Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

PORTUGAL E O DESENGONÇADO AO90

 

Quando aprendi as minhas primeiras letras, num colégio brasileiro, com a minha professora Marilena, estava longe de imaginar que um dia teria de reaprender a Língua que, afinal, não era a minha Língua Materna - a Portuguesa.

 

Também jamais imaginei ter de lutar por ela.

 

LÍNGUA.png

 

Nesta minha vida, já travei publicamente várias lutas: por direitos humanos, por direitos das crianças, por direitos das mulheres, por direitos de animais não humanos, contra a pobreza, a favor dos mais desfavorecidos, dos excluídos, enfim, batalhas que pontualmente fui travando, conseguindo ajudar os envolvidos.

 

Jamais me passou pela cabeça ter de lutar pela minha Língua Portuguesa, porque jamais pensei que pudesse haver portugueses suficientemente cobardes para a venderem ao estrangeiro, tão despudoradamente, tão vilmente, tão vergonhosamente.

 

Consta por aí que os ministérios da Cultura (?) e dos Negócios (dos) Estrangeiros de Portugal vão articular uma política estratégica de promoção internacional da Cultura Portuguesa (?).

 

Para 2017, estão previstas 1300 acções, que incidirão em 75 países.

 

Algumas delas já foram iniciadas no passado dia 5 de Maio, dia em que a CPLP, o instituto Camões e o governo socialista de Portugal decidiram celebrar uma língua a que chamam português, mas já não é a Língua Portuguesa, pois uma coisa é um linguajar para comunicação fácil entre povos, outra coisa é uma Língua bem estruturada e assente nas Ciências da Linguagem.

 

Uma estratégia de divulgação cultural no estrangeiro?

 

Qual o objectivo desta estratégia conjunta dos Ministérios dos Negócios e os da Cultura (?) (do Brasil e de Portugal)?

 

Que Cultura?

 

Que “língua” será divulgada nesta estratégia?

 

Que ortografia utilizarão? A culta ou a inculta, proposta pelo AO90?

 

Anda por aí o “corneteiro de Sócrates” (deparei-me com esta expressão que assenta como uma luva ao ministro socialista) a atroar mentiras acerca das “vantagens” de um acordo que não serve os interesses de Portugal, mas tão só os interesses obscuros de uns poucos, e sem a mínima noção do que diz.

 

É uma vergonha para Portugal a atitude indigna do actual governo português que, sem pejo algum, anda a espalhar pelo mundo uma ignorância militante e activa inédita.

 

E o pior de tudo é que nem sequer estão a dar-se conta disso, apesar de todos os avisos, de todas as críticas, de todas as advertências dos mais abalizados guardiães da Língua Portuguesa e das elites cultas portuguesa, brasileira e africana de expressão portuguesa.

 

E esta infantil casmurrice insulta a dignidade dos Portugueses, arrasta pelo chão a nossa bela e indo-europeia Língua e enxovalha a Identidade Portuguesa.

 

Dizei-me: Portugal merece isto?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:20

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Quarta-feira, 10 de Maio de 2017

SANTOS SILVA DIZ QUE SE CELEBROU O DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA, MAS NÃO É VERDADE

 

 

Foi no passado dia 5 de Maio. Já não no dia 10 de Junho, porque as coisas mudaram, e a Língua já não é a de Camões.

 

Numa linguagem mutilada, sul-americanada, o ministro dos Negócios (dos) Estrangeiros, Augusto Santos Silva, escreveu um artigo de opinião no DN, sob o título “No dia da língua portuguesa”, algo que envergonha o Estado Português, os Portugueses e todos aqueles que amam a verdadeira Língua Portuguesa.

 

E o Instituto Camões insulta o poeta que lhe deu o nome.

E a CPLP faz-de-conta que é uma comunidade lusófona.

 

E todos juntos são a vergonha de Portugal, e querem fazer-nos de parvos.

5 de maio.png

 

Propus-me reescrever o vergonhoso texto escrito pelo nosso ministro, que anda por aí, subservientemente, a vender a Língua Abrasileirada como sendo Portuguesa.

 

Eis o que o ministro, dada a circunstância caótica em que se encontra a Língua Oficial de Portugal, a Portuguesa, consignada na Constituição da República Portuguesa, devia ter escrito, se fosse realmente Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e pugnasse pelos interesses do país que diz representar, mas não representa. Com o que escreveu, enganou o mundo.

 

Aqui deixo o link do vergonhoso texto original (mal) escrito pelo nosso ministro socialista:

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/no-dia-da-lingua-portuguesa-7207190.html

 

Eis a versão que o ministro português deveria ter escrito:

 

Hoje (dia cinco de Maio – e não maio) decorrem iniciativas sobre a língua abrasileirada ou brasileirês, imposta em Portugal pelo governo PS, organizadas ou apoiadas pelo Instituto Camões (que deve mudar o nome para Instituto Manoel de Barros, que Drumond considera o maior Poeta brasileiro) em várias dezenas de países. Por exemplo: em Roma, Rabat e Colónia têm lugar jornadas de estudo em Brasileirês; em Xangai, começa o Mês de Documentários também em Brasileirês; em Havana, inaugura-se o I Festival de Cinema no idioma que no Brasil substituiu a Língua Portuguesa; na Feira do Livro de Bogotá, hoje (dia 5 de Maio) será a Tarde Abrasileirada; e em Tbilisi (Geórgia) e Montevideu terminam programas multidisciplinares em torno dessa língua fabricada no Brasil. Se contarmos também as iniciativas que têm lugar em dias próximos, elas somam, este ano, 210 acções (e não ações (leia-se âções) como escreveu Santos Silva), em 49 países diferentes, de todos os continentes.

 

Isto sucede porque, desde 2009, o 5 de Maio foi escolhido como Dia da Língua Abrasileirada ou Brasileirês e da InCultura na CPLP, porque as coisas mudaram e a língua já não é a de Camões, e a Cultura também não, tendo sido bastamente desvirtuada. Queremos descelebrar, com ele, quatro atributos essenciais a uma língua, que já não é a Portuguesa e deixou de ser língua, para ser um patoá.

 

O primeiro, é que é um dos factores (e não fatores (leia-se fâtores) como escreveu Santos Silva) principais de desagregação da identidade nacional de cada um dos países em que a língua abrasileirada é língua materna (isto é, apenas no Brasil e para o subserviente governo português e seus lacaios) e língua estrangeira em Cabo Verde; sendo a verdadeira Língua Portuguesa, língua segunda ou terceira em São Tomé e Príncipe, e língua oficial ou uma das línguas oficiais nos restantes países lusófonos, nomeadamente Angola e Moçambique.

 

O segundo, é que é o traço mais sólido que desune as nações lusófonas e a comunidade de países que decidiram (e mal) constituir a CPLP), que já não é CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa - porque apenas os países africanos de expressão portuguesa a adoptam, à excepção de Cabo Verde.

 

O terceiro é que já não é uma das grandes línguas globais do nosso tempo, policêntrica e pluricontinental, (o Vaticano, por exemplo, já a excluiu); já não é a terceira língua indo-europeia mais falada em todo o mundo, porque simplesmente deixou de ser indo-europeia, para ser sul-americana, a tal “língua” mais falada no hemisfério sul, que se confina ao Brasil e aos brasileiros, e a uns tantos estrangeiros a quem impingem gato por lebre.

 

E o quarto, é que deixou de ser o elemento fundacional das nossas culturas, da criação artística e do conhecimento, porque apenas três países, que eram lusófonos, deixaram de ser lusófonos, para serem brasilófonos.

 

A promoção da Língua Abrasileirada ou Brasileirês não é uma responsabilidade de todos os 260 milhões de falantes e escreventes; é responsabilidade apenas dos políticos envolvidos no plano das políticas públicas, um dever que já não é de todos os países que fazem hoje ainda parte da CPLP (e são oito, porque o infiltrado nono (Guiné Equatorial) nem sequer sabe o que é Português), até porque Angola e Moçambique, entre outros países lusófonos, não aderiram a esta linguagem oriunda do Brasil, assim como daqueles que se quiseram tornar seus observadores associados (e são dez?).

 

Com efeito, muitas das iniciativas que o Camões (não o Poeta, mas o instituto que desonra o nome do Poeta) apoia, resultam da colaboração com organismos e representações de outros Estados membros da CPLP, que se estão nas tintas para a Língua Portuguesa; em várias capitais estão hoje (dia 5 de Maio) unidas, neste esforço de desagregação do Português, todas as embaixadas dos Estados da nossa (que já deixou de ser nossa) Comunidade, ao redor do acordês e não do Português. Ao investir tão claramente neste dia que é o dia da língua abrasileirada ou brasileirês, o Camões, que já não deve ser Camões, nada mais faz do que assumir as irresponsabilidades próprias de Portugal, um país cujos governantes venderam a sua própria Língua ao estrangeiro, e juntar o seu mau contributo aos outros maus contributos.

 

Hoje é, pois, uma boa oportunidade para não enaltecer a natureza que já foi viva e dinâmica de uma língua que já foi Portuguesa, e agora é sul-americana, que é uma das que mais vai afundar, em número de escreventes, ao longo deste século, porque nem sequer é uma Língua; e salientar o facto essencial de que ela, ao afastar-se da diversidade das suas variantes e da riqueza das interacções (e não interações (leia-se int’rÂções, como escreveu Santos Silva) com outras línguas cultas e europeias e dos vários contextos sociais, que estão a abandonar esta linguagem que deixou de ser europeia, e já não é património de todos, porque existem milhares que não a usam e até a desvalorizam, sem nenhuma espécie de distinções e hierarquias. Mas hoje (dia 5 de Maio) é também a ocasião adequada para insistir na dimensão catastrófica atingida, internacionalmente, pela língua abrasileirada ou brasileirês, que é apenas comum entre os que não dominam, de todo, as Línguas Cultas europeias, desconhecendo, por completo, a estrutura de uma Língua.

 

Consideremos apenas os dados obtidos pelo instituto Camões, que insulta o Poeta, relativamente ao seu ensino. Fora de Portugal e dos restantes países lusófonos, a língua abrasileirada ou brasileirês é estudada não como língua materna e de herança em escolas básicas e secundárias de 17 países, mas como uma língua de remedeio para os que têm dificuldade em aprender Línguas culpas e bem estruturadas, mercê da rede integrada e apoiada pelo instituto que desonrou o nome de Camões.

 

São mais de 66 mil alunos, (uma gota de água no oceano) ensinados por mais de 900 professores, que nada sabem sobre as Ciências da Linguagem. Fora desta rede, a língua abrasileirada ou brasileirês é ensinada como “língua” estrangeira em 15 países, de Espanha à Bulgária, na Europa, da Namíbia ao Senegal, em África, da Argentina ao Uruguai, na América, impondo-se obviamente como uma língua sul-americana e não indo-europeia; e este “ensino” envolve mais de 88 mil estudantes e mais de mil professores (uma gota no oceano) que desconhecem por completo o que é o estudo de uma verdadeira Língua.

 

No ensino superior, o ensino e a investigação em língua abrasileirada ou brasileirês não beneficiam do trabalho de 43 cátedras do Camões (que já não é o nosso Poeta, mas alguém desconhecido), em 17 países, de 73 centros de língua abrasileirada ou brasileirês, de leitorados em 72 instituições e de protocolos de cooperação com 260 escolas superiores, escolas de “línguas” ou organizações internacionais, que fazem parte da incultura portuguesa que se implantou no mundo. A nossa estimativa é que mais de 91 mil estudantes (uma gota no oceano) aprendem a língua abrasileirada ou brasileirês e frequentam estudos brasileiros e mpéssimas condições (porque arredadas das Ciências da Linguagem), em mais de 70 países. A este número haveria de acrescentar-se o daqueles que frequentam universidades e outros estabelecimentos superiores que, por sua iniciativa e sem colaboração estruturada com o ministério dos negócios (dos) estrangeiros, oferecem disciplinas, graduações e pós-graduações neste domínio - dos Estados Unidos à China, num descalabro total de desaprendizagem da Língua que deixou de ser Portuguesa.

 

Também sabemos da procura crescente de cursos de ensino à distância, para desaprender a língua. A aplicação lançada no mês passado pelo Camões para cursos de auto-aprendizagem (e não autoaprendizagem como escreveu Santos Silva) e tutoria, nos diferentes níveis de incompetência, já conta com dezenas de inscrições, para analfabetos escolarizados.

 

Este aumento da desimportância global da língua, que já não é a Portuguesa, e do desinteresse na sua aprendizagem não deve servir para nos vangloriarmos, ou acharmos que está tudo feito, ou sequer o mais importante. Pelo contrário: significa que a nossa irresponsabilidade é grande, como grande é o desafio que temos pela frente para desfazer o monumental erro que cegamente o governo português e seus lacaios cometeram.

 

É para ter plena consciência desta irresponsabilidade que existe e deve ser lembrado (não celebrado) o dia da língua abrasileirada, a 5 de Maio.

 

A 10 de Junho celebraremos a Língua Portuguesa. A Língua de Camões, de Eça, de Camilo, de Pessoa e de todos os que souberam honrar a nossa herança linguística indo-europeia.

 

Pois era isto que o ministro dos negócios (dos) estrangeiros devia ter escrito, se quisesse informar o mundo.

 

***

Senhor ministro, tenha vergonha.

 

Pugne pelos valores portugueses. Pela Língua Portuguesa (não pela língua abrasileirada). Pela Identidade Portuguesa. Pela Constituição Portuguesa. Por Portugal que, não sei se sabe, é um país EUROPEU. Não é um país sul-americano.

 

E um ministro dos Negócios Estrangeiros que se preze, deve ser um ministro dos Negócios Estrangeiros e não dos negócios DOS estrangeiros.

 

A nós não nos interessa nada as negociatas obscuras que os políticos e editores vendilhões de Portugal fizeram com os políticos e editores interesseiros do Brasil.

 

Além disso, a CPLP é uma FRAUDE.

 

O Instituto Camões desonra o nome do Poeta que lhe deu o nome e, por isso, deve mudar de nome.

 

Tudo é uma fraude ao redor da Língua Portuguesa.

 

No dito dia 5 de Maio não se celebrou a Língua Portuguesa, mas um dialecto fabricado no Brasil, que teve origem na Língua Portuguesa, mas que se americanizou, afrancesou, italianizou, espanholizou, é essa miscelânea que querem, porque querem, impingir ao resto dos países lusófonos, que se recusam a aceitar tal linguagem.

 

Uma Língua Culta é estruturada em bases científicas. Não ao sabor de modas e preconceitos.

 

Tenham vergonha!!!!!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:30

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Domingo, 7 de Maio de 2017

O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 APRISIONANDO IDENTIDADES FAZ-NOS REGREDIR NO TEMPO …

 

Um texto que vem de Angola, escrito em bom Português, em Português Culto, e cuja leitura recomendo ao actual governo português que, ao recusar-se a ver o óbvio, mostra-nos uma estranha cegueira mental que envergonha Portugal e amarfanha a Identidade Portuguesa.

 

É que Portugal é um país europeu, e não um país sul-americano, mas os nossos governantes não sabem disto, nomeadamente, o ministro dos Negócios DOS Estrangeiros.

 

1044459[1].jpg

Origem da imagem: Internet

 

«Um ataque pessoal a Camões

 

Um texto de Indira dos Santos |

1 de Maio, 2017

 

Não entendo esta ideia da obrigatoriedade linguística. Faz-nos regredir ao tempo, que não vivi, da política colonial do assimilacionismo em África e que de certa medida anulou o pluralismo das línguas nativas e dos discursos periféricos emergentes.

 

A língua não devia aprisionar identidades. Eu não sou a língua que falo, mas falo a língua que escrevo. O desacordo ideológico é bem-vindo ou pelo menos devia sê-lo quando o assunto é a cultura das línguas.

 

Devíamos debater, o debate é filosoficamente “obrigatório”, sensato, diverso, correto ou correcto o português vernáculo foi apartado pela própria língua portuguesa- acordo ortográfico, facto consumado em Portugal… fica a dúvida. Talvez devêssemos actualizar a oralidade no alfabeto angolês alfabeto de uma força discursiva que se Camões estivesse vivo reformularia Os Lusíadas, ou acrescentaria o xé, o cá, o ocó, acá… líricas, de “Os Lusíadas de Angola”.

 

Foi a língua portuguesa que fez Camões poeta ou as viagens pelo mundo? Quem nos faz poetas, escritores, romancistas, mulheres e homens de letras? Os livros. As pessoas. A cultura dos lugares. As palavras do alfabeto, alfabeto de origem grega, (alphábetos mestiçado ou estrangeirado com o latim). Um dicionário. É necessário um dicionário.

 

O dicionário! O primeiro dicionário da “angolanidade” e as suas ramificações, é possível num só livro colocar os universos simbólicos e linguísticos de um país que se vê confrontado, excluído e absorvido pelos vários mundos culturais. Vamos abrir esta porta, este território que anda sobrevivido pelos códigos de rua, como no antigamente fora sonhado pelos intelectuais do musseque mas que precisa ser matéria nas escolas.

 

Com certeza que nascerão heterónimos e os jovens do meu bairro que jogam damas com tampas de cerveja serão os próximos poetas e dramaturgos. O modelo ortográfico para o ensino em Angola tem um peso de consciência intelectual enorme. Etnocentrismos postos de parte este modelo deve condensar todos os caminhos. Tem que ser o caminho.

 

O caminho da unidade angolar, da fonética, da oralidade, da escrita criativa, do multiculturalismo angolês. Um dicionário da metamorfose linguística: Ganguela, Kikongo, Chócue, Latim, Kimbundo, Inglês, Umbundo, Holandês, Português, brasileirês… tanto.

 

Imaginem como o mundo seria enfadonho se vivêssemos todos em acordo. Há dois dias desapareceu-me o Desacordo Ortográfico, o livro. O título é sugestivo e confesso que foi um dos pressupostos para a compra. É deste livro que provêm as ideias para o alfabeto angolês e a dialectologia nacional.

 

O livro é uma (re)união de escritores de língua oficial portuguesa em desacordo com a noção conservadorista de um vocabulário único, mas mais que isso, é uma celebração viva da liberdade literária. Uma produção artística em diferença que rompe com a rigidez normativa do “lusismo” e apresenta soluções (ou contra-percepções) verbais a nível sintáctico e morfológico.

 

Luandino Vieira, Pepetela, Ondjaki fazem parte dos geniais que tiveram a audácia de escrever em “mau” português o Desacordo Ortográfico. O diálogo fora criado a partir da similaridade e da diversidade que nos remonta para um convívio linguístico onde a língua portuguesa é apenas um dos códigos das nacionalidades /internacionalidades dos escritores. Fica a saudade do livro e a vontade de comprar outro Desacordo Ortográfico. E no futuro quem sabe o “Lusíadas de Angola”.

 

Fonte:

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/um_ataque_pessoal_a_camoes

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:15

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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

O GOVERNO PORTUGUÊS NÃO É O DONO DA LÍNGUA PORTUGUESA…

 

… nunca foi, nem jamais será.

 

ABERRAÇÃO.png

 

O governo português é tão-só (ou deveria ser) o Guardião da Língua e, como tal, tem o dever de a defender dos seus predadores.

 

Mas apoderou-se dela como se fosse sua propriedade. E pior do que isso, para a destruir, para a desbaratar, como tem desbaratado os nossos impostos.

 

Acontece que a Língua Portuguesa é património da Nação Portuguesa e dos Portugueses. Um património inalienável. Inegociável.

 

A Língua Portuguesa é o coração saudável e palpitante que dá vida e identidade a Portugal. É a alma portuguesa.

 

E o governo português, sem ter a mínima noção do que faz, está a extirpar esse coração, para o substituir por um coração artificial, já enferrujado e velho, e a vender a alma ao diabo.

 

E ninguém, na posse das suas faculdades mentais, vende o próprio coração, saudável e palpitante, para o substituir por um artificial, velho e enferrujado, ou vende a própria alma ao diabo.

 

E nós, como Portugueses, temos o direito de exigir ao governo português que devolva a Portugal o seu imo. O nosso imo. Nem que para isso tenhamos de fazer uma revolução.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:41

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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

NÃO HÁ NADA A REVER NO AO90

 

AO90.png

 

O AO90 É UMA MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA, E A ÚNICA SAÍDA AIROSA PARA ESTA QUE É A MAIOR FRAUDE POLÍTICA DE TODOS OS TEMPOS É A SUA ANULAÇÃO, PURA E SIMPLES.

Apenas a anulação do AO90 serve os interesses de Portugal.


Os interesses do Brasil não nos interessam.

 

A Academia das Ciências de Lisboa prepara-se para rever o acordo ortográfico. O Professor Artur Anselmo foi entrevistado, nesse sentido. Há que colocar a Ciência acima da Política.

 

Mas mais do que isto, há que seguir o bom senso e ser-se racional, e colocar os interesses de Portugal, acima de toda e qualquer negociata política e financeira.

 

Apenas a eliminação deste desacordo interessa a Portugal.

 

 

Um dos maiores símbolos da identidade portuguesa está em vias de extinção.

 

Há que tomar medidas drásticas, e deixarmo-nos de mariquices.

 

Basta de tanto servilismo, por parte dos que mandam e dos que cegamente obedecem.

 

O O90 não interessa nem ao mais ignorante dos ignorantes.

 

Portanto, vamos todos, mas TODOS (só nas páginas anti-AO90 do Facebook são aos milhares) EXIGIR aos governantes que ANULEM esta tentativa de VENDA da Língua Portuguesa a um país que nunca soube respeitá-la.

 

O Brasil nunca cumpriu os acordos ortográficos que assinou com Portugal. Já retirou o Português do currículo escolar, e está a destruir o que resta da língua, de um modo manifestamente assustador.

 

Por alma de quem Portugal tem de cumprir este aborto ortográfico que assinou com o Brasil?

 

Aqui deixo os contactos, para que TODOS enviem mensagens a exigir a ANULAÇÃO desta pouca vergonha política:

 

O AO90 é a maior fraude política de todos os tempos. Exigimos a sua anulação imediata.

 

gp_psd@psd.parlamento.pt

 gp_ps@ps.parlamento.pt

gp_pp@pp.parlamento.pt

 bloco.esquerda@be.parlamento.pt

 gp_pcp@pcp.parlamento.pt

pev.correio@pev.parlamento.pt

comunicacao@pan.com.pt

CC:   belem@presidencia.pt, geral@acad-ciencias.pt, illlp@acad-ciencias.pt

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:41

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

O QUE OS GOVERNANTES E "GOVERNANTAS" DE PORTUGAL ESTÃO A FAZER À NOSSA LÍNGUA

 

A crónica da portuguesa e do português…

 

LÍNGUA.png

 

Eu já me vi a fazer muitas coisas na vida, mas nunca imaginei vir a escrever o que me propus escrever hoje porque, para mim, era um dado adquirido que a minha Língua Materna, o meu instrumento de trabalho, fazia parte do Património Cultural Português e era o símbolo maior da Identidade do meu País, e como tal, estaria protegida na Constituição da República Portuguesa (como na realidade está, mas faz-se-de-conta que não está).

 

Sempre pensei que a Língua Portuguesa estava para Portugal, como a Língua Inglesa está para a Inglaterra, ou o Castelhano para a Espanha (línguas que aprendi tal como aprendi a minha Língua Materna e que tal como a minha Língua Materna fazem parte da minha Cultura).

 

Aprendi a ler e a escrever no Colégio de São Sebastião, no Brasil, (para onde viajei aos dois anos de idade) numa língua que, regressada a Portugal, com oito anos, me disseram que não era a nossa língua e, portanto, teria de reaprender a ler e a escrever.

 

Comecei tudo outra vez, e progredi.

 

De volta ao Brasil, já adolescente, tive de tornar a reaprender a ler e a escrever, porquanto ali não reconheciam a minha Língua como sendo a do Brasil.

 

Fui então obrigada a regredir.

 

Quando regressei a Portugal, para poder terminar o meu Curso de História, na Universidade de Coimbra, tive de não só tornar a reaprender a escrever Português correctamente, como estudar Latim e Grego para fazer as cadeiras de Epigrafia, Paleografia, História da Civilização Grega, História da Cultura Clássica e História da Civilização Romana.

 

Agora sim, tinha ficado com todas as “ferramentas” necessárias ao conhecimento mais aprofundado da minha Língua Materna que, a partir de então, jurei a mim própria, não mais deformaria, em hipótese alguma.

 

Contudo, foi numa escola inglesa que dei os primeiros passos na Escrita. Os meus primeiros contos foram escritos em Inglês, e foi Mr. Brooks que me incentivou a seguir uma carreira literária. E enquanto frequentei aquela escola inglesa segui, de facto, essa “carreira”, escrevendo short stories para o jornal de parede.

 

Mas o mundo dá muitas voltas.

 

Concluído o Bacharelato em História, em Coimbra, fui dar aulas de História e também de Português (era obrigatório) como também foi obrigatório, por iniciativa própria, ter de estudar mais aprofundadamente a Língua, para poder ser competente na profissão que fui forçada, pelas circunstâncias, a abraçar. E foi este o verdadeiro começo da minha paixão pela escrita em Língua Portuguesa, descobrindo os autores clássicos portugueses. Até ali, os autores que havia lido e estudado eram os brasileiros, ingleses, americanos e espanhóis, e franceses (entre outros) em traduções inglesas e castelhanas.

 

A partir de então, e porque não me encaixei num sistema de ensino bastante deficiente e a abeirar o absurdo (anos lectivos de 72/73, 73/74) terminada a Licenciatura (74/75) abandonei o ensino e dediquei-me ao Jornalismo.

 

Em 1979 comecei a minha carreira jornalístico-literária.

 

E eis-me chegada a um ponto que nunca imaginei poder chegar.

 

Eu, que andei em bolandas pelo mundo e tinha nas línguas Inglesa e Castelhana as minhas maiores referências linguísticas, apaixonei-me pela Língua Portuguesa, a língua do meu país, e tudo corria bem até que um dia, pela calada, os governantes portugueses decidiram impingir-nos uma ortografia inculta, e declarar obrigatória a sua aplicação nas escolas e repartições públicas, sem base legislativa alguma, portanto, de um modo ilegal.

 

E porque, em Portugal, a Cultura Crítica anda emigrada, aconteceu que os medrosos, os subservientes, os escravos do poder (a maioria dos órgãos de comunicação social), os menos informados e os que não têm espinha dorsal e um pingo de espírito crítico, vergaram-se perante esta afronta à identidade portuguesa, e andam por aí a pisar a Língua, como se ela fosse um capacho colocado à saída de um chiqueiro.

 

Então lemos por aí textos hilariantes, como este que encontrei no Facebook, publicado pela Ana Sara Cruz:

 

«O que estão a fazer à nossa Língua?

 

Então e esta moda parva, que anda por aí, de se empregarem os dois géneros?

 

Ainda ontem ouvi, na rádio, um jovem "empreendedor" dizer o seguinte: "Eu tenho amigos e amigas, arquitectos e arquitectas, que estão desempregados e desempregadas...".

 

Também há dias, num evento que teve lugar por estes lados, estava um grupo de formandos com a formadora. De repente, a senhora pega num megafone e grita: "Atenção, vamos lá ter calma, fiquem sentados e sentadas...".

 

Perante tamanha parvoíce...desculpem lá... mas tenho que me rir...!

 

Com tanta cretinice, idiotice e parvoíce instalada em Portugal, estamos tramados e tramadas

 

***

É que estamos mesmo muito tramados e tramadas.

 

Principalmente os meninos e meninas que frequentam escolas onde professores e professoras, servis aos governantes e governantas, ministros e ministras, deputados e deputadas, directores e directoras, presidentes e presidentas, andam por aí a espalhar incultura e a criar bronquinhos e bronquinhas, que mais dia, menos dia, poderão vir a ser os governantes e governantas deste nosso pobre país descaracterizado, que já não tem uma língua que o identifique como tal, e andam todos e todas muito lampeiros e lampeiras a derramar sorrisos e sorrisas (já agora!) como se fossem muito cultos e cultas.

 

Isto é mesmo para ficarmos indignados e indignadas, ao ponto de precisarmos de procurar um modo e uma moda que possa devolver à Língua Portuguesa a dignidade perdida.

 

O que dizem, portugueses e portuguesas (parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, que já entrou nesta onda dos pacóvios e pacóvias)?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:41

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

NÃO HÁ QUE REVER O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990, HÁ QUE ATIRÁ-LO AO LIXO, PORQUE NÃO PASSA DISSO MESMO

 

João José Santos, um desacordista convicto, fez este comentário à notícia de que Marcelo Rebelo de Sousa estaria disposto a rever o AO/90: «Não há que rever o Acordo Ortográfico de 1990. Há que restabelecer a língua tal como ela se encontrava antes do acordo. É que Portugal não tem de fazer acordos linguísticos com nenhum país. Cada país é autónomo e responsável pela língua que usa. Temos uma língua milenar, que é nossa. Somos responsáveis por ela e devemos mantê-la com as suas características. Os outros povos tratem do seu português que, se se desviar muito do português de Portugal, deverá ser chamado de Brasileiro (…) ou de qualquer outra coisa»…

 

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O facto é que, actualmente, se a Língua Portuguesa ainda é Língua Portuguesa, deve-se ao bom senso de Angolanos, Moçambicanos, Guineenses São-tomenses, Cabo-verdianos e Timorenses que se recusaram a embarcar na canoa furada proposta pelo Brasil a Portugal, na qual Portugal aceitou entrar, cegamente, sem ter a mínima noção do que estava a fazer (vá-se lá saber porquê?) saltando para a escuridão, em prejuízo da Identidade Portuguesa.

 

Agora querem que os restantes países lusófonos entrem nessa canoa, para se afundarem também, num descabido querer ser mais papista do que o papa?

 

E o pior é que, por mais que as pessoas esclarecidas, Portugueses e Brasileiros cultos, juristas, embaixadores, escritores e jornalistas (que não se venderam ao lobby editorial e ao governo traidor da Pátria), linguistas e filólogos honestos (porque os há batoteiros) tentem mostrar aos governos português e brasileiro, com argumentos de peso, a inutilidade, a fragilidade, a ilegalidade, a inconstitucionalidade, a idiotice deste AO/90, os governantes continuam a fazer-se de cegos, surdos e mudos ao apelo da razão, e nós gostaríamos de saber porquê…

 

Por alma de quem querem vender a Língua Portuguesa ao Brasil?

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:47

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/

.CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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