Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

«2020: o ano da destruição do maléfico pseudo-Acordo Ortográfico 1990!»

 

«Os Votos do “Núcleo de Opositores na Europa ao chamado Acordo Ortográfico” (NOECAO) para 2020 vão para a salvaguarda do Património Cultural e Imaterial da Nação Portuguesa, do qual a LÍNGUA é um elemento essencial, o que tem vindo a ser minado, pelo menos desde Janeiro de 2011,e progressiva e sistematicamente dilacerado!  

 

A erradicação do vírus chamado Acordo Ortográfico de 1990 já começou e a sua eliminação está à vista.» 

 

ARTILHARIA.jpg

 

Toda a artilharia está apontada para o pseudo-acordo ortográfico de 1990!

(Origem da imagem: Internet do Filme “Guerra das Estrelas” (1977) 

 

Caros amigos, colegas e conterrâneos!

 

Em breve 2019 acabará!  E o ano 2020 iniciar-se-á! Os votos do “Núcleo de Opositores na Europa ao chamado Acordo Ortográfico” (NOECAO) vão para a Nação Portuguesa e para a salvaguarda do seu Património Cultural e Imaterial!

 

Os nossos votos vão igualmente para o despertar do POVO Português, da Sociedade Civil e da Imprensa! É vital que TODOS finalmente acordem para a realidade e sacudam o pesadelo em que os mergulharam, desde o 25 de Abril!   

 

Portanto, antes de 2019 acabar, gostaríamos de relembrar o que já feito por portugueses individualmente ou colectivamente, dignos e verticais, de maneira a salvar o Património Cultural e  Imaterial de  Portugal, do qual a LÍNGUA PORTUGUESA é um vector e elemento essencial, segundo a definição da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial (CSPCI) da UNESCO.

 

É óbvio que muitas outras acções foram levadas a cabo e são já do conhecimento público. Começamos por citar uma das últimas iniciativas de que tivemos conhecimento. 

 

O Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» iniciou a publicação de provas documentais que revelam ao público, em Portugal e no estrangeiro, as GIGANTESCAS FRAUDES que foram feitas para tentarem impor um pseudo-acordo ortográfico (AO). Fraudes essas que foram silenciadas e branqueadas por diversos governantes de diversos países.  

 

Essas FRAUDES GIGANTESCAS resumem-se em tentarem impor ilegalmente um Tratado Internacional, sem ele nunca ter entrado em vigor segundo as leis internacionais e  as dos  seguintes 4 Países: Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Portugal.

 

Esse Tratado Internacional, conhecido popularmente por «Acordo Ortográfico», NUNCA entrou em vigor na ORDEM JURÍDICA INTERNACIONAL e em nenhum desses 4 (quatro) Estados.   Esse TRATADO é, por conseguinte, JURIDICAMENTE INEXISTENTE.

 

O Tratado de 1990 (chamado «Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa»)  previa a sua  entrada em vigor  em 1-1-1994, após dos instrumentos de ratificação de todos os Estados  (7, na altura) terem sido depositados, segundo o Artigo 3:

 

«Artigo 3.º

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa.»

 

O Tratado inicial previa também   a conclusão de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOCLP), tendo este de ser concluído até um ano ante:

 

 

«Artigo 2.º

Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.»

 

Os prazos foram ultrapassados, e em 17 de Julho de 1998 os Estados da CPLP fixaram o texto de uma alteração ao Tratado, chamada Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

 

As datas de 1-1-1994 (entrada em vigor) e 1-1-1993 (prazo final para conclusão do vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa – VOCLP) foram eliminadas:

 

«Artigo 3.º

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa.»

 

«Artigo 2.º

 

Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.»

 

A regra continuava a ser a de estarem todos os 7 Países, mas passou-se a exigir 14 instrumentos de ratificação dos 7 Estados de Língua Portuguesa, ou seja:   7 sobre o «Acordo Ortográfico» de 1990 + 7 do (1º) Protocolo Modificativo de 1998, para que o Tratado com a revisão (com as duas alterações dos artigos 2 e 3 do Protocolo Modificativo) pudesse entrar em vigor nos 7 Países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, e São Tomé e Príncipe).

 

Depois, em 25 de Julho de 2004, os Estados da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) adoptaram entre si um método deveras estranho para a entrada em vigor do Tratado, através de uma alteração, à qual os Países deram um nome oficial «Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa».

 

Este 2º Protocolo Modificativo previa que o Tratado poderia entrar em vigor quando fosse ratificado apenas por 3 Países:

 

«Artigo 3.º

 

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa.

 

3 — ... o presente Protocolo Modificativo entrará em vigor no 1.º dia do mês seguinte à data em que três Estados membros da CPLP tenham depositado, junto da República Portuguesa, os respectivos instrumentos de ratificação ou documentos equivalentes que os vinculem ao Protocolo.»

 

Por conseguinte, cada um dos 3 Estados que entrasse   para o  futuro Tratado, deveria,   previamente,  ratificar internamente  3  instrumentos de  ratificação: o  [ chamado] Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, o 1º Protocolo Modificativo de 1998  e   o 2º Protocolo Modificativo de 2004, ou seja, um total de 9  Instrumentos de Ratificação, aprovados internamente, e que teriam  depois  de  ser OBRIGATORIAMENTE  enviados para  o  Ministério dos  Negócios  Estrangeiros  (MNE)  do País Depositário (Portugal).

 

A finalização da Ratificação interna dos 3 Instrumentos (AO/1990 e 2 Protocolos) não era só por si suficiente: os 3 Países que entrassem inicialmente no Tratado   teriam obrigatoriamente ainda de enviar os seus 3 Instrumentos de Ratificação, para efeitos de guarda fiel e depósito (cf.  Artigo 77 -  Funções dos Estados Depositários, artigo 2 -  Convenção de  Viena )  para o Ministério dos Negócios  Estrangeiros    (MNE)  do Estado Depositário  (Portugal).

 

Por exemplo, em Portugal o processo interno do AO1990 foi fechado em 1991, com uma resolução do Parlamento, mais um decreto do Presidente da República, mas não o processo externo, que só termina com o depósito, entrega de um documento, dizendo: «Envia-se para efeitos de depósito o Instrumento de Ratificação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa», seguido do decreto presidencial, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

A data de depósito seria 30 de Abril de 1996 (mesmo dia da do Brasil, consultar:

 

https://www.publico.pt/2019/12/12/culturaipsilon/opiniao/bom-exemplo-brasileiro-datas-duvidar-validade-acordo-ortografico-1896941

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/brasil-e-portugal-declararam-datas-209014

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

O Tratado Internacional TERIA então entrado em vigor no mês imediatamente a seguir a ao 3º País ter enviado TODOS os seus 3 Instrumentos de Ratificação, para o MNE em Portugal.

 

Este estranho (e ilegal para muitos) modo de entrada em vigor, sem publicação de todos os Avisos de Ratificação pelo Estado Depositário, era secretista, e prestava-se a vários atropelos (violações da Lei) que efectivamente vieram a acontecer.

 

O primeiro atropelo é que o Estado Depositário (Portugal) nunca publicou oficialmente no Diário da República, (1) nem os Avisos dos Instrumentos de Ratificação dos Países, (2) nem sobre o (chamado) Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, (3) nem sobre o 1.º Protocolo Modificativo de 1998.

 

O Estado Depositário, consequentemente, violou as regras de publicação no Diário Oficial da Constituição da República de Portugal e as dos outros Países de Língua Oficial Portuguesa.

 

Os acordistas não quiseram sequer ouvir falar destes atropelos!  Por razões óbvias!

 

Passamos adiante, porque há duas dezenas de outros atropelos muitíssimos mais graves. Com efeito, os próprios Países nunca cumpriram o método secretista de entrada em vigor do Tratado Internacional que tinham acertado entre si!

 

E este  facto, além de  ser risível,  denota igualmente o desprezo pelas  regras de direito internacional  e  pelos  próprios  princípios  dos Estados signatários, quando afinal, o Tratado  Internacional  NUNCA CHEGOU  A  ENTRAR EM VIGOR internacionalmente,  e  ainda muito menos  em 3 ou 4 Estados  (Cf , inter-alia, artigo  77, alínea c), que se refere  à  obrigatoriedade do Estado Depositário ter de «receber e guardar todos os instrumentos, notificações e  comunicações relativas ao tratado da Convenção de Viena. Ver novamente aqui: da Convenção de Viena. Ver novamente aqui:

http://gddc.ministeriopublico.pt/sites/default/files/documentos/instrumentos/rar67-2003.pdf)

 

As mentiras foram repetidas até à exaustão, mas são apenas propaganda!   A narrativa oficial do Tratado Internacional do chamado «Acordo Ortográfico» ter entrado em vigor dá falsamente a entender que o Tratado teria sido ratificado pelos 3 Países indicados no 2º Protocolo Modificativo ao chamado acordo ortográfico (Brasil, Cabo Verde, e São Tomé, e o Tratado), até Dezembro de 2006, e que teria entrado em vigor no mês a seguir em 1-1-2007.

 

Pior, essa narrativa oficial   acrescenta que depois disso teria havido um 4º País, Portugal, a ter ratificado em 2008 um Tratado que já teria entrado em vigor no direito internacional, e se teria vinculado a um alegado Tratado (verdadeiramente inexistente) com o depósito do Instrumento de Ratificação do 2º Protocolo, em 13-5-2009.

 

Todos estes “factos” nunca se verificaram! Como já acima referido (mas nunca é demais realçá-lo para contrabalançar a falaciosa narrativa oficial), os próprios Países incumpriram os mínimos dos mínimos do que acordaram entre si! 

 

Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, assim como a CPLP, MENTIRAM DESCARADAMENTE a 250 milhões de pessoas em todo o mundo! 

 

Mentiras destas constituem a ilustração   do apreço e do respeito dos governantes, pela apregoada «palavra dada» pelas suas respectivas Nações, além de   demonstrar um desdém pelos cidadãos, que são igualmente contribuintes, ou seja, os verdadeiros financiadores do Orçamento de Estado), assim como são eleitores. Ora, a   legitimidade desses governantes provém unicamente do mandato dos eleitores. E esses eleitores nunca foram esclarecidos, nem nunca deram um mandato à classe política para cometerem tantos e tamanhos atropelos! 

 

Muito pelo contrário, em 2010 o governo de José Sócrates, Augusto Santos Silva e Luís Amado, quis manter a ilusão de que o Tratado tinha entrado em vigor em 2007, com 3 Países: Brasil, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe.   Para que essa mentira surtisse efeito, teve que recorrer   a DEZENAS DE TRAFULHICES.

 

Senão vejamos, através de alguns exemplos.   

 

O MNE publicou no Diário da República  o Aviso Nº 255/2010 em 17 de Setembro de 2010,  em que indica  4 datas de depósito dos Instrumentos de  Ratificação,  mas apenas do 2º Protocolo Modificativo, pelo Brasil e Cabo Verde   (e a data destes dois seria exactamente a mesma: «12 de Junho de 2006»!), assim como de São Tomé e Príncipe  ( a «6 de Dezembro de 2006»), e finalmente Portugal:  «O depósito do respectivo Instrumento de Ratificação foi efectuado em 13 de Maio 2009, tendo o referido Acordo entrado em vigor para Portugal nesta data.»

 

Como muito astuciosamente (o que só por si é já assaz revelador do que se pretende esconder) está escrito no «Diário da República», o Aviso Nº 255/2010 do MNE intitulou-o «Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa», e não o «Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa» + os 2 Protocolos que o modificaram!!!! 

 

As razões de não mencionar logo no mesmo Aviso 255/2010, as   8 datas do Acordo de 1990 e do 1º Protocolo de 1998 (de Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Portugal) são claras como água de rocha:   vários desses Instrumentos de Ratificação não existem, outros são meros documentos sem o decreto do Presidente da República.  Outros [ainda] nunca chegaram a ser enviados para o MNE e por isso nunca houve verdadeiramente vinculação.  

 

O que aqui se leva a conhecimento público é capital e constitui mais uma razão para o MNE publicar esses documentos, se eles existem.     «Quem cala consente» diz o ditado e, portanto, teremos aqui mais uma prova, na ausência da publicação e verificação desses documentos originais, das ilegalidades e outras trafulhices cometidas.

 

O Estado Depositário (Portugal)tem o estrito dever de imparcialidade. Para conforto de leitura, transcrevemos o artigo 76-2 da Convenção de Viena: «As funções do depositário de um Tratado têm carácter internacional e o depositário está obrigado a agir imparcialmente no exercício dessas funções. Em especial, a circunstância de um Tratado não ter entrado em vigor entre algumas das Partes ou de ter surgido uma divergência entre um Estado e um depositário relativamente ao exercício das funções deste último não deve influir nessa obrigação».

 

Quem informou o Brasil e Cabo Verde que o Tratado estava em vigor?

 

Só poderia ter sido o   Estado Português, como Depositário - Ler o Artigo 77, alínea f), da Convenção de Viena:

 

«f) Informar os Estados que possam vir a ser Partes no Tratado da data em que foi recebido ou depositado o número ...  de Instrumentos de Ratificação ... necessário para a entrada em vigor do Tratado».

Ler também as outras alíneas: «c) Receber todas as assinaturas do Tratado e receber e guardar todos os instrumentos, notificações e comunicações relativos ao Tratado», «e) Informar as Partes no Tratado e os Estados que possam vir a sê-lo dos actos, notificações e comunicações relativos ao Tratado».

 

Depois, o Aviso supracitado conclui abusivamente que um Protocolo Modificativo do Tratado (o chamado «Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa») teria entrado em vigor em 1-1-2007, com estes 3 Países: Brasil, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe:

 

«Por ordem superior se torna público que ... o referido Acordo do Segundo Protocolo Modificativo [ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa] entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2007, nos termos dos seus artigos 1.º e 3.º, que alteraram o artigo 3.º do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.»

 

E, a seguir, está escrito que a modificação ao Tratado teria entrado em vigor em Portugal «em 13 de Maio 2009», citação: «Por parte de Portugal, o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, tendo sido ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 52/2008, ambos publicados no Diário da República, 1.ª série, n.º 145, de 29 de Julho de 2008. O depósito do respectivo Instrumento de Ratificação foi efectuado em 13 de Maio 2009, tendo o referido Acordo entrado em vigor para Portugal nesta data.» Fim de citação.

 

Esta teia urdida de múltiplas mentiras oficiais sobre haver 12 Instrumentos de Ratificação (9 dos outros Países, mais 3 de Portugal) foi adequada para manter a farsa de que um Tratado completo, chamado «Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa», com os 2 Protocolos Modificativos, teria entrado em vigor em 1-1-2007, para os 3 Países iniciais (Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, em 2006), e depois Portugal.

 

Todas estas mentiras têm sido mantidas em segredo durante 13 anos, o que é um pavoroso atentado à Democracia e são práticas indignas de um Estado de Direito, na Europa do Século XXI!

 

É para estes pontos fulcrais que a atenção geral do País deve ser   chamada!  O Povo Português nem sonha que possa existir ainda este tipo de monstruosa conspiração do silêncio, sobretudo depois do 25 de Abril, que acabou com o regime da época. O papel da Imprensa e da Sociedade Civil, mais do que nunca, é de denunciar   deste tipo de intrujices, e de exigir  contas e  responsabilidades  a todos  aqueles  que mancharam  a  imagem e a  reputação  da Nação Portuguesa,  a nível nacional e  internacional.

 

Os sucessivos governos (desde pelo menos 2006) e em particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) devem ser responsabilizados.

 

Dada a sensibilidade de tal assunto , e  em abono da  verdade   e da imprescindível transparência (no que se  refere  igualmente à  publicação  dos  Instrumentos de  Ratificação do chamado  acordo ortográfico), transparência  essa  que  é  um atributo  e  um pilar essencial de um Estado que  se proclama  de  Direito  e  Democrático,  achamos necessário, chamar de novo a atenção para os deveres e obrigações do Estado Depositário, (Portugal) claramente estipuladas na Convenção de  Viena sobre o Direito dos Tratados de 23 de Maio de  1969

 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, já foi intimado por um Deputado para enviar os 12 Instrumentos de Ratificação para o Parlamento Português.  Este episódio foi relatado na Imprensa, e é bastante eloquente  no que se refere à  desconfiança  que já  existe  até no seio  de  uma parte da  própria  classe política,  que  não sabe  como se desenvencilhar   do EMBUSTE, que ela  própria  criou e  do qual ela  não  se consegue  agora  livrar, ou seja de uma  ignomínia  e das  consequências judiciais  que daí podem advir.

 

Continuemos então.   Não só o Ministro Santos Silva não os enviou ao Parlamentar, que os pediu, mas também indicou  apenas  10 datas ao Jornal Público, e não indicou as 12  datas  que eram mínimas:  4 Países x 3 Instrumentos de Ratificação,  ou seja  os do  chamado  «Acordo Ortográfico» de 1990,  mais os do 1º Protocolo, mais os do 2º Protocolo = 12 Instrumentos de  Ratificação  (com as suas  datas respectivas).

  

Citamos «Sua Excelência», o Ministro Augusto Santos Silva:

«Portugal procedeu ao depósito do seu instrumento de ratificação do Acordo Ortográfico a 30 de abril de 1996 e depositou o instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo a 13 de maio de 2009. Cabo Verde depositou o seu instrumento de ratificação do Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa a 5 de dezembro de 2006 e procedeu ao depósito do instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo a 12 de junho de 2006. O Brasil depositou o instrumento de ratificação do Acordo Ortográfico a 30 de abril de 1996, o instrumento de ratificação do Protocolo Modificativo a 15 de agosto de 2002 e o instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo a 12 de junho de 2006. No que diz respeito a São Tomé e Príncipe, este depositou o instrumento de ratificação do Acordo Ortográfico, do Protocolo Modificativo e do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo a 6 de dezembro de 2006.»

 

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

Falta portanto indicar e publicar as 2 datas de depósito de 2 Instrumentos de Ratificação:

 

1)- Quanto à falta da 1ª data de Cabo Verde sobre o «Acordo Ortográfico» de 1990, consultar a hiperligação:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-205528

 

2)- A data de depósito dos Instrumentos de Ratificação  de Portugal, do 1º Protocolo Modificativo de 1998, está igualmente  omissa na resposta do Ministro Augusto Santos Silva ao Jornal Público.

 

Depois disto  tudo, é absolutamente INACEITÁVEL que o Ministro Santos Silva não tenha enviado ao Parlamento Português todos os Instrumentos de Ratificação   à  guarda  e  em possessão  do MNE, quando se trata de documentos críticos e fundamentais  sobre  a alegada entrada em vigor de um Tratado Internacional.

 

O Ministro Santos Silva violou o dever de imparcialidade a que a Convenção de Viena vincula o Estado Depositário, conforme estipulado no Artigo 76 -2, acima citado.

 

Mas há ainda muito pior: das 10 datas dos Instrumentos de Ratificação referidas publicamente pelo Ministro, salvo prova documental em contrário, 9 serão FALSAS !

 

O TRATADO INTERNACIONAL NUNCA CHEGOU A EXISTIR VERDADEIRAMENTE!  As Ortografias oficiais de Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe (Decreto Nº 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, com uma alteração de 1973), e do Brasil NUNCA FORAM REVOGADAS!

 

É evidente que, mais tarde ou mais cedo, o governo português terá de ser confrontado com os seus  actos  ilegais e condenáveis,  quando  for  intimado  para  responder   perante  o   Poder  Judiciário,  o qual , por definição  e tal como previsto na  Constituição  da  Nação,  é  totalmente independente  do Poder   Executivo  (Governo),  e  do Poder Político-Legislativo  (Assembleia  da República).

 

Esta FRAUDE GIGANTESCA deve ser submetida rapidamente   às Autoridades competentes em Portugal, e se [ainda] necessário  for, ulteriormente  aos Tribunais Europeus  e aos  Tribunais  competentes   do Sistema  Intergovernamental das Nações  Unidas, nomeadamente no que se refere à  queixa que o Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP)  já introduziu perante a UNESCO, uma   Instância  Internacional  da ONU.

 

O Ministério Público (MP), dirigido pela Procuradora-Geral da República (PGR), deverá ainda abrir processos criminais para apurar as responsabilidades acima indicadas (e outras), e evitar que a culpa «morra solteira», pelo menos a: José Sócrates, Pedro Passos Coelho, António Costa, Luís Amado, Augusto Santos Silva, Paulo Portas, Ministros da Cultura e da Educação, entre outros.

 

O mesmo deverá ser feito no Brasil, em relação a Lula da Silva, aos seus Ministros, e aos Presidentes seguintes.   Igualmente em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.  Cabe aos Poderes Judiciários desses Países fazê-lo.   Mas também é evidente que as Sociedades Civis desses   Países  deverão  tomar   iniciativas  nesse sentido,  como se deverá fazer o mesmo em Portugal, incluindo  fazer  chegar  ao  conhecimento  da Procuradora-Geral da República  estes  factos.  

 

Para uma melhor e rápida compreensão do que  precede  e  igualmente  um conforto de leitura, é  favor  consultarem   estas 2  hiperligações (indicadas  igualmente mais  abaixo):

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378

 

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-204024

 

Todos aqueles que estão interessados, poderão então informar-se convenientemente, indo directamente ao blogue «O Lugar da Língua Portuguesa»:

 https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/  

 

 clicando nas hiperligações   mais abaixo, ou por último (em caso de  dificuldade)  copiando-as  para  a barra do  Navegador  do vosso Computador. 

 

«Governos de Sócrates e Lula mentiram sobre o Acordo Ortográfico»

(Parte I)

 

 «Acordo Ortográfico de 1990 nunca entrou em vigor»

(Parte II)

 

 «São Tomé e Príncipe nunca entrou no «Acordo Ortográfico» de 1990»

(Parte III)

«Cabo Verde nunca se vinculou ao «Acordo Ortográfico» de 1990»

(Parte IV)

 «Cabo Verde não tem «instrumentos de ratificação» dos protocolos ao Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte IV-A)

«A data do depósito do «instrumento de ratificação» do 1º protocolo de Cabo Verde é falsa»

(Parte IV-B)

«A data de depósito do «instrumento de ratificação» do 2º protocolo de Cabo Verde também é falsa»

(Parte IV-C)

 

«Brasil e Portugal declararam datas discrepantes do Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte V – Brasil)

 

«Augusto Santos Silva e Lula da Silva declararam versões muito diferentes quanto ao depósito do instrumento de ratificação do 1º protocolo ao Acordo Ortográfico»

(Parte V-A)

 

O MNE deverá publicar integralmente todos os documentos ORIGINAIS dos Instrumentos de Ratificação enviados para depósito e que tem nas suas catacumbas. O MNE deverá ainda publicar, entre outros documentos, a comunicação oficial da data de  entrada em vigor do Tratado (AO/90, alterado pelos dois Protocolos)  em 1-1-2007, e quaisquer outras comunicações que tenham sido feitas  pelos Estados signatários e pelos alegados Estados-parte (ver o Artigo 77, alínea e), da Convenção de Viena).

 

O desfecho deste triste interregno na História de Portugal aproxima-se!

 

Às vezes as coisas demoram.jpg

 

Com  efeito,  as coisas  acontecem  quando há  perseverança,  agindo  com fé e com esperança e  sobretudo com determinação,   é  que  os Povos de Língua Portuguesa poderão   por  cobro às  fraudes,  às mentiras  e às manipulações  dos   seus  governantes,   para  que   finalmente  a  Língua  Portuguesa  possa  ser restaurada  em Portugal, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe,   e que o Decreto  Nº 35.228  de  8 de Dezembro de 1945  ( jamais foi revogado)  seja respeitado e aplicado, em Portugal, e também nas então colónias de Portugal, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe, onde o diploma obviamente também nunca foi revogado, pela  simples  razão de que  o chamado  «Acordo Ortográfico»  nunca chegou a entrar  em vigor!

 

O Tratado Internacional AO9O também nunca entrou em vigor no Brasil.

 

Por este facto deve ser também reconhecido que a Ortografia no Brasil nunca foi revogada e consequentemente deve ser reposta e voltar ao que era até antes de Lula da Silva ter colocado em aplicação uma «coisa» que não tem existência legal. A este respeito o NOECAO, tem o dever de vos assinalar   o artigo publicado no PÚBLICO intitulado: “Um bom exemplo brasileiro e mais datas para duvidar da validade do Acordo Ortográfico”:

 https://www.publico.pt/2019/12/12/culturaipsilon/opiniao/bom-exemplo-brasileiro-datas-duvidar-validade-acordo-ortografico-1896941

 

As ditaduras também podem começar pela vertente ortográfica.

 

Foram muitos os que protestaram e puseram a nu as aberrações linguísticas. O Poder seraficamente respondeu sempre que estava tudo bem e levando ao engano 250 milhões de pessoas: havia Tratado, e era para cumprir.

 

Mas afinal onde é que está o Tratado?  Onde é que estão os documentos que o provam?

 

O chamado «Acordo Ortográfico» está ferido de morte, porque foi nunca foi ratificado!

 

Afinal nesta “Democratura” muita coisa está podre!

 

As ditaduras por vezes colapsam, não devido a factores externos, mas por falhas internas.

 

O Ministro Augusto Santos Silva e o Governo de Portugal que mostrem TODOS OS DOCUMENTOS ORIGINAIS do «Acordo Ortográfico», que afinal nunca existiu!

 

Núcleo de Opositores na Europa ao chamado Acordo Ortográfico (NOECAO)

 12 de Dezembro de 2019

 

2020.jpg

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:14

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«Um bom exemplo brasileiro e mais datas para duvidar da validade do Acordo Ortográfico»

 

«O bom exemplo é a recente edição de Grande Sertão: Veredas. O mau exemplo é antigo e vem de Lula da Silva, quando foi Presidente do Brasil: num só dia assinou quatro decretos sobre o Acordo Ortográfico, e nenhuma das datas que refere batem certo com as do MNE português.»

 

Quem o diz é Nuno Pacheco, num excelente artigo no Jornal Público, que aqui se transcreve.

 

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Se há obras que transcendem o seu estatuto fundador e são já património universal, Grande Sertão: Veredas é uma delas. O seu autor, João Guimarães Rosa (Brasil, 1908-1967), era obcecado “pela integridade textual dos seus livros”, como recorda a editora Companhia das Letras, que acaba de lançar em Portugal nova edição desta obra. Por isso, resolveu adoptar (e di-lo na nota introdutória) “como referência a segunda edição [Agosto de 1958] com a rubrica ‘texto definitivo’”, respeitando “o critério básico de diminuir ao máximo as diferenças com a segunda edição de 1958, quando se fixou a fisionomia textual do romance.”

 

Explicando melhor: “O texto foi estabelecido de modo a preservar a expressividade de sinais diacríticos, hifenização e outros pormenores morfológicos e ortográficos na aparência desimportantes, mas que se destacam no sistema polifónico do livro.” Daí que, embora “êle” tenha passado com os tempos (e também no livro) a “ele”, “vôo” a “voo” ou “idéia” a “ideia”, se tenham mantido grafias como “gemêsse”, “umbùzeiro”, “urubú” ou “buritís”. Registe-se que, sendo a edição feita em Portugal (da editora brasileira aqui sediada), tanto a nota introdutória como a longa cronologia que fecha o livro e a respectiva lista de fontes respeitam a ortografia portuguesa de 1945 (ainda em vigor por lei). Que diferença com a recente edição d’A Menina do Mar, “atualizando” à força o texto de Sophia!

 

Já que falamos no Brasil, e no Acordo Ortográfico (que tenham paciência, ou virem a página, os que já dão este assunto por encerrado), é bom recordar que no Brasil sempre houve, e há ainda, resistência ao dito “acordo”. Manifestaram-se contra ele, a seu tempo, figuras como André Nogueira, Caetano Veloso, Carlos Heitor Cony, Ferreira Gullar, Gregório Duvivier, Hélio Schwartsman, Ivan Lins, João Paes Loureiro, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Maria Lúcia Lepecki, Millôr Fernandes, Nei Leandro de Castro, Paulo Franchetti, Pasquale Cipro Neto, Sérgio de Carvalho Pachá, Sidney Silveira ou Walnice Nogueira Galvão. Ainda há pouco, no Observador (de 22/9), o jornalista brasileiro José Augusto Filho escreveu: “O Acordo Ortográfico de 1990 [que ele atribui ao “lulopetismo” – de Lula e do PT] é um falhanço total. Ele em nada tem facilitado a integração política e económica entre os estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Bem ao contrário, tem antes servido a alimentar nacionalismos e ressentimentos. […] Da forma que foi conduzido, o Acordo serve antes para enfraquecer a língua de Camões do que para disseminá-la. Quanto aos ganhos políticos e económicos decorrentes, foram até agora praticamente nulos.”

 

Em artigo anterior (“Querem datas giras para duvidar da validade do Acordo Ortográfico? Aqui vão algumas”, 8/8/19) já tínhamos visto que as datas apresentadas para sancionar a dita “legalização” do AO90 em Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não batem certo nos documentos que as registam (enquanto os depósitos no MNE português não forem vistos por uma entidade independente, permanece a dúvida: houve ou não manipulação de dados?).

 

Ora o mesmo sucede com o Brasil, a maior potência envolvida neste duvidoso negócio. O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português, tutelado por Augusto Santos Silva, deu publicamente, num Direito de Resposta enviado ao PÚBLICO (e publicado em 28/7), as seguintes datas (sic): “O Brasil depositou o instrumento de ratificação do Acordo Ortográfico a 30 de abril de 1996, o instrumento de ratificação do Protocolo Modificativo a 15 de agosto de 2002 e o instrumento de ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo a 12 de junho de 2006.” Do lado brasileiro, o que temos? O texto do AO (de 1990) foi aprovado no Congresso Nacional como “projecto de decreto legislativo” em 1992 (mas só publicado no Diário do Congresso em Setembro de 1993); já como Decreto Legislativo n.º 54, o Congresso aprova-o em 18 de Abril de 1995 (está no Diário Oficial de 20/4/95); e aprova também, mas em 12 de Junho de 2002, o primeiro protocolo modificativo. Até aqui, poderia bater certo com as datas do MNE, caso se confirmem os respectivos depósitos. Mas depois tudo se atrapalha.

 

Num só dia, 29 de Setembro de 2008, Lula da Silva assina quatro decretos relativos ao AO: o 6583, promulgando-o (“considerando que o Acordo entrou em vigor internacional em 1.º de janeiro de 2007, inclusive para o Brasil, no plano jurídico interno”, dá uma data diferente para depósito do instrumento de ratificação: 24 de Junho de 1996, quando o MNE diz 30 de Abril); o 6584, promulgando o primeiro protocolo; o 6585, promulgando o segundo protocolo; e o 6586, obrigando os livros escolares a usarem já a nova grafia a partir de 2010 (mais tarde, Dilma Rousseff prolongará até Dezembro de 2015 o uso simultâneo das duas normas). Uns meses depois desta “maratona” legislativa, o Diário Oficial da União revela que haverá um apoio de meio milhão de reais (486.696, para sermos exactos) à edição de um Vocabulário Ortográfico a editar pela Academia Brasileira de Letras, para distribuição gratuita a escolas, bibliotecas, etc., com uma tiragem de 10 mil exemplares. E em Setembro desse mesmo ano de 2009 são dados mais 269.680 reais a um festival musical inspirado no “acordo ortográfico”.

 

NOTA: os documentos publicados neste espaço, podem ser lidos aqui:

https://www.publico.pt/2019/12/12/culturaipsilon/opiniao/bom-exemplo-brasileiro-datas-duvidar-validade-acordo-ortografico-1896941


A correria a que Lula se entregou em 2008 tem uma origem próxima: Marcos Vinicios Vilaça, académico desde 1985, tinha chegado à presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 15 de Dezembro de 2005, para o biénio 2006/2007. Apadrinhado por José Sarney (que foi o grande impulsionador do Acordo Ortográfico nos anos 1980-90) e com um gosto especial pela projecção mediática, nomeou como seu assessor um jornalista de nome Antônio Carlos Athayde para garantir tal projecção. E esse assessor teve, um dia, uma ideia: descobriu que o Acordo Ortográfico estava a adormecer numa gaveta (de onde muita gente, em Portugal e no Brasil, confiava que nunca saísse), e disse a Vilaça: “Meu presidente, eu tive uma ideia que não vai tirar mais a ABL da mídia. Nós vamos promover a unificação ortográfica.” Ora no mesmo ano em que Vilaça entrara na presidência da ABL, também José Sócrates chegara a primeiro-ministro de Portugal. Com Lula na Presidência do Brasil desde Janeiro de 2003, foi só juntar a ambição de ambos com o desiderato pessoal de Vilaça e Athayde: um primor!

 

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José Sócrates com Lula da Silva no Palácio do Planalto, Brasília, em Agosto de 2006 JAMIL BITTAR/REUTERS

 

Voltando aos decretos de Lula da Silva. As datas que ele refere nos seus decretos não batem certo com as que o MNE dá por oficiais. Lula escreve que o documento inicial do AO foi depositado em 24/6/1996 e o MNE diz que foi em 30/4/1996, dois meses antes (num e noutro caso, ainda na presidência brasileira de Fernando Henrique Cardoso); Lula diz (decreto 6584) que o primeiro protocolo modificativo foi depositado em 3/9/2004, enquanto o MNE fala em 15/8/2002 (a ser assim, não seria durante a presidência de Lula, mas sim de Fernando Henrique); e, por fim, Lula diz (decreto 6585) que o documento referente ao segundo protocolo foi depositado em 20/10/2004, quando o MNE português refere, explicitamente, 12/6/2006. Nenhuma das datas coincide.

 

Pior: se nos dois primeiros casos (AO e primeiro protocolo), Lula refere a aprovação no Congresso Nacional, já no que respeita ao segundo protocolo diz apenas que “foram cumpridos os requisitos”. Mas no decreto 6586 (o quarto desta maratona) esclarece, afinal, que tal protocolo foi “internalizado pelo Decreto n.º 6585 de 29 de setembro de 2008”. Ou seja, nesse mesmo dia, e pelo decreto anterior, mas sem ir ao Congresso.

 

Ora a ida ao Congresso era obrigatória por lei, como ele bem sabia. Mas nesse dia não quis saber. Lá diz o Decreto Legislativo n.º 54, de 1995 (e é confirmado nos posteriores): “São sujeitos à apreciação do Congresso Nacional quaisquer atos que impliquem revisão do referido Acordo [Ortográfico].” Quaisquer actos! Mas que importava? Estava-se em plena euforia do quero, posso e mando. E deu no que deu.

 

Recapitulando, com as datas do texto anterior: se Portugal (diz o MNE) só ratificou o segundo protocolo em 2009, a 13 de Maio; se de São Tomé não se conhece registo de que tal protocolo tenha sido sequer ratificado; se Cabo Verde, em Dezembro de 2009, ainda estava a pensar notificar o MNE, “com a urgência possível”, da sua ratificação interna; e se o Brasil fugiu à lei não levando o segundo protocolo ao seu Congresso Nacional, como é possível afirmar (como se lê em notas, avisos e decretos) que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa “entrou em vigor, a nível internacional, em 1 de janeiro de 2007”? Não é claro que estamos perante um embuste?

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/12/12/culturaipsilon/opiniao/bom-exemplo-brasileiro-datas-duvidar-validade-acordo-ortografico-1896941

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:03

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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

Por que será que só os estudantes que têm o “Português” como língua oficial nos seus países não conseguem entender a Língua Portuguesa (*) nas nossas universidades?

 

(*) Quando falo de Língua Portuguesa refiro-me à Língua Portuguesa, a genetriz das muitas variantes e dialectos que, a partir dela, se espalharam pelos quatro cantos do mundo.

 

Antes do actual “boom” de chegada de estrangeiros a Portugal, milhares de estudantes estrangeiros (provenientes de todo o mundo) passaram pela Universidade de Coimbra (falarei da minha experiência, apenas) para estudarem a Língua Portuguesa e não tiveram qualquer dificuldade. Sou testemunha disso, porque em Coimbra, nós, alunos portugueses, ajudávamos os alunos estrangeiros no Português, em troca de eles nos ensinarem a Língua deles. A mim calharam-me japoneses. E eles aprenderam a minha língua, e eu aprendi a deles. Esta troca de conhecimentos é que enriquece a convivência e a aprendizagem universitárias.

 

O que pretendem que Portugal faça, neste tempo, em que nem Língua que nos identifique como Portugueses temos? Adaptar o já tão esfarrapado ”Português” ao “boom” de estrangeiros que frequentam as nossas escolas e universidades, ou seja, de acordo com a notícia, que focarei mais adiante, Brasileiros e Timorenses?

 

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Origem da imagem: Internet

 

A notícia diz o seguinte:

«"Fala português!" Artigo científico fala em discriminação de brasileiros e timorenses nas universidades portuguesas.

 

Investigadoras analisaram o acolhimento de alunos brasileiros e timorenses. Dizem que há discriminação de quem não fala português de Portugal e que as universidades não estavam preparadas para "boom".»


Uma das autoras de um artigo sobre o acolhimento a estudantes internacionais em Portugal alerta para a falta de preparação das universidades para o actual ‘boom’ de alunos estrangeiros que já são a maioria em alguns cursos.

 

Juliana Chatti Iorio, uma brasileira a viver em Portugal há 20 anos, assinou o artigo intitulado “O acolhimento de estudantes internacionais: brasileiros e timorenses em Portugal”, juntamente com Silvia Garcia Nogueira (Universidade Estadual da Paraíba, Brasil), recentemente publicado na Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios.

 

No artigo lê-se  que “ainda há muito a ser feito, como uma maior atenção às dificuldades de brasileiros e timorenses com o português de Portugal”.

 

Como disse???????

 

Então os Brasileiros e os Timorenses, que têm como língua oficial o Português, não conseguem entender-se com a Língua Portuguesa, quando os Ingleses, Franceses, Espanhóis, Italianos, Japoneses, Chineses, Ucranianos, entre outras nacionalidades, que estudam em Portugal, entendem-se perfeitamente com a nossa Língua Portuguesa?  

 

Alguma coisa aqui está errada, e não é a Língua Portuguesa.

 

Quando um português vai estudar para o Brasil ou para um qualquer país estrangeiro não tem qualquer mordomia, por parte dos países que o acolhe. Ou o estudante se adapta, ou não se adapta e retorna à base, ou seja, ao seu país de origem.



Quando os alunos do Programa Erasmus (**) andam por aí a estudar, ou vêm para Portugal estudar, ninguém tem mordomias nenhuma, em parte alguma. Se não sabem a língua, aprendem-na. Ninguém, em país nenhum MODIFICA a língua do país para fazer o jeito aos estrangeiros. E o que acontece normalmente, é que TODOS se adaptam, às mais estranhas línguas.



Quando fui para o Brasil estudar, ninguém mexeu um dedo para ajudar a portuguesinha (como me chamavam carinhosamente) na questão das consoantes que não se escreviam. Ou aprendia, ou vai para a tua terra escrevê-las. E como boa estrangeira, que era, aprendi o brasileiro, para me manter no Brasil. E não foi só na escrita, mas também na oralidade, nos tchis, nos djis, nos ius, talvez com um ligeiro sotaque, que me valia, por vezes, também a alcunha de inglesinha, o que me deu muito jeito no tempo dos racionamentos. As portuguesinhas tinham direito a um litro de leite, na leitaria do bairro.  A inglesinha (alta, esguia, cabelo claro e trancinhas) tinha direito a dois litros de leite. Nada mau.

 

Em entrevista à agência Lusa, Juliana Chatti Iorio disse que «hoje, há cursos em Portugal que têm mais estudantes estrangeiros do que portugueses, e eu penso que muitas faculdades ou institutos não estavam preparadas para isso (o tal boom de estudantes estrangeiros). Nem tinham de estar. Chegados a um país estrangeiro, ou nos integramos nos hábitos, na língua, nos costumes, ou estamos mal.

 

É óbvio que entre estudantes (era o que eu fazia) quando chegava uma leva de estrangeiros, como boa anfitriã, fazia tudo para integrar os novos amigos (Brasileiros, sobretudo, mas também Japoneses, Ingleses, Italianos, entre muitos outros): a minha casa era a casa deles, e com eles treinava a Língua Portuguesa, para que se adaptassem mais facilmente, porque tudo começa com a comunicação.

 

Juliana Chatti Iorio queixa-se a respeito das relações humanas, onde continua a encontrar dificuldades: «Devido mesmo ao choque de culturas, acaba por ser um problema, uma vez que muitos funcionários e professores não conhecem a cultura desses alunos e muitos desses alunos também não conhecem a cultura em Portugal».

 

Muitos funcionários e professores não conhecem a cultura desses alunos, nem têm de conhecer. Porém, os estrangeiros que vêm para Portugal, devem fazer o trabalho de casa e interessarem-se por saber o mínimo sobre Portugal, e depois desenvolver esse conhecimento, para se integrarem. É assim que qualquer estudante português faz, quando vai para o estrangeiro.

 

Não são os Portugueses que têm de adaptar-se aos hábitos dos estrangeiros ou à língua deles. Mas sim os estrangeiros é que têm de se adaptar à língua e aos hábitos dos Portugueses.

 

 No artigo lê-se que «a não aceitação da língua portuguesa falada e escrita por esses estudantes, bem como os casos de discriminação sofridos em sala de aula por parte de alguns professores, evidenciou que ainda muito trabalho deverá ser feito para desconstruir a representação de que o português é imune ao racismo e possui uma pré-disposição para o convívio com outros povos e culturas».



Mas isto nada tem a ver com descriminação. Um português que vá para o Brasil estudar depara-se com o mesmo problema: os Brasileiros não aceitam que escrevamos direCtor, seCtor, adoPtar, etc., por aí fora, porque estas palavras não fazem parte da língua do Brasil. Eu tive de as aprender sem consoante, se quis ter boas notas. É natural que em Portugal palavras como “diretor”, “sector”, “adotar”, enfim… não sejam aceites, porque não fazem parte da NOSSA Língua.



Não são os Portugueses que têm de adaptar-se aos Brasileiros, mas os Brasileiros é que têm de adaptar-se aos Portugueses. Não são obrigados a isso, é óbvio, mas é recomendável.

 

A investigadora explica que, «à chegada, os alunos brasileiros depararam-se com algumas dificuldades que não estavam à espera, nomeadamente ao nível da compreensão do português».

 

Mas então não falamos a mesma Língua? Ficam abespinhados comigo quando digo que não falamos a mesma língua, precisamente porque os Brasileiros não nos entendem, e agora vêm com esta?

 

Isto é absolutamente normal. Qualquer aluno que vá para o estrangeiro estudar, depara-se com as mesmas dificuldades.  Mas não andam a queixar-se. Procuram adaptar-se imediatamente.  Não andam a dizer «ah, vocês têm de mudar a vossa língua ou os vossos costumes por que estamos cá…».



Quem vem de fora ou vai para fora é que tem de se ADAPTAR.

 

Mas o mais estranho é ISTO:

 

«Muitas vezes, os próprios professores não aceitam a língua portuguesa falada e escrita no Brasil, discriminando mesmo o seu uso em sala de aula e não permitindo o uso de livros cuja tradução seja feita no Brasil», refere Juliana Chatti Iorio.


Muitas vezes, os próprios professores não aceitam a língua portuguesa falada e escrita no Brasil? Não é o facto de aceitar ou não a língua falada e escrita no Brasil (uma língua estrangeira). Se os alunos brasileiros forem estudar em escolas norte-americanas ou inglesas, de certeza que os professores NÃO ACEITARÃO a língua falada e escrita no Brasil, porque estão nos EUA ou em Inglaterra, e não no Brasil. Em Portugal dá-se o mesmo. E no Brasil a mesma coisa. Lá, ou aprendemos brasileiro, ou estamos mal.



Quanto ao  discriminar (???) o seu uso do “brasileiro” (como as  crianças portuguesas lhe chamam) em sala de aula e não permitindo o uso de livros cuja tradução seja feita no Brasil, é absolutamente normal. Não o fariam nos EUA ou em Inglaterra ou noutro qualquer país do mundo. Estão em PORTUGAL, portanto, as regras têm de ser as portuguesas. E tal atitude não é descriminação. Tal atitude é apenas um procedimento normal. No Brasil jamais permitiriam um livro escrito em Língua Portuguesa, com os cês e pês nos devidos lugares. Os livros escritos em Portugal, não eram aceites no Brasil. Isto é NORMAL.

 

Não estou a criticar. Estou a corroborar um FACTO, que ocorre em qualquer país do mundo.



Porque haveriam os Brasileiros de serem acolhidos de modo diferente dos Ucranianos, dos Chineses, dos Ingleses, dos Africanos e doutras nacionalidades que estudam em escolas portuguesas? 

 

Diz a senhora Juliana Chatti Iorio «a discriminação é notada quando um professor se vira para um aluno brasileiro e diz, por exemplo, ‘fala português!’, ou quando um professor diz que as traduções feitas por editoras brasileiras não têm qualidade».



Bem, os professores devem dizer o mesmo aos Ucranianos, Chineses e Ingleses que frequentam a turma. Se estivessem nos Estados Unidos da América, diziam-lhe: fala em Inglês! Não estamos no Brasil.



Quanto à falta de qualidade das traduções feitas por editoras brasileiras é um facto. Mas nós por cá também temos disso. Se há bons tradutores, há outros que é de fugir, e os livros,traduzidos pelos maus tradutores, são um lixo.

 

Diz Juliana Chatti Iorio «Portugal não dá o devido valor à língua portuguesa a partir do momento em que permite o uso do inglês em sala de aula, que não luta pela afirmação da quinta língua mais falada no mundo e a partir do momento em que possui muito mais ferramentas em inglês para acolher os estudantes Erasmus do que para acolher os estudantes lusófonos».
 

Portugal não dá o devido valor à Língua Portuguesa. Isto é verdade. Actualmente Portugal não dá o devido valor à Língua Portuguesa, porque a tem vendida ao Brasil. Em Portugal abrasileirou-se a ortografia, a partir da imposição do ilegal AO90, e a Língua Portuguesa anda de rastos. Nas escolas ensina-se o mixordês.

 

E se dá mais ferramentas à Língua Inglesa, do que à Brasileira, faz muito bem, pois aquela é a Língua de comunicação global, e todos os alunos portugueses devem aprender o Inglês tão bem quanto o NOSSO Português, para poder safar-se lá fora, porque ao contrário do que a senhora Juliana julga, nem a Língua Portuguesa, nem a sua variante brasileira têm qualquer expressão no mundo. Fala-se português nos países que o têm como língua oficial. Ponto. Mais nada.

 

E a senhora Juliana acrescentou esta coisa de pasmar: “ainda age como se fosse a ‘metrópole’ a ditar as regras do uso da língua portuguesa às suas ‘colónias’, quando inferioriza a maneira como a língua portuguesa é utilizada pelos outros países lusófonos”.



Muito se engana a senhora Juliana.  Não é a “ex-metrópole” que quer ditar as regras do uso da Língua Portuguesa às suas ex-colónias. A verdade é apenas UMA: é a ex-colónia do Brasil que quer impor a sua grafia à ex-metrópole, e às restantes ex-colónias, e só ainda não conseguiu, porque existe uma forte resistência e oposição a essa pretensão. E ninguém inferioriza (aqui está o complexo que tolhe os Brasileiros há séculos) a Língua utilizada pelos outros países lusófonos, porque a língua utilizada pelos outros países lusófonos é a PORTUGUESA, à excepção de Cabo Verde (que tem o Crioulo Cabo-Verdiano como língua oficial) e do Brasil, onde se fala e escreve o Brasileiro, já reconhecido no mundo, como tal.

 

Não queira a senhora Juliana virar o bico ao prego.

 

E o artigo prossegue com este absurdo:

Ideia errada sobre Portugal justifica desilusão

 

«Justifica as dificuldades que os estudantes sentem,» no dizer da senhora Juliana, «com o facto de estes partirem com um imaginário que nem sempre corresponde à realidade encontrada


O mesmo dizem os Portugueses que rumam ao Brasil. Parte-se com ilusões assentes, por vezes, em premissas erradas. Contudo, em Portugal, os Brasileiros são bem acolhidos (no meu prédio vive uma dezena de Brasileiros, e a todos dei as boas-vindas, que gostaria de ter recebido no Brasil e nunca recebi, mas não dou qualquer valor a isso, por isso, faço aos outros o que gostaria que me fizessem, ainda que não mo façam. Nem recebi eu, nem os meus conterrâneos, que como se sabe, são bastantes, no Brasil.

 

Diz a senhora Juliana: «Muitos imaginaram uma hospitalidade diferente daquela que encontraram. (…) As diferenças culturais também se podem traduzir num choque cultural vivenciado quotidianamente na instituição e no país de acolhimento. Os estudantes brasileiros apontaram “a falta de aceitação da língua portuguesa como é escrita e falada no Brasil” como “uma falha no acolhimento de Portugal”. Por seu lado, os timorenses, “por não dominarem bem o português, sentiram que as dificuldades na chegada, em circular pela cidade, e para escolher moradia foram, por esse motivo, reforçadas – ainda que a língua portuguesa, ao lado do tétum, também seja um idioma oficial do Timor-Leste”.

 

Mas isto é tão normal e óbvio, que não sei porquê tanta aflição. Quando vamos para um outro país, tudo isto é tão natural como respirar. O que pretendia a senhora Juliana, que andassem com ela ao colo? Quando vamos para um país estrangeiro, não esperamos que venham todos para a rua saudar-nos, esperamos? Os Brasileiros e os Timorenses, ou outro qualquer povo, lusófono ou não, são tratados como os Portugueses são tratados nos países dos outros. Ou não? Ninguém nos vai receber com fanfarra. Ou vai? E isso importa-nos? Não nos importa nada. Somos capazes de nos adaptar e darmos a volta e integrarmo-nos, sem qualquer queixume descabido.



Quando vim do Brasil para Portugal acabar o curso universitário em Coimbra, vinha a brasucar, na escrita e na fala. Pedi um tempo aos professores para me adaptar. Tempo concedido. Não EXIGI que andassem comigo ao colo. E eu sou PORTUGUESA, mas fui tratada como uma aluna estrangeira, nos primeiros tempos, obviamente. Num mês, pus a escrita e a fala em dia, com a maior facilidade e naturalidade. E segui em frente. 

 

E esta investigação conclui o seguinte: “a falta de informações sobre o funcionamento do sistema académico e problemas nas interacções em sala de aula com outros alunos e com professores resultou, muitas vezes, em má compreensão dos conteúdos ministrados nos cursos”. A ausência de divulgação dos serviços de apoio disponíveis para eles, também. Além disso, alguns estudantes bolseiros timorenses reclamaram da falta de orientação para os gastos com a bolsa e de ajuda com documentos (vistos, sistema académico, etc.) e os brasileiros referiram que até tiveram alguma assistência, inclusive com o processo de inscrição no curso, mas que só souberam da existência de alguns serviços prestados pela universidade e de associações que os poderiam ter ajudado, quando já estavam em Portugal».



Senhora Juliana, isto não acontece apenas com os Brasileiros e com os Timorenses, acontece igualmente com os Portugueses que vivem em Portugal. Nós, para os governantes e para as instituições estatais, estamos abaixo de cão. Quando é para nos sacarem dinheiro, vão para as televisões gritar. Quando é para recebermos privilégios, calam-se todos, e nós que adivinhemos. Por que haveria de ser diferente com os estrangeiros?

 

As autoras do estudo recomendam um «maior apoio na chegada e nos momentos iniciais desses alunos no país de destino. Conhecer as especificidades das culturas de origem desses estudantes e estar disponível para aprender sobre a melhor forma de recebê-los são estratégias que poderiam ser adoptadas pelas universidades portuguesas, de modo que a dádiva da hospitalidade correspondesse a práticas do bem receber, e que anfitriões e hóspedes pudessem dar, um ao outro, o melhor de si»


Nenhum país põe tal coisa em prática, quando há muitos alunos de várias nacionalidades. É pedir o impossível.


Estão à espera de apoio estatal ou do povo? O Estado não dá mimos a ninguém, talvez o nosso PR pudesse ir tirar uma selfies e distribuir beijinhos à chegada dos Brasileiros. Ainda não vi que fosse. O povo, esse, penso que é caloroso com os estrangeiros. Ele adora tudo o que vem do estrangeiro. Não devem ter razão de queixa.



Bom, mas as duas perguntas finais a fazer são as seguintes: fazem todas estas exigências quando vão estudar para os EUA? Ou para Inglaterra? Ou França?  Quando estudantes portugueses vão para o Brasil estudar, o Brasil brinda-os com este tipo de mordomia que exigem de Portugal? Ou cada um amanha-se como pode?

 

De tudo o que li, ficou-me um pulga atrás da orelha: ou muito me enganei ou a senhora Juliana insinuou que o Brasil deveria impor as sua regras a Portugal, incluindo a língua falada e escrita no Brasil, para que os Brasileiros possam sentir-se em casa?


(**) O programa Erasmus, acrónimo do nome oficial em língua inglesa, European Region Action Scheme for the Mobility of University Students, é um plano de gestão de diversas administrações públicas, que apoia e facilita a mobilidade académica dos estudantes e professores universitários através do mundo inteiro.

Origem da notícia:

https://observador.pt/2019/12/08/fala-portugues-artigo-cientifico-fala-em-discriminacao-de-brasileiros-e-timorenses-nas-universidades-portuguesas/?fbclid=IwAR30shy23hWaXxLwJPxVqwT5sZoltk4_8QIk6gehNhB5Nsp6Lgz0_UFqEDw

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:38

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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

«Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

«Sophia, que era declaradamente contra o Acordo Ortográfico, foi “adaptada” a ele numa edição recente que no resto não o respeita. Faz isto qualquer sentido?» (Nuno Pacheco in Jornal Público)


Não é só o livro “A Menina do Mar” que está acordizado. Todos os outros livros de Sophia para a infância foram acordizados, pelo motivo parvo que mais abaixo é referido (e está a negrito). Vi-os na Feira do Livro do Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, deste ano. Feriu-me a alma ver as obras para a infância, de Sophia de Mello Breyner, acordizadas, pela porto editora, assim em letras minúsculas, à acordês. Apeteceu-me comprá-los todos e ir queimá-los à rua. Mas não tinha onde queimá-los. Na próxima, providenciarei uma lata e queimá-los-ei, como lixo, não pelo conteúdo, que, para mim, é sagrado. Mas pela forma: um insulto à memória de Sophia. Um insulto à Língua Portuguesa. Um insulto às crianças portuguesas, as quais são forçadas a desaprender a própria Língua Materna, até porque o AO90 é uma fraude, não está em vigor, e ninguém é obrigado a aplicá-lo. E um livro em acordês, não é um LIVRO: é um conjunto de meras folhas de papel. (Isabel A. Ferreira)

 

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 «Sophia, “A Menina do Mar” e as partidas dos meninos da terra»

 

Um texto de Nuno Pacheco, no Jornal Público.

 

«Está a chegar ao fim o ano em que se têm vindo a celebrar os centenários do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978) e Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). E se em Setembro essa celebração os juntou em pelo menos dois momentos (um colóquio no Brasil, no Rio de Janeiro, e um ciclo na Cinemateca, dedicados a ambos), agora é a vez dos Encontros Imaginários criados no grupo de teatro A Barraca darem voz a um “diálogo” entre os dois, com Maria do Céu Guerra a encarnar Sophia e José Manuel Mendes na pele de Jorge de Sena. A moderação, como sempre, cabe ao criador destes encontros, o encenador Helder Costa. Dia 16 de Dezembro, às 21h30.

 

Falando apenas de Sophia, este último trimestre tem sido pródigo em apontamentos sobre a sua vida e obra. Matosinhos dedicou-lhe um dia, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca (onde agora, de 6 a 8, celebra Sophia e Sena na Festa da Poesia). E o Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães, recebeu a adaptação para teatro e música do conto A Menina do Mar, pelo Teatro do Eléctrico, com encenação de Ricardo Neves-Neves e direcção musical de Martim Sousa Tavares (neto de Sophia). Anuncia-se ainda para 13 de Dezembro o espectáculo multimédia O Mundo de Sophia, pela Lisbon Poetry Orchestra, no Auditório Renato Araújo da Universidade de Aveiro. É o queimar dos últimos cartuchos. Oxalá não lhes suceda, depois, o silêncio.

 

Mas ainda falando de Sophia, foi recém-lançada uma “edição muito especial” do conto A Menina do Mar, pela Valentim de Carvalho. E o “muito especial” justifica-se por juntar àquele que foi o primeiro livro infantil de Sophia (de 1958) duas leituras dramatizadas distintas: a que dele fizeram, em 1961, os actores Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta, com direcção de Artur Ramos e música de Fernando Lopes-Graça (aqui incluída em CD); e o espectáculo estreado em Fevereiro no São Luiz, em Lisboa, interpretado por Carla Galvão e Filipe Raposo (ao piano) a partir de música de Bernardo Sassetti (1970-2012), com direcção de Paula Diogo e animações de Beatriz Bagulho, também chamada a ilustrar o livro (o espectáculo surge aqui em DVD). Para dar um ar ainda mais “especial” à edição, pensada e produzida por Rui Portulez, o texto introdutório é de Marcelo Rebelo de Sousa, que sublinha estarmos perante “diferentes leituras, diferentes gerações e diferentes métodos de revisitar um texto fundador.”

 

A única estranheza resulta desta pequena nota incluída na ficha técnica: “Considerando a sua possível leitura em contexto escolar, este livro respeita as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assumindo a Porto Editora a responsabilidade desta adaptação”. É curioso, porque nem a ficha nem o texto do Presidente da República têm essa preocupação, lendo-se, neles, palavras “proibidas” como “direcção” ou “espectáculo”. Será porque pensam que estes não serão lidos “em contexto escolar”? Vamos então conferir o trabalho de adaptação feito no texto original de Sophia. “Hei-de” passou a “hei de”; “Outono” a “outono” (3 vezes); “Verão” a “verão”; “Primavera” a “primavera” (2 vezes); “Inverno” a “inverno”; “projecto” a “projeto”; “vêem” a “veem”. E é só. Dez alterações, ao todo. Justificava o trabalho? Justificava a nota?

 

Aqui podem sempre brandir-se dois argumentos. Um, a favor do Acordo, que dirá: estão a ver, quase não se nota. Outro, contra, que oporá: se quase não se nota, para quê mexer? Sobretudo quando se sabe que Sophia foi declaradamente contra o Acordo Ortográfico? Teve até uma argumentação em dez pontos, em entrevista ao JL, em 1991. Recordemo-la, na íntegra:

 

“1. A cultura é feita de exigência e este acordo é feito de transigência. 2. Vai alterar, em muitos casos, a dicção oral. 3. Vai desfigurar o carácter emblemático e a estética da escrita. 4. Vai-nos separar da tradição grega e latina e, assim, para os estrangeiros que falam línguas românicas, o Português vai-se tornando mais difícil. 5. Vai destruir a modulação das vogais, tornando algumas delas surdas. 6. O acordo nada unifica, pois constantemente recorre a alternativas. 7. A escrita nunca pode coincidir com a fala. 8. A ortografia pertence ao número de coisas que só raríssimas vezes devem ser modificadas, pois também na forma gráfica nos reconhecemos. 9. É verdade que as línguas evoluem, mas evoluem dentro das leis que lhes são próprias e segundo o espírito criador do tempo. O mesmo é verdade para a escrita que, por isso, não pode ser modificada por comissões nem por estratégias políticas. 10. A única palavra portuguesa cuja ortografia precisa de ser mudada é dança que se deve escrever com ‘s’ como era antes, porque o ‘ç’ é uma letra sentada.”

 

Tirando esta última sugestão poética, que os defensores do Acordo costumam usar como caricatura, a argumentação de Sophia é clara. Corrigi-la postumamente é indefensável, pelo que o livro, para honrar a sua memória, deveria ser mantido na grafia original da autora. Porque não são as dez palavrinhas que estão em causa, mas sim uma questão de princípio. Ou sugerem atirar à fogueira as edições anteriores, não vão as crianças ter um choque ao lê-las?»

 

Fonte:

https://www-publico-pt.cdn.ampproject.org/v/s/www.publico.pt/2019/12/05/culturaipsilon/opiniao/sophia-menina-mar-partidas-meninos-terra-1896127/amp?fbclid=IwAR0NAf6QEUEx-oxR2QkuAKY_KZNyt5gtB6JOAvmszERuXYUH7RP1jfvjQqg&amp_js_v=0.1#referrer=h

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:59

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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019

«O Acordo nasce do delírio português de que existe uma entidade chamada “lusofonia” e da ambição do Brasil»

 

 Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-querer-ver.

 

Sabem o que distingue os  “Velhos do Restelo” (os que têm saber e defendem a Língua Portuguesa), dos “Novos de São Bento e Belém” (os que não têm saber e estão a destruir a Língua Portuguesa)? Responderei a esta pergunta, mais adiante, depois da leitura do texto de Luciano Amaral.


 

 

LUCIANO AMARAL.jpg

 

Para já vamos a outra questão: recebi, via e-mail, a imagem, que aqui reproduzo, de um texto, assinado por Luciano Amaral, publicado no Correio da Manhã em 03 de Março de 2014, um texto com cinco anos, mas de validade actualíssima. Infelizmente.

 

Todos os que estamos a trabalhar para restaurar a Língua Portuguesa, em Portugal, sabemos que ela será restaurada, mais dia, menos dia, porque um País não pode avançar para o futuro, sem uma Língua que o identifique.

 

E neste momento, Portugal não tem uma Língua que seja SUA.

 

O que se passa actualmente é que Portugal perdeu a sua Língua, perdeu a sua identidade linguística, perdeu o brio, perdeu o profissionalismo, perdeu a vergonha, perdeu a dignidade, e agora só quer ser “grande” outra vez, como no tempo do Império, à pala do Brasil.

 

Concordo em absoluto quando Luciano Amaral diz que «os portugueses só entendem a sua imaginada grandeza como algo para além de Portugal: antes era o império. Agora é a lusofonia (…), a coisa vai tão longe que chega muitas vezes ao ponto da anulação do País».

 

Bem, mas acontece que o País já está anulado. Um país que perde a sua Língua, fica automaticamente anulado. Portugal desviou-se da Europa, e anda por aí, à deriva, sem rei nem roque: é que nem é deste lado do Atlântico, nem do outro. Não tem uma Língua que o identifique: nem portuguesa, nem brasileira.

 

Um País que não cuida da sua Língua, não merece o estatuto de País. É simplesmente uma colónia da ex-colónia.

 

Estão muito enganados aqueles que acham que o “Acordo Ortográfico de 1990” é essencial para o “prestígio” da Lusofonia. Mas que acordo, que prestígio, que lusofonia?

 

Uma Língua só dá prestígio a alguma coisa, quando é uma LÍNGUA. Neste momento, a língua que circula em Portugal é apenas uma imitação de língua, que identifica o Brasil, mas não identifica Portugal. Por isso se insiste que cada país fique com a respectiva Língua.

 

A língua que actualmente é grafada (e já começa a ser falada) em Portugal é made in Brazil (escrito assim à americana). E digam-me lá: que outro país do mundo, senão Portugal, mudou a Língua que o identificava, para adoptar uma língua, made num país estrangeiro?

 

Todos sabemos o que está por trás deste “acordo” para o qual não foram chamados os restantes seis países ditos lusófonos. Apenas o Brasil e Portugal se enfronharam numa negociata de bradar aos céus, cheia de mentiras. Repletíssima de fraudes!

 

Como diz Luciano Amaral, e muito bem, este “acordo” nasceu apenas do delírio português de que (ainda) existe uma entidade chamada “Lusofonia” e da ambição do Brasil.

 

Acontece que o Brasil não se distanciou, do modo como se distanciou, e cada vez se distancia mais, da Língua Portuguesa, para ficar eternamente ligado à língua do colonizador, e não fruir de uma língua própria, de uma língua que o identifique como uma Nação independente. E quem não acredita ou não aceita este incontestável facto, é bocó (já agora, e uma vez que estamos numa de brasileirismos…)

 

Portugal amesquinhou-se. Portugal deixou-se levar pelo “sonho brasileiro”. O Brasil acenou-lhe com os “milhões” de falantes e escreventes de uma língua a que eles, por enquanto, ainda chamam Portuguesa, mas que, na verdade, já não é portuguesa, e nem sequer é estudada nas escolas, como tal. E Portugal sentiu-se um pigmeu, e deslumbrou-se com a ideia de se agigantar à pala de uma Língua que tem o destino marcado para ser Brasileira.

 

Nada é mais perverso e caracterizador da pequenez de espírito, do que políticos pigmeus deslumbrados com a fictícia grandeza de um gigante. Se ao menos soubessem a história de David e Golias!

 

O Brasil tem todo o direito de ter o seu “sonho brasileiro”. Porque não? O nosso Rei Dom Diniz também teve o seu “sonho português” e ficou para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Portuguesa. Em 1290, Dom Diniz decretou que a “língua vulgar” (o galaico-português falado) fosse usada na corte, em vez do Latim, e designada como “Português”. E é facto que o Rei adoptou uma língua própria para o reino de Portugal, tal como o seu avô Afonso X “O Sábio”, e de quem era tradutor, fizera com o Castelhano.

 

E foi assim que do Latim se passou ao dialecto galaico-português, e deste, à Língua Portuguesa. E será assim que o Português (ainda dito) do Brasil, e que tecnicamente é classificado como um dialecto, evoluirá naturalmente para Língua Brasileira.

 

Resta saber quem será o governante brasileiro que ficará para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Brasileira.

 

Este é o percurso natural das línguas que os povos que dominam outros povos vão deixando pelo caminho…

 

No que a isto diz respeito, não entendo a estranheza e os ataques de certas pessoas, que não param para pensar, que não lêem, que não procuram informar-se, nem querem, porque deliram com as falsas grandezas.

 

Portugal está dividido entre os ditos “Velhos do Restelo” e os “Novos de São Bento e Belém”. Qual a diferença entre uns e outros?

 

É que os “Velhos do Restelo” escrevem correCtamente a Língua Portuguesa, a oficial, a que permanece em vigor, a do Convénio Luso-Brasileiro 1945.

 

E os “Novos de São Bento e Belém” desprezaram a Língua Portuguesa, e substituíram-na por uma novilíngua conhecida por Mixordês, uma mistura do Português e do Brasilês.

 

E para que não digam que estou a inventar coisas (o Brasilês) aqui deixo a fonte onde fui beber o significado deste termo, que considero bastante interessante: Dicionário inFormal, neste link:

https://www.dicionarioinformal.com.br/brasil%C3%AAs/

  1. Brasilês

Significado de Brasilês Por C (SP) em 02-03-2011

Brasilês é uma lingua falada no Brasil.

Embora derivada do português, tem sintaxe, morfologia, fonética, semântica e vocabulário autóctones, especialmente pela absorção de elementos lingüísticos de origem indígena e africana,

Em virtude da grande extensão do nosso país, o brasilês apresenta grande diversidade de sotaques sem que isto afete o significado das palavras.

Isto é muito natural para um universo de mais de 180 milhões de pessoas falando o mesmo idioma.

***

 Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-ver.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

«AO90: crime de lesa-pátria»

 

 «Sempre acreditei que todo o mal que se pratica neste mundo obedece à lei do retorno, ou seja, quem o pratica, mais cedo ou mais tarde, vai ter de responder e sofrer, de alguma forma, por ter prevaricado. É a lei implacável e justa do Universo. O AO90 foi um CRIME de LESA- PÁTRIA. Quem o impingiu de forma ditatorial ao povo português terá de responder na barra dos Tribunais, porque foi uma BURLA cometida contra a LÍNGUA e CULTURA PORTUGUESAS (!) Será que os socratistas, cavaquistas, santanistas, costistas e tantos outros istas ainda não perceberam que prevaricaram contra todo o povo português e que tentaram matar a nossa alma?» (Idalete Giga)

 

A Idalete Giga está certa. Concordo com ela. Tentaram matar a nossa alma, mas não conseguiram, nem conseguirão. E é tão certo como estar aqui a escrever sito, que os que burlaram Portugal e os Portugueses, nesta questão do AO90, vão ter muito que explicar na barra dos tribunais, porque ninguém tenta destruir a Língua Oficial de um País livre, e sai disto impune.

 

Deixo-vos com algumas pérolas televisivas. Nem tudo é culpa do AO90, mas é uma consequência da rebaldaria em que se transformou a ESCRITA, em Portugal, depois do AO90.

 

ANO LECTIVO.jpg

 

À RTP fugiu-lhe a boca para a verdade, porque, na verdade LETIVO (que se lê l'tivu) no rodapé, é uma palavra sem qualquer significado. Em Portugal, obviamente, porque no Brasil a palavra LETIVO (l’tivu) significa LECTIVO (létivu). Mas isso é outra língua. E o que se vê na imagem é a aplicação do mixordês

 

FUNERAL DE ROBERTO CARLOS.jpg

 

A SIC é especialista nestas coisas. Recentemente, no 1º de Dezembro, segundo a SIC, comemorou-se a implantação da República… Gente muito competente a legendar! 

 

SIC.jpg

 

Esta é também na SIC. Está-se mesmo a ver: os protestos continuarão se as portagens não foram abolidas em greve...  A quem estará entregue a legendagem da SIC? Disseram-me que era a licenciados... Mas licenciados em quê? 

 

COVA DA PEIDADE.jpg

Novo clube de futebol… 

 

Isto não acontece em mais país nenhum do mundo…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:21

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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

«Movimento pela Língua Brasileira»

 

Não estranhei absolutamente nada quando li a frase supracitada, no “assunto”, de um e-mail que me foi dirigido por Sérgio Lopes. Apenas fiquei muito curiosa, obviamente.  


E se há por aí alguns Portugueses e Brasileiros que, por uma conveniência mais política do que linguística, não aceitam a existência de um Movimento pela Língua Brasileira, outros há que, muito pela calada, se movimentam no sentido de elevarem o mal denominado “Português do Brasil” a Língua Brasileira.

 

E eu, como conhecedora da cultura brasileira, dos desígnios brasileiros, da política brasileira, e principalmente do imo brasileiro, só tenho a dizer força, Brasil!

 

O que se escreve e fala no Brasil é, de facto, uma nova língua, derivada da Língua Portuguesa. Não sei por que existe tanta resistência, em Portugal, a admitir tal facto, quando, no Brasil, falar de Língua Brasileira já é uma realidade.

 

O que se segue é a troca de e-mails entre mim e o Sérgio Lopes (com o seu consentimento), acerca deste facto, que os menos esclarecidos se recusam a aceitar como verdadeiros.

 

portugal brasileiro 1.png

 

Nos tempos que correm (e espera-se que por pouco tempo) Portugal é uma extensão do Brasil, no que à Língua diz respeito (ou não pugnasse o AO90 pela grafia brasileira), até porque, na Internet, a bandeira portuguesa foi substituída pela bandeira brasileira, para designar o Português que, obviamente, não é português.

 

Escreveu Sérgio Lopes:

 

Ouso enviar-lhe estes links na eventualidade de os não conhecer.
Gosto das suas intervenções.
Saudações

 

A hora e a vez do português brasileiro

http://museudalinguaportuguesa.org.br/wp-content/uploads/2017/09/A-hora-e-a-vez-do-portugues-brasileiro.pdf

 

Afinal, existe 'língua brasileira'?

http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/afinal-existe-lingua-brasileira.html
 

A LÍNGUA BRASILEIRA


Excerto: Embora no início do século XIX muito se tenha falado da língua brasileira, como a Constituição não foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a língua que falamos é a língua portuguesa. E os efeitos desse jogo político, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos faz oscilar sempre entre uma língua outorgada, legado de Portugal, intocável, e uma língua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a língua brasileira. É assim que distingo entre língua fluida (o brasileiro) e a língua imaginária (o português), cuja tensão não pára de produzir os seus efeitos.

https://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/

 

Sérgio Lopes

 

***

 

A minha resposta foi a seguinte:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço a sua mensagem e a sua gentileza, e os links que me enviou.

 

Os dois primeiros eu não conhecia.

 

O último, o da Eni P. Orlandi, conhecia, e já o publiquei no meu Blogue, faz algum tempo.

 

Para falar da “Língua Brasileira”, sou uma privilegiada, pois frequentei escolas brasileiras desde a primária à universidade, intercalando com a frequência em escolas portuguesas, também desde a primária à universidade. E o que tenho a dizer sobre isto, é que a Língua que se fala e escreve no Brasil é a Língua Brasileira, (com toda a justiça) e não a Portuguesa.

 

Estou com os brasileiros que pugnam pela Língua Brasileira, e defendo-a com a mesma garra com que defendo a minha Língua Portuguesa.

 

Não estou com os brasileiros quando eles dizem que o Português é a língua mais horrorosa do mundo, porque não é. É uma das línguas mais ricas e belas do mundo, de acordo com os estudiosos das línguas indo-europeias. Só os que nada sabem desta língua podem dizer tal disparate.

 

Também não estou com os brasileiros, na questão da imposição da grafia brasileira aos restantes países lusógrafos, com a invenção do pseudo-AO90, que não passa da maior fraude de todos os tempos.

 

De todos os países que herdaram a Língua Portuguesa e a têm como língua oficial, apenas o Brasil a deturpou, a mutilou, e dela se afastou substancialmente, americanizando-a, afrancesando-a, castelhanizando-a, italianizando-a, para não falar na introdução dos milhares de vocábulos indígenas e africanos (que aliás só a enriqueceram sobremaneira) e tudo isto confere-lhe o estatuto de uma nova língua, oriunda da Portuguesa, mas que já não é portuguesa.

 

Conheço as duas línguas como as palmas das minhas mãos. E, na realidade, são duas línguas diferentes.

 

Irei ler com mais atenção os textos que enviou, porque já vi que tenho ali muito pano para mangas, e não só, visando elaborar um texto para o Blogue.

 

Os meus agradecimentos e as minhas saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 

Do que li nos textos enviados pelo Sérgio Lopes, tudo espremidinho, dá o seguinte:  existe um grande equívoco por parte dos brasileiros (e também dos acordistas portugueses) quando metem a Língua Portuguesa no saco das Variantes. E a Língua Portuguesa não é uma variante (ando sempre a repetir isto). A Língua Portuguesa é a ORIGEM das variantes, assim como o Latim não era uma variante entre os diversos dialectos (em que o galaico-português se incluía) que do Latim se originaram. O Latim era a ORIGEM. E a Língua Portuguesa, logo que se implantou como Língua, também é a Origem. Não uma variante.


E é esse grande equívoco que leva a que Portugal, um país que já foi livre, esteja actualmente dominado pela variante brasileira (ou dialecto, vai tudo dar ao mesmo), tendo perdido a sua identidade portuguesa, apenas porque os governantes portugueses, neles incluído o presidente da República, ou sofrem de um gigantesco complexo de pequenez, e acham que se se colarem ao Brasil ficam gigantes, ou andam a mando de alguma força oculta.

 

E como eu, e muitos como eu, gostaríamos de estar enganados, quando dizemos que a Língua Brasileira nunca esteve tão perto de ser implantada, e a Língua Portuguesa de desaparecer!!!!

 

***

Entretanto, enviei este outro e-mail ao Sérgio:

 

Caro Sérgio Lopes,

 

Agradeço o seu e-mail, com o qual não podia estar mais de acordo. Tão de acordo que quero pedir-lhe permissão para integrar as partes que dizem respeito ao Brasil, à Língua, ao AO90, aos indígenas, num texto acerca desta matéria.

 

Eu não sou perita em Ciências da Linguagem, apenas tenho a Língua Portuguesa como o meu mais precioso instrumento de trabalho, já leccionei Português, e aprofundei o meu conhecimento da Língua, nessa altura, em Portugal, e conheço a riqueza da Língua Brasileira, para a considerar uma outra língua. Apenas isso. 

 

Quanto aos neo-brasileiros estou completamente de acordo consigo, que também andou por lá, e sabe como é. Sempre defendi que os verdadeiros “donos” do Brasil são os indígenas, e não o povo que veio depois de os Portugueses terem achado as terras de Vera Cruz, e que nada fez para engrandecer o Brasil depois da independência.

 

Um destes dias enviaram-me um texto incrível que pode ver aqui:

 

https://www.imub.org/fraudes-montadas-sobre-o-tema-o-brasil-colonia/?fbclid=IwAR0HiTx4cN2k52dq_sARybjf5vEjXN5G7Kelf-71w66AFVOo7ecgoRdMJk8

 

o que me levou a deixar lá um comentário, que não foi aprovado, e está-se mesmo a ver porquê. E o comentário dizia o seguinte:

 

O que não se inventa para deturpar a História comum do Brasil e Portugal, tentando com isso atenuar o gigantesco complexo de colonizado, entranhado em alguns "brasileiros" (?), que não aceitam o seu passado. Todos os países, de uma forma ou de outra foram colonizados. Portugal foi colonizado por vários povos. De todos eles recebeu benefícios, e todos eles fazem parte da História de Portugal. Complexo para quê? Porquê?

 

É de realçar que, de todos os países colonizadores (Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Holanda - algo que pertence a uma época específica, tal como a pré-história é pré-histórica) Portugal foi o menos bárbaro e o que mais legado cultural deixou. Não extinguiu nenhuma civilização autóctone, e foi também o menos racista e xenófobo.

 

Não vejo qualquer motivo, para andar a escarafunchar historietas, para justificar um passado que na realidade não existiu, ou seja, o de que o Brasil não foi colónia.

 

Melhor fariam atirar o complexo de colonizado a um abismo, e tentar construir um grande país, que desde 1822 é livre, e ainda não encontrou o seu rumo.

 

Cortem o cordão umbilical que ainda liga o Brasil ao colonizador, como todos os povos colonizados fizeram, e deixem o passado no lugar dele. Vivam o presente e construam o futuro, como um povo livre. Até ao momento, e desde 1822, os Brasileiros são escravos do seu passado português. Libertem-se, de uma vez por todas. A começar pela Língua. Assumam que ela é a Língua Brasileira, porque ela é, e vivam a vossa vida brasileira, porque nós por cá, queremos viver a nossa vida portuguesa, sem colonizados agarrados ao nosso pé. O tempo da colonização acabou. Pertence ao passado, que ninguém pode mudar ou apagar.

 

Digo isto com amizade. Sem mágoa. Sem remorsos. Sem culpas.

 

E tenho quase a certeza, (este quase é muito fraquinho) de que esta imposição do AO90 a Portugal é a vingança desses “brasileiros” complexados.

 (…)

As minhas mais cordiais saudações desacordistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 O Sérgio escreveu:

 

Cara Isabel,

 

«Agradeço o seu amável retorno e, desde já lhe digo, que estou consigo quanto à aspiração dos (neo*) brasileiros de rebaptizar a sua língua. Alguma razão há para não existirem acordos ortográficos nos espaços anglófonos, francófonos e “hispanófonos”. O simples bom-senso, que faltou aos promotores do OA90 e antecessores, dita-nos que uma língua uma vez exportada para fora do seu habitat geográfico natural, sofre influências tais de ordem fonética e lexical a ela estranhas que não permitem a sua unificação.

 

O “brasileiro” é disso um rico exemplo, agravado pela noção de que em termos linguísticos não existe “o certo, nem o errado, existe o diferente”. Facto que, eventualmente, com tantos "diferentes" empurrará o Brasil a dividir-se em vários dialectos.   Por motivos de ordem profissional conheço o Brasil de lés-a-lés, onde estive expatriado, primeiro como director-comercial, e uma segunda vez como director-geral de uma transnacional que tinha e tem filiais espalhadas por todo aquele imenso país-continente.

 

Bom, mas a eventual divisão em dialectos não é um problema português… O que é interessante notar é que a história da língua inglesa exportada da Europa para os EUA, não é muito diferente da língua portuguesa exportada para o Brasil. Os índios, os escravos e até os colonos franceses, holandeses (Nova Iorque nasceu de Nieuw-Amsterdam), etc., influenciaram a língua hoje falada nos EUA. O que não causa o alarido que no nosso caso se faz sentir e ouvir! 

 

Reconheço, porém, que a Isabel reúne as condições ideais e muito superiores às minhas para julgar este tema. Eu conheci o uso da razão em Angola, fiz o liceu antigo num colégio interno em Portugal e estudos superiores em língua inglesa em Cape Town, na anda África do Sul do Apartheid, licenciatura, e o mestrado em Plantation, Flórida nos EUA. 

 

A justificação dada pela parte portuguesa dos promotores do AO90 é completamente tola, imbecil mesmo. A Isabel verá que defendendo a preservação da língua, o Casteleiro e companhia caíram na ratoeira dos promotores da “língua Brasileira”! E correram o risco de deixar Portugal sozinho, com uma língua mutilada!!!

 

Retribuo as saudações “desacordistas” e votos das maiores venturas.

 

Sérgio Lopes

 

Nota* - para mim os actuais habitantes não indígenas do Brasil são-neo-brasileiros, dado que os índios são os verdadeiros aborígenes. Pena é que ainda estejam sob a tutela do "Estatuto do Índio" nome como ficou conhecida a lei 6.001. Promulgada em 1973, ela dispõe sobre as relações do Estado e da sociedade brasileira com os índios. Em linhas gerais, o Estatuto seguiu um princípio estabelecido pelo velho Código Civil brasileiro (de 1916): de que os índios, sendo "relativamente incapazes", deveriam ser tutelados por um órgão indigenista estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; actualmente, a Fundação Nacional do Índio - Funai) até que eles estivessem “integrados à comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira…

 

Uma coisa é certa, durante mais de 300 anos só imigraram portugueses, quase exclusivamente, para a terra que recebeu o nome de Brasil. E durante esse tempo, quase só homens, facto que explica a miscigenação massiva com índios e africanos. Ora, ninguém se coloniza a si próprio, portanto, conquanto os índios pudessem reivindicar o estatuto de colonizados, curiosamente são os descendentes dos supostos "colonizadores" que o fazem e com tanto empenho. A imigração de italianos, franceses, alemães, árabes, asiáticos, etc., em números significativos deu-se já depois da independência, portanto, mais uma vez, não foram colonizados... Tenho para mim que é este complexo do "falso colonizado" que tem travado a ascensão do Brasil ao mundo desenvolvido. Lamentável!

 

Sérgio Lopes

 

***

 

Também lamento muito. E não só lamento, como me questiono: por que é que estas questiúnculas só existem entre Portugal e Brasil, e não com mais nenhuma outra ex-colónia?

Alguma coisa está mal, nesta relação luso-brasileira, e tem de ser resolvida, para que o Brasil possa cumprir a sua brasilidade, e Portugal recuperar a sua identidade europeia.



Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Domingo, 1 de Dezembro de 2019

Na SIC, hoje, dia 1 de Dezembro, comemorou-se a Implantação da República. Será que foi por isso que Marcelo Rebelo de Sousa não discursou?

 

Lapsos toda a gente tem, de vez em quando. Enfim, mas quando são o pão nosso de cada dia!!!!

Vi e ouvi esta notícia.

 

1 de Dezembro.jpg

 

Vi nas imagens do palanque, o nosso presidente da República; também vi o “nosso Rei” (considero sempre bonito convidar o Senhor Dom Duarte, para determinadas cerimónias embora não concorde nada com ele, no que respeita à tradição monárquica das corridas de Touros, introduzidas em Portugal precisamente pelos Reis Filipinos). Ouvi alguns discursos.  E surpreendi-me quando ouvi dizer que Marcelo Rebelo de Sousa não discursaria.

 

Não discursou porquê? Numa cerimónia que comemora um dos acontecimentos mais marcantes da História de Portugal: a Restauração da nossa INDEPENDÊNCIA, depois de 60 anos sob o jugo dos Reis Filipes de Espanha (II III, IV).

 

1 de Dezembro 2.jpg

 

Cogitei: talvez Marcelo Rebelo de Sousa não se sentisse à vontade para discursar sobre a independência de Portugal, num momento em que Portugal perdeu a sua independência linguística para o Brasil, com a sua ajuda.

 

Que moral teria Marcelo Rebelo de Sousa, para discursar sobre a independência de Portugal, quando renegou a Língua Portuguesa, símbolo maior da nossa identidade e independência, e mantém Portugal subjugado à sua ex-colónia, no que à Língua diz respeito?

 

Actualmente, Portugal não é um país independente. É um país curvado aos muitos interesses estrangeiros.

 

Que discurso poderia fazer Marcelo?

 

Fonte das imagens:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3605829579427243&set=a.474333115910254&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:57

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Sábado, 30 de Novembro de 2019

«Voltando ao AO/90: um miserável desacordo ortográfico»

 

in Jornal Público:

 

«Há algumas verdades mal conhecidas e que nos envergonham, e, por isso, vamos dizê-las.» (Embaixador Carlos Fernandes)

 

[nota da edição: este artigo, escrito em Outubro, é publicado a título póstumo]»

 

«Razões para uma publicação

Autor do livro O Acordo Ortográfico de 1990 não está em vigor, com chancela da Guerra & Paz (2016), o Embaixador Carlos Fernandes (1922-2019) escreveu entre 2016 e 2018 vários artigos de opinião no PÚBLICO sobre esse mesmo tema. Tinha um novo artigo pronto a ser publicado, mas a sua morte, em 27 de Outubro, impediu-o de o fazer chegar ao jornal na data em que desejava fazê-lo. Entregue agora por um familiar, seu sobrinho, entendemos que devíamos publicá-lo, ainda que a título póstumo, por ser essa a vontade expressa do seu autor.»

 

CARLOS FERNANDES.jpg

 

29 de Novembro de 2019, 4:50

 

Texto do Embaixador Carlos Fernandes

 

 «Voltando ao AO/90: um miserável desacordo ortográfico»

 

«Um dia, um alto governante português mal dormido lembrou-se do Brasil e, graças aos seus altos conhecimentos literários, e linguísticos em particular, achou que o Português, como língua, ou se abrasileirava ou não perduraria.

 

E então, como profeta salvador em acção, decidiu propor ao Brasil a negociação de um novo acordo ortográfico, no sentido de abrasileirar o Português, em vez de aportuguesar o brasileiro, e o seu entusiasmo foi tal que se esqueceu ou não deu importância ao facto de haver Estados africanos de língua oficial portuguesa, dois deles internacionalmente relevantes (Angola e Moçambique). Portanto, que o Português já não era só de Portugal e do Brasil, mas sim, então, de sete Estados independentes.

 

E não perdeu tempo, procedendo a uma negociação só bilateral, Portugal e Brasil, como nos velhos tempos, em que o Brasil negociava, mas, depois, não cumpria.

 

 E quem escolheu para tão urgente como insensata negociação? O Doutor Malaca Casteleiro, sem obra linguística conhecida e nenhuma prática diplomática.

 

Tudo, como se vê, abusivo, antidemocrático e, obviamente, estúpido, porque só esta adjectivação justifica tal comportamento internacionalmente inaceitável (Timor ainda não era independente e a Guiné Equatorial não adoptara ainda o Português que perdeu quando a cedemos à Espanha, a troco de territórios do actual Brasil).

 

O senhor Malaca Casteleiro e o senhor Houaiss, em nome de Portugal e do Brasil, com nomes nada portugueses, andaram anos em conversas que ninguém controlou, e do lado português com despesas mal explicadas, conversando no Brasil, que era mais agradável a Malaca Casteleiro e correspondia aos propósitos negociais (creio que nunca reuniram em território português). Para começar, uma notável habilidade diplomática, permitindo ao Doutor Malaca andar anos pelo Brasil.

 

A estes dois geniais negociadores também não lembrou que o Português, como língua, já não era só de Portugal e do Brasil, mas de sete Estados em vez de dois.

 

Ao fim de vários anos de longas, e certamente muito agradáveis conversas, que, de Lisboa, ninguém controlou, quer tecnicamente quer financeiramente, os dois negociadores deram à luz um texto miserável, indigno seja de quem for, a que, por mera ignorância, deram por título acordo ortográfico, em vez de convenção, como fora a de 1945, embora tal texto seja mais de desacordo do que de acordo. Isto é, consagrou-se o desacordo ortográfico, em vez do seu acordo, e, como se pretendia, mais favorável ao brasileiro do que ao Português. Mas, não obstante tão demoradas negociações, não tiveram tempo para elaborar o necessário Vocabulário, que, depois, o Doutor Malaca fabricou só para Portugal, ao contrário do que era a finalidade do acordo-desacordo.

 

Finalmente, depois desta trapalhada toda (porque foi realmente uma grande trapalhada), lembraram-se de que realmente eram sete e não dois os titulares da língua portuguesa. E vai de convidar os cinco estados excluídos a assinarem o desacordo que só os dois negociaram. Com grande relutância e boa educação, os cinco excluídos da negociação lá assinaram o miserável texto, mas com o propósito de não o cumprirem.

 

Perante esta negação, Portugal e o Brasil têm feito todos os malabarismos, indignos de qualquer Governo que se preze, para tentarem impor aos cinco Estados excluídos um texto que só Portugal e o Brasil colonialmente negociaram, como se os outros cinco Estados não existissem, ou, se existissem, não contassem.

 

Graças a Deus que não têm conseguido demover Angola e Moçambique, o que, obviamente, envergonha Portugal e o Brasil, mas parece não envergonhar os Ministros dos Estrangeiros de Portugal e do Brasil que, indesculpavelmente, até levaram o Secretário Geral da CPLP a escrever em acordês, ou socratês, em vez de Português.

 

É realmente de estranhar que estes dois Ministros, donos do desacordo, ainda não se tenham lembrado de que o seu procedimento é, internacionalmente, inaceitável.

 

Quem me lê sabe que eu ando há bastantes anos numa luta contra a aplicação do AO/90, que, além de absurdo tecnicamente, é inconstitucional. Até escrevi um livro sobre isto, editado por Guerra e Paz, provando não estar legalmente em vigor em país nenhum. Ninguém, que eu saiba, apareceu a contestar a minha argumentação, mas toda a gente, incluindo os Tribunais, anda a aplicar o desacordo que é o AO/90, que, com o tempo, vai descaracterizando o linguajar português.

 

Ora bem, o Brasil fugiu à ortografia portuguesa do Português devido ao linguajar brasileiro, e, portanto, é questão sem remédio, e em Portugal mudar-se-á o linguajar se for sendo aplicado o AO/90.

 

Sendo uma das bases deste desacordo ortográfico a eliminação das consoantes c e p, quando mudas, além de uma série de estupidezes sobre os acentos, estes geniais negociadores e propaladores do AO/90 e do que se diz ser o AO/90, ainda não perceberam que, a adoptar-se a ortografia que se diz ser a do AO/90, depois consagrada no Vocabulário só português, que devia ser comum para ser legal, nos termos do próprio AO/90, também mudaria o falar português se aquelas duas consoantes fossem suprimidas.

 

Resumindo e repetindo, no Brasil mudaram a escrita pelo falar, em Portugal modificaríamos o falar com a estúpida mudança da ortografia.

 

Quem tem demonstrado tudo isto muito bem é o notável jornalista que é Nuno Pacheco, em sucessivas publicações no Público.

 

Porque será que juízes e procuradores não querem estudar a questão da constitucionalidade ou inconstitucionalidade da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011? Eu não sei, sendo esse para mim um dos mistérios da governação portuguesa. Dá trabalho a estudar? É óbvio que dá. Mas não será de elementar bom senso fazer um estudo sobre a nossa língua, que é o principal dos símbolos da nossa identidade? (v. o disposto no Artigo 11 da Constituição).

 

Sendo o Português a base da nossa identidade e dado o disposto no referido artigo constitucional, eu entendo que nem sequer se permite negociar a alteração da nossa língua, tal como não é permitido negociar o território, já que é óbvio que a língua é precípua em relação ao território, pois não pode haver país sem língua.

 

Embaixador (1922-2019)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/11/29/culturaipsilon/opiniao/voltando-ao90-miseravel-desacordo-ortografico-1895368

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:19

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019

Ir de “cavalo para burro”, ou seja, de Língua para Dialecto, no caso da imposição do AO90 a Portugal, não significa desdenhar do Dialecto, louvando a Língua…

 

Vem isto a propósito de um comentário que Pedro Luís Azevedo, fez ao meu texto «O que talvez não se saiba sobre o AO90, e é crucial saber, para não se fazer papel de parvo». Consultar o link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-talvez-nao-se-saiba-sobre-o-ao90-218187?fbclid=IwAR0XuNdzLXI1Dcsirt07mWpW2PdTTRLlHOEyK7bNjDNF93htvY72BjzxbUc

partilhado no Facebook, por Irene Noites, no Grupo «Em Acção Contra o Acordo Ortográfico».

 

Mais abaixo, partilharei o comentário, e a resposta ao comentário, mas vou adiantando o seguinte:

 

«O Português já foi dialecto do Latim. Não se esqueçam disso. O que isto significa é que uma Língua que já ascendeu a Língua, não pode recuar para dialecto, sem que isto não constitua um retrocesso, ou, como sabiamente diz o povo: não pode ir de cavalo para burro. Contudo, um dialecto pode ascender a Língua, e a partir de então tem a sua dignidade garantida.» Consultar o link «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro»:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/do-que-falamos-quando-falamos-do-138183

 

Verdade.png

 

Pedro Luís Azevedo A Sra Irene Noites, com a sua fúria (que entendo e aliás acompanho) contra o 'AO'90 deve todavia esforçar-se na prudência para não alienar o apoio de todos no propósito que persegue e que é comum a todos os membros deste Grupo: a revogação do 'A'O90. Ao escrever "destruir a Língua Portuguesa e promover o Dialecto do Brasil" e mais à frente "é um tremendo retrocesso passar de cavalo para burro, ou seja, de Língua para Dialecto", não só ofende todos os falantes da variante brasileira da língua portuguesa, como atribui implicitamente uma escala de graduação de 'autenticidade' e de suposta 'superioridade' da variante falada em Portugal face à do Brasil. É um erro e é contraproducente. Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII! É a territorialidade que define um deles como falante de uma Língua e o outro como falante de um Dialecto?! Por amor da santa! Aliás, com a revogação do 'A'O90 obter-se-ia exactamente o livre curso das diversas cambiantes da Língua Portuguesa, sem espartilhos contra-natura e enriquecendo o todo... não é isso o pretendido? Para quê perder tempo com lateralidades? Muitos brasileiros defendem exactamente essa 'libertação linguística', são contra o 'A'O90. E também não podemos esquecer que a sua esmagadora maioria não quer saber para nada desse suposto acordo e vai continuar a seguir o seu caminho linguístico independentemente do que fizermos no nosso país. Para eles é praticamente irrelevante se pensamos assim ou assado. Até porque o malfadado 'A'O90 representou uma absoluta capitulação aos interesses deles, e a culpa disso é exclusivamente nossa! Sendo isto verdade, para quê pormo-nos em bicos de pés a bradar aos quatro ventos que o seu 'português' é mero dialecto? A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...

 

***

 

Senhor Pedro Luís Azevedo, lamento que não tivesse sabido interpretar correctamente a expressão «ir de cavalo para burro». É o que faz partir para a leitura de um texto, já com ideias preconcebidas.

 

Sugiro que leia o texto: «Do que falamos quando falamos de Dialecto Brasileiro», no link supracitado. E talvez possa entender do que se fala quando se fala de destruir a Língua Portuguesa, para promover o Dialecto Brasileiro. Até porque, senhor Pedro Luís Azevedo, a Língua Portuguesa não é uma variante dela própria. A Língua Portuguesa É a Língua Portuguesa. Portanto, é a genetriz de todas as variantes existentes, incluindo a brasileira, como pode consultar no mesmo link.

 

Quando digo que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, quero dizer que o AO90 empobrece a Língua Portuguesa, e não a variante brasileira - o dialecto brasileiro. Certo?

 

Os Brasileiros têm o direito à língua deles. Optaram por afastar-se da Língua Portuguesa, quando rejeitaram o AO45, e elegeram o AO43 (elaborado unilateralmente) como o idioma nacional, a Língua do Brasil, mas oficialmente (por conveniências várias) mantiveram a designação de “Português do Brasil”.

 

Portanto, a partir desse momento, o que eles escrevem e falam no Brasil, já não é Português. É um dialecto oriundo do Português, e a designação "Português do Brasil" não é correcta.

 

Por muito que o Brasil queira "colar-se" ao Português (que já nem sequer é estudado nas escolas brasileiras com esta designação, mas como «Comunicação e Expressão») por ser uma Língua Europeia (não é uma qualquer língua ali da esquina) não é correcto, chamar-lhe "Português", porque não é.

 

O senhor diz: «Todas as variantes da nossa língua (portuguesa, brasileira, angolana, etc) são igualmente 'autênticas', 'puras' e 'importantes'. A língua portuguesa falada em Portugal não beneficia de qualquer 'legitimidade linguística' superior à de qualquer outra variante. E sim, o português escrito e falado em Portugal é uma variante! Fico perplexo quando alguém atribui mais genuinidade à variante usada por um qualquer cidadão que vive e nasceu em Portugal face à variante usada por um seu primo afastado que vive e nasceu no Brasil, ambos descendentes de um dado cidadão que nasceu em Portugal e emigrou para o Brasil, por exemplo, no séc. XVIII!.»

 

Eu é que fiquei assustadíssima com esta sua absurdez. Não sei qual é a sua formação académica, mas de certeza que não é da área das Letras, para dizer que o Português escrito e falado em Portugal é uma VARIANTE. É uma variante de quê? Sabe o que, em Linguística, significa VARIANTE? Significa DIALECTO. Como é que o PORTUGUÊS falado e escrito em Portugal pode ser dialecto dele próprio

 

Pois o senhor fica perplexo porque não domina esta matéria.

 

À Língua Portuguesa, atribuiu-se, com toda a legitimidade, a genuinidade de uma Língua que originou umas quantas VARIANTES, que obviamente NÃO É o Português falado e escrito em Portugal. Que absurdo!


Bem, eu não queria, juro que não queria, referir a sua iliteracia, contudo, mediante a sua última frase: «A troçar do 'seu' português, quando representam 200 milhões de falantes?! Se eu fosse brasileiro, sorriria do ridículo de tal discurso...» terei de dizer-lhe que LEIA com olhos de INTERPRETAR, e não com olhos de desinterpretar, o que eu escrevi. E se tiver capacidade de interpretação, chegará à conclusão de que, no meu texto, não troço da Língua de 200 milhões de falantes (e apenas de 200 milhões de falantes e mais nenhuns) que também foi a minha, desde a infância à juventude, pois foi no Brasil que aprendi a ler e a escrever e praticamente a falar, até porque chamar “dialecto” à língua que se escreve e fala no Brasil não é troçar, é citar os linguistas brasileiros e portugueses, numa verdade que muitos brasileiros aceitam, mas não, os portugueses desinformados (para não dizer outra coisa), como o senhor. E tenho certeza de que nenhum brasileiro culto sorriria de um discurso que contém uma verdade indesmentível. A não ser os que, como o senhor, nada sabem de Linguagens.

 

Porém, se quiser informar-se, leia o texto já sugerido acima, e mais os que se seguem, para que possa comentar com conhecimento, e não com desconhecimento.

 

Dialecto Brasileiro? Língua Brasileira? Novo Dialecto Luso-Acordês, engendrado pelo AO90? Que Língua para os países da “Lusofonia”?

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/dialecto-brasileiro-lingua-brasileira-174151

 

«Reflexões sobre a história da "Língua Brasileira"»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/reflexoes-sobre-a-historia-da-lingua-137008

 

«A Língua Brasileira»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-lingua-brasileira-99635

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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