o mundo, porque simplesmente deixou de ser indo-europeia, para ser sul-americana, a tal “língua” mais falada no hemisfério sul, que se confina ao Brasil e aos brasileiros, e a uns tantos estrangeiros a quem impingem gato por lebre.

 

E o quarto, é que deixou de ser o elemento fundacional das nossas culturas, da criação artística e do conhecimento, porque apenas três países, que eram lusófonos, deixaram de ser lusófonos, para serem brasilófonos.

 

A promoção da Língua Abrasileirada ou Brasileirês não é uma responsabilidade de todos os 260 milhões de falantes e escreventes; é responsabilidade apenas dos políticos envolvidos no plano das políticas públicas, um dever que já não é de todos os países que fazem hoje ainda parte da CPLP (e são oito, porque o infiltrado nono (Guiné Equatorial) nem sequer sabe o que é Português), até porque Angola e Moçambique, entre outros países lusófonos, não aderiram a esta linguagem oriunda do Brasil, assim como daqueles que se quiseram tornar seus observadores associados (e são dez?).

 

Com efeito, muitas das iniciativas que o Camões (não o Poeta, mas o instituto que desonra o nome do Poeta) apoia, resultam da colaboração com organismos e representações de outros Estados membros da CPLP, que se estão nas tintas para a Língua Portuguesa; em várias capitais estão hoje (dia 5 de Maio) unidas, neste esforço de desagregação do Português, todas as embaixadas dos Estados da nossa (que já deixou de ser nossa) Comunidade, ao redor do acordês e não do Português. Ao investir tão claramente neste dia que é o dia da língua abrasileirada ou brasileirês, o Camões, que já não deve ser Camões, nada mais faz do que assumir as irresponsabilidades próprias de Portugal, um país cujos governantes venderam a sua própria Língua ao estrangeiro, e juntar o seu mau contributo aos outros maus contributos.

 

Hoje é, pois, uma boa oportunidade para não enaltecer a natureza que já foi viva e dinâmica de uma língua que já foi Portuguesa, e agora é sul-americana, que é uma das que mais vai afundar, em número de escreventes, ao longo deste século, porque nem sequer é uma Língua; e salientar o facto essencial de que ela, ao afastar-se da diversidade das suas variantes e da riqueza das interacções (e não interações (leia-se int’rÂções, como escreveu Santos Silva) com outras línguas cultas e europeias e dos vários contextos sociais, que estão a abandonar esta linguagem que deixou de ser europeia, e já não é património de todos, porque existem milhares que não a usam e até a desvalorizam, sem nenhuma espécie de distinções e hierarquias. Mas hoje (dia 5 de Maio) é também a ocasião adequada para insistir na dimensão catastrófica atingida, internacionalmente, pela língua abrasileirada ou brasileirês, que é apenas comum entre os que não dominam, de todo, as Línguas Cultas europeias, desconhecendo, por completo, a estrutura de uma Língua.

 

Consideremos apenas os dados obtidos pelo instituto Camões, que insulta o Poeta, relativamente ao seu ensino. Fora de Portugal e dos restantes países lusófonos, a língua abrasileirada ou brasileirês é estudada não como língua materna e de herança em escolas básicas e secundárias de 17 países, mas como uma língua de remedeio para os que têm dificuldade em aprender Línguas culpas e bem estruturadas, mercê da rede integrada e apoiada pelo instituto que desonrou o nome de Camões.

 

São mais de 66 mil alunos, (uma gota de água no oceano) ensinados por mais de 900 professores, que nada sabem sobre as Ciências da Linguagem. Fora desta rede, a língua abrasileirada ou brasileirês é ensinada como “língua” estrangeira em 15 países, de Espanha à Bulgária, na Europa, da Namíbia ao Senegal, em África, da Argentina ao Uruguai, na América, impondo-se obviamente como uma língua sul-americana e não indo-europeia; e este “ensino” envolve mais de 88 mil estudantes e mais de mil professores (uma gota no oceano) que desconhecem por completo o que é o estudo de uma verdadeira Língua.

 

No ensino superior, o ensino e a investigação em língua abrasileirada ou brasileirês não beneficiam do trabalho de 43 cátedras do Camões (que já não é o nosso Poeta, mas alguém desconhecido), em 17 países, de 73 centros de língua abrasileirada ou brasileirês, de leitorados em 72 instituições e de protocolos de cooperação com 260 escolas superiores, escolas de “línguas” ou organizações internacionais, que fazem parte da incultura portuguesa que se implantou no mundo. A nossa estimativa é que mais de 91 mil estudantes (uma gota no oceano) aprendem a língua abrasileirada ou brasileirês e frequentam estudos brasileiros e mpéssimas condições (porque arredadas das Ciências da Linguagem), em mais de 70 países. A este número haveria de acrescentar-se o daqueles que frequentam universidades e outros estabelecimentos superiores que, por sua iniciativa e sem colaboração estruturada com o ministério dos negócios (dos) estrangeiros, oferecem disciplinas, graduações e pós-graduações neste domínio - dos Estados Unidos à China, num descalabro total de desaprendizagem da Língua que deixou de ser Portuguesa.

 

Também sabemos da procura crescente de cursos de ensino à distância, para desaprender a língua. A aplicação lançada no mês passado pelo Camões para cursos de auto-aprendizagem (e não autoaprendizagem como escreveu Santos Silva) e tutoria, nos diferentes níveis de incompetência, já conta com dezenas de inscrições, para analfabetos escolarizados.

 

Este aumento da desimportância global da língua, que já não é a Portuguesa, e do desinteresse na sua aprendizagem não deve servir para nos vangloriarmos, ou acharmos que está tudo feito, ou sequer o mais importante. Pelo contrário: significa que a nossa irresponsabilidade é grande, como grande é o desafio que temos pela frente para desfazer o monumental erro que cegamente o governo português e seus lacaios cometeram.

 

É para ter plena consciência desta irresponsabilidade que existe e deve ser lembrado (não celebrado) o dia da língua abrasileirada, a 5 de Maio.

 

A 10 de Junho celebraremos a Língua Portuguesa. A Língua de Camões, de Eça, de Camilo, de Pessoa e de todos os que souberam honrar a nossa herança linguística indo-europeia.

 

Pois era isto que o ministro dos negócios (dos) estrangeiros devia ter escrito, se quisesse informar o mundo.

 

***

Senhor ministro, tenha vergonha.

 

Pugne pelos valores portugueses. Pela Língua Portuguesa (não pela língua abrasileirada). Pela Identidade Portuguesa. Pela Constituição Portuguesa. Por Portugal que, não sei se sabe, é um país EUROPEU. Não é um país sul-americano.

 

E um ministro dos Negócios Estrangeiros que se preze, deve ser um ministro dos Negócios Estrangeiros e não dos negócios DOS estrangeiros.

 

A nós não nos interessa nada as negociatas obscuras que os políticos e editores vendilhões de Portugal fizeram com os políticos e editores interesseiros do Brasil.

 

Além disso, a CPLP é uma FRAUDE.

 

O Instituto Camões desonra o nome do Poeta que lhe deu o nome e, por isso, deve mudar de nome.

 

Tudo é uma fraude ao redor da Língua Portuguesa.

 

No dito dia 5 de Maio não se celebrou a Língua Portuguesa, mas um dialecto fabricado no Brasil, que teve origem na Língua Portuguesa, mas que se americanizou, afrancesou, italianizou, espanholizou, é essa miscelânea que querem, porque querem, impingir ao resto dos países lusófonos, que se recusam a aceitar tal linguagem.

 

Uma Língua Culta é estruturada em bases científicas. Não ao sabor de modas e preconceitos.

 

Tenham vergonha!!!!!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:30

link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
| partilhar
Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

NEGOCIATA OBSCURA ENVOLVE O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

(Recebido via e-mail - Francisco João)

 

O PRÓXIMO ESCÂNDALO que irá REBENTAR!   O que é que querem esconder? MAIS CORRUPÇÃO ainda? Depois de terem vendido ao desbarato o “PATRIMÓNIO IMATERIAL de PORTUGAL” do qual a Língua Portuguesa faz parte.

 

Faço minhas as palavras de Teresa Araújo Costa:

 

«Eu sempre disse e insisto: aqui há gato... Grandes trafulhices foram feitas e é por isso que o PS está tão renitente em aceitar críticas ou em pôr em causa o Acordo. Têm medo de qualquer coisa, que se saiba qualquer coisa.

Terá havido corrupção também neste caso?

Devia ser investigado todo este processo obscuro.   Não é normal esta teimosia. Estão a esconder qualquer coisa...»

 

16649501_1124382404330093_6556677449607736554_n[1]

Origem da imagem: https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/pb.199515723483437.-2207520000.1493213371./1124382404330093/?type=3&theater

 

 Texto de Nuno Pacheco

 

«Nem Guiné-Bissau nem Timor-Leste ratificaram o Acordo Ortográfico de 1990

 

Dos oito países da CPLP que negociaram o AO90, afinal apenas metade o ratificou. Falta Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

 

 Nem a Guiné-Bissau nem Timor-Leste fizeram o depósito dos instrumentos de ratificação do Acordo Ortográfico de 1990 junto do Estado português, pelo que, dos oito subscritores iniciais apenas quatro o validaram oficialmente. A revelação é do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), em carta enviada ao gabinete do Secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, em resposta a uma petição solicitando “a desvinculação de Portugal do Tratado e Protocolos Modificativos ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e a revogação da Resolução do Conselho de Ministro n.º 8/2011.” Esta petição, recorde-se, foi entregue oficialmente na Assembleia da República em 9  de Março deste ano e subscrevem-na mais de duzentas figuras públicas.

 

A carta do MNE diz que o AO90, enquanto “convenção internacional”, “encontra-se em vigor para Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe”, deixando claro que apenas estes quatro países fizeram o depósito dos instrumentos de ratificação junto do Estado português (o depositário da convenção). Angola e Moçambique são omissos na carta, enquanto se diz que na Guiné-Bissau e em Timor-Leste “terminaram os respectivos processos internos de aprovação” (não se explicando em que termos), embora sem ter sido feito o depósito. “Nesse sentido”, lê-se na carta, “não está concluído o processo de vinculação daqueles Estados no plano internacional; estes não poderão, assim, em bom rigor, ser considerados Partes no Acordo Ortográfico, mas somente ‘Estados Contratantes’”. Ivo Barroso, um dos peticionários, que divulgou a carta do MNE à imprensa, diz que isto “revela a opacidade de todo este procedimento”. Afinal, diz, o AO90 e o 1.º e 2.º Protocolos Modificativos “têm, em rigor, não 6 Estados Parte, mas sim apenas 4 Estados (Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), isto num universo total de 8 Estados.” Já Artur Anselmo, presidente da Academia de Ciências, mostrou-se admirado quando confrontado pelo PÚBLICO com esta revelação do MNE. “É a confissão de que realmente as coisas estão difíceis. Só com quatro acho muito pouco, realmente. É muito estranho.”

 

Recorde-se que o principal promotor do AO90, José Malaca Casteleiro, afirmara em Fevereiro passado ao Observador que Angola é “praticamente, é o único país em que [o AO] está parado.” E responsáveis governamentais têm passado a ideia de que só faltaria Angola e Moçambique ratificarem o AO90 para que este fosse finalmente uma realidade nos oito países subscritores.

 

Retirada ou denúncia

 

Na carta do MNE, que reafirma que “a legitimidade dos Protocolos Modificativos do Acordo ortográfico não pode ser questionada” (por terem sido aprovados, em 1998 e 2005, por “mútuo acordo de todos os Estados que participaram na negociação” do AO), colocam-se, em resposta aos peticionários, hipóteses de desvinculação, que seria regida pela Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. Assim, segundo o MNE, a retirada do AO90 “poderá ter lugar mediante o consentimento de todos os Estados Partes (unanimidade) e a consulta dos estados Contratantes” (os que não concluíram a vinculação, neste momento 4 em 8); a denúncia (“um recesso não-consensual”) implicaria “um aviso prévio de 12 meses”; por fim, a suspensão do AO “por tempo indeterminado” é também admissível pela Convenção de Viena, mas “também dependerá do consentimento de todas a Partes e da consulta dos Outros Contratantes.”

 

Tudo isto são meras hipóteses, já que o MNE insiste, no final da carta, que o AO “está em plena aplicação” e “Portugal tem sempre cumprido com as suas obrigações internacionais.” Portanto, continuará.

 

Prosseguem, entretanto, iniciativas com vista a uma possível revisão ou mesmo anulação do AO90. No Parlamento, continuam audições num grupo de trabalho criado neste âmbito; na Academia das Ciências, Artur Anselmo diz que a “ideia de que aquilo é intocável é absurda” e tem notado alguma “descompressão” na abordagem do tema com responsáveis do governo; na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro 1) vai realizar-se dia 3 de Maio, das 16h às 20h, o 3.º Fórum Pela Língua Portuguesa, Não ao “Acordo Ortográfico” de 1990!; e, em Luanda, o Jornal de Angola continua a publicar uma série de artigos críticos do AO, assinados por Filipe Zau, professor e compositor angolano, investigador em ciências da educação.»

 

Fonte do texto:

https://www.publico.pt/2017/04/24/culturaipsilon/noticia/nem-guinebissau-nem-timorleste-ratificaram-o-acordo-ortografico-de-1990-1769910#comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:33

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Domingo, 19 de Março de 2017

NA GUINÉ-BISSAU PREDOMINA A FRANCOFONIA… ONDE SE ENCAIXARÁ A LUSOFONIA?

 

Recentemente, ao ver a reportagem de Vítor Bandarra para a TVI24 - O que é feito da Guiné-Bissau? – que pode ser consultada na íntegra neste link:

http://www.tvi24.iol.pt/dossier/o-que-e-feito-da-guine-bissau/58b021410cf222228e5c0012

descobri que o Português ali é uma escolha terciária. Mal se fala. Mal se escreve. Portanto não é correcto falar em Lusofonia, quando se fala da Guiné-Bissau.

E com toda a propriedade, como podemos comprovar nos excertos desta reportagem, que seleccionei.

 

FDG.png

 Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde a língua utilizada para a aprendizagem é o Francês.

Origem da Foto: https://www.facebook.com/184265201684674/photos/a.187740458003815.37050.184265201684674/187748824669645/?type=3&theater

 

Nesta reportagem pode ler-se:

 

«Muito dependente da ajuda internacional (incluindo da cooperação portuguesa) e das fracas exportações de caju, a Guiné-Bissau sofre de crónica falta de escolas, hospitais, infra-estruturas, formação técnica. "Entalada" entre vários países francófonos (a começar pelo Senegal e Guiné-Conacri), a própria Língua portuguesa vai sofrendo a erosão do Francês. Só as elites e os mais velhos (que cresceram no tempo colonial) ainda falam, ou apenas entendem, o Português.

 

Por motivos lógicos e simples: a primeira língua que as crianças aprendem é a materna (o fula, o mandinga, o balanta, o papel, o bijagó...) E para que todos se entendam e comuniquem, aprendem também o crioulo.

 

O Português, quando não é ultrapassado pelo Francês, é apenas a terceira línguados guineenses.

 

(…)

 

Um choque cultural e linguístico para três jovens médicos lusitanos, recém-licenciados, que os repórteres da TVI foram encontrar, de mochila às costas, em Nhacra, a caminho de Bafatá, no interior. Ao contrário de muitos compatriotas, em vez de escolherem o Algarve, Cabo Verde ou o Brasil, os três aventureiros decidiram fazer férias... na Guiné-Bissau. E descobriram que, por aqui, o Português é uma língua meio exótica, ainda que seja a Língua oficial do Estado guineense.»

 

***

Na segunda parte desta reportagem (que vale a pena ver na íntegra), lá mais para o final, Vítor Bandarra entrevista um professor da Faculdade de Direito da Guiné-Bissau, onde se diz que os alunos que frequentam aquela faculdade utilizam o Francês, como língua de aprendizagem.

 

Nas escolas, pede-se para falar crioulo, para que entendam, pois têm grandes dificuldades em compreender o Português.

 

Perante isto, podemos questionar: qual o interesse de impingir à Guiné-Bissau o dialecto brasileiro, ou seja, o AO90, se lá o Português, embora sendo a Língua oficial, não o é na prática?

 

Por que não se deixa as ex-colónias seguir o seu próprio caminho, em liberdade?

 

Por que terão de andar a reboque de Portugal, a arrastar uma língua que não lhe diz nada? Incluindo o Brasil, que descartou a Língua Portuguesa em 1945, ficando com o seu dialecto americanizado, italianizado, afrancesado, aportuguesado, e com os dialectos indígenas e africanos à mistura.

 

E em Cabo Verde, o Português é considerado língua estrangeira.

 

Que CPLP será esta?

 

O que é que se pretende UNIR aqui?

 

A Língua, não é com toda a certeza.

 

E no meio disto tudo, só existe UM país "lusófono", ao qual interessa a expansão de uma ortografia que nada tem a ver com a matriz Portuguesa. E esse país não é Portugal.

 

Em Portugal a ortografia estrangeira que está a ser imposta ilegalmente às nossas crianças, só interessa a uma pequena franja da classe política e seus lacaios.

 

A quem é que o governo português quer fazer de parvo?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:29

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

DOIS PAÍSES, DUAS LÍNGUAS

 

Aviso:

1 – Esta publicação não aborda o AO90 directamente, mas nela está implícita a rejeição deste acordo em favor das línguas derivadas da Língua Portuguesa, nomeadamente no Brasil e Cabo Verde.

2 – No final do texto, direi o motivo que me trouxe até aqui…

 

 Quem você pode confiar 100%?

QUEM VOCÊ.png

 

Encontrei esta situação na página do Facebook de uma cabo-verdiana:

A pergunta «Quem você pode confiar 100%?» está formulada em brasileiro, e não em Língua Portuguesa, como podemos verificar.

 

Eis as respostas a este post, de cabo-verdianos (as), dos quais vou omitir os nomes, por motivos óbvios, (apesar de a página ser pública).

 

Bu tinha dúvidas 😧😧😧

Gosto · Responder · 14/1 às 13:41

 

Eliminar

***

Nha dimeu?

Gosto · Responder · 14/1 às 13:41

 

Eliminar

 ***

Felicidade pa nhos

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 17:45

 

Eliminar

***

I love nhos na tia

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 22:39

 

Eliminar

***

Não, nca tem dúvida Nta cunfia odju fitchadu

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 22:45

 

Eliminar

***

Brgd, sdd bo bjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 22:46

 

Eliminar

***

Nu ta amau tb, bjjjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 22:46

 

Eliminar

***

Bu pd tem certeza nha miga d peto loveyou

Gosto · Responder · 14/1 às 23:25

 

Eliminar

*** 

na se tinha dúvida é pa sotau propi ahaahah ki Dios ilumina nhos sempre

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 23:37

 

Eliminar

***

Pois é nha miga, bgd, bjjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 23:38

 

Eliminar

 ***

Kkkkkkkk, vdd nha miga quim gosta de mas

 

***

Depois disto, a questão que coloco é esta:

 

O Brasil e Cabo Verde não terão direito a ter uma Língua própria?

 

 

O que uns e outros escrevem ou falam terá alguma coisa a ver com a Língua Portuguesa parida na Europa?

 

Digamos que remotamente terá. Mas o que restou dela foi um dialecto derivado da Língua Portuguesa, que tem pernas para andar nos respectivos países.

 

Sou apologista da Língua Brasileira e da Língua Cabo-Verdiana.

 

Do Latim brotaram muitas línguas.

 

Da Língua Portuguesa poderá brotar muitas mais.

 

Por que não?

 

O que é preciso é acabar com a farsa da CPLP, e mais ainda com a monumental fraude do AO90.

 

E este é o caminho.


Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (III)

 

 

É óbvio que os grandes, os maiores, os abissais e únicos responsáveis pelo caos ortográfico que se instalou em Portugal são os políticos portugueses (e as forças ocultas que os manipulam), desde Cavaco Silva e José Sócrates, passando por todos os que se lhes seguiram e estão instalados no Poder.

 

Mas também os portugueses que tão facilmente, tão servilmente se deixaram manipular pela classe política.

 

É óbvio.

 

BRASIL PORTUGAL.jpg

Origem da imagem: Internet

 

Porém, convém que fique bem claro o que está na origem de tudo isto e as intenções subsequentes, para que possamos entender os políticos portugueses que estão a cometer o maior linguicídio de toda a História de Portugal, e que pretendem fazer-nos de parvos, e pior do que isto, incutindo às nossas crianças a escrita incorrecta da Língua Materna.

 

Abram os olhos aqueles que os têm cerrados. Usem óculos com lentes de aumento, para poderem ver o que é visível a olho nu, pelas mentes saudáveis.

 

***

O que vou abordar hoje assenta nas crónicas escritas entre 1993 e 2001, compiladas no livro «A Brasilidade dos Portugueses» da autoria de A. Gomes da Costa (***), um homem que tem «o privilégio de estar na primeira fila do desenrolar dos acontecimentos que envolvem os dois países» que estão no centro de toda a polémica acordista: o Brasil, por estar a tentar impor ao mundo a versão inculta da Língua Portuguesa (isto era o que me diziam quando eu tive de reaprender a língua que me tinham ensinado no Brasil); e Portugal, por, analfabeticamente, ter assinado um tratado internacional que impõe essa versão inculta da língua e pretender, a todo o custo, impingi-la aos portugueses.

 

No Brasil, até meados do século XX, Portugal ainda esteve presente na cultura brasileira. Porém, verificaram-se mudanças profundas nas relações luso-brasileiras, a partir de então, com a influência norte-americana que «foi tão forte e devastadora que o desligamento com os valores europeus – e de modo especial com os portugueses – tonou-se inevitável».

 

Começou então a sentir-se uma quase irracional lusofobia, que se infiltrou no sistema de ensino com a dialéctica marxista, que culpa os colonizadores de tudo e mais alguma coisa. Porém, não é apenas no estudo da Língua e da Literatura que se nota esse afastamento entre os dois países. É também no estudo da História que «reduz a saga colonial à pilhagem e ao genocídio, ao tráfico negreiro e às oposições das Cortes».

 

Em 1999, ano em que Gomes da Costa escreveu a crónica «Começar de Novo», de onde retirei estas referências, o autor escrevia: «A esta altura temos de começar tudo pela escola se quisermos dar às relações luso-brasileiras uma outra essência (…) Hoje (…) completa-se o curso no 2º ciclo e não se aprende nada sobre a herança colonial, a não ser a exploração do pau-brasil, os horrores da escravatura e as derramas das Minas Gerais; e para o brasileiro comum, não existe a literatura portuguesa (…)».

 

Houve uma tentativa de ambos os países, para melhorar o “enquadramento histórico” e para que «em Portugal se aprendesse que o Brasil continuou a existir depois da Independência em 1822, e que aos jovens brasileiros não se transmitisse a ideia peregrina de que o português só veio para explorar as riquezas da colónia, perseguir os índios e explorar os negros» (isto, aliás, foi o que pretenderam “ensinar-me” quando lá estudei, depois de já ter estudado em Portugal e conhecer a realidade histórica.

 

E o que aconteceu? «Em Portugal a História do Brasil parou com a volta a Lisboa da corte joanina, e no Brasil a cartilha do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) continua a jurar que da metrópole só vieram criminosos para nos levar o pau-brasil e o ouro (…)» e que a «“terra dos papagaios” antes de Cabral, era um paraíso; chegou o branco, e o branco saqueou, oprimiu e matou. E lá se foi o paraíso…».

 

No entanto, enquanto, por um lado, no Brasil, os brasileiros se afastavam de Portugal, com claras ou menos claras intenções, por outro, começaram a enviar para cá as telenovelas, em que os brasileiros são grandes mestres (quem não se deliciou com a “Gabriela, Cravo e Canela”?) e a música (quem não se encanta com a música brasileira, que já quase faz parte da nossa cultura, pois se até os nossos cantores já a cantam (se bem que não encantem tanto quanto encantam os cantores brasileiros), às quais os portugueses se renderam incondicionalmente.

 

Do Brasil, no ano 2000, também vieram as declarações lusófobas de Caetano Veloso, do tão venerado em Portugal, Caetano Veloso, que numa entrevista ao Expresso, em 1999, afirmou o seguinte: «A colonização portuguesa do Brasil foi a pior coisa que você pode imaginar. Foi o oposto dos Estados Unidos… Os portugueses foram a um lugar que não interessava para nada, apenas para sugar, sugar, sugar o que fosse possível e matar índios… Portugal já é uma piada, o Brasil é uma grande piada universal…» algo que ele, como brasileiro, aprendeu na escola, tal como eu, como portuguesa, também aprendi, quando lá estudei.

 

Terá Caetano Veloso, a quem foi atribuída a Grã-Cruz do Infante D. Henrique, culpa da sua tremenda ignorância? Talvez, porque poderia ter ido mais além nas suas leituras e não se ficar pelos manuais escolares.

 

Porém o grande mal «está na degradação dos níveis de ensino, nos textos envenenados dos livros didáticos, e no cultivo sistemático do estereótipo. (…) o resultado é que o jovem brasileiro sai do colégio com a “cabeça feita” contra o colonizador, a rir-se do bispo Sardinha que foi comido pelos índios, marcado pela tragédia dos quilombos, ou dos navios negreiros, a odiar a rainha (Dona Carlota Joaquina) que deixou, entre pragas e maldições, a terra boa que a acolheu» …

 

No Brasil, julga-se o passado à luz do presente, e isso, além de ser um grave erro, está impregnado de uma profunda ignorância, que conduz à lusofobia cravada na alma dos emigrantes portugueses.

 

Para a esmagadora maioria dos brasileiros, hoje, Portugal é o colonizador de má memória, é Cristiano Ronaldo, é o bacalhau, é   o padeiro (porque ainda os há muitos no Brasil), é Roberto Leal, é o fado…

 

Para os portugueses, o Brasil é o futebol (agora um pouco mais na mó de baixo), praias, mulheres bonitas, telenovelas, carnaval e música.

 

Todas as tentativas que brasileiros e portugueses cultos encetaram para unir os dois povos que já foram “irmãos” e que políticos incultos e adeptos da dialéctica marxista desuniu, foram infrutíferas, porque todos sabemos que, nas questões da cultura, quem manda é o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil). E quando um órgão do Poder Executivo não é dirigido pelo político certo, a política incerta prevalece.

 

Em 2001, na crónica “Salvar o Português”, já tão maltratado no Brasil e entupido de expressões norte-americanas e neologismos americanizados, Gomes da Costa refere que «pior ainda é que não nos faltam intelectuais a exprimir um profundo desprezo pelo idioma (português)», a que chamam «o “sepulcro do pensamento”; e que «não tem a musicalidade do francês; falta-lhe a vibração canora do italiano; está longe da universalidade do inglês, por isso, não se importam nada com os vícios da linguagem, as mazelas da gramática e o decalque dos barbarismos», conclui Gomes da Costa.

 

Assiste-se no Brasil a uma americanização da linguagem (e não só) em detrimento do Português, que no contexto histórico, interpretado á luz da tal dialéctica marxista, é a língua do colonizador e, como tal, deve se banida.

 

A 16 de Abril de 2001, O Globo, um dos mais abalizados jornais do Brasil, publicou um artigo de João Ubaldo Ribeiro - um prestigiado escritor brasileiro, tendenciosamente burlesco (o que não será defeito), o qual os portugueses mais inclinados à Literatura conhecerão - intitulado «Escrevendo Muderno» em que diz o seguinte (assim, tal e qual): «Se não pudemos nos livrarmos de tantas mazelas herdadas da colonização portuguesa, pudemos pelo menos nos livrar de uma língua que nos isola do mundo e atrapalha a nossa ascensão como povo».

 

Sobre isto, Gomes da Costa, na crónica intitulada «O Português no Trinque» salienta que João Ubaldo Ribeiro não querendo ser feiticeiro com o verbo, foi desleal com a História, «e há limites para tudo (…) porque deve existir um mínimo de consideração seja por um valor permanente da nacionalidade, seja pela mãe que nos pariu. Não está em causa perder a piada e manter o amigo. Está em jogo, isso sim, o zelo em preservar um patrimônio comum, que é do povo tanto quanto dos escritores, que é de seis ou sete outros países tanto quanto do nosso».

 

Numa outra crónica de 2001, “Destratando o Português” Gomes da Costa dá-nos conta da mudança dos currículos e da metodologia do ensino da Língua Portuguesa no Brasil: «Até o nome da disciplina foi modificado oficialmente: saiu o Português dos programas e deu lugar à Comunicação e Expressão», e os clássicos foram substituídos pelas crónicas desportivas dos jornais e pelas transcrições da cartilha do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) impregnada de uma irracional lusofobia.

 

«As consequências dessa reforma, todos sabemos quais foram», salienta Gomes da Costa: «a linguagem degradou-se, o ensino do Português virou uma choldra e os alunos terminavam os cursos com uma pobreza de conhecimentos de meter dó, sem nunca terem ouvido falar de Camões ou Machado de Assis, incapazes de seguir as regras de concordância ou de conjugar um verbo defectivo».

 

Em Portugal passou-se mais ou menos o mesmo. O Ministério da Educação aboliu dos programas Os Lusíadas, Eça de Queiroz, Frei Luiz de Sousa, Padre Vieira, Garrett, substituindo-os por textos informativos, mas nada formativos, retirados dos jornais.

 

Resultado: a qualidade do ensino da Língua degradou-se, levando a um desinteresse pela leitura, e uma incultura e iliteracia pavorosas instalaram-se por aí, até entre os que conseguem completar um curso universitário.

 

(Temos o exemplo maior de muitos (mal) falantes e ainda mais (mal) escreventes entre os políticos portugueses).

 

E o AO90 só veio piorar o já tão degradante estado da Língua.

 

Os alunos saem das escolas com graves deficiências no conhecimento da gramática, do léxico e da interpretação de textos, mostrando um grande pavor pelo Português.

 

«E quem não adquirir na escola o gosto de ler, mais tarde dificilmente abrirá um livro…» diz Gomes da Costa.

 

Só sentirá o verdadeiro prazer da leitura aquele que conhecer bem a Língua, para poder saborear uma escrita escorreita assente na harmonia das palavras.

 

Penso que chegados aqui, ficou bem claro que o que moveu Evanildo Bechara ao convidar Malaca Casteleiro para, juntos, engendrarem o que veio a constituir a maior fraude linguística de todos os tempos, foi a aversão visceral de uma determinada elite brasileira, constituída por editores (veja-se o caso de Antônio Houaiss, que contribuiu para a deslusitanização do Português), escritores, jornalistas, artistas, intelectuais e políticos vergados à dialéctica marxista, pelo colonizador português, atacando o que ele tem de mais precioso e o que mais o identifica: a sua Língua, uma vez que não podem mudar o rumo da História que já foi escrita, e substituir o colonizador português pelo inglês (como se disso dependesse o sucesso ou o insucesso de um país livre).

Portanto, tendo em conta que na génese do AO90 está uma evidente lusofobia e um consequente desafecto pela língua do colonizador (a Língua Portuguesa), desafecto esse que originou o abrasileiramento americanizado do Português adoptado no Brasil, como língua oficial, e que foi desrespeitada, como tal, pela “necessidade” de se afastarem da língua do colonizador, e somando a isto a secreta intenção de transformar a Língua Portuguesa em Língua Brasileira, logo que o AO90 se instale, com o argumento da existência de milhões de (mal) falantes e (mal) escreventes da língua, prescindindo-se da qualidade em favor da quantidade, como se tal fosse o melhor para a Língua de Camões, temos que os portugueses devem rejeitar o AO90, para que o caos linguístico não se instale em Portugal, tal como já se instalou no Brasil, e principalmente para que a bela e culta Língua Portuguesa não vá parar ao esgoto onde corre a cultura inculta.

 

Foi apenas isto que pretendi salientar com esta «Génese do AO90».

 

E nada mais.

 

Até porque tenho muita consideração pela minha família brasileira e pelos meus bons amigos brasileiros.

 

Mas esses, não se comportam como trogloditas em relação a Portugal, nem pretendem que Portugal se afunde no brasileirismo americanizado.

 

Nada há aqui para unificar. Nem Língua, nem Cultura.

 

A Lusofonia não tem mais razão de existir. Cada ex-colónia deve ficar com a língua (e mais o resto) que bem entender. Daí que Portugal deva atirar ao caixote do lixo o AO90. Daí que se deva acabar, de uma vez por todas, com a farsa da CPLP, que não serve absolutamente para nada, a não ser para desunir ainda mais o que não tem união possível.

 

A Língua Portuguesa nasceu em Portugal. É de Portugal, país que já se separou das ex-colónias, há bastante tempo. Por que teremos de andar a arrastar-nos atrás delas, ou elas atrás de nós?

 

Afinal o que somos? Um país livre e soberano, ou um pedaço de terra onde todos mandam, excepto os portugueses?

 

A CPLP já não se justifica. Todos os países lusófonos são agora livres e autónomos. Senhores das suas escolhas. Não temos de estar ligados a eles pela Língua, como se fôssemos gémeos siameses.

 

Cada país deve escolher e seguir o seu próprio caminho, e não esperar que aquele que deu ao mundo novos mundos, se arraste   aos pés do gigante, como um condenado á morte.

 

Aqui não há nada para vingar. A História desenrola-se por épocas, caracterizadas por determinadas e específicas circunstâncias. Já não estamos em 1500, nem em 1822. Estamos em 2016. E o mundo evoluiu.

 

O Brasil tem as suas próprias pernas para andar. Então que ande e cresça, e esqueça que já foi colónia. Desde 1822 é um país livre. Não precisa de andar amuletado a Portugal e, muito menos, aos EUA.

 

Portugal, por sua vez, já deu ao mundo o que tinha a dar. Pariu países grandes, ricos e livres. Se não são potências, a culpa não será dos Portugueses, que já tiveram um grande império, que se estendeu por todos os continentes. Mas esse tempo já passou… e deve ficar no passado. Hoje, o imperialismo não tem mais razão de existir.

 

Hoje, o que resta a Portugal é a sua Língua, a sua Identidade, a sua Cultura Culta. A sua Honra. A sua Dignidade.

 

Não se pretenda destruir com um golpe baixo, o que levou séculos a construir.

 

De resto… amigos para sempre…

 

***

Fonte:

«A Brasilidade dos Portugueses», da autoria de A. Gomes da Costa, editado pela Editorial Nórdica Lda., em 2002.

 

*** A. Gomes da Costa (…) «ostenta, desde sempre um posicionamento declarado de amar desmedidamente tanto o Brasil quanto Portugal e sentir orgulho de ser brasileiro e de ser português», estando «por dedicação e mérito à frente das instituições lusas de cúpula no Brasil há mais de três décadas e é o actual presidente do Real Gabinete Português de Leitura».

 

«A Brasilidade dos Portugueses» é um livro que devia ser de leitura obrigatória em Portugal, nomeadamente entre os políticos portugueses que, levados pelo ocultismo e pelo obscurantismo estão a vender Portugal ao desbarato.

 

Tenham brio e saibam HONRAR Portugal e os cargos que ocupam.

 

 

Isabel A. Ferreira

 

***

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (I)

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-52848

 

A GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 (II)

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-53853

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:25

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Domingo, 11 de Dezembro de 2016

PORTUGUÊS SERÁ LÍNGUA ESTRANGEIRA EM CABO VERDE

 

Diga-se em abono da verdade que a Lusofonia é uma grande TRETA, e nada há para UNIFICAR. Cada povo deve ficar com a língua (e tudo o resto) que bem entender. Daí que Portugal deva atirar ao lixo o AO90, e acabe-se de uma vez por todas com a CPLP, que não serve para nada. Só serve para DESUNIR.

 

A Língua Portuguesa é de Portugal, que já se desligou das ex-colónias. Por que teremos de andar a arrastar-nos atrás delas, ou elas  atrás de nós??????

 

Afinal o que somos nós? Um país livre e soberano, ou um pedaço de terra onde todos mandam, excepto os portugueses?

 

A CPLP já não se justifica. Todos os países são livres e autónomos. Senhores das suas escolhas. Não temos de estar ligados pela Língua, como siameses.

 

Cada país que siga o seu caminho. E amigos para sempre.

 

ROSABAL.jpg

 

Maritza Rosabal, Ministra da Educação de Cabo Verde anunciou que a Língua Portuguesa passa a ser ensinada como língua estrangeira, indo ao encontro do desejo de muitos pais e encarregados de educação que há muito pedem que o Português não seja ensinado como língua materna.

 

E justifica esta atitude pelo facto de as crianças não conseguirem «entender o Português”, dee acordo com o que disse uma aluna da 1.ª classe ao seu pai no fim do seu primeiro dia de aula, “papa um ca intende nada que quel senhora tava ta dze”.

 

 Maritza Rosabal, oriunda de Cuba, explica o motivo desta alteração afirmando que «a Língua Portuguesa é abordada como língua primeira de Cabo Verde, quando não é. Temos uma eficácia do sistema muito baixa, onde apenas 44% das crianças que começam o primeiro ano finalizam o 12º em tempo. Temos muitas perdas».

 

A ministra salientou ainda que «entre os alunos cabo-verdianos, a capacidade de leitura e interpretação e a proficiência linguística são questões que se colocam com muita acuidade. Toda esta duplicidade linguística afecta o processo. Reconhecemos que a nossa língua materna é o crioulo, mas, como língua instrumental de trabalho e de comunicação, temos de fortalecer a língua portuguesa».

 

Rosabal referiu ainda «algumas dificuldades de Cabo Verde na inserção no espaço lusófono. O Brasil exige provas de língua portuguesa aos nossos estudantes, o Instituto Camões exige provas de língua portuguesa o que quer dizer que apesar de estarmos no espaço lusófono, começamos a não ser reconhecidos como um espaço com proficiência linguística em português”.

 

Daí que, já no próximo ano lectivo, o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua ou língua não materna começará a ser introduzido no Ensino Pré-escolar (4/5 anos) e no primeiro ano do Ensino Básico, estendendo-se depois progressivamente aos restantes anos do Primeiro Ciclo.

 

Fonte:

 

http://noticiasdonorte.publ.cv/53398/portugues-passa-ensinado-lingua-estrangeira/

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

HÁ COISAS MAIS IMPORTANTES DO QUE O AO90

 

 

Angola e Moçambique não têm qualquer interesse em ratificar uma ortografia mutilada

 

BARRICA.png

 

José Marcos Barrica, Embaixador de Angola em Portugal, diz que "Há coisas mais importantes” do que o Acordo Ortográfico de 1990.

 

Logo, o AO90, não sendo acordado pelos oito países que fazem parte da lusofonia, não tem qualquer validade.

 

Não tendo qualquer validade, não pode continuar a ser aplicado em Portugal, muito menos ensinado às crianças, nas escolas.

 

José Marcos Barrica, à semelhança do que disse o moçambicano Murade Isaac Murargy, Secretário executivo da CPLP, antes da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP salientou que «Há coisas mais importantes a ter em conta do que o Acordo Ortográfico. Nós entendemo-nos perfeitamente escrevendo com ou sem alguns cês ou pês. Na nossa óptica, não é uma questão que deva mobilizar os nossos esforços

 

Ora o senhor Embaixador Angolano disse o que disse, e muito bem.

 

Estávamos nós todos, muito tranquilos, a escrever em Bom Português, e a entendermo-nos perfeitamente, com todos os cês e pês nos seus devidos lugares, por que motivo haveríamos de deitar ao lixo todo um legado linguístico culto e um precioso acervo literário, apenas para satisfazer a vontade obscura a uma minoria?

 

Refira-se que Angola e Moçambique continuam sem ratificar o AO90,  nem o 1.º, nem o 2.º Protocolos Modificativos, o que deverá levar a um recuo, que ficou suspenso por um fio de aranha, quando Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, visitou Moçambique, e   inteirando-se da situação, disse alto e em bom som que o assunto deveria ser ponderado, mas desde então emudeceu, não estando a defender a constitucionalidade, conforme jurou defender.

 

A Angola e Moçambique, que têm para cima de duas dezenas de “línguas nacionais”, não têm qualquer interesse em ratificar o AO90, que, com as suas duplas grafias, erros e deficiente cientificidade, em vez de unificar a língua, desunificou-a, de tal modo que seria um desastre implementar esta ortografia mutilada apenas porque sim, nestes países africanos, assim como está a ser desastroso em Portugal e, a manter-se, só irá prejudicar o ensino do Português euro-afro-asiático-oceânico, que até 2012 estava de muito boa saúde.

 

O AO90, que não interessa nem ao Menino Jesus (como sói dizer-se)  seduz apenas os subservientes políticos que, vá-se lá saber porquê (ou saberemos?) querem, porque querem, vender por dez réis de mel coado, aquela que é a Língua Oficial de Portugal, consignada na Constituição da República Portuguesa.

 

E como diriam os nossos irmãos brasileiros: «Nesse mato tem coelho».

 

Isabel A. Ferreira

Fonte:

http://www.jornaltornado.pt/angola-e-mocambique-nao-tem-qualquer-interesse-em-ratificar-o-acordo/#.WClrASMMzoY.facebook

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar
Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016

NA CIMEIRA DA CPLP FOI APROVADA PROPOSTA PARA QUE O PORTUGUÊS SEJA LÍNGUA OFICIAL NA ONU

 

Refira-se que actualmente a ONU tem seis línguas oficiais: Inglês, Castelhano, Francês, Árabe, Mandarim Padrão e Russo, nas suas versões originais e não nas suas variantes.

 

Lê-se nas notícias:

«O Presidente da República de Portugal anunciou hoje que na XI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi aprovada uma proposta para que o Português seja uma língua oficial nas Nações Unidas (ONU)».

 

E bastou isto para se levantar uma questão pertinente: a que português se referiu o PR? À Língua Oficial Portuguesa, culta e europeia, ou à ortografia mutilada que nos querem impingir como língua, e que dá pelo nome de AO90, mais conhecido por acordês ou brasileirês?

 

CPLP.jpg

 

ACTAS.jpg

Isto diz claramente da “UNIFICAÇÃO” pretendida e instalada na CPLP com o AO90

 

Esta proposta partiu do Brasil, com o evidente objectivo de que seja aprovada a ortografia mutilada, que foi adoptada pelo governo brasileiro, com o intuito de baixar o alto índice de analfabetismo que grassava no país, em tempos idos… e que infelizmente ainda se mantém.

 

Ora isto não é motivo científico nem evolutivo que possa conduzir à simplificação de uma ortografia com história. Com origem.

 

Como diz, e muito bem, o amigo António Aguiar, na sua publicação no Facebook:

 

«Todo o povo português unido contra, o povo angolano contra, o moçambicano e o brasileiro, enfim toda a Lusofonia que se preza está contra o acordo ortográfico. Sim, o mesmo Povo que os políticos da cimeira, supostamente, deviam representar. Quanto tempo ainda a contornarem, a divergirem, a inventarem, a insistirem na asneira?!»

 

Fonte da citação e da imagem do Expresso:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10208473580212096&set=gm.1283303515048352&type=3&theater

 

Ponto principal: a ONU não pode integrar uma língua oficial a partir de uma ortografia mutilada. Seria uma vergonha para a Lusofonia, para a CPLP, para Portugal, para o próprio Brasil, que mutilou a língua, não por razões evolutivas ou científicas, mas para facilitar a aprendizagem, coisa que povo algum jamais ousou fazer.

 

As línguas evoluem naturalmente. Não por motivos tão pobres, como o da incapacidade de aprendizagem, ou por motivos meramente financeiros.

 

É verdade que uma das línguas mais faladas no mundo é a Língua Portuguesa. Mas isto não significa que se tenha de “oficializar” a versão mutilada dessa mesma língua, apenas porque essa versão tem mais falantes ou escreventes.

 

Como dizia alguém: «Isto não é coisa pequena para um país pequeno».

 

Não, não é.

 

Por isso mesmo, devemos defender a dignidade da Língua que espalhámos pelo mundo, e não permitir que a abandalhem, por aí, escrevendo-a incorrectamente, porque não estamos a falar da diversidade das falas. Mas tão-só da ESCRITA. E essa é só uma: é a da Língua Portuguesa.

 

Não passa pela cabeça de ninguém utilizar as variantes americanas das Línguas Inglesa e Castelhana na ONU, apenas porque essas variantes têm mais falantes e escreventes.

 

Por isso, se o Português se tornar uma das línguas oficiais da ONU, terá forçosamente de ser uma língua legal, a Língua Portuguesa, e não o acordês mutilado, inculto e ilegal.

 

Seria altamente desprestigiante para Portugal, que é o berço da Língua, como Inglaterra é o berço da Língua Inglesa e Espanha o berço da Língua Castelhana.

 

No jornal Tornado lê-se em bom Português:

 

«As pressões sobre Angola e Moçambique para ratificarem o “acordo ortográfico”, continuam, acompanhadas das habituais mentiras sobe a “ortografia única”. O subsecretário para África e Médio Oriente do Ministério brasileiro das Relações Exteriores, Fernando Abreu, deu ênfase à necessidade de ratificação do acordo ortográfico em Angola e Moçambique.

 

“Isso facilitará a divulgação da língua portuguesa e determinadas tarefas, como a divulgação de livros, será facilitada porque teremos uma ortografia única. Evidentemente, respeitando as expressões regionais, de cada país, a um vocabulário ortográfico convencional”, explica Abreu.»

 

Fonte: http://www.jornaltornado.pt/cplp-discute-nova-visao-estrategica/

 

E deforma-se uma língua apenas para facilitar estas coisinhas triviais de que fala o senhor Abreu?

 

Isto só de mentes terceiro-mundistas, que desconhecem a essência das Línguas Cultas.

 

Nenhum povo deforma a própria língua, para facilitar relações ou troca de livros com outros. Isto nunca aconteceu em país nenhum do mundo. Por que haveria de acontecer logo com Portugal?

 

Evidentemente que isto tem a ver com a falta de espinha dorsal dos nossos políticos.

 

Ainda assim, estou convicta de que a ser aceite pela ONU a introdução da Língua Portuguesa, está será a Língua Portuguesa e não o Acordês.

 

É que o AO90 não existe oficialmente, nem internacionalmente.

 

O AO90 é apenas um produto de consumo interno para os brasileiros e os portugueses menos cultos e menos informados. E claro, para os servis e escravos do poder político, de um e de outro lado do Atlântico.

 

A Língua Portuguesa internacional é a Língua Portuguesa. E não outra.

 

Quem fez o anúncio da proposta foi Marcelo Rebelo de Sousa, que não pode trair Portugal e a Constituição da República Portuguesa, sob pena de ficar conhecido na História pelo presidente que vendeu a Língua Portuguesa e não defendeu a CRP.

 

O Presidente da República Portuguesa não se atreveria a ENGANAR o mundo a este ponto, só lhe ficava mal, até porque a Língua Oficial de Portugal é a Língua Portuguesa, e não o acordês, que está ilegalmente a ser utilizado, e anda por aí a fingir que é uma língua a sério.

 

É preciso saber distinguir português de Língua Portuguesa.

 

São duas coisas distintas.

 

Português pode ser muita coisa. Língua Portuguesa é só uma.

 

Portugal não precisa de se pôr em bicos de pés para que o mundo o veja. Portugal teve o seu papel importante ao dar ao mundo novos mundos, novos países.

 

É preferível que a Língua Portuguesa não esteja representada em parte alguma, do que estar representada na sua versão pobre e inculta, ou seja, na versão mutilada, imposta ilegalmente e que envergonha até mesmo o país que a pariu: o Brasil.

 

A propósito: o que faz nesta Lusofonia a Guiné Equatorial?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:58

link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
| partilhar
Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

«POR UMAS LETRINHAS APENAS»

 

Este é o título de uma crónica de Nuno Pacheco, Redactor- principal do Jornal Público, a qual nos faz pensar como Portugal precisa de muitos Nunos Pachecos em todos os sectores da vida portuguesa…

 

"Políticos e políticas, portugueses e portuguesas" (esta moda... só por gozo!!!), aprendam com quem tem lucidez para saber que o AO90 não passa de uma grande fraude.

 

LETRINHAS.jpg

 

Texto de Nuno Pacheco

27/10/2016

 

Os ingleses não são loucos e sabem, como também deveríamos saber, que a escrita e a fala são disciplinas distintas.

 

Não foi há muito tempo. No dia 10 de Outubro, na Gulbenkian, na sessão de atribuição dos prémios do património cultural (a mesma sessão onde foram distinguidos Eduardo Lourenço e Plantu), uma das oradoras, ao explicar as actividades que justificavam o prémio, disse por várias vezes “actividades” sublinhando o C. Não foi engano, porque nunca disse “âtividadej”, como faz a maioria, disse sempre “âktividadej”. Falará ela “à antiga”, como por aí se diz? Ou pura e simplesmente tem da palavra o sentido primeiro, próximo do étimo latino? A discussão pode parecer uma bizarria, mas não é. Porque quando se instituiu que o acordo ortográfico de 1990 era mesmo para ser imposto, um dos grandes argumentos que o sustentavam, além da pretensa “simplificação” da escrita, era a “facilitadora” submissão à oralidade em detrimento da etimologia. “Não se lê, não se escreve” ou “o que não se pronuncia não se escreve!” foram regras que andaram insistentemente a soprar-nos aos ouvidos. Mas como é possível pôr alguém que diz “aktividade” a escrever “atividade”? Escreve o C porque o diz? Ou altera a fonética?

 

Isto passa-se com inúmeras palavras, às vezes de forma caricata. Por exemplo: há quem diga "expectativas", sublinhando o C, e quem diga "expétâtivas". O que faz o acordo? Fácil, permite dupla grafia, coisa que já existia antes, mas só de país para país. Agora é transfronteiriça. O mesmo com "características", onde muita gente pronuncia o C em ct, ou "carácter", onde é generalizada a omissão desse mesmo C.

 

E a regra da fonética, quando é que se aplica? Na verdade, a regra da fonética é pura tolice, como facilmente se comprovará. A ser assim, o verbo "Estar" teria de mudar. Ninguém diz, em voz corrente, "estou a almoçar" ou "estás a aprender muito devagar" ou "estamos fechados, volte mais tarde"; diz-se ‘tou, ‘tás, ‘tamos. Se a regra da fonética fosse para valer, teríamos o verbo Tar: Eu tou, Tu tás, ele tá, nós tamos, vós tais, eles tão. Bonito? Há pior. Querem ver como se altera o som de uma palavra pela escrita? Veja-se, por exemplo, "co-adopção". Assim, lê-se " (de ‘com’, daí a acentuação do "o") âdóção". Se retirarmos o P, leremos por impulso "cô-adução"; mas se tirarmos o hífen leremos "cuadução", porque nas palavras onde o "co" perdeu vida própria essa é a tendência vocálica dominante.

 

Um exemplo inglês, que andou por aí muito em voga devido ao nome de um clube. Leicester, como Worcester ou Gloucester, perde na fala o “ce” do meio. Lê-se Leister, Worster, Glouster. Pelo extraordinário acordo português, mudariam de grafia. Só que os ingleses não são loucos e sabem, como também deveríamos saber, que a escrita e a fala são disciplinas distintas.

 

Por cá, há quem vá percebendo isso. Até quem menos se esperava. Na sua reunião de 2010, em Sintra, a CPLP fez questão de reafirmar que o acordo ortográfico era “um dos fundamentos da Comunidade e um instrumento essencial para a unidade da Língua Portuguesa.” Agora, o ainda secretário executivo da CPLP, o moçambicano Murade Murargy, disse há dias em entrevista à Agência Brasil o seguinte: “Não me preocupo se estou a aplicar [o acordo ortográfico] ou não. Se as pessoas me entendem, vamos em frente”. E disse mais: “Quanto ao acordo ortográfico, muita gente não está de acordo, há muitos intelectuais, jornalistas, que não aplicam, pois acham que não traz vantagens. Não há uma unanimidade sobre se valeu a pena, ou não, o tanto de dinheiro que se gastou. As implicações financeiras da aplicação do acordo são grandes”. Um problema que ele realçou foi o dos manuais escolares. “Acredito que devemos concentrar-nos no que é fundamental para permitir que os outros [países-membros] possam se desenvolver”.

 

Querem traduzir isto para uma fala simplificada e mais fonética? Eu traduzo: vão para o diabo mais as normas de um acordo que não unifica (há mais palavras diferentes agora do que havia antes), não padroniza, não simplifica, não melhora nem torna mais “internacionalizável” a língua portuguesa. Alguns já perceberam a fraude há muito tempo, outros têm vindo a percebê-la com o passar dos meses e dos anos.

Falta apenas uma coisa: coragem para acabar com isto.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/por-umas-letrinhas-apenas-1748894

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:21

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
| partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Agosto 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. PORTUGAL E O DESENGONÇADO...

. SANTOS SILVA DIZ QUE SE C...

. NEGOCIATA OBSCURA ENVOLVE...

. NA GUINÉ-BISSAU PREDOMINA...

. DOIS PAÍSES, DUAS LÍNGUAS

. GÉNESE DO ACORDO ORTOGRÁF...

. PORTUGUÊS SERÁ LÍNGUA EST...

. HÁ COISAS MAIS IMPORTANTE...

. NA CIMEIRA DA CPLP FOI AP...

. «POR UMAS LETRINHAS APENA...

.arquivos

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

.BLOGUES

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
blogs SAPO