Terça-feira, 23 de Abril de 2019

QUEM PENSA REJEITA O (POR LARGA MAIORIA REJEITADO) AO90

 

Ao cuidado de todos os que, por dinheiro ou mania de grandezas, estão a tentar destruir a Língua Portuguesa.

 

Hoje, a minha proposta é que reflictam no que diz quem sente a Língua Portuguesa como um pedaço da própria alma…

 

Sempre ouvi dizer que quem não sente, não é filho de boa gente… E não é.

 

No que ao AO90 diz respeito, quem não sente as dores, pelas quais a Língua Portuguesa está a passar, não é português, é um apátrida sem rumo, sem passado, sem presente e principalmente sem futuro…

Isabel A. Ferreira

 

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NINGUÉM PARA O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 OU NINGUÉM PÁRA O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990?

A RESPOSTA É: NÃO HÁ QUÓRUM PARA O AO90, PORQUE O AO90 É A MAIS CONSAGRADA INUTILIDADE PÚBLICA.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:20

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Segunda-feira, 22 de Abril de 2019

AO QUE A ESTUPIDEZ CHEGOU: REGISTO CIVIL OBRIGA CIDADÃOS A MUDAR A GRAFIA DO NOME EM NOME DE OUTRA ESTUPIDEZ – O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

 

E uma pessoa faz uma pausa pascal, e quando regressa, leva com isto!

 

Quando li esta coisa no meu e-mail, disse cá para mim: isto só pode ser é uma fake new (assim em inglês, porque não um anglicismo, quando se anda por aí a obrigar os portugueses a escrever à brasileira, e ninguém diz nada?) Mas não, a notícia deste vergonhoso procedimento, foi publicada aqui:

https://eco.sapo.pt/2019/04/21/registo-civil-obrigou-cidadaos-a-mudar-a-grafia-do-nome-um-victor-virou-vitor-e-um-baptista-batista-tudo-em-nome-do-acordo-ortografico/

 

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O registo civil obrigou cidadãos a mudar a grafia do nome, em nome do falso acordo ortográfico, e quem nasce Victor passa a ser Vítor e os Baptistas, a Batistas, e as Lourdes, a Lurdes.

 

E eu nem posso acreditar nisto:

Aquando da renovação do cartão cidadão (CC), um número apreciável de cidadãos viu-se obrigado a trocar a grafia do seu nome para ficar em conformidade com o acordo ortográfico de 1990 pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN)?

 

E esses cidadãos permitiram, aceitaram que lhes mudassem o nome? A desinformação será assim tão descomunal?

 

Isto é inconcebível, e só num país onde a estupidez e a ignorância (ao mais alto nível) reinam, tal coisa pode acontecer. Em mais país nenhum do mundo, nem no mais atrasado país dos confins do mundo, esta inominável “coisa” acontece. Só mesmo em Portugal, onde a mais básica racionalidade deu lugar à mais afrontosa irracionalidade.

 

Já somos motivo de chacota, na Europa e no Mundo, pelos mais variados motivos. Faltava mais este. E o que virá mais?

 

Portugueses com cês (ViCtor) e pês (BaPtista) e ous (LOUrdes) nos respectivos nomes: ninguém tem o poder de obrigar-vos a mudar o vosso nome de registo civil. Se isso acontecer, recusem-se a mudar o nome, e se insistirem, recusem-se a sair do recinto, até que reponham o nome correCtamente, e se chamarem a Polícia, digam à Polícia para vos apresentar a LEI que vos obriga a mudar o nome com que foram registados, quando nasceram. E se ainda assim, nada disto trouxer luz à escuridão em que vivem os servilistas, saiam do Registo sem renovar o CC, mas recusem-se a obedecer a uma tal ordem irracional, porque isso faz parte de uma estupidez descomunal, até porque os nomes próprios não estão incluídos nessa abominável lista de mudança de grafia, a que chamam AO90, assente na grafia brasileira, que mutilou as palavras apenas para facilitar a escrita, e isso não é motivo para se destruir uma Língua. E muito menos os nomes próprios.

 

E não se tenha pejo de chamar os bois pelos nomes. As palavras existem para serem usadas de acordo com as circunstâncias. E nestas circunstâncias, as palavras mais adequadas são precisamente estupidez, ignorância, parvoíce, irracionalidade. Das mais puras e duras.

 

Imagine-se agora, os imigrantes, oriundos de todas as partes do mundo, que se instalam em Portugal e têm filhos nascidos em Portugal, terem de mudar a grafia dos seus nomes de origem, para se adequarem à parvoíce de uma norma que impõe a mudança da grafia dos nomes com que foram registados ao virem a este mundo!

 

Se um brasileiro, de nome Danyel ou Arthur,  (que os há), quiser naturalizar-se português, terá de deixar de ser Danyel ou Arthur? Porquê?



Eça nasceu Queiroz, mas há quem lhe grafe o nome Queirós, e a isto chama-se violação de identidade.

 

No Brasil, grafa-se o meu nome Isabel com Z (Izabel) e eu jamais permitiria deixar de ser Isabel, porque nasci Isabel. Na minha certidão de nascimento estou registada como Isabel. Nenhuma política me faria grafar o meu nome com Z. Jamais.

 

Este modismo, instalado por aí como uma praga, só é igualável a outra descomunal parvoíce: a de não se poder mandar às malvas o AO90, por causa das criancinhas, como se as nossas criancinhas fossem muito estúpidas e não pudessem desaprender, com uma perna às costas, a grafia brasileira, e começar a escrever correCtamente a grafia da sua Língua Materna, até porque o Português original é muito mais fácil de aprender do que a sua fotocópia mutilada: o AO90)

 

E não se esqueçam disto, quando ficarem parvamente sós, a braços com a fotocópia do Português.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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«O BRASIL QUER LIVRAR-SE DO ACORDO ORTOGRÁFICO? TAMBÉM NÓS»

 

Elucidativo texto de Nuno Pacheco, jornal PÚBLICO

18.04.2019

 

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Nuno Pacheco

 

Numa semana de perdas para a Cultura (o terrível incêndio que desfigurou a Notre-Dame de Paris, ou as mortes de Maria Alberta Menéres e Bibi Andersson) pode parecer desajustado falar disto. Mas não é possível ignorar um certo tweet brasileiro que prenuncia a extinção do “acordo ortográfico”, em coincidência temporal com a entrega, na Assembleia da República, das mais de 20 mil assinaturas da iniciativa de cidadãos (ILC-AO) que batalha para revogar a decisão que reduziu a três os países necessários para viabilizar o acordo.

 

Mas o que se passou, afinal? Isto: o jovem Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República [do Brasil] para Assuntos Internacionais, publicou dia 6 de Abril no Twitter (agora governa-se por Twitter) o seguinte textinho: “Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas electrônicas inauditávris [sic; seria ‘inauditáveis’, mas as teclas “r” e “e” estão lado a lado e ele devia ter pressa] e do acordo ortográfico.” Somou, em pouco tempo, 706 comentários, 6100 likes e 1100 partilhas.

 

Filipe Martins, 30 anos, é tudo menos um sujeito recomendável. Antes da segunda volta que deu a vitória a Bolsonaro, afirmou: “O que está acontecendo no Brasil é uma revolução – a fucking revolution – e não há meios de pará-la.” Os seus gestos, declarações e provocações, muitas vezes em tom de pilhéria, valeram-lhe, segundo a imprensa brasileira, os epítetos de “revolucionário de Facebook”, “líder da direita jacobina” ou “Robespirralho”, referência ao temível Robespierre, propagador do terrorismo de Estado durante a Revolução Francesa.

 

Com tais pergaminhos, poder-se-á concluir, apressadamente, que a anunciada “morte” do “acordo ortográfico” (AO) no Brasil será um golpe da direita mais radical contra a esquerda. Nada mais errado. A lista de coisas a abater, onde o AO agora se inclui, reflecte o pendor pretensamente nacionalista que o Brasil copia de Trump (género “O Brasil primeiro”), menorizando ou deitando fora tudo o que tenha um aroma de acordo externo, importação ou até de simples concertação entre pares mais distantes. Daí que a lista inclua o horário de Verão (que Bolsonaro já garantiu que não vai aplicar em 2019), as placas para matrículas de automóvel com padrão do Mercosul, a tomada eléctrica de três pinos (importada em 2000 e obrigatória desde 2011), as urnas para votação electrónica (em uso no Brasil desde 1996, o governo contesta agora a sua fiabilidade) e, finalmente, o dito “acordo ortográfico”, tendo este último uma explicação simples. Não se trata da língua, já que essa pouco dirá a tais ditames, mas de negócio. Veja-se só este delirante parágrafo da notícia que dava conta do tweet de Martins, no portal brasileiro ClickPB: “O acordo ortográfico completou 10 anos no início deste ano. A padronização do idioma permitiu um aumento do intercâmbio cultural, com livros de ficção, didáticos, paradidáticos e científicos, e documentos, escrituras, contratos e textos de todos os gêneros circulando entre os países sem necessidade de revisão.” Como se sabe, e comprova, isto é absolutamente falso; hoje, como há dez anos. Mas foi este canto de sereia que hipnotizou muitos políticos, alguns intelectuais e legiões de analfabetos.

 

Embalado nesta onda, esperava o Brasil ter negócios garantidos com Angola e Moçambique, os maiores países africanos, pois com Portugal já tem. Azar: nenhum destes países ratificou o acordo nem mostra vontade de o fazer (Angola, aliás, é particularmente crítica do processo). Nem eles, nem a Guiné-Bissau, nem Timor-Leste. Só Portugal, Brasil e, por arrasto, Cabo Verde (que tornou o crioulo língua primeira, não o português) e São Tomé e Príncipe. Para que quer, então, o Brasil, tal acordo? Para exibir em cimeiras multilaterais? Para a CPLP? Nem pensar. O Brasil de Bolsonaro dispensa enfeites, sobretudo se não rendem nada.

 

Se o Brasil cumprir o “chilrear” do passarão Filipe Martins, repetir-se-á a patética situação em que Portugal ficou quando o Presidente brasileiro Café Filho revogou por decreto, em 1955, a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira que representantes de Portugal e do Brasil haviam assinado em 1945, já depois do falhado Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1931. Serão os mesmos dez anos, para assinar e rasgar o acordo. Só que em 1945 a ortografia consagrada no acordo respeitava o sistema vocálico português, e assim ficou – aqui e nas colónias africanas que viriam, felizmente, a tornar-se países independentes; enquanto a do “acordo” de 1990 se conforma mais ao sistema vocálico brasileiro, resultando absurdo e injustificável por cá.

 

Que fazer? Crescer, que já é tempo para isso. Libertados deste imenso logro “unificador”, os países nele envolvidos podem, além de definir as suas ortografias, cooperar cientificamente na feitura de um grande dicionário (deixem os vocabulários, que nada resolvem), partilhável em linha, com as variantes vocabulares e ortográficas dos vários países aí consagradas, para que todos possamos saber como se fala e escreve no espaço lusófono. Só encarando a diversidade que existe, e se pratica no dia-a-dia dos nossos países, podemos celebrar a Língua Portuguesa.

 

Fonte:

https://ilcao.com/2019/04/20/o-brasil-quer-livrar-se-do-acordo-ortografico-tambem-nos-nuno-pacheco-publico-18-04-2019/?fdx_switcher=true&fbclid=IwAR17sVeQ6elUnonFsAKgkoDXzwdk2eVxl3UDsbiFYqn68H_yA4VCtUVrL00

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:16

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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

PORTUGAL (COMO SEMPRE) ORGULHOSAMENTE SÓ, DESTA VEZ, NA ROTA DO DERROTADO AO90

 

Um texto de Ana Cristina Pereira Leonardo, publicado no Facebook.

 

Apenas uma observação: os acordistas não venceram os não-acordistas pelo barulho e pelo cansaço. Os acordistas venceram apenas alguns não-acordistas, que se “encolheram” como lagartos, e desistiram da luta. Mas há ainda muitos que resistem e estão a trabalhar seriamente para derrotar os predadores da Língua Portuguesa.

 

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Concordo plenamente com o Zé Bento Machado.

 

«O HUMOR COM AGÁ

 

Aquando da assinatura do Acordo Ortográfico de 1990 – acordo que a Academia Angolana de Letras continua a criticar ferozmente e a Academia de Ciências de Lisboa tibiamente – embora nem assim, com toda a delicadeza do mundo (a mesma de que se queixava Rimbaud), se tivessem convencido, os nossos doutos deputados, a reconsiderar pelo menos alguns dos disparates mais gritantes… – as vozes que se lhe opuseram foram muitas. Depressa silenciadas aos gritos de “Retrógrados!”, “Conservadores!” ou mesmo “Nacionalistas do piorio”, foram-se ignorando olimpicamente os pareceres oficiais negativos assim como os intelectuais que, tendo a língua como instrumento de trabalho, repudiavam (e repudiam) o AO.

 


Para se ter uma ideia da dimensão do embuste, quando, em 2005, o Instituto Camões realiza um inquérito junto de 27 instituições universitárias e editorias, apenas duas se mostram favoráveis à decapitação do português europeu! Nada, porém, demoveu os acordistas, escudados na argumentação triunfante e triunfalista de que agora, unificada, é que a língua de Camões ia dominar o mundo, alegação que se fazia acompanhar de uma outra, ainda mais arrebatada e arrebatadora, de que, com a simplificação, as criancinhas passariam a dar muito menos erros, recusando contra-argumentos tão simples, como: se os petizes ingleses, norte-americanos, jamaicanos, etc., etc., conseguem aprender a escrever what, o que impedirá os infantes portuguesas de aprender a escrever “acção” (e não “a São”)?

 


Tão deslumbrados com a novilíngua como os comunistas de antanho com o Homem Novo, os acordistas venceram os não-acordistas pelo barulho e pelo cansaço (algo que a Sena ou a O’Neil, por ex., em nada admiraria).


Na mixórdia reinante, com os erros a subir em catadupa (dos rodapés da TV ao Diário da República), a tal unificação a provar-se um logro e a obrigatoriedade do AO a só ser respeitada, de facto e de fato, em Portugal e no Brasil, eis que nos chega uma notícia do Novo Mundo capaz de criar muito estresse aos adeptos da coisa. Chegou via Twitter, assina Filipe Martins, assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, e diz assim: “Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditávris [sic] e do acordo ortográfico”.


Fixem o que vos digo: ainda vamos acabar a ver
espetáculos sozinhos! Com sorte, acompanhados pelo Teodoro da Guiné-Equatorial.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/ana.c.leonardo/posts/10214125917250566

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:55

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Terça-feira, 16 de Abril de 2019

«DESCOLONIZAÇÃO ORTOGRÁFICA, JÁ!»

 

Magnífico texto de Octávio dos Santos - “Público”, que reduz a zero o AO90, e o qual subscrevo palavra por palavra...

 

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Descolonização ortográfica, já!

 

Como é que pessoas e instituições aparentemente sensatas aceitam participar nesta patética e degradante farsa, à qual não estão obrigadas?

Octávio dos Santos

 

publico.pt, 16.04.19

 

Não deveria ser necessário, por se referir a algo evidente a quem é minimamente atento, honesto e inteligente, mas mesmo assim deixo um aviso aos “acordistas”, quer activos, por convicção (poucos, fanáticos, pervertidos), quer passivos, por capitulação (muitos, cobardes, preguiçosos): a (efectiva, plena) unificação ortográfica transcontinental “lusófona” nunca será concretizada.

 

Tal devemos agradecer principalmente a africanos (mas também a asiáticos, aos timorenses): Guiné-Bissau, Angola e Moçambique ainda não ratificaram, passados todos estes anos, o AO90 – aliás, a Academia Angolana de Letras, em Outubro de 2018, pronunciou-se formalmente contra a ratificação; e em Cabo Verde, que a fez, parece porém estar cada vez mais próxima (Abraão Vicente, ministro da Cultura do governo da Cidade da Praia, confirmou-o em entrevista concedida em Fevereiro último) a institucionalização do crioulo como idioma nacional – o que significará que aquele arquipélago deixará de ser, de facto, um país de língua oficial portuguesa, seja lá o que esta for actualmente. Portanto, e uma vez mais, em África luta-se pela descolonização; nisto deveriam reflectir muito seriamente todos os alegados “antifascistas” que se preparam para celebrar neste mês os 45 anos do 25 de Abril com “a” minúsculo.

 

Agora há que saber se em Portugal se vai acabar com a experiência catastrófica, não utópica mas sim distópica, de uma “novilíngua” que viola a etimologia europeia predominante em todas as nações civilizadas do Mundo e que resultou da “adoção” ilegal e reforçada, deste lado do Atlântico e isolando-nos daquelas, de uma subversão terceiro-mundista executada por uma ditadura brasileira da década de 40 do século passado decidida a diminuir os laços com o Velho Continente, e em especial com a nação ex-colonizadora de que muitos brasileiros se envergonha(va)m – para o comprovar basta recordar certas reacções ao incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, em Setembro de 2018. Os portugueses, e, mais concretamente, os seus supostos representantes que têm assentos (mas que dispensam acentos) no hemiciclo par(a)lamentar, poderão ter ainda em 2019 uma nova oportunidade de terminar esta traição, esta auto-sabotagem da cultura, identidade e honra nacionais, se e quando for apresentada e votada a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, cujos responsáveis anunciaram em Janeiro último terem alcançado finalmente (o número mínimo de) 20 mil assinaturas necessárias e isso o comunicaram à Divisão de Apoio ao Plenário da Assembleia da República, neste  momento aguardando o agendamento. Infeliz e vergonhosamente, sabe-se o que aconteceu na anterior oportunidade, ocorrida a 22 de Fevereiro de 2018: a proposta de desvinculação do “Acordo Ortográfico de 1990” defendida naquela data pelo PCP foi rejeitada por BE, PS, PSD e CDS, com as excepções, expressas em apoio ou abstenção, de oito deputados (um do PAN, uma socialista, um social-democrata e cinco centristas). Este quase consenso, da esquerda à “direita”, na continuação da destruição de uma componente fundamental do património nacional é apenas mais um motivo (outros, igualmente relevantes, existem) que justifica uma mudança de regime neste país, com a consequente exclusão (e, em alguns casos, detenção) dos “políticos” que manifestamente não sabem, não querem e/ou não conseguem defender o autêntico interesse público.

 

Já se sabia que a “ortografia” do AO90 é a do abuso, da arrogância. E desde que José Sócrates e Lula da Silva, principais culpados da exumação e da reanimação do “cadáver acordizador”, foram acusados judicialmente e mandados para a prisão, passou a ser igualmente a da corrupção, do crime. Pelo que todos os que aceitam “escrever” dessa maneira são cúmplices dessa corrupção, desse crime. Cada vez mais o “aborto pornortográfico” se assemelha a uma doença altamente “contagiosa”, cujo sintoma mais visível é a incapacidade dos que se submetem ao dito cujo se aperceberem do ridículo em que caem. Um exemplo (verdadeiro) entre vários possíveis: quem escreve provetareferindo-se a “provecta” não pode estar num estado normal, minimamente saudável; e o mesmo se aplica a outras aberrações como “afetar”,detetar”,espetáculo, “fatura” ou receção”. Isto para não falar daqueles que estão já em situação “terminal” e escrevem apocalise”, “abruto” oucorruto”. Como é que pessoas e instituições (públicas e privadas, empresas, e não só editoras) aparentemente sensatas aceitam participar nesta patética e degradante farsa, à qual não estão obrigadas? É na verdade espantoso como há tantas prontas a obedecer a “normas” absurdas e anormais só porque são impostas “de cima”. Compreende-se hoje ainda melhor por que é que Portugal aguentou quase 50 anos de ditadura.

Octávio dos Santos

 

Fonte:

https://cedilha.net/ap53/2019/04/descolonizacao-ortografica-ja-octavio-dos-santos-publico-16-04-19/?fbclid=IwAR03nl8FrgR0i4hpeZUbpEZ0t6g0__vRqj7WQ4T3yjDd-UxS83VIN0qMF0o

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019

COMUNICADO Nº 2 DO MOVIMENTO EM PROL DA LÍNGUA PORTUGUESA (MPLP)

 

No dia 27 de Março de 2019, o MPLP, publicou um Comunicado que pode ser consultado neste link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/comunicado-do-movimento-em-prol-da-176592?tc=5340194179

para   informar não só os seus membros, mas também todos os portugueses que   continuam a lutar contra   a destruição da Matriz da Língua Portuguesa, ou seja contra a imposição brutal, ilegal e inconstitucional   da grafia brasileira em Portugal,  através de um pseudo-acordo ortográfico (AO199), que na verdade é um Tratado Internacional, e como tal é regido pela Convenção de Viena, a qual foi igualmente violada.

 

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Recapitulando e informando

 

1)- Por carta endereçada à Directora-Geral da UNESCO com data de 7 de Setembro 2018, cuja versão portuguesa foi publicada na Imprensa

https://www.publico.pt/2018/09/27/opiniao/opiniao/carta-a-unesco-pela-salvaguarda-da-lingua-portuguesa-como-patrimonio-cultural-imaterial-1845511, o MPLP formalizou uma queixa contra o Estado Português [ e os sucessivos governos desde a famigerada Resolução em Conselho de Ministros   8/2011 do governo de José SÓCRATES], junto da UNESCO, por violação  de vários artigos da Convenção de 17 de Outubro de 2003, para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI).

 

2)- Por carta de 7 de Janeiro de 2019, o MPLP forneceu à Directora-Geral da UNESCO vários outros   documentos   suplementares e informações relevantes para a devida instrução dessa queixa contra o Estado Português.

 

3)- Por carta com data de 22 de Março de 2019, a UNESCO respondeu ao MPLP.   O núcleo coordenador do MPLP , com o apoio do seu assessor jurídico, Dr. Carlos Borges, decidiu estudar atentamente esta carta que lhe pareceu deveras interessante e prometedora para a continuação da luta   contra  a imposição ilegal e inconstitucional de um pseudo-acordo ortográfico   (AO1990), calcado sobre a grafia da  "Língua Brasileira", contribuindo assim para a destruição da Matriz da Língua Portuguesa. A UNESCO comunicou-nos  claramente que «tomou nota da nossa inquietação no que respeita à autenticidade da Língua Portuguesa”.

 

4)- Por carta datada de 10 de Abril de 2019, o MPLP, enviou uma carta à Directora-Geral da UNESCO agradecendo a resposta da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Nesta carta o MPLP confirmou e consubstanciou a sua queixa relativa a vários outros artigos da CSPCI que foram também manifestamente violados. O MPLP decidiu igualmente pedir agora uma “intervenção   vigorosa” da UNESCO, assim como   uma clarificação jurídica e técnica necessária.

 

5)- Com efeito, o artigo 2º/7 da Lei de Bases do Património Cultural (Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro) estatui que o   “ ensino, a valorização e a defesa da Língua Portuguesa e das suas variedades regionais no território nacional, bem como a sua difusão internacional, constituem objecto de legislação e de políticas próprias(…) Essa legislação, prevista na CSPCI, não existe. (Dr Carlos Borges).

 

O governo não procedeu à salvaguarda e à valorização do Património Cultural- maxime da Língua Portuguesa - , antes promovendo a sua mutilação e incoerente reformulação das regras orientadoras da grafia e ortografia “ (Dr Carlos Borges), ao impôr ilegal e inconstitucionalmente um “acordo” ortográfico que, de maneira irresponsável e autoritária, pretendia UNIFICAR a grafia da Língua Portuguesa nos 8 Países de Língua Oficial Portuguesa [o que é IMPOSSÍVEL].

 

O MPLP  referiu, portanto, na sua queixa  contra o Estado Português, que este objectivo,  fantasista, FALHOU TOTALMENTE, como era de esperar.

 

6)- A declaração de 6 de Abril de 2019 de Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil, para   assuntos internacionais, expressando a intenção de o Brasil revogar o “acordo“ ortográfico AO1990 (citação : Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditáveis e do acordo ortográfico), levou o núcleo coordenador do MPLP, a ter de informar   a Directora-Geral da UNESCO que,  depois da publicação em 1943 do “FORMULÁRIO ORTOGRÁFICO”,  o Brasil separou-se objectivamente da Matriz da Língua Portuguesa e começou   na realidade, de maneira soberana, o longo processus de formação da sua própria língua.

 

Mais tarde, esse   processo de “libertação” linguística    foi confirmado pelo facto de o Brasil ter denunciado unilateralmente a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de Dezembro de 1945 , significando claramente o seu desejo de seguir o seu próprio caminho, enveredando   pela formação   da sua própria língua, isto é, a “Língua Brasileira”.

 

Isto é um facto, e está na altura certa de o Brasil assumir plenamente e oficialmente o seu novo grito   do IPIRANGA, desta vez,   LINGUÍSTICO, depois do seu grito inicial, no dia 7 de Setembro de 1822, que lhe deu a independência política, e já lá vão 196 anos !

 

Qual será o Dirigente Brasileiro que deixará o seu nome gravado para sempre na História do seu País, proclamando urbi   et orbi que a língua oficial do Brasil é a “Língua Brasileira”?

 

Aqui fica a questão ! Espera-se a resposta do POVO Brasileiro e dos seus representantes democráticamente eleitos .

 

7)- Informações mais completas e outros documentos serão publicados, na devida altura, no Blogue “O Lugar da Língua Portuguesa”.

 

Os Coordenadores do MPLP

Francisco João Da Silva e Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019

E ASSIM VAI O INADMISSÍVEL E ARRUINADO ENSINO EM PORTUGAL

 

Ao cuidado de todos os que estão envolvidos no sistema de (des)ensino português, incluindo pais e encarregados de educação.

 

A imagem que aqui reproduzo (tive o cuidado de esconder o nome do Agrupamento, por motivos óbvios) chegou-me via-email, destinada a uma querida aluna, a meu cargo, nestas férias de Páscoa.

 

4º ano de escolaridade.

 

Fotocopiei a mensagem, e dei-a a ler à aluna. Só lhe pedi para ler alto o que a professora escreveu. E aguardei o resultado, esperando que a criança (de 10 anos) tivesse a mesma reacção que eu (porque as crianças não são as estúpidas que os governantes querem que sejam), quando me vi diante deste documento timbrado, do Governo de Portugal, Ministério da Educação e Ciência.

 

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Marquei a vermelho os trechos com os quais a aluna esbarrou e me questionou, com os olhos esbugalhados (e não estou a inventar), e reproduzo fielmente as falas da menina (em sublinhado) que se seguiram.

 

Primeira linha: o trabalho de féria é importe. Hã? Não é assim, pois não?

Não, não é. Então como será?

Imediatamente a menina disse: o trabalho de férias é importante.

Muito bem.

Mas a professora não sabe escrever?

Saberá, mas está baralhada. Continua.

 

Segunda linha: agradeço que percam um pouco do vosso de tempo. O quê? Do vosso DE tempo? É do vosso tempo, não é?

Exactamente.

Mas o que é isto? A professora não sabe escrever?

Estaria distraída.

Sim, sim, ela é muito distraída. Às vezes ela escreve mal no quadro e temos de a corrigir.

Isso acontece. Vá, continua a ler.

 

E fomos parar à sexta sugestão onde se fala de treinar os algoritmos e (…) a subtração (que a aluna leu subtrâção, e muito bem).

 

E mais adiante os números fraccionários (frácionárius), inclusive a (…) subtracção (que a aluna leu subtráção, e muito bem)…

O quê? É subtracção ou subtração?

Não havia como enganar a criança. Jamais o faria.

Expliquei: subtracção (subtráção) é grafia portuguesa, é Português. Subtração (subtrâção) é grafia brasileira, é Brasileiro.

Mas nós somos portugueses!

Pois somos.

Então porque querem que se escreva à brasileira? Isto só me baralha!

 

Como responder a esta pergunta? Com a verdade, evidentemente. Às perguntas das crianças sempre devemos responder com a verdade, para que elas possam desenvolver o espírito crítico que falta aos governantes, a muitos pais e encarregados de educação, e aos próprios professores, que se entregam a esta missão desonrosa de enganar as crianças.

 

E a verdade é que os governantes portugueses, desde Cavaco Silva a Marcelo Rebelo de Sousa, todos eles, primeiros-ministros, ministros e deputados da ex-Nação Portuguesa, e professores e jornalistas servilistas e todos os outros marias-vão-com-as-outras, dotados de coluna vertebral cartilaginosa, trocaram a Língua Portuguesa pela Língua Brasileira, pelos motivos mais vis:  mania de grandeza e dinheiro.

 

A aluna bem sabe o que é a Língua Brasileira, porque tem uma colega brasileira na turma, que fala diferente e diz coisas diferentes das nossas. Não fala Português.

 

Não fala.

 

Esta “carta aos alunos” escrita atabalhoadamente (sem revisão) em mixordês (mistura de português com brasileiro) é inadmissível.

 

Não será a única.

 

Os maiores exemplos da mixórdia ortográfica vêm de cima, da presidência da República, do gabinete do primeiro-ministro, dos restantes ministros, de todos os grupos parlamentares. Dos próprios professores que, nas páginas do Facebook, escrevem as maiores barbaridades, incluindo palavrões.

 

Os manuais escolares são uma autêntica mina de disparates, desde as águias com grandes dentes, às invasões francesas para prender Dom João VI, e cheios de desenhos e desenhinhos, como se as crianças fossem muito estúpidas, não dando qualquer oportunidade à imaginação.

 

O que pretendem os governantes com este tipo de ensino idiota? Formarem os analfabetos funcionais do futuro, para que sejam tão submissos como os analfabetos funcionais da actualidade?

 

E há mais: é proibido dar más notas ou chumbar os alunos, para mostrar ao mundo que o sucesso escolar em Portugal existe. Quando isto não passa de uma grande aldrabice!

 

Alunos que escrevem gatafunhos, que ninguém entende, têm MUITO BOM a Português, ou melhor, a Brasileiro. Intolerável.

 

É inadmissível o que está a passar-se em Portugal no que respeita à Educação, ao Ensino, à Cultura.

 

DEMITA-SE senhor ministro da Educação e Ciência. Permitir uma tal balbúrdia no Ensino é um postura terceiro-mundista.

 

E os pais e encarregados de educação deviam tomar uma atitude drástica e EXIGIR um ensino de qualidade para os seus filhos, como está consignado na Constituição da República Portuguesa.

 

 

Com esta “carta” fiquei tão escandalizada e indignada quanto a aluna, que apesar dos seus dez anos, tem algo que falta aos actuais governantes: inteligência para ver as coisas tal como elas estão, ou seja, MAL. Muito MAL.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:52

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Terça-feira, 9 de Abril de 2019

ASSESSOR DE JAIR BOLSONARO DEFENDE FIM DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

Em Portugal, aqueles que amam verdadeiramente Portugal e a sua Língua Materna, também defendem o fim do acordo ortográfico de 1990, o maior disparate que alguma vez foi engendrado.

 

Até que enfim, aparece alguém com inteligência e visão de futuro, porque o futuro dos países ditos lusófonos, não passa, de modo algum, pelo acordo ortográfico de 1990, que até o Brasil (que desde o início está metido nisto juntamente com Portugal) considera não ser algo que sirva o Brasil e a Cultura especificamente brasileira.

 

Portugal, onde falta gente com visão, com inteligência e com personalidade, ainda não conseguiu ver o tamanho desta inconsequência chamada AO90.

 

Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil para Assuntos Internacionais, disse no seu Twitter:

 

«Depois de o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciar que não haverá horário de verão em 2019, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, defendeu que os próximos passos são extinguir: a tomada de 3 pinos, as urnas eletrônicas e o novo acordo ortográfico

 

No Brasil as coisas mexem, e mexem para a construção de um futuro que os Brasileiros querem que seja Brasileiro.

E nós damos-lhe FORÇA!

FORÇA BRASIL!

 

Filipe Martins.png

Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil para Assuntos Internacionais

Fonte:

https://www.poder360.com.br/governo/assessor-de-bolsonaro-defende-fim-de-acordo-ortografico-e-tomada-de-3-pinos/?fbclid=IwAR0U9bf8e0s1MMFnwdVKTYAliIDYiJqlK6j_k8yImhZa3VcN0MXjyWRhuKU

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:43

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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019

"CANSEI-ME… RENDO-ME…"

 

Não, isto não me diz respeito. Talvez um dia isto possa acontecer-me, mas só quando Portugal já não tiver a mínima hipótese de ser um país digno e independente. Então não me restará outra opção senão render-me ao invasor. Por enquanto ainda há esperança.

 

Recebi este texto via e-mail. Traduzido por M. Helena Damião e Isaltina Martins, e partilho-o para que todos os que se dignarem a lê-lo possam reflectir sobre o modo como os adultos e os governantes estão a contribuir para o aniquilamento de uma sociedade que se quer moralmente, intelectualmente e culturalmente saudável, e a comprometer, de um modo insano, o futuro das nossas crianças e dos nossos jovens. (Isabel A. Ferreira)

 

1484170729125.jpg

Leonardo Haberkorn

Origem da imagem:
https://www.eldia.com/nota/2016-9-14-renuncio-a-dar-clase-vencido-por-el-celular

 

Leonardo Haberkorn, jornalista e escritor uruguaio, era professor numa universidade de Montevideo. Corre na Internet um artigo seu publicado em papel, em 2015, com o título "Me cansé... me rindo...", onde declara ter deixado o ensino, que antes o apaixonava, e explica porquê.

 

Tomámos a liberdade de o traduzir, pois, por certo, ele tocará muitos professores e directores de escolas portuguesas. Desejável é que tocasse instâncias superiores e, de modo mais alargado, a sociedade.


"Depois de muitos e muitos anos, hoje dei a última aula na Universidade.

Cansei-me de lutar contra os telemóveis, contra o whatsapp e contra o Facebook. Ganharam-me. Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.

Cansei-me de falar de assuntos que me apaixonam perante jovens que não conseguem desviar a vista do telemóvel que não pára de receber selfies.

Claro que nem todos são assim. Mas cada vez são mais.

Até há três ou quatro anos a advertência para deixar o telemóvel de lado durante 90 minutos, ainda que fosse só para não serem mal-educados, ainda tinha algum efeito.

Agora não. Pode ser que seja eu, que me desgastei demasiado no combate. Ou que esteja a fazer algo mal.

Mas há algo certo: muitos desses jovens não têm consciência do efeito ofensivo e doloroso do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil explicar como funciona o jornalismo a pessoas que o não consomem nem vêem sentido em estar informadas.

Esta semana foi tratado o tema Venezuela. Só uma estudante entre 20 conseguiu explicar o básico do conflito. O muito básico. O resto não fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes (...) o que se passa na Síria? Silêncio. Que partido é mais liberal ou que está mais à 'esquerda' nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos? Silêncio. Sabem quem é Vargas Llosa? Sim!


Alguém leu algum dos seus livros? Não, ninguém! Lamento que os jovens não possam deixar o telemóvel, nem na aula. Levar pessoas tão desinformadas para o jornalismo é complicado.

É como ensinar botânica a alguém que vem de um planeta onde não existem vegetais. Num exercício em que deviam sair para procurar uma notícia na rua, uma estudante regressou com a notícia de que se vendiam, ainda, jornais e revista na rua.

Chega um momento em que ser jornalista é colocar-se na posição do contra. Porque está treinado a pôr-se no lugar do outro, cultiva a empatia como ferramenta básica de trabalho.

E então vê que estes jovens, que continuam a ter inteligência, simpatia e afabilidade, foram enganados, a culpa não é só deles. Que a incultura, o desinteresse e a alienação não nasceram com eles.

Que lhes foram matando a curiosidade e que, com cada professor que deixou de lhes corrigir as faltas de ortografia, os ensinaram que tudo é mais ou menos o mesmo. Então, quando compreendemos que eles também são vítimas, quase sem darmos conta vamos baixando a guarda.

E o mau é aprovado como medíocre e o medíocre passa por bom, e o bom, as poucas vezes que acontece, celebra-se como se fosse brilhante. Não quero fazer parte deste círculo perverso. Nunca fui assim e não serei assim.

O que faço sempre fiz questão de o fazer bem. O melhor possível. E não suporto o desinteresse face a cada pergunta que faço e para a qual a resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio.

Eles queriam que a aula terminasse.

Eu também."

Tradução: M. Helena Damião e Isaltina Martins

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:11

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Quarta-feira, 3 de Abril de 2019

O GRUPO DE TRABALHO PARA AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA APLICAÇÃO DO AO90 REUNIR-SE-IA NO PASSADO DIA 28 DE MARÇO, OU FOI BLUFF? OU AINDA ESTARÁ REUNIDO?

 

mordaça.png

Que Lei da Mordaça prevalece em Portugal?

 

No dia 28 de Março, li num artigo publicado, por Nuno Pacheco, no Jornal Público:

 

«A crer no que se anuncia no planeamento das comissões parlamentares, no site da Assembleia da República, vai reunir-se esta quinta-feira o Grupo de Trabalho para Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Temas? “1) Discussão do processo associado à conclusão dos trabalhos. 2) Outros assuntos.” Está tudo descrito, sala (4) e hora (14h), sendo que isto se faz no âmbito da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.»

 

Desde então, regressou-se ao silêncio. Ou passou-me alguma coisa ao lado?

 

O que estará a passar-se?

 

1 – A reunião não se realizou?

2 – A reunião realizou-se, mas ainda não terminou?

3 – A reunião terminou, mas o resultado não agradou aos governantes, e estes apressaram-se a amordaçar o Grupo, supondo que os trabalhos, a que se refere a discussão do processo associado à conclusão dos trabalhos, diz respeito ao impacto da aplicação do AO90?

4 – Estão a elaborar o Relatório Final, e isto demora o seu tempo, e esse tempo incluirá mais uns tantos anos, para se continuar a empatar?

5 – Se não é nada disto, então o que será?

 

No dia 20 de Março, fui espreitar à página do Grupo, neste link,

https://www.parlamento.pt/sites/com/XIIILeg/12CCCJD/GTAIAAO/Paginas/default.aspx

e publiquei o que lá vi, neste outro link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/por-onde-anda-ou-o-que-anda-a-fazer-o-175687?tc=4300272386

 

Hoje, fui lá espreitar novamente, e o que lá vi é exactamente igual ao que vi no dia 20 de Março. Mas, entretanto, o Público anunciou a tal reunião, a realizar no dia 28 de Março.

 

E as perguntas que se impõem são as seguintes:

 

- Ainda não há novidades?

- Ainda não há fumo branco, obviamente no sentido de se acabar de uma vez por todas com esta fraude chamada AO90?

- O conclave terá ainda de reunir mais vezes? Quantas vezes? Milhares de vezes?

- Já não foi tudo dito e redito, acerca da ilegalidade, da inconstitucionalidade e da inutilidade deste (des)acordo que só Portugal faz questão de manter?

 

No dia 7 de Setembro de 2018, Marcelo Rebelo de Sousa, digníssimo presidente da República Portuguesa, disse à Lusa, passo a citar: «Os portugueses têm direito a saber a verdade do que se passou em Pedrógão Grande».

 

(Lembram-se? A propósito do despropósito do que se passou (e continua a passar) em Pedrógão Grande devido aos brutais incêndios que lá ocorreram?)

 

Pois bem, senhor Presidente da República Portuguesa, os Portugueses, que amam a Língua Portuguesa e prezam este que é o seu mais precioso Património Cultural Imaterial, também têm o direito a saber a verdade do que está a passar-se (nos bastidores obscuros) desta que é a maior fraude de todos os tempos, da História de Portugal.

 

Numa carta que lhe escrevi, em 11 de Fevereiro de 2019, em meu nome, mas também em nome dos Portugueses que amam a sua Língua, solicitei que nos esclarecesse sobre esta matéria.

 

Hoje, reafirmamos essa solicitação. Continuamos à espera desse esclarecimento, que o Senhor Presidente, como Chefe Supremo da Nação Portuguesa, tem o DEVER de prestar aos Portugueses.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:57

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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