Sábado, 10 de Julho de 2021

Pausa para descanso

 

É muito triste viver num País em que, desavergonhadamente, os que nos (des)governam nos atiram com a mediocridade, com a falta de ética, com uma ignorância optativa ilimitada, com um retrocesso galopante, com um Estado decrépito, cheio de gente decrépita, obrigando as mentes livres a lutar por direitos dos mais básicos, como se ainda vivêssemos num tempo em que “ter direitos” era uma miragem…

 

Até o mais intrépido Dom Quixote precisa de descanso.

 

Um mundo harmonioso e pacífico, longe do caos em que o País está mergulhado, espera-me algures...

 

Regressarei às origens, à Natureza impoluta, que aguarda por mim, livre dos ecos tenebrosos dos que nos querem afundar nos abismos obscuros da iniquidade, de que apenas as mentes mais retrógradas são capazes…

 

Até breve.

 

Isabel A. Ferreira

 

Natureza impoluta.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 5 de Julho de 2021

É urgente uma revolução nas escolas portuguesas

 

A escola, hoje, é um lugar terrível, tanto para alunos, como para professores, como para os pais. Para mim, foi-o igualmente, quando por lá andei, nos anos lectivos de 1973/74 (na Frei João de Vila do Conde) e  1974/75 (na Eça de Queiroz Póvoa de Varzim)

 

Eu já fui professora do Ciclo Preparatório (que hoje já não se chama Ciclo Preparatório), não por vocação, mas porque na altura, ainda Bacharel, não podia seguir o meu sonho: fazer prospecção arqueológica, até porque, por incrível que pareça, não havia nada para fazer nesse campo, num país cheio de ruínas.

 

Então, fui parar ao Ensino. Dei aulas apenas dois anos. No primeiro ano, não suportei as campainhas, os horários, o sistema, o programa de Português, e principalmente o de História, desadequado e falacioso. No segundo ano, acabaram com a História, e os programas eram experimentais e completamente idiotas. Além disto, que já era muito, não admiti a indisciplina que o 25 de Abril deixou entrar nas Escolas, em nome do conceito errado de liberdade.

 

Einstein.png

 

O Presidente do Conselho Directivo da segunda escola em que dei aulas, confundia Liberdade com Indisciplina (e não foi só naquela escola), de modo que se implantou uma rebaldaria tal, que os alunos podiam fazer tudo e mais alguma coisa, dentro das salas de aula, e ai do professor que quisesse manter a disciplina: não podia repreender-se os alunos, não podia marcar-se faltas de castigo, não se podia mandá-los para fora da aula, se estivessem a ser inconvenientes, porque podíamos causar-lhes traumas irreversíveis; eles tinham de sentir-se livres, para poderem crescer em liberdade, enfim, confundindo-se alhos com bugalhos, plantou-se as sementes da bandalheira a que hoje se chegou.

 

Então acontecia que os alunos começaram a chegar à minha aula a mascar pastilhas elásticas; a pôr os pés em cima das mesas; a jogar à bola, simplesmente porque o professor X deixava (o professor X era o Presidente do Conselho Directivo). Tive de impor as minhas regras, e fui curta e grossa: «que fizessem o que quisessem nas aulas do professor X, mas nas minhas, nada de pastilhas elásticas, nada de pés em cima da mesa e nada de bolas. E quem não quisesse obedecer às minhas regras que saísse da sala, se faz favor». Aguardei. Ninguém saía. Guardavam as bolas. Punham as pastilhas elásticas no caixote do lixo, e sentavam-se.

 

A esse tempo (1975), e a uns dois meses do término do ano lectivo, eu andava grávida, já quase no fim da gestação, e numa das minhas turmas, havia um rapaz já espigadote e muito problemático, que não obedeceu à minha ordem de se sentar (uma vez que andava de carteira em carteira a perturbar os outros alunos). Em vez de ir sentar-se, aproximou-se de mim e disse: «Dou-te já um pontapé na barriga!». Mantive a calma, para não lhe dar um grande bofetão (como me apetecia) e disse-lhe para se retirar imediatamente da sala. Fez-me frente. Então agarrei-o por uma orelha e levei-o para fora da sala até ao meio do corredor, e deixei-o ali, e nada disse. O miúdo sai para a área exterior e apedreja a janela da sala de aula, quebrando o vidro, não ferindo ninguém, por um mero acaso.

 

O estardalhaço chegou aos ouvidos do professor X. O que foi, o que não foi, fui chamada ao gabinete. Porque não podia ser, porque mais isto e mais aquilo... Os meninos não podem ser expulsos da aula.

 

Então eu disse ao Senhor Presidente do Conselho Directivo da Escola: «O que não pode ser é eu ser ameaçada por um fedelho com treze ou catorze anos, e ficar-me por ali mesmo. E se ele me desse o pontapé na barriga? Não permito que ninguém, muito menos um aluno, me falte ao respeito; não permito indisciplina nas minhas aulas; e se estas minhas simples regras não tiverem lugar nesta escola, faça queixa de mim a quem quiser, ponha-me um processo disciplinar, ou ponha-me na rua, que eu saio imediatamente pela porta da frente, e não volto a entrar; e se tiver de ir lavar retretes para ganhar a vida, prefiro, a continuar num lugar onde não há disciplina nem autoridade – regras de ouro para o bom funcionamento de uma escola e para a boa educação dos alunos».

 

O Senhor Presidente do Conselho Directivo ficou estupefacto com o meu atrevimento. O mau ambiente instalou-se. Quem é que ela pensa que é? Ouvia-se. E eu era apenas a bacharel rebelde (nesse ano terminava a minha Licenciatura em História), que não abdicava da minha cidadania, e dos meus princípios e dos meus direitos. Aguardei o castigo. Porém, o castigo não veio.  

 

Continuei, pois, a manter as minhas regras de disciplina com os meus alunos, e não haveria lei nenhuma que me obrigasse a aturar catraios indisciplinados. Dentro da sala de aula a autoridade era eu. Não abdiquei nem um milímetro da regra do respeito mútuo e das benfazejas disciplina e autoridade, dentro da sala de aula. Desse modo consegui manter as minhas turmas no bom caminho, e a partir de então nunca mais tive qualquer problema, no decurso das minhas aulas. Ao mínimo deslize, o aluno sabia que ia porta fora, gostasse ou não gostasse o Senhor Presidente do Conselho Directivo. Houvesse ou não houvesse leis a dizer o contrário. Nas minhas aulas a autoridade era eu. Se não fosse para ser eu, não me contratassem e pagassem para ENSINAR.

 

Para mim, o conceito de Ensinar não é apenas “despejar” matéria para cima dos alunos, como se despeja um copo de água. Por detrás do ensinar, há muitas outras regras que um Professor tem obrigação de apresentar aos seus alunos, como o respeito mútuo ou a disciplina, e até a higiene pessoal.

 

No final daquele ano lectivo, fui mãe, e decidi abandonar o Ensino, onde não havia lugar para mim, pois estaria sempre à margem das novas “filosofias libertárias”, aplicadas ao ensino pós-25 de Abril, que não se coadunavam, e tanto quanto sei, ainda não se coadunam, com o conceito de Educação.

 

Dediquei-me ao Jornalismo de causas. Não consegui mudar nada, até porque um palito não faz uma canoa. Mas o mais importante é não nos tornarmos cúmplices do desgoverno.

 

Pelo que se vê, depois desta minha desastrosa passagem pelo Ensino, as coisas foram piorando, cada vez mais.

 

E hoje, o que é a Escola, hoje? Um lugar de medo, onde não existe disciplina, nem autoridade, nem respeito por coisa nenhuma. Alunos atacam alunos. Alunos atacam professores. Professores atacam alunos. Os pais dos alunos atacam os professores. E o que acontece a uns e a outros? Nada, ou quase nada.

 

Certa vez, um menino chamado Leandro, vítima de bullying, atirou-se ao rio, por medo. Um professor de Música lançou-se ao Tejo, porque não aguentava as agressões dos alunos. Pergunta: então onde fica a disciplina e a autoridade?

 

A partir de um certo momento, os professores deixaram de se preocupar. Despejam a matéria, cujos conteúdos e programas são de bradar aos céus, alguns deles com atraso considerável (ex. o ensino da Matemática) em relação aos restantes países europeus; escrevem e falam mal a Língua Materna, que passou de língua íntegra a dialecto, sendo o índice de iliteracia bastante elevado; e ainda aguentam a falta de educação e indisciplina dos alunos. Chegam ao fim do mês, recebem o salário, que é o que mais interessa, e o resto que se lixe!

 

É urgente uma revolução no Ensino.

É urgente uma revolução na Educação.

É urgente uma revolução na Cultura.

É urgente a demissão dos ministros que tutelam o Ensino, a Educação e a Cultura, os quais não servem os interesses escolares, mas tão-só interesses subalternos, que não se encaixam nas exigências de um ensino de qualidade.

 

É urgente mudar de paradigma. É urgente um ensino escolar baseado no respeito mútuo e nos valores humanos mais primários, e no ensinamento-base de todos os ensinamentos: «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti», uma sentença que já vem de um tempo sem tempo, adoptada na antiguidade por todos os filósofos, e que eu sempre fiz questão de passar aos meus alunos.  

 

Ou as escolas portuguesas entram nos carris de um ensino de excelência, a começar pelo da Língua Portuguesa, a matéria-prima de todas as matérias escolares, retomando a grafia de 1945, ou Portugal estará irremediavelmente perdido para o futuro, porque os que estão a ser actualmente (de)formados por um ensino, uma educação e uma cultura assentes em areias movediças, e com um elevado insucesso e abandono escolares, não estarão à altura dos desafios, cada vez mais exigentes e competitivos, do tempo que aí vem.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:48

link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos
partilhar
Sábado, 3 de Julho de 2021

«A todos os escreventes e falantes da língua portuguesa: um pedido»

 

Uma excelente lição de Português por Manuel Matos Monteiro -  autor, jornalista, formador e revisor.

 

Manuel Matos Monteiro.jpg

 

Por Manuel Matos Monteiro (*)

2 de Julho de 2021 

 

Só me resta desejar que o “pôr-do-sol” não se transforme no “colocar-do-sol”. E que quem citar Camões não diga que Inês estava linda COLOCADA em sossego.

 

 

Certo dia, ouvi um entendido (dir-se-á hoje: um “especialista”) em comunicação explicar que um palestrante tinha mais probabilidade de provocar um efeito duradouro nas mentes dos ouvintes se repetisse dez, onze, doze vezes a mesma ideia, em lugar de expor dez, onze, doze ideias. Escreverei este texto à luz desse conselho.

 

Para quem está atento ao uso da língua, os verbos ser, estar, ter, fazer, poder, pensar, achar, dizer e haver são (acabei de empregar dois deles nesta frase) omnipresentes. O problema não é (eis o verbo ser) novo. O verbo ser é (ei-lo outra vez!) o mais utilizado, até pela dificuldade em reconhecer a repetição: éramos, fôssemos, é, somos são (ei-lo novamente!) conjugações verbais traiçoeiras, porquanto muitos não identificarão nelas, intuitiva e imediatamente, o ubíquo verbo ser.

 

Mas o problema gigante e de solução simples que aqui pretendo apresentar (apresentar e não “colocar”) é outro. Já não há pachorra para o verbo colocar. Não há hoje outro verbo para “questões” (quase não há perguntas hodiernamente, só questões), “dúvidas”, “cenários”, “hipóteses”. A toda a hora e em toda a parte, colocam-se questões, dúvidas, cenários, hipóteses, problemas, senhas, códigos, números, vírgulas, isto, aquilo e aqueloutro. Habitantes e frequentadores do espaço público, já chega. Cultivem a diversidade vocabular. Há outros verbos. Há outras formas de dizer.

 

Já não se põem os pontos nos is. Colocam-se.

Já não se põe em prática alguma coisa. Coloca-se.

Já não se põe em risco algo. Coloca-se.

Já não se põe em sentido. Coloca-se.

Já não se põe um ponto final no assunto. Coloca-se.

Já não se põe uma pedra no assunto. Coloca-se.

Já não se põe de parte. Coloca-se.

Já não se põe de lado. Coloca-se.

Já não se põe alguém na ordem. Coloca-se.

Já não se põe em ordem. Coloca-se. Coloca-se em ordem alfabética, por exemplo.

Já não se põe algo a funcionar. Coloca-se.

Já não se põe em destaque (podemos simplesmente “destacar”, recorde-se). Coloca-se.

Já não se põe alguém ao corrente de. Coloca-se.

Já não se põe em causa. Coloca-se.

Já não se põe em dúvida (podemos simplesmente “duvidar de”, recorde-se). Coloca-se.

Já não se põe a descoberto. Coloca-se.

Já não nos pomos no lugar do outro. Colocamo-nos.

Já não pomos o lixo no lixo. Colocamo-lo.

 

As informações já não são publicadas, divulgadas, inseridas; são colocadas.

Fulano já não se põe na/numa posição. Coloca-se.

Muitos já nem sequer se põem a par de. Colocam-se.

Muitos já nem sequer põem algo à venda. Colocam-no. Muitos já nem põem o dinheiro no banco. Colocam-no.

Muitos já nem se queixam de que ponham palavras na sua boca que não disseram. Queixam-se de que coloquem palavras na sua boca que não disseram.

 

O futebolista já não põe a bola no fundo das redes. Coloca-a. Como a coloca nos pés ou na cabeça do colega de equipa. No basquetebol, também já se vai colocando a bola no cesto. Quanto ao mais, para o que quer que seja, já não se põe lá dentro (“meter” é outra opção); coloca-se lá dentro.

 

Mais vale a rendição total! Quando saímos de casa, não se diga que “pomos os óculos/a máscara”, colocamo-los/la. (Meter só se os pusermos dentro de algo.) Também não os/a guardamos algures. Colocamo-los/la algures.

 

Não raro, até já nem se deita ou põe água na fervura, “coloca-se”!

Não raro, até já nem se deposita ou põe a esperança em, “coloca-se”!

Não raro, até já nem se põe termo a, “coloca-se”!

Não raro, até já nem se põe cobro a, “coloca-se”!

Não raro, há até quem se “coloque a jeito”! Não raro, até se “coloca o dedo na ferida”!

Não raro, até “colocar-se em fuga” se encontra! (Podemos simplesmente “fugir”, recorde-se.)

Não raro, até se “coloca em evidência”! (Temos evidenciar(-se), recorde-se.)

Não raro, até se “coloca a cabeça [a própria ou a de outro] em água”!

 Não raro, até se “coloca a escrita em dia”!

Não raro, até se “coloca a nu”!

Não raro, até se “colocam as barbas de molho”!

Até “colocar o assunto para trás das costas” já li!

 

É de pôr os cabelos em pé! Que digo? É de colocar os cabelos em pé! Sabem que mais? Nesta matéria, já não ponho as mãos no fogo por ninguém. Perdão: já não “coloco” as mãos no fogo por ninguém.

 

Não tardará — deixará de se pôr a boca no trombone. Colocar-se-á.

Não tardará — as galinhas colocarão ovos.

Não tardará — “colocar-se ao fresco” triturará o “pôr-se ao fresco”.

Não tardará — passaremos a dizer: “Coloca-te fino/a!”

Não tardará — passaremos a afirmar: “Coloca-te bom/boa!”

Não tardará — diremos e escreveremos: “Colocou-se de joelhos.” (Podemos simplesmente “ajoelhar-nos”, recorde-se.)

Não tardará — passaremos a pedir: “Coloca-te bonito/a para mim.”

Não tardará — “pôr a mesa” será um arcaísmo, “colocar a mesa” triunfará. A mesa estará, por conseguinte, colocada.

 

Não tardarão a circular com naturalidade diálogos como:

— Já coloquei a carne a grelhar. O peixe está bom?

— Está óptimo, obrigado. Se puder colocar mais arroz e batatas, agradecia.

— Com certeza. Entretanto, posso colocar-lhe mais vinho no copo?

 

Com esta sobredosagem, com esta onda imparável, coloquialismos, vulgarismos e expressões rudes acabarão colonizados pela praga. “Põe-te a andar”, “põe-te a mexer”, “põe-te manso”, “põe-te daqui para fora”, “põe-te nas putas”, “põe-te a milhas”, “põe-te na linha”, “põe-te na alheta” tenderão a ser ditas e escritas com o verbo colocar. Procure hoje o leitor tais expressões com o verbo colocar. Viu? Já andam por aí.

 

Na fila da bomba de gasolina, ouvi um sujeito dizer a outro: “Olhe, coloque-se na fila, se faz favor.” Pareceu-me escutar o futuro. Qualquer dia, o João coloca-se a chorar e a Joana coloca-se a gritar, para depois se colocarem a cantar e a dançar.

 

 Só me resta desejar que o “pôr-do-sol” não se transforme no “colocar-do-sol”. E que quem citar Camões não diga que Inês estava linda COLOCADA em sossego. Posta em sossego — elegância, economia, estilo, beleza, eufonia. Haja ouvidos que ouçam. Que acrescenta colocar a pôr? Sílabas, essencialmente.

 

Consulto dicionários de expressões idiomáticas e nem sequer encontro o verbo colocar. Folheio, entre outros dicionários, o Houaiss, e dele não constam expressões idiomáticas ou fixas no verbete “colocar”.

 

Ponham isto na cabeça, escreventes e falantes da língua portuguesa, mormente os do espaço público — ou se preferirem: coloquem isto na cabeça. De joelhos, imploro a todos: podem, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, moderar o uso de tal verbo?

 

Nota: “pôr” não perdeu o acento com o metuendo “novo acordo”, erro que se vê muito mais vezes desde a aplicação desse nefando instrumento, que, além de cês e pês, não estima hífenes e acentos. As publicações periódicas que assinalam que determinado autor segue “o novo acordo” deveriam, quase sempre, substituir tal inscrição por: “acredita que segue o novo acordo”. 

(*) Autor, jornalista, formador e revisor

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2021/07/02/culturaipsilon/opiniao/escreventes-falantes-lingua-portuguesa-pedido-1968823?fbclid=IwAR1YlpbCXAfXcZ8pyeIxF3imDliQIewVjHj2oYZRnv92B7nRbzKgL6aGMR8

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:15

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Sexta-feira, 2 de Julho de 2021

«O abuso das resoluções e a irresponsabilidade ortográfica»

 

Por Nuno Pacheco

 

“Se há o português do Brasil e português europeu, porque é que não há o português de Angola ou de Moçambique ou da Guiné?” É fácil: porque há uma fraude chamada Acordo Ortográfico.

 

Nuno Pacheco.jpg

Origem da imagem:  https://www.facebook.com/photo?fbid=4177153959038310&set=a.116537818433298

Ignorãncia dos políticos.jpg

 

«O alerta vem de dois deputados e foi notícia no PÚBLICO de 28 de Junho: a Assembleia da República (AR) abusa de resoluções. Só entre 2015 e 2019 foram entregues pelos partidos 2278 projectos de resolução, com um pico na sessão legislativa 2017-2018 de 753 projectos, número que a actual está prestes a atingir, ou até ultrapassar, pois já vai nos 731. Qual o mal disto? Dar a impressão, falsa, de que vivemos num modelo de “governo de Assembleia”, o que é “inviável de acordo com o nosso sistema político”.

 

Quem o diz, citado pelo PÚBLICO, é Jorge Lacão (PS), ex-vice-presidente da Assembleia da República, que critica a “verdadeira inflação” desta figura regimental que “não passa de ser uma simples recomendação ao Governo”. Igual opinião tem Luís Marques Guedes, antigo líder parlamentar do PSD e actual presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, que vê nelas apenas um “resolve recomendar”.

 

Convém recordar que a Constituição atribui à AR a competência de (artigo 166.º) fazer e aprovar leis (a constitucional, a orgânica ou “sobre todas as matérias, salvo as reservadas pela Constituição ao Governo”), moções e resoluções que, estabelece ainda o mesmo artigo, “são publicadas independentemente de promulgação”. Sempre. Ora foram estas, precisamente, que se tornaram “moda”. Ouçamos, de novo, Lacão: “Não custa nada aprovar recomendações para que os outros as executem, não envolvendo isso nenhuma forma de responsabilização própria”; ou ainda: “A opinião pública, ao ouvir dizer que determinadas matérias foram aprovadas, fica persuadida que elas se tornaram efectivamente executórias o que não é verdadeiro”.

 

Com a “lição” aprendida, vem a propósito recordar um velho tema: o Acordo Ortográfico de 1990. Lembram-se de como foi aprovado? Sempre por resoluções. Primeiro o dito e depois os dois protocolos modificativos. Não admira, assim, que em tão polémica matéria sobressaia a ideia de irresponsabilidade parlamentar. “Não custa nada aprovar recomendações para que os outros as executem, não envolvendo isso nenhuma forma de responsabilização própria”, não é verdade? Daí que a iniciativa legislativa de cidadãos (ILC-AO), já aceite como projecto de lei e cujo objectivo é revogar o segundo protocolo modificativo do acordo (o tal que determinou que ele pudesse entrar em vigor com o “sim” de apenas três países), tenha esbarrado num muro. Até pelo desaforo de cidadãos a quererem fazer leis, quebrando o doce paraíso das resoluções.

 

Voltando um pouco atrás: para os que duvidam, o Acordo Ortográfico não é lei, nem nunca foi instituído como tal. Logo, ninguém fora da tutela governamental é obrigado a aplicá-lo. Se o Governo, seguindo o “resolve recomendar” da AR (ratificado pelo Presidente da República), decidiu pô-lo em prática, essa decisão só abrange as instituições a ele subordinadas, como a Função Pública (ensino incluído) ou a máquina estatal. Os privados podem aderir ou não.

 

Mas o expediente que ditou o abuso do segundo protocolo do AO90 vem de trás, do Conselho de Ministros da CPLP realizado em Brasília em 2002. Aí, “para agilizar a entrada em vigor” de actos firmados entre estados-membros, decidiu-se “recomendar seja considerada a conveniência” (sic) de incluir este artigo: “O presente Acordo entrará em vigor no primeiro dia do mês seguinte à data em que três Estados membros da CPLP tenham depositado na sede da CPLP […] os respectivos instrumentos de ratificação ou documentos equivalentes que os vinculem”. Para os que ficassem de fora, “o mesmo entrará em vigor no primeiro dia do mês seguinte à data do depósito”. E foi esta recomendação (que abusivamente se fez “lei”), sustentada em “resoluções” (sem nenhuma lei pelo meio), que ditou a sorte da ortografia da língua portuguesa!

 

Enquanto isto, vamos continuando a adiar o óbvio. Há dias, a Associação de Professores e Investigadores de Língua Portuguesa no Reino Unido promoveu em Glasgow um simpósio para discutir a “Diversidade linguística do português: oportunidades e desafios pedagógicos”. Luís Gomes, co-organizador e professor de português na universidade de Glasgow, interrogava-se, a propósito: “Se há o português do Brasil e português europeu, porque é que não há o português de Angola ou de Moçambique ou da Guiné?” Sim, porquê? É fácil: porque uma fraude chamada Acordo Ortográfico veio interpor-se na progressão natural da língua. Até que o removam, continuaremos a enganar-nos. A este propósito, uma boa notícia: surgiu no Facebook uma nova trincheira. Chama-se “Portugal em Movimento Contra o AO90” e faz este apelo: “Todos juntos seremos imparáveis e capazes de derrotar a inutilidade que é o AO90!” Assim seja.

 

ESCLARECIMENTO:

 

Da leitura do texto pode concluir-se, erradamente, que a Assembleia da República se desresponsabilizou no caso do Acordo Ortográfico ao aprová-lo, e aos respectivos protocolos modificativos, por via de resoluções. Ora neste caso concreto, as resoluções (não deixando de ser figuras decisórias menores no âmbito da AR) não são recomendações ao governo, mas sim aprovações a pedido do próprio governo, já que faz parte das competências do Parlamento (CRP, artigo 161.º, alínea i) a aprovação de Tratados Internacionais (caso do AO90). No entanto, o facto de a Assembleia da República aprovar uma resolução que é proposta pelo Governo não a isenta do seu papel de fiscalizadora da acção governativa, antes pelo contrário.

 

Mais adiante, quando se refere a IV Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Brasília (2002), como origem do processo “que ditou a sorte da ortografia da língua portuguesa”, isso quer dizer que foi nessa reunião que se sugeriu que se passasse a usar o método de “três por todos” nos actos firmados, a partir dessa data, entre os estados-membros. O segundo protocolo do AO90, já a coberto dessa lógica, viria a ser aprovado dois anos mais tarde, em 2004, na V Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em São Tomé e Príncipe. Num caso e noutro, em discordância com a Convenção de Viena sobre Tratados Internacionais que Portugal ratificou também em 2004

 

Fonte:

https://m.facebook.com/groups/178207905663865/permalink/1992169557601015/?comment_id=1992170287600942

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:36

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

Depois de ter contribuído para o caos ortográfico, imposto ilegalmente a Portugal, o ministro Augusto Santos Silva quer abandonar o governo…

 

Já vai tarde, senhor ministro dos Negócios DOS estrangeiros!

 

Depois de ter contribuído para a destruição da Língua Portuguesa, SS sai sem ter feito NADA por Portugal. Ficará para sempre ligado à sua teimosa subserviência a um "tratado" internacional (AO90) que apenas ele, como ministro dos Negócios Estrangeiros, quis fazer cumprir, contribuindo, deste modo, para o miserável caos ortográfico imposto ao País.

 

Agora quer ir embora, deixando atrás de si um rasto de vergonhosa subserviência a um país estrangeiro.

 

Pobres alunos, que nada terão para aprender com tal "professor".

 

Isabel A. Ferreira

 

SS - António Cotrim-LUSA.jpg

Fonte da notícia e da foto aqui:

 https://onovo.pt/pais/dias-contados-no-governo-santos-silva-espera-que-ps-lhe-permita-voltar-a-dar-aulas-FE457337

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:59

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Segunda-feira, 28 de Junho de 2021

A questão não é quem é o “dono” da Língua Portuguesa. A questão é que nenhum povo, que a adoptou como “língua oficial”, tem o direito de a destruir e continuar a chamá-la de “portuguesa”

 

Considerações ao redor da Língua Portuguesa, que está na berlinda, por ser a única Língua do mundo abandonada à sua má sorte.

 

Nenhuma outra Língua foi tão açoitada como a Língua Portuguesa, que anda por aí mal-tratada, mal-ensinada, mal-escrita, mal-falada, graças ao mal-parido AO90, assente maioritariamente na grafia brasileira, e na falácia dos milhões de falantes, contra os milhares que a escrevem e falam correCtamente.

 

ACORDAI!.png

(Alusão ao belíssimo poema do poeta José Gomes Ferreira, Acordai! musicado por Fernando Lopes Graça, um hino à inércia de um povo que, placidamente, aceita a sua má sorte).

 

Carlos Reis, ensaísta e professor português, “especialista” em estudos queirosianos [?)] e defensor acérrimo do AO90, em 2015 (*) disse esta verdade de la palisse: "não temos de falar como os brasileiros". Na verdade, não temos. Mas também não temos de ESCREVER como eles. Ou temos?

 

Num artigo publicado no PÚBLICO, no passado sábado, sob o título «Académicos no Reino Unido debatem descolonização da língua portuguesa» (**), Luís Gomes, co-organizador e professor de Português na Universidade de Glasgow, diz o seguinte: «Em certa medida, ainda há uma sensação de que Portugal é o dono da língua portuguesa, quando, na verdade, a maior parte dos países que falam português têm mais falantes do que Portugal, salvo algumas excepções. É uma questão que está muito presa na língua portuguesa, mais do que noutras línguas, como o inglês”».

Contudo, o que é ser “dono” da Língua? Todas as línguas têm um berço: são filhas dos Países onde foram geradas.  A Língua é como aquele filho que, apesar de solto no mundo, e de ter gerado os seus próprios filhos, noutros lugares, não deixa de pertencer aos Pais que o conceberam, os quais não sendo os “donos” dele, são a sua raiz, a sua origem, a sua fonte, a sua alma, em suma, a sua genetriz.

 

Portanto, esta coisa de dizer que Portugal não é o dono da Língua, nem sequer se põe. Portugal não será o dono da Língua, mas a Língua Portuguesa é pertença de Portugal, o seu berço.  O berço da Língua Portuguesa não é, pois, nenhuma das ex-colónias portuguesas que ao adoptarem a Língua Portuguesa, como língua oficial, geraram as suas próprias variantes (filhas), e não há nada que possa mudar a circunstância genética da Língua, porque foi em Portugal que ela nasceu, como Língua Portuguesa, pela mão de Dom Dinis.  E isto é um facto que não pode ser desprezado. Daí que cada país deva ficar com a Língua ou variante da Língua que gerou.  

 

Porém, por conveniências político-jurídico-económicas, surge a ideia peregrina e delirante de que lá por existirem o tais milhões de falantes, que se apoderaram da Língua e a destruíram (porque de destruição se trata não tendo sequer esse direito), por serem muitos, há que impor aos milhares que a escrevem e falam correCtamente, nos quatro cantos do mundo, um mal-engendrado  acordo ortográfico, que apenas Portugal, cega e servilmente, tenta cumprir.   

 

Os milhares de Ingleses, ou Espanhóis, ou Franceses, que também espalharam pelo mundo as suas respectivas Línguas, jamais permitiriam que elas fossem desenraizadas e destruídas, apenas porque também é falada por milhões.

 

José Saramago.png

 

Como diz José Saramago (cuja memória está a ser insultada, com a acordização da sua obra) «Uma língua que não é defendida, morre».

 

Sabemos que a Língua Portuguesa está a morrer, e que a intenção é matá-la e enterrá-la de vez.

 

Estas são as vozes contra a extinção da Língua Portuguesa

 

O que andam a fazer todas estas vozes, que não as ouço gritar bem alto, contra esta infame tentativa de assassinato do nosso mais precioso património identitário?

 

***

Nota marginal:

 

Há quem ande no Facebook a dizer (porque serve os interesses acordistas)  que quem acredita, como eu, que um Acordo Ortográfico (mesmo que mal-amanhado, como foi este de 1990) consegue EXTERMINAR a Língua Portuguesa, não sabe nada de idiomas; e até me mande escrever poesia ou romances de terror, mas que não fale do que não sei.

 

Coitado, o que pretende, quem assim fala, é que eu não fale do que SEI, porque não lhe convém, nem a ele, nem aos que ele serve, sem a mínima cultura crítica.

 

A Língua Portuguesa  terá os dias contados, sim, nas mãos daqueles que acham que nada sei de idiomas. Na verdade, nada sei dos idiomas que desconheço. Mas sei da Língua Portuguesa e do que os seus predadores são capazes de fazer e de dizer para acabar com ela.

 

ACORDEM, Portugueses!

 

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) ver notícia aqui
https://expresso.pt/sociedade/2015-05-12-Carlos-Reis-um-defensor-do-Acordo-Ortografico.-Nao-temos-de-falar-como-os-brasileiros

 

(**) ver notícia aqui

https://www.publico.pt/2021/06/26/culturaipsilon/noticia/academicos-reino-unido-debatem-descolonizacao-lingua-portuguesa-1968070

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos
partilhar
Sexta-feira, 25 de Junho de 2021

«Portugal em Movimento contra o AO90 – Unidos pela Defesa da Língua Portuguesa» - eis o que faltava para dar a machadada final à inadmissível imposição ilegal de uma ortografia que nada tem a ver com a cultura linguística europeia

 

A ideia partiu do Paulo Teixeira, que vai coordenar os trabalhos.

 

«Citando A. Jackson (presidente dos Estados Unidos da América do Norte de 1829 a 1837, pelo Partido Democrata): «um só homem armado de coragem, vale por uma maioria». Nem mais. 

 

O Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» está totalmente à disposição deste novo Movimento, para divulgar o que for necessário divulgar. Eu continuarei a aplicar o meu lema: «Contra o AO90, marchar, marchar



Porque já chega de marcar passo e de deixar que políticos ignaros, incompetentes, irresponsáveis e servis usem e abusem do poder que (ainda) têm, para impor a Portugal um “tratado” que nenhum dos países, ditos lusófonos, cumpre, por ser algo do foro da irracionalidade.

 

Deixo-vos com a carta onde Paulo Teixeira diz ao que vem.

 

Da minha parte, espero que as figuras públicas/mediáticas, que se têm manifestado publicamente contra a absurdez do AO90, saiam da sua zona de conforto e se disponham a usar da sua influência e mediatismo, para que Portugal possa, definitivamente, ver-se livre, deste pesadelo, gerado por gente que não sabe ser e, muito menos, não sabe estar.

 

Isabel A. Ferreira

 

Portugal em Movimento contra o AO90.jpg

 

Caros desacordistas,

 

É com enorme agrado e orgulho que vos contacto, em especial para vos felicitar pela corajosa opção de rejeitar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) na vossa vida!

 

O meu é nome é Paulo Teixeira, sou gestor comercial e, certamente, do mesmo modo que todos vós, abomino o AO90! É um bom começo e uma constatação feliz para todos, sim, mas não basta haver muitas pessoas como nós. Na verdade, e ainda que sejamos a maioria nesta batalha contra o AO90, partilhamos entre nós um grave problema que nos impede de ser bem-sucedidos: estamos todos a trabalhar isoladamente, cada um para seu lado, desorganizados e a cada instante mais desgastados e desmotivados...

 

Mas há dias tive uma ideia que abrandou as minhas preocupações e me encheu de motivação, um pensamento que bem delineado poderá transformar-se numa poderosa "ferramenta" contra o AO90. E então pensei: se o acordo continua de pé por culpa de estarmos desunidos e desfocados do cerne desta batalha, então a criação de um "grupo de trabalho" no Facebook com as pessoas certas pode ser o primeiro passo para convergirmos para o mesmo fim!

 

E quem são as pessoas certas, perguntarão? Para mim, são todas aquelas capazes de contribuir activamente com algo importante para o grupo e suas acções, em especial as figuras públicas de relevo, que se manifestam declaradamente contra o AO90! Se queremos vencer este atentado ortográfico, vamos precisar de toda a criatividade do mundo para chegar às melhores ideias, de muita energia para dar andamento às estratégias de ataque mais eficazes e do "peso" das maiores figuras públicas/mediáticas! E porque são as figuras públicas/mediáticas tão especiais? Porque são a "influência" perfeita para inverter tendências e mudar mentalidades! Actores, cantores, compositores, músicos, escritores, tradutores, professores, linguistas, comediantes, juristas, médicos! Todos juntos seremos imparáveis e capazes de derrotar a inutilidade que é o AO90! Todos juntos num lugar que, passo a partilhar, se encontra aberto no Facebook com o nome Portugal em Movimento Contra o AO90, em:

https://facebook.com/groups/pemcao90/

 

Dito isto, ficam desde já convidados a integrar este Movimento, pois acredito que a vossa presença, a par de tantas outras de renome, vai fazer toda a diferença na defesa e preservação da Língua Portuguesa! Conto convosco!

 

Muito obrigado pelo vosso tempo!

Com os melhores cumprimentos,

PAULO TEIXEIRA - coordenador deste Movimento.

pauloteixeiramailbox@gmail.com

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:17

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Terça-feira, 22 de Junho de 2021

Um alerta (vermelho) para Portugal e para o seu Povo, no que ao Ensino da Língua Portuguesa diz respeito

 

Se nada se fizer, daqui a cinco anos (poderá até ser menos) a Língua Portuguesa já terá desaparecido, porque os Portugueses e quem de direito, incluindo professores, pais, políticos, governantes, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” que têm a obrigação e o dever de saber escrever bem e falar bem, não souberam lutar por ela, e a próxima geração será a geração dos analfabetos funcionais, que estarão (já estando) na cauda da Europa (como sempre estiveram).

 

Alerta vermelho.png

 

Já em 2002, de acordo com o estudo “O futuro da Educação em Portugal”, apresentado pelo então Ministro da Cultura, Roberto Carneiro, se dizia que o nosso sistema educativo era «medíocre, quando comparado com os níveis internacionais» tendo Portugal, segundo o mesmo estudo, «um atraso de 200 anos, (…) 80% dos Portugueses não tinha mais de nove anos de escolaridade e (…) 60% da população estava satisfeita com o seu nível educativo».

 

Se a situação em 2002 já era péssima, e já estávamos atrasados 200 anos, desde então, as coisas pioraram substancialmente e o atraso será agora para cima de mil anos, com a introdução do AO90 e o colossal desleixo no uso da Língua nas escolas, nos livros escolares, nos livros traduzidos, nos livros publicados, na comunicação social escrita e televisionada, nas legendas de filmes, no rodapé das notícias, em todos os canais televisivos,  imperando em Portugal uma agigantada iliteracia, em que estão bem evidenciadas as dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de interpretação do que se escreve e também na oralidade, com tantas bacoradas, de bradar aos céus, que se dizem alto… E as pessoas que lêem, ou ouvem rádio ou vêem televisão têm o direito de exigir que se escreva e se expressem num Português correCto.

 

Para não falar nas desventuradas crianças que foram frequentar escolasm para terem um Ensino de Qualidade, como é do direito delas, e atiraram-lhes à cara o lixo ortográfico, base de toda a comunicação e de todo o Ensino, desde o básico ao superior! Mas quando temos "peixe graúdo" como um presidente da República, um primeiro-ministro, ministros e deputados da nação a falar e a escrever tão mal, nas páginas oficiais e nas suas redes sociais, e que deveriam dar o exemplo da boa escrita e da boa oralidade, esperar o quê  dos "mexilhões"? Poderiam, ao menos, ter vergonha, mas não têm.  



Não é apenas na Covid-19 que Portugal ultrapassa a linha vermelha.

 

No Ensino da Língua Portuguesa já se ultrapassou, faz tempo, todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis.

 

Daí que seja premente que todos os Portugueses e quem de direito:  professores, pais, políticos, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” e mediáticas acordem e se unam para exigir dos governantes e do constitucionalista-mor, que é o primeiro a não cumprir a Constituição da República Portuguesa, a anulação do aberrante AO90 e a reposição da grafia de 1945, não só nas escolas, como em TUDO o que mexe com o Idioma Oficial de Portugal, além de um Ensino de Qualidade, que nos faça acompanhar os níveis europeus.

 

Ou somos gente que sente, ou não somos ninguém!

Ou seremos apenas fantoches nas mãos de fantocheiros, a deambular por aí, sempre a dizer que sim, que sim… ?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

Um alerta (vermelho) para Portugal e para o seu Povo, no que ao Ensino da Língua Portuguesa diz respeito

 

Se nada se fizer, daqui a cinco anos (poderá até ser menos) a Língua Portuguesa já terá desaparecido, porque os Portugueses e quem de direito, incluindo professores, pais, políticos, governantes, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” que têm a obrigação e o dever de saber escrever bem e falar bem, não souberam lutar por ela, e a próxima geração será a geração dos analfabetos funcionais, que estarão (já estando) na cauda da Europa (como sempre estiveram).

 

Alerta vermelho.png

 

Já em 2002, de acordo com o estudo “O futuro da Educação em Portugal”, apresentado pelo então Ministro da Cultura, Roberto Carneiro, se dizia que o nosso sistema educativo era «medíocre, quando comparado com os níveis internacionais» tendo Portugal, segundo o mesmo estudo, «um atraso de 200 anos, (…) 80% dos Portugueses não tinha mais de nove anos de escolaridade e (…) 60% da população estava satisfeita com o seu nível educativo».

 

Se a situação em 2002 já era péssima, desde então, as coisas pioraram substancialmente e o atraso será agora para cima de mil anos,  com a introdução do AO90 e o colossal desleixo no uso da Língua nas escolas, nos livros escolares, nos livros traduzidos, nos livros publicados, na comunicação social escrita e televisionada, imperando em Portugal uma agigantada iliteracia, em que estão bem evidenciadas as dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de interpretação do que se escreve e também na oralidade, com tantas bacoradas que se dizem alto… E as pessoas que lêem, ou ouvem rádio ou vêem televisão têm o direito de exigir que se escreva e se expressem num Português correCto.

 

Para não falar nas desventuradas crianças que foram frequentar escolas para terem um Ensino de Qualidade, como é do direito delas, e atiraram-lhes à cara o lixo ortográfico, base de toda a comunicação e ensino.



Não é apenas na Covid-19 que Portugal ultrapassa a linha vermelha.

 

No Ensino da Língua Portuguesa já se ultrapassou, faz tempo, todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis.

 

Daí que seja premente que todos os Portugueses e quem de direito:  professores, pais, políticos, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” e mediáticas acordem e se unam para exigir dos governantes e do constitucionalista-mor, que é o primeiro a não cumprir a Constituição da República Portuguesa, a anulação do aberrante AO90 e a reposição da grafia de 1945, não só nas escolas, como em TUDO o que mexe com o Idioma Oficial de Portugal, além de um Ensino de Qualidade, que nos faça acompanhar os níveis europeus.

 

Ou somos gente que sente, ou não somos ninguém! Ou seremos apenas fantoches nas mãos de fantocheiros, a deambular por aí, sempre a dizer que sim, que sim… ?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:00

link do post | comentar | ver comentários (8) | adicionar aos favoritos
partilhar
Segunda-feira, 21 de Junho de 2021

«Economês e Republiquês» (António Bagão Félix) - Como de uma Língua elegante se fez uma língua anafada…

 

A nossa Língua Portuguessa era tão linda, tão elegante, tão graciosa, tão delicada, tão harmoniosa, e, de uns tempos para cá,  encheram-na de monos linguísticos que, aliados ao acordês e à pirosa linguagem inclusiva, a desfeiam, a engordam, a desfiguram, a endurecem, a desarmonizam, a tal ponto que, se fosse música, dir-se-ia saída de um trombone baixo, completamente desafinado. Um verdadeiro PAVOR!

 

Fiquemo-nos com um excelente texto do Dr. António Bagão Félix, que nos fala de uma linguagem cada vez mais infestada de modismos e palavras “doutorais.

 

Isabel A. Ferreira

 

Dr. Bagão Félix.png

 

 

Por António Bagão Félix

 

«EM PORTUGUÊS

n.43

 

𝑀𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑝𝑎́𝑡𝑟𝑖𝑎 𝑒́ 𝑎 𝑙𝑖́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎

Fernando Pessoa

 

 

  1. A linguagem está cada vez mais infestada por modismos e palavras “doutorais”. Perdeu-se o sentido da simplicidade da palavra, hoje canibalizada pela linguagem politicamente correcta ou gestionariamente indecifrável.

 

Há até quem pense que quanto maior for a sua pseudo complexidade, mais subirá no “elevador intelectual”. Certamente baseando-se numa frase que, por vezes, surge no imaginário do comum mortal: “Não percebi nada do que aquela pessoa disse, mas gostei. Falou muito bem”.

 

Não me refiro agora à prática recorrente de se juntarem, a torto e a direito, palavras em língua estrangeira (sobretudo, em inglês), de que já aqui tratei. Como, amiúde, tenho ouvido nas televisões, isso já é um “déjà vu”, erradamente pronunciado à portuguesa como “𝑣𝑢”, em vez de “𝑣𝑖́𝑢”.

 

Limito-me a imaginar uma amostra - obviamente caricatural - no que ao “economês-politiquês” diz respeito e que por aí grassa, para gáudio de alguns egos.

 

“No sector financeiro é imperativo desalavancar actividades para prevenir novas imparidades. No Estado, importa ventilar e priorizar blocos de despesa, para criar almofadas que assegurem a consolidação fiscal interministerial e interdepartamental. O acesso à pensão de velhice fica dependente de uma reponderação do factor de sustentabilidade, que permita descontar o efeito paramétrico das variáveis endógenas em jogo. No sector público, haverá que agilizar os incumbentes mais resilientes e dinamizar as sinergias, bem como potenciar a fileira industrial e de inovação de processos e produtos. A janela de oportunidade para criar valor é a de um novo paradigma impactante para os bens transaccionáveis. Tendo em conta que a solução não pode, por ora, ser encontrada num regime monetário intra-europeu, que evite uma reestruturação ou um evento de crédito da dívida fundada, há que analisar o efeito de medidas monetárias não convencionais, para evitar certos desequilíbrios sistémicos e assegurar o valor facial dos colaterais. Por fim, será concertada uma agenda de inclusão económica (também na perspectiva de género), na qual se alavancará o reforço constante da resiliência do país”.

 

Tudo isto, evidentemente “em sede de” qualquer coisa.

 

Percebido? Ou será preciso juntar uma boa dose do intragável e manhoso "eduquês"?

 

Se a esta linguagem adicionarmos meia-dúzia de expressões em inglês para português ver e três siglas incompreensíveis para quase toda a gente, atingimos o zénite da perfeita comunicação para … não se entender.

 

  1. Um dos instrumentos fundamentais da ligação entre o Estado e os cidadãos é o jornal oficial, o Diário da República (DR), talvez aquele em que mais se mente. No DR, a simplicidade e a compreensão da linguagem deveriam ser imperativas. “𝐷𝑢𝑟𝑎 𝑙𝑒𝑥, 𝑠𝑒𝑑 𝑙𝑒𝑥”, bem sabemos todos nós, mas também para o Estado deveria ser “lei obrigatória, lei acessível ao comum dos mortais”.

 

Evidentemente que as leis são complexas do ponto de vista técnico. Mas, de há muitos anos a esta parte, acentua-se a legislação prolixa, opaca, labiríntica, ambígua até, cheia de “gorduras” (leia-se: redundâncias e adjectivação “robusta” até fartar).

 

Os próprios preâmbulos dos diplomas legais deveriam constituir uma oportunidade para, de uma maneira simples, clara e didáctica, descodificar as densas tecnicalidades das normas jurídicas.

 

Mas não. Basta dar uma olhadela por um qualquer dia do jornal oficial para perceber o deleite do legislador em complicar ainda mais o que, pela natureza do assunto, já é complicadíssimo. Está-lhe na massa do sangue e escorre pelos poros, num fluir interminável.

 

Para não vos maçar muito, ilustro com um sugestivo naco do extenso preâmbulo do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Dec. Lei nº 4/2015, de 7 de Janeiro:

 

“𝑀𝑒𝑟𝑒𝑐𝑒 𝑟𝑒𝑎𝑙𝑐𝑒 𝑎 𝑝𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑎̃𝑜 𝑑𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑐𝑒𝑙𝑒𝑏𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑜𝑟𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑛𝑑𝑜𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑖𝑠 (𝑎𝑟𝑡𝑖𝑔𝑜 57.º). 𝐴𝑡𝑟𝑎𝑣𝑒́𝑠 𝑑𝑒𝑠𝑡𝑒𝑠, 𝑜𝑠 𝑠𝑢𝑗𝑒𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑙𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑗𝑢𝑟𝑖́𝑑𝑖𝑐𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑝𝑜𝑑𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑣𝑒𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑟 𝑡𝑒𝑟𝑚𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑐𝑎𝑖𝑏𝑎𝑚 𝑛𝑜 𝑎̂𝑚𝑏𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑑𝑖𝑠𝑐𝑟𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑟𝑖𝑒𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑜𝑢 𝑜 𝑝𝑟𝑜́𝑝𝑟𝑖𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑒𝑢́𝑑𝑜 𝑑𝑎 𝑑𝑒𝑐𝑖𝑠𝑎̃𝑜 𝑎 𝑡𝑜𝑚𝑎𝑟 𝑎 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙, 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑙𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒𝑠 𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑠𝑡𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒́ 𝑙𝑒𝑔𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑑𝑚𝑖𝑡𝑖𝑑𝑎.

𝑁𝑜 𝑛.º 2 𝑑𝑜 𝑎𝑟𝑡𝑖𝑔𝑜 57.º, 𝑎𝑙𝑒́𝑚 𝑑𝑒 𝑠𝑒 𝑑𝑒𝑖𝑥𝑎𝑟 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑐𝑙𝑎𝑟𝑜 𝑜 𝑐𝑎𝑟𝑎́𝑐𝑡𝑒𝑟 𝑗𝑢𝑟𝑖́𝑑𝑖𝑐𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑣𝑖́𝑛𝑐𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑡𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑜𝑟𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑛𝑑𝑜𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑖𝑠, 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑔𝑢𝑟𝑎-𝑠𝑒 𝑢𝑚𝑎 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖́𝑣𝑒𝑙 𝑝𝑟𝑜𝑗𝑒𝑐𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑖𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑒𝑡𝑒𝑛𝑠𝑜̃𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑛𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑙𝑎𝑐̧𝑜̃𝑒𝑠 𝑗𝑢𝑟𝑖́𝑑𝑖𝑐𝑜-𝑎𝑑𝑚𝑖𝑛𝑖𝑠𝑡𝑟𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎𝑠 𝑚𝑢𝑙𝑡𝑖𝑝𝑜𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑜𝑢 𝑝𝑜𝑙𝑖𝑔𝑜𝑛𝑎𝑖𝑠.”

 

Claro como a mais cristalina água...

 

Para citar uma lei mais recente (Lei 27/2021, de 17 de Maio), com o título pomposo de “Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital”, escolhi um ponto (artigo 6º n. 2), que tem suscitado muita querela política e que evidencia o seu grau de indeterminação adjectivante:

 

“𝐶𝑜𝑛𝑠𝑖𝑑𝑒𝑟𝑎-𝑠𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑖𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑡𝑜𝑑𝑎 𝑎 𝑛𝑎𝑟𝑟𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑜𝑣𝑎𝑑𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑓𝑎𝑙𝑠𝑎 𝑜𝑢 𝑒𝑛𝑔𝑎𝑛𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎 𝑐𝑟𝑖𝑎𝑑𝑎, 𝑎𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎𝑑𝑎 𝑒 𝑑𝑖𝑣𝑢𝑙𝑔𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜𝑏𝑡𝑒𝑟 𝑣𝑎𝑛𝑡𝑎𝑔𝑒𝑛𝑠 𝑒𝑐𝑜𝑛𝑜́𝑚𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑜𝑢 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑒𝑛𝑔𝑎𝑛𝑎𝑟 𝑑𝑒𝑙𝑖𝑏𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑜 𝑝𝑢́𝑏𝑙𝑖𝑐𝑜, 𝑒 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑒𝑗𝑎 𝑠𝑢𝑠𝑐𝑒𝑝𝑡𝑖́𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑢𝑠𝑎𝑟 𝑢𝑚 𝑝𝑟𝑒𝑗𝑢𝑖́𝑧𝑜 𝑝𝑢́𝑏𝑙𝑖𝑐𝑜, 𝑛𝑜𝑚𝑒𝑎𝑑𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑚𝑒𝑎𝑐̧𝑎 𝑎𝑜𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑙𝑖́𝑡𝑖𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑐𝑟𝑎́𝑡𝑖𝑐𝑜𝑠, 𝑎𝑜𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑒𝑙𝑎𝑏𝑜𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑜𝑙𝑖́𝑡𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑝𝑢́𝑏𝑙𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑒 𝑎 𝑏𝑒𝑛𝑠 𝑝𝑢́𝑏𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠”.

 

Narrativas há muitas, ó legisladores! Estamos entendidos?»

 

Fonte:   https://www.facebook.com/antonio.bagaofelix

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:49

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Julho 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Pausa para descanso

. É urgente uma revolução ...

. «A todos os escreventes e...

. «O abuso das resoluções e...

. Depois de ter contribuído...

. A questão não é quem é o ...

. «Portugal em Movimento co...

. Um alerta (vermelho) para...

. Um alerta (vermelho) para...

. «Economês e Republiquês» ...

.arquivos

. Julho 2021

. Junho 2021

. Maio 2021

. Abril 2021

. Março 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. https://www.facebook.com/portuguesdefacto

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. Comentários

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome. 2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.
blogs SAPO