Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

«Indignados, verberam contra o AO/90…»

 

«Pois» - um texto publicado no Blogue de Fausto Brinhol, jornalista brasileiro, escritor, poeta, enxadrista, mestre em Reiki pelos sistemas Usui e Tibetano, alguém que, indignadamente, verbera contra o AO90, do outro lado do Atlântico.

 

Cá, deste lado, os Portugueses também verberam contra o AO90, que (façamos figas) tem os seus dias contados, dado que, sendo uma fraude comprovada, um Estado de Direito, como consta que Portugal é,  não pode legitimar uma fraude, ou correrá o risco de se descredililizar perante o mundo (ou coisa pior). 

 

FAUSTO.jpg

 

Por Fausto Brignol 

 

«Preocupado com as mudanças que estão sendo feitas na nossa língua, que perde, aos poucos, o sabor, remendada com gírias formadas em morros cariocas, desertos nordestinos, festas sertanejas paulistas e mineiras, e também nas escolas de todo o país onde uma exótica educação fonética é passada para jovens internautas imersos em brinquedos eletrônicos (electrónicos) e balbuciando uma novilíngua autorizada por seres especializados em sabotagem vocabular, dados a acordos de destruição ortográfica e todo o apoio ao falar minguado, mínimo, gaguejante, da manipulável massa informe de eleitores; seres que, se deixarmos, refletirão (reflectirão) a sua aculturada mentalidade anglófila colocando definitivamente um “z” no lugar do “s” de Brasil, porque, afinal, é assim que se diz, com som de “z”: Brazil com “z” ou Zé, tão propício aos negócios com outros povos que não entendem o “s” entre duas vogais, povos bárbaros que usam linguagem binária em suas sintéticas comunicações; prestigiados piratas que fizeram da pirataria a sua razão de ser e possuem todo o dinheiro do mundo para comprar toda a madeira da Amazônia (Amazónia) e todo o gado e todos os políticos e todos os insumos agricultáveis e toda a nossa pobreza mental e física, prostituída em férteis terras d’além-mar e toda a nossa cultura para ser jogada no lixo e substituída por chiados robotizados e musicalidade lacrimejante e pútrida, e preferem o português brasileiro rasamente simplificado, a língua codificada em verbos indeclináveis, o fim da acentuação tônica (tónica), porque mais que o ‘yes-no-question’, o ‘pega-lá-da-cá’, o ‘qual é o teu preço’ é demasiado para essas pessoas tão necessitadas de açambarcar o mundo para saciar a sua fome de poder e glória, resolvi entrar para um ou dois grupos virtuais de Portugal que protestam contra o Acordo Ortográfico, também chamado de AO90 ou o desacordo que propõe o discordês, provável mutação do dilmês ou do lulês, quem sabe do cardosês, e constatei que em Portugal, ao contrário destas terras onde tudo dá, muitos portugueses estão em consciente vigília.

 

Pois. Indignados, verberam contra o AO/90, pressionam céus e terras, principalmente terras, a sua terra, apoquentam os eleitos e corruptíveis donos daquele país que está sendo levado à bancarrota ou a uma rota de amizade com os banqueiros internacionais, preterindo o povo que nada sabe de acordos, mas de fome e desemprego, assim como na Grécia, Itália, Espanha, Irlanda – onde mais? Brasil? -, e, nesses grupos, reúnem-se os que se sentem ofendidos, despeitados, desrespeitados, posto que a ortografia não deve ser mudada à força devido aos interesses comerciais, a leis estéreis e artificiais, mas sofre ligeiras modificações no decorrer dos séculos, adaptando-se ao costume dos povos, assim como do espanhol derivou o português e suas alterações, diferenças, semelhanças e dissemelhanças ocorreram naturalmente nas ex-colônias (ex-colónias) da nação que conquistou grande parte do mundo com armas e barões assinalados, que, a partir da ocidental praia lusitana – como diz o vate, o bardo, o poeta maior da língua que ofendemos com ameaças de destruição – disseminou hábitos e fecundou culturas com o idioma ainda a tomar forma, a encontrar os corretos (correctos)vocábulos, a buscar expressão em frases conexas, o castiço vernáculo anunciando-se gramaticalmente, eruditos a esquadrinhar a adequada morfologia, a inquirir do discurso a sintaxe perfeita na tentativa da ortodoxia dos dicionários – último limite aos barbarismos, à errada grafia, aos vícios de linguagem, às invasões semânticas, aos truísmos, às dúvidas da prosódia.

 

 Nas ex-colônias (ex-colónias) portuguesas, como Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Açores, Guiné-Bissau, Timor Leste, Ceuta, São Tomé e Príncipe, Tanger, Ilhas Canárias, Ilhas de Santa Helena e Macau, a língua portuguesa disseminou-se e se impôs, graciosa e bela, imperialista e soberba, e mesmo depois das guerras de libertação e de independência permaneceu como a lembrar o último resquício luso em terras invadidas, a derradeira herança a nações que foram obrigadas a esquecer os dialectos (dialectos) nativos, tão nativos e impróprios para povos civilizados, e em cada um dos lugares libertos fisicamente reina a soberana língua como déspota esclarecida, permitindo a introdução de variações, mas sempre resguardando a hermenêutica pureza que permite a perfeita comunicação, apesar dos ataques eventuais de insidiosos sotaques caipiras.

 

Eis quê! Lá pela década de 1990, sábios muito sábios de Portugal, Brasil e alhures reuniram-se para tentar a uniformidade da língua escrita e consideraram imprescindível que os oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe) membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estabelecessem um acordo ortográfico, alegando razões pedagógicas e de comunicação entre os países lusófonos; para isso, sacrifica-se a etimologia em favor do critério fonético como a dizer que a língua organizada deve obedecer aos sons e não à estrutura etimológica em gigantesco salto em busca da linguagem primitiva, babélica e disforme, e cá no Brasil, terra do é dando que se recebe, aproveitando a carona do retrocesso cultural, doutos membros dos ministérios da Educação e da Cultura e talvez de outros ministérios menos cultos e educativos e, quem sabe, ancorados em opiniões ululadas no Palácio do Planalto, lugar onde inteligentes criaturas usam um falar taquigráfico, pretendem que o português vulgar – curiosa língua que vem sendo criada na terra onde quase ninguém lê ou estuda – seja considerado correto (correcto), uma vez que é tartamudeado pela imensa maioria do povo e a democracia estipula que a maioria deve mandar, mesmo quando está errada, e essa maneira de pensar prevê que a quantidade é superior à qualidade e se grande número de pessoas fala e escreve mal e, mesmo assim, consegue se expressar sem grandes impedimentos, o errado passa a ser o certo e estamos conversados.

 

Em defesa do Acordo Ortográfico, muitos intelectuais fisiológicos afirmam que se trata da evolução da língua que deve ser ratificada através das letras que a traduzem, o que, por certo, não respeita a verdade, pois não se pode considerar como evolução a destruição do sistema de ensino ou o curvar-se do Governo à ignorância generalizada ao ponto de prescrever que o assim denominado “português vulgar” – uma forma cibernética de falar e expressar, resultado de gírias, anglicismos e palavras de baixo calão – deve ficar no mesmo nível do que apelidaram de “português culto”, que nada mais é que a tentativa de falar e escrever corretamente (correctamente), o que se torna cada vez mais difícil, visto que a massificação passa necessariamente pela midiatização do povo, pela alienação das pessoas e pela degeneração dos valores culturais, mas há aqueles que preferem aceitar passivamente todas as barbáries e todas as leis, mesmo as mais controversas e ridículas, e vemos que o AO90 promulgado por decreto é uma imposição dos governos interessados e não uma conseqüência (consequência) da natural mutação da língua, o que pode ocorrer a cada século com uma ou duas palavras ou pouco mais, e é sabido que toda prescrição cultural exibe indícios de fascismo e nenhum povo pode ser considerado verdadeiramente livre quando até a ortografia da sua língua é resultado de cominação e coerção social.

 

Coerção, e não coesão ortográfica, como os arautos da escatologia da linguagem pretendem passar ao iludido povo alucinado por futebol e que tudo aceita, desde que receba a sua dose diária de samba, malandragem e planejada desinformação; e, na dúvida, que muitos chamam de atroz como se fosse de urgência as calmas e católicas certezas; na dúvida, mãe da transformadora dialética (dialéctica), entrei em contato (contacto) com portugueses que se sentem usurpados em seu direito natural de autores e guardiães da língua, lutando para que o AO90 seja revogado ou, pelo menos, que grande número de pessoas não use as novas regras do desacordo, assim como faço neste blog, e nessas conversas percebi que estamos unidos no mesmo objetivo (objectivo) e, ironicamente, desejando a retificação (rectificação) do discordês para que possamos continuar a escrever de maneira diferente palavras da mesma língua.

 

O que é sumamente agradável, mesmo que haja suave divergência sobre a apropriada forma de grafar certas palavras ou de usar ou não determinados acentos tônicos (tónicos), mas uma única língua falada e escrita por povos de diferentes heranças culturais sofrerá inevitáveis modificações que não podem ser rectificadas (rectificadas) à força, por decreto; ao contrário, obedecer-se a peculiaridades fonéticas e léxicas de nações distintas sem que a língua-raiz seja prejudicada em sua principal função, qual seja a de promover a compreensão respeitando a diversidade de expressão ortográfica, é o que consiste, de fa(c)to, em verdadeira democracia, embora os doutores da lei, imbuídos de majestática infalibilidade, acreditem que somente a eles cabe designar a obrigatória verdade, e o pior – se há algo pior em todo este imbróglio provocado pelo desnecessário AO90 – é a exploração demagógica, caso típico do governo brasileiro ao promover, incentivar e vulgarizar o erro com evidentes objetivos (objectivos) eleitoreiros, deixando claro que a divisão entre classes sociais também acontece na ortografia.

 

E se nada mais nos resta, além de protestar - protestemos, ora pois!»

 

Fonte:

http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2013/10/preocupado-com-asmudancas-que-estao.html

 

***

 

(Aviso: as palavras a negrito entre parêntesis são da minha lavra, para salientar que em Portugal escreve-se deste modo, e no Brasil de outro modo, e assim continuará a ser, cá e lá, independentemente da vontade dos acordistas, até porque o AO90 não está em vigor em parte alguma. Em Portugal é aplicado por mera ignorância, agora que já existe muita informação sobre a monumental fraude que envolve este "acordo"  (IAF).

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

Indispensável esclarecimento sobre as denúncias alusivas às Fraudes do Acordo Ortográfico de 1990

 

A gigantesca iliteracia, sobejamente disseminada por aí, e que não permite uma interpretação acertada dos textos que denunciam a FRAUDE, que envolve o AO90 (conferir neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378 )

 que têm vindo a ser publicados neste Blogue, obriga-me a um indispensável esclarecimento.

 

AO90 fraude.png

 

1 – As denúncias que estão a ser publicadas n’O Lugar da Língua Portuguesa são fruto de uma investigação encetada pelo Conselho Internacional de Oposição ao Acordo Ortográfico de 1990, com sede em Genebra, aliás, entidade que assina os textos (se é que ainda não se reparou neste importante pormenor), o qual abordou o meu Blogue no sentido de indagar se eu estaria disposta a ceder o espaço para a divulgação desta fraude, com provas fidedignas.



Como o que me move é única e exclusivamente que se ponha fim a esta farsa obscena, que está a tentar matar a Língua Portuguesa, transformando-a num dialecto sul-americano, prejudicando com isso as crianças portuguesas que estão a ser vilmente enganadas (com o aval dos pais) pela classe docente, em primeiro lugar, e pelo Estado português, em segundo lugar, duas entidades que deveriam pugnar por um Ensino da Língua Portuguesa de alta qualidade, e impõem uma mixórdia ortográfica sem precedentes em parte alguma do mundo, considerei que o CIO-AO1990 bateu à porta certa.

 

2 – Dito isto, é preciso que fique bem claro, para não tornarem a ter a mínima dúvida, que não sou eu a autora desta investigação (os textos estão devidamente assinalados com aspas e assinados pelo CIO-AO1990. Quem me dera ter tão elevados meios e disponibilidade para uma investigação desta dimensão!).

 

3 – E porque não vá alguém lembrar-se de me pressionar, inclusive, por via judicial (algo a que já estou habituada e não me mete medo, devo dizer) declaro publicamente que não conheço nenhum elemento deste Conselho Internacional. Apenas sei que o CIO tem sede em Genebra. Recebo os textos via e-mail (devidamente protegido, não vá o diabo tecê-las), e bastou-me comprovar que as fontes da investigação são oficiais, logo, credíveis, e que não estou envolvida com vigaristas, para aceder ao pedido da publicação dos textos, no meu Blogue.

 

4 – Contudo, devo acrescentar que ainda que eu soubesse quem eram os elementos do CIO, jamais os denunciaria, nem que um juiz me pressionasse, porque é muito feio denunciar as fontes, quando se trata de uma investigação a este nível. E para que não se pense que estou a fazer bluff, devo dizer que já me aconteceu em tribunal, um juiz incitar-me a revelar a fonte que me forneceu uma informação essencial para o julgamento em causa (e que ele desconfiava quem fosse), e a minha resposta foi a seguinte: «O senhor doutor juiz pode mandar prender-me, mas jamais divulgarei a minha fonte. Não é da ética jornalística, nem de qualquer outra ética». O juiz sorriu e dispensou-me. Nunca revelei a fonte a ninguém, mas agora, passados tantos anos, posso dizer que a fonte era um presidente de Câmara, que me ajudou a desenredar um enredo complexo, e a ganhar a causa. Portanto, se passou pela cabeça de alguém a intenção de me pressionar para eu dizer o que não sei, se nem o que sei não digo, aqui fica esta informação. 

 

5 – Quero igualmente frisar (não vá também passar pela cabeça de alguém instaurar-me um processo judicial por ter aberto as portas do meu Blogue à publicação das denúncias do CIO) que neste enredo das fraudes que envolvem o AO90, não sou eu a mentirosa. Não fui eu que andei a fazer acordos ortográficos e a enganar um povo. Não fui eu. E se houver justiça autónoma em Portugal, e se Portugal for, de facto, um Estado de Direito, e se não andarmos aqui todos a fazer de conta que somos um País livre e independente, os envolvidos nesta fraude é que terão de prestar contas à justiça, dada a gravidade das denúncias.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

«O Acordo Ortográfico e um livro para ler e reler»

 

Um texto que nos fala de outro livro (além do que já hoje neste Blogue foi sugerido «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor», do Embaixador Carlos Fernandes) e que também é urgente ler: «Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída» de Nuno Pacheco

 

«Nesta “Oliúde” em que se transformou a língua portuguesa, será ainda possível que um livro desta importância não seja de leitura obrigatória para alunos, pais e professores?»

 

Carlos Cortez.png

 

Texto de António Carlos Cortez (Poeta, crítico literário e professor)

 

Acordo Ortográfico – Um Beco com saída (Gradiva, 2019), da autoria de Nuno Pacheco, é um livro urgente. Trata-se, com excepção do último texto, da reunião de artigos que desde 2007 (é essa a data mais antiga: 4 de Junho desse já remoto ano) um dos mais incisivos críticos do AO vem assinando há mais de dez anos. Nuno Pacheco junta-se, assim, a outros combatentes por uma causa justa, a que repudia um acordo ilegal (não reconhecido pela Norma Jurídica Internacional e não ratificado por todos os países da CPLP).

 

Infelizmente, este acordo feito por uma equipa de gente com interesses enigmáticos (ou sem interesse algum a não ser o abstruso argumento de não saberem estar quietos) fez já vítimas. Refiro-me a uma geração inteira de alunos (e de professores) sem qualquer consciência da matriz etimológica da língua; gerações prejudicadas no que respeita, por essa via, à compreensão semântica, morfológica e fonética do idioma de Camões. Creio ser esta a vertente mais útil e por onde este livro deve ser lido: a vertente pedagógica.

 

O facto histórico é simples: este Acordo Ortográfico, que contou com pareceres negativos de reputados académicos e linguistas (de Helena Buescu a António Emiliano), de homens de letras e do direito (de Manuel Alegre ou Artur Anselmo, a Vasco Graça Moura); de poetas e escritores (de Gastão Cruz, Maria Teresa Horta, a Mário de Carvalho ou Pedro Mexia), a políticos que não hesitaram em considerá-lo absurdo (recordo Vitorino Magalhães Godinho, que foi ministro da Educação, num extraordinário artigo publicado no Jornal de Letras em 2010), outra coisa não merece senão as queirosianas farpas que Nuno Pacheco, irónica e sarcasticamente, aqui corajosamente lança.

 

Livro urgente, para além disto, porque deveria ser lido pelos professores, principais agentes da formação linguística de crianças e adolescentes e, por isso mesmo, responsáveis pelo deplorável estado a que a expressão escrita e a expressão oral (o pensamento dito e fixado por escrito) chegou. Que o digam os docentes do ensino universitário que vêem chegar às suas salas de aula jovens que não sabem construir frases, que não dominam referentes histórico-culturais (se tudo é economia e gestão, não admira) e que, valha a verdade, são analfabetos funcionais (só sabem mexer em telemóveis e seus derivados…).

 

Creio que não se pode dissociar o problema deste Acordo Ortográfico com um mais vasto problema de mentalidades: Portugal, à semelhança do que acontece um pouco por toda a Europa, vive sob a influência do paradigma tecno-científico. É uma linguagem vinda da gestão e da estatística, misturada com expressões eficientes made in Web Summit, a que impera no sistema de ensino. Um Acordo Ortográfico desta natureza mais não é que o reflexo de uma degradação geral do pensamento. Mas em Portugal, por ausência secular de elites que conheçam o chamado “país real”, estes sinais de degenerescência tendem a agravar-se.

 

No caso da nossa ortografia podemos seguir Nuno Pacheco: “Em português nos desentendemos.” O primeiro artigo (a páginas 13…) sublinha, desde logo, o português “que por aí anda com as provas de aferição”. Servindo-se da miopia dos avaliadores (os sábios de gabinete que pululavam no então Gave, hoje Iave), a estes responsáveis pela educação dos nossos filhos não importa se o aluno escreve “açado” ou “assado”, desde que se afira, com semelhantes provas (!), que compreende um texto.

 

O estilo corrosivo do autor é proporcional à cegueira dos que não querem ver. E são muitos. Não poucas escolas aceitaram este Acordo Ortográfico por desleixo ou, quando não, por aceitarem a visão “moderna” de um qualquer delegado de grupo de português (ou um acólito ou acólita convictos da sua ciência) que, não tendo lido nenhum dos pareceres negativos sobre o AO, logo perorou dizendo que sim senhor, com este acordo os alunos podem escrever bem.

 

Argumentos de base (e falsos) dos acordistas: que este AO une a língua portuguesa nas suas variantes e que (pasme-se!) “a língua está em constante mudança”. Nuno Pacheco, que vê bem como ensino-ortografia-literacia e pensamento se cruzam nesta questão urgente do acordo, denuncia essa tão fascista e portuguesinha tendência para querer “uniformizar tudo”. Fala-nos, a reboque da padronização global, da chegada de “uma nova língua ao mercado”.

 

Com o programa Lince em uso e abuso confesso, diálogos em filmes legendados em “brasileiro”, podemos ler pérolas deste quilate: “Cadê meu avental? Quem pegou a droga do meu cigarro?” (é Sigourney Weaver quem fala, lembra Nuno Pacheco). Não são muito diferentes as frases construídas e o português falado pela geração que tem hoje entre os 15 e os 25 anos. Erros de acentuação, erros de pontuação, leitura silábica à saída do 3.º ciclo ou do Secundário, tudo isto é ainda mais agudizado com este famigerado acordo.

 

Quando “actual” é “atual”; “eléctrico” passa a “elétrico”; “espectador” é um “espetador” (ainda que Malaca e os seus defendam que palavras onde há consoantes duplas que se articulam tais consoantes devem manter-se: “bactéria”, por exemplo), por que razão se admite que um egiptólogo, aquele que estuda o “Egito”, é simultaneamente um especialista em assuntos “egícios” e “egípcios”? Se no Brasil se escreve “umidade”, lá chegaremos, diz Nuno Pacheco. Seremos, em Portugal, homens sem “h”. Escreve o jornalista: “Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas” (p.21).

 

Nesta “Oliúde” em que se transformou a língua portuguesa, será ainda possível que um livro desta importância não seja de leitura obrigatória para alunos, pais e professores? Nada espanta. Como isto anda tudo ligado, deixo aqui vincado o estilo sarcástico de Nuno Pacheco: “A TLEBS foi dar ao AO. O que faz até sentido: TLEBS, AO.” É que, na verdade, tudo isto magoa: a língua portuguesa anda para aí aos trambolhões e não basta a interjeição instintiva de quem se sente magoado. Como Nuno Pacheco, contra este acordo todos deveríamos reagir. 

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/10/14/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-livro-ler-reler-1889830?fbclid=IwAR1KrhFKRX-IyZF7JL4PLUsbDz18Zx255ORvOcZBQmGAPnzoFlWw53sJAqY

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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Diz o Embaixador Carlos Fernandes: «O Acordo Ortográfico de 1990 Não Está em Vigor»

 

Nunca é demais apregoar esta verdade, porque, na verdade, o AO90 não está em vigor, até porque é uma monumental FRAUDE. E quem o aplica é cúmplice dessa FRAUDE.

 

Confiram aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378

 

E leiam o livro e vejam e ouçam o vídeo, mais abaixo, para não morrerem, sem terem conhecimento da verdade.

 

É que já chega de personagens patéticas, insólitas e delirantes, com claros sintomas de demência, andarem por aí a vender gato por lebre, numa tentativa desesperante de salvar o que não tem salvamento possível, e está condenado a uma morte inglória: o malparido AO90.

 

AO.jpg

 

 

00:00:00 - Introdução por Manuel S. Fonseca, editor da Guerra e Paz

00:04:00 - Apresentação do livro por Nuno Pacheco, director-adjunto do jornal Público

00:19:05 - Apresentação do livro pelo embaixador Carlos Fernandes

00:40:10 - debate com a assistência

00:56:20 - Intervenção do jurista Ivo Miguel Barroso

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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Domingo, 13 de Outubro de 2019

«Augusto Santos Silva e Lula da Silva declararam versões muito diferentes quanto ao depósito do instrumento de ratificação do 1º protocolo ao Acordo Ortográfico»

 

Fraudes do Acordo Ortográfico de 1990 (Parte V-A)

 

Mentira 3.png

Origem da imagem (adaptada): Internet

 

«As versões da data de depósito do instrumento de ratificação do 1º protocolo pelo presidente do Brasil são absolutamente contraditórias. O ministro Augusto Santos Silva fez uma narrativa, mas Lula da Silva deu uma versão completamente diferente.

 

Comecemos pelas datas.

Augusto Santos Silva disse, e citamos: «O Brasil depositou … o instrumento de ratificação do Protocolo Modificativo a 15 de agosto de 2002»

 

Consultar este link:

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

 Lula da Silva deu outra data completamente diferente, e citamos:

 

«(…) o Governo brasileiro notificou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, na qualidade de depositário do ato, em 3 de setembro de 20 de outubro de 2004».

 

 Consultar este link:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6585.htm

 

DECRETO 6584.png

 

Página nº 9 do nº 189 do «Diário Oficial da União / República Federativa do Brasil» de 30 de setembro de 2008. Esta página tem vários diplomas. Devido à dimensão do diploma, teve de ser recortado. Enviar-se-á a página completa a quem a solicitar.

 

Lula da Silva diz que o instrumento de ratificação teria sido enviado  em 03-09-2004, 2 anos depois do dia declarado por Augusto Santos Silva. 

 

Como explicar a diferença enorme de cerca de quase 25 meses?

 

Mas as contradições não ficam por aqui: os remetentes do envio do instrumento de ratificação do 1º protocolo do Brasil teriam sido dois presidentes diferentes da República Federativa do Brasil!

 

A narrativa de Augusto Santos Silva é a de que foi o presidente Fernando Henrique Cardoso (que era presidente em Agosto de 2002) a enviar o documento.

 

A versão de Lula da Silva (que era presidente em 2004) é a de que ele próprio teria enviado o instrumento de ratificação, e não o anterior presidente Fernando Henrique Cardoso!

 

Consultar a página transcrita acima e este link:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6585.htm

 

O instrumento de ratificação do 1º protocolo do Acordo Ortográfico do Brasil terá sido efectivamente enviado?

 

Se foi, ou Augusto Santos Silva ou Lula da Silva mentiram em relação à data. Ou, então, ambos.

 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) deve publicar todos os documentos originais dos instrumentos de ratificação (se é que existem), assim como o rombo desta farsa causado ao erário público, que, na verdade, é uma fraude gigantesca, para fazer acreditar que o Acordo Ortográfico de 1990 teria existência legal.

 

Mas ainda há mais, a detalhar nos próximos capítulos: a data de depósito do 2º protocolo do Brasil também é falsa e Lula nunca teve autorização do Congresso para avançar legalmente.

 

Consultar por agora, estes links:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-203378

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-204024

 

Conselho Internacional de Oposição ao Acordo Ortográfico de 1990

 

***

 

Seguir todo o enredo aqui:

 

«Governos de Sócrates e Lula mentiram sobre o Acordo Ortográfico»

 (Parte I)

 

«Acordo Ortográfico de 1990 nu nca entrou em vigor»

(Parte II)

 

«São Tomé e Príncipe nunca entrou no «Acordo Ortográfico» de 1990»

(Parte III)

 

 «Cabo Verde nunca se vinculou ao «Acordo Ortográfico» de 1990»

 (Parte IV)

 

«Cabo Verde não tem «instrumentos de ratificação» dos protocolos ao Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte IV-A)

 

«A data do depósito do «instrumento de ratificação» do 1º protocolo de Cabo Verde é falsa»

(Parte IV-B)

 

«A data de depósito do «instrumento de ratificação» do 2º protocolo de Cabo Verde também é falsa»

(Parte IV-C)

 

«Brasil e Portugal declararam datas discrepantes do Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte V – Brasil)

 

«Augusto Santos Silva e Lula da Silva declararam versões muito diferentes quanto ao depósito do instrumento de ratificação do 1º protocolo ao Acordo Ortográfico»

(Parte V-A)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:46

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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Ao redor da inconcebível 1ª reunião do “Conselho de Ortografia de Língua Portuguesa»

 

Andarão a brincar aos importantezinhos?

Andarão a galhofar, como se não tivessem de prestar contas à justiça, uma vez que, como já se sabe, o AO90 é uma monumental fraude comprovada? Isto é de quem não tem os neurónios a funcionar. Como é possível andarem a enganar-se a eles próprios? Porque a nós, não nos engana.  O AO90 não tem futuro, por ser uma grande trafulhice.

 

Onde pensarão eles que vão? Têm um abismo à frente deles, e caminham para ele, não tendo sequer capacidade para se darem conta disso.

 

Deixo aqui o vídeo que envergonha os países, que fazem parte da dita lusofonia, e também os comentários (todos negativos) que a enxurrada de disparates, que aqui se ouve, suscitou.

 

E sigamos a teoria de Terêncio: continuaremos a tentar, até que o AO90 seja, pura e simplesmente, atirado à incineradora. É que é um tipo de lixo que não serve, sequer, para reciclar.


Terêncio.png

 

 

Comentários ao vídeo:

 

Ricardo Matosinhos:

Não é preciso muito para compreender que este acordo (que não o é) só veio destruir a nossa língua. Façam um favor a todos os portugueses e terminem esta aberração.

 

Bruno Cunha:

Só mesmo um enorme incompetente é que pode afirmar que o AO trás qualquer benefício que seja à língua portuguesa.

 

manuel santos:

Como é possível que insistam, persistam e não desistam?!!! Tudo isto é vergonhoso, terceiro-mundista e decadente. Reformem estes dois cavalheiros... e todos os restantes implicados... rapidamente.  A ortografia do português é como é, e não como quem a distorce ou enviesa quer que ela seja. Conseguem imaginar a Inglaterra, a França ou a Espanha a estabelecerem acordos ortográficos com as ex-colónias?! Pois, é isso mesmo! Nós também não! É que a natureza das coisas é a natureza das coisas, e qualquer língua evolui na-tu-ral-men-te, não podendo nem devendo ser abruptamente amputada, descaracterizada ou falseada... por decreto.

Sem mais delongas, convém agora referir que a parte da gramática que estuda a origem das palavras é a etimologia; e étymon (étimo) + lógos (estudo) são palavras gregas que significam respectivamente – verdadeiro, certo + conhecimento. Para quê, portanto, tanto empenho em falsear a Língua de Camões, torpedeando o seu real conhecimento, essência, natureza e aplicação?!

 

Fernando Moreira:

Só os palhaços poderão dizer que o (des)acordo ortográfico é benéfico para a língua portuguesa; só a gente pequenina se vende (neste caso ao Brasil). Neste circo do (des)acordo ortográfico, o Malaca Casteleiro é o pallhaço maior!. Escreverei sempre com a grafia anterior ao (des)acordo ortográfico!

 

Alexandre Carvalho:

Caro Dr. João Veloso, explique-me como é que numa reunião de países de língua portuguesa conseguiram comunicar com os representantes (observadores) da Guiné Equatorial. Tenha vergonha quando diz que o Bechara e o Malaca Casteleiro fizeram da língua portuguesa o seu objecto de trabalho e de paixão, porque esses dois oportunistas apenas se servem da língua para encher os bolsos com a edição de dicionários, darem colóquios, etc. O sr. demonstra uma ignorância acerca deste assunto que é de bradar aos céus. O ministro Santos Silva teve o desplante de dizer que a língua portuguesa agora é língua brasileira. Malaca Casteleiro (Cangalheiro da língua portuguesa) reconhece que o AO90 é um falhanço quando diz que agora é necessário corrigir alguns erros. Eu corrigia o único erro que identifico no AO90: o próprio AO90. Isto é tudo uma questão de negócios obscuros e um amontoado de normas desconexas como "eletricidade" mas curiosamente continua a ser "electroválvula e electromecânico" e "recepção e adopção" no Brasil, mas que por cá (em nome da unificação ortográfica) passou a ser "receção e adoção". Estes oportunistas incompetentes, no seguimento da ideia originária no libanês Houaiss puseram a língua não em receção mas em recessão. A Universidade do Porto desceu demasiado baixo e só mostra que os destinos do país estão entregues a pessoas sem a mínima capacidade de raciocínio lógico.

 

Isolete Calheiros:

Tenho vergonha daquilo que estou a ouvir, nomeadamente ao Sr pro-reitor. Bechara e Malaca homenageados por terem contribuído para que a língua portuguesa deixasse de ser uma língua culta. Análise simplista do desastre que foi o "Acordo" Ortográfico de 90.

 

Alexandre Carvalho:

O Malaca Cangalheiro tem ganho a vida à conta do AO90, porque foi nomeado pelo Prof. Adriano Moreira (à data presidente da Academia das Ciências de Lisboa) para integrar o grupo de trabalho do AO90 inventado pelo libanês Houaiss. Curiosamente, o prof. Adriano Moreira já se retractou (retratou, para os acordistas) publicamente desse acto e hoje é contra o AO90. O Bechara começou por ser contra, mas as pressões do governo brasileiro levaram-no a mudar de ideia quando percebeu que o AO90 era um negócio do caraças. O governo brasileiro viu nisto a oportunidade de mudar o nome da língua para Brasileiro e inclusive um ministro do governo do Lula chegou a dizer que agora só faltava os portugueses falarem com sotaque brasileiro… Mas o SS (Santos Silva) é cego, surdo e só fala para dizer asneiras. Basta ler o Diário da República para ver "Concurso para a admissão de ténico de …" ou "Primeiramente deve-se apurar os fatos para …" ou ainda "Deve ser promovido o contato …" e ainda dizem que está tudo bem. Para eles está, que mal sabem falar, ler e escrever.

 

Henrique Viana:

O "Acordo Ortográfico" veio introduzir o caos na ortografia da língua portuguesa

 

Luís Borges:

Vergonha e opróbrio nacional. Metidos "no gosto da cobiça e na rudeza duma austera, apagada e vil tristeza". Gente pequena que não se enxerga, mas serve. 

 

eduardo santos:
 
O pseudo Acordo Ortográfico é tão bom, tão bom, que apenas Portugal o utiliza, e não são todas as instituições que o fazem. Boa parte daqueles que escrevem, eu sou jornalista, continuam a trabalhar sem a aberração do AO. Será que algum dia este pseudo-acordo será rectificado? Devia ser quanto antes, porque o AO assassina a língua portuguesa.
  
 
Florentino Marabuto:
 
Muito interessante. É como se vivessem noutro mundo. Assumem o disparate como se fosse natural. Pobre Casteleiro!  
 
 
Carlos Miranda:
 
Os tolinhos da aldeia juntaram-se todos.

 

***

 

Refira-se que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em parceria com a Universidade do Porto (que muito desilude Portugal), realizou a 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), nos passados dias 7 e 8 de Outubro de 2019, na Casa das Culturas de Língua Portuguesa - Instituto Pernambuco Porto, com a presença de Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, e João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa,  os dois engendradores-mor da mixórdia ortográfica, que apenas Portugal, servilmente, aplica.  

 

Acrescente-se que São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não estiveram presentes, não sendo cúmplices desta fantochada.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:24

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Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019

«Conhece uma língua filogeneticamente próxima da sua? Proponha-lhe namoro»

 

 

«A língua portuguesa continua maltratada, mal escrita, mal difundida e mal defendida, ao passo que umas criaturas se instituem, se aconselham, se comissionam e se regulam.»

 

Um texto de Nuno Pacheco, publicado no Jornal Público

 

NUNO.jpg

 

Texto por Nuno Pacheco


«Se o ridículo matasse, tinha sido uma tragédia. Felizmente para os participantes, o ridículo ainda não mata e pouco mói, pelo que todos sobreviveram. O que se passou? Logo no dia a seguir às eleições, dada a urgência da coisa, reuniu-se o Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa. Em reunião ordinária, até porque era a primeira (além de que a designação se ajusta perfeitamente ao acto), e cheio de vontade de fazer coisas pelo nosso pobre idioma. E quem lá estava? Além das abencerragens do costume, e do indispensável Kaiser do Acordo Ortográfico (o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, que ao que tudo indica vai manter a pasta mais uns aninhos), um lote de “especialistas” de “Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste” (diz a Lusa) que, no final, assinaram um documento. Ausentes? Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, o que não deixa de ser curioso, dado que São Tomé foi um dos primeiros países a ser imolado na fogueira do Acordo Ortográfico. Quanto à Guiné-Equatorial, que tem tantos e tão ilustres “especialistas” em língua portuguesa, não terá sido difícil encontrar um.

 

Bom, mas ao que vem este Conselho? Para que se perceba, convém explicar que o COLP é um órgão técnico do IILP. Trocando por miúdos: o Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa, agora criado, é um órgão técnico do Instituto Internacional de Língua Portuguesa. Admira, dada a propensão dos portugueses para estas traficâncias de órgãos, que não se tenha criado também uma comissão, um comité e até um observatório para ajudar a pobre língua a sobreviver. E não é que criaram mesmo uma comissão? Para quê, perguntam? Para coordenar o Conselho, claro, que estas coisas não se coordenam sozinhas. Por isso, depois de louvarem José Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara, responsáveis-mores pelo Acordo Ortográfico (AO90), entregaram a este último (“temporariamente”, assinale-se!) a direcção da comissão coordenadora, tendo a seu lado, para compor o ramalhete, Inês Machungo (de Moçambique, país que não assinou o AO90 nem o pratica, ao contrário do que se diz) e José Pedro Ferreira, do ILTEC. Tudo em família, portanto. ​

 

​O mais curioso é que tudo isto se passou à porta fechada (de tal modo que até a agência noticiosa nacional, para citar as conclusões, teve de escrever, “de acordo com o documento a que a Lusa teve acesso”), consumindo dois dias, segunda e terça, de intensíssima reflexão. Para produzir o quê? Um documento com ideias claras, objectivos, balanços e análises, perspectivas, etc.? Na verdade, não. A inefável Margarita Correia, que preside ao IILP, disse à Lusa que o Conselho vai conferir uma “nova missão e gestão” à língua portuguesa e, embora a Lusa não o dissesse, é quase impossível não a imaginar comovida até às lágrimas, quando afirmou: “É com profunda alegria que testemunho este momento, que é histórico para a língua portuguesa”.

 

Histórico, claro. O IILP, que em matéria de dinheiros tem andado à míngua, obteve do Kaiser a declaração sonora de que Portugal (país de que se arroga lídimo representante) está “inteiramente disponível” para apoiar os projectos do IILP   que “implicam mais verbas e menos verbos”. Isto é ouro para os ouvidos do IILP, cujo site (moderníssimo, como podem constatar), tem na secção de “eventos organizados pelo IILP” apenas quatro: dois colóquios em 2011 e dois em 2013. Ena!

 

Mas o que define o documento “a que a Lusa teve acesso”? Bom, já que esse papel até ontem não tinha sido transcrito na íntegra em lado algum, nem no próprio IILP, cite-se a Lusa: o COLP “define como primeira prioridade o ‘aprofundamento da sistematização das regras ortográficas do português’. Além deste aprofundamento, o órgão técnico propõe a ‘ampliação do corpo de conhecimentos sobre a ortografia’, que passa pela identificação e descrição das estruturas congéneres, o levantamento de bibliografia sobre a ortografia publicada em português e a gestão da ortografia de língua política ou ‘filogeneticamente próxima’ do português. Por fim, estabelece a criação de ‘corpora’ (conjunto de textos escritos e registos orais) de ‘dimensões comparadas e com equilíbrio semelhante’ para as variedades do português dos estados-membros da CPLP.”

 

Tudo isto é língua, tudo isto é fado, tudo isto é nada. É inacreditável como se gasta tempo e dinheiro com tamanhas vacuidades. Mas o mais ridículo ainda está para vir: “Esta comissão tem como função primeira supervisionar a elaboração do regulamento do COLP, a apresentar na próxima Reunião CC-IILP [Conselho Científico do IILP], prevista para maio de 2020.” É isso, faltava o regulamento. Um Instituto, um Conselho, uma Comissão, um Regulamento. Está tudo?

 

Não, ainda falta uma coisa: acabar com esta farsa, que mais não almeja do que a distribuição de uns cargos pela sinistra fraternidade do Acordo. A língua portuguesa continua maltratada, mal escrita, mal difundida e mal defendida, ao passo que umas criaturas se instituem, se aconselham, se comissionam e se regulam, desregulando tudo à sua passagem e sem qualquer benefício para lá das suas próprias quintas. Convém, pois, sublinhar isto: a coisa que falta é mesmo urgente. ​»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/10/10/culturaipsilon/opiniao/conhece-lingua-filogeneticamente-proxima-proponhalhe-namoro-1889367?fbclid=IwAR1bR1fh4RSeepvepPPMYl98p3yBIBk4PtU18CYiNYG3HSsw-y9gShbjcZI

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:59

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Quarta-feira, 9 de Outubro de 2019

«Brasil e Portugal declararam datas discrepantes do Acordo Ortográfico de 1990»

 

Fraudes do Acordo Ortográfico de 1990

(Parte V - Brasil)

 

Mentiroso.png

 

«Lula da Silva e Augusto Santos Silva referem duas datas diferentes nas quais o Brasil fez os depósitos dos instrumentos de ratificação do Acordo Ortográfico de 1990 e do 1º protocolo modificativo.

 

Consultar estes links:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6584.htm

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

As datas do «Acordo» inicial de 1990 não batem certo:

 

Lula da Silva declarou «que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação do … Acordo junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, na qualidade de depositário do ato, em 24 de junho de 1996»

 

Augusto Santos Silva afirma, citamos: «O Brasil depositou o instrumento de ratificação do Acordo Ortográfico a 30 de abril de 1996».

 

Consultar este link:

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

A diferença é de dois meses e uma semana antes, em relação à data que Lula da Silva referiu!

 

E o ministro declarar que recebeu um documento antes de o presidente do Brasil dizer que o enviou, é obviamente falso.

 

DOC.png

 

Página nº 1 do nº 189 do «Diário Oficial da União / República Federativa do Brasil» de 30 de setembro de 2008 – Devido á dimensão do documento, teve-se de encurtá-lo. Enviar-se-á o doc. completo a quem o solicitar. O essencial está marcado a vermelho.

 

Mas as surpresas não ficam por aqui: 30-04-1996 foi o dia em que o presidente do Brasil (que teria enviado o instrumento de ratificação) celebrou nada menos que duas festividades no Brasil: o «Dia do Ferroviário» e o «Dia da Mulher».

 

Para rematar, Augusto Santos Silva diz que os governos do Brasil e Portugal teriam enviado os seus instrumentos de ratificação do Acordo exactamente no mesmo dia: 30-04-1996.

 

Consultar este link:

https://www.publico.pt/2019/07/28/culturaipsilon/direito-de-resposta/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-publicado-25-julho-2019-1881479

 

Estas são as mentiras de quem nos governa, e que usa os impostos dos contribuintes sem dar contas para onde vai o dinheiro!

 

Mas ainda há mais!

 

Conselho Internacional de Oposição ao Acordo Ortográfico de 1990 

 

***

 

Seguir todo o enredo aqui:

 

«Governos de Sócrates e Lula mentiram sobre o Acordo Ortográfico»

(Parte I)

 

«Acordo Ortográfico de 1990 nunca entrou em vigor»

(Parte II)

 

 «São Tomé e Príncipe nunca entrou no «Acordo Ortográfico» de 1990»

(Parte III)

 

«Cabo Verde nunca se vinculou ao «Acordo Ortográfico» de 1990»

(Parte IV)

 

 «Cabo Verde não tem «instrumentos de ratificação» dos protocolos ao Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte IV-A)

 

«A data do depósito do «instrumento de ratificação» do 1º protocolo de Cabo Verde é falsa»

(Parte IV-B)

 

«A data de depósito do «instrumento de ratificação» do 2º protocolo de Cabo Verde também é falsa»

(Parte IV-C)

 

«Brasil e Portugal declararam datas discrepantes do Acordo Ortográfico de 1990»

(Parte V – Brasil)

 

«Augusto Santos Silva e Lula da Silva declararam versões muito diferentes quanto ao depósito do instrumento de ratificação do 1º protocolo ao Acordo Ortográfico»

(Parte V-A)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:04

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Discurso de Costa: «Caras e caros amigos, caras e caros camaradas, quero saudar as portuguesas e os portugueses (…) o PS saiu reforçado com o apoio dos cidadãos»

 

O que está errado nesta saudação? Como deveria ser feita esta saudação, na chamada linguagem inclusiva, inventada pelo Secretariado-Geral do Conselho da União Europeia, sem qualquer dúvida, por alguém com algum inconfessado complexo,  para que se dê visibilidade às coitadinhas das mulheres que não têm visibilidade nenhuma, na sociedade moderna, e acabar com o mundo da varonia, sim, porque querem à força, que esta coisa da igualdade do género e génera passe por este estúpido modismo linguístico, que, no entanto, é muito mal aplicado, porque, mesmo assim, deixa-se tantas mulheres de fora e tanta desigualdade por igualar!


Este tipo de linguagem só podia ter sido inventado por um “homem”.      

 

Igualdade.png

 

 

Então, para que se faça justiça às mulheres invisíveis, e se dê mais ênfase aos homens visíveis e a todos os outros géneros humanos e géneras humanas, como é que o nosso primeiro deveria ter começado o seu discurso?  Exactamente assim:

 

«Caras amigas e caros amigos, caras camaradas e caros camarados, quero saudar as portuguesas e os portugueses (…) o PS saiu reforçado com o apoio dos cidadãos e das cidadãs».

 

miguel_cardoso_portugueses.jpg

 

Ou então, bastava dizer «Caros AMIGOS e CAMARADAS, quero saudar os PORTUGUESES (…) o PS saiu reforçado com o apoio dos CIDADÃOS!» E todos os que têm conhecimentos básicos (nem sequer precisam de ser doutores) de Língua Portuguesa, compreenderiam que amigos = grupo de pessoas (e pessoos?) por quem sentimos amizade; camaradas = membros (e membras?) de um grupo que luta por alguma coisa; Portugueses = os habitantes (e habitantas?) de Portugal; cidadãos = indivíduos (e indivíduas?) no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado livre.

 

Então Dr. António Costa? “Caras” não casa com “amigos”. Além disso, referiu-se apenas aos CIDADÃOS! Então e as CIDADÃS? Esqueceu-se de que as CIDADÃS socialistas também existem e também foram elas que ajudaram a reforçar o PS. Quanta ingratidão!

 

Mas o pior disto tudo é que as coitadinhas das mulheres permitem que homens petulantes andem por aí a querer dar visibilidade e igualar géneros que não são igualáveis, a não ser em direitos. 

 

Bem, esta coisa da linguagem inclusiva é tão, mas tão, mas tão idiota que mete dó, porque além de não dar visibilidade nenhuma às mulheres, desacredita-as, rebaixa-as ao nível de coitadinhas, porque são precisas palavrinhas para as tornar visíveis, como se as mulheres alguma vez na História da Humanidade não tivessem tido visibilidade. Tiveram, claro que tiveram, apenas os homens nunca repararam, nunca as reconheceram, tão empenhados estiveram sempre em olhar para o umbigo deles. Mas a elas fez mossa? Não fez.

 

Não é com esta parvoíce do elas e eles que vão resolver o problema da igualdade de géneros nos empregos, nos salários, na ocupação de cargos, que é a única igualdade que interessa. A outra igualdade é uma afronta, um ultraje, uma desonra.

 

As mulheres que são MULHERES não precisam que lhes dêem visibilidade com uma linguagem parva, que só as diminui. Eu sinto-me insultada com esta mania de querer igualar os géneros, com redundâncias idiotas, assentes na mais gigantesca ignorância da Língua. Os géneros, repito, não são para igualar senão nos salários, nos cargos, nos empregos. Como MULHER eu nunca me senti descriminada em nenhuma situação, porque sempre fui EU a fazer o meu caminho. Sempre fui a dona do meu destino. Nunca deixei que nenhum “patrão” me fechasse portas.  Se alguém as tinha de fechar era EU. E algumas vezes fechei-as, antes que mas fechassem.

 

Lá que o Secretariado-Geral do Conselho da União Europeia lhe tenha dado para variar das ideias, querendo dar visibilidade a elas, através da linguagem, mas hipocritamente mantendo-as à distância, nos salários, nos cargos, nos empregos, não significa que tenhamos de aceitar tal parvoíce, até porque quem inventou essa linguagem, nada sabe de Linguagem, e muito menos de Língua Portuguesa.

 

O Secretariado-Geral do Conselho da União Europeia chegou a lançar um guia de “comunicação inclusiva” em Língua Portuguesa, de forma a que a comunicação “inclua todas as pessoas e evite estereótipos”, lê-se.

 

Mas o que é que isso interessa? NADA.

 

O que as mulheres querem (e têm direito) é a igualdade de direitos. Porque VISIBILIDADE, já elas têm, nas suas competências.  Sempre tiveram.

 

O mais estúpido disto tudo é o seguinte: o tal guia propõe, a título de exemplo, que se substitua a designação “o coordenador” por “a coordenação” (como se coordenador e coordenação expressassem a mesma coisa); “o interessado” por “a pessoa interessada” (como se isto mudasse alguma coisa, porque se, por exemplo, dissessem a um empregador, que uma pessoa está interessada no cargo, e se esse cargo só pode ser ocupado ou por uma mulher ou por um homem, ter-se-ia de perguntar: é homem ou mulher? Se se dissesse, logo de início, um interessado o uma interessada, ficava tudo logo ali esclarecido; “os políticos” por “classe política”, ora políticos são os indivíduos (eles e elas), estadistas (eles e elas) que se dedicam à Política; a “classe política” é o conjunto dos políticos (ele e elas) que se dedicam à Política = ciência (ou deveria ser) do governo das nações; “os professores/enfermeiros” por “pessoal docente/de enfermagem”, acontece que um professor é uma pessoa que ensina; e enfermeiro é uma pessoa habilitada para cuidar de doentes, e a palavra pessoal é muito impessoal; ou “as senhoras da limpeza” por “pessoal da limpeza” que podem ser só elas, ou só eles. Dizer “senhoras da limpeza” não é a mesma coisa que dizer “pessoal da limpeza”, ficar-se-ia sem saber se é um grupo de homens ou de mulheres, que poderia fazer toda a diferença, num determinado contexto; “nas referências ao conjunto do género humano (pois, mas o homem é humano, a mulher é humana, em que ficamos?) deverão utilizar-se expressões como a 'humanidade', o 'ser humano', ou as 'pessoas', em vez do termo 'homem', como se o termo Homem, com letra maiúscula, não significasse Humanidade, englobando todos os seres HOMO. Eu sou um Homo Sapiens, ou agora terei de dizer uma HOMA Sapiens, para me igualar, que é coisa que não me interessa?

 

Mas ainda há mais coisas inacreditáveis. No que se refere às relações de casal, o documento da União Europeia refere que vocábulos como "parceiro/parceira" (ou seja, sócio e sócia, talvez companheiros e companheiras fosse mais adequado) ou "cônjuge" (que é sinónimo de companheiro/a) são mais inclusivos do que "marido/mulher", em Inglês husband/wife. Pois não são? Mas numa relação tem de haver macho e fêmea, porque é assim que a natureza funciona, ainda que possam ser do mesmo sexo. E agora?

 

O documento explica ainda que a linguagem oral ou escrita deve pôr sempre a tónica na pessoa. “Em vez de 'as lésbicas, os gays, os bissexuais, os transgéneros, os intersexo', diga-se ou escreva-se 'pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais' ou 'pessoas LGBTI'". Como se isto igualasse alguma coisa.

 

Tudo isto assenta na maior ignorância da Língua, e não só.

  
Bem, mas regressando a António Costa.


António Costa, já se sabe, não é bom aluno a Português: escreve-o incorrectamente e, por vezes, pronuncia-o ao modo de engolidor de sílabas, e está-se nas tintas para a Linguagem, para as regras gramaticais, apesar de ser primeiro-ministro de Portugal e ficar bem a um primeiro-ministro usar a sua Língua Materna, correCtamente, escorreitamente, tanto a escrever como a falar. Isto é algo que não perdoo a quem tem cargos públicos, jornalistas incluídos. Nunca, como hoje, se falou tão incorrectamente, na televisão, desde políticos a universitários, passando pelos jornalistas, logo na televisão, que é uma escola para o povo, que fica agarrado a ela, e não lê bons livros, escritos em Bom Português. 

 

Que o governo e os outros órgãos de soberania política devem ser claros quanto à sua política para a Língua, devem, mas a conspiração do silêncio mantém-se, porque os donos maiores da Língua continuam a achar que são os donos dela, e que jamais serão punidos, eles e os seus cúmplices. Isto, infelizmente, faz parte de um Portugal em franca decadência.

 

E as parvoíces linguísticas somam e seguem, num país sem rei nem roque.

 

Quando a Língua, de um país é amarfanhada por quem a utiliza, e pelos seus governantes, que não a defendem, significa apenas uma coisa: que esse país perdeu a sua dignidade, a sua independência, a sua identidade. 

 

Posto isto, se nada mudar (como parece, e espero estar enganada), se não forem injectadas no governo caras novas, e se mantiverem ministros que já deram conta da sua incompetência,  não auguro tempos de glória para Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:47

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Domingo, 6 de Outubro de 2019

«Cegos, surdos e mudos às denúncias públicas (confirmadas) sobre o AO90, os negociantes da língua reúnem-se amanhã, como se houvesse futuro para esta fraude»

 

Um inquietante texto de Abílio Mendonça de Carvalho

 

 

AO90 fraude.png

 

 

Texto de Abílio Mendonça de Carvalho

 

«Despudoradamente, assobiando para o lado, como se nada estivesse acontecendo, e insultando, com esse assobio, os portugueses, como se eles fossem imbecis, os negociantes da língua portuguesa, entre eles o absolutamente inútil Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em parceria com a Universidade do Porto, realizam amanhã, dia 7, e terça-feira, dia 8 de Outubro (logo nos dias imediatamente a seguir às eleições, algo muito estranho, mas muito esclarecedor), a 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), a ter lugar na Casa de Pernambuco, no Porto.

 

O COLP (esta sigla, assim dita, soa (e não soa bem?) a GOLPE) nasceu em 19 de Julho de 2019em Cabo Verde, «no morno e simpático ambiente cabo-verdiano do Mindelo, onde se realizou (..) a XXIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)», conforme escreveu Nuno Pacheco, no Público. Ainda a este propósito, aquele jornalista disse o seguinte:

 

«Curiosamente, porém, no extenso (e bastante maçador) comunicado final da dita reunião, este fervor acordista só tem eco num parágrafo. Aquele em que, já no capítulo das congratulações, diz o seguinte: “[Os ministros presentes] Saudaram os esforços do Conselho Científico do IILP para a ativação do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), cuja primeira reunião deverá ocorrer em outubro de 2019, na cidade do Porto.” Mais uma sigla? É verdade, mais uma. Já não bastava o inenarrável IILP, agora teremos um COLP. Que, pelo nome, há-de ter conselheiros, como é bom de ver. Um Conselho de Ortografia! E logo reunido no Porto, a cidade natal do nosso bem-amado kaiser do Acordo Ortográfico! Há-de ser um mimo, verão.

Esta é uma das surpresas que nos reservavam.»

 

Ver artigo completo aqui:

https://www.publico.pt/2019/07/25/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-caixinha-surpresas-1880995

 

Mas avancemos. E quem vai ser um dos anfitriões deste encontro? Esse mesmo: Augusto Santos Silva, o ministro dos negócios estrangeiros, do governo de António Costa, como se tudo já estivesse decidido e não houvesse umas eleições nas vésperas da reunião. Os outros anfitriões são o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira; e o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos.

 

E sabem o que vão fazer logo após a sessão de abertura?   Vão fazer uma homenagem, adivinhem a quem? A esses mesmos:  Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, e João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa, promovida pela equipa central do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) (qual VOC?) com apoio do IILP e da Universidade do Porto.

 

Vão homenagear dois “académicos” (?) que reduziram a ortografia portuguesa à variante escrita da língua brasileira, que foi imposta ilegal e inconstitucionalmente aos portugueses, sem dó, nem piedade, como se fossem eles os senhores feudais da língua.

 

Não serão bem os senhores feudais da língua, mas obscenamente são os donos do negócio da língua. Não é por acaso que os ministros são dos NEGÓCIOS estrangeiros.

 

 Eles dizem que o tal COLP é composto por especialistas em ortografia dos Estados-membros da CPLP nomeados pelos respectivos países.

 

Mas são “especialistas” em qual ortografia?  É que com isto do AO90, existem umas tantas ortografias, mas só UMA é portuguesa. São elas: a ortografia brasileira (1943); a ortografia acordizada, que inclui a brasileira e uma outra inventada a propósito (1990); a mixórdia ortográfica  (nascida da fusão  do acordês com o português - a que está actualmente a ser  de facto aplicada em Portugal); e a ortografia portuguesa (1945), que está, de jure, em vigor em Portugal, à qual milhares de portugueses continuam fiéis.

 

Os tais “especialistas”, são especialistas em qual destas ortografias?

 

Andam a galhofar, ou quê? Sabendo-se, como se sabe (e vou deixar aqui um link para lembrança dos mais distraídos):

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-data-de-deposito-do-instrumento-de-207998?tc=20300764175

 

que o AO90 é uma fraude, por conseguinte, não está de jure em vigor em parte nenhuma, e está a ser apenas usado, sofregamente, em Portugal, a mando dos negociantes da língua.

 

E quais são os objectivos deste COLP, como se a estas alturas dos acontecimentos, quando já estão publicados, neste Blogue (ao qual agradeço a abertura de portas), salvo erro, sete textos, que denunciam as fraudes do AO90, esta fraude possa ter pernas para andar? E só não se fala nisto abertamente por medo de represálias, mas, através de e-mails, é um passa-palavra que se estende longe.

 

Pois assombrem-se aqueles que, como eu, têm acompanhado as denúncias feitas pelo Conselho Internacional de Oposição ao Acordo Ortográfico de 1990. Apesar de as provas da fraude serem bastante concretas, os objectivos do COLP são estes:

 

– acompanhar do ponto de vista técnico a aplicação da norma ortográfica definida pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990;   


– elaborar formulações claras e unívocas para as normas ortográficas existentes;


– criar um corpo bibliográfico e literário sobre a ortografia do português (de qual Português) e sobre a sua gestão;

 

– propor modelos de gestão e desenvolvimento do VOC  e projectos associados, tais como as Terminologias Cintíficas e tècnicas Comuns (TCTC), em estudo no seio do IILP.

 

E dizem isto despudoradamente, como se houvesse futuro para a fraude, como se os portugueses fossem todos acéfalos, como nunca tivessem ouvido que o AO90 é uma inutilidade, e como se não houvesse justiça em Portugal.

 

Ver fonte:

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/atualidades/noticias/1-reuniao-do-conselho-da-ortografia-da-lingua-portuguesa-no-porto/3366?fbclid=IwAR1Z78UGTfDeSYgrqP6DiqAyl2NQ__2bA0R8Muo6xGHeMi8imNpisbNJRms

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:17

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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