Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

APENAS AS GRANDES MENTES TÊM A CAPACIDADE DE RECONHECER O ERRO

 

Infelizmente, não são as grandes mentes que governam este nosso país, metade grandioso, metade insignificante.

 

Um ministro (minus) (o tal dos negócios dos estrangeiros) que diz «se quiséssemos, acabaríamos com o AO90, mas não queremos…» não tem o mínimo sentido de Estado, não tem personalidade própria, não tem dignidade, nem inteligência, e governa conforme os quereres e não conforme os deveres.

 

E isto tem as mais desastrosas repercussões para o país, principalmente para o futuro dos futuros analfabetos escolarizados que estão a fabricar-se nas actuais escolas portuguesas.

 

LÍNGUA.png

 

Durante os cerca de 800 anos em que existimos como país, já tivemos de tudo: bons e maus reis; razoáveis presidentes da República e governantes; e maus presidentes da República e governantes; até já tivemos uma ditadura, mas nunca, nunca, ao longo destes 800 anos tivemos um tão péssimo presidente da República e um tão péssimo governo, no que à defesa da identidade portuguesa diz respeito.

 

A um, só interessa ouvir este tu cá, tu lá: «Ó Marcelo, anda cá tirar uma selfie!...», enquanto, sem o menor pejo, promove o acordês abrasileirado pelas comunidades portuguesas, e na feira deo livro de Lisboa.

 

Aos outros, interessa assegurar que a negociata trafulhosa, que atou Portugal aos ignorantes, se mantenha, não para bem da Nação, mas para bem dos trafulhas.

 

Todos os Portugueses, mais ou menos instruídos, e principalmente livres, ou seja, os que não têm medo do bicho-papão instalado no poder, os que têm uma espinha dorsal bem erecta, e não se vergam aos maus mandos dos que se aproveitam dos cargos que ocupam, para servir exclusivamente os lobbies e disso tirarem proveito próprio, perplexos com a estupidez reinante, têm encetado todos os esforços e apresentado todos os argumentos racionais, válidos e assentes nas Ciências da Linguagem (e não no simples “querer” de mentes com neurónios avariados), com o objectivo de iluminarem as mentes mergulhadas na mais profunda ignorância e teimosia e irracionalidade e que insistem em manter vivo um aborto deformado, mutilado, feio, desengonçado, aparvalhado, que dá pelo nome de AO90, também conhecido por socratês, cavaquês, lulês, brasileirês

 

FERNANDO PESSOA NÃO ERA PHERNANDO, MAS ESCREVIA PHARMÁCIA

 

Os acordistas apresentam a rejeição de Fernando Pessoa à ortografia de 1911, como um modelo, mas Fernando Pessoa, não era Phernando, mas escrevia pharmácia. Ora se havia a letra F, no alfabeto português, porque não utilizá-la? Para bom entendedor...

 

Fernando Pessoa debateu-se apenas contra a mudança, e não contra a estupidez dessa mudança, porque simplesmente o que se propunha em 1911 não era estúpido, como o que se propôs em 1990. O que se propôs em 1911, fez parte da evolução da Língua, e não da mutilação dela.

 

Uma coisa é substituir uma grafia, baseados na Ciência, outra coisa é capar as palavras, transformando-as numas aleijadinhas, sem pés nem cabeça, para facilitar a aprendizagem dos menos dotados mentalmente, ou simplesmente para destruir a língua do colonizador mal-amado, ou para encher os bolsos dos tratantes.

 

Então, com base em coisa nenhuma que valha a pena, apenas por uma teimosia eivada da mais profunda estupidez, uns tantos desilustrados, já caducados, lusos e brasileiros (porque não foram convocados representantes dos restantes países lusófonos), com o intuito fajuto de unificar algo que é absolutamente impossível de unificar (e isso está mais do que provado, e nem sequer isso os acordistas conseguiram perceber) pariram um aborto ortográfico sem precedentes na História de toda a Humanidade (tinham de ser os portuguesinhos, com neurónios miudinhos e avariados a protagonizar tal desfeito histórico), que está a esmagar uma das mais belas e nobres línguas indo-europeias - a Língua Portuguesa.

 

Eles acham ridículo escrever as consoantes mudas, por isso são um zero à esquerda em Línguas como a Inglesa ou a Alemã, que têm consoantes mudas, umas a seguir às outras, e nem por isso, os Ingleses ou os Alemães as capam. As Línguas cultas são feitas com Cultura, não com palermices de incapacitados mentais.

 

Neste momento, existe um grupo de trabalho no Parlamento para avaliar o impacto da aplicação do AO90 que, como não podia deixar de ser, tem o PS a bater o pé, com o seu obscurantismo. E, apesar de todas as críticas bem fundamentadas contra o monumental malefício de uma ortografia parida e aplicada à balda, por todos os que, subservientemente, aderiram a este desmando, não houve ainda fumo branco, para extirpar esta vergonha do nosso País, da nossa Cultura, do nosso Ensino.

 

É que apenas as mentes iluminadas cedem quando se vêem à beira do abismo.

 

Os cegos mentais, porque nada vêem, vão em frente e caem no fosso que, cegamente, eles próprios cavam.

 

Porém, se querem suicidar-se, suicidem-se, mas não levem para a cova a nossa bela e nobre Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:15

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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

RELATÓRIO DA AUDIÇÃO DA ANPROPORT NO GRUPO DE TRABALHO DE AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO AO90

 

Com fé e esperança no triunfo da lucidez dos governantes deste nosso país, vendido aos interesses dos estrangeiros.

 

É que a Língua Portuguesa não é matéria dos Ministérios da Educação ou da Cultura, como deveria ser, num país a sério.


A Língua Portuguesa, em Portugal,  é matéria do Ministério dos Negócios DOS Estrangeiros.


E isto não dirá tudo?

AO90.jpg

 

Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1331296350284032&set=gm.972341346202655&type=3&theater

 

Relatório da audição da ANPROPORT (Associação Nacional dos Professores de Portugueês) no Grupo de Trabalho de avaliação do impacto do AO90 (com Dra. Rosário Andorinha), 15 de Março de 2017:

 

"De entre os aspeCtos referidos, destacam-se:

- Aumento dos erros ortográficos ocorrido nos últimos anos fruto da aplicação do Acordo Ortográfico, questão muito preocupante para os docentes, pais e encarregados de educação e alunos;

- Gravidade da supressão das consoantes não articuladas;

- Ocorrência de problemas na aplicação do Acordo Ortográfico em diversos países;

- Com o Acordo Ortográfico 2691 palavras que se escreviam de forma diferente continuam a sê-lo; 569 palavras que se escreviam de forma diferente tornaram-se iguais; 1235 palavras que eram iguais tornaram-se diferentes; e 200 palavras que foram «inventadas»;

 

- Como cada país envolvido no Acordo Ortográfico tem a sua própria língua, não entende esta «tentativa» de uniformização. A este respeito as representantes da Associação adiantaram que até ao presente não foi feita qualquer uniformização ou harmonização e que há países que nem sequer ratificaram o Acordo Ortográfico (e provavelmente nunca irão fazer);

- Não é a ortografia que vai unificar a língua ou dispensar a existência de dois textos diferentes;

- O princípio fonético |"rectius", "critério da pronúncia"| é um erro e tende a criar divisões; não há princípios fonéticos em linguística no que respeita a grafia, a grafia é uma coisa e a fonética é outra;

- A Associação defende que não se pode nem deve branquear este processo, inquinado desde o seu início, sobretudo porque os pareceres solicitados, 27 dos quais contrários à implementação do Acordo Ortográfico, designadamente o do Ministério da Educação, foram logo de seguida «escondidos» e ignorados;

- A desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico não criará problemas entre os diversos países;

- Com este Acordo Ortográfico o prestígio da língua portuguesa em todo o mundo não será maior, o que só pode e deve ser alcançado com outro tipo de medidas;

 

- O português estava estabilizado há 65 anos, o que já não acontece agora;

 

- A língua portuguesa, como fenómeno cultural que é, não pode estar sujeita a jogos políticos.

 

Fonte:

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a457951304e44536b517652315242535546425479394562324e31625756756447397a51574e3061585a705a47466b5a554e7662576c7a633246764c7a67304e5467325a6d49324c544d78595759744e47566a4e7931684f4441344c5755334d44497a4e6a5134597a4e685a5335775a47593d&fich=84586fb6-31af-4ec7-a808-e7023648c3ae.pdf&Inline=true

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:56

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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

O ERRO ORTOGRÁFICO

 

Excelente raciocínio. Excelente artigo.

Não sei por que os governantes não ouvem estas vozes lúcidas. Serão surdos mentais?

O ministro Santos Silva, não quer saber. Ele é apenas o ministro dos Negócios DOS Estrangeiros. Vá-se lá saber porquê! E os outros ministros vão atrás...

Faço minhas as palavras do António Manuel Ribeiro.

 

janela da frente Antonio final.png

 

 «Na semana em que uma delegação da Academia das Ciências de Lisboa promoveu na Assembleia da República uma abordagem sobre rectificações necessárias e urgentes ao Erro Ortográfico – cuidado, que há mais gente por aí certificada ao domingo ou “adoutorados” por soma de cupões da Farinha Amparo -, li um artigo sobre os erros ortográficos nos comunicados da Casa Branca, publicado pelo insuspeito The Guardian. Confrangedor e banal, a arrogância do cobói abafará os precários do alfabeto inglês.

 

Por cá tem sido um fartote, por ventura nunca se escreveu tão mal e há muito boa gente que já se encosta ao disparate do Erro Ortográfico (para haver um acordo tinha de haver signatários desse acordo, mas até agora não houve consenso) para escrever deficientemente. O meu rígido professor da 4.ª classe deixaria as mãos a arder a muito nariz levantado da nossa praça.

Há dois dias, na abertura do portal Sapo vi um anúncio da MEO. Prometia à clientela da operadora que se iria apaixonar com letra grande (A), escrito numa tarja rosa, quando o correcto seria apaixonar com letra maiúscula.

 

Talvez um criativo da agência de publicidade contratada pela MEO nos queira dizer que o defeito é feitio. Mas não é. É erro. Das letras do abecedário não se diz grande ou pequeno, mas maiúsculo ou minúsculo. Ou será que os alvos do anúncio estão tão bem identificados que a mensagem passa muito melhor defeituosa? Perdoa-lhes Camões, que eles não sabem mas fazem.

 

Ainda esperei (até hoje) um laivo de inteligência por parte do governo ao receber a proposta de afinação do Erro Ortográfico em vigor, a que chama Acordo, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros – por onde andarão os da Educação e da Cultura? – proferiu, em resposta, uma daquelas declarações que eles empinam quando chegam ao poder. É um manual secreto que ensina a todos que entram para as cadeiras da governação como falar sem nada dizer mantendo a compostura, o tom e o ar de estarem a dissertar profundamente sobre coisas muito pensadas.

 

Confesso que nunca fui à bola com este senhor, que esteve ao lado dos que nos trouxeram a mais uma bancarrota, a de 2011, comentador trauliteiro que revelava restos de um trotskismo mal enterrado. Mas tem vocação para ministro, percebe-se.

 

Disse que não era este o tempo para alterar um Acordo assinado e em vigor em dois países, Portugal e Brasil (não é verdade, senhor ministro, há muito que o povo brasileiro adoptou maneirismos que agora fomos copiar), esperando-se que o resto da lusofonia o faça. Quando? Porquê perder a alma?

 

Este Erro Ortográfico viola o princípio científico de uma língua, a etimologia que criou vocábulos e estes um discurso escrito e falado coerente.

 

Para quando, senhor ministro, o tempo certo para corrigir os erros que vão sendo somados, essas calendas gregas vulgares em política, esta deriva que está a criar mais analfabetos funcionais, apesar de, nas tiradas inflamadas dos últimos governos, dizerem que temos as gerações mais qualificadas, quando o correcto seria dizer mais certificadas?

 

Dá-se, por ventura, ao luxo de anotar os erros que os jornais, em papel e virtuais, publicam sem uma correcção a posteriori, porque das duas, alguma, ou já ninguém sabe corrigir, ou esquecer dá mais jeito?

 

Talvez o senhor ministro sacuda a importância de uma língua correcta – é a nossa – por ter outros assuntos mais urgentes, como por exemplo, aclarar se devemos cortar relações diplomáticas com o Iraque ou prepararmo-nos para a guerra – a agressão ao miúdo português foi comprada e todos se calaram. Diplomacia e livro de cheques. Soberania, logo se vê. A ironia serve este tempo.

 

Andamos de cócoras em tantas horas do dia que dava gosto ouvir por uma vez a diferença que não batesse na vulgaridade, no lugar-comum, no mais do mesmo que mantém os do poder no poder e os outros no rebanho.»

 

António Manuel Ribeiro

 

Fonte:

http://frentecivica.blogspot.pt/2017/02/janela-da-frente-o-erro-ortografico.html?spref=fb

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

A MUTILAÇÃO DA LÍNGUA MATER

 

O desabafo de uma cidadã brasileira sobre o acordo do seu descontentamento…

 

DESCONTENTAMENTO.jpg

 

 Texto de Elizabeth Pereira Gabas

 

«Ando macambúzia, cabisbaixa e sorumbática, desde o dia 01/Janeiro, quando ouvi oficiosamente em dois jornais televisivos diferentes, que o AO entraria em vigor no Brasil, a partir de então...não pelo que representa aqui, tolices de meia dúzia (se tanto) de regras sem sentido, mas porque um aceite do Brasil, era a chancela de que "pulhíticos" de ambos os lados precisavam, para deflagrar a hecatombe nuclear da Língua Portuguesa, que como o próprio nome diz é a "Língua de Portugal"...dentro da enorme incompetência brasileira, ninguém, ou quase ninguém, está preocupado, nem sabendo, nem nunca ouviu falar, qualquer coisa que fosse, sôbre a MUTILAÇÃO-LÍNGUA-MATER que esse abôrto (com acento para diferenciar da 1ª pessoa do singular do presente do verbo abortar), como se apresenta, ou seja, monstruosamente, representa para a Nação Portugal...mas POR QUE justamente em cima da Cultura, da Identidade Secular de um Povo, em cima da cultura-identidade meio-secular de outras Nações, quando há infinitas outras formas (e imaginação é o que não lhes falta), para roubar, exercer a corrupção desmedidamente, usurpar, enriquecer desbragadamente e ilicitamente até à 20ª geração de cada ratazana-humanóide, que infelizmente não depende de inteligência para se reproduzir...

 

Como Amália Rodrigues, "Sinto Pena"...pena das crianças que serão forçadas a aprender um idioma-frankenstein, longe, muito longe, da "última flôr de Lácio, inculta e bela; que era a um só tempo: esplendor e sepultura; ouro nativo que na ganga impura, abruptamente minava entre os cascalhos e velava"...por mim, continuarei como aprendi e já que tudo enlouqueceu, abusarei dos acentos diferenciais a meu bel-prazer, dos hífens da maneira que quiser e só não "adoptarei" o trema, porque já não era do meu tempo...mas ainda vou pensar a respeito...e sempre que souber como se escreve em PT- PT, (pré-abôrto, é evidente), assim o farei.

 

Por hora e num último apêlo, conclamo-vos a reunir os penúltimos esforços (mesmo sabendo, que tudo em geral, está pra lá de difícil), em função da LUTA PELA DERRUBADA DO FAMIGERADO AO!!!

 

Sem esquecer, para pensar e repensar, parafraseando o livro do Apocalipse, sobre o Juízo Final: Deus vomitará os mornos!!!»

 

Elizabeth Pereira Gabas

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:55

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

AO/90 - O ABORREGAMENTO COLECTIVO

 

ESTUPIDEZooo.jpg

 

Texto do EMBAIXADOR CARLOS FERNANDES


in «O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 NÃO ESTÁ EM VIGOR» livro a ser lançado no próximo dia 7 de Abril, e obrigatório ler.

 

(…)

Ninguém, neste Portugal morno e esquisito em que vivemos, se rebelou contra tão graves violações constitucionais, como obviamente se impunha, em face de uma imposição juridicamente intolerável, por demais violenta, ao aborregado Povo português, único senhor da língua portuguesa em Portugal, mas pouco preocupado em defendê-la.

 

Docentes de todos os níveis escolares, juristas, tribunais, jornalistas e jornais, com a vergonha do Diário de Notícias, demonstrando uma crassa ignorância, onde, ninguém, até agora, quis estudar o problema devidamente, envergonhando-nos a todos nós esta inaceitável passividade colaborante com os que, ilegalmente, mutilaram a nossa bonita e rica língua, inventando uma ortografia, e, finalmente, uma pronúncia, teratológicas.

 

Como se explicará essa atitude? Para mim, só a pobreza material e cultural generalizada, em que, supostos governantes nos colocaram, poderá explicar – embora não justificar – este aborregamento colectivo, que fácil e serenamente se tem verificado, à voz de qualquer pastor, mais ou menos interessado, aceitando, sem contestação significativa, cumprir ordens, não só ilegais, mas também manifestamente inconstitucionais.

 

Ora, dado o teor do 2.º Protocolo Modificativo, de que Portugal é parte desde 17/9/2010 (o qual, na minha opinião, ainda não vigora), e o espírito da política linguística (ortografia) que ele consagra — essencialmente oposta à do AO/90 inicial —, é, para mim, e certamente para qualquer jurista patriota que examine o problema em causa, sem parti pris, e tão objectiva e cientificamente quanto possível, é, reitero, inadmissível que um Presidente da República, defensor institucional da Constituição e rodeado de tantos assessores altamente qualificados, e um Primeiro-Ministro a tutelar a área da Cultura, cometessem as graves e inoportunas inconstitucionalidades que, a meu ver, cometeram, e que creio serem verdadeiros atentados ao Estado de Direito.

 

É sobretudo incompreensível, para mim, a passividade colaborante dos Tribunais, por várias e válidas razões:

 

Mas, para sermos mais claros quanto à inconstitucionalidade da RCM 8/2011, deve observar-se o seguinte:

 

É de reiterar que por ela se legislou, quando não o podia fazer; porque, decididamente com o propósito de legislar, o Governo de Sócrates a emitiu com o pretexto de, com isso, estar aplicando o disposto na alínea g) do artigo 199.º da Constituição, com a finalidade de pôr em vigor, desta maneira abstrusa, o AO/90, já como modificado pelo 2.º Protocolo Modificativo (como referimos supra, não vigora legalmente em nenhum Estado dos seus sete signatários, e, ilegalmente, só em Portugal), tal como o Vocabulário Ortográfico do Português, que Portugal, sozinho, elaborou, e está, ilegalmente, a aplicar, violando, assim, expressamente, o disposto no próprio AO/90 original, que exige, para que o vocabulário vigore, a aceitação pelos sete Estados signatários (a unanimidade) — é de notar o que querem esquecer, isto é, que o 2.º Protocolo Modificativo nem sequer refere o Vocabulário Ortográfico do Português, e, por conseguinte, terá de conformar-se com o disposto no AO/90 original quanto à respectiva entrada em vigor (a sua unânime aceitação por todos os signatários do AO/90).

 

De tudo o que expusemos, é de concluir que o 2.º Protocolo Modificativo de 2004, que, retroactivamente, modifica, essencialmente, o teor e filosofia unificadores do AO/90, teria de estar em vigor nos sete Estados signatários deste, para poder alterá-lo como pretendem, mas acontece que não está em vigor, porque Angola e Moçambique, que não aceitaram, como vimos supra, o AO/90, também se recusam a aceitar o acordo do 2.º Protocolo Modificativo dele.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:42

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

DO BRASIL, A PROPÓSITO DA LÍNGUA E DA LITERATURA PORTUGUESAS

 

«MICROCÉFALOS PALACIANOS – O VÍRUS DILMA»

 

Um texto curioso, bem-humorado, crítico, que diz de uma realidade cultural que atinge o Brasil e Portugal.

Vale a pena ler.

 

LITERATURAS.jpg

 

Texto de FAUSTO BRIGNOL

 

«Pensava-se que o dilmês era exclusivo de Dilma Roussef, uma espécie de pós-modernismo lingüístico muito particular (talvez influenciado pelo apedêutico lulês), uma língua criada para presidentes entreguistas ou proxenetas de povos impúberes mentalmente que votariam movidos unicamente pela emoção do momento, como se estivessem numa partida de futebol, ansiosos por gritar a palavra gol.

 

No entanto, estudiosos de Corruptologia Aplicada – que inclui a corrupção na língua, na palavra escrita e falada – após intensos estudos descobriram que o desusado modo de falar e pensar desses presidentes, ministros e assessores deve-se a um vírus que está sendo momentaneamente apelidado de vírus Dilma. Esse vírus teria sido deixado no Palácio do Planalto na época da ditadura militar por agentes da CIA interessados em transformar os representantes do povo brasileiro em desinibidos mercantilistas da cultura e do conhecimento.

 

Parente do vírus Zika, o vírus Dilma provoca leve deficiência mental, mas não diminui o tamanho da cabeça, sendo inoculado através de apertos de mão com os inimigos do povo, seguidos da promessa de eterna aliança em troca de ministérios, secretarias e outras benesses. O resultado é a imbecilização gradativa, que poderá ser passada à nação, caso esta não se proteja com uma vacina que a impeça de degradar-se mentalmente devido à influência perniciosa dos microcéfalos palacianos.

 

Esse vírus demorou em se propagar entre os altos escalões do governo, mesmo que na época do Lula alguns sintomas permitissem detectá-lo. Por exemplo: quando Lula foi chamado de “o Cara” pelo Obama muitos torceram o nariz e essa torcida de nariz foi um indicativo do mau cheiro do vírus Dilma, que se desenvolvia sorrateiramente.

 

Foi somente durante o governo Dilma que se percebeu mais claramente a maléfica influência do vírus que leva o seu nome. Começou com o MEC, ministério que seria da Educação e Cultura, mas perdeu a cultura e nada mais entende de educação. Nos salões daquele ministério o vírus Dilma espalhou-se com tamanha rapidez que as pessoas muito cultas que por ali vagam e divagam placidamente se deixaram empestar fascistamente e as suas mentes trêmulas acataram e até fizeram a apologia de um livro didático com erros de português.

 

Em seguida, o próprio MEC – sigla que poderia servir para Microcefalia Maculável e Corrupta – impôs o novo acordo ortográfico ao povo brasileiro, e professorinhas que adoram falar em inglês ficaram fascinadas com a novidade.

 

Estudiosos da doença pensaram que seria apenas um surto demencial, mas o pior ainda estava por acontecer. O mesmo execrável MEC, sob efeito da triste praga, entendeu que deveria mexer no currículo das escolas brasileiras e criou uma coisa chamada de Base Nacional Comum Curricular, que acaba definitivamente com a cultura e com a educação.

 

As escolas – para alívio de muitos professores que nada sabem – ficaram dispensadas de ensinar Literatura Portuguesa. Alunos secundaristas nada saberão sobre Camões, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa, Maria João de Sousa, José Taveira ou José Solá – entre tantos beletristas portugueses, de todas as épocas. Os alunos do curso secundário, que pouco conhecem sobre os escritores brasileiros nada saberão dos portugueses ou da literatura dos demais países. Culpa do vírus Dilma.

 

Ainda pior, se é possível pior: acabou o estudo da História Universal. Acreditam as senhoras e senhores que circulam pensativamente pelo MEC e adjacências que somente aquilo que é adjacente à História do Brasil deve ser ensinado. Nem as Grandes Navegações serão ensinadas para os coitados dos alunos. E daí para trás a História estará morta. 

 

A proposta do novo currículo ainda está sendo discutida, o que nos dá tempo para descobrir uma vacina para o infame vírus Dilma. Apressemo-nos, pois. O tempo urge. Ou muge – como talvez dissesse a Dilma.»

 

Fonte:

http://fausto-diogenes.blogspot.pt/2016/02/microcefalos-palacianos-o-virus-dilma.html#links

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:17

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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

POIS…

 

Indignados, verberam contra o AO/90…

 

FAUSTO.jpg

 

Por Fausto Brignol

 

Preocupado com as mudanças que estão sendo feitas na nossa língua, que perde, aos poucos, o sabor, remendada com gírias formadas em morros cariocas, desertos nordestinos, festas sertanejas paulistas e mineiras, e também nas escolas de todo o país onde uma exótica educação fonética é passada para jovens internautas imersos em brinquedos eletrônicos (electrónicos) e balbuciando uma novilíngua autorizada por seres especializados em sabotagem vocabular, dados a acordos de destruição ortográfica e todo o apoio ao falar minguado, mínimo, gaguejante, da manipulável massa informe de eleitores; seres que, se deixarmos, refletirão (reflectirão) a sua aculturada mentalidade anglófila colocando definitivamente um “z” no lugar do “s” de Brasil, porque, afinal, é assim que se diz, com som de “z”: Brazil com “z” ou Zé, tão propício aos negócios com outros povos que não entendem o “s” entre duas vogais, povos bárbaros que usam linguagem binária em suas sintéticas comunicações; prestigiados piratas que fizeram da pirataria a sua razão de ser e possuem todo o dinheiro do mundo para comprar toda a madeira da Amazônia (Amazónia) e todo o gado e todos os políticos e todos os insumos agricultáveis e toda a nossa pobreza mental e física, prostituída em férteis terras d’além-mar e toda a nossa cultura para ser jogada no lixo e substituída por chiados robotizados e musicalidade lacrimejante e pútrida, e preferem o português brasileiro rasamente simplificado, a língua codificada em verbos indeclináveis, o fim da acentuação tónica (tónica), porque mais que o ‘yes-no-question’, o ‘pega-lá-da-cá’, o ‘qual é o teu preço’ é demasiado para essas pessoas tão necessitadas de açambarcar o mundo para saciar a sua fome de poder e glória, resolvi entrar para um ou dois grupos virtuais de Portugal que protestam contra o Acordo Ortográfico, também chamado de AO90 ou o desacordo que propõe o discordês, provável mutação do dilmês ou do lulês, quem sabe do cardosês, e constatei que em Portugal, ao contrário destas terras onde tudo dá, muitos portugueses estão em consciente vigília.

 

Pois. Indignados, verberam contra o AO/90, pressionam céus e terras, principalmente terras, a sua terra, apoquentam os eleitos e corruptíveis donos daquele país que está sendo levado à bancarrota ou a uma rota de amizade com os banqueiros internacionais, preterindo o povo que nada sabe de acordos, mas de fome e desemprego, assim como na Grécia, Itália, Espanha, Irlanda – onde mais? Brasil? -, e, nesses grupos, reúnem-se os que se sentem ofendidos, despeitados, desrespeitados, posto que a ortografia não deve ser mudada à força devido aos interesses comerciais, a leis estéreis e artificiais, mas sofre ligeiras modificações no decorrer dos séculos, adaptando-se ao costume dos povos, assim como do espanhol derivou o português e suas alterações, diferenças, semelhanças e dissemelhanças (dissemelhanças) ocorreram naturalmente nas ex-colônias (ex-colónias)da nação que conquistou grande parte do mundo com armas e barões assinalados, que, a partir da ocidental praia lusitana – como diz o vate, o bardo, o poeta maior da língua que ofendemos com ameaças de destruição – disseminou hábitos e fecundou culturas com o idioma ainda a tomar forma, a encontrar os corretos (correctos)vocábulos, a buscar expressão em frases conexas, o castiço vernáculo anunciando-se gramaticalmente, eruditos a esquadrinhar a adequada morfologia, a inquirir do discurso a sintaxe perfeita na tentativa da ortodoxia dos dicionários – último limite aos barbarismos, à errada grafia, aos vícios de linguagem, às invasões semânticas, aos truísmos, às dúvidas da prosódia.

 

 Nas ex-colônias (ex-colónias) portuguesas, como Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Açores, Guiné-Bissau, Timor Leste, Ceuta, São Tomé e Príncipe, Tanger, Ilhas Canárias, Ilhas de Santa Helena e Macau, a língua portuguesa disseminou-se e se impôs, graciosa e bela, imperialista e soberba, e mesmo depois das guerras de libertação e de independência permaneceu como a lembrar o último resquício luso em terras invadidas, a derradeira herança a nações que foram obrigadas a esquecer os dialectos (dialectos) nativos, tão nativos e impróprios para povos civilizados, e em cada um dos lugares libertos fisicamente reina a soberana língua como déspota esclarecida, permitindo a introdução de variações, mas sempre resguardando a hermenêutica pureza que permite a perfeita comunicação, apesar dos ataques eventuais de insidiosos sotaques caipiras.

 

Eis quê! Lá pela década de 1990, sábios muito sábios de Portugal, Brasil e alhures reuniram-se para tentar a uniformidade da língua escrita e consideraram imprescindível que os oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe) membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estabelecessem um acordo ortográfico, alegando razões pedagógicas e de comunicação entre os países lusófonos; para isso, sacrifica-se a etimologia em favor do critério fonético como a dizer que a língua organizada deve obedecer aos sons e não à estrutura etimológica em gigantesco salto em busca da linguagem primitiva, babélica e disforme, e cá no Brasil, terra do é dando que se recebe, aproveitando a carona do retrocesso cultural, doutos membros dos ministérios da Educação e da Cultura e talvez de outros ministérios menos cultos e educativos e, quem sabe, ancorados em opiniões ululadas no Palácio do Planalto, lugar onde inteligentes criaturas usam um falar taquigráfico, pretendem que o português vulgar – curiosa língua que vem sendo criada na terra onde quase ninguém lê ou estuda – seja considerado correto (correcto), uma vez que é tartamudeado pela imensa maioria do povo e a democracia estipula que a maioria deve mandar, mesmo quando está errada, e essa maneira de pensar prevê que a quantidade é superior à qualidade e se grande número de pessoas fala e escreve mal e, mesmo assim, consegue se expressar sem grandes impedimentos, o errado passa a ser o certo e estamos conversados.

 

Em defesa do Acordo Ortográfico, muitos intelectuais fisiológicos afirmam que se trata da evolução da língua que deve ser ratificada através das letras que a traduzem, o que, por certo, não respeita a verdade, pois não se pode considerar como evolução a destruição do sistema de ensino ou o curvar-se do Governo à ignorância generalizada ao ponto de prescrever que o assim denominado “português vulgar” – uma forma cibernética de falar e expressar, resultado de gírias, anglicismos e palavras de baixo calão – deve ficar no mesmo nível do que apelidaram de “português culto”, que nada mais é que a tentativa de falar e escrever corretamente (correctamente), o que se torna cada vez mais difícil, visto que a massificação passa necessariamente pela midiatização do povo, pela alienação das pessoas e pela degeneração dos valores culturais, mas há aqueles que preferem aceitar passivamente todas as barbáries e todas as leis, mesmo as mais controversas e ridículas, e vemos que o AO90 promulgado por decreto é uma imposição dos governos interessados e não uma consequência (consequência) da natural mutação da língua, o que pode ocorrer a cada século com uma ou duas palavras ou pouco mais, e é sabido que toda prescrição cultural exibe indícios de fascismo e nenhum povo pode ser considerado verdadeiramente livre quando até a ortografia da sua língua é resultado de cominação e coerção social.

 

Coerção, e não coesão ortográfica, como os arautos da escatologia da linguagem pretendem passar ao iludido povo alucinado por futebol e que tudo aceita, desde que receba a sua dose diária de samba, malandragem e planejada desinformação; e, na dúvida, que muitos chamam de atroz como se fosse de urgência as calmas e católicas certezas; na dúvida, mãe da transformadora dialética (dialéctica), entrei em contato (contacto) com portugueses que se sentem usurpados em seu direito natural de autores e guardiães da língua, lutando para que o AO90 seja revogado ou, pelo menos, que grande número de pessoas não use as novas regras do desacordo, assim como faço neste blog, e nessas conversas percebi que estamos unidos no mesmo objetivo (objectivo) e, ironicamente, desejando a retificação (rectificação) do discordês para que possamos continuar a escrever de maneira diferente palavras da mesma língua.

 

O que é sumamente agradável, mesmo que haja suave divergência sobre a apropriada forma de grafar certas palavras ou de usar ou não determinados acentos tónicos (tónicos), mas uma única língua falada e escrita por povos de diferentes heranças culturais sofrerá inevitáveis modificações que não podem ser rectificadas (rectificadas) à força, por decreto; ao contrário, obedecer-se a peculiaridades fonéticas e léxicas de nações distintas sem que a língua-raiz seja prejudicada em sua principal função, qual seja a de promover a compreensão respeitando a diversidade de expressão ortográfica, é o que consiste, de fa(c)to, em verdadeira democracia, embora os doutores da lei, imbuídos de majestática infalibilidade, acreditem que somente a eles cabe designar a obrigatória verdade, e o pior – se há algo pior em todo este imbróglio provocado pelo desnecessário AO90 – é a exploração demagógica, caso típico do governo brasileiro ao promover, incentivar e vulgarizar o erro com evidentes objetivos (objectivos) eleitoreiros, deixando claro que a divisão entre classes sociais também acontece na ortografia.

 

E se nada mais nos resta, além de protestar - protestemos, ora pois!

 

(AVISO: as palavras sublinhadas em bolt e entre parêntesis são da minha lavra, para salientar que em Portugal escreve-se deste modo, e no Brasil de outro modo, e assim continuará a ser, cá e lá, independentemente da vontade dos acordistas. (IAF).

 

Fonte:

http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2013/10/preocupado-com-asmudancas-que-estao.html

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:57

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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2016

«O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 NÃO ESTÁ EM VIGOR»

 

«O problema é que o povo português não tem o mínimo sentido crítico. Aceita tudo o que lhe é impingido, seja bom ou mau, sem questionar. Cegamente.

Se parassem para PENSAR, o AO/90 não estaria a ser ensinado nas escolas às nossas desventuradas crianças, que não têm culpa, e MERECEM um ENSINO da Língua QUALIFICADO» 

O «ABORREGAMENTO COLECTIVO»... haja quem diga a verdade... 

Estes são os mais bem justificados argumentos CONTRA o AO/90. Parece haver suficiente matéria para, de uma vez por todas, levar a questão por diante e revogar esta vergonhosa tentativa de impor a Portugal uma linguagem que não nos pertence. Por que é que os governantes portugueses teimam em fingir que o AO/90 existe?

O governo português não tem o direito de VENDER a Língua Portuguesa. (IAF)»

 

CARLOS FERNANDES.jpg CARLOS FERNANDES

09/02/2016 - 06:15

 

O “Acordo Ortográfico” de 1990 não está em vigor

 

Ao contrário do que por aí se diz, o que está em vigor em Portugal, de iure, é a ortografia fixada pela Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945. O AO/90 não está em vigor em nenhum Estado.

 

O AO/90 (= “Acordo Ortográfico” de 1990) na sua formulação original e na modificação desta pelo 2.º Protocolo Modificativo, a meu ver, não estão em vigor em país nenhum dos seus signatários, por falta de aceitação por Angola e Moçambique.

 

A imposição inconstitucional do AO/90, à força, em Portugal, através de uma simples Resolução do Conselho de Ministros (= RCM n.º 8/2011, de 25 de Janeiro), a meu ver, é manifestamente inconstitucional, pelo menos, orgânica e formalmente, e, como consequência, nula e de nenhum efeito, porque legisla sem o poder fazer, violando claramente o disposto no artigo 112.º, n.º 1, da Constituição.

 

Apesar disto, e por mais que isso custe a compreender, ninguém, neste Portugal morno e esquisito em que vivemos, se rebelou contra tão graves violações constitucionais, como obviamente se impunha, em face de uma imposição juridicamente intolerável, por demais violenta, ao aborregado Povo português, único senhor da língua portuguesa em Portugal, mas pouco preocupado em defendê-la. Docentes de todos os níveis escolares, juristas, tribunais, jornalistas e jornais, com a vergonha do Diário de Notícias, demonstrando uma crassa ignorância, onde, ninguém, até agora, quis estudar o problema devidamente, envergonhando-nos a todos nós esta inaceitável passividade colaborante com os que, ilegalmente, mutilaram a nossa bonita e rica língua, inventando uma ortografia, e, finalmente, uma pronúncia, teratológicas. Como se explicará essa atitude? Para mim, só a pobreza material e cultural generalizada, em que, supostos governantes nos colocaram, poderá explicar – embora não justificar – este aborregamento colectivo, que fácil e serenamente se tem verificado, à voz de qualquer pastor, mais ou menos interessado, aceitando, sem contestação significativa, cumprir ordens, não só ilegais, mas também manifestamente inconstitucionais.

 

Ora, dado o teor do 2.º Protocolo Modificativo, de que Portugal é parte desde 17/9/2010 (o qual, na minha opinião, ainda não vigora), e o espírito da política linguística (ortografia) que ele consagra — essencialmente oposta à do AO/90 inicial —, é, para mim, e certamente para qualquer jurista patriota que examine o problema em causa, sem parti pris, e tão objectiva e cientificamente quanto possível, é, reitero, inadmissível que um Presidente da República, defensor institucional da Constituição e rodeado de tantos assessores altamente qualificados, e um Primeiro-Ministro a tutelar a área da Cultura, cometessem as graves e inoportunas inconstitucionalidades que, a meu ver, cometeram, e que creio serem verdadeiros atentados ao Estado de Direito.

 

É sobretudo incompreensível, para mim, a passividade colaborante dos Tribunais, por várias e válidas razões:

 

a. porque eles são o órgão de soberania específico para administrar a justiça, em nome do povo, sendo este que, nos termos do disposto no artigo 3.º, n.º 1, da Constituição, detém a soberania, una e indivisível, tendo, assim, por dever funcional, aplicar o Direito vigente legalmente, e o de opor-se, necessariamente, às ilegalidades e inconstitucionalidades (v. referido artigo 3.º, n.º 3, e artigo 277.º, n.º 1, da Constituição);

 

b.  porque, a meu ver, qualquer quidam medianamente Iniciado em ciências jurídicas, que leia o texto da RCM 8/2011, de 25 de Janeiro, não poderá deixar de concluir, imediatamente, que é inconstitucional, por várias evidências: uma, por legislar, quando isso só pode ser feito por lei ou decreto-lei (v. artigo 112.º, n.º 1, da Constituição); outra, porque os acordos internacionais não são postos em vigor por resoluções governamentais (até os acordos de exclusiva competência material do Governo têm de submeter-se a um decreto aprovado em Conselho de Ministros — v. artigo 197.º, nº 2, e artigo 200.º, n.º 1, alínea d), 2.ª parte, da Constituição —); em terceiro lugar, porque têm o dever elementar de saber que o AO/90 não está legalmente em vigor em país nenhum dos seus sete Estados signatários, por falta de aceitação por parte de Angola e Moçambique, e, ilegalmente, só foi imposto em Portugal; finalmente, em quarto lugar, porque o 2.º Protocolo Modificativo, de 2004, alterou, essencialmente, o teor e filosofia do AO/90 original, e, por isso, as ratificações de 1991 (Portugal) e de 1995 (Brasil), etc., não podem, lógica e juridicamente, subsumir-se às alterações essenciais atrás referidas, feitas pelo acordo do 2.º Protocolo Modificativo, de que Portugal é parte desde 17/9/2010, mas que, em meu parecer, ainda não vigora em nenhum dos Estados signatários, por falta de aceitação por parte de Angola e Moçambique (porque, como eu entendo, não obedece à unanimidade de ratificações).

 

Mas, para sermos mais claros quanto à inconstitucionalidade da RCM 8/2011, deve observar-se o seguinte:

 

é de reiterar que por ela se legislou, quando não o podia fazer;

porque, decididamente com o propósito de legislar, o Governo de Sócrates a emitiu com o pretexto de, com isso, estar aplicando o disposto na alínea g) do artigo 199.º da Constituição, com a finalidade de pôr em vigor, desta maneira abstrusa, o AO/90, já como modificado pelo 2.º Protocolo Modificativo (como referimos supra, não vigora legalmente em nenhum Estado dos seus sete signatários, e, ilegalmente, só em Portugal), tal como o Vocabulário Ortográfico do Português, que Portugal, sozinho, elaborou, e está, ilegalmente, a aplicar, violando, assim, expressamente, o disposto no próprio AO/90 original, que exige, para que o vocabulário vigore, a aceitação pelos sete Estados signatários (a unanimidade) — é de notar o que querem esquecer, isto é, que o 2.º Protocolo Modificativo nem sequer refere o Vocabulário Ortográfico do Português, e, por conseguinte, terá de conformar-se com o disposto no AO/90 original quanto à respectiva entrada em vigor (a sua unânime aceitação por todos os signatários do AO/90).

 

De tudo o que expusemos, é de concluir que o 2.º Protocolo Modificativo de 2004, que, retroactivamente, modifica, essencialmente, o teor e filosofia unificadores do AO/90, teria de estar em vigor nos sete Estados signatários deste, para poder alterá-lo como pretendem, mas acontece que não está em vigor, porque Angola e Moçambique, que não aceitaram, como vimos supra, o AO/90, também se recusam a aceitar o acordo do 2.º Protocolo Modificativo dele.

 

É lógico, e, para mim, óbvio, que a aceitação, só por três dos Estados signatários, não pode alterar o teor e filosofia do AO/90 original, para, por este meio, o pôr em vigor (como, anteriormente, não conseguiram a sua aceitação pelos sete Estados signatários, recorreram ao estratagema do 2.º Protocolo, estratagema que, afinal, não vingou).

 

Por outro lado, mesmo que não se entendesse como eu entendo, acontece que, como a essência do AO/90 foi indiscutivelmente alterada pelo disposto no acordo do 2º Protocolo, o AO/90, porque essencialmente modificado, tem outro teor, obedecendo, por isso, a outra filosofia linguística (ortografia não unificada), acabando, assim, a unanimidade da ortografia da língua portuguesa e, portanto, tudo isto só teria sentido se viesse a ser novamente ratificado, já que é agora outro acordo, devido à alteração substancial que lhe é feita pelo disposto no acordo do 2º Protocolo. Assim, é, para mim, absurdo que se pretenda validar, para efeitos de entrada em vigor do AO/90 como agora essencialmente modificado, as ratificações feitas em 1991 e 1995, etc., relativamente a um acordo complementar diferente, isto é, que as três ratificações antigas (e não outras) fossem agora suficientes para o AO/90 modificado entrar em vigor, nos termos do disposto no acordo do 2.º Protocolo, ipso facto, aquelas mesmas que foram feitas em contexto diferente há muito tempo. Demais, é de notar, o acordo do 2.º Protocolo, no seu texto, não esclarece se são ou não as feitas ou outras a fazer, só tendo sentido, a meu ver, que sejam outras a fazer e não as feitas.

 

A problemática da entrada ou não em vigor do AO/90 — que, já lá vão 25 anos, e, se não conseguiram pô-lo em vigor, legalmente, em Estado nenhum, é porque, obviamente, não presta —, essa problemática, reiteramos, implica duas fases: uma, antes do 2.º Protocolo Modificativo, outra, após este acordo.

 

Ora bem, o problema relativo à primeira fase é este: terá o AO/90,  antes do acordo do 2.º Protocolo (2004), entrado em vigor para algum dos sete Estados signatários?

 

A resposta é não; e, não só não entrou em vigor, como não estará em condições de entrar em vigor.

 

Porquê?

 

Porque, para entrar em vigor, o AO/90 exige a aprovação final unânime dos sete Estados signatários, tal como o previsto Vocabulário Ortográfico, e não a teve, porque Angola e Moçambique se recusam a ratificá-lo, constando que não o farão.

 

O problema da segunda fase consiste em saber se o acordo do 2º Protocolo Modificativo fez ou não com que o AO/90 tenha entrado em vigor para algum dos sete Estados signatários.

 

A resposta, a meu ver, é que não fez, nem poderá fazer.

 

Porquê?

 

Por várias ordens de razões:

a. porque o acordo do 2º Protocolo Modificativo modificou essencialmente, o teor e a filosofia do AO/90 original, ao dispor que este pudesse entrar em vigor após a ratificação apenas de três dos sete Estados signatários, em vez da unanimidade;

 

b. mas, para poder efectivamente modificar substancialmente o teor e a filosofia do AO/90, teria, a meu ver, de haver um acordo unânime dos Estados signatários para tal ser legal, o que não acontece, pois Angola e Moçambique, que já não ratificaram o AO/90 original, isto é, antes da modificação imposta pelo 2º Protocolo, também se recusam a ratificar o acordo deste 2º Protocolo, pelo que, assim, juridicamente, o teor e a filosofia do AO/90 continuam por modificar, e, por conseguinte, sem que ele possa entrar em vigor;

c. o acordo do 2º Protocolo não diz quantos Estados têm de o ratificar para poder entrar em vigor, mas, racionalmente, como já referimos na alínea anterior, só se entende que o seja por todos os Estados seus signatários, sem excepção;

 

d. porém, mesmo que o acordo do 2º Protocolo pudesse entrar em vigor apenas com as ratificações de três dos seus Estados signatários, isto, a meu ver, apenas implicaria a mudança substancial do teor e filosofia do AO/90, não implicando, contudo, ipso facto, a sua entrada em vigor;

 

e. com efeito, para essa entrada em vigor poder efectuar-se, legal e constitucionalmente, teria de ser de novo ratificado, como modificado, pelos três Estados ratificantes, e não o foi, nem, a meu ver, vai ser viável fazê-lo;

f. Isto quer dizer que as ratificações feitas em 1991 e 1995, ou noutra data de há anos, insuficientes para então pôr em vigor o AO/90, não poderão, lógica e juridicamente, ser consideradas como ratificantes deste novo acordo (que é o AO/90 modificado), mesmo que o acordo do 2º Protocolo estivesse em vigor, o que, a meu ver, não acontece, como referimos nas alíneas a) b) e c) supra.

 

Portanto, sendo isto assim, o AO/90 não está nem pode estar em condições de vigorar em nenhum dos seus Estados signatários, não tendo surtido efeitos o sucessivo recurso a várias manobras de lesa-língua portuguesa e de lesa-unamidade ratificativa, bases da filosofia uniformizadora do AO/90 original.

 

Os que negociaram o AO/90 e os que pretendem pô-lo em vigor, custe o que custar, partem do principio, completamente errado, de que antes deste acordo não havia nada — seria o caos ortográfico —. É incrível, mas é assim, tal como na política e na cultura, antes do 25 de Abril. Esqueceram-se, ou ignoram, que a ortográfica fixada em 1945, em vigor em Portugal e seu Ultramar desde 1 de Janeiro de 1946, teria de ser juridicamente revogada, para se poder aplicar qualquer outra.

 

Portanto, reiteramos, como a ortografia de 1945 não está revogada, e só o pode ser por lei ou decreto-lei, terá de sê-lo para deixar de vigorar, e, como o AO/90 não está, nem, a meu ver, pode estar em vigor, legalmente, em nenhum dos seus Estados signatários, é a ortografia de 1945 a única a vigorar, actualmente, em Portugal.

 

Embaixador (o tema deste artigo será objecto de um livro a editar brevemente)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-acordo-ortografico-de-1990-nao-esta-em-vigor-1722769?page=-1

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

SENHORES GOVERNANTES: E SE EM VEZ DE ACABAREM COM OS EXAMES ACABASSEM COM O AO/1990?

 

Não seria mais inteligente da vossa parte?

 (ATENÇÃO! Os exames a que me refiro são os exames dos alunos...)

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Não traria mais benefícios aos nossos alunos?

 

O que pretendem para as crianças portuguesas?

 

Transformá-las em analfabetinhas?

 

O que está a passar-se em Portugal é, de acordo com as palavras de um mestre (com as quais concordo plenamente), o resultado de anos e anos de destruição do ensino no nosso País. A partir do momento em que os sucessivos governos (de esquerda e de direita) transformaram a educação num negócio, a tendência é surgirem cada vez mais indivíduos analfabetos. Quando se substitui a exigência pelo facilitismo dá nisto. Hoje os alunos entram nas universidades sem saber escrever, e saem de lá da mesma forma. Como se sabe, as Universidades Privadas são instituições que vendem diplomas. Um aluno que é fraco e não tem média entra na privada.

 

São décadas de desinvestimento na Língua Portuguesa, no Ensino em geral e nas escolas. E agora esta imposição ILEGAL de um Acordo ortográfico que ninguém quer a não ser os interesseiros editores...

 

E, como recorda e muito bem uma outra docente, como se já não bastasse o analfabetismo que grassa nas escolas e até nas Universidades, vão, e pelo que dizem, a pedido dos professores, acabar com os exames do 2º e 3º ciclo. No meu tempo tínhamos muito mais matérias e fazíamos exames na 4ª classe, no 2º ano do ciclo e não ficámos traumatizados por isso. Como se vê a culpa não é só dos maus ministros, há culpa de muita gente, e as novas gerações é que pagam.

 

Senhores governantes, mude-se o Governo, mas mude-se também a POLÍTICA DO ENSINO e da CULTURA, para que Portugal possa evoluir como um País  com gente culta dentro...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:18

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015

ANTES DA INVENÇÃO DO AO/90 JÁ SE ESCREVIA TÃO MAL…

 

… mas agora, que ele anda por aí à solta, em liberdade incondicional, os assassinatos da Língua Portuguesa estão a acontecer em catadupa… e os responsáveis pelo Ensino, pela Cultura e pela Educação onde estão?...

 

Vejamos alguns dos milhares de descalabros que se publicam por aí… em órgãos oficiais e… outros menos oficiais… com o aval de um (des)governo…

 

PENSAR.png

 

AO6.png

Estes latentes estarão escondidos debaixo da cama das progenitoras?

 

***

AO1.png

 

Pois, o estudo do impate ambiental… é de tal modo impaCtante que nos dá um calafrio… E no final ficamos sem saber se o fato de quem escreveu isto estava mal costurado…

***

AO2.png

 

E esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico… Então não foi? Não se vê logo o nível inteletual deste ou desta acordista?

***

AO3.png

 

Isto de operações téCnicas na Cidade Invita, que fica ali para os lados da Bacoquice, onde os alunos puderam contatar em dirÊto os tais recursos, parece-me a linguagem de um tatibitate que ainda não aprendeu nem a falar nem a escrever…

 

***

AO4.png

 

 

E as convições, seja lá o que isto for, onde ficam?

Isto é ou não é um autêntico caos linguístico?

 

E nós vamos deixar que as nossas crianças, que agora começam a aprender a ler e a escrever, entrem neste labirinto asneirento e façam figura de ignorantes daqui a uns tempos, como estes que adotaram o AO/90 e nem sequer sabem o que isso é?

***

 

AO5.png

 

Não sei qual será a data desta declaração. Mas seja qual for, ainda vamos a tempo de SALVAR A LÍNGUA.

 

Precisamos é de AGIR. Urgentemente.

Deixemos apenas que o novo governo tome posse e assente arraiais em S. Bento.

 

Origem das imagens desta publicação:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/707701859331485/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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