Terça-feira, 24 de Maio de 2016

UM VÍRUS ALTAMENTE NOCIVO CHAMADO AO90…

 

… anda por aí a infectar a Língua Portuguesa sem que ninguém de direito tome urgentes medidas terapêuticas para o eliminar, estando a dar um prejuízo incalculável à Nação e a comprometer a saúde da Língua Pátria…

 

Portugal não tem de pagar esta conta.

 

Portugal não tem de pagar por este crime de lesa-língua e lesa-pátria.

Portugal não tem de encher os bolsos aos vigaristas, aos oportunistas, aos corruptos que por aí espalharam este vírus… maliciosamente...

 

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Quem cometeu este delito terá de arcar com as consequências.

 

«Em Portugal, fazem-se estudos de "impacto" e de custo-benefício para tudo. Menos para o "Acordo Ortográfico" de 1990. Até hoje, ninguém sabe os custos da mudança. ("Tradutores contra o Acordo Ortográfico" de 1990

 

A pena mínima para os que cometeram este linguicídio será ficar com o prejuízo. A máxima, será a prisão, por um bom período de tempo, porque não é impunemente que se mata a Língua Pátria, se enxovalha o símbolo maior da Identidade de um Povo e se insulta a inteligência dos Portugueses.

 

Eça de Queiroz, um dos maiores estilistas da Língua Portuguesa, e também um visionário e um acérrimo crítico do sistema político da sua época, escreveu no seu livro «As Farpas», em 1872, algo que parece ter sido escrito em 2016 (ou talvez um pouco antes, em 2011) a propósito do que se passa em Portugal:

 

«Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesma baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal.»

 

Pois Portugal está em vias de ser riscado da Europa culta, pela decadência em que se encontra o símbolo maior da sua Identidade: a Língua Materna.

 

Nesse mesmo ano, Eça de Queiroz escreveu ainda:

 

«Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar a oposição. A Ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina do acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias. Todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos querem penetrar na arena, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis de gozos da vaidade».

 

Em Portugal não há ciência nem de governar, nem de coisa nenhuma. Anda-se à deriva, ao sabor de vontades alheias à vontade da esmagadora maioria dos Portugueses, dos sábios, dos lúcidos, dos entendedores do ofício.

 

Em 1867, no jornal por ele fundado, «O Distrito de Évora», Eça escreveu estas palavras actualíssimas, à excepção da primeira frase (que comento em negro):

 

«Ordinariamente todos os ministros são inteligentes (hoje, nem por isso), escrevem bem (hoje, é uma desgraça), discursam com cortesia e pura dicção (hoje, é o oposto), vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo, em Portugal, são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso. Governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será conservar possível conservar a sua independência»?

 

É assim que há muito tempo, em Portugal, são regidos os destinos políticos…

 

Há tanto tempo que até mete dó…

 

Precisamos dar um novo rumo a este país, que marca passo há tão longos e desditosos anos, e no que diz respeito ao vírus AO90 precisamos de eliminá-lo urgentemente, porque a Língua Portuguesa, europeia e culta, está gravemente enferma e em vias de perecer…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:45

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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