Sexta-feira, 24 de Março de 2017

«NÃO HAVERIA DITADORES SE NÃO TIVESSEM QUEM OS SEGUISSE»

 

Todos sabem que Portugal vive uma ditadura fantasiada de democracia. Se assim não fosse, os ditos governantes “democráticos” já se tinham dado conta de que os Portugueses, minimamente instruídos e os outros também, rejeitam o AO90.

Os acordistas são os novos escravos dessa ditadura.

Luí Filipe Pimentel Costa conduz-nos a uma reflexão pertinente.

 

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Origem da imagem:
https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645118928923112.1073741834.199515723483437/712219155546422/

 

 «O principal responsável é o homem bom e cumpridor das legalidades que denuncia o vizinho, levando a que seja torturado e eventualmente morto.

 

Os principais responsáveis são os soldados que vêm buscar o vizinho denunciado pelo delator.

O principal responsável é o sargento que interroga o vizinho denunciado.

O principal responsável é o cabo que tortura o vizinho denunciado, "apenas" cumprindo ordens.

São mais responsáveis que os generais sentados nas suas poltronas, apenas a cagar ordens.

 

Estes generais só são mais responsáveis que o ditador que, do alto do seu púlpito dança sobre a cabeça dos generais, sem os quais se despenharia e seria encerrado num manicómio.

 

Responsáveis são os professores que se dizem contra o anti ortográfico e todos os dias violentam os alunos, ensinando-os e obrigando-os a escrever errado.

 

Imagine-se todos estes professores ... dezenas? centenas? dezenas de centenas? Imagine-se todos estes professores a recusarem-se a violentar os alunos na sua cidadania…

 

Imagine-se TODOS estes professores a formarem uma associação que se manifeste nos meios de comunicação social, que se manifeste no ministério que deveria ser da cultura.

 

Terão os seus porquês, as suas justificações, mas o facto é que são responsáveis, dos principais responsáveis pela manutenção e propagação do porcalhês que segue o anti ortográfico de 1990.

 

Como os professores, também os encarregados de educação que se dizem contra o anti ortográfico de 1990. Imagine-se todos estes encarregados de educação, TODOS, a recusarem que os seus educandos sejam violentados na sua cidadania e obrigados a escrever errado.

 

Imagine-se TODOS estes encarregados de educação a OBRIGAREM, a EXIGIREM que os seus educandos, não sendo, como não são funcionários públicos, não sejam violentados na sua cidadania e OBRIGADOS a escrever ERRADO.

 

Mais me preocupa o silêncio dos bons que voltam a cabeça para o lado, do que as atrocidades dos maus.

 

O importante é reconhecermos os nossos erros. O importante é, reconhecendo os nossos erros, dispormo-nos e esforçarmo-nos por não os repetir. Importante também é transmitirmos aos outros o conhecimento dos nossos erros, numa tentativa de que os outros os não façam.

 

Afinal de contas, todos nós somos humanos, e como tal erramos. Se não errássemos seriamos deuses.»

(…)

Luís Filipe Pimentel Costa

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:01

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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

PROFESSORES DE PORTUGUÊS: EXIJAM QUE VOS APRESENTEM A LEI QUE TORNA OBRIGATÓRIA A APLICAÇÃO DO AO90 NAS ESCOLAS

 

DESOBEDIÊNCIA.jpg

 É MAIS FÁCIL CEDER DO QUE LUTAR

 

Comentário1: «Senhores professores, organizem-se para recusar a imposição de um "AO" ilegal e inconstitucional. Refilar sem agir é inútil», disse a Teresa. (*)

 

Comentário2: «Mas os professores, por exemplo, podem ser alvos de sanções disciplinares», disse a Margarida. (*)

 

Comentário3: «O grande problema está mesmo nos professores (quase todos) que o aceitaram, sem barafustar!», disse a Gabriela. (*)

 

Ora aqui é que está o busílis desta questão: os PROFESSORES CEDERAM, pura e simplesmente. Mas ainda estão a tempo de recuperarem o mal que provocaram ao obedecer a “ordens” e não a leis.

 

E se fizessem uma GREVE GERAL? Ninguém vos despedirá.

 

Exijam que vos mostrem a LEI (vou repetir: LEI) que torna o AO90 de aplicação OBRIGATÓRIA nas escolas.

 

Sabem o que é oidireito à desobediência civil?

 

A desobediência civil dá voz a convicções de consciência e o direito à resistência, no artigo 21º da Constituição da República Portuguesa.

 

Recusem-se a ensinar uma ortografia ILEGAL.

 

E se só regressassem às aulas quando o governo atirar ao lixo este lixo ortográfico?

 

Se tivessem feito isto logo de início, o AO90 nem sequer tinha passado do portão das escolas.

 

Usem todas as ARMAS legais a que têm direito, mas não continuem a dizer: SOMOS OBRIGADOS...

 

Porque na verdade, NÃO SÃO OBRIGADOS.

 

Não existe LEI nenhuma que obrigue a aplicar o AO90, e nós só somos obrigados a cumprir leis, e mesmo essas, se forem injustas, temos o direito de desobedecer a leis injustas…

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) Estes comentários encontram-se no Facebook, no Grupo "Professores Contra o Acordo Ortográfico"

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:24

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

AS NEGOCIATAS OBSCURAS AO REDOR DOS MANUAIS ESCOLARES, MAS TAMBÉM AO REDOR DO AO90

 

A jornalista Alexandra Borges é a autora de uma Reportagem que passou na TVI, há uns dias, sobre o negócio os livros escolares em Portugal.

 

Uma belíssima reportagem sobre as negociatas sujas que se fazem ao redor dos manuais escolares, mas não só.

 

Só faltou falar nas outras negociatas sujas que se fazem ao redor da aplicação do AO90, que para o lobby editorial, bem desmascarado nesta reportagem, também é tão primordial como as dos manuais. E o esquema é o mesmo.

 

MANUAIS.jpg

 Origem da foto: Internet

 

A reportagem da TVI causou um certo mal-estar entre os que nela foram envolvidos, e muitos professores enfiaram uma carapuça (que lhes serviria ou não) o certo é que obrigou Alexandra Borges a fazer um esclarecimento na sua página do Facebook.

 

A jornalista esclarece que nenhum governante, seja de que partido for, protegeu as famílias como era seu dever, procurando negociar um preço justo com as editoras para os manuais escolares.

 

Mais, denuncia que NINGUÉM (excepto os editores) sabe a composição do preço deste bem essencial, de consumo obrigatório, que os professores escolhem e os pais pagam.

 

Na reportagem, Alexandra Borges tentou também explicar como o marketing, promoção e oferta de manuais escolares a professores, de forma desregrada e irracional, encarece o preço (PVP) dos manuais escolares, e acompanhou essa explicação com provas concretas: documentos das próprias editoras, acrescentando que as ofertas de manuais e outro material didáctico, estão proibidas na Lei 47/2006. É só consultar.

 

Mais disse a jornalista que as denúncias foram feitas, na primeira pessoa, por vários professores corajosos que não se identificam com a actual situação, sublinhando que até por isso, nunca em nenhum momento desta investigação, se generalizou esta promiscuidade a uma classe profissional de que fizeram parte os próprios pais da jornalista, durante toda a sua vida.

 

Alexandra Borges termina o seu esclarecimento acrescentando que os professores que se sentiram ofendidos, das duas uma: ou não perceberam nada desta investigação, ou viram outra reportagem que não a que passou na TVI.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/alexandra.borges.963/posts/10154849344213830

 

***

POR QUE O AO90 AINDA SOBREVIVE, APESAR DE REJEITADO PELA ESMAGADORA MAIORIA DOS PORTUGUESES?

 

A reportagem de Alexandra Borges pôs a nu o poder que o lobby editorial exerce sobre o poder político e sobre outras personagens, aliciando-as com caixotes a abarrotar de mimos e outras delicadezas.

 

Mas não só em relação aos manuais escolares o lobby editorial mexe os seus pauzinhos.

 

Todos sabem que o poder político anda muito caladinho no que diz respeito ao AO90, que sabemos ser rejeitado pela esmagadora maioria dos Portugueses, até pelos que não têm habilitações literárias superiores, e se ficaram pela chamada 4ª classe, porém estudaram Língua Portuguesa como deve ser estudada, nas antigas escolas Primárias, com Professores que apesar de serem considerados “primários” tinham conhecimentos muito superiores a muitos dos que hoje possuem canudos universitários, mas apenas canudos e nada mais, porque o Saber, ficou pelo caminho…

 

Pergunta-se então, por que o AO90 ainda sobrevive? O que está por detrás deste atentado contra o património maior de Portugal?

 

A resposta não será óbvia?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:18

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Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

QUE INTERESSES OBSCUROS ESTÃO POR DETRÁS DA IMPOSIÇÃO ILEGAL DO AO90 NAS UNIVERSIDADES?

 

LÍNGUA.png

 

Este é um episódio da realidade portuguesa, numa universidade.

 

Mafalda (nome fictício), estudante na UL, solicitou os meus serviços para lhe rever o texto da sua dissertação. Aceitaria se não estivesse acordizado. Estava, porque era obrigada, embora não concordasse, informou-me ela. Então, a minha resposta foi não. Não corrijo textos acordizados. Se os corrigisse, teria de os “passar” a limpo, para Língua Portuguesa. A legítima. A única. A que se encontra em vigor.

 

Aguardei quase uma semana pela resposta da Mafalda:

 

«Peço desculpa por só lhe estar a responder agora, mas só hoje consegui ter uma resposta definitiva à minha última tentativa para não utilizar o novo AO.

 

A resposta não foi a que eu desejava, mas foi aquela que estava a prever. O que me disseram foi que sou mesmo obrigada a utilizar o novo acordo ortográfico. Isto porque, por um lado, a UL adoptou o novo AO e, por outro, existe legislação nacional, actualmente em vigor, que obriga as escolas a utilizarem o novo acordo ortográfico e a imporem a sua utilização aos seus alunos.

 

Quando disse à Isabel que a minha orientadora me disse para utilizar o novo AO, expliquei-me mal. A orientadora também é contra o novo AO, mas quis defender os meus interesses. Mesmo que ela fizesse de conta que não reparou, a dissertação não iria passar da secretaria após a entrega. E mesmo que na secretaria também não reparassem, do dia da defesa iam dizer-me para alterar e entregar novamente.

 

Como não estou a fazer o mestrado para ter esta graduação só porque sim e preciso mesmo dele por motivos profissionais e com urgência, e como também, embora sendo contra o novo AO, não estou tão acerrimamente envolvida nesta causa como a Isabel, não vou fazer mais nada e vou mesmo entregar a dissertação escrita com o novo AO.

Tenho pena de não poder contar com a sua colaboração (e também já nem vou contactar mais ninguém para fazer a revisão), mas entendo perfeitamente a sua postura e dou-lhe os meus sinceros parabéns pela sua coerência.

 

Pedindo-lhe desculpa pelo tempo que lhe tomei…»

 

***

Esta resposta deixou-me perplexa. A UL obriga os alunos a escreverem mal a Língua Materna? Por alma de quem?

Cara Mafalda,

 

Doeu-me a alma ao ler esta sua mensagem. Por si, que está a ser ENGANADA, e NÃO É OBRIGADA a aplicar o AO90 na sua dissertação, porque não existe nenhuma legislação nacional (não existe) que a obrigue a aplicá-lo.

 

E também me faz doer a alma, pelas mentiras que o sistema apregoa, ignorando e desrespeitando a Constituição da República Portuguesa.

 

A UL até poderia ter adoptado o AO90, por ignorância ou por INTERESSES DUVIDOSOS, só que a UL NÃO PODE EXIGIR que os alunos apliquem esta aberração. E se a Mafalda apelasse para a Justiça, teria ganho de causa.

 

A falta de informação ou a ignorância optativa, é que “obriga” as escolas a imporem uma norma ilegal.

 

A sua orientadora, desculpe que lhe diga, deveria informar-se melhor, e não induzir a Mafalda em erro. Fica mais fácil dizer «É obrigada» do que «Não é obrigada, mas isso implicaria algum incómodo, e os professores (hoje transformados em serviçais do ensino) optam por não se incomodarem».

 

Saiba que existe muitos alunos do Ensino Superior que se recusam a entregar as suas dissertações em AO90 e não lhes acontece nada.

 

Saiba também que existem alguns professores que não aplicam o AO90 nas escolas e não lhes acontece nada, porque legalmente ninguém pode fazer nada contra quem se recusar a escrever com erros ortográficos.

 

São poucos. E é nisso e no medo que alunos e professores têm de perder “algo” (ainda que hipoteticamente), que os políticos incompetentes e subservientes ao lobby editorial apostam, para impingir uma ortografia mutilada.

 

Se a sua dissertação não passasse na Secretaria, a Mafalda tinha todo o direito de apresentar uma queixa, porque a aplicação do AO90 é ilegal e inconstitucional (já lhe tinha dito e enviei-lhe um link, mas vou deixar aqui um outro para demonstrar-lhe o que digo:

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/em-portugal-a-imposicao-do-ao90-e-18730

 

 

Compreendo a sua situação. O sistema vale-se da necessidade dos jovens, para impor uma “coisa” ilegal, de lesa-língua e lesa-pátria.

Sim, eu estou empenhadíssima em defender a Língua Portuguesa, e aproveitarei este seu exemplo para agitar as águas estagnadas do ensino da Língua Portuguesa, em Portugal.

 

Estes casos têm de ser desmascarados, porque são ilegais. E a UL não pode obrigar ninguém a cometer uma ilegalidade. É ilegal.

 

Sinto muito, por si.

 

Gostaria que não pensasse que estou a “pressioná-la” por interesse.

Eu até estaria disposta a abdicar da minha remuneração pelo trabalho, se a Mafalda tivesse a coragem de romper as amarras. Essa seria a minha maior recompensa.

 

Mas compreendo que não queira arriscar. Mas se arriscasse, nada poderiam fazer contra si.

 

Sinto muito por si, pelo seu dilema e pela Língua Portuguesa, que está a ser atirada ao caixote do lixo, e os grandes culpados são os professores que deviam ser os primeiros a rejeitar esta aberração ortográfica, e não o fazem por medo, por ignorância, por comodismo, por ser mais fácil acomodarem-se e por subserviência.

 

Não pense que me fez perder tempo.

 

Obrigada, por ter-me escolhido. Valeu a pena, porque poderei ajudar a desmascarar todos os que obrigam os alunos a escrever incorrectamente a própria Língua, induzindo-os a cometer uma ilegalidade».

 

***

Esta foi a minha resposta à Mafalda.

 

A Mafalda entregou a sua dissertação de mestrado cheia de erros ortográficos.

 

E este é o exemplo perfeito da miséria educativa em que se encontra o ensino da Língua Portuguesa em Portugal.

 

E nem Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, que jurou defender e cumprir e fazer cumprir a Constituição defende a Língua Oficial do País que representa.

 

Não é uma vergonha?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:03

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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

MEXERAM-LHES NOS BOLSOS… PROFESSORES, PAIS E ALUNOS PROTESTARAM… E EM DEFESA DA LÍNGUA?

 

Não vimos nenhum professor, pai ou aluno sair à rua a manifestar-se contra o AO90.

 

A Fenprof entregou 71 mil assinaturas em protesto pela escola pública, porque lhes mexeram nos bolsos…

 

E se estas assinaturas fossem aproveitadas para protestar contra a aberração ortográfica, chamada AO90, impingida ilegalmente nas escolas, e que está a formar ignorantezinhos?

 

Nunca vimos sair às ruas um protesto de professores, pais e alunos contra a maior fraude da História de Portugal: o AO90.

 

Era este o protesto que (também) deveria ser feito em defesa do símbolo maior da nossa identidade: a Língua Portuguesa.

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 16:05

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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

DOCUMENTO DA ANPROPORT PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

(Um texto que todos os portugueses conscienciosos, que amam a  Língua Portuguesa, subscrevem na íntegra).

 

ANPROPORT.jpg

 

A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever uma ortografia que repugno […].Fernando Pessoa

 

A decisão oficial de implementar o uso do novo Acordo Ortográfico de 90 (AO90), na Escola, anulando a norma até então vigente e resultante do acordo ortográfico luso-brasileiro, ratificado em 1945, e ao qual o Brasil, sublinhe-se, renunciou pouco depois, constituiu, e continua a constituir, uma violência imensa sobre os professores, mormente sobre os professores de Português. Com efeito, a aprendizagem da língua materna e a análise de textos, literários ou não, foi fortemente atingida por incoerências, absurdos e facultatividades que vieram desestabilizar a língua e pôr em causa a função normativa da ortografia, impedindo forçosamente os professores de ensinar porquanto não é admissível que se ensinem erros ou se justifiquem incoerências com a força de um decreto, aspectos que mais adiante exemplificaremos. A língua não se decreta, e daí a epígrafe que norteia o presente texto. A língua evolui muito naturalmente e quando necessário deve ser discutida com rigor, espírito científico e sensatez por quem sabe da matéria. Tudo o que, na verdade, falhou neste processo e pode ser confirmado pela leitura do único texto elaborado pelos autores do AO 90 para o justificar: a «Nota Explicativa Do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)».

 

O facto de nesta «Nota Explicativa» se invocar a «teimosia lusitana» para a manutenção de consoantes mudas que não se articulam, consideradas «dificuldades suplementares» para «professores e estudantes de português», e que os brasileiros «há muito» suprimiram, ou se justificar a sua supressão com a «facilidade da aprendizagem da língua» para as «crianças de 6/7 anos», aliviando a sua memória que, assim, será disponibilizada «para outras áreas de ensino» ou ainda se considerar essas alterações «pouco significativas em termos quantitativos», são aspectos que traem a competência científica de quem se arvorou, na realidade, em dono da língua e silenciou vozes críticas ignorando a sua opinião. Será oportuno transcrever as palavras do linguista António Emiliano, que em profundidade analisou este processo dando-o a conhecer em 3 obras que referiremos no ponto 3 deste texto: A função de uma ortografia não é nem facilitar o ensino da escrita nem reflectir a oralidade; a ortografia serve para codificar e garantir a coesão da língua escrita normalizada de uma comunidade nacional. (1)

 

Focando os exemplos que lesam uma reflexão sobre a língua que se pretende incutir nos alunos, encontramo-los em larga escala na supressão das consoantes mudas (c e p) resultante da imposição do critério não científico da «pronúncia», que levianamente menospreza a etimologia, componente cultural da ortografia, facto agravado pela generalização que se desencadeou dessa supressão, mesmo em vocábulos em que as ditas consoantes se pronunciam, aumentando a confusão que se vive na Escola e na sociedade em geral. Somam-se os «latentes» em vez de «lactentes», os «laticínios», em vez de «lacticínios», os «contatos», em vez de «contactos», o mesmo se passando com a conjugação do respectivo verbo, os «fatos», em vez de «factos», o «tato» em vez de «tacto», o «pato» e o «compato», em vez de «pacto» e «compacto».

 

Os erros de leitura e de compreensão do sentido tornam-se comuns, como nos casos de «receção» ou de «conceção» (por recepção e concepção) e que os alunos lêem como se se tratasse, respectivamente, de «recessão» e de «concessão». Aliás, na comunicação social televisiva é habitual.

 

Fonte de equívocos, contrariando a função da ortografia, será também para os alunos a supressão do acento gráfico em pára (flexão do verbo parar), confundindo-se com a preposição para, ou em péla (flexão do verbo pelar), confundindo-se com a contracção pela, ou ainda no substantivo pêlo, confundindo-se com a contracção pelo, mantendo-se, no entanto, o circunflexo em pôr para se distinguir da preposição por. Que lógica há em tudo isto?

 

A confusão temporal gerada pela imposição de facultatividade à acentuação da 1.ª pessoa do plural do Pretérito Perfeito do Indicativo, dos verbos da 1.ª conjugação, que desse modo se diferenciava do Presente do Indicativo, da mesma pessoa (pensámos/pensamos), pode ser visível na análise do sentido de um verso ou de uma frase, experiência que muitos professores podem testemunhar, nomeadamente no estudo da obra poética e em prosa de Fernando Pessoa e heteronímia. O que era norma gramatical passou para a designação de regionalismo.

 

Os exemplos apresentados, entre muitos que diariamente interferem negativamente no ensino da Língua Portuguesa e na análise de texto de autores literários, e não só, fundamentam a necessidade urgente de uma séria reflexão sobre o assunto, ouvindo pessoas de reconhecido mérito científico que publicamente se manifestaram e têm manifestado contra o AO90, e que poderão igualmente dar conta do caos ortográfico que a implementação do referido acordo está a ocasionar. Não é demais lembrar ainda o facto de, em 1991, o Ministério da Educação, nomeadamente a Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário, ter apresentado parecer contrário à implementação deste AO que foi inadmissivelmente ignorado, arrastando os professores para uma obediência que põe em causa a sua inteligência, o seu estudo e a sua afectividade pela língua portuguesa: Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação e é, frequentemente, uma simples consagração de desacordos.

 

Espera a Associação Nacional de Professores de Português (ANPROPORT), constituída por profissionais dos vários níveis de ensino, do pré-escolar ao universitário, que Sua Excelência, o Presidente da República, garante da democracia e preocupado, como nos foi dado ver, com o património colectivo que representa a Língua Portuguesa, suscite as audições necessárias para que se efective finalmente a reflexão e o debate que se impõem. Além disso, dever-se-á ter em conta que nem todos os países de Língua oficial Portuguesa ratificaram o referido AO, situação que intensifica a confusão gerada, continuando a usar a norma padrão do português, em sintonia com o acordo luso-brasileiro de 1945.

 

Lisboa, 4 de Abril de 2016

 

A Presidente da Direcção

 

Rosário Andorinha

 

(1) António Emiliano, Apologia do Desacordo Ortográfico. Lisboa, Babel, 2010, pág. 141.

                                                                                                         

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:49

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Quarta-feira, 30 de Março de 2016

TORNAMOS A REPETIR: O ACORDO ORTOGRÁFICO É ILEGAL

 

«O jurista Paulo Saragoça da Matta a lembrar-nos, se necessário fosse, a questãozinha legal: o chamado "acordo ortográfico" de 1990 não está, nem pode estar, em vigor em Portugal, uma vez que o processo conducente à sua imposição viola flagrantemente princípios elementares do Direito Público.

 

Sendo, assim, ilegal em Portugal, não pode ser usado por instituições públicas, muito menos – Senhores Pais e Professores! – no Ensino. (jcarlos_araujo)

 

O que é que aqueles que aplicam o AO/90 não entendem aqui?

Será necessário fazer desenhos?

 

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Fonte da imagem:

https://www.instagram.com/p/BBLFyizgY7q/?fb_action_ids=10207733485042502&fb_action_types=instapp%3Atake&fb_ref=ogexp&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B984764171561300%5D&action_type_map=%5B%22instapp%3Atake%22%5D&action_ref_map=%5B%22ogexp%22%5D

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:42

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

AO/90: NÃO HÁ QUALQUER OBRIGAÇÃO

 

Um excelente artigo que põe a nu a ilegalidade e a completa inutilidade de uma aberração chamada AO/90

 

OCTÁVIO.jpgTexto de Octávio dos Santos

in Jornal Público

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/nao-ha-qualquer-obrigacao-1726730?page=-1

22/03/2016 - 06:30

 

Há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar.

 

Que não restem dúvidas, que não sobrem ilusões: o “(des)acordo ortográfico de 1990” não é susceptível de qualquer aperfeiçoamento, melhoria ou revisão mas sim de uma erradicação completa e irreversível. Que, sim, não só é possível mas também indispensável.

 

Há 25 anos eram muitos os que não imaginavam, que não acreditavam, que os seus piores pesadelos nesta matéria se tornariam realidade. Eu e outros contestatários do AO90 pensámos (prematuramente, percebeu-se depois) que o “dito cujo carcará” ficara definitivamente morto e enterrado quando então se tentou implementá-lo pela primeira vez; nessa altura já estávamos… “acordados” para combater os delírios de candidatos a ditadores.

 

Entretanto, e à medida das possibilidades de cada um, tentámos promover a Lusofonia - a verdadeira, a respeitadora e apreciadora das especificidades, a do “todos diferentes, todos iguais” - de vários modos; no meu caso, lendo, estudando, recolhendo informações, participando em acções de promoção cultural, escrevendo artigos e um livro - “Os Novos Descobrimentos”, com Luís Ferreira Lopes, que neste ano de 2016 celebra(rá) o décimo aniversário da sua publicação…

 

... Até que, há cerca de dez anos, aconteceu que dois extremistas, dois radicais, alcançaram quase em simultâneo o poder em Portugal e no Brasil, e decidiram “desenterrar” uma aberração que tem tanto de imbecil como de inútil… e de ilegal.

 

Curiosamente, um já esteve na prisão (José Sócrates) e o outro está quase a ir para lá (Lula da Silva). Porém, e o que é pior, os que lhes sucederam e/ou continuaram no poder não tiveram (não têm) coragem para acabar com esse atentado à cultura. Dois exemplos recentes… Primeiro, o de Aníbal Cavaco Silva – que, nunca é demais recordar, era primeiro-ministro quando o AO90 foi iniciado e Presidente da República quando aquele foi “finalizado”: não vetou em (Agosto de) 2015 uma resolução da Assembleia da República que ratificou em Portugal o acordo relativo ao Tribunal Unificado Europeu de Patentes, entidades cujas únicas línguas de trabalho são o Inglês, o Francês… e o Alemão; a resolução foi aprovada com os votos favoráveis do PSD e do CDS e com a abstenção do PS, isto é, os três partidos (ir)responsáveis pela subsistência do aberrante “acordês” - ou seja, os protagonistas desta capitulação são os mesmos da concepção e da implementação do AO90: diferentes momentos, diferentes assuntos, e, no entanto, a mesma incompetência, a mesma falta de patriotismo, a mesma subserviência face ao estrangeiro; este - lamentável - caso é mais um exemplo de como o dito “acordo” falhou, e continuará a falhar, no seu alegado objectivo principal – o de contribuir para o aumento da expansão e da projecção internacionais da língua portuguesa. Segundo exemplo, o de António Costa: o actual primeiro-ministro* afirmou em Janeiro último na SIC, no programa “Quadratura do Círculo”, que “não tomo a iniciativa de desfazer o acordo ortográfico”, mas, entretanto, não hesitou em tomar a iniciativa de desfazer a privatização da TAP; aparentemente, há coisas mais “desfazíveis”, mais reversíveis do que outras... Os “acordistas” mencionam amiúde os (alegados) custos elevados de o “acordês” ser abandonado (patético “argumento”...); todavia, a “re-nacionalização” da transportadora aérea nacional poderá revelar-se tão ou mais dispendiosa do que mandar para a reciclagem livros e documentos cheios de erros.

 

Depois de três décadas de debate sobre a “questão ortográfica” ainda não me decidi sobre o que mais me surpreende nos “acordistas”: se a ignorância, se a desonestidade intelectual, se a cobardia... Algo que eles não compreendem claramente é o conceito de “evolução”: esta é uma transformação, ou conjuntos de transformações, que acontece(m) continuamente, muito lentamente, imperceptivelmente; são adaptações, respostas, a alterações ocorridas no ambiente (natural e/ou cultural). Obviamente, não serve como uma prova de “progresso” qualquer - ridícula, risível – lista de palavras que “perderam” as ditas “consoantes mudas”. Porque basta olhar para outras línguas (mais?) civilizadas, como o Inglês, o Francês e o Alemão, e verificar que elas mantêm todo o “excesso” de letras... sem, indubitavelmente, isso ter efeitos adversos no desenvolvimento cultural dos respectivos países.

 

Não é por acaso, evidentemente: maior complexidade - reflexo e receptáculo da história, da tradição, enfim, da etimologia – pode significar, ser, maior riqueza. Nem sempre a “simplicidade” é benéfica. O AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e, frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em Portugal como no Brasil. Seria de supor que, em democracia, tais rupturas radicais, referentes ao que de mais básico há numa nação - isto é, a sua forma de comunicação - e feitas à revelia do povo, da generalidade da população, já não fossem possíveis. Porém, e infelizmente, são... o que demonstra que, dos dois lados do Atlântico, a democracia não está, não é, propriamente desenvolvida e verdadeira.

 

A ver se nos entendemos de vez: não há qualquer obrigação, qualquer dever, de se proceder a regulares (grandes ou pequenas) alterações na ortografia. Se a maioria dos cidadãos as recusar, elas não se fazem. Ponto final. E eles não têm, não precisam, de dar qualquer justificação, qualquer explicação, da sua recusa; pelo contrário, quem tem de explicar e de convencer, correcta e legitimamente, são os “acordistas”, e estes têm falhado rotundamente nessa tarefa. Por isso, e como já escrevi em outra ocasião aludindo ao “jargão” futebolístico, tão do agrado de brasileiros e de portugueses, eles preconizam a “técnica da força” (a imposição sob pena de penalização) em vez da “força da técnica”...

 

E, ao contrário do que foi prometido, há pessoas em Portugal que estão efectivamente a ser penalizadas, prejudicadas, por – ou se – não se submeterem ao AO90: principalmente, os alunos, os jovens em idade escolar. Que não estão a ser defendidos pelos seus professores. E o que estes poderiam e deveriam fazer era juntarem-se – nas suas escolas, nos seus agrupamentos, nos distritos, no país – e recusarem-se a aplicá-lo. Se forem ameaçados com sanções… que recorram aos serviços jurídicos dos respectivos sindicatos. Apelem à FENPROF, e esta talvez os leve a sério, porque à ILCAO não levou aquando de uma reunião que tivemos em 2014.

 

Ganhem coragem! Após tantas greves, tantas manifestações, que os professores têm feito ao longo dos anos para defenderem os seus direitos e as suas regalias, que tal, finalmente, se mexerem em prol dos estudantes e do ensino (de qualidade)? E da cidadania e da democracia? E da liberdade?

 

Jornalista e escritor

 

(Os sublinhados são da responsabilidade da autora do Blogue).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:54

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Domingo, 13 de Março de 2016

«O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 NÃO ESTÁ EM VIGOR»

 

«PREPOTÊNCIAS DO GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES E DO PRESIDENTE CAVACO SILVA»

 

Livro da autoria do jurista e Embaixador CARLOS FERNANDES, com a chancela Guerra e Paz Editores(***), que todos os professores, funcionários públicos, escritores, jornalistas e demais cidadãos subservientes devem ler urgentemente, para deixarem de ser medrosos (uns) e escravos da ilegalidade (outros).

 

«Este livro demonstra, em três textos lapidares, que a ortografia em vigor em Portugal é a de 1945. Em primeiro lugar, por não ter sido juridicamente revogada, em segundo lugar, porque o processo de entrada em vigor do AO de 1990, não tendo o Governo cumprido os actos jurídicos que a sua aprovação implicava, é como se legalmente não existisse

 

Pré-lançamento a partir do dia 16 de Março.

 

O ACORDO ORTOGRÁFICO.jpg

 

(***) A editora Guerra e Paz Editores não segue o Acordo Ortográfico de 1990, nas suas edições. Trata-se de uma Editora que não se vergou aos vendilhões, por isso, sugiro que nós, defensores da Língua Portuguesa, quando quisermos adquirir livros, compremos as edições Guerra e Paz. Estaremos, deste modo, a contribuir para a exterminação do famigerado AO/90.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:04

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

ENQUANTO OS PROFESSORES SE ACOMODAM, PARA NÃO SE INCOMODAREM, A LÍNGUA PORTUGUESA ESVAI-SE...

 

LIVROS.jpg

 

Vou contar-vos o que se passou hoje, quando me dispus a visitar a tenda, que, este ano, serve de Feira do Livro, do Correntes d’Escritas, a decorrer na Póvoa de Varzim.

 

Gosto de passear-me entre os livros. Entrei na tenda com boas intenções.

 

Mas dei dois passos e deparei-me com uma nova colecção das obras de José Saramago, e saltou-me à vista este título «OBJETO QUASE», um livro de 1978, agora reeditado em acordês.

 

Fiquei logo muito mal disposta e enervada e decidi sair da tenda, não antes de dizer às meninas, que estavam na “Caixa”, o motivo da minha saída abrupta, de que elas não tinham culpa, obviamente.

 

Ora acontece que fui apanhada nesta flagrante indignação, por uma professora que eu conhecia, e que me interrogou acerca do meu agastamento.

 

Disse-lhe o que tinha a dizer sobre esta imposição ilegal do AO/90, e da vergonhosa vassalagem que se presta a tal predador da nossa Língua.

 

Ela retorquiu que, como professora, era OBRIGADA a aplicá-lo. Eu disse-lhe que não era. Ela respondeu que era, era… e que os alunos chumbavam se não o aplicassem. E eu disse-lhe que não podiam chumbá-los. E que tudo isso era ilegal.

 

E a discussão acendeu-se.

 

Nesse momento estavam dentro da tenda uns três escritores. Não sei se acordistas ou não, que ficaram a olhar-me, com um ar de quem estava diante de um extraterrestre.

 

Eu disse à professora que os professores (na generalidade) são os grandes culpados pelo facto de a nossa Língua andar por aí a rastejar pelo chão, como uma aleijada, e esfarrapada, como uma indigente, porque aceitaram submissamente, como um facto consumado, o AO/90, sem sequer questionarem, se revoltarem, se interrogarem se seria ou não legal a sua aplicação, se seria ou não legítimo ensinar aos alunos portuguesas a Língua Materna deformada.

 

Foi então que a professora me respondeu assim: «Pode ser, mas NÃO ESTOU PARA ME INCOMODAR».

 

Pois… Esta é a grande verdade: os professores não estão para se incomodar. Então acomodaram-se, e o resultado é uma tragédia descomunal.

 

Se ao menos ELES (até porque a Constituição da República Portuguesa o permite) tivessem recusado aceitar entrar neste jogo insano, o AO/90 já estaria no caixote do lixo, que é o lugar mais adequado para ele.

 

O «Objeto Quase» (livro que me falta e poderia ter comprado) ficou na tenda.

 

À professora respondi: «Pois… para não se incomodarem, acomodaram-se…», e saí sem dizer mais nada. Para quê?

 

Já fora da tenda, mais furiosa do que um furacão, disse ao dono da livraria: «Vou embora, não quero enervar-me…» (mas já estava enervada.

E eu, que costumava gastar cerca de 200 Euros, na Feira do Livro, nas anteriores edições (pré-acordistas), do Correntes d’Escritas, gastei apenas onze euros, numa revista, onde se homenageia António Lobo Antunes, para chegar a casa e verificar que o vereador do Pelouro da Cultura, que nasceu BaPtista, agora assina BATISTA, e apeteceu-me atirar a revista pela janela.

 

Ainda vou pensar o que farei com ela.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:04

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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