Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

A NOTA EXPLICATIVA (DO AO90) MAIS IDIOTA QUE O MUNDO JÁ VIU

 

 

Está grafada, no Diário da República, para memória futura, porque isto contado, ninguém acredita.

Perante esta inacreditável nota explicativa, não me peçam para ser politicamente correcta, porque é impossível!

Veja-se como as inteligências acordistas justificaram a supressão dos cês e do pês, nos nossos vocábulos, onde essas consoantes não se lêem, como se fôssemos todos muito parvos.

 

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A isto chama-se inferioridade mental.

 

Que é indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorrem (presente do indicativo, não ocorriam, passado), na verdade, é indiscutível.

 

E foi esse facilitismo, e apenas esse facilitismo, que moveu os engendradores do AO90 a suprimirem as consoantes mudas? Não teve nada a ver com as Ciências da Linguagem?

 

Saberão essas inteligências o que é facilitismo?

 

Facilitismo é a atitude ou prática que consiste em facilitar a execução de algo que habitualmente exige esforço, empenho ou disciplina, ou seja, o facilitismo é contrário à exigência.

 

E sem esforço, empenho, disciplina e exigência haverá competência e excelência?

 

Bem, o facilitismo no Ensino, facilita a proliferação de semianalfabetos, de   ignorantes e de desqualificados. Isto é um facto indesmentível.

 

E que as inteligências acordistas e os seus (poucos) seguidores, sejam tudo isso, não temos nada contra, a opção é deles. Mas não venham impor esse semianalfabetismo, essa ignorância, essa desqualificação às crianças portuguesas. Elas não merecem, nem são parvas.

 

Isso é inadmissível. Isto é um insulto à aprimorada inteligência das crianças.

Como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concePção, excePção, recePção a consoante não articulada é um , ao passo que em palavras como correCção, direCção, objeCção tal consoante é um ? (reparem na construção da frase, cujo autor merecia o Prémio Nobel da Taramela)

 

Mas como é que uma criança poderá compreender tal coisa? Não é verdade? Como????

 

Bem, eu não vou falar dos milhares de milhões de crianças que antes e depois de mim, estudaram Língua Portuguesa e compreenderam que na palavra excePção, a consoante que não se lê é um , ou que em Homem, a consoante que não se lê é um agá, ou que em direCção, a consoante que não se lê é um .

 

Como foi possível compreenderem isto, não é? Seriam todas muito mais dotadas intelectualmente do que as crianças actuais? As crianças de hoje, são umas idiotazinhas, no parecer das inteligências acordistas.

 

Não vou falar dos milhares de milhões de crianças que antes e depois de mim compreenderam e pensaram a Língua Portuguesa. Vou falar de mim, que aos seis anos, no Brasil, aprendi a grafia brasileira, onde se escrevia direção (dir’ção), correção (corr’ção), objeção (obj’ção), direto (dirêto), teto (têto), e excePção e recePção; e aos oito anos, em Portugal, aprendi e pensei a grafia portuguesa, onde se escreve, até hoje (porque é esta grafia que está em vigor), direCção, correCção, objeCção, direCto, teCto, e (h)omem, (h)umidade, (h)aver, etc., tal como aprendi a Tabuada e a resolver problemas, tipo: a camponesa levou dez ovos para vender no mercado. Vendeu dois. Depois mais três. Com quantos ficou?

 

E como é que eu consegui? Eu, e milhares de milhões de crianças conseguiram, antes e depois de mim? Muito simples: a estudar aplicadamente, sem facilitismos, com esforço, empenho, disciplina e exigência, uma coisa chamada GRAMÁTICA (e mais tarde, o Latim e o Grego); e Matemática, e também História e Geografia e Ciências, desenvolvendo raciocínios, até porque nunca tive boa memória, (tinha de compreender, para aprender) e aperfeiçoando o sentido crítico, questionando tudo o que me ensinavam. Queria saber todos os porquês e os comos, para não levar gato por lebre, o que nem sempre consegui que me fosse explicado.

 

As crianças de todas as gerações anteriores e posteriores à minha seriam muito, mas muito mais inteligentes, do que as actuais, porque compreendiam e escreviam correCtamente tudo o que havia para compreender e escrever?

 

Quanta falácia! Quanta desonestidade! Quanta ignorância!

 

Esta nota explicativa é a coisa mais idiota jamais vista.

 

As inteligências acordistas poderiam ter sido honestas e explicar que as consoantes mudas que pretendem suprimir, nos vocábulos portugueses, são suprimidas porque no BRASIL elas foram eliminadas em 1943, para facilitar a aprendizagem dos milhares de analfabetos que então existiam, e para imitar o Italiano, e este falso AO90, não sendo mais do que a imitação da ortografia brasileira, suprime as consoantes mudas, para facilitar a aprendizagem… dos menos dotados.

 

E assim se destrói uma Língua Culta: para facilitar.

 

Bem, e se uma criança não consegue escrever direCção, aos 6/7 anos, não conseguirá, aos 15/16 anos, resolver esta simples equação de 1º grau: x+8 = 15. Não conseguirá.

 

Portugal anda na boca do mundo como um país onde o Ensino está bitolado por baixo. Claro que há excePções, mentes brilhantes que estão quase todas no estrangeiro. Vão doutorar-se ao estrangeiro. Brilham no estrangeiro. Por que será, não é?

 

Uma avaliação internacional apurou recentemente que os alunos portugueses do 4.º ano, correspondente à antiga 4ª classe, pioraram na leitura. Em cinco anos a média desceu onze pontos, colocando Portugal em 30° lugar entre 50 países. O problema está nos resultados aos testes sobre literacia e a leitura. E aqui as crianças portuguesas entre os 9 e 10 anos descem 11 pontos em relação ao estudo anterior realizado em 2011.

 

Em 2011 as crianças portuguesas foram obrigadas, ilegal e criminosamente, a adoptar a ortografia brasileira, para que a aprendizagem da Língua fosse mais facilitada. E foi tão facilitada, mas tão facilitada que são agora as ignorantezinhas da Europa.

 

Imagine-se as crianças inglesas. Vamos seguir o raciocínio das inteligências acordistas: como é que uma criança inglesa, de 6/7 anos, pode compreender que em palavras como exaggerate, se escreve dois gg, em floor, dois oo, em knack, um k e um c, em lock, um c, em thought, um h, um u, um g e um h, e em truck, um c?

 

Senhores acordistas, além de idiotas, vossas excelências são desonestas! E isso é uma coisa muito feia.

 

E se alguns podem ser parvos, e até são, a esmagadora maioria dos Portugueses, não é.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:38

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Terça-feira, 7 de Novembro de 2017

«DESVENTURAS DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA»

 

Por que será que os governantes portugueses se recusam a ouvir estas vozes? Estas verdades? O que têm a perder? A quem não podem dizer “não”? Que fretes andam a fazer?

 

Um magnífico texto de Maria do Carmo Vieira.

Sem papas na língua…

 

MARIA.jpgMARIA DO CARMO VIEIRA

 

«Será difícil compreender que é impossível uma escola funcionar com reformas contínuas, ordens e contra-ordens, numa manifesta falta de respeito pela comunidade escolar?

 

O presente não se compreende sem o passado, nem o futuro se constrói sem esse diálogo reflexivo, em que a memória é essencial. No entanto, e no que ao Ensino diz respeito, com realce para a disciplina de Português, pensou-se ser possível quebrar essa ligação com uma imposição, a favor da qual se envolveram, entusiasticamente, aventureiros que, com ligeireza e à vontade, se movimentaram, e continuam a movimentar, nos corredores e gabinetes do Ministério da Educação (ME). Sempre houve quem gostasse de se pôr em bicos de pés, na ânsia de ser notado e incluído numa espécie de corte de confiança, ou se vendesse por um prato de lentilhas. [1] Em comum, o oportunismo, a arrogância, o vício de bajular, a pobreza espiritual e cultural. Lamentavelmente, a Educação, ao longo dos anos, tem sido um terreno fértil para estes aventureiros.

 

Foi nas minhas discussões com colegas da então direcção da Associação de Professores de Português (APP), nomeadamente com Paulo Feytor Pinto, seu presidente, que pela primeira vez ouvi defender que a Literatura deveria ser retirada dos programas de Português porque não tinha qualquer utilidade para os alunos, devendo ser substituída por textos “funcionais”, “utilitários” e “informativos” (***). Sublinho o vocábulo porque na altura me surpreendeu o triste raciocínio. A Literatura ficaria reservada só para os alunos de Humanidades. Os restantes dedicar-se-iam exclusivamente à Língua (daí a proposta de mudança de nome da disciplina de Português para Língua Portuguesa) e o seu ensino focar-se-ia numa Gramática renovada pela moderna investigação linguística.

 

O trabalho realizado pela APP, “Relatório sobre O Ensino e a Aprendizagem do Português na Transição do Milénio” (2002), em estreita cumplicidade com o Ministério da Educação que, então, ultimava a reforma curricular de 2003, veio reafirmar o pesadelo, ou seja, a decisão de privilegiar o “português funcional”, o “útil”, bem como a reflexão sobre “o funcionamento da língua”, aparecendo a Literatura, que não se conseguira expurgar completamente dos programas, como era vontade da APP e comparsas, como um mero tipo de texto, entre tantos outros considerados “úteis”. A justificação da mudança apontava, reiteradamente, para a necessidade de responder com eficácia “às múltiplas solicitações de empregadores e da sociedade em geral”. Um discurso que não se distancia do actual, aliás, perceptível na intervenção do Secretário de Estado da Educação (SEE), João Costa, aquando da realização da Conferência Currículo para o Século XXI, em Abril de 2016, na Fundação Gulbenkian.

 

Depois deste primeiro golpe, que menorizou efectivamente a Literatura nos programas, retirando inúmeros autores clássicos porque sem qualquer “utilidade” para os alunos e contrários “aos seus interesses” (ideias que ainda hoje vingam no ME), surgiu a “Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário” (TLEBS), uma inovação indissociável do nome do actual SEE, João Costa, cujo objectivo seria, assim fora dito aos professores, “uniformizar a nomenclatura gramatical”, devastada, aliás, por uma outra aventura linguística, a “Gramática Generativa” (a das “árvores”, como alguns a conhecem). O certo é que não houve uniformização alguma, pois não era esse o objectivo, e professores e alunos viram a Gramática tradicional substituída por uma caótica e estéril descrição do funcionamento da língua, considerada por linguistas de referência como um verdadeiro “disparate”. Os disparates foram tais que o próprio ME, face à intensidade da polémica gerada, reconheceu a necessidade de aqueles serem corrigidos, um trabalho que integrou a esposa de João Costa, que considerara “incontornável” a aplicação da TLEBS, fazendo ambos parte da Associação Portuguesa de Linguística (APL).

 

Eis duas Associações (APP E APL) e dois nomes (Paulo Feytor Pinto e João Costa, cúmplices na origem da desastrosa e precipitada alteração feita ao ensino da disciplina de Português, na Reforma de 2003, cujos efeitos nocivos permanecem, e que funcionaram como interlocutores quase exclusivos do Ministério da Educação. Eis os que consideraram, a uma só voz, útil a TLEBS e o “português funcional”, mas inútil a Literatura, como inútil a contextualização dos autores e das suas obras, através da qual um professor faz intervir outras artes, bem como a História ou a Filosofia. Tudo inutilidades e “perda de tempo”.

 

A propósito da controvérsia “útil” / “inútil” e da advertência para a “utilidade de saberes inúteis”, não posso deixar de transcrever uma reflexão muito criativa de Óscar Wilde (1854-1900) sobre a Arte, que de há muito me acompanha: Pode-se perdoar a um homem o fazer uma coisa útil, enquanto ele a não admira. A única desculpa que merece quem faz uma coisa inútil é admirá-la intensamente. Toda a arte é absolutamente inútil.

 

João Costa talvez não conheça ou não queira compreender o sentido da frase de Óscar Wilde. Bem pode referir a cidadania ou a necessidade de desenvolver o espírito crítico ou defender o estudo do Latim e do Grego ou a importância da Arte, na qual se inclui a Literatura. Falta seriedade e exigência ao seu discurso, e as suas decisões têm-no evidenciado. A relação do SEE com a Literatura é idêntica à da ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e que ficou indiscutivelmente espelhada quando, a propósito do prolongamento do horário dos alunos do 1.º ciclo, na escola, questionava, com o seu habitual sarcasmo, se os professores não seriam capazes de “entreter” os alunos com “um poemazito”? Talvez as palavras de António Damásio, mais explícitas, propiciem a ambos uma benéfica reflexão sobre o assunto: “[…] o teatro, a literatura, a poesia e outras artes criam emoções inesquecíveis e a sua aprendizagem é muito importante na criatividade, no desenvolvimento de capacidades ligadas à inovação. […] As emoções são fundamentais para as decisões racionais, que por sua vez determinam acções.”[2]

 

A estas aventuras desastrosas, no que ao ensino do Português diz respeito, acrescenta-se a do Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90), indissociável do nome de Malaca Casteleiro, e cujas nefastas consequências junto dos alunos são amplamente visíveis, com os professores forçados a cumpri-lo e a fazer papel de ignorantes, caso respondam às dúvidas dos alunos, suscitadas pelas inúmeras incoerências do AO 90, como aconselhou a actual presidente da APP, e parafraseio, é assim porque assim foi decretado. Uma nova forma de reflectir sobre o “funcionamento da língua”!

 

A Língua Portuguesa, património colectivo, foi também atingida pelo conceito de inutilidade, dada a sua “complicada e difícil ortografia” (o que dirão os alemães, os polacos ou os chineses?) à qual os “elitistas” (os não-acordistas) resistem contra a vontade “do povo povo”. De novo, nas palavras de Malaca Casteleira e acólitos, entre os quais se inclui igualmente a APP, o discurso miserabilista, o desejo de manter a ignorância, de impedir o acesso à cultura e à compreensão da história da palavra que a etimologia, a componente cultural da ortografia, revela, criando curiosidade e afeição pela palavra. Os alunos não gostam de acentos, tirem-se os acentos, complica-se a escrita com as consoantes “c” e “p”, que desgastam também a memória das crianças, omitam-se, são algumas das justificações “científicas” dos mentores do AO 90.

 

Esta famigerada aventura não teve, inicialmente, bom acolhimento no próprio ME, uma atitude de rejeição que, no entanto, pouco durou. Com efeito, o ME resignou-se à imposição, obedecendo às ordens do partido e do governo e esquecendo que o seu parecer contrariava com veemência a implementação do AO 90. Acabou por pactuar com abusos e segredos (os pareceres contrários esquecidos em gavetas do Instituto Camões e outros) desligando-se da transformação que se exigia.

 

Não cabe, neste artigo, exemplificar o caos que atinge o ensino da Língua, na Escola, mas ele é indesmentível, porque amplamente documentado, por mais que Malaca Casteleiro, com descaramento, diga o contrário.

 

Os alunos não sabem ler (passam, aliás, obrigatoriamente, para o 2.º ano, não tendo essa capacidade), não sabem gramática, não sabem interpretar, escrevem mal, não dominam um vocabulário mínimo. Será difícil compreender que tudo isto é resultado dos aventureiros que têm passado pelo Ministério da Educação, ao longo dos anos, em estreita cumplicidade com os partidos a que pertencem, incapazes de um pacto que perdure e defenda o ensino de tantas experiências nefastas? Será difícil compreender que é impossível uma escola funcionar com reformas contínuas, ordens e contra-ordens, numa manifesta falta de respeito pela comunidade escolar? Não se compreendeu ainda que é necessário reformular a formação dos professores, encharcados em teorias que massacram qualquer inteligência e consciência? Será difícil compreender que os professores, com tanta intromissão, com tantos descritores de desempenho a ter em conta, com tanta falta de liberdade para preparar as suas aulas, com tantos relatórios a elaborar, com tanta imposição, a mais grave das quais, a do AO 90, que os seus próprios mentores concordam estar cheio de “imprecisões, erros e ambiguidades”,[3] estão a perder a possibilidade de ensinar, precisamente porque estão a perder o sentido de ensinar?

 

Exigir-se-ia uma forte união entre os professores, que os sindicatos pudessem reforçar, mas têm de ser também os professores a conduzir os seus próprios anseios e a não esperar que outros o venham fazer por eles!

 

João Costa, que não encontrou melhor argumento do que atacar de novo os professores, em relação aos resultados obtidos, nas provas de aferição, pelos alunos do 8.º ano, não terá consciência do que fez ao longo destes anos, só ou acompanhado?

 

Ter-se-á já esquecido que reiterou também, em 2008, o parecer da APL de 2005 que contrariava a entrada em vigor do AO 90?

 

Precisa de reflectir, e muito, senhor Secretário de Estado!

 

[1] Génesis, 25 («Esaú e Jacob»)

[2] Conferência Mundial de Educação Artística, realizada a 6 de Março de 2006 e promovida pela UNESCO, no Centro Cultural de Belém.

[3] Evanildo Bechara (Brasil) no 3.º Encontro Açoriano da Lusofonia, realizado entre os dias 8 e 11 de Maio de 2008»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2017/11/03/sociedade/opiniao/desventuras-do-ensino-da-lingua-portuguesa-1791299

 

(***) Curiosamente esta proposta tem a sua génese no Brasil, onde há alguns anos atrás foi proposto exactamente o mesmo, com os mesmos argumentos, e foi um desastre total, porque se passou da ignorância ao nada. Não dá que pensar? (I.A.F.)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

QUE VERGONHA, SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO!

 

«Assim vai escrevendo o primeiro-ministro que já nos disse que não toma a iniciativa de desfazer o Acordo Ortográfico http://bit.ly/2qGHSgD

Em nome de quê, então, se continua a descaracterizar desta forma um património de todos? Por teimosia? Estupidez? Insensibilidade?»

(Tradutores contra o Acordo Ortográfico)

 

Penso que por tudo isto. O senhor primeiro-ministro nem em Português, nem em acordês. Escreve no mixordês em que se transformou a nossa língua. Nem os acordistas conseguem atinar com o “monstrengo” que pariram.

 

Daí que me proponha a lançar mais umas achas para esta fogueira, onde arde a Língua Portuguesa, e que tal como nas outras fogueiras, que fizeram arder Portugal, o senhor primeiro-ministro sacode a água do capote, como se nada tivesse a ver com isso…

 

ANTÓNIO COSTA.png

 

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/1389803597787971/?type=3&theater&ifg=1

 

Sabe o Senhor primeiro-ministro de onde vem parte da ortografia brasileira que os senhores governantes estão a impingir a Portugal e às crianças portuguesas, como sendo ortografia portuguesa?

 

Vem do italiano.

 

No Brasil existe uma vasta colónia italiana, que exerce grande influência na vida brasileira, incluindo nas novelas, e a qual faz questão de falar e escrever "à italiana". Sabemos que os Italianos também mutilaram a língua deles (derivada do Latim, tal como todas as outras línguas românicas), suprimindo consoantes que os outros países mantêm, mas eles não.

 

Veja-se estes exemplos:

 

PT - No Português culto, escreve-se: Neptuno, directo, aspecto, objecto, insecto, óptimo, factura, dialecto, arquitecto, activo, espectador, húmido, eléctrico, reflectir, espectacular, acto, contacto, facto, omnívoro, adopção, tractor … para referir apenas algumas das mais flagrantes…

 

IT- Que em Italiano dá: Nettuno, diretto, aspetto, oggetto, insetto, ottimale, fattura, dialetto, architetto, attivo, spettatore, umido, elettrico, riflettere, spettacolare, atto, contatto, fatto, onnivoro, adozione trattore… 

 

BR – E no Brasil grafa-se assim: Netuno, direto, aspeto, objeto, inseto, ótimo, fatura, dialeto, arquiteto, ativo, espetador, úmido, elétrico, refletir, espetacular, ato, contato, fato, onívoro, adoção, trator – e qualquer semelhança com o italiano não é mera coincidência…

 

É que os Brasileiros, para se distanciarem do Português do ex-colonizador, optaram por italianizar estas (e muitas outras) palavras, como também afrancesaram e americanizaram tantas outras, que agora o governo português quer, porque quer, sem o mínimo fundamento científico-legal, nem qualquer sentido crítico que façam parte da nossa Língua Portuguesa.

 

Por estas e por outras devemos exigir que devolvam a Língua Portuguesa a Portugal.

 

Os que servilmente adoptaram a ortografia preconizada pelo AO90, mais não fazem do que italianizar o Português, imitando os Brasileiros que, por sua vez, imitaram os Italianos, mas também os Franceses e os Norte-americanos, descaracterizando a Língua Portuguesa que adoptaram aquando da Independência, a 7 de Setembro de 1822.

 

Eis, resumidamente, uma das fontes do mixordês utilizado pelo primeiro-ministro de Portugal. E quando um primeiro-ministro desconhece a Língua que impôs ao País, o que fará o povo semianalfabeto que anda por aí a dar pontapés na gramática, a torto e a direito, sem a mínima noção do que está a fazer.

 

Francamente, isto não é ignorância e subserviência a mais?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:01

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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

SENHORES GOVERNANTES, VAMOS FAZER UM "PATO"?

 

Como? Não, não é cozinhar um pato, até porque adoro patos a deslizar nas águas, e não nos pratos.

 

É fazer um pato, um acordo, a condizer com o acordo ortográfico de 1990.

 

É que se há quem apresente fatos em vez de factos (do Latim factum), porque não se há-de fazer um pato em vez de um pacto (do Latim pactum)?

 

É que nunca entendi os critérios que levaram os acordistas a substituírem facto por fato (e não me venham dizer que é apenas no Brasil, porque não é) e acto (do Latim actus) por ato (do verbo atar) mas não fazem patos. Porquê isto…assim…? Apenas porque sim?

 

Se praticamos um ato, por que não fazer um pato?

 

E é esse pato que venho propor.

 

INTERMARCHÉ.jpg

 

Estão a ver esta imagem? Conseguem ver como as Línguas Inglesa, Alemã e Francesa estão bem aplicadas?

 

Mas se repararmos no “Benvindo” que o Intermarché utilizou para alegadamente se expressar em Língua Portuguesa, espalhou-se ao comprido.

 

Isto lido assim à letra, significa que apenas quem se chama BENVINDO (nome próprio de homem) é welcome, willkommen e bienvenue ao hipermercado. Conclusão: como eu não me chamo Benvindo, não fui fazer compras ao Intermarché.

 

Mas não é isso que importa. O que importa é que quem fez o cartaz, sabe como se escreve bem-vindo nas outras línguas, mas não sabe bem-receber, ou seja, escrever bem-vindo em Língua Portuguesa. E os Ingleses, Alemães e Franceses (bem) recebem como deve ser. E nós não. Vejam se os alemães têm peneiras contra consoantes duplas. Mas se willkommen fosse uma palavra portuguesa, já estaria reduzida a wilkomen, para facilitar a vida aos cabeças-duras.

 

E já vi pior: já vi no site de um Hotel, na Internet, um BEMVINDO assim… muito escarrapachado, como se fosse uma preciosidade linguística.

 

E isto não será grave? Não é gravíssimo?

 

É que a política acordista do corta os hífens aplica-se à balda. Aliás, tudo no AO90 se aplica à balda. Cada um escreve como calha, como quer, como lhe dá na real gana, a começar pelos governantes, cujos textos são um autêntico monumento à ignorância da Língua Oficial Portuguesa (e não estou apenas a referir-me à ortografia acordista, refiro-me também á ortografia não alterada que poucos dominam.

 

Posto isto regressemos ao pato.

 

Os senhores governantes permitem-me que eu, na qualidade de ex-professora de Língua Portuguesa, vá à Assembleia da República ditar-vos um texto escrito inteiramente segundo as regras do AO90?

 

E o que proponho para o pato é o seguinte: se todos os deputados derem zero erros no ditado, isto é, se todos escreverem correCtamente a ortografia acordizada, eu deponho as armas, e dar-me-ei por vencida.

 

Mas como estou convencida de que a esmagadora maioria, se não a totalidade dos senhores deputados, darão montes de erros ortográficos, ao aplicarem o AO90, que querem IMPINGIR-NOS a todo o custo, ao custo da perda da nossa própria IDENTIDADE, eu proponho que mandem às malvas o AO90, reponham a Língua Portuguesa nas escolas, devolvam a Portugal a sua dignidade de País livre e soberano, e com a vossa escrita façam o que quiserem.

 

Querem e gostam de escrever mal, escrevam. Mas não pretendam que os Portugueses embarquem nesse barco furado que é o AO90, nomeadamente as crianças a quem estão a enganar cobardemente.

 

Ou então não fazem o ditado, e decidem, uma vez por todas, acabar com esta fantochada do AO90, a escrita à balda, que está a generalizar-se.

 

E um povo que não sabe escrever é simplesmente analfabeto.

 

Aceitam fazer este pato comigo? Aceitam este desafio?

 

Aguardo uma resposta. Não uma resposta directa, obviamente. Mas uma ATITUDE firme e honesta acerca deste triste e pobre episódio da nossa História recente: a substituição de uma língua íntegra, por um arremedo ortográfico estrangeirado, que nos retira a identidade.

 

Isabel A. Ferreira



 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:25

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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

LATIM É LATIM… GALEGO É GALEGO… PORTUGUÊS É PORTUGUÊS…

 

Proponho uma pequena reflexão sobre esta matéria, para examinarmos a dimensão do disparate que o AO90 é.

 

COISAS DA LÍNGUA.jpg

 

Comecemos por definir o AO90: dizem que é um acordo, no entanto, sendo o acordo mais desacordado de todos os tempos, é um disparate chamar-lhe “acordo”. Além disso, é a cara chapada da ortografia brasileira, e quem diz o contrário não sabe nada de ortografia brasileira.

 

Ora, os Brasileiros, sendo brasileiros, têm todo o direito de escrever à moda deles. Optaram por desaportuguesar a Língua Portuguesa e não cumprir a convenção ortográfica assinada com Portugal em 1945, por motivos que não nos dizem respeito, afastando-se da lusofonia que, no entanto, se mantém em todas as outras ex-colónias, até aos dias de hoje (excepto em Cabo Verde, onde apesar de o Português ser língua estrangeira, aderiram cegamente ao AO90). Nada contra. O Brasil, nessa época, era (e continua a ser) um país livre.

 

Dizem que Portugal também é um país livre. Mas eu cá tenho grandes dúvidas. E porquê? Porque sendo o AO90 a cara chapada da ortografia brasileira, e tendo o governo português cedido servilmente à introdução em Portugal, dessa ortografia brasileira, não me parece que a isto se chame ser livre e senhor do seu nariz.

 

Entretanto, nós, Portugueses, temos o direito, mas principalmente o dever, de escrever na nossa própria Língua, na que está consignada na Constituição da República Portuguesa, ou seja, na Língua Portuguesa. Por muito que eu já procurasse, não encontrei nenhum documento oficial ou lei alguma que obrigue as escolas portuguesas a ensinar a ortografia brasileira às nossas crianças. E isto não é de um país livre e soberano.

 

O AO90, para o Brasil, significa apenas retirar o trema, um hífen ou um acento aqui e ali… E nada mais.

 

Para Portugal, o AO90 significa escrever incorreCtamente uma quantidade enorme de palavras, afastando-as das suas raízes latinas, que ao Brasil nada diz. Significa adoPtar literalmente o dialecto brasileiro, salvo algumas excePções, incluindo este vocábulo que no Brasil manterá o P, que em Portugal foi mandado às malvas, tal como em recePção.

 

De resto, com AO90 ou sem AO90, os Brasileiros continuarão a escrever CONTATO, e nós, contaCto. Eles, “FATO” e nós, faCto. Eles, ANISTIA, e nós aMnistia; eles, UMIDADE, e nós, humidade, apenas para referir uma percentagenzinha mínima das grandes diferenças que continuarão a existir.

 

Para além disto, os Brasileiros continuarão a andar de bonde, e nós, de eléctrico; a ter bunda, e nós, traseiro; a fazer esporte, e nós, desporto; a usar terno, e nós, fato; a ir ao banheiro ou ao mitório, e nós, ao quarto de banho (casa de banho era nos “antigamente” quando se ia “lá fora” … à “casinha” …) ou ao mictório; a ir NO médico (ou seja, encavalitados no médico), e nós, AO médico; a fazer turismo na Amazônia, e nós, na Amazónia; a andar de trem, e nós, de comboio; a ir ao açougue, e nós, ao talho; a tomar café-da-manhã, e nós, pequeno-almoço; eles continuarão a estressar, e nós, a stressar, por conta desta insanidade.

 

Segundo os acordistas, a isto chama-se UNIFICAR a Língua, e assim sendo, o termo unificar, com o AO90, também mudou de significado.

 

Penso que os Brasileiros não gostariam nada se lhes impusessem novamente HOJE a ortografia de 1945 (a que está em vigor em Portugal) e que o próprio Brasil rejeitou na altura, depois de ter assinado com Portugal essa mesma convenção.

 

Ora, como todos sabem, o Brasil nunca cumpriu os acordos que assinou com Portugal. Por alma de quem havemos nós de aceitar agora ESTE acordo, que tanto desacordo está a provocar, o governo português e os seus escravos aderiram às ceguinhas?

 

Outra coisa bastante grave é o que está a acontecer no Google: vendido ao Brasil, utiliza incorreCtamente nas traduções, nos textos, em tudo, o Português, que já não é europeu, passou a ser africano (e ainda se o fosse, seria bom, porque o Português africano é Português), mas é o dialecto brasileiro que predomina, disfarçado de Português, gramaticalmente um desastre, e o governo português está-se nas tintas para esta morte anunciada da identidade portuguesa.

 

Portugal nunca se impôs ao Google para separar as águas: Português é Português; dialecto brasileiro é dialecto brasileiro.

 

Assim como Latim é Latim, Galego é Galego e Português é Português.

 

Esta gente ainda não conseguiu entender algo muito importante e básico: Portugal é Portugal, e as ex-colónias são EX-colónias, têm vida própria e uma linguagem também própria.

 

Por que havemos nós de adoPtar a ortografia de uma delas, só porque tem mais (mal) escreventes? Nenhum país ex-colonizador o fez. Tinha de ser Portugal, sempre na cauda do mundo e servilmente, como o mais submisso dos subjugados.

 

E nós vamos deixar que isto aconteça?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:43

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

"RECEÇÃO" … SÓ EM PORTUGAL…

 

Os Portugueses (bem, alguns portugueses, incluindo a governação) primam por gostar de ser diferentes do resto do mundo, quando se trata de rececionar, seja lá o que isto for.

Vai daí… esmiucemos:

 

RECEÇÃO1.png

 

Como (nem) todos sabem, a palavra recePção deriva do Latim recePtio.

 

Até à chegada do malfadado AO90 a Portugal, a palavra escrevia-se assim: recePção, com , como deve ser, para podermos saber do que estamos a falar.

 

Mas por incrível que pareça, um vento bravio soprou ali para os lados do Palácio de São Bento e veja-se o que aconteceu, neste pobre país, à beira-mar plantado com cabeça enterrada na areia:

 

Brasil – RecePção

Angola – RecePção

Moçambique – RecePção

Espanha – RecePción

Inglaterra – RecePtion

França – RécePtion

Itália – RecePtion

Portugal – Receção (deve ler-se rec’ção).

 

E foi isto mesmo - rec’eção - que hoje ouvi no telejornal da SIC Notícias, que agora tem jornalistas brasileiros ao seu serviço.

 

O jornalista brasileiro, que estava a relatar a notícia dos prémios que Portugal recebeu no que diz respeito aos Hostals lisboetas, pronunciou rec’ção à portuguesa, com sotaque brasileiro (rêcêção) que sem o deve ler precisamente deste modo, porque no Brasil diria “rêcépição”, porque lá a palavra nunca perdeu o pê, lê-se o e, por conseguinte, escreve-se o pê.

 

E a pergunta que se põe é a seguinte: por alma de quem é que em Portugal se escreve mal uma palavra que o resto mundo escreve bem, até o Brasil, que tem tantas palavras mutiladas sem sentido algum… mas recePção salvou-se, não sei se por algum milagre de santo…?

 

Se alguém tiver uma resposta com lógica que se adiante…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:34

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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

DOIS PAÍSES, DUAS LÍNGUAS

 

Aviso:

1 – Esta publicação não aborda o AO90 directamente, mas nela está implícita a rejeição deste acordo em favor das línguas derivadas da Língua Portuguesa, nomeadamente no Brasil e Cabo Verde.

2 – No final do texto, direi o motivo que me trouxe até aqui…

 

 Quem você pode confiar 100%?

QUEM VOCÊ.png

 

Encontrei esta situação na página do Facebook de uma cabo-verdiana:

A pergunta «Quem você pode confiar 100%?» está formulada em brasileiro, e não em Língua Portuguesa, como podemos verificar.

 

Eis as respostas a este post, de cabo-verdianos (as), dos quais vou omitir os nomes, por motivos óbvios, (apesar de a página ser pública).

 

Bu tinha dúvidas 😧😧😧

Gosto · Responder · 14/1 às 13:41

 

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***

Nha dimeu?

Gosto · Responder · 14/1 às 13:41

 

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 ***

Felicidade pa nhos

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 17:45

 

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***

I love nhos na tia

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 22:39

 

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***

Não, nca tem dúvida Nta cunfia odju fitchadu

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 22:45

 

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***

Brgd, sdd bo bjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 22:46

 

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***

Nu ta amau tb, bjjjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 22:46

 

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***

Bu pd tem certeza nha miga d peto loveyou

Gosto · Responder · 14/1 às 23:25

 

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*** 

na se tinha dúvida é pa sotau propi ahaahah ki Dios ilumina nhos sempre

Gosto · Responder · 1 · 14/1 às 23:37

 

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***

Pois é nha miga, bgd, bjjjj

Gosto · Responder · 14/1 às 23:38

 

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 ***

Kkkkkkkk, vdd nha miga quim gosta de mas

 

***

Depois disto, a questão que coloco é esta:

 

O Brasil e Cabo Verde não terão direito a ter uma Língua própria?

 

 

O que uns e outros escrevem ou falam terá alguma coisa a ver com a Língua Portuguesa parida na Europa?

 

Digamos que remotamente terá. Mas o que restou dela foi um dialecto derivado da Língua Portuguesa, que tem pernas para andar nos respectivos países.

 

Sou apologista da Língua Brasileira e da Língua Cabo-Verdiana.

 

Do Latim brotaram muitas línguas.

 

Da Língua Portuguesa poderá brotar muitas mais.

 

Por que não?

 

O que é preciso é acabar com a farsa da CPLP, e mais ainda com a monumental fraude do AO90.

 

E este é o caminho.


Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017

AO90 – A "MÁ É LUNÁTICA PROPOSTA"

 

Mais uma voz lúcida e culta contra uma ortografia que envergonha as línguas cultas europeias, oriundas do Latim e do Grego.

 

Até quando os governantes portugueses se farão surdos à voz de todas as RAZÕES?

 

Até quando Portugal terá de suportar esta espécie de modernidade míope (de que fala José Pedro Serra), ou a nova ignorância (de que fala José Pacheco Pereira) tão entranhadas nos órgãos do poder?

 

Até quando os governantes portugueses vão continuar a vergar-se a interesses alienígenas, que não interessam nem sequer às pedras da calçada portuguesa?

 

JOSÉ PEDRO SERRA.jpg

José Pedro Serra, professor catedrático e director da biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

 

«A discordância e a acção contra o Acordo Ortográfico não são efeito de um capricho, fundam-se em razões de ordem formal, material e científica. Além dessas razões, aquilo que mais me choca é que, segundo esta má e lunática proposta, dificilmente podemos encontrar os ecos de uma história semântica e, por uma espécie de modernidade míope, esquecemos séculos de cultura que pretenderam tornar mais luminosa a palavra dita e escrita. Eu não gosto que me mexam na conta bancária, mas ainda menos naquilo que me tece a alma como um património que não é de um governo, é de uma História que nos ultrapassa a todos. Por isso, digo "não" ao acordo!» (José Pedro Serra)

 

Fonte:

(Tradutores Contra o Acordo Ortográfico)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

NÃO PODEMOS DEIXAR MORRER O PORTUGUÊS!

 

MORTE.jpg

 

Texto de SÉRGIO MARQUES

 

«É incompreensível que uma instituição com a tremenda responsabilidade cívica de contribuir para a construção de uma sociedade cuja evolução tenha entre os seus principais pilares o conhecimento científico, se demita de assumir publicamente uma posição sobre o Acordo Ortográfico de 1990 assente exclusivamente em critérios científicos.

 

Com o vil argumento de não pretenderem fazer política - a ACL não é contra o AO90 e, aparentemente, nem se reconhece com legitimidade para poder sê-lo!... Santa paciência... foram muitos anos de salazarismo ... - acabam precisamente a fazer política, mas pela via mais infame: respeitando servilmente os poderes instituídos e os poderes fácticos, caucionam ignobilmente com a falsa chancela da ciência o mais violento e atroz atentado alguma vez cometido pelo Estado de uma nação soberana contra a sua própria língua.

 

A Academia de Ciências de Lisboa está, politicamente, de acordo com este assassinato irresponsável e doloroso do património maior de um povo, dispondo-se, apenas, a propor paliativos em vez de, com a coragem que se impunha, almejar erradicar a doença.

 

Tudo em nome de um projecto absurdo de unificação e uniformização da língua portuguesa no mundo, castrador da evolução natural e orgânica da diversidade geográfica dos falares lusófonos. Em nome de um tenebroso empreendimento orwelliano de empobrecimento coercivo da língua - coisa que os anglo-saxónicos, espanhóis e franceses tiveram a sabedoria e o bom senso de jamais tentar pôr em prática.

 

É uma espécie de imperialismo ao contrário, ditado pelos mesquinhos interesses de uma ou duas editoras portuguesas, posto em marcha por governantes acéfalos e ignorantes, gente sem visão nem sentido de Estado, notavelmente apoiada, à época, por todos os representantes eleitos pelos cidadãos deste país assim tristemente entregue em imundas mãos.

 

Face à cobardia e/ou ao comprometimento das instituições e individualidades nacionais de quem se esperaria outra independência e integridade moral e intelectual perante esta guerra desencadeada de forma brutal contra a língua de Pessoa e Camões, de Eça e Saramago, de Torga e Vieira e de outros ilustres embaixadores da Pátria maior que é o Português, guerra pusilânime que tomou como reféns e arautos involuntários da 'novilíngua' as nossas crianças e jovens, só nos resta, cidadãos comuns, tomar em mãos a tarefa de salvar a língua portuguesa da tragédia que se anuncia.

 

Com este inominável acordo, não estamos apenas a importar uma grafia estrangeira que reflecte uma fonética que nos é estranha, que incorpora uma História que não é a da nossa língua.

 

Com este acordo, estamos a garantir que no prazo de duas gerações se concretize a importação e assimilação dessa fonética que não é a nossa. Ou seja, a adulteração inorgânica e artificial, mas que será real, da língua portuguesa falada, e não apenas escrita, em Portugal.

 

Não podemos deixar morrer o Português às mãos da triste e fraca gente que nos governa e governou. É um dever patriótico. É um dever moral, de cidadania, por respeito aos nossos antepassados, mas, principalmente, por respeito pelas gerações vindouras. É um imperativo histórico, de combate a esta afronta fascizante ao povo português, mas também aos povos de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor, da Guiné, de São Tomé e Príncipe, do Brasil.

 

A língua é a manifestação maior da civilização humana. Tem vida, evoluiu, cresce, ramifica-se, diverge, mistura-se com outras línguas, gera novas línguas. Morre. É História. É quase Biologia. Não precisa de iluminados, oportunistas e neocolonialistas (neste caso, com papéis invertidos), auto-empossados ditadores da história futura, inteligências menores arrogadas em senhores do destino de um mundo que não lhes pertence.

 

Deixem em paz o Português do Brasil. Um dia já não será português, será outra coisa que a evolução histórica ditar, igualmente rica e tão nobre como o Português de Portugal, tão preciosa e respeitável como qualquer outra língua de outro lugar qualquer do mundo.

 

Já não falamos Latim! Mas deixem igualmente, em paz o Português de Portugal. Um dia, será, também diferente. E morrerá. Como qualquer outra língua. Mas não a matemos por decreto. Porque ainda está exuberante de vida. Porque está na boca, no pensamento, nos sentidos, na pena, na ponta dos dedos com que os nossos filhos riscam o ecrã do “tablet” e do telemóvel. Porque lhes está na alma. E há muito se entranhou na nossa.

 

Desobediência civil, massiva, activa, imperativa, ao criminoso acordo da vergonha. Pelos nossos filhos Pelos filhos deles. Não há legado maior do que a nossa língua. A Língua de Portugal.

 

VAMOS À LUTA!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/sergio.marques.37266/posts/1044559192322071

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:32

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

O QUE OS GOVERNANTES E "GOVERNANTAS" DE PORTUGAL ESTÃO A FAZER À NOSSA LÍNGUA

 

A crónica da portuguesa e do português…

 

LÍNGUA.png

 

Eu já me vi a fazer muitas coisas na vida, mas nunca imaginei vir a escrever o que me propus escrever hoje porque, para mim, era um dado adquirido que a minha Língua Materna, o meu instrumento de trabalho, fazia parte do Património Cultural Português e era o símbolo maior da Identidade do meu País, e como tal, estaria protegida na Constituição da República Portuguesa (como na realidade está, mas faz-se-de-conta que não está).

 

Sempre pensei que a Língua Portuguesa estava para Portugal, como a Língua Inglesa está para a Inglaterra, ou o Castelhano para a Espanha (línguas que aprendi tal como aprendi a minha Língua Materna e que tal como a minha Língua Materna fazem parte da minha Cultura).

 

Aprendi a ler e a escrever no Colégio de São Sebastião, no Brasil, (para onde viajei aos dois anos de idade) numa língua que, regressada a Portugal, com oito anos, me disseram que não era a nossa língua e, portanto, teria de reaprender a ler e a escrever.

 

Comecei tudo outra vez, e progredi.

 

De volta ao Brasil, já adolescente, tive de tornar a reaprender a ler e a escrever, porquanto ali não reconheciam a minha Língua como sendo a do Brasil.

 

Fui então obrigada a regredir.

 

Quando regressei a Portugal, para poder terminar o meu Curso de História, na Universidade de Coimbra, tive de não só tornar a reaprender a escrever Português correctamente, como estudar Latim e Grego para fazer as cadeiras de Epigrafia, Paleografia, História da Civilização Grega, História da Cultura Clássica e História da Civilização Romana.

 

Agora sim, tinha ficado com todas as “ferramentas” necessárias ao conhecimento mais aprofundado da minha Língua Materna que, a partir de então, jurei a mim própria, não mais deformaria, em hipótese alguma.

 

Contudo, foi numa escola inglesa que dei os primeiros passos na Escrita. Os meus primeiros contos foram escritos em Inglês, e foi Mr. Brooks que me incentivou a seguir uma carreira literária. E enquanto frequentei aquela escola inglesa segui, de facto, essa “carreira”, escrevendo short stories para o jornal de parede.

 

Mas o mundo dá muitas voltas.

 

Concluído o Bacharelato em História, em Coimbra, fui dar aulas de História e também de Português (era obrigatório) como também foi obrigatório, por iniciativa própria, ter de estudar mais aprofundadamente a Língua, para poder ser competente na profissão que fui forçada, pelas circunstâncias, a abraçar. E foi este o verdadeiro começo da minha paixão pela escrita em Língua Portuguesa, descobrindo os autores clássicos portugueses. Até ali, os autores que havia lido e estudado eram os brasileiros, ingleses, americanos e espanhóis, e franceses (entre outros) em traduções inglesas e castelhanas.

 

A partir de então, e porque não me encaixei num sistema de ensino bastante deficiente e a abeirar o absurdo (anos lectivos de 72/73, 73/74) terminada a Licenciatura (74/75) abandonei o ensino e dediquei-me ao Jornalismo.

 

Em 1979 comecei a minha carreira jornalístico-literária.

 

E eis-me chegada a um ponto que nunca imaginei poder chegar.

 

Eu, que andei em bolandas pelo mundo e tinha nas línguas Inglesa e Castelhana as minhas maiores referências linguísticas, apaixonei-me pela Língua Portuguesa, a língua do meu país, e tudo corria bem até que um dia, pela calada, os governantes portugueses decidiram impingir-nos uma ortografia inculta, e declarar obrigatória a sua aplicação nas escolas e repartições públicas, sem base legislativa alguma, portanto, de um modo ilegal.

 

E porque, em Portugal, a Cultura Crítica anda emigrada, aconteceu que os medrosos, os subservientes, os escravos do poder (a maioria dos órgãos de comunicação social), os menos informados e os que não têm espinha dorsal e um pingo de espírito crítico, vergaram-se perante esta afronta à identidade portuguesa, e andam por aí a pisar a Língua, como se ela fosse um capacho colocado à saída de um chiqueiro.

 

Então lemos por aí textos hilariantes, como este que encontrei no Facebook, publicado pela Ana Sara Cruz:

 

«O que estão a fazer à nossa Língua?

 

Então e esta moda parva, que anda por aí, de se empregarem os dois géneros?

 

Ainda ontem ouvi, na rádio, um jovem "empreendedor" dizer o seguinte: "Eu tenho amigos e amigas, arquitectos e arquitectas, que estão desempregados e desempregadas...".

 

Também há dias, num evento que teve lugar por estes lados, estava um grupo de formandos com a formadora. De repente, a senhora pega num megafone e grita: "Atenção, vamos lá ter calma, fiquem sentados e sentadas...".

 

Perante tamanha parvoíce...desculpem lá... mas tenho que me rir...!

 

Com tanta cretinice, idiotice e parvoíce instalada em Portugal, estamos tramados e tramadas

 

***

É que estamos mesmo muito tramados e tramadas.

 

Principalmente os meninos e meninas que frequentam escolas onde professores e professoras, servis aos governantes e governantas, ministros e ministras, deputados e deputadas, directores e directoras, presidentes e presidentas, andam por aí a espalhar incultura e a criar bronquinhos e bronquinhas, que mais dia, menos dia, poderão vir a ser os governantes e governantas deste nosso pobre país descaracterizado, que já não tem uma língua que o identifique como tal, e andam todos e todas muito lampeiros e lampeiras a derramar sorrisos e sorrisas (já agora!) como se fossem muito cultos e cultas.

 

Isto é mesmo para ficarmos indignados e indignadas, ao ponto de precisarmos de procurar um modo e uma moda que possa devolver à Língua Portuguesa a dignidade perdida.

 

O que dizem, portugueses e portuguesas (parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, que já entrou nesta onda dos pacóvios e pacóvias)?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:41

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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