Segunda-feira, 7 de Maio de 2018

QUE PORTUGUÊS ANTÓNIO GUTERRES CELEBROU NA ONU NO DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA?

 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve presente nas celebrações do Dia da Língua Portuguesa, realizadas no passado sábado, dia 05 de Maio de 2018, nos jardins da sede da ONU, em Nova Iorque.

 

Sabemos que António Guterres adoPtou a grafia brasileira, e foi com grande estupefacção que o ouvi, neste vídeo, falar de uma diversidade que é preciso manter

 

Ouçamo-lo:

 

 

António Guterres, diz que «as pessoas estão fartas da uniformização (mas querem-nos impor a uniformização da Língua Portuguesa através da grafia brasileira); Guterres diz que a diversidade cultural é um valor extraordinário (daí que cada país deva ficar com a própria cultura, seja linguística ou outra, o que não está a verificar-se em Portugal, com a imposição do AO90); e Guterres acrescenta sobretudo num mundo em que estamos a ver surgir o racismo e a xenofobia, vários sentimentos isolacionistas de separar uns dos outros, a diversidade que a CPLP representa e que cada um dos países da CPLP representa na sua multiplicidade étnica, cultural e religiosa são valores fundamentais de que nos devemos orgulhar e que devemos projectar neste mundo»…

 

Ou eu percebi mal, ou António Guterres meteu os pés pelas mãos, ao dizer que a diversidade cultural é um valor extraordinário, e ao considerar a diversidade da CPLP e a multiplicidade étnica, cultural e religiosa como valores fundamentais que é necessário projectar no mundo, se não é isto que o malfadado acordo ortográfico de 1990 preconiza, e se ele próprio, António Guterres, ao adoPtar a grafia brasileira, afastou-se dessa diversidade que apregoa.

 

Se há algo que me tira do sério é esta coisa de os governantes julgarem que somos todos parvos.

 

A diversidade da CPLP está a ser posta em causa pelo AO90, engendrado unicamente entre o Brasil e Portugal, e que o governo português está a impor aos portugueses ilegalmente. Com a imposição do AO90 pretende-se que os oito países da CPLP adoPtem a grafia brasileira, e a isto não se chama diversidade, nem multiplicidade. Chama-se uniformização.

 

Que Português podemos celebrar no dia da Língua Portuguesa, se a Língua Portuguesa saiu da esfera portuguesa?

 

O que pretenderão com estas celebrações?

 

Sabemos que  a CPLP é uma fraude. É uma reminiscência da época colonial. Não me parece que as ex-colónias portuguesas tenham assim tantas saudades do colonizador para continuarem a pretender estar a ele amarradas por elos linguísticos.

 

Queremos manter a diversidade. Queremos preservar a multiplicidade étnica, cultural e religiosa de que fala António Guterres, e para isso é urgente acabar com esta coisa de pretender UNIFICAR a diversidade linguística que existe nos oito países lusógrafos.

 

A este propósito sugiro a leitura de:

UMA DAS MAIORES IGNORÂNCIAS DOS ACORDISTAS É PRETENDEREM COMPARAR O AO90 COM AS ANTERIORES REFORMAS ORTOGRÁFICAS

 

A GRANDE FALÁCIA DOS ACORDISTAS

 

Daí que nada há para comemorar no que respeita à Língua Portuguesa, enquanto pairar sobre nós a fraude do AO90.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:52

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A GRANDE FALÁCIA DOS ACORDISTAS

Num comentário algures, online, e como argumento de defesa do AO90, alguém que dá pelo nome de «a favor do acordo ortográfico»  escreveu o seguinte:

 

«Antes de mais, o português fala-se em Portugal e em mais sete países. Em Portugal estão apenas 4% dos falantes nativos de língua portuguesa... daqui a 50 anos seremos apenas 2% ou 3%. Acha justo querer obrigar 250 milhões de pessoas (só no Brasil são 204 milhões) a querer adotar (lê-se âdutár) a velha grafia portuguesa (a de 1945)? O acordo ortográfico não serviu para abrasileirarmos a nossa ortografia, tratou-se apenas de um esforço aproximativo... deixem-se de dramas!»

 

CONSTANÇA.jpg

 

Se não ouvesse mais umas coisas que eu gostaria de acrescentar, Constança Cunha e Sá teria dito tudo, e por aqui me ficava.

 

Mas é preciso desmascarar a petulante falácia dos acordistas.

 

Antes de mais, o Português, fala-se e escreve-se em Portugal.

 

Nos restantes sete países ditos lusófonos, em cinco deles (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) apenas uma minoria instruída fala e escreve Português, porque a esmagadora maioria do povo desses países fala os muitos dialectos locais. Num deles, Cabo Verde, a língua oficial já é o Crioulo Cabo-verdiano, tendo o Português passado para língua estrangeira.

 

O Brasil é uma história à parte, que se distancia dos demais países, ditos lusófonos. No Brasil, fala-se e escreve-se dialecto brasileiro, uma vez que, tanto na fala como na escrita, o distanciamento do Português é evidente, de tal modo que já lhe deu o direito de ser dialecto, ou seja, a variedade de uma língua própria de uma região, que se distanciou da sua matriz (o Português - tal como o dialecto português se distanciou da sua matriz latina e transformou-se em Língua Portuguesa). Tanto que, na grafia, como na acentuação e hifenização e entoação das palavras, pouco já resta da língua matriz. Por outro lado, no Brasil, já não se estuda Português e Literatura Portuguesa. Estuda-se tão-somente “Expressão e Comunicação”. E estão no seu pleno direito.

 

Portugal nunca obrigou nenhuma das suas ex-colónias a adoPtar a Língua Portuguesa como língua oficial, depois que se libertaram do país colonizador.

 

Portanto é uma grande mentira dizer «acha justo querer obrigar 250 milhões de pessoas (só no Brasil são 204 milhões) a querer adoPtar a velha grafia portuguesa (a de 1945)


Esses 250 milhões de pessoas não são obrigados a nada. Quando muito poderá dizer-se que os tais 4% dos falantes e escreventes de Língua Portuguesa, referentes a Portugal, são obrigados à actual (e não velha) grafia portuguesa de 1945, porque é essa que está em vigor em Portugal. Os subservientes, esses, usam a grafia brasileira.

 

De resto, o resto é mentira. Os cinco países que adoPtam a Língua Portuguesa não mutilada, adoPtam-na de livre vontade, e não porque sejam obrigados. Ou não são esses países, países livres? E mais um detalhe: adoPtam a Língua Portuguesa desacordizada.

 

Por outro lado, dos 204 milhões de Brasileiros, a esmagadora maioria nem em Português, nem em dialecto: simplesmente não sabem escrever. E o que falam está a milhas do Português.

 

E isso até uma criança percebe: se esta ouve um brasileiro falar, ela diz logo que fala brasileiro. Em parte alguma do mundo se diz que os brasileiros falam Português. A diferença é de tal maneira percePtível que um estrangeiro chama-lhe brazilian language. Nada contra.

 

Portanto, injusto, injustíssimo, é um país livre, como Portugal (a não ser que não seja livre) subjugar-se à ortografia de uma ex-colónia.

 

Dizer que o acordo ortográfico não serviu para abrasileirarmos a nossa ortografia, tratou-se apenas de um esforço aproximativo... é outra monumental mentira.

O AO90 só serviu para abrasileirar a ortografia portuguesa. Só serviu para isso. Isto é um facto indesmentível. E disse bem o tal «a favor do acordo ortográfico» tratou-se (não se trata) tratou-se de um esforço aproximativo, sim, um esforço muito forçado pela ignorância, de aproximar algo inaproximável, é assim como querer aproximar o Sol da Lua.

 

Qual o motivo desta fixação por Portugal, e não pelos restantes países lusófonos, que não são trazidos à baila?

 

Qual o drama? É que se Portugal (porque, já vimos, os restantes países seis estão-se nas tintas para o AO90) continuar a teimar nesta fraude, daqui por 50 anos seremos apenas 2% ou 3% a escrever e a falar mal uma língua que já não será o Português, porque este desaparecerá do mapa, tão certo como eu estar aqui a escrever isto, enquanto os outros sete países falarão e escreverão os seus dialectos que, entretanto, se transformaram nas línguas Angolana, Moçambicana, Brasileira, São-tomense, Cabo-verdiana, Timorense, Guineense.

 

O Brasil já oPtou pelo seu dialecto. Nada contra. Assinaram as convenções de 1911 e 1945 e deitaram-nas ao lixo. Problema dos brasileiros. O falso acordo serviu tão-só para impor ao mundo dito lusófono a ortografia brasileira. Isto é um facto indesmentível. Incontornável

 

E há outro detalhe: a quantidade nunca foi bitola para amarfanhar a qualidade.

 

Mais vale poucos, mas bons falantes e escreventes da Língua Portuguesa, do que milhões a escrevê-la mutiladamente.

 

Além disso, o que aqui está em causa é algo muito mais obscuro do que um "esforço aproximativo", que todos sabemos ser inviável. Jamais haverá unificação ortográfica entre os países lusógrafos. Jamais. E isto é um dado adquirido, e nem sequer nisso há o mínimo interesse. Até porque no Brasil, os brasileiros continuarão a introduzir fatos na conversa, e nós introduziremos factos… a não ser que…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:12

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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