Terça-feira, 6 de Março de 2018

A grafia portuguesa que vigora em Portugal Vs. a que o governo português nos quer impingir (Parte IV)

 

Para que não nos tomem por lorpas, continuamos a demonstrar que a grafia alvitrada pelo AO90 é a grafia brasileira.

 

Em Portugal, a grafia oficial que está em vigor é a portuguesa, a da Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, que não foi revogada.

 

Portanto, é ilegal adoptar a ortografia brasileira, que está vigente e é oficial apenas no Brasil, desde 1943.

 

GRAFIA.png

 Ver também:

GRAFIA PORTUGUESA VS. GRAFIA BRASILEIRA

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE I)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE II)

 

A GRAFIA PORTUGUESA QUE VIGORA EM PORTUGAL VS. A QUE O GOVERNO PORTUGUÊS NOS QUER IMPINGIR (PARTE III)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:23

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Segunda-feira, 5 de Março de 2018

MOTE PARA OS APEDEUTAS

 

Como é imensa a ignorância acomodada em Portugal!

 

GERRA JUNQUEIRO.png

 

Leiam mais. Instruam-se.

 

Não emprenhem pelos ouvidos. Desenvolvam em vós o espírito crítico. Não sejam maria-vai-com-as-outras.

 

Vejam menos televisão, porque as televisões são programadas para vos alienar.

 

Tenham personalidade própria.

 

Não andem por aí a rastejar e a lamber, servilmente, o chão que os outros pisam…

 

Quase um século passou desde que Guerra Junqueiro fez esta descrição do povo português, e a descrição continua tão actual…

 

Já se perguntaram porquê?

 

Não sejam comodistas, nem acomodados, nem subservientes, nem seguidistas. Optem pelo Saber. Libertem-se das grilhetas da ignorância, que vos atam ao chão.

 

Sejam cidadãos plenos, não lacaios de um Poder apodrecido, de tão antiquado, gasto e servil.

 

Como lamento o vosso apedeutismo e a vossa pobreza cultural…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:06

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OSNY ALVES, ESCRITOR, POETA, AUTOR E PROFESSOR BRASILEIRO FALA DO ESTADO DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

PALAVRAS.jpg

 

Texto publicado no Facebook por Elizabeth Pereira Gabas

 

«Excerto de um texto de Osny Alves

 

(…) «Tem aqueles que dizem que você põe a boca em lugares piores e agora eu direi quais são esses lugares! Quando você mete a boca na vida de alguém, e começa a falar mal da vida dela, quando você solta a língua para atropelar, e assassinar a língua portuguesa por exemplo, é algo íntimo e único.

 

Pelo menos deveria ser, já que a maioria dos brasileiros metem a língua para blasfemar coisas que demoramos horas para entender, como por exemplo, as frases que deixarei aqui, são frases postas em redes sociais, ou "banners" com alunos e professores e muitos outros manifestantes: «É isso que ‘dar’ falar ‘mau’ da vida dos otros.» Nítido que não leem, que não escrevem e se metem a escrever. «‘Só’ feio ‘mais’ que ‘em porta’ e ser ‘felis’» está na cara que a pessoa que escreveu isso é bem mais feliz do que imagina, já que não tem consciência de gramática alguma, e tem muita gente que defende esse comportamento! Lamentável.

 

O que diremos das entrevistas, dos vestibulares, dos concursos e tantas outras coisas que dependem da norma culta da nossa querida língua portuguesa? Outra que é de arrancar os cabelos e que tira suspiros de qualquer um que ensina nos dias de hoje: «Não preciso ser gay para defender a ‘homografia.» É bem capaz que não precise mesmo, mas com certeza ele necessita de muitos livros para se defender de muitas coisas nesta vida. Falar não é difícil, mas falar bem e escrever, isso leva anos de estudo, bem é o que deveria ser para todos que começam a fazê-lo desde a mais tenra idade.

 

Mais uma frase que me tirou alguns minutos, para entender o seu significado, foi essa: «depois q me casei as coisas piorou só eu q pagos as contas ,ela recebe e não quer me ajudar a pagar as contas só sabe ir p igreja e ainda quer q eu vou tbm ...» Seria até normal ler algo assim se não tivesse sido escrito por alguém que deveria ensinar a língua portuguesa, vemos que a maioria não liga para o uso correto, não se dão conta do mal que estão fazendo com as crianças, a língua Portuguesa no Brasil está virando um dialeto.

 

Essa outra frase é de matar: «Verás que um filho teu não ‘foje’ a luta.» Escrita em outro "banner" de uns seis metros, claro que não foge à luta, devem ter fugido da escola! Essa frase também teve o seu grande momento, na minha opinião, foi a pior: «‘Oge’ foi o meu casamento no ‘se viu’. Obrigado Senhor! Realmente tem que agradecer pelo casamento no Civil, mas não pela maneira de escrever. Tem-se em mente que não há mais erros e acertos na língua mãe, mas nem por isso temos que aprovar essa intimidade com esses estupradores da Língua Portuguesa.»

 

Fonte:

http://1001cronicasbrasileiras.blogspot.pt/2016/10/beijo-por-beijo.html

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:26

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Domingo, 4 de Março de 2018

«Não se aproveita nada neste Acordo Ortográfico»

 

No site da Renascença, sob o título «Acordo Ortográfico: Há marcha-atrás possível?», diz-se que o cineasta António Pedro Vasconcelos, um dos primeiros subscritores de um manifesto de cidadãos contra o acordo ortográfico, e Ana Margarida Oliveira, produtora da RFM e ex-professora de Português, que não é 100% favorável ao acordo, discutiram o tema.

 

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António Pedro Vasconcelos defendeu que “não se aproveita nada neste acordo ortográfico (…) e que «se se admite que alguma coisa está mal, que se corrija o quanto antes».

 

Totalmente de acordo. Este acordo ortográfico, que está a gerar o mais monumental desacordo de todos os tempos, se fosse bom, não seria tão contestado, nem precisaria de ser discutido e todos andávamos aqui muito felizes com a novidade.

 

Mas, infelizmente, este acordo é a coisa mais parva de que há memória, e que nos está a ser imposta ditatorialmente, apesar de o actual governo dizer-se socialista e de esquerda e pretender ser uma democracia… Pois aqui perdeu-se a força do demo (povo) e ficou apenas a cracia ou a força do poder, transformada em ditadura.

 

Por sua vez, Ana Margarida Oliveira não acredita que se possa voltar atrás. E deu este triste exemplo: "Isto é como o escudo e o euro. Teria dificuldade em fazer contas em escudos. Já teria dificuldade em voltar à grafia antiga”.

 

Pois se Ana Margarida Oliveira teria dificuldade em fazer contas em escudos e voltar à grafia portuguesa (nem pouco mais ou menos é antiga), isso seria problema exclusivamente dela. E o mundo não pára (com acento) só por causa das dificuldades desta senhora.

É mais fácil aprender o lógico do que o ilógico

 

É que as crianças e os jovens têm uma capacidade mental superior à dos adultos, para aprenderem e desaprenderem o que quer que seja, e aqui o que está em causa é o "fabrico" dos analfabetos funcionais do futuro, por isso, os erros corrigem-se, e assim como aprenderam a escrever incorreCtamente, mais facilmente aprenderão a escrever correCtamente, porque a Língua Portuguesa é uma língua com lógica, e o AO90 não tem lógica nenhuma, e é mais fácil aprender o lógico do que o ilógico.

 

Pela enésima vez vou repetir isto: eu, que não serei mais inteligente do que todos os outros, e que aprendi a ler e a escrever no Brasil, aos seis anos, precisamente na ortografia agora imposta às nossas crianças, quando regressei a Portugal, com oito anos, tive de desaprender a grafia brasileira sem os cês e os pês e o modo de dizer (eu "chutava" flores para dentro das jarras, porque no Brasil "chuta-se" tudo, e, à conta disso, levei uns bolos nas mãos, para não "chutar" tanto - e isto não se esquece, mas agora nenhuma criança corre o risco de "levar bolos"), e apreendi a escrever com os cês e os pês, num ápice. E quando tive de regressar novamente ao Brasil, com os meus 12 anos, deixei novamente os cês e os pês para trás, e aqui estou eu, com a bagagem linguística de cá e de lá, e consegui. Por que não conseguirão as nossas crianças? Serão mais estúpidas do que eu? Não são. Com toda a certeza.

 

Além disso as crianças são capazes de aprender várias línguas ao mesmo tempo.

 

Deixemo-nos de tretas: os erros CORRIGEM-SE. Não se PERPETUAM.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

http://rr.sapo.pt/noticia/106818/acordo-ortografico-ha-marcha-atras-possivel

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Sábado, 3 de Março de 2018

Português legendado para "Brasileiro"

 

Ouçam com atenção, até ao fim.

Quanta verdade se disse neste vídeo! Subscrevo-o na íntegra e também lamento o que se passa, e que já tem barbas muuuuuito longas e brancas... E ainda nada mudou. E não se evoluiu...

 

Legendar um português que fala Português é insultar Portugal e a Língua Portuguesa.

 

As novelas brasileiras, em Portugal, não precisam de ser legendadas. Os brasileiros quando vão às nossas televisões não precisam de ser legendados. Os livros dos autores brasileiros não precisam de ser traduzidos para Português, como os dos autores portugueses precisam de ser traduzidos para “brasileiro”.

 

O que é isto?

 

E os portuguesinhos vergam-se...

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:45

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Sexta-feira, 2 de Março de 2018

«ESTE PAÍS PARTIDO AO MEIO PELA PRÓPRIA LÍNGUA»

 

Muito bem, Alexandra Lucas Coelho.

 

Haja inteligência e lucidez para dizer as coisas certas.

 

Parabéns e obrigada pelo seu precioso contributo em prol da Cultura Linguística Portuguesa.

 

ALEXANDRA.jpg

 

A opinião de

Alexandra Lucas Coelho

 

 1 - «O que aconteceu há uma semana no parlamento português é de pasmar, para quem ainda for capaz. Todos os deputados portugueses, com a honrosa excepção dos comunistas e de dois centristas, são agora co-responsáveis por a) um erro com décadas b) Portugal estar partido ao meio pela própria língua c) manter tantos portugueses na clandestinidade. 

 

Que dia cheio, essa quinta-feira, 22 de Fevereiro. E lendo nas notícias até parecia que não tinha sido nada demais, a votação na assembleia. Assunto arrumado.

 

2 - Como quiçá 99 por cento dos portugueses, estou farta deste assunto. Há uma boa razão para isso. É que o assunto tem barbas. Tanto tempo que o facto de até agora não ter sido possível enfiarem-nos o acordo pela goela é uma prova de como ele é um mau acordo. Outra prova, claro, é o facto de terem que tentar, e continuarem a tentar, enfiar-nos o acordo pela goela. Quanto mais tempo passa, mais me apetece dizer que nunca escrevi nem escreverei uma frase segundo o acordo. E quanto mais tempo passa mais me chateia que os meus sobrinhos sejam obrigados a ler e escrever asneiras, e quando todos eles aprenderem a ler e escrever fiquemos separados por tanta asneira. Cada um dos deputados que se absteve ou votou pela continuidade é responsável por isso. De resto, com o aval dos deputados eleitos, a minha situação, e a de tantos portugueses, é oficialmente essa: estamos, vivemos, trabalhamos na clandestinidade. Mas quem sequestrou a língua não fomos nós. De certa forma, o auto-proclamado acordo é um golpe de estado progressivo. Um golpe de estados, aliás. E isso faz parte do equívoco de base.

3 - Esta monumental perda de tempo, dinheiro, burocracia e energia vem de 1990. São 28 anos — vinte e oito anos — de declarações, contorções, petições, recursos, rejeições, discussões, pancadaria verbal desde o equívoco de base. Os contestatários foram ignorados, partiu-se para a imposição: em Portugal, o acordo entrou em vigor em 2009, tornou-se obrigatório nas escolas públicas em 2011, nos organismos públicos em 2012, e em geral (?) em 2015, data desde a qual um aluno que não escreva segundo o acordo é penalizado. 

 

Totalitarismo por etapas. Mas em nome de quê?

 

4 - Aí está o equívoco de base: em nome de uma visão política desligada da vida. Da vida da língua, com as suas mutações naturais, da vida de cada país onde essa língua é dominante, e das relações entre esses países. Já me perdi no imbróglio do que gerou o acordo, se/como os linguistas foram utilizados pelos políticos e/ou vice-versa, ou a certa altura os defensores do acordo se cristalizaram nessa posição porque sentiam que já tinham ido demasiado longe para voltar atrás.Supostamente este acordo era para aproximar os países de língua portuguesa. Mas o que separa os países de língua portuguesa são muitas outras coisas, muitas delas de facto políticas, muitas delas de facto incómodas, muitas delas de facto sistematicamente ignoradas, ou menosprezadas, enquanto um acordo totalmente desnecessário, supostamente a bem da lusofonia, nos mói o juízo há 28 anos.Expressões que me tiram do sério: países da lusofonia. Que países da lusofonia? Lusofonia resulta de uma ideia de dominação, ou dominância, lusa, sem sentido. Não há países da lusofonia. Há países que falam a língua portuguesa. E, não por acaso, Portugal está bem, bem longe de ser o mais populoso.

 

5 - Também estou longe de em geral votar PCP, o partido que corajosamente fez a proposta rejeitada no parlamento, para que Portugal se retirasse do acordo. Estar contra o acordo é o ponto em que coincido com os comunistas, depois divirjo em parte quanto à visão da língua portuguesa, as relações entre os países que falam a língua portuguesa. Mas pasmei com a quantidade de deputados que votaram em massa, ao lado dos seus partidos, contra a proposta do PCP. As abstenções ficaram-se pela meia dúzia.Difícil de acreditar. Toda esta gente está mesmo convicta de que o acordo é uma coisa boa? Ou acha apenas que dá demasiado trabalho voltar atrás? Seja como for parecem imunes ao facto de tanta gente, com argumentos, não seguir o acordo.

 

Mexeu-se na língua, onde não fazia falta, por maus motivos políticos. Esse acordo, alegadamente para o melhor entendimento de vários países, conseguiu transformar-se em grande desentendimento neste país. Entretanto, todos os dias me sento a esta mesa, e bato neste teclado palavras que oficialmente já estão erradas, como pára em vez de para, ou pêlos em vez de pelos.O meu trabalho é escrever há mais de trinta anos. Na minha geração, tenho de pensar um bocado para achar conhecidos que escrevam voluntariamente segundo o acordo. E na geração posterior idem. A petição que acompanhava a proposta do PCP tinha 20 mil assinaturas, mas multiplicar isso por 100 não me pareceria pouco razoável. Imagino a quantidade de professores que não gostam do acordo e são obrigados a usá-lo. Com certeza que muitos seguidores do acordo o fazem por obrigação, em organismos públicos, ou empresas que tomaram a decisão de aplicar o acordo por contingências várias. Entre 2011 e 2012 aconteceu editoras acharem que o caminho já era irreversível, e terem começado a aplicar o acordo, para depois retrocederem.Falhado o parlamento, a próxima esperança dos desalinhados será o recurso que o Supremo vai analisar, quanto à ilegalidade ou não de impor a aplicação do acordo.

 

6 - A língua portuguesa são tantas que ainda não as conheço, nem conhecerei. Morei anos no Brasil, e que sorte, a língua tornou-se muito maior. Vou à Guiné, a Cabo Verde, a Moçambique, idem. A língua vai à frente de qualquer dicionário, e se quem escreve não der trabalho aos arrumadores da língua estamos tramados. Portanto, os clandestinos estão naturalmente na clandestinidade. Mas não por decreto, com um acordo tipo implante. Deixem a língua solta, porque ela muda a cada minuto. O trabalho dos dicionários, e dos especialistas, é correrem atrás.»

 

Fonte: 

 

https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/este-pais-partido-ao-meio-pela-propria-lingua#_swa_cname=sapo24_share&_swa_cmedium=web&_swa_csource=facebook&utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=sapo24_share

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:12

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O ESTADO DO IDIOMA NO BRASIL E EM PORTUGAL

 

ESTADO DO IDIOMA.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:41

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Quinta-feira, 1 de Março de 2018

«ORTOGRAFICES AO CORRER DA PENA»

 

«Este péssimo acordo ortográfico resiste num coma perpétuo. E tarda em morrer, o estafermo.»

 

NUNO PACHECO.jpg

 

Texto de NUNO PACHECO

 

«Depois do excelente texto de António Bagão Félix, publicado terça-feira neste jornal e intitulado O Acordo Mortográfico na AR, apetecia não voltar tão depressa ao assunto. Mas como o tema é vasto e há sempre muitíssima coisa que fica por dizer, aqui se deixam mais algumas notas, ao correr da pena.

 

 

Precisamente há dez anos, no Correntes d’Escritas da Póvoa de Varzim (cuja mais recente edição agora decorre), perguntaram a Maria Lúcia Lepecki, professora universitária, ensaísta e crítica literária brasileira, o que pensava do acordo ortográfico (AO). Respondeu assim: “Eu sempre achei que o acordo ortográfico não é preciso: um brasileiro lê perfeitamente a ortografia portuguesa e um português lê perfeitamente a ortografia brasileira. Olha a ortografia, sabe que palavra é que é, pronuncia correctamente (…). Acho que é um desperdício de energias, um desperdício de dinheiro, e penso que se devia gastar o pensamento e as forças em outra coisa qualquer.” Nesse mesmo ano, 2008, o Prémio Camões calhou a um escritor brasileiro, baiano, João Ubaldo Ribeiro. Também ele se pronunciou várias vezes sobre o tema, mas ficará na memória o que ele disse numa entrevista ao JL, em 1989. Fê-lo em linguagem desabrida: “Sou contra, acho uma burrice. (…) Então se eu fosse director de um jornal português e estivesse acostumado a que se escreva director, não é porque um brasileiro de merda me diz agora escreva ‘diretor’… Nem, como o brasileiro, só para agradar a um português, ir botar um pronome que destronque a base da língua de um brasileiro. Não, isso não. Acho que portugueses e brasileiros têm que se acostumar a que hoje são povos irmanados pela mesma história, povos irmanados até pela mesma família como é o meu caso, mas duas partes diferentes.” E dizia mais: com isso, “nós corremos o risco de nos tornar povos até mais inimigos.” Alguém o ouviu?

 

Recuando uns três anos, até 1986, um outro brasileiro, Afrânio Coutinho (baiano como Ubaldo e professor, ensaísta e crítico literário como Lúcia Lepecki) disse ao Jornal do Comércio do Rio de Janeiro: “A nossa língua é a brasileira. Os dois idiomas, o de Portugal e o do Brasil, saíram de um tronco comum e se desenvolveram divergentemente, a partir do Renascimento. Por isso nunca haverá unidade linguística, sonho de alguns sentimentalistas.” Porém, ao contrário de Lepecki e Ubaldo, Afrânio Coutinho era visto como “acérrimo defensor do acordo ortográfico, criticando o generalizado repúdio dos portugueses por tal instrumento de unificação da grafia da língua comum.” Quem diria?

 

1986 é, a este propósito, um ano interessante, pois foi nele que se selou um esboço de acordo de má memória que gerou (e bem) uma tempestade nacional, já que, entre outras aberrações, propunha a abolição de todos os acentos gráficos e muitos hífens, tornando irreconhecíveis múltiplas palavras. Entre as muitas críticas que suscitou, e que ficaram para a história, conta-se a que viria depois a ser publicada em livro em 1987, pelas Edições João Sá da Costa, sob o título A Demanda da Ortografia Portuguesa. Ora nesse livro, “organizado por Ivo Castro, Inês Duarte e Isabel Leiria”, há um curto texto intitulado “Sete Teses sobre a Ortografia Portuguesa”. Dizia: “Conhecido que é o efeito de retorno do escrito sobre o oral, é inaceitável defender alterações ortográficas que potenciem mudanças linguísticas em sentidos previsíveis ou imprevisíveis.” Foi o que se fez, em 1986 ou em 1990? Não, foi o contrário.

 

Mais: “A facultatividade é, por definição, contrária à própria ideia de normalização gráfica – de ortografia. Defender uma versão fraca de unificação [como defendiam os autores do texto] significa admitir grafias duplas no espaço lusófono, mas uma e apenas uma grafia em cada espaço nacional em que o português seja língua materna ou língua oficial.” Era o que havia, antes do AO de 1990. Por fim: “Um sistema ortográfico não é mais simples por conter um menor número de sinais portadores de informação: é tanto mais simples quanto menos ambíguo for permitindo um reconhecimento mais rápido e menos dependente do contexto.” É isto que temos, hoje? Não, é precisamente o contrário!

 

Mas se tristemente Lepecki, Ubaldo e até Afrânio deixaram de fazer parte do mundo dos vivos, este péssimo acordo ortográfico resiste num coma perpétuo. E tarda em morrer, o estafermo.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/02/22/culturaipsilon/opiniao/ortografices-ao-correr-da-pena-1803892

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:23

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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