Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

NOVA CARTA ABERTA A MARCELO REBELO DE SOUSA, PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA

 

Por uma Cultura Culta, em Portugal

 

TEOLINDA19350546_eliv5.png

 

Origem da imagem: Tradutores Contra o Acordo Ortográfico

Teolinda Gersão - Prémio Camilo Castelo Branco/2017

 

Exmo. Senhor Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa Digníssimo Presidente da República Portuguesa,

 

Foram várias as vezes que ousei escrever a V. Exa., abordando, publicamente, matérias que, aos meus olhos de cidadã portuguesa, imbuída de juízo crítico, considerei pertinentes, por serem do interesse de Portugal e dos Portugueses. 

 

Aqui estou, uma vez mais, a dirigir-me a V. Exa., com o mesmo intuito, aproveitando duas circunstâncias actuais, bastante significativas: uma, de enorme júbilo; outra, de enorme tristeza.

 

A de júbilo, alude à atribuição do Prémio Camilo Castelo Branco/2017, à insigne escritora portuguesa, Teolinda Gersão que, há tempos, dirigiu ao Senhor Presidente, as palavras reproduzidas na imagem que ilustra esta carta, e que, já agora, aproveito, para fazer também minhas.

 

A atribuição deste prémio a uma das vozes críticas à imposição, que V. Exa. sabe ser ilegal e inconstitucional, da ortografia brasileira aos Portugueses, nomeadamente às crianças portuguesas, as mais enganadas e prejudicadas com esta atitude incompreensível à luz de todas as razões, além de ser merecida, do ponto de vista literário, pois Teolinda Gersão é uma fabulosa artesã da Língua Portuguesa, constitui uma bofetada bem assente na cara de todos aqueles que, por motivos obscuros, teimam em trocar a qualidade pela quantidade, estando, com isto, a servir de pasto à ignorância, se me permite esta expressão menos erudita.

 

A de tristeza, diz respeito à tragédia dos fogos que consumiram vidas humanas a fauna e flora portuguesas, de um modo brutal, irracional, inconcebível, jamais visto, e que deixou a Europa e o mundo estupefactos. Como é que num país territorialmente tão pequeno, foi possível uma tragédia desta dimensão? Mais um caso único português, para o Guinness World Records.

 

Pois bem, Senhor Presidente da República Portuguesa, foi com grande expectativa que, ontem, aguardei a comunicação de V. Exa., ao País. Devo confessar que esperava mais do mesmo, como é hábito dos nossos governantes, que não costumam dar-nos nada de novo, muito pelo contrário.

 

Mas ontem, ontem, dia 17 de Outubro de 2017, precisamente quatro meses passados sobre a tragédia de Pedrógão Grande, o senhor surpreendeu Portugal com o discurso mais notável, jamais proferido, por um Presidente da República Portuguesa, um discurso realmente digno de um Presidente da República Portuguesa, no qual demonstrou a força e o poder que um Presidente da República pode e deve ter, quando o País está à beira de se afundar num abismo de incompetências, de jogos de poder, de incapacidades, de um “brincar à política” nunca visto.

 

Ontem, o Senhor Presidente demonstrou ser o presidente de todos os portugueses quando, humildemente, pediu desculpas, sem ter culpas, pela tragédia sem precedentes, que se abateu sobre Portugal, atitude que o primeiro-ministro de Portugal não teve.

 

Pela primeira vez, um Presidente da República fez cair um governante que, ao que parece, já teria pedido a demissão, mas não a aceitaram, porque enquanto os “canhões” estivessem virados para o Ministério da Administração Interna, o primeiro-ministro continuaria em segurança.

 

Foi então que eu, e talvez milhares de Portugueses, com o mesmo sentido crítico e cívico, nos apercebemos de que se o Presidente da República quer, o Presidente da República pode, ou seja, ontem, V. Exa. mostrou que tem poder para governar o país, quando ele está desgovernado.

 

Posto isto, e uma vez que Portugal está no mau caminho, no que respeita a outros Ministérios, como por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (que é mais dos negócios dos estrangeiros, e tem Portugal suspenso por um fio de teia de aranha sob um abismo, no que respeita à Língua Oficial Portuguesa, que o PR tem o dever de defender); o Ministério da Cultura (que não sabe distinguir Cultura Culta de cultura inculta, e anda por aí a apoiar, para vergonha de Portugal, a selvajaria tauromáquica); o Ministério da Educação (que anda a enganar as crianças portuguesas, exigindo-lhes que aprendam uma ortografia que não é a portuguesa), para falar apenas nos que mais disparates têm feito, no que respeita à Língua, à Cultura e ao Ensino, três pilares que sustentam a alma portuguesa, porque nem só de pão vive o homem, venho solicitar ao Senhor Presidente, e tenho certeza, em nome de milhares de Portugueses que, da mesma forma que ontem veio a público, exercer o seu poder, para defender Portugal do descalabro total, e para que não tenha de vir novamente a público pedir perdão aos Portugueses, desta vez, com culpas redobradas, por ter deixado “queimar” a Língua Portuguesa, num fogo tão endoidado, como o que fez arder mais de uma centena de Portugueses, uma vastíssima área das nossas florestas, incluindo o Pinhal de Leiria, património português, a nossa fauna, morta aos milhares, fábricas, culturas agrícolas, o que tornou Portugal muito mais pobre e negro, venha a público, defender também, com igual força e poder, a Língua Oficial Portuguesa, a Língua Portuguesa, consignada na Constituição da República Portuguesa, e que o Presidente da República Portuguesa tem o supremo dever de defender.

 

Senhor Presidente, V. Exa. sabe como a Língua Portuguesa anda por aí espezinhada, mal escrita, mal falada, mal ensinada. É que, em Portugal, não se escreve nem em Português, nem em acordês, mas sim num vergonhoso mixordês, que é isto mesmo que anda por aí a circular, como língua de uma nação europeia, um daqueles casos únicos, que fez entrar Portugal para o Guinness World Records.

 

Em Portugal, está-se a formar uma geração de semianalfabetos, aqueles que aprenderão os rudimentos da escrita e da leitura, mas nunca serão capazes de escrever, ler e compreender o que lêem, corrente e correctamente, a sua própria língua. Mas estão a aprender a escrever e a ler correctamente o Inglês, o Francês e o Castelhano, por exemplo.

 

E V. Exa sabe que tenho razão. Basta olhar à volta, na nossa comunicação social (felizmente nem toda), e nos ofícios e mensagens estatais, tudo rabiscado na mais vergonhosa e pobre ortografia.

 

Aguardo, aguardamos todos, que V. Exa. use do poder que ontem demonstrou ter, para recomendar a demissão do MNE, do MC e do ME, porque não estão a servir Portugal, mas tão-só os interesses de grupos económicos obscuros.

 

Com os meus mais respeitosos cumprimentos,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Domingo, 15 de Outubro de 2017

ADULTERAÇÃO, NO BRASIL, DE LIVRO PORTUGUÊS. A ILÍADA, DE FREDERICO LOURENÇO

 

Chamo a atenção para o facto de este texto, cuja leitura recomendo vivamente, porque além de excelente, está primorosamente bem escrito, ser da autoria de um jurista e professor universitário brasileiro, portanto, não é meu (para que não digam que eu é que ando sempre a implicar com o abrasileiramento de textos portugueses).

 

Soubessem os acordistas portugueses escrever tão apuradamente como Arthur Virmond de Lacerda Netto! Mas, lastimavelmente, os acordistas portugueses escrevem como meninos da primeira classe primária.

 

Por ter sido escrito por um cidadão brasileiro, o texto está conforme a ortografia brasileira.

 

(Apenas para que se inteirem da semelhança entre a ortografia brasileira e a ortografia preconizada pelo AO90, destacarei a negrito, as palavras acordizadas).

ilc3adada-frederico-lourenc3a7o.jpg

 

Texto de Arthur Virmond de Lacerda Netto

 

«LIVRO PORTUGUÊS ABRASILEIRADO.

A QUEM INTERESSA MANTER SUB-CAPACITADOS NO IDIOMA (VULTO BURROS) MUITOS BRASILEIROS?

 

Não se trata, apenas, de adaptar um texto; trata-se de privar o leitor brasileiro de elevar-se na sua capacidade de compreender textos.

 

Que tal, em Portugal, mediocrizarem-se as obras de José de Alencar, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, Caetano Veloso, Tom Jobim, Paulo Leminski, Paulo Freire, Márcia Tilburi, Rubem Alves, Olavo de Carvalho?? Você, provavelmente, não admitiria tal (…)

 

Adulteração, no Brasil, de livro português. A Ilíada, para jovens, de Frederico Lourenço.

 

O português Frederico Lourenço traduziu a Ilíada e a Odisséia, e as adaptou para jovens em prosa, versão legível, contudo, por gente de quaisquer idades.[1]

 

O texto publicado no Brasil (pela editora Claro Enigma; São Paulo, 2016) sofreu intervenções que descaracterizaram a tradução, tal como Frederico Lourenço a produziu. Substituiram-se as segundas pessoas (tu e vós) por você e vocês; inocorre qualquer mesóclise (presente no original); há substituições lexicais (como planear por planejar, escusado por desnecessário), alterações de pontuação e de construção frasal, para mais de certa loqüela típica do brasileiro, porém desusada pelos portugueses.

 

O que se lê no Brasil não corresponde, fielmente, à redação de Frederico Lourenço, aliás alheio às modificações, por que a editora é a responsável exclusiva.

 

As segundas pessoas, a mesóclise, os vocábulos, os advérbios de modo, existem para serem usados. São usáveis e corretos; pertencem à língua portuguesa e não exclusivamente a Portugal; é legítimo qualquer brasileiro servir-se deles.

 

Adaptou-se o texto ao público brasileiro, a fim de torná-lo (mais) compreensível por ele, máxime (supostamente) pelos jovens[2]; pretende-se que as pessoas leiam; almeja-se atrair o leitor, ao invés de o repelir; acomodou-se texto redigido para público português, ao leitor brasileiro, em face das peculiaridades idiomáticas deste em relação àquele; importam resultados financeiros positivos, na venda dos exemplares. Compreendo tudo isto. Não compreendo que se suprimam as segundas pessoas e a mesóclise; alterem-se frases, palavras e pontuação; ainda menos compreendo que a tal se proceda clandestinamente (em face do leitor), sem informação, no próprio livro, de se haver adulterado a versão original.

 

É mediante a leitura que se aprende o que se lê e o idioma; é pela leitura de textos como o original de Frederico Lourenço que os jovens e o mais público brasileiro encontrariam recursos do idioma de que andam deslembrados e que lhes seria enriquecedor deparar na literatura. Aliás, lê-se literatura de qualidade também como forma por excelência (porque altamente pedagógica) de se freqüentar a norma culta do idioma, de familiarizar-se com o seu uso e, por conseguinte, de elevar-se, o leitor, do seu conhecimento medíocre (se o for) ou corriqueiro, para as formas superiores do idioma e para as diferentes plásticas da expressão, em que consiste o estilo de cada autor.

 

Mesóclise, segundas pessoas, advérbios de modo, certa fraseologia, certos vocábulos e certo estilo, não constituem lusitanismos, porém recursos do idioma, que é enriquecedor encontrar em uso, conhecer e aprender (se o leitor os ignorava) ou deles relembrar-se (caso deles o leitor andasse desmemoriado).

 

Se circulam mais em Portugal, é porque lá ensina-se melhor o idioma, usa-se o que se aprendeu e zela-se pela qualidade do emprego do vernáculo, comparativamente mais do que no Brasil. (a)

 

Não há “idioma brasileiro”; há o idioma português, com peculiaridades de uso em Portugal e no Brasil (para ater-me a estes países lusófonos), que não chegam a distingui-los nem a tornar necessárias nem recomendáveis adaptações como as que se praticou.

 

As peculiaridades do português redigido em Portugal e as diferenças do seu uso, lá, são compreensíveis pelos brasileiros: prova-o o êxito, no Brasil, das obras de Saramago (no presente) e (desde o passado) das de Eça de Queiroz; prova-o a imigração de brasileiros para Portugal, nos últimos vinte anos; provam-no os oitenta mil imigrantes brasileiros em Portugal, presentes lá, em 2017.

 

Lamento as modificações que a editora Claro Enigma perpetrou. Publicasse, no Brasil, o texto original: no máximo, o leitor estranharia (estranhar difere de tresler) o “tu”, o “vós”, a mesóclise, porventura alguma colocação pronominal, estranhamento que rapidamente desvanecer-se-ia; os lusitanismos seriam facilmente esclarecíveis por notas de rodapé, cuja função consiste (também) precisamente em dilucidar o significado de termos virtualmente problemáticos. Qualquer edição de livro, nacional ou estrangeiro, em vernáculo ou vertido, minimamente séria, intelectualmente rigorosa e lingüisticamente zelosa, mantém o texto original e lhe glosa, quando necessário, os termos obscuros para o leitor.

 

Era imperioso que a editora Claro Enigma mantivesse o texto na sua versão original e lhe adisse, para o público brasileiro, notas de rodapé, relativas aos lusitanismos. Quanto a vocábulos que o leitor (qualquer leitor) desconhece (em qualquer livro), consultasse um dicionário, obviamente.

 

Alguns leitores, possivelmente, ao invés de lhes causar espécie as segundas pessoas, a mesóclise, os advérbios de modo, a fraseologia portuguesa e o estilo de Frederico Lourenço, deleitar-se-iam com a descoberta deles e ou com a experiência do contacto com eles, que virtualmente concorreria para lhes aprimorar a destreza no idioma e aguçar-lhes a percepção (b) dos seus recursos. Nisto, também, radica a virtude da leitura: em transcender-se, mercê de diferentes autores e estilos, o vocabulário, a fraseologia, o emprego dos recursos de expressão, em suma, a loqüela a que se acha circunscrito o leitor.

 

As adaptações privaram os brasileiros da experiência da transcendência; ao contrário, elas mantêm-nos no padrão idiomático brasileiro que eles, assim, não transcendem: a “nacionalização” propiciou ao leitor brasileiro mais do mesmo (para valer-me de lugar-comum português, já com algum curso no Brasil), ao invés do diverso e instigante (evidentemente, refiro-me às partes afetadas e não à totalidade do texto).

 

As adulterações constituem desserviço, em relação à parcela do público que se comprazeria com o texto original e aos leitores, em geral: elas privaram os brasileiros de contactar (c) com formas e recursos existentes no seu idioma, usáveis (e usadas em Portugal), que todo brasileiro deveria conhecer e de que pode servir-se. Livro esmeradamente redatado ou traduzido é instrumento de educação: a edição abrasileirada subtraiu-se desta egrégia função, na medida em que mediocrizou o texto, sobre haver desfigurado (em parte) a estética literária de Frederico Lourenço, ou seja, o componente idiossincrático que lhe individualiza o estilo. Em dadas passagens, o que se lê não corresponde ao texto e á plástica de Frederico Lourenço, porém ao texto dele deturpado.

 

Seria objetável alegar-se atenderem, as modificações, à realidade do (jovem) brasileiro, já desafeito a formulações “arcaicas”, “passadistas”, “lusitanas”, como “Tu fazes”, “Vós sois”, “Dar-lhe-ei”: porque desusadas, foram suprimidas, o que redunda em círculo vicioso: não se usaram porque não se usa; não se usa também porque não as usam os autores. Usassem-nas os autores: ainda que, por leitura dos seus livros, os leitores não as usem, pelo menos capacitar-se-ão, por hábito, a compreender melhor os que as usem e as usam.

 

Ainda que o brasileiro as desuse ou as use escassamente, elas existem no vernáculo, constituem ponto de ensino nas escolas e Frederico Lourenço utilizou-as: é o quanto basta para deverem ser conservadas intactas, bem assim a fraseologia dele. Eis porque a versão original serve, ótima e pedagogicamente, como leitura, nas disciplinas de Língua Portuguesa e ou de Literatura, no ensino médio.

 

A presença, no texto, das segundas pessoas, da mesóclise, de certa forma, lusitana, de construir e do estilo de Frederico Lourenço, não constituem óbices à sua leitura e compreensão por leitores brasileiros. Intrinsecamente, nada no texto justificava-lhe as intervenções; justifica-a, porém, certo ideário, de fundo marxista (e nacionalista-lusófobo?): suspeito de que o abastardamento da tradução de Frederico Lourenço filie-se ao entendimento propagado pelo já célebre (e, quanto a mim, funesto) livro “Preconceito Lingüístico” (de Marcos Bagno), de (a) haver pronunciadíssima diversidade entre os modos português e brasileiro de empregar o idioma e (b) de deverem, os brasileiros, proclamar a sua independência lingüística em relação a Portugal e à gramática tradicional.

 

Êxito de vendagem, nas suas mais de 50 edições; adotado, debatido e lido nos cursos superiores e não só, há três lustros, “Preconceito Lingüístico” terá sido o inspirador da malsinada adaptação, como afirmação de brasilidade lingüística, como realização de independência idiomática, como recusa da gramática tradicional, presente na plástica literária de Frederico Lourenço que, assim, representava, por excelência, o objeto do nacionalismo lingüístico.

 

Se assim não foi, se inexiste relação de causa e efeito entre as doutrinas de Marcos Bagno e a adaptação, se esta não constitui produto daquelas, mesmo assim foi escusada (para servir-me de voz que a adaptação expurgou e que substituiu pelo termo desnecessário) como iniciativa e desastrada como execução, pois desfigurou o estilo de Frederico Lourenço, empobreceu-lhe a forma, subtraiu dos leitores a possibilidade de toparem com certas riquezas do idioma.

 

Com que legitimidade, com que direito, com que autoridade uma editora manipula o estilo de um autor, rebaixa o uso dos recursos do vernáculo e priva o leitor de contactar com a plástica genuína do primeiro e com a riqueza do segundo?

 

Trata-se (sei-o), de adaptação de Homero para o português e não de criação original de Frederico Lourenço. Pode-se traduzir à portuguesa, à brasileira, à francesa, em coloquial, em culto: essencial é a fidelidade da versão ao original (no caso, Homero), ressalva até com que as adulterações não se legitimam. Foram dispensáveis e são censuráveis. Adaptação de Homero por Frederico Lourenço, é texto de Frederico Lourenço que importa respeitar.

 

Ao grande público, interessado em ler o livro, provavelmente pouco se lhe dão as deturpações no texto: interessa-lhe aceder à narrativa de Homero ao invés de apoquentar-se com variantes lingüísticas ou com o desdém por certas riquezas do idioma. Se o leitor brasileiro lê e compreende, a edição cumpre a sua finalidade; cumpriria melhor se mantivesse o nível de qualidade peculiar do texto original e, intacta, a loqüela de Frederico Lourenço. Cumpri-la-ia cabalmente se mantivesse, intocado, o original, a que adicionasse, em nota, esclarecimento da acepção (d) dos ocasionais lusitanismos: é como deveria ter procedido e é o que reputo óbvio.

 

É moralmente expectável (e) e exigível constasse, na página de informações editoriais, cuidar-se do texto de Frederico Lourenço modificado ou adaptado ao público brasileiro ou de versão abrasileirada do original e não, genuinamente, do próprio: seria manifestação de respeito pelo leitor e de honestidade editorial. Do respeito, ela se isentou; da honestidade, desdenhou.

 

Ela atuou com desonestidade editorial, por sonegar informação decisiva em relação ao que o comprador do livro adquire e ao que o seu leitor lê. Tal sonegação também induz em erro o leitor que, inadvertido, toma por lídima literatura portuguesa e obra de Frederico Lourenço o que não o é nas passagens espúrias.

 

Por descuido, a edição brasileira poupou do expurgo o lusitanismo “contributo” (sinônimo de contribuição).

 

A reproduzir-se a iniciativa, temo por que sobrevenham versões abrasileiradas de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco (f). Afinal, a lógica é a mesma. Se, a contrapelo, em Portugal, se lusitanizassem autores brasileiros, a exemplo de José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Caetano Veloso, Tom Jobim, Paulo Leminski, Paulo Freire, Márcia Tilburi, Olavo de Carvalho, etc., o erro seria o mesmo, o caráter espúrio do texto seria equivalente, o ludíbrio seria análogo, com a diferença da nacionalidade dos autores deturpados.

 

Assim se rebaixa a cultura de um povo (o brasileiro); assim se convém com o seu estado rebaixado de domínio idiomático. Assim se priva a juventude brasileira (destinatária nominal do livro) de aceder, genuinamente, à literatura de plástica portuguesa e ao verdadeiro estilo de um autor; de transcender o seu nível mormente raso de conhecimento e de uso idiomáticos, já tristemente típico das gerações brasileiras juvenis; de se deparar com o uso duplamente exemplar de certos recursos do vernáculo, no sentido de modelarmente correto e no de servir como estímulo para o seu uso.

 

Admito, como alterações legítimas, as de acentuação e de ortografia, à luz da reforma ortográfica, que introduziu discrepâncias em escassos vocábulos, entre Portugal e Brasil.

 

Oxalá não se perpetre atentado quejando nas obras de Antonio M. Hespanha (historiador do Direito), José Rodrigues dos Santos, Miguel Esteves Cardoso, Valter Hugo Mãe e outros, se é que já não se perpetrou (suspeito de que sim). Descreio que, em Portugal, se praticasse com autores brasileiros o que certos brasileiros praticaram com a Ilíada, de Frederico Lourenço.

 

Corrija, a editora Claro Enigma, o mal que praticou: suste a publicação da versão espúria e introduza a original; ao menos, publique também esta. Remende, a editora Claro Enigma, a desonestidade (por omissão) que pratica: introduza (na página 6) a informação de ser abrasileirada a versão que o é. Evite, a editora Claro Enigma, a repetição desta violência. Adotem, todas as editoras brasileiras, por princípio editorial o de reproduzir, intocados, os textos portugueses e inserir-lhes, em nota de rodapé, glosa de acepção: somente assim concebo que se publique, honestamente, literatura portuguesa no Brasil.

 

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Na imagem, a capa da edição brasileira.

 

Em tempo: o livro S.P.Q.R. (história de Roma), de Mary Beard foi publicado em Portugal e no Brasil, em traduções distintas.

 

[1] Também as traduziu em verso.

[2] As versões “juvenis” são legíveis por jovens e por leitores de idades quaisquer, bem como as versões (do próprio Frederico Lourenço) em verso. Inexiste relação entre jovens e prosa, entre não jovens e verso; existe relação entre quem prefere o texto em prosa ou por ele se interessa e o lê, e entre quem se interessa pelo texto em verso ou o prefere e o lê, independentemente de idade. Por isto, melhor seria qualificar a versão “para jovens” de versão em prosa. Se se curou de estratagema publicitário, voltado a cooptar leitores juvenis, ele talvez haja atuado contraproducentemente em relação aos demais que, se não afugentou, absteve-se de atrair, ao mesmo tempo em que não é de se supor que o público pós-juvenil opte pela versão poética; ao contrário. Se o complemento “para jovens” deveu-se ao sincero intuito do autor, que terá feito questão de externizá-lo (como também ocorre na versão portuguesa), queda ele registrado nas capas da versão em prosa da Ilíada e da Odisséia, com a desvantagem de captação de interessados, como apontei na frase precedente.

 

Arthur Virmond de Lacerda Neto»

 

Fonte:

https://arthurlacerda.wordpress.com/2017/10/12/adulteracao-no-brasil-de-livro-portugues/

 

(a) – Engana-se amigo Arthur. Hoje, em Portugal, já não se zela pela qualidade do emprego do vernáculo, nem pela Língua Portuguesa, que está a ser maltratada, mal ensinada, mal aplicada, à margem do AO90. O facilitismo da linguagem para tornar ainda mais legível, o que já é legível, está a formar gerações de semianalfabetos (os que têm apenas os rudimentos da escrita e da leitura e não são capazes de ler e escrever correntemente) em Portugal, como no Brasil.

(b) – Em Portugal, escreve-se perceção, que é algo que ninguém sabe o que é.

(c) – Em Portugal, os acordistas escrevem contatar, vá-se lá saber porquê.

(d) – Em Portugal, os acordistas escrevem aceção, palavra sem significado algum.

(e) – Em Portugal, os acordistas escrevem expetável, seja o que isto for).

(f) –  Versões abrasileiradas de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco e até de Saramago lamentavelmente já existem, como um insulto à memória desses escritores.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:11

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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

«AS VÍTIMAS E OS ALVOS DOS CONSPIRADORES DO AO/90 NÃO SOMOS NÓS: SÃO AS CRIANCINHAS QUE NÃO SABEM DEFENDER-SE»

 

Um texto de Miguel Esteves Cardoso, datado de 2015, infelizmente, ainda muito actual, porque nada foi feito no sentido de pôr fim ao linguicídio e ao crime de lesa-infância que está a ser cometido, impunemente, por governantes, professores e pais.

 

AO90.jpg

 

Origem da imagem -  http://pt.winkal.com/share/m/X9VO

 

É urgente que se comece a dizer às crianças portuguesas (que estão a começar a aprender a escrever) que estão a escrever à moda do Brasil, e tal ortografia nada tem a ver com Portugal e com as raízes europeias da Língua Materna delas.

 

A Língua das crianças portuguesas é a Língua Portuguesa, com todas as letras no seu devido lugar, como no Inglês, por exemplo, língua que muitas crianças portuguesas estão a prender nas escolas, como segunda Língua, e baralham-se tanto ao ponto de já terem questionado: «Por que em Inglês se escreve direCtor, aCtor, objeCt, aspeCt, inseCt, colleCtion, adoPt, affeCtion, colleCtive, dialeCt, direCt, correCt, inspeCtor (etc.) e em Português (aquele que lhes estão a impingir nas escolas portuguesas), se escreve diretor (dir’tor), ator (âtor), objeto (objêto), aspeto (aspêto), inseto (insêto), coleção (col’ção), adotar (adutar), afeto (afêto), coletivo (col’tivo), dialeto (dialêto), direto (dirêto), correto (corrêto), inspetor (insp’tor), (etc.)?

 

(O que está entre parêntesis é o modo de ler das crianças que aprendem Inglês, porque elas não são estúpidas, como querem que sejam).

 

A esta pergunta simples e lógica há que responder-lhes, como eu já respondi à minha neta: «Em Inglês escreve-se desse modo, porque os governantes ingleses sabem Inglês, respeitam e defendem a Língua Inglesa, e não se subjugam ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias; e em Português escreve-se e lê-se desse modo, porque os governantes portugueses não sabem Português, não respeitam, nem defendem a Língua Portuguesa e subjugam-se ao linguajar da maior (territorial e populacionalmente) das suas ex-colónias».

 

As crianças portuguesas, ao contrário do que os governantes portugueses acham (porque se conseguissem pensar achariam outra coisa) não são estúpidas e compreendem perfeitamente o que está a passar-se, basta explicar-lhes, tintim por tintim, a questão das três linguagens aqui envolvidas: a Língua Inglesa, a Língua Portuguesa e a ortografia brasileira.

 

Foi o que já fiz em relação à minha neta. E ela, obviamente, porque não é estúpida, entendeu perfeitamente, e perguntou: «Então estamos a aprender a escrever errado?».

 

Eu - «Erradíssimo».

 

Ela - «E agora?»

 

E - «E agora? E agora, mais dia, menos dia, irás aprender a escrever usando a tua Língua Materna, correCtamente (e vinquei bem o C), porque num futuro próximo, quando fores mais crescida, não pretenderás escrever incorreCtamente a tua própria Língua, que é uma Língua europeia e culta, trocando-a por uma ortografia sul-americana, que nada tem a ver com a Europa; e escrever correCtamente a Língua dos Ingleses, que não é a tua Língua, e também é uma Língua europeia e culta».

 

Fez-se um certo silêncio.

 

Contei-lhe, então, a minha história: a de ter aprendido a ler e a escrever no Brasil, à moda do Brasil, ou seja, usando a ortografia que agora estão a obrigá-la a aprender na escola, embora ela não esteja no Brasil; mas eu, era lá que me encontrava, desde os dois anos, e não tive outra opção. Com oito anos regressei a Portugal, e tive de reaprender a ler e a escrever a minha Língua Materna; e mais duas vezes fui e vim, vim e fui, e mais duas vezes reaprendi e desaprendi a minha Língua, durante a infância, a adolescência e parte da juventude.

 

Mas quando se é criança aprende-se e desaprende-se tudo muito facilmente. Só quem não está atento ao desenvolvimento das crianças, só quem não sabe nada sobre crianças, é que não sabe disto, o que parece ser o caso dos governantes e dos acordistas.

 

Portanto, os pais ou avós que se interessem realmente pelas suas crianças, devem dizer-lhes que estão a aprender a escrever incorreCtamente a Língua Materna delas, mas deverão aprender a escrevê-la correCtamente, fora da escola (para não serem penalizadas) porque não seria justo saberem escrever a Língua Inglesa, com todas as letras que não se pronunciam (e são bastantes) e serem capazes disso; e não escreverem a Língua Portuguesa, com todas as letras que não se pronunciam, apenas porque um punhado de ignorantes as consideram mais estúpidas do que as crianças inglesas.

 

E isto não se faz.

 

As nossas crianças não merecem tamanha desconsideração.

 

Miguel Esteves Cardoso abordou esta problemática de um modo interessante, e só posso fazer minhas as suas palavras.

 

Isabel A. Ferreira

 

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Texto de Miguel Esteves Cardoso  

 

O segundo acto

 

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.

 

A jogada repugnante dos acordistas imperialistasignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.

 

As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se. Deseducando-as sistematicamente, conseguirão enganá-las facilmente. A ignorância é a inocência. Pensarão, a partir deste ano, que só existe aquela maneira de escrever a língua portuguesa.

 

Os adversários morrerão e predominará a inestética e estúpida ortografia de quem quis unir o "mundo lusófono" através de um Esperanto lusográfico que não tem uma única vontade colectiva ou raiz comum.

 

Como bilingue anglo-português, incito os jovens portugueses que falam bem inglês (quase todos) a falar português com a exactidão fonética, vinda do bom latim, da língua portuguesa. Eu digo "exacto" e "correcto" como digo "pacto" e "concreto". Digo "facto" como fact, tal como "pacto" como pact.

 

Falar como se escreve (ou escrevia) é um acto de rebeldia. Ler todas as letras é libertador. Compreender a raiz das palavras é conhecê-las e poder tratá-las por tu.

 

Às armas!

 

Miguel Esteves Cardoso»

 

Fonte:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-segundo-acto-1696097?fb_ref=Default#/comments

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:36

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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

EM PORTUGAL ESCREVE-SE E PRONUNCIA-SE MAL A LÍNGUA PORTUGUESA

 

 

Com a exigência ilegal da aplicação do acordo ortográfico de 1990 (que não chega a ser acordo, porque existe um enorme desacordo entre os países da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) os portugueses submissos (aos quais falta Cultura Crítica) ou os mais “distraídos” escrevem mal e pronunciam mal as palavras “acordizadas”.

 

E o descalabro é total.

 

1002378_1102623253096017_7289050853584099135_n[1].

Origem da foto: https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90?fref=ts

 

"Os efeitos deste Acordo, dito de unificação ortográfica — na realidade, de aproximação ortográfica —, são os que estão previstos do ponto de vista da grafia, porque não há consequências em termos de pronúncia, (…). Nenhum português, por cair uma consoante, vai deixar de dizer «contracetivo», abrindo a vogal  E, para dizer «contracetivo», fechando a vogal E.

 

Nenhum português deixará de o fazer. É um manifesto exagero, é um empolamento de uma realidade que o Acordo não consente!”

 

(LUÍS FAZENDA, Diário da Assembleia da República, I Série – n.º 85, X Legislatura, 3.ª sessão legislativa, 17 de Maio de 2008, pg. 28; aquando da aprovação parlamentar do 2.º Protocolo Modificativo ao AO90) (Ivo Miguel Barroso)

 

in https://www.facebook.com/groups/acordoortograficocidadaoscontraao90/643311112439015/?notif_t=like

 

***

Pois o que há a dizer sobre este assunto, é que quem, por desconhecimento da Etimologia (parte da gramática que estuda a história ou origem das palavras e da explicação do significado das mesmas, através dos seus elementos (morfemas), que fazem parte do Léxico Português, e que devia se matéria de estudo obrigatório nas escolas), e escreve deste modo incorrecto, de acordo com o acordo ortográfico 1990:

 

“contracEtivo” , “aspEtos”, “dirEtor”, “arquitEto”, “Ativo”, “Ator”, “sEtor”, “fAtor”, “corrEto”, "Ação", “LEtivo” ,“selEção”  , "afEto", "insEto" e outras calinadas que tais…

 

não deve, não pode pronunciar as mesmas com o E ou o A abertos, sob pena de estarem a proferir monumentais disparates.

 

Daí que, é urgente, prioritário e da lucidez acabar-se de vez com este despautério do AO90, que os Portugueses, os Brasileiros, os Angolanos os Moçambicanos,os Timorenses, instruídos e cultos, rejeitam.

 

Então por que motivo, a não ser por negociatas obscuras (uma vez mais o interesse económico a sobrepor-se ao senso comum) o governo português teima, porque teima, em impor esta mixórdia ortográfica, com a agravante de ameaçar penalizar quem não “obedecer”?

 

Baseado em quê?

 

De que tempo virá essa apetência pelas “ameaças?”

 

Não saberão os políticos portugueses, que qualquer Português poderá recusar-se a utilizar este acordo, inclusive nas escolas, nas repartições públicas, seja lá onde for… sem ser penalizado?

 

Era só o que faltava!

 

E quem argumenta que a aplicação deste abortortográfico facilita às crianças a aprendizagem da Língua, suprimindo os "p", e os "c", quererá dizer que as crianças dos tempos aCtuais serão mais ESTÚPIDAS do que as crianças dos tempos passados?

 

Todos nós estudámos a Língua Portuguesa como deve ser estudada.

 

Esta argumentação pretende diminuir as capacidades inteleCtuais das nossas crianças, passando-lhes um atestado de estúpidas, algo que elas, de todo, não merecem.

 

Se não respeitam a Língua Portuguesa, respeitem ao menos as crianças portuguesas, que estão a ser vítimas de um atentado linguístico e a caminho de serem os semianalfabetos do futuro.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Domingo, 8 de Outubro de 2017

É O QUE DÁ “FABRICAR” UM ACORDO ORTOGRÁFICO (O DE 1990) COM BASE NA IGNORÂNCIA

 

Estão a esfarrapar a Língua Portuguesa

 

CORRUÇÃO.jpg

 

O que serão casos de “corrução”?

 

Palavrinha que não existe em nenhuma língua, ainda que aportuguesada, ou devo dizer abrasileirada?

 

Palavrinha que nem sequer existe no famigerado AO de 1990.

 

Porquê em Portugal isto acontece?

 

Reflictam nisto aqueles que querem mandar às malvas a Língua Portuguesa.

 

E por falar em “mandar às malvas”…

 

Vejam neste link o significado desta interessante expressão. É muito curioso.

 

http://www.jn.pt/live/Programas/default.aspx?content_id=3658465&seccao=Passeios

 

 

E é esta riqueza linguística que os governantes portugueses querem destruir, por interesses meramente económicos?

 

Isto é um verdadeiro CRIME.

 

***

É preciso ter em conta que a Língua Portuguesa é uma Língua Europeia, de raiz greco-latina, e como tal deve continuar a ser.

 

Não é uma língua sul-americana. Jamais será.

 

Os países lusófonos, que adoptaram a Língua Portuguesa como língua oficial, só têm duas opções: ou aceitam essa língua tal como ela é na sua forma materna (com cabeça, tronco e membros), ou arranjam outra língua para se comunicarem.

 

Mas não lhe chamem Língua Portuguesa.

 

E em Portugal, os governantes portugueses e todos os Portugueses que se prezam de o ser, devem, têm a obrigação de defender a Língua, conservando as suas raízes. a sua origem. 

 

Nenhuma outra língua europeia foi mutilada para atender a caprichos de editores e governantes desprovidos de Cultura crítica e dignidade. Cá... como lá...

***

Outra consequência desta ignorância

 

OPTIVISÃO1.jpg

 

«Partilho aqui convosco uma curiosa mensagem que entretanto recebi:

 

"O grupo Optivisão agora acha-se "o maior grupo ótico português".

 

Mas talvez o devesse saber que, em português, "ótico" significa "respeitante ao ouvido". Se se quiser falar da visão, deve dizer-se "óptico". Ora, parece-me que qualquer empresa deveria saber, antes de tudo, a actividade a que se dedica, e não anunciar disparates. De facto, há coisas com que não se brinca." [Luís Menezes Leitão

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153668336978841&set=gm.553686408116011&type=3&theater

 

***

A palavra ó·ti·co é um adjectivo que vem do grego otikós, que significa: relativo ou pertencente ao ouvido ou à orelha; diz-se do medicamento que se emprega contra doenças do ouvido.

 

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

***

Agora digam-me: o que estão a fazer à Língua Portuguesa?

Não estão a esfarrapá-la?

E nós vamos deixar que isto aconteça?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:50

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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

«A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E AOS PORTUGUESES A SUA GENUÍNA CULTURA EUROPEIA!»

 

 

Uma excelente reflexão sobre o AO90, da autoria de Adelino Dias Santos.

 

Que triste figura fazem os actuais governantes portugueses perante o mundo, ao nos impingirem um acordo que devia ser de oito e é apenas de um – Portugal – porque nem o Brasil o aplica, como não aplicou a convenção de 1945, apesar de a ter assinado.

 

Porquê tanto servilismo a uma ex-colónia?

 

A CÉSAR.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1261988373907877&set=g.462696313775747&type=1&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:21

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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017

1910/2017 – HOJE, CELEBRA-SE QUE REPÚBLICA?

 

Em 107 anos o que não mudou?

 

REPÚBLICA.jpg

(Imagem: Internet)

 

A Implantação da República explicada ao Povo

 

Em 5 de Outubro de 1910, fez-se uma revolução para mudar o statu quo instituído pela Monarquia, a saber (assim por alto, e apenas para referir o mais evidente): muito esbanjamento de dinheiros públicos, em benefício dos nobres, muitos pobres, muitos analfabetos, muitos semianalfabetos, uma classe rica e poderosa, em minoria, que dominava e fazia de Portugal o seu quintal.

 

Então, um grupo de cidadãos, revoltados com esta situação, e porque queriam também mandar e não podiam, a 1 de Fevereiro de 1908, decidiu matar o rei D. Carlos, que então reinava, e o seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe de Bragança, no então Terreiro do Paço, hoje, Praça do Comércio, durante um cortejo.

 

A partir deste regicídio, inaugurou-se uma escalada de violência que o impreparado Príncipe D. Manuel II, de apenas 18 anos, filho mais novo do falecido Rei D. Carlos, e que ocupou o trono, não conseguiu travar, culminando essa escalada de violência na implantação de uma República cheia de boas intenções, a 5 de Outubro de 1910.

 

Pretendia-se uma nova era, liberta do domínio monárquico e da incómoda sucessão do poder, passando de pais para filhos, fossem eles competentes e sensatos ou não. O Povo não era para ali chamado. Tinha de aceitar com submissão e muitas vénias esta imposição dinástica.

 

Ora os republicados acabaram com esta situação. Agora já se podia escolher os governantes, já não se passava o Poder de pais para filhos. No entanto, a disputa pelo Poder acabou por trazer muitos inconvenientes, partidarismos, lutas, invejas, ódios, muita pancadaria, enfim, o anseio de mandar sempre perturbou as mentes e gerou intermináveis lutas internas, entre os que se dispunham a disputar o trono republicano, lutas essas que nunca beneficiaram o Povo, que continuou pobre, desgraçado, analfabeto e com fome… até aos dias de hoje.

 

Resumindo (é que não estou aqui propriamente a dar uma aula de História): desde aquele não muito longínquo dia 5 de Outubro de 1910, muita água suja passou por debaixo de todas as pontes de Portugal, indo embocar numa ditadura, que durou 41 anos sem interrupção, período em que Portugal continuou a ser o quintal de António de Oliveira Salazar, até ao dia de outra revolução, ocorrida a 25 de Abril de 1974, denominada “dos cravos” que pretendeu libertar Portugal dessa ditadura. Contudo, a ditadura tem muitos disfarces.

 

Então o que aconteceu depois da Revolução dos Cravos?

 

Aconteceu que uma outra República, disfarçada de Democracia, lá foi cantando e rindo, levada, levada sim… por homens não muito diferentes dos que mandavam durante a monarquia e a ditadura, e que continuaram e continuam a fazer de Portugal o seu quintal, com uma diferença: agora fazem lotes do quintal para vendê-los a quem dá mais.

 

E o Povo, como fica o Povo português no meio disto tudo?

 

Bem, o Povo português, hoje, dia 5 de Outubro de 2017, continua a ser maioritariamente o peão, submisso, servil, que se deixa enganar facilmente, acreditando nas falsas promessas que os novos republicanos lhe fazem; uns, continuam pobres, uns mais paupérrimos do que outros; ainda muitos analfabetos, outros semianalfabetos, desdotados de espírito crítico e selados por uma descomunal iliteracia; os nobres, esses, continuam instalados nos Palácios de São Bento e de Belém, quais reis sem coroa, a reinar, a desgovernar, a impor uma ditadura disfarçada de democracia, onde o Povo interfere apenas no acto de os colocar no Poder. Mas logo que, democraticamente, lá chegam (ao Poder) abandonam os interesses do Povo que os elegeu, e abraçam os interesses dos grupos económicos, que são os que verdadeiramente mandam em Portugal.

 

E há os outros, os livres pensadores, os que têm espírito crítico, os insubmissos, os que não aceitam ditaduras, censuras, imposições absurdas, os que lutam por um Portugal evoluído, civilizado, ético e culto, os que emigram para se tornarem grandes, os que dizem NÃO ao statu quo, não apenas porque sim, mas porque Portugal está a ser descaradamente entregue a interesses estrangeiros.

 

A 5 de Outubro de 1910, o Regime Monárquico deu lugar ao Regime Republicano que, apesar das boas intenções, continuou o despique da dualidade de poder até aos dias de hoje, com interregno nos 41 anos da ditadura salazarista. E o ora agora governas tu, ora agora governo eu, lá continua, como na Dança do Vira.

 

Sim, houve um certo progresso. Mas nem só de pão e circo vive um Povo. Nem só de crescimento económico, nem só de política partidária, nem só de turismo e de Madonna, nem só de boas intenções, misturadas com mentiras, vive um País.

 

É que de boas intenções está o inferno cheio.

 

E o que aconteceu depois da Revolução dos Cravos?

 

Bem, depois da Revolução dos Cravos, que também se fez com muito boas intenções, implantou-se uma ditadura disfarçada de democracia, marcada pela corrupção, pelo abuso do poder, pela desonestidade, por interesses obscuros, por imposições absurdas, por uma descomunal falta de senso político, moral, ético, cultural e social.

 

Que República celebramos hoje?

 

Sem dúvida nenhuma a República Portuguesa das Bananas, onde se continua a esbanjar dinheiros públicos, em benefício dos nobres, onde existem muitos pobres, muitos analfabetos, muitos semianalfabetos, muitos interesseiros e mercenários, muitos traidores da Pátria, e uma classe rica e poderosa, em minoria, que domina e faz de Portugal o seu quintal, dividido em lotes, que se vendem a quem dá mais…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:06

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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017

NUMA SÃ DEMOCRACIA, O MINISTRO AUGUSTO SANTOS SILVA (MNE) JÁ ESTARIA DEMITIDO

 

Pois é…

Mas a democracia portuguesa é manca… manquinha… e há quem não tenha vergonha na cara, nem honra, nem visão política, nem respeito pelos símbolos de Portugal, e apenas veja este símbolo diante dos olhos…

 

E realmente só foge do diálogo quem tem medo da verdade…

 

Eis um comentário precioso de Valdemar Ferreira, que aqui reproduzo, fazendo minhas as suas palavras:

 

VERDADE1.png

 

«Infelizmente, a Democracia que vivemos é cheia de defeitos. Periodicamente, elegemos a governação. Para que cuide dos cidadãos, servindo o País. Mas, lamentavelmente, creio que a governação se serve do País, em muitos casos.

 

Por exemplo, a que propósito a Língua Portuguesa está prisioneira no gabinete do MNE, sob a alegação de que o AO é um acordo internacional e, como tal, tem de cumprir-se? Esquece-se o Sr. MNE de que o acordo de 1945, o único válido, foi rasgado pelo Senado brasileiro, cerca de um ano após a sua assinatura, sendo renegado pelo Brasil até 1990.

 

Numa sã Democracia, o Ministro já estaria demitido. Não é admissível tanta curvatura da cerviz. Foi assim com os pequenos criminosos do Iraque, com o relegar do acordo de 1945, substituindo-o por um vergonhoso pretenso sucedâneo encarregado de destruir a Língua Portuguesa (a única), com a retirada da Língua (a nossa) do conjunto de Línguas Oficiais no Vaticano, substituição pelo crioulo em Cabo Verde, as declarações inauditas do sr. Juncker que, conhecendo a geografia da Europa, acintosamente, no seu mapa mental, omitiu o meu, o nosso País.

 

É, de facto, demasiado. O Sr. Ministro funciona como a caixa de ressonância daqueles que querem aniquilar a Língua Portuguesa, mas também fazer de Portugal o tapete, esquecido ou não, da Europa. Tenha um gesto nobre e ... demita-se

 

Valdemar Ferreira

 

***

Pois é…

 

Mas poucos, pouquíssimos, em Portugal, têm a hombridade de se demitirem, quando o povo que os elegeu lhes diz: «Basta de tanta incompetência e irracionalidade!»

 

Isto aconteceria numa Democracia íntegra.

 

Mas a nossa democracia é insana, manca e não tem espinha dorsal…

 

Como tudo isto é lamentável!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:53

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Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

«CARTA ABERTA À SOCIEDADE AUSTRO-PORTUGUESA (SAP) – VIENA DE ÁUSTRIA»

(Importante documento sobre a ilegalidade do AO90)

 

Recebi, via e-mail, esta Carta Aberta, da autoria de Francisco João DA SILVA, dirigida à Sociedade Austro-Portuguesa (SAP) -Österreich - Portugiesische Gesellschaft (OPG), em que o tema central é o Acordo Ortográfico de 1990, a qual, indubitavelmente, é do interesse público a sua publicação neste Blog, uma vez que é necessário alertar o mundo mais distraído, para o assassinato da Língua Portuguesa e a ilegalidade da aplicação de um acordo que apenas Portugal está a levar a sério. Mais nenhum outro país o faz, incluindo (pasmemo-nos!) o Brasil.

 

Isto não é um sintoma da síndrome terceiro-mundista, que está a atacar Portugal?

 

AO90.png

 

«Prezadas Senhoras, Prezados Senhores,

 

Um membro da SAP/OPG , teve a amabilidade de me enviar um correio electrónico   (CORREL) datado de 27 de Setembro convocando uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 5 de Outubro 2017 às 19h00, na Sede da SAP/OPG, em Viena de Áustria.

 

 

Como cidadão português,   que partilha a mesma Pátria que Fernando Pessoa,   o qual sempre clamou bem alto que a   sua “PÁTRIA ERA   A LÍNGUA PORTUGUESA” , fiquei deveras   surpreendido que NÃO   tenham utilizado a Língua Oficial da República Portuguesa, mas sim um dialeCto estatal inconstitucional, e AO QUAL a SAP/OPG, nem qualquer dos seus membros, NÃO ESTÃO OBRIGADOS A SE SUJEITAREM, e que os governantes estão a tentar impor ilegalmente em Portugal, contra a vontade da maioria da população, segundo sondagens de opinião, publicadas, até no “Facebook”.  

 

Esse dialeCto ilegal chama-se “ Acordo Ortográfico de 199O” ou seja o dito AO199O , que não está,   nem pode estar juridicamente em vigor, na ordem jurídica   internacional (ver mais abaixo as razões)   e ipso facto não pode estar em vigor na ordem jurídica nacional ( de acordo com o número 2 do artigo 8º da Constituição da Republica Portuguesa (CRP)   e,   por conseguinte, não pode estar em vigor, igualmente, em nenhum dos 7 Países de Língua Oficial Portuguesa. 

 

O AO199O não é uma [nova]   Convenção Bi-Lateral entre Portugal e o Brasil,   mas é sim um Tratado Internacional entre 7 países ( de língua oficial portuguesa) ,   e como tal tem que obedecer aos cânones do Direito Internacional, por força do disposto no artigo 8º número 2   da Constituição da República Portuguesa  (CRP).

 

Além disso   tem de  respeitar   igualmente a    Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, a qual   estipula no seu artigo 1,   que ela se aplica aos Tratados concluídos   entre Estados.

 

Caso não saibam informo que   a Convenção de Viena foi   assinada por Portugal a 23 de Maio   de 1969 (Resolução da Assembleia da República número   67/2003).

 

Esta Convenção   requer imperativamente a regra da unanimidade no seu artigo 9, que   estipula o seguinte na   sua alínea   1 – "A adopção do texto   de um Tratado   efectua-se   pelo consentimento de todos os Estados participantes na sua   elaboração”.

 

Ora, apenas 3 países:   Portugal, Brasil e Cabo Verde   ratificaram o Tratado   Internacional AO199O. Por conseguinte constatamos aqui uma primeira e enorme violação da Convenção de Viena!  

 

Por outro lado “…. o 2º PROTOCOLO MODIFICATIVO do AO199O, que, tecnicamente é uma Convenção e não um tratado, ou mero acordo, foi ratificado extemporaneamente pelo Presidente da República, [Aníbal Cavaco Silva ] e por um decreto… inconstitucional, porque por ele se legislou,   não o podendo fazer.” (Carlos Fernandes, Jurista e   Embaixador “O Acordo Ortográfico de 1990 NÃO está em Vigor” , Edições Guerra e Paz , 2016, pp 75-76).

 

Angola e Moçambique rejeitaram-no categoricamente até à data e   certamente nunca o irão   ratificar.  

 

Como se isso não bastasse   vem agora Cabo Verde, rejeitar estrondosamente   (início de 2017)   o português   como língua oficial e declarou o CRIOULO CABO-VERDIANO   a LÍNGUA OFICIAL DA REPÚBLICA DE CABO VERDE.

Este faCto só por si agrava as já patentes inconstitucionalidades do AO199O   e tem   consequências importantes no que respeita à violação do Direito Internacional (norma jurídica internacional).   Os instrumentos de ratificação do AO1990 foram depositados pelos Estados Signatários, no Ministério dos Negócios Estrangeiros   (MNE) em Lisboa, dado que Portugal é o Estado Depositário desses mesmos instrumentos.

 

Até à data, que eu saiba, o MNE não tirou as ilações que se impõem, ou seja agora   apenas 2 países (Portugal e o Brasil) são signatários desse Tratado   Internacional, o que torna, ipso facto,   CADUCO,   o já por si inconstitucional e ilegal Acordo Ortográfico!

 

Ora o 2º Protocolo Modificativo (igualmente ilegal, porque a regra da unanimidade da Convenção de Viena não foi respeitada, dispõe no seu artigo nº 1 que   “ O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa”. Ironicamente esse “terceiro depósito de instrumento de ratificação” deixou de ter existência REAL e LEGAL.

 

Como se pode constatar além das ilegalidades, inconstitucionalidades, todas estas trapalhadas   são indignas de um Estado de Direito, ridículas e deslustram   a imagem e a reputação de Portugal a nível internacional.  

Como, aliás já se pode igualmente constatar aqui:

 

SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO, QUER SABER O QUE DIZEM OS ESTRANGEIROS SOBRE A SUBMISSÃO DE PORTUGAL AO BRASIL NA QUESTÃO DO AO90?

 

 

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/senhor-primeiro-ministro-quer-saber-o-81060

 

Independentemente das questões linguísticas - em Portugal e nos PALOP’s, prima a etimologia, no Brasil a fonética, e assombradamente   a fobia às consoantes ditas erradamente mudas, pois estas têm uma função diacrítica - que não são do meu foro e competência   e sobretudo do desvairo   que foi a razão primordial apontada para justificar o AO199O que pretendia QUERER   UNIFICAR AUTORITARIAMENTE por decisão política ilegítima e inconstitucional   a grafia de 7 países diferentes ( fracasso total)   e da destruição, lenta mas segura da MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA, terei de fazer DUAS   OBSERVAÇÕES SUPLEMENTARES IMPORTANTES , para que se   realize que o CAOS ORTOGRÁFICO vigente apenas em Portugal   (nem no Brasil impera essa trapalhada do ACORDÊS) ilustra uma nova e inédita forma de autoritarismo que   tende para uma DICTADURA ORTOGRÁFICA,   isto 40 anos depois do 25 de Abril.

 

1) - O Português, como língua, referido no   número 3 do artigo 11º da Constituição da República Portuguesa   (CRP) , é e só poder ser, aquela em que a mesma está escrita”.

 

E acontece   que tal só pode ser o resultante da Convenção Ortográfica Luso-brasileira de   Dezembro de 1945, aprovada pelo Decreto-Lei numero 35.228 de 8 de Dezembro de 1945 , com a pequena alteração, quanto aos acentos,   fixada pelo Decreto-Lei número 32/73 de 6 de Fevereiro de 1973”.

 

O facto de o Senado brasileiro ter posteriormente denunciado escandalosamente esta Convenção de 1945 que   consequentemente NÃO APLICOU, não teve qualquer influência na ortografia oficial portuguesa. Portugal continuou a respeitar a   Convenção Luso-brasileira de 8 Dezembro de 1945.

 

2) - A Resolução número 8 /2011 (aplicável a 1 de Janeiro de 2012, cujo cumprimento seria obrigatório apenas ao sistema educativo e a manuais escolares ) tomada   em Conselho de Ministros , a 25 de Janeiro de 2011,   pelo governo do altamente tóxico José Sócrates, ex-presidiário em Évora, é meramente   um   “despacho normativo   autónomo” e sem força de Lei , que nada regulamenta que fosse regulamentável (lei ou decreto –lei). (Carlos Fernandes, Ibidem)

O artigo 11º, nº 7 da CRP   que dispõe : “7. Os regulamentos devem indicar expressamente as leis a que visam regulamentar ou que definem a sua competência subjectiva para a sua missão" .

 

O governo de Sócrates pela Resolução 8/2011 NÃO invoca uma lei ou um decreto-lei , mas sim o disposto na alínea g) do artigo 199º da CRP, o que é mais do que abusivo - é ridículo-- pois     ACORDOS/TRATADOS INTERNACIONAIS   não entram em vigor por meros   despachos governamentais, como já se referiu   supra.   (Carlos Fernandes, Ibidem).

 

Este “pormenor” tem uma IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL, mas que de ninguém quer falar (aparentemente) Porquê ?   Há aqui uma grande   CONSPIRAÇÃO do SILÊNCIO !

 

O artigo 199 º da CRP permite   ao governo, no domínio das suas actividades privativas,   “praticar todos os actos e tomar as providências à promoção do desenvolvimento económico-social e à satisfação das necessidades   colectivas” .

 

De que forma é que a imposição autoritária do AO199O vai concorrer para o desenvolvimento económico-social em Portugal? Pelo contrário, só deu prejuízo (os pais dos alunos afectados que o digam) e está a ser um completo retrocesso social por ser também causa de  crescente iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral.

 

O Decreto-Lei número 35.228   de 8 de Dezembro de 1945 acima referido   apenas pode ser revogado ( e até à data ainda não o foi) por outro Decreto-Lei da Assembleia da República.

 

Ao mandar aplicar ao sistema educativo e aos manuais escolares   o AO199O, tentando assim desta forma legislar (ilegalmente como é óbvio)   o governo de José Sócrates claramente demonstra uma prepotência   e usurpa   poderes   que não tem, e que não lhe são reconhecidos   pela Constituição da República Portuguesa (CRP), violando-a assim   de forma escandalosa. Mas quase ninguém o diz – Porquê ? Receio de represálias (como anteriormente ao 25 de Abril ?)

 

A citação   que   segue é deveras muito importante, pois ela demonstra que   também   a Associação Austro –Portuguesa (AAP/OPG), ao utilizar um dialeCto estatal, ilegal   e inconstitucional , ao qual não está de maneira alguma obrigada ( e isto dever ser realçado)   está   a trair a Pátria de Fernando Pessoa e a contribuir para a destruição, lenta mas segura da MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA, que é parte integrante do Património Imaterial de Portugal, tal como consagrado   na Convenção da UNESCO.

 

Deve referir-se aqui que esta situação trágica é um caso único no Mundo, onde uma Nação, teimosamente persiste em querer continuar a mutilar   e a conspurcar a MATRIZ da sua própria língua, em vez de revogar um Tratado Internacional, o AO199O ou seja um   FRANKENSTEIN LINGUÍSTICO e que nenhum outro país aceitou praticar da mesmo forma que em Portugal, nem sequer o Brasil !  

 

Ver aqui:

PORTUGAL É CASO ÚNICO NO MUNDO QUANTO À VENDA DA SUA LÍNGUA OFICIAL

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/portugal-e-caso-unico-no-mundo-quanto-a-80116

 

Nem Castelhanos, nem   Austríacos, nem Alemães, nem Franceses, nem Ingleses, não esquecendo os Bascos e os Catalães, etc. aceitaram “vender” assim ao desbarato e a interesses financeiros de Editoras (como aliás já o foi comprovado por acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, dando razão a   Paulo de Morais, Ex-candidato à Presidência da República, que denunciou publicamente esses factos durante a campanha eleitoral),   a sua própria língua e cultura tratando-a   como uma simples mercadoria ou um qualquer detergente.

 

O Acordo Ortográfico é uma questão/situação, quer   de facto quer jurídica , em que se está abusivamente mutilando a língua portuguesa, perante a PASSIVIDADE   COLABORANTE DOS SEUS UTILIZADORES, COM A AGRAVANTE DE NELES ESTAREM INCLUÍDOS PROFESSORES E TRIBUNAIS, NÃO ESTANDO ESTES VINCULADOS AO CUMPRIMENTO DA RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS 8/2011 DE 25 de JANEIRO 2011, MESMO QUE FOSSE LEGAL, QUE NÃO É ! A isto, quando eu estudei Direito, chamava-se “ditadura”. (Carlos Fernandes, Jurista e Diplomata Português).

 

Fernando PESSOA declarou o seguinte: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e, portanto, um fenómeno espiritual.  

O Estado nada tem a ver com o espírito.

 

O Estado não tem o direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião   que não aceito”.

 

A Língua Inglesa tem sensivelmente 37 variantes e nunca passou pela cabeça   do governo Inglês ou da Rainha, quererem UNIFICAR a grafia do Inglês por esse mundo fora, pois como é óbvio não padecem daquilo que é verdadeiramente uma   TARA   LUSO-BRASILEIRA ( Cf. Artigo:

 

«UMA TARA LUSO-BRASILEIRA CHAMADA "ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990"»

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/uma-tara-luso-brasileira-chamada-acordo-75998

 

Sebastião Póvoas, Vice-Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, numa Declaração de voto  (Ac. STJ 16-6-2015, processo 7/15.3YFLS , caso Rui Teixeira, sobre a Inconstitucionalidade da Resolução de Conselho de Ministros nº 8/2011) declarou o seguinte:

 

“Se o Acordo/Tratado [Ortográfico] não foi ratificado por todos os Estados que o subscreveram (e não o foi, seguramente, por Angola e Moçambique, NÃO ESTÁ em vigor na ordem jurídica internacional, não vinculando, nessa medida, o Estado Português, de acordo com o número 2 do artigo 8º da Constituição da Republica Portuguesa (CRP) .”

 

Muitos outros juristas partilham a mesma conclusão, tais como Francisco Ferreira de Almeida, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Paulo Saragoça, Jurista Português, etc. etc..

 

Apesar destas inconstitucionalidades orgânicas e formais   da RCM 8/2011 ( aplicável a 1 de Janeiro de 2012 à Administração Pública, bem como ao Sistema Educativo,   assim como das ilegalidades “sui generis” , existe em Portugal:

 

1)- uma “omertà”;

2)- uma demissão e um silêncio institucionais e vergonhosos ;

3)- assim como uma   passividade   da Sociedade Civil e a do Povo Português soberano.

 

E tudo isso conduziu Portugal a um CAOS ORTOGRÁFICO,   e á MUTILAÇÃO   da sua própria   LÍNGUA   e   do qual a Nação Portuguesa não sairá ilesa, pois as   sequelas metastáticas, são já numerosas.

 

Por outro lado isto significa claramente que um País que se diz um   ESTADO de DIREITO, onde os governantes não só não respeitam a Constituição, mas de maneira sobranceira e autoritária,   continuam   infelizmente a violá-la, esse país envereda   pela senda das REPÚBLICAS   BANANEIRAS !

 

Como cidadão   português, eu não tenho razões para estar contente e muito menos orgulhoso deste país, que espezinha Luiz de Camões, Fernando Pessoa e tanto outros que foram além   da   TAPROBANA !

 

As gerações vindouras e a História julgarão severamente, os governantes responsáveis por esta situação tragicamente ridícula, assim como   um Povo submisso e subserviente que merece esse mesmo tipo de governantes.

 

Na minha qualidade de cidadão português, cumpri o meu dever, (o que tenho vindo a fazer há já alguns anos   em variadíssimos fóruns e cenáculos),   que é o   de preservar a MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA,   um património que me foi legado   por gerações passadas. É meu dever   preservá-lo para as gerações vindouras. É meu dever lutar contra a CRIOULIZAÇÃO do português culto e europeu.

 

É óbvio   que reconheço o mesmo direito, incluindo o de outros países   mutilaram a matriz da língua portuguesa, mas não em Portugal, porque a   MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA originou-se em Portugal e não no Brasil.

 

Repito, isto é um caso ÚNICO no MUNDO. Nenhum outro povo digno e vertical, por exemplo os Castelhanos, os   Austríacos, os Alemães, os Franceses, os Ingleses, os Bascos e Catalães, etc. deixaram adulterar e perecer assim a MATRIZ das   respectivas línguas. É igualmente necessário que a   Sociedade Austro-Portuguesa (SAP/OPG) tome consciência disto e contribua, igualmente para a preservação da MATRIZ da língua portuguesa.

 

Eu continuarei a  EXIGIR A RESTITUIÇÃO  DA MATRIZ da LÍNGUA PORTUGUESA.

 

(Ver:

«É PRECISO EXIGIR A RESTITUIÇÃO DA MATRIZ DA LÍNGUA PORTUGUESA»

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/e-preciso-exigir-a-restituicao-da-77217

 

Cordialmente,

Francisco  João DA SILVA,  um Pensador Livre.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:06

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Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

UMA IGNORÂNCIA MILITANTE E ACTIVA ESTÁ A TRAMAR PORTUGAL E A LÍNGUA PORTUGUESA

 

 

O inimigo número um da Evolução é, foi e sempre será a ignorância.

 

E ignorância é o que não falta por aí. Uma ignorância militante, activa, viscosa, contagiante, nociva, que se propaga de cima para baixo, abarcando a classe política e estendendo-se ao povo, que não tem como sair do charco de lama para onde o atiraram.

 

E as crianças? O que estão a fazer com as crianças é criminoso.

KARL POPPER.png

 

Qual o partido político que mais está a tramar a Língua Portuguesa?

 

O Partido Socialista, obviamente, e os seus incompetentes ministros dos Negócios DOS Estrangeiros, da Cultura e da Educação.

 

Há, portanto, que penalizar o PS nas próximas eleições autárquicas.

 

Basta de andarem a gozar com os Portugueses.

 

Basta de andarem a enganar as crianças portuguesas, impingindo-lhes uma ortografia que não é a Portuguesa.

 

Basta de se fazerem de surdos aos apelos do povo culto português.

Basta deste ruidoso silêncio ao redor de uma ortografia que a maioria do povo português rejeita.

 

Basta de andarem por aí a retirar dignidade à nossa Língua culta.

 

Basta de tanta estupidez!

 

Não podemos aceitar por mais tempo este linguicídio.

 

Há que punir severamente os culpados desta fraude chamada AO90, a maior fraude de todos os tempos da História de Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:06

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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