Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL: O SENHOR NÃO DISSE A VERDADE SOBRE O AO90

 

As suas declarações no Fórum da Juventude 2017 sobre a importância dos jovens portugueses na implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e ODSs foram absolutamente indignas de um representante do governo português.

 

Nada a que não estejamos habituados. Porém, o que declarou excede os limites de todo e qualquer bom senso e viola todas as regras da responsabilidade cívica e política do cargo que ocupa.

 

Ministro-Portugal.jpg

Ministro Tiago Brandão Rodrigues (à direita) e Hugo Carvalho. Foto: ONU News

 

Com que então o AO90 está em plena implementação nas escolas portuguesas e é visto pelo senhor como «um processo natural que não tem tido grandes controvérsias ou impedimentos»?????

 

A imposição quase pidesca do AO90 «tem sido algo que tem acontecido com muita naturalidade e a que as pessoas se têm habituado??????

 

«Este Acordo Ortográfico veio responder às vicissitudes da comunidade internacional que fala português?????

 

 

Quais vicissitudes????, se estava a correr tudo bem com a Língua Portuguesa, até que um grupo de ignorantes decidiu destruí-la, ao ponto de o Vaticano já a ter banido?

 

As línguas são vivas, diz o senhor, que não sabe o que diz. São vivas, sim. E por serem vivas evoluem naturalmente e não por resoluções de ministros e políticos que nada sabem de Línguas vivas.

 

E no seu entender «o acordo está em pleno andamento e cumprimento»????? Onde????

 

No Brasil? Onde ninguém cumpre o AO90 porque a ortografia do AO90 já existia antes de 1990 (mais acento, menos acento)????

 

Em Cabo Verde que nem sequer tem a Língua Portuguesa como primeira língua????

 

Em Portugal, onde apenas os políticos e os subservientes ao poder (onde se inclui a comunicação social e alguns professores) o aplicam, e mal?????

 

E então Angola, e Moçambique, e Guiné-Bissau? E Timor? E São Tomé e Príncipe? Não são países lusófonos?

 

E estes países não se estão nas tintas para uma ortografia abrasileirada que não serve os interesses de Portugal, nem da esmagadora maioria dos falantes e escreventes da Língua Portuguesa, incluindo uma elite culta brasileira?

 

Por onde tem andado, senhor ministro?

 

Não lê jornais? Não vê televisão? Não anda a par do que se passa ao seu redor? Anda alheado da vida real?

 

Além de o AO90 estar a ser bastante contestado no nosso país, de todas as formas e feitios, por milhares de portugueses, como até as pedras da calçada à portuguesa sabem, excepto o ministro da educação de Portugal, este acordo viola a Constituição da República Portuguesa, é ilegal, e é também a maior fraude e o maior atentado jamais ocorrido a um símbolo da identidade portuguesa, o qual devia ser severamente punido, e os culpados julgados por crime de lesa-património-cultural.

 

As suas declarações, senhor ministro, não correspondem à verdade, não traduzem a realidade que se passa ao redor desta ortografia mutilada, que tem desunido mais do que unido. Que tem produzido analfabetos “encartados” que só nos envergonham.

 

E seria da dignidade vir a público pedir desculpa por tentar passar uma ideia falsa à ONU News.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

Para ouvir as inverdades proferidas pelo ministro da educação de Portugal , no áudio a partir do minuto 07:15, abram este link, por favor:

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2017/02/exclusiva-tiago-brandao-rodrigues-fala-a-onu-news-sobre-jovens-e-odss-em-portugal/#.WJNzIuSmmcx

***

Para saber o que pensam as elites cultas, abrir os links, por favor:

O QUE OS BRASILEIROS CULTOS PENSAM SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

O QUE OS AFRICANOS CULTOS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA PENSAM SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

O QUE OS PORTUGUESES CULTOS PENSAM SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:12

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

NÃO PODEMOS DEIXAR MORRER O PORTUGUÊS!

 

MORTE.jpg

 

Texto de SÉRGIO MARQUES

 

«É incompreensível que uma instituição com a tremenda responsabilidade cívica de contribuir para a construção de uma sociedade cuja evolução tenha entre os seus principais pilares o conhecimento científico, se demita de assumir publicamente uma posição sobre o Acordo Ortográfico de 1990 assente exclusivamente em critérios científicos.

 

Com o vil argumento de não pretenderem fazer política - a ACL não é contra o AO90 e, aparentemente, nem se reconhece com legitimidade para poder sê-lo!... Santa paciência... foram muitos anos de salazarismo ... - acabam precisamente a fazer política, mas pela via mais infame: respeitando servilmente os poderes instituídos e os poderes fácticos, caucionam ignobilmente com a falsa chancela da ciência o mais violento e atroz atentado alguma vez cometido pelo Estado de uma nação soberana contra a sua própria língua.

 

A Academia de Ciências de Lisboa está, politicamente, de acordo com este assassinato irresponsável e doloroso do património maior de um povo, dispondo-se, apenas, a propor paliativos em vez de, com a coragem que se impunha, almejar erradicar a doença.

 

Tudo em nome de um projecto absurdo de unificação e uniformização da língua portuguesa no mundo, castrador da evolução natural e orgânica da diversidade geográfica dos falares lusófonos. Em nome de um tenebroso empreendimento orwelliano de empobrecimento coercivo da língua - coisa que os anglo-saxónicos, espanhóis e franceses tiveram a sabedoria e o bom senso de jamais tentar pôr em prática.

 

É uma espécie de imperialismo ao contrário, ditado pelos mesquinhos interesses de uma ou duas editoras portuguesas, posto em marcha por governantes acéfalos e ignorantes, gente sem visão nem sentido de Estado, notavelmente apoiada, à época, por todos os representantes eleitos pelos cidadãos deste país assim tristemente entregue em imundas mãos.

 

Face à cobardia e/ou ao comprometimento das instituições e individualidades nacionais de quem se esperaria outra independência e integridade moral e intelectual perante esta guerra desencadeada de forma brutal contra a língua de Pessoa e Camões, de Eça e Saramago, de Torga e Vieira e de outros ilustres embaixadores da Pátria maior que é o Português, guerra pusilânime que tomou como reféns e arautos involuntários da 'novilíngua' as nossas crianças e jovens, só nos resta, cidadãos comuns, tomar em mãos a tarefa de salvar a língua portuguesa da tragédia que se anuncia.

 

Com este inominável acordo, não estamos apenas a importar uma grafia estrangeira que reflecte uma fonética que nos é estranha, que incorpora uma História que não é a da nossa língua.

 

Com este acordo, estamos a garantir que no prazo de duas gerações se concretize a importação e assimilação dessa fonética que não é a nossa. Ou seja, a adulteração inorgânica e artificial, mas que será real, da língua portuguesa falada, e não apenas escrita, em Portugal.

 

Não podemos deixar morrer o Português às mãos da triste e fraca gente que nos governa e governou. É um dever patriótico. É um dever moral, de cidadania, por respeito aos nossos antepassados, mas, principalmente, por respeito pelas gerações vindouras. É um imperativo histórico, de combate a esta afronta fascizante ao povo português, mas também aos povos de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de Timor, da Guiné, de São Tomé e Príncipe, do Brasil.

 

A língua é a manifestação maior da civilização humana. Tem vida, evoluiu, cresce, ramifica-se, diverge, mistura-se com outras línguas, gera novas línguas. Morre. É História. É quase Biologia. Não precisa de iluminados, oportunistas e neocolonialistas (neste caso, com papéis invertidos), auto-empossados ditadores da história futura, inteligências menores arrogadas em senhores do destino de um mundo que não lhes pertence.

 

Deixem em paz o Português do Brasil. Um dia já não será português, será outra coisa que a evolução histórica ditar, igualmente rica e tão nobre como o Português de Portugal, tão preciosa e respeitável como qualquer outra língua de outro lugar qualquer do mundo.

 

Já não falamos Latim! Mas deixem igualmente, em paz o Português de Portugal. Um dia, será, também diferente. E morrerá. Como qualquer outra língua. Mas não a matemos por decreto. Porque ainda está exuberante de vida. Porque está na boca, no pensamento, nos sentidos, na pena, na ponta dos dedos com que os nossos filhos riscam o ecrã do “tablet” e do telemóvel. Porque lhes está na alma. E há muito se entranhou na nossa.

 

Desobediência civil, massiva, activa, imperativa, ao criminoso acordo da vergonha. Pelos nossos filhos Pelos filhos deles. Não há legado maior do que a nossa língua. A Língua de Portugal.

 

VAMOS À LUTA!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/sergio.marques.37266/posts/1044559192322071

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:32

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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016

A HISTÓRIA DO MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA DEPOIS DO AO90

 

Esta é uma história muito simples de contar.

 

PORTUGUÊS-ANGOLA.jpg

 

Só aqui temos três variantes do Português: o do Brasil, o de Portugal e o de Angola…. Mas há mais…

 

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/955949301173405/?type=3&theater

 

 

Naquele tempo existia um Português do Brasil e um Português de Portugal, o que muito atrapalhava os negócios dos editores de ambos os países.

 

Então os de lá e os de cá, e apenas os de lá e os de cá (deixando de fora os africanos lusófonos e os timorenses) uniram-se e inventaram uma ortografia que tinha como objectivo principal unir estes dois tipos de Português, e chamaram-lhe Acordo Ortográfico de 1990.

 

Foi então que se deu o milagre da multiplicação da Língua Portuguesa.

Agora, além do Português do Brasil e do Português de Portugal, que seguem caminhos paralelos (e não um caminho convergente), existe também o Acordês, e uma derivação do Acordês, ao qual podemos chamar Português à Balda (que é uma mistura do Acordês com o Português do Brasil, o Português de Portugal e o Português de quem não sabe Português) e pelo que vemos na imagem, apareceu no mercado mais um Português, o de Angola.

 

E ainda existe mais um que se chama “Ortografia Antiga”. Encontrei isto numa revista chamada Exame, que colocaram na minha caixa do correio, e eu nem sabia que existia. Folheei-a, por curiosidade, obviamente. Deixa-me lá ver o que isto é!

 

Deparei então com um artigo de António Nogueira Leite, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, no qual não escreveurutura”, nem “atuais”, nem ações”… Muito bem. No final havia esta notinha: António Nogueira Leite escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

Antiga ortografia? Soou-me á ortografia de Fernando Pessoa. Essa é que era a antiga… Mas pareceu-me que António Nogueira Leite tinha escrito em Língua Portuguesa… Nada havia no seu texto nada que indiciasse a antiga ortografia.

 

Ah! a Antiga Ortografia, pois é!… É o outro nome que os acordistas dão à Língua Oficial Portuguesa, vigente em Portugal, e só eles é que não sabem, por isso a escrevem tortamente, e chamam-lhe antiga ortografia, como se não fosse a actual!

 

Enfim… Não tarda nada, teremos o Português de Moçambique, o Português de Cabo Verde, o Português da Guiné-Bissau, o Português de São Tomé e Príncipe e o Português de Timor Leste.

 

E por este andar, aparecerão mais variantes, até porque há adeptos de uma escrita tal qual se fala, e brotarão por aí, tais cogumelos num bosque húmido, o Português de Lisboa, o Português do Porto, o Português do Alentejo, o Português do Ceará, o Português de Cabinda, o Português de Maputo, o Português de Porto Novo, o Português de Fulacunda, o Português de Pantufo, ou o Português de Balibó.

 

Isto não será demasiado, para quem tinha a intenção de unificar a língua, e fazerem com que os lucros dos editores atingissem o pico mais alto do Monte Evereste?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:17

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Domingo, 4 de Setembro de 2016

PORQUÊ SETE PAÍSES LUSÓFONOS TÊM DE SE SUBMETER AO AO90 ENGENDRADO NO BRASIL?

 

Façamos um raciocínio e (porque não?) um juramento de sete, para um outro acordo…

(Este texto foi baseado na leitura deste outro: «Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira» para ler neste link:

http://cedilha.net/ap53/?p=4096

 

JURAMENTO.png

O Juramento dos sete chefes, de Alfred Church (inspirado num episódio da tragédia de Ésquilo Os Sete Contra Tebas).

 

São oito os países que fazem parte da Lusofonia: Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor e Brasil… Certo?

 

Destes oito países lusófonos, apenas o Brasil, por motivos que já todos nós conhecemos (mas que nunca é demais repetir), ou seja, para facilitar a aprendizagem da Língua que foi escolhida para língua oficial depois da independência, em 1822 (poderiam ter escolhido uma das línguas tupi-guarani, por exemplo), com o intuito de diminuir o elevado índice de analfabetismo que então grassava no país (e que permanece até hoje, apesar de…), adoptou a estratégia simplista de indiscriminadamente suprimir consoantes mudas, atropelando a Etimologia de vocábulos que têm uma história, transformando uma ortografia culta, numa escrita mutilada, onde as mais básicas regras gramaticais são também atropeladas.

 

Ora é esta versão inculta da ortografia da Língua Portuguesa, que no Brasil se designa por Português do Brasil, agora apelidado de AO90, que Portugal e Brasil querem impingir aos sete países que sempre se mantiveram fiéis à versão culta da Língua Portuguesa.

 

Portanto a pergunta que se faz é a seguinte: por que carga de água é que sete países têm de deixar de escrever correctamente a Língua Oficial deles, apenas porque um país que a escreve mutilada, assim o quer e por razões das mais absurdas, como se pode atestar no texto que escrevi sob o título «Eu acuso o governo português de tentativa de homicídio da Língua (Oficial) Portuguesa» que pode ser consultado neste link:

 

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/eu-acuso-o-governo-portugues-de-42284

 

 

Então, o que proponho é que Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor se unam e, em vez de sete países, que sempre escreveram correctamente a Língua Oficial, que faz parte da identidade desses países, passarem a escrever incorrectamente a língua, seja o Brasil, que se desviou da versão culta dessa mesma Língua, a regressar às origens e, deste modo, a Língua Portuguesa ficaria, de facto, unificada nos oito países lusófonos.

 

Os Brasileiros são milhões? São.

 

Mas são milhões a escrever incorrectamente uma Língua que milhares (talvez também abeirando os milhões) escrevem correctamente.

 

Não queiramos passar de cavalo para burro, que significa ficar pior do que se está, trocar o que se tem de bom por coisa pior ou descer de categoria...

 

E diz-nos a lógica que não se deve impor a sete povos o que apenas um só povo faz de errado.

 

Nunca entendi esta vergonhosa subserviência do governo português a um país que não respeitou a língua que herdou de antepassados comuns.

 

Sete países não podem vergar-se à vontade de um.

 

Sete países têm em comum uma ortografia unificada. Por que estes sete países deveriam destruir essa união, apenas para fazer o jeito a editores/livreiros e políticos brasileiros e portugueses impatriotas que apenas pretendem encher os bolsos à custa desta negociata de dois contra seis.

 

Digo isto porque a ortografia que o governo português quer impingir-nos não é mais do que a ortografia utilizada no Brasil,  com a agravante de desunificar mais do que unificar as duas grafias existentes, até porque os Portugueses já começaram a  escrever incorrectamente palavras que os Brasileiros sempre escreveram correctamente.

 

Por exemplo: recepção, infecção, concepção, aspecto... 

 

Que seja então como na tragédia de Ésquilo: os sete países lusófonos que sempre tiveram a  língua unificada, contra o AO90, engendrado no Brasil, e que só desunifica essa língua.

 

Ou não seja este acordo a verdadeira tragédia do desacordo.

Contudo há que acrescentar um detalhe: se o AO90 se engendrou a partir do Brasil, foi em Portugal que ele assentou arraiais com a união do Malaca Casteleiro (traidor da pátria) a Evanildo Bechara, os engendradores-mores  da ortografia inculta que governantes incultos de Portugal e Brasil querem impor  aos Portugueses e aos restantes países lusófonos.

 

(Observação: este texto foi escrito sem qualquer preconceito contra o Brasil, que tenho como minha segunda Pátria, e como tal, passível de ser criticada como a minha primeira Pátria – Portugal. É que para mim, amigos, amigos, negócios à parte. Não misturo negócios (neste caso obscuros) com o meu relacionamento pessoal com os meus irmãos brasileiros. E quem me conhece sabe disso. Quero o melhor e na mesma medida, para o Brasil tal como quero o melhor para Portugal, o meu país natal. Apenas isso.)

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:36

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Quinta-feira, 23 de Junho de 2016

O QUE OS POLÍTICOS PORTUGUESES PRECISAM DE SABER SOBRE O AO90

 

3003_200416124415_Palavras[1] AO90.jpg

 

Aqui há tempos, por ocasião das eleições legislativas, perguntei a um determinado líder político, qual a posição do seu Partido acerca do AO90.

 

A resposta veio assim: “Eu, pessoalmente, escrevo e continuarei a escrever como sempre escrevi, mas o Partido, constituído maioritariamente por gente mais jovem, entende que a língua é um organismo vivo em evolução, portanto, estando o AO90 nessa linha evolutiva, optaram por aplicá-lo».

 

Esta seria a resposta perfeita, se o AO90 tivesse alguma coisa (ainda que muito remota) a ver com a linha evolutiva da língua.

 

Acontece que o AO90 nada tem a ver, nem de perto nem de longe, nem pouco mais ou menos, com evolução alguma. Muito menos da língua.

 

E porquê?

 

Simplesmente porque o AO90 não foi engendrado a partir de motivações evolucionistas da língua, ou assente nas Ciências da Linguagem, mas tão-só em interesses económicos de uns tantos editores/livreiros brasileiros e portugueses (reparem que eu não incluo aqui os africanos de expressão portuguesa, porque esses não foram para ali chamados) e, por arrasto (porque nestas coisas de interesses económicos sempre se vai por arrasto), de uns tantos políticos portugueses que, sem o menor pejo, patriotismo ou sentido de Estado, decidiram vender a Língua Portuguesa, culta e europeia (é bom referir este detalhe, porque anda por aí uma imitação muito mal ataviada, a que chamam português do Brasil) e impor ilegalmente, vergonhosamente, impatrioticamente uma ortografia apelidada de AO90, tirada, à força, da ignorância mais profunda sobre a Língua Portuguesa, um dos maiores símbolos da Identidade de Portugal, aquele que exprime o ser e o sentir de todo um povo, porque sem a Língua, expressão oral e escrita, como saberíamos dos feitos tão excelentemente cantados por Luiz Vaz de Camões?

 

A Língua de um povo diz da dignidade desse povo. Não pode ser o simples linguajar que os iletrados utilizam para se comunicarem entre si.

 

Quis o destino que Portugal, por ser um pequeno país, entalado entre o Oceano Atlântico e a gigantesca Espanha, ousasse rasgar as águas do mar em busca de outros mundos, para poder sobreviver.

 

Quis igualmente o destino que os Portugueses fossem um povo destemido e dotado para as marinhagens, e que «navegando mares nunca dantes navegados», de légua em légua, foram descobrindo terras, nelas se fixando e deixando a “marca” de Portugal.

 

Não caberá aqui discutir o mérito ou o demérito da colonização portuguesa, que não foi nem pior nem melhor do que a dos outros povos colonizadores.

 

Chegados aqui, falemos da Língua que deixámos aos povos que foram sendo colonizados, e que, no caso do Brasil (o grande responsável pela disseminação do mau Português, perdoem-me os meus quase conterrâneos brasileiros) foram primeiramente os indígenas (os mais genuínos brasileiros), e depois os colonos portugueses e de muitas outras origens, que foram assentando arraiais no gigantesco território que os Portugueses conseguiram tornar seu.

 

Até 1822, o Brasil (achado em 1500) existiu sob o “domínio português”. Mas depois desta data, já com brasileiros de terceira geração, libertaram-se desse domínio, e o que fizeram com essa liberdade também não é agora para aqui chamado.

 

O que é para aqui chamado é que esses brasileiros, por vontade própria, adoptaram a Língua Portuguesa como língua oficial (e poderiam ter escolhido qualquer uma das muitas línguas indígenas que então existiam) a qual foi sendo enriquecida pelo léxico autóctone e dos vários povos que no Brasil se foram fixando.

 

E isso foi muito bom para a Língua Portuguesa.

 

O que não foi bom foi o facto de, a dada altura, os políticos brasileiros, para baixarem o elevado índice de analfabetismo, decidirem simplificar, arbitrariamente, a língua escrita, retirando-lhe as consoantes mudas, sem terem a mínima noção de que, ao fazerem-no, estavam pura e simplesmente a mutilar a língua, introduzindo palavras que antes tinham nexo e, bruscamente, por mera vontade política, deixaram de ter, e transformaram-se em erros ortográficos (e passo por cima dos outros erros, incluindo os da concordância, espelhados na linguagem oral).

 

E são precisamente essas palavras mutiladas, sem qualquer motivação científica, que os políticos portugueses impatriotas e completamente desinformados (se é que me entendem) querem impingir-nos, porque sim, por teimosia, por ignorância, por meros interesses económicos, por conveniências obscuras.

 

Concluindo: não existe, nem pode coexistir um Português de Portugal e um Português do Brasil.

 

O Português é Português em qualquer país lusófono. Ponto final.

 

Dentre os oito países que fazem parte da Lusofonia (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor) apenas o Brasil desvirtuou a Língua Portuguesa, e não foi por motivos evolucionistas, como já referi.

 

O Português, dito do Brasil, não é mais do que o Português na sua versão mais pobre e inculta. E que me perdoem os Brasileiros, porque aprendi a ler e a escrever no Brasil e passei a minha infância, adolescência e juventude a aprender e a desaprender a minha própria língua, de cada vez que me mudava de cá para lá, e de lá para cá.

 

Não existe um Português de Angola, ou de Moçambique ou de Cabo Verde, ou da Guiné, ou de São Tomé e Príncipe, ou de Timor.

 

O que há é muitos modos de dizer. A expressão oral pode variar até de cidade para cidade, dentro de um mesmo país. Mas não a escrita.

 

Os brasileiros até podem dizer “mulé”, “muié”, “mulherrr”, mas se escreverem mulher, menos mal.

 

Não critico o modo de falar, se bem que falar bem não fica mal a ninguém.

 

Reduzir a língua escrita ao modo de dizer, não tendo em conta a etimologia das palavras, é um acto de incultura.

 

É trise, muito triste, vermos a nossa bela Língua Portuguesa escrita por aí, em documentos oficiais, em (algumas) estações televisivas, em (alguns) jornais e revistas, em (alguns) livros de escritores menores, com a puerilidade de uma criança que acaba de se sentar nos bancos da escola primária, para aprender as primeiras letras, e junta-as conforme as ouve:

 

«Çaberão voçax eisçelênciax u tamanhu da inurmidade da voça falta de cunheçimento da língua purtugeza

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:32

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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