Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

AO CUIDADO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DOS EDUCADORES

 

Esta publicação não tem nada a ver com o AO90, nem com a Língua Portuguesa.


Tem a ver com EDUCAÇÃO, ou seja, com o fabrico dos futuros analfabetos escolarizados. O que vai dar ao mesmo.

 

«A Educação actual produz zombies (…) Quando há amor na forma de ensinar, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo (…) Investir numa didáctica afectiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autónomos e saudáveis» - quem o diz é o psiquiatra chileno Claudio Naranjo (***)

 

Claudio naranjo.jpgClaudio Naranjo

 

A DIDÁCTICA DO AFECTO

 

Este é o resumo de uma entrevista que Claudio Naranjo deu à Revista Época.

 

O psiquiatra Claudio Naranjo dedicou-se à Educação, porque sempre se interessou pelo estado do Mundo.

 

Diz ele: «Se queremos mudar o mundo, temos de investir na Educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela Educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens».

 

O Psiquiatra refere que «actualmente temos um sistema que ensina e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas a ouvir, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como é que essa quantidade de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? A palavra Educação é usada para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver as suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas».

 

Para mudar este sistema de ensino, diz Naranjo, «podemos conceber uma educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na Fundação Claudio Naranjo criou-se um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objectivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afectiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando as suas características pessoais. Comprovou-se por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas.

 

Hoje, de acordo com Claudio Naranjo, «a educação é despótica e repressiva. É como se educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criámos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância desta abordagem».

 

A reacção a esta proposta é interessante.

 

Salienta o Psiquiatra: «A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da Educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na Educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência das suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceite porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos uma didáctica afectuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação recebem-me muito bem. Eles concordam com o meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades

 

E Claudio Naranjo fala da sua experiência, como professor:

 

«Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de Pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo a minha expressão, o coordenador disse-me: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motoristas de táxi, mas decidiram optar pela Educação porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque não tiveram condições de se preparar para serem advogados ou engenheiros ou outra profissão que almejassem”. Isso acontece muito em locais em que a Educação não é realmente valorizada. Quem chega à Escola de Educação são os que têm menos talento e menos competência. Não se pode esperar que tenham a vocação pedagógica, de transmitir valores, cuidar e acolher.»

 

Claudio Naranjo considera que o Sistema de Educação actual desperdiça os talentos dos alunos, e rotula-os com transtornos e distúrbios, e explica: «Humberto Maturana, cientista chileno, contou-me que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo nos seus genes e sabe do que necessita para se construir. Um electrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a Educação. As perturbações da educação são uma resposta sã a uma educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante. Os nossos estudantes não querem que lhe metam coisas na cabeça. O papel do educador é levá-lo a descobrir, reflectir, debater e comprovar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efectivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela».

 

Este modelo de Educação, de acordo com Caludio Naranjo, «surgiu no começo da era industrial, como parte da necessidade de formar uma força de trabalho obediente. Foi uma traição ao ideal do pai do capitalismo, Adam Smith, que escreveu A riqueza das Nações. Ele era professor de filosofia moral e interessava-se muito pelo ser humano. Previu que o sistema criaria uma classe de pessoas dedicadas todos os dias a fazer só um movimento de trabalho, a classe de trabalhadores. Previu que essa repetição produziria a deterioração das suas mentes e advertiu que seria vital dar-lhes uma educação que lhes permitisse desenvolverem-se, como uma forma de evitar a mecanização completa dessas pessoas. A mensagem dele foi ignorada. Desde então, a Educação funciona como um grande sistema de selecção empresarial. É usada para que o estudante passe em exames, consiga boas notas, títulos e bons empregos. É uma distorção do papel essencial que a educação deveria ter.»

 

EDUCAÇÃO.jpg

 

E o que os pais poderiam fazer?

A isto, Claudio Naranjo responde deste modo:

 

«Muitos pais só querem que seus filhos se saiam bem na escola e ganhem dinheiro. Penso que os pais podem começar a reflectir sobre o facto de que a Educação não pode ocupar-se só do intelecto, mas deve formar pessoas mais solidárias, sensíveis ao outro, com o lado materno da natureza menos obscurecido pelo aspecto paterno violento e exigente. A UNESCO define educar como ensinar a criança a ser. As Constituições dos países, em geral, asseguram a liberdade de expressão aos adultos, mas não falam das crianças. São elas que mais necessitam dessa liberdade para se desenvolverem como pessoas sãs, capazes de saber o que sentem e de se expressarem. Se os pais se derem conta disso, teremos uma grande ajuda. Eles têm muito poder de mudança.»

Para terminar, duas reflexões inseridas no livro La revolución que esperábamos (2015), de Claudio Naranja:

 

«Esta crise que estamos a enfrentar não é apenas económica, mas multifacetada e universal, e pode ser um sinal da obsolescência do conjunto de valores, instituições e hábitos interpessoais que chamamos ‘civilização’. Precisamos de uma mudança da consciência e o melhor caminho é a transformação da Educação, por meio de uma nova formação de educadores – orientada não só para a transmissão de informações, mas para o desenvolvimento de competências existenciais».

 

«A verdadeira crise é uma crise de relações humanas, a crise de um mal antigo das relações humanas, uma incapacidade de afectos, de verdadeiras relações amorosas, um mal antigo que agora se tornou crise porque se tornou insustentável. É, pois uma crise de amor e o que fracassa é um modelo de sociedade, o modelo patriarcal.»

 

Fonte: *Revista Época

https://www.revistaprosaversoearte.com/a-educacao-e-a-unica-forma-de-mudar-o-mundo-diz-psiquiatra-chileno-claudio-naranjo/

 

(***) Claudio Naranjo nasceu a 24 de Novembro de 1932, em Valparaíso, Chile. Formou-se em Medicina na Universidade do Chile, tendo depois feito a especialização em Psiquiatria na Universidade de Harvard. Foi investigador e professor na Universidade de Berkeley, e desenvolveu teorias importantes sobre tipos de personalidade e comportamentos sociais. Trabalhou ao lado de conhecidos investigadores, como os americanos David McClelland e Frank Barron. Tem 19 obras publicadas.  

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:07

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Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

«A VOLTA DO Y, DO K E DO W»

 

O Ruy (com Y, que considero perfeito (porque não?) e elegante) esqueceu-se de mencionar um detalhe: em 1943, o Brasil adoptou um novo formulário ortográfico que, além de banir o y, o k, o w, os ph e th e as consoantes dobradas, baniu também (e a meu ver mal) as consoantes mudas que tinham uma função diacrítica, retirando a esses vocábulos a sua raiz, o seu significado e mudou-lhes a pronúncia.

 

Substituir o y por i, o k por q, o w por v, o ph por f, o th por t e as consoantes dobradas, ll e nn, por l e n, não retirou aos vocábulos a raiz e o significado deles, nem lhes mudou a pronúncia. Foi pura evolução.

 

RUY CASTRO.pngRuy Castro

 

 

Um saboroso texto de Ruy Castro (*)

 

02 Setembro 2018

 

«Durante quase três anos, no começo dos anos 1970, vivi numa espécie de semi-ilegalidade em Lisboa. Tinha morada e emprego fixos e trazia todos os documentos em ordem e os impostos em dia. Mas carregava um nome que, apesar de ser composto de apenas três letras, continha uma que estava fora da lei: o y. Naquela época, num país de quase dez milhões de habitantes como Portugal e com milhares de cidadãos chamados Rui, eu devia ser um dos poucos Ruy - ou único, já que não conheci outro. Não seria isto a me obrigar a andar de cabeça baixa pelas ruas do Bairro Alto, mas eu sempre percebia uma sensação de estranhamento ao passar a alguém um papel ou cheque assinado com aquele arcaico e defunto y, de que Portugal já se livrara havia décadas.

 

Sim, Portugal decretara o fim do y (e do k, do w, do ph, do th, dos mm, dos mn e dos nn) na sua grande reforma ortográfica de 1911 - que o Brasil, teimoso e desobediente, não seguira. Com isso, naqueles primórdios do século, o milenar Portugal já modernizara a sua língua enquanto o Brasil, que se julgava avançado e do Novo Mundo, continuara a escrever coisas como phonographo, Nictheroy e hypertrophia. Para piorar, condenara seus Ruys a um lado do Atlântico enquanto os Ruis ficavam do outro.

 

Bem, sendo brasileiro no Brasil ou fora dele, eu me sentia autorizado a levar o meu y para onde quer que fosse - afinal, estava escorado pelas leis de meu país. Mas, na verdade, não estava. Em 1943, o Brasil adotara um novo formulário ortográfico que finalmente incorporara muitas das determinações portuguesas de 1911, entre as quais o banimento do y, do k, do w, dos ph e th e das consoantes dobradas. Donde, de um instante para outro, haviam surgido no Brasil palavras como fonógrafo, Niterói e hipertrofia. E os Ruys, passado a nascer Ruis.

 

Pelo menos, era isso o que dizia a lei. Mas, como todos no Brasil sabemos, as leis são como vacina - umas pegam, outras não. Eu, por exemplo, que nasci em 1948, já sob a vigência do dito formulário ortográfico, ainda fui registado como Ruy. Como foi possível? Duas hipóteses: na ida ao cartório, meu pai - um legítimo Ruy de 1910 -, ao passar seu nome para mim, pode ter exigido que seu y fosse respeitado. Ou foi o próprio tabelião, talvez já idoso e cansado, que, habituado a registar Ruys, cravou-me displicentemente o y. E, sendo o Brasil como é, atravessei toda uma atribulada vida escolar, troquei várias vezes de documentos, comecei a assinar artigos em jornais ainda na adolescência e nunca fui solicitado a me tornar Rui.

 

E assim fomos levando, mas confesso que achava injusto viver com o meu nome na ilegalidade. Se o Brasil era um país cheio de gente legalmente registada como Kléber, Karen, Kátia, Wilson, Wallace e Washington, como o y, o k e o w podiam ser considerados ilegais?

 

Pois esse problema foi resolvido pela reforma ortográfica de 2009, que visou "unificar" a língua. Tanto quanto os portugueses, eu a detestei. E tanto que não a adotei - continuo até hoje a escrever como escrevia, e os revisores dos jornais e editoras para os quais trabalho que façam as correções, se quiserem. Nunca me conformei com o fim dos hífenes, dos tremas, de certos acentos agudos e com a aparição súbita na língua de palavras como autorretrato, antissocial, coirmão e coerdeiro (**).

 

Mas, numa coisa, tenho de ser grato à nefanda reforma. Ela trouxe de volta o y, o k e o w. Não sei o que motivou essa exumação, mas aí estão de novo, pimponas e lampeiras, as três letras que levaram quase um século excomungadas. Não acredito que, por causa disso, em Portugal, os novos Ruis nascerão Ruys. No Brasil, onde se encaixam yy em qualquer nome - o país abunda de Dayanes, Thyagos, Rycharlysons e outras cafonices -, tenho a certeza de que sim.

 

A volta do y poderá significar até um renascimento do nome Ruy entre os brasileiros. Porque, enquanto Portugal nunca deixou de produzir uma legião de Ruis, o nome Ruy no Brasil parecia estar se tornando um daqueles que em breve só seriam encontrados em cemitérios.»

Ruy Castro

 

(*) Escritor e jornalista brasileiro, é autor de, entre outros livros, Carnaval no Fogo - Crônica de Uma Cidade Excitante demais, sobre o Rio (Tinta-da-China).

 

Fonte:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-set-2018/interior/a-volta-do-y-do-k-e-do-w-9785503.html

 

(**) A hifenização originada pelo AO90 é absurda e não segue uma lógica, e realmente gerou monstros ortográficos, como os que o Ruy destacou, e mais estas palavras horrorosas e espessas, deselegantes, difíceis de pronunciar e de destrinçar:

 

antirreligioso; contrarreforma; contrarregra; microrradiografia; radiorrelógio; autorradiografia; arquirrival; antirracional; contrarrazão; antirracial; alvirrubro; antirrevolucionário; anterrosto; suprarrenal; autosserviço; minissaia; autossuficiente; antissemita; antisséptico; extrassensorial; pseudossufixo; pseudossigla; multisserviço; contrassenso; colorretal; autossugestionável; entressafra; ultrassonografia; infraestrutura; extraescolar; autoinstrução; intrauterino; neoimpressionista; intraocular; megaestrela; multivitaminado; cardiopulmonar;

 

Esta é uma grafia bizzzzarrrra...

 E a acentuação acordizada, idem. É outra parvoíce que tal...

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:53

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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2018

ASSIM SE ESCREVE EM BOM MIXORDÊS EM PORTUGAL…

 

… graças à incompetência e à irresponsabilidade de governantes ignorantes em matéria de Linguagem. Quem não sabe dançar, não se meta a bailarino.

 

Com o advento do mal denominado Acordo ortográfico de 1990 gerou-se um caos ortográfico tal, que já poucos são os que sabem ler, escrever e interpretar textos correCtamente, em Portugal, algo único no mundo, uma vez que nos restantes 192 países (eles são 193) apenas os analfabetos descolarizados (porque os há escolarizados) não sabem ler nem escrever.

 

E como diz Francisco Miguel Viegas no Aventar:

 

«Não há ortografia

"Graças a esta notícia e a excertos de um comunicado da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, confirma-se que, com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, não há ortografia.

Há «casas afetadas» e «casas afectadas». Há «subdirector da directoria» e há «inspetores». Há «se apuram serenamente os fatos e se repõe a verdade objectiva». De facto, há de tudo, excepto ortografia."

 

MIXORDÊS.png

 

Este é o resultado da ignorância que se derrama desde São Bento para o resto do país...

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:35

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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018

Continuando a demonstrar a cegueira mental dos acordistas…

 

… algumas considerações ao acaso…

Basta de tentar esconder a verdade, porque a verdade é tão óBvia, que até um cego de nascença a vê à distância, num nevoeiro cerrado…

Apenas os cegos mentais não a vêem.

 

António Costa, o presidente da República, os tribunais (que não emitem sentenças em prazos razoáveis, como manda a Lei) e o pseudo-grupo de avaliação do impacto do AO90 estão a apostar na passagem do tempo e na irreversibilidade do processo que levou à substituição da grafia portuguesa pela grafia brasileira (e isto é um facto comprovado).

 

Mas… existe um mas, porque só a morte é irreversível, e assim como se andou há-de desandar-se, porque valores mais altos se levantarão e não permitirão que se vá de cavalo para burro, apenas porque uns poucos ignorantes assim o querem, e uns espertalhões encham os bolsos.

 

ESCOLAS PUBICAS.png

Sabemos que a SIC está tomada pela brasilidade. É uma das estações televisivas que mais maltrata a Língua Portuguesa, depois da RTP. Estas escolas púbicas parecem vir de quem tem pôbremas de linguagem… (Onde é que eu já ouvi isto?)

 

Os erros de Português são às carradas nos órgãos de comunicação social. Uma autêntica vergonha que só diz da ignorância dos envolvidos. Quem não sabe escrever e decifrar o que se escreve, vá tratar de outra vida, porque cada um é para o que nasce.

 

Já vi escrito, por exemplo, “suntuoso” e invita” em Portugal, e isto não significa nada. Não são palavras que façam parte do léxico da Língua Portuguesa. Escrever isto, é o mesmo que escrever “pessicolo". Palavras sem história, sem raiz, sem sentido algum.

 

Temos de respeitar a grafia brasileira? Temos. Sim, temos de respeitá-la, mas não lhe chamemos Português, porque isto a ser alguma coisa, será um dialecto (= VARIANTE) que os brasileiros criaram, a partir da Língua Portuguesa -  Leite de Vasconcelos dixit.

 

Temos de adoptar a Variante Brasileira da Língua Portuguesa, na sua forma grafada, em Portugal? Não temos. Não, porque Portugal tem uma Língua, e passar de uma Língua para um dialecto seria ir de cavalo para burro.

 

Qual será o critério utilizado no Brasil, para mutilar umas palavras e outras, não? Dizem recePção, mas "suntuoso"... Pois... Em italiano isto diz-se "sontuoso", e recePção, diz-se "reception". A italianização é uma possível resposta.

 

***

Se até os Brasileiros cultos o dizem! Aplicar o AO90 em Portugal é aplicar a ortografia brasileira quase na íntegra,  naquilo que diz respeito às consoantes mudas, à excePção de excePção e recePção (e palavras delas derivadas) espeCtadores, e outros vocábulos em que eles lêem as consoantes e nós não. É claro que os brasileiros continuarão a grafar excePção, recePção, espeCtadores, Antônio, e os seguidistas acordistas portugueses grafarão receção, espetador, António. E isto, dizem os acordistas, é para UNIFICAR as duas grafias, o que leva a outra ignorância: desconhecem o significado de UNIFICAR.

 

Veja-se, por exemplo, o absurdo que se encontra na Infopédia da acordizada Porto Editora:

Aspeto (isto lê-se âspêtu)

as.pe.to

ɐʃˈpɛtu

nome masculino

  1. feição que um objeto (isto lê-se óbjêtu) ou uma pessoa apresenta à vista; aparência
  2. semblante; fisionomia
  3. lado; face; ângulo
  4. ponto de vista

Do Latim aspectu

 

E agora vem o mais inacreditável:

Também se pode escrever aspecto.

Não, aquele TAMBÉM SE PODE foi completamente ao lado.

O que SE DEVE é escrever aspeCto.

O "TAMBÉM SE PODE" é apenas para os acordistas que, IGNORANTEMENTE, escrevem aspeto (âspêtu), que não tem significado algum. 

 

***

E só diz o contrário quem desconhece a grafia brasileira e o que está na génese deste falso acordo, acordado entre Bechara e Malaca, ou de quem quer atirar areia para os olhos dos Portugueses. Para este acordo não foram tidos nem achados linguistas angolanos, moçambicanos, timorenses, são-tomenses, cabo-verdianos, guineenses, como seria desejável. Os países lusófonos são oito. E só dois, com o Brasil na dianteira, estiveram a engendrar isto.

 

Os "pais" deste imbróglio, iniciado pelo editor brasileiro, Antônio Houaiss, foram o Evanildo Bechara (Brasil) e Malaca Casteleiro (Portugal), que se algum dia foram linguistas, deixaram de o ser, no dia em que decidiram tramar a Língua Portuguesa.

 

Basta de pretenderem atirar areia para os olhos das pessoas.

 

Com o AO90, no Brasil, apenas se modificou alguns acentos e hífenes. De resto, os Brasileiros escreverão como sempre escreveram. E os Portugueses? Os Portugueses SERVILISTAS, e apenas estes e as desventuradas crianças escreverão “à brasileira” para fazer o jeito a alguém, até ver...

 

E disto não há a menor dúvida.

 

O que se passa, diz e muito bem Luís Bigotte de Almeida:

 

«O que se passa é a falta de investimento no ensino da Língua Portuguesa e o facilitismo na progressão no ensino secundário para evitar as, agora chamadas, "retenções" (Ah! Ah! Ah!). O AO90 é absolutamente irresponsável, mas apoia-se na iliteracia que é evidente no país e cuja "incubadora" (para usar outro meme na moda) tem sido a ignorância que é maioritária.»

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:09

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Domingo, 9 de Setembro de 2018

Na "Caixa de Pandora» de Pedro Santana Lopes encontrei um texto em Bom Português com um "senão"

 

 

Todos sabemos que Pedro Santana Lopes é um dos predadores da Língua Portuguesa, e que ficará para a História como tal, pois este foi o seu feito mais imperfeito e mais desastroso para Portugal.

Santana Lopes costuma escrever umas crónicas para o jornal Económico, onde aplica o mixordês, gerado pela sua ousadia de tramar o Português.

(O texto é um pouco longo, mas vale a pena ler até ao fim, para se poder compreender o imbróglio chamado AO90.

 

SANTANA LOPES.jpg

Origem da foto: https://ionline.sapo.pt/583565

 

Desta vez, num texto publicado no passado dia 5 de Setembro, sob o título “Caixa de Pandora” Santana Lopes escreveu em Bom Português, com todos os pês e cês no devido lugar. Porém, no final do artigo, espantosamente, lê-se «artigo em conformidade com o novo acordo ortográfico».

 

Depois de ter contribuído para o caos ortográfico, para o mixordês que por aí se vê, o senhor regressou ao colo materno, ou escreveu o texto grafado à portuguesa, por engano?

 

Muito bem, Dr. Santana Lopes. Até gostei de ler o texto em Bom Português. Passei por cima do conteúdo, porque a minha preocupação, neste momento, é a Língua Portuguesa grafada à brasileira, simplesmente porque o senhor assinou umas papeladas que condenou à morte a minha Língua Materna.

 

E os seus motivos foram inacreditáveis. A história conta-se num artigo publicado em Junho de 2016, no jornal acordizado SOL.

 

Estávamos no tempo em que Marcelo Rebelo de Sousa tinha acabado de visitar Moçambique, onde admitiu reabrir a questão do Acordo Ortográfico. «Foi o pior momento dele desde que assumiu funções», considerou Santana Lopes. Porquê? Porque MRS disse algo que devia ter feito e não fez? Porque quando ele chegou a Portugal o mandaram calar, e ele calou-se? Só assim se justifica o pior momento de Marcelo Rebelo de Sousa, um pior momento que perdura até aos dias de hoje.

 

Ainda hoje ouvi MRS dizer na SIC que os Portugueses têm o direito de saber o que se passou no incêndio de Pedrógão, com todos aqueles mortos.

 

Os Portugueses têm o direito de saber isso, e não têm o direito de saber o que está a passar-se com a ilegalidade da aplicação do AO90? Pois os Portugueses TAMBÉM têm o direito de saber (e isso já lhe foi perguntado centenas de vezes) o porquê de ele não estar a cumprir a Constituição da República Portuguesa e não manda eliminar o AO90, como é da sua competência, uma vez que o AO90 está a ser aplicado ILEGALMENTE em Portugal. E ele remete-se a um estrondoso silêncio. O que tem ele a esconder?

 

Ora, Santana Lopes conta ao Sol que estava no emblemático Empire State Building, em Nova Iorque, quando viu algo que não lhe agradou: «Lá em baixo havia uma placa a dizer: ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro com a bandeira do Brasil. Confesso que fiquei transtornado». Disse Santana. E agora vem o mais inconcebível: e foi precisamente para evitar que a Língua Portuguesa fosse ‘engolida’ pelo português do Brasil que, ele, Pedro Santana Lopes, se empenhou pela assinatura do Acordo Ortográfico de 1990.

 

Falhou-me aqui alguma coisa?

Para evitar que a Língua Portuguesa fosse “engolida” pelo Dialecto Brasileiro (é assim que devemos identificar o que se escreve e fala no Brasil, porque é errado dizer português do Brasil, isso não existe, podem consultar o especialista em dialectologia portuguesa, Leite de Vasconcelos) Santana Lopes foi pôr a Língua Portuguesa precisamente na boca do lobo, isto é, grafada à brasileira, para ser engolida mais facilmente? Isto faz algum sentido?

 

Agora sabe o que temos? Temos a grafia brasileira, em Portugal, com a bandeirinha portuguesa, o que é ainda mais de transtornar, porque o tal vídeo estava disponível em brasileiro, e a bandeira era a brasileira, a condizer. Em Portugal grafa-se à brasileira, com a bandeirinha a não condizer, a portuguesa.

 

 

BANDEIRINHA.png

(Veja-se nesta imagem, que captei no Dino Parque da Lourinhã, as informações com as respectivas bandeirinhas. Em Castelhano, Inglês e Francês o enunciado está a condizer com a bandeira, excePto o Português, porque em Português escrevemos e dizemos inseCtos (insétus), não insetos (insêtus) à brasileira, se bem que os brasileiros abram as consoantes em todas as circunstâncias. Nas línguas europeias escreve-se inseCto (Português e Castelhano), inseCt (Inglês) e inseCte / inseCtivore (Francês). Daí que a bandeirinha neste quadro está incorrecta, no que a Portugal diz  respeito. Devia lá estar a bandeira brasileira. E assim se enganam os portugueses e os estrangeiros, que não reconhecem aqueles INSETOS (insÊTos) como sendo portugueses.

 

No mesmo artigo, Santana Lopes ainda tem o desplante de dizer que «ver o Acordo Ortográfico como uma cedência ao Brasil é um disparate». Chamar a esta mais pura verdade um disparate, é que é um monumental disparate.

 

Que visão mais distorcida o senhor tem da realidade, que salta à vista até do mais analfabeto dos analfabetos!

 

E uma vez que comecei a contar esta história, vou contar o resto.

 

Santana Lopes disse ao SOL que “perdeu muitas horas de sono a pensar se devíamos fazer o Acordo», mas a partir do momento em que ficou convencido trabalhou afincadamente para conseguir que outros países de Língua Portuguesa o aceitassem. Ainda bem que esse afincadamente não foi eficaz, nem podia ser, porque substituir uma Língua íntegra, por uma Variante, na forma grafada, é uma atitude absolutamente retrógrada, que nenhum país livre, que se preze de o ser, se sujeita a tomar. E os que a tomaram desistiram dela, logo que viram o erro.

 

Vamos recordar os meandros desta falta de visão de Estado, que faz com que Portugal ande a rastejar, como um lagarto, no chão que o Brasil pisa.

 

***

Em conversa com o SOL, o antigo secretário de Estado da Cultura, que foi incumbido por Cavaco Silva de conduzir politicamente o processo, recorda os bastidores da assinatura do polémico Acordo e a resistência, «muitas vezes misturada com desprezo», que encontrou no Brasil.

 

SOL - De quem partiu a ideia de fazer este Acordo?

 

Santana Lopes (SL) - Já tive ocasião de dizer isso publicamente. Quando o professor Cavaco Silva me convidou [para secretário de Estado da Cultura], esta foi uma das três tarefas principais de que me encarregou. E com base nessa ideia: «Ou conseguimos mobilizar os nossos parceiros para esta causa ou, lá para meio do século XXI, o português vai ser o latim do século XX’.

 

Isto é de uma ignorância infinita. É de quem não vê um palmo adiante do nariz. Lá para o meio do século XXI, pelo andar da carruagem, a Língua Portuguesa terá desaparecido do mapa (a não ser que os africanos a segurem) e ter-se-á imposto a Variante Brasileira, com o nome de Língua Brasileira. E só não vê isto quem é muito cego mental, ou está a lucrar mundos e fundos, porque as evidências são claríssimas. (IAF)

 

SOL - O que fazia prever isso?

 

SL - Muita gente acha que o Prof. Cavaco só tem defeitos, mas tenho de dizer que é um estadista, um homem com visão – e até estou à vontade para falar das qualidades dele, porque, como é sabido, hoje não temos uma relação propriamente próxima. Na altura, ele disse-me: ‘Você vai aos leitorados das universidades em vários países do mundo e tem brasileiros, não tem portugueses. Vai a organizações internacionais e os tradutores são brasileiros, não são portugueses. O Brasil tem 200 milhões de pessoas, portanto cada vez mais o português usado vai ser o português do Brasil. Acho que é uma obrigação patriótica, nacional, lutarmos por um acordo sobre a língua’.

Mas há quem ache que é desnecessário haver um acordo. O Reino Unido, por exemplo, não tem um acordo com os Estados Unidos.

Pois não. Não precisam! Eles têm uma dimensão tal que querem lá saber se os EUA falam com sotaque americano ou escrevem não sei como… Mas Portugal não tem esse estatuto nem esse peso. Por isso é que existe uma necessidade acrescida de um acordo.

 

Como é possível dizer uma coisa destas?

O que interessa a Portugal que os brasileiros sejam milhões a falar e a escrever e a expandir a Variante Brasileira do Português? Temos alguma coisa com isso? Precisamos de ir a reboque de uma ex-colónia para que sejamos vistos e ouvidos e lidos no mundo? Precisamos desta subserviência? Por alma de quem? Que raio de obrigação patriótica é esta? Trocar uma Língua pela Variante de uma ex-colónia, na sua forma grafada, apenas para que nas universidades do mundo, os brasileiros continuem a ser brasileiros e nós nada?

Acham que substituir a grafia portuguesa pela grafia brasileira vai catapultar-nos como um povo livre no mundo? E ficamos a ser muitos e importantes, porque trocámos a nossa Língua pela Variante da ex-colónia, que se tornará na Língua Brasileira mais dia, menos dia?

Isto é surreal!  (IAF)

 

SOL - Como foi o processo de negociação dos termos do Acordo? Obrigou-o a viajar pelos países da CPLP?

 

SL - Não. No caso dos parceiros africanos, eles vinham cá. Ao Brasil fui duas vezes, uma vez com o Prof. Cavaco Silva, e outra quando o Dr. Antônio Houaiss era ministro da Cultura. O mais difícil foi a ida ao Senado Brasileiro e à Academia Brasileira.

 

SOL - Porquê? Mandavam-lhe bocas?

 

SL - Não, não! Por causa dos artigos nos jornais.

 

SOL - Eram violentos?

 

SL - Alguns muito violentos. Havia uns intelectuais, sobretudo escritores, que escreviam palavras de desconsideração para com Portugal e para com o Acordo. Não foi um ambiente hostil, mas foi uma missão difícil. Na altura era presidente da Academia Brasileira um senhor que se chamava Austregésilo de Athayde, que tinha quase cem anos, uma figura venerada. Nunca se sabia se estava acordado ou a dormir. Enquanto eu discursava, ia olhando para ele, até que percebi que ele estava sempre a ouvir tudo. No final bateram-me umas palmas tímidas. Foram educados, mas foi um processo difícil.

 

Pudera! Os Brasileiros cultos e lúcidos são os próprios a considerar um absurdo os Portugueses sujeitarem-se a uma coisa destas: substituir uma Língua pela Variante deles deles. Só um povo parvo e submisso o faz. (IAF)

 

SOL - Os portugueses acham que estão a abrir mão da sua forma de escrever, mas os brasileiros também tinham muitas reservas, é isso?

 

SL - Muitos portugueses não fazem ideia – e eu também não fazia, só passei a fazer quando me envolvi nesse processo – da aversão que existe em muitos setores da sociedade brasileira.

 

SOL - Houve resistência?

 

SL - Houve, nomeadamente numa certa elite intelectual brasileira, e muitas vezes misturada com um desprezo pelas pretensões de Portugal. Portanto esta ideia bacoca de que isto é uma cedência ao Brasil é um disparate sem pés nem cabeça.

 

Esquece-se Santana Lopes que não se está a ceder a certa elite intelectual brasileira, está a ceder-se aos políticos marxistas brasileiros que querem acabar com o passado e colonizar Portugal através da Língua, das novelas, da música… etc.. Não nos esqueçamos de que o AO90 teve origem com Antônio Houaiss , e mais tarde foi engendrado por Evanildo Bechara (brasileiro) e Malaca Casteleiro (português). E só Portugal se interessou por ele, COM MEDO de ficar pequenino diante do gigante, como se isso importasse para alguma coisa! Somos territorialmente pequenos, mas se quisermos, podemos ser um povo GRANDE, se conseguirmos livrar-nos destes políticos pequenos, mesquinhos, subservientes, sem visão alguma.  (IAF)

 

SOL - E como venceu essa resistência? O Acordo destinava-se a ‘salvar’ o português de Portugal, mas não podia usar esse argumento no Brasil…

 

(Como se pode salvar uma Língua, substituindo-a por uma variante de si mesma, numa atitude absurdamente retrógrada?) (IAF)

 

SL - Estávamos numa época em que, fruto também da nossa adesão recente à CEE, havia um grande fascínio pelo processo que Portugal estava a seguir e uma grande vontade do Brasil de aproximação política a Portugal. Eles queriam que Portugal fosse a porta de entrada na União Europeia, e eu falei-lhes na importância da língua como instrumento de aproximação entre os povos. ‘A língua utilizada na EU não é o português do Brasil, é o português de Portugal, e se vocês querem ter esse relacionamento mais profundo precisamos de uniformizar a língua’.

 

Mas que argumento mais absurdo! Mais estapafúrdio! Eles (brasileiros) queriam que Portugal fosse a porta de entrada na União Europeia, então o que faz Portugal? SERVILMENTE, ajuda o Brasil nessa pretensão, “uniformizando” o que é impossível de uniformizar, sobrepondo o Brasileiro ao Português. Isto só mesmo de quem não sabe o que está a fazer. (IAF)

 

SOL - Como correu a cerimónia da assinatura na Ajuda?

 

SL - Estive até 10 minutos antes de começar a cerimónia sem saber se o ministro brasileiro vinha ou não…

 

SOL - Mas não tinha a garantia de que o Brasil ia assinar?

 

SL - Tínhamos a palavra, mas havia uma desculpa dada ‘por compromissos de última hora’. Fizeram quase suspense até à última da hora, houve sempre incerteza. De repente recebi a informação de que o ministro da Educação brasileiro já estava a chegar ao aeroporto. Todos os países tinham a noção de que esta questão era politicamente muito relevante. Eu perdi muitas horas de sono a pensar se devia assinar o Acordo. Se não estivesse convencido, ia ter com o primeiro-ministro e apresentava-lhe a demissão. Mas a partir do momento em que me convenci, o mais importante para mim não era se ‘facto’ devia ter C ou não ter – isso não era comigo, era com as academias. O que eu tinha era de garantir que os países assinassem o acordo. E terem assinado foi uma proeza – não digo minha, mas de todos. É bom lembrar que estávamos em outubro de 90 – só 16 anos depois da revolução de 25 de Abril. Foi um achievement, um feito extraordinário.

 

Tão “extraordinário”, que apenas Portugal se apressou a aplicar o monstro, numa pressa completamente insana. Irracional. Irresponsável. (IAF)

 

SOL - Ainda assim gerou muita polémica na altura.

 

SL - É verdade, mas hoje as pessoas fazem pouco trabalho de memória. Se forem aos jornais da época verão que também havia um movimento grande pró acordo, da esquerda à direita. Às vezes, as pessoas têm a mania de dizer: ‘Foi o Santana Lopes’ ou ‘foi o Cavaco Silva’. Não. Foi também Mário Soares, Jorge Sampaio, António Guterres, até Edite Estrela, que era a especialista da língua do Partido Socialista. Foram pessoas de todos os setores e mais alguns. O dr. Mário Soares era um entusiasta absoluto do Acordo! E a grande maioria das pessoas com visão política também são defensoras. Pense no seguinte: por que houve uma série de dirigentes políticos de todos os quadrantes que se empenharam nisso? É porque tinham alguma dependência do Brasil? Teriam algum primo brasileiro? É porque escrever com acento dá muito trabalho? Não. É porque consideramos que é bom para Portugal. E continuo genuinamente convencido disso.

 

Não dr. Santana Lopes. O acordo não é bom para Portugal. Não é bom para nenhum outro país dito lusófono. Tanto não é que ninguém o aplica, a não ser os ignorantes, os mal informados, os servilistas, os comodistas e acomodados, e os medricas portugueses, e Cabo Verde já se retirou da lusofonia. Porque o acordo é uma fraude, é ilegal, é inconstitucional. Só serve os interesses dos políticos marxistas brasileiros e dos políticos comcomplexo de inferioridade portugueses, sem visão alguma de futuro. Completamente cegos mentais. E nenhum nome dos que aqui referiu tem credibilidade. Nenhum deles é especialista em Ciências da Linguagem, incluindo Edite Estrela, que se bandeou para o lado errado. Ficarão todos na História pelos piores motivos.  (IAF)

 

SOL - Vê-se muitas pessoas a atacar o Acordo, mas poucas a defendê-lo. Por que será isso?

 

SL - Há coisas em que se você falar contra, já sabe que tem aplausos. E é preciso estoicismo para dizer o contrário. No Acordo é limpinho: é muito mais fácil dizer que se é contra. E também parece que algumas pessoas têm de encontrar válvulas de escape para a insatisfação em que vivem. É um pouco como chamar nomes ao árbitro. Acho que às vezes as pessoas precisam de conhecer mais mundo. Vou dar-lhe um exemplo: ainda na semana passada estava no Empire State Building e lá em baixo dizia ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro…’. Com a bandeira do Brasil. É isto que nós queremos? Pode haver pessoas que não se importam com isso, mas eu importo-me.

 

Tanto se importa que substituiu a grafia portuguesa pela grafia brasileira, para que a Língua Portuguesa sobreviva. Isto só mesmo de alguém que não sabe o que diz. Não faz a mínima ideia da enormidade do que diz. Não sabe o que faz.

Poucos são os que defendem o AO90, porque o AO90 não tem ponta por onde se lhe pegue, e os acordistas NÃO TÊM UM SÓ argumento racional e válido que justifique este absurdo. NEM UM SÓ.  (IAF)

 

SOL - Mas não compreende os argumentos dos opositores?

 

SL - Se eu compreendo os argumentos? Compreendo. Mas acho graça às pessoas que se empertigam com essas matérias. Costumo dizer que há umas décadas o meu nome também se escrevia com apóstrofo e dois NN: Sant’Anna. O meu avô escrevia assim, a minha mãe escrevia assim – eu não escrevo. Não me faz diferença nenhuma. E tenho alguma dificuldade em compreender como é que as pessoas rejeitam tanto o acordo de 90. É porque gostam muito do anterior? Acho que este argumento tem alguma lógica. Escrever farmácia com F em vez de Ph não foi uma cedência à fonética? Respeito os argumentos dos opositores – mas às vezes dá-me vontade de sorrir quando vejo pessoas com uns calores enormes por causa de um C ou de um acento.

 

Outro, que vem com o argumento da ignorância: o PH, que passou a ser o símbolo da ignorância acordista. Não fazem a mínima ideia por que se passou de PH para F. Se soubessem a patacoada que dizem quando vêm com esta do PH cobriam a cara de lama.

E quem diz «às vezes dá-me vontade de sorrir quando vejo pessoas com uns calores enormes por causa de um C ou de um acento», é um completo ignorante das Ciências da Linguagem. Eu sou uma grande ignorante no que respeita a Física Quântica. Por isso, não me atrevo a meter o bedelho nessa matéria. E os políticos portugueses deviam fazer o mesmo, no que respeita à Língua Portuguesa, porque são um zero à esquerda. Deviam eliminar este acordo ilegal e reduzirem-se, depois, à vossa insignificância, nesta matéria. (IAF)

 

SOL - Acha que essa questão das consoantes mudas não é relevante?

 

SL - Acho que isso não é o principal para Portugal. Se as pessoas amam a língua, têm de pensar nisto: como se preserva mais o português? A língua é tanto mais viva quanto for falada por mais pessoas. Acho que isto é óbvio. As línguas mortas podem ser muito bonitas. Estudei latim e adoro saber latim. Não falo muito bem, mas tenho noções, estudei no liceu e depois tive explicações. Mas serve-me de quê? Permite conhecer melhor as línguas latinas, mas não tem uso no dia-a-dia.

 

Está muito, muito enganado. Não se preserva o Português, substituindo-o por uma Variante, na sua forma grafada, porque ele tenderá a desaparecer. E o que interessa a Portugal que milhões escrevam à brasileira? Em que é que isto preserva o Português? (IAF)

 

SOL - Deixe-me insistir neste ponto. Há tempos o El País publicou uma notícia sobre o acordo que tinha este título ‘Egípcios de Egito’. E dizia o seguinte: «O acordo ortográfico muda o nome do país das pirâmides, que passa a chamar-se Egito [sem P], mas não o dos seus nativos, que continuarão a ser ‘egípcios’ [com P]». Já me disse que não quer entrar em questões técnicas, mas reconhece que há incongruências no Acordo?

 

SL - Ninguém deve ter falta de humildade nesta matéria. Se eu fosse da Academia das Ciências e chegasse à conclusão de que houve soluções mal encontradas, até poderia tomar a iniciativa de corrigir um ou outro ponto. Agora, não se pode atirar fora o bebé com a água do banho – lá por haver três ou quatro soluções erradas não podemos dizer ‘olha, que se dane o acordo’. Aliás deixe-me dizer que Acordo Ortográfico é um nome que está gasto, isto é um acordo internacional sobre a utilização da língua portuguesa.

 

Um acordo internacional de OITO implica que os OITO estejam em sintonia. Porém, apenas Portugal insiste neste erro. E se errar é humano, insistir no erro é insano. E o AO90 NÃO TEM três ou quatro soluções erradas. O AO90 TODO ELE É UM ERRO. Não tem nada que o salve. (IAF)

 

SOL - Acha que as pessoas reagem porquê? Por conservadorismo?

 

SL - Respeito sinceramente quem acha que não se devia mudar por razões culturais. Mas também vejo outros dizerem: ‘Não quero saber disso para nada. Quero é escrever pela norma antiga’. Fica muito bem, é um cravo na lapela, mas é muito prejudicial para Portugal. Alguns países africanos têm idiomas que usam mais do que o português. E ainda assim fazem esse esforço de aderir ao Acordo. Parece-me de uma arrogância cultural sem limites dizermos que não damos importância a essa aproximação. Para Portugal, como pequeno país, a língua devia ser um instrumento poderosíssimo, no entanto por vezes temos aquela sobranceria dos velhos senhores, das plantações agrícolas, que não queriam saber do pessoal menor. É essa atitude que vejo muitas vezes nas pessoas: ‘Nós falamos o português puro’ – como outros fumavam os cigarros puros… – ‘e não queremos saber de quem não pode falar como nós’.

 

Falácias, falácias, e mais falácias. Só dá chutos para fora da baliza. Os países africanos NÃO ADERIRAM ao acordo. Nenhum deles segue o acordo. Nem sequer o Brasil. Apenas os portuguesinhos subservientezinhos o fazem. (IAF)

 

SOL - Há quem se queixe: ‘A mim ninguém me perguntou nada’. Este é o tipo de assunto que poderia ter merecido um referendo ou algum tipo de consulta pública?

 

SL - Não me chocava. Só não gosto é de ver defenderem um referendo para o Acordo aqueles que se opõem ao referendo para outras matérias. Gosto do referendo tanto nas matérias em que sou a favor como naquelas em que sou contra, não condiciono o referendo às minhas posições. E também não me chocava se, depois de uma campanha esclarecedora, a comunidade nacional rejeitasse por referendo o Acordo.

 

A comunidade nacional já rejeita o acordo sem referendo. Referendar o acordo, num país com um índice de analfabetismo alto e com uma iliteracia elevada, cheio de analfabetos escolarizados seria atirar pérolas ao lixo. (IAF)

 

SOL - E faz sentido, na sua opinião, o Presidente ter aberto a porta à discussão do Acordo nesta altura do campeonato?

 

SL - De todo. O Presidente entrou muito bem, fez quase tudo muito bem, mas pronto… os humanos nunca fazem tudo bem. Acho que esse foi o pior momento dele desde que assumiu funções como Presidente. O Chefe de Estado do país berço de um acordo internacional nunca pode fazer uma declaração conjuntural sobre um tema tão relevante. Foi um momento infeliz do Presidente, que tem estado feliz no resto das situações.

 

O presidente da República está a sair-se mal em tudo, mas sobretudo nesta matéria. Porque ele, como institucionalista, ou nada sabe de acordos internacionais ou está caladinho porque o mandaram calar. E foi um momento infeliz, sim, pelos motivos que já referi mais trás.  (IAF)

 

SOL - Muitas pessoas perguntam-se: ‘O que me acontece se não cumprir as normas? Vão-me prender? Multam-me?’.

 

SL - Acho que esse é um aspeto positivo do acordo. Para ser cumprido, só exige a livre adesão individual. Aliás, é um aspeto que devia ser elogiado e que vejo ser pouco referido: tirando os alunos na escola, que terão erro, quem não quiser não escreve com o Acordo. Ninguém tem multas pecuniárias nem lhe tiram a carta de condução. Não é proibido escrever de outra maneira. Mas eu gostava de ver a comunidade internacional aderir livremente.

 

Ai este aspêto! É que além de escreverem mal, pronunciam mal as palavras mutiladas. São dois (erros) em um. Ninguém em Portugal é obrigado, nem nas escolas, a escrever incorreCtamente a Língua Materna, porque não existe LEI alguma que o obrigue. E os alunos que se recusarem a escrever incorreCtamente a sua Língua NÃO PODEM ser penalizados. Era isto que a comunicação social deveria informar, mas CALA-SE, cúmplice deste desgoverno. (IAF)

 

SOL - Já vi que a Santa Casa adotou – sem P – a nova grafia…

 

(Este adotou, sem P, lê-se âdutou, seja lá o que isto for).

 

SL - Eu nunca dei ordem. Espero que não seja algum temor reverencial [risos].

 

SOL - E quando começou a escrever ‘com Acordo’?

 

SL - Não sei… Foi natural. Procuro escrever de acordo com a nova grafia mas, se alguma coisa me chocar, não me sinto proibido de escrever de outra maneira. Não olho para isto como um dogma. Aliás, acho uma snobeira aquilo que aparece nos jornais: ‘Este artigo foi escrito segundo a antiga grafia’. Importante, importante é que o acordo seja ratificado. Se isso acontecer algum dia fico todo contente. Depois se quiserem pôr um acento ou tirar um acento ou pôr mais um C ou P, eu aplaudo na mesma. Desde que todos assinem e ratifiquem, é-me igual.

 

Devia dizer ESNOBEIRA, para condizer com a grafia brasileira, que tanto defende. Pois eu também não concordo nada quando leio por aí «Este artigo foi escrito segundo a antiga grafia». Não há “antiga grafia” nenhuma. O que há é a Língua Portuguesa, ainda em vigor, em Portugal. Apenas os ignorantes, os mal informados, os servilistas, os acomodados e comodistas, e os medricas escrevem à brasileira. Assim como não há novo acordo ortográfico. Porque o AO90 não é novo, não é um acordo, e não está em vigor em nenhum país dito lusófono, incluindo neste nosso país que tem a desventura de ser governado por políticos subservientes e com falta de visão. Aqui aplica-se o AO90, por mera subserviência. Não poerque se seja obrigado.

 

E não fique todo contente, Dr. Santana Lopes, porque o AO90 está destinado ao caixote do lixo.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

(Nota: os vocábulos a vermelho estão grafados à brasileira).

Fontes:

 

https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/pedro-santana-lopes/detalhe/caixa-de-pandora

https://sol.sapo.pt/artigo/513353/pedro-santana-lopes-ver-o-acordo-ortografico-como-uma-ced-ncia-ao-brasil-e-um-disparate

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Sábado, 8 de Setembro de 2018

O AO90 é uma “coisa” portuguesa, porque todos os outros países ditos lusófonos estão-se nas tintas para esta fraude…

 

«A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Acordo Ortográfico e a Guiné Equatorial. Tudo interligado e usando a língua portuguesa para os mais variados e questionáveis negócios, desde a (re)venda de livros escolares e outros aos interesses económicos e geoestratégicos. E há ainda a acrescentar a inutilidade do Instituto Camões. É o que explica sucintamente a escritora Inês Pedrosa (página oficial) no programa "O Último Apaga a Luz" (RTP3, 20/07/2018).»

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:49

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

A idiotice dos que adoptaram o AO90 cegamente...

 

Respondendo a Vice.

 

NELSON RODRIGUES.jpg

 Nelson Rodrigues, um Brasileiro que muito prezo, porque não tinha papas na língua…

 

 

Vice comentou o post O QUE SE DIZ POR AÍ ACERCA DO AO90… às 17:48, 25/08/2018 :

A maioria pensa que é obrigada a escrever segundo o AO, até nas publicações feitas nas redes sociais prevalece essa ideia, nas empresas, lojas, entidades que nada têm a ver com o Estado, enfim numa séria de páginas. Também considero incrível que por se ter estudado português durante os anos obrigatórios do ensino se pense que já se é o melhor ou mais não seja preciso. Sim, é triste que não haja brio em querer escrever bem. De repente fiquei com curiosidade sobre a média actual da disciplina de Português e da sua evolução ao longo dos tempos...

 

***

Vice, penso que a maioria dos que andam por aí, não pensa nada, nem sequer tem capacidade para pensar.

 

A maioria ACHA, porque se pensasse, procuraria informar-se melhor sobre o porquê de ter de escrever incorreCtamente a sua própria Língua.

 

Aliás, a resolução do conselho de ministros, que não tem valor de LEI, apenas impôs ilegalmente o Dialecto Brasileiro, na sua forma grafada, aos organismos que estão sob a alçada do Poder e ao funcionalismo público. Entretanto, sub-repticiamente, o governo português, servil ao Brasil, anda por aí a enganar os incautos e os que ACHAM (não pensam) que têm de grafar à brasileira, para ir alastrando o cancro, como quem não quer a coisa...

 

Daí que vemos muita ignorância nas redes sociais, em empresas (nem todas), nas lojas (nem todas), nos anunciantes e na comunicação social (nem todas, mas onde encontramos os maiores ignorantes e subservientes ao Poder) que nada têm a ver com o Estado. Ou terão? Serão organismos estatais? Paus-mandados do governo? É o que parece.

 

Quem estudou Português durante anos, não aprendeu Língua Portuguesa. Aprendeu a juntar as letras do alfabeto, a ler (mal), a escrever (mal) e a interpretar (ainda pior). Não sabem Gramática, e também não fazem a mínima ideia por que devem escrever faCtor, recePção, fim-de-semana, pára, Janeiro, lêem, vêem… em vez de fator, perceção, fim de semana, janeiro, leem, veem…, que pode estar correCto no Brasil, porque são vocábulos novos, que fazem parte do DialeCto Brasileiro, mas em Portugal, são graves erros ortográficos, porque não fazem parte da grafia portuguesa.

 

As médias na disciplina de Português são baixíssimas. A ILITERACIA é descomunal. Os erros ortográficos e de sintaxe, entre outros, são uma razia, basta lermos o que se escreve por aí… Nem os ministros de Portugal, nem os deputados da Nação (salvo raras excepções) sabem escrever e falar. Já me disponibilizei a ir ao Parlamento ditar um ditado aos senhores que estão a tentar enterrar a Língua Portuguesa. Apostava tudo o que tenho como eles encheriam a folha de erros, de toda a espécie. A avaliar pelo modo como comprendem, como foncionam, como se comprimentam, como acham óvio, como fazem coisas à última DA hora, e reámente a nota deles seria ZERO.

 

A mediocridade, a ignorância e o idiotismo são a nota dominante.

 

Os medíocres acham que escrever à brasileira é moderno.

Os ignorantes acham que isto que estou a dizer é xenofobia.

Os idiotas acham que trocar uma Língua por um dialecto tem muita lógica.

 

 

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 Eu também.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:26

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«Alea jacta est»

 

Célebre locução latina que significa «os dados estão lançados» ou “a sorte está lançada", atribuída por Suetónio a Júlio César, quando este se preparava para atravessar o rio Rubicão, contrariando as ordens do Senado.

 

Esta frase aplica-se quando se toma uma decisão enérgica e grave, geralmente irreversível, depois de se ter hesitado muito.

 

Mas há ocasiões na vida em que os grandes guerreiros têm de tomar decisões assim: enérgicas, graves, irreversíveis, para que as coisas possam avançar.

 

Isabel A. Ferreira

 

Alea-Jacta-Est.jpg

 Imagem: Internet

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:16

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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2018

Já não há pachorra para as ignorâncias dos acordistas

 

Recebi dois comentários insólitos, que me proponho a esmiuçar e divulgar, para servir de LIÇÃO a todos os que acham que todos os Portugueses são parvos ou ignorantes.

 

Se querem argumentar comigo sejam racionais e tenham um mínimo de conhecimento sobre as matérias que pretendem comentar.

 

É que já não há pachorra para tanta ignorância optativa, uma doença social que, no entanto, tem cura (já hoje é a segunda vez que digo isto).

 

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E  a minha vontade de ver devolvida a grafia portuguesa a Portugal é mais poderosa do que o vapor, a electricidade e a energia atómica. Podem crer.

 

Se repararem, os comentários chegaram-me num espaço de segundos, no mesmo dia, e no mesmo estilo.

 

Gonçalo comentou o post A “SEMIRRÊTA” (***) às 14:42, 05/09/2018 :

Eu fico de boca aberta com comentários como o seu aqui e o próprio artigo do A M Pires Cabral. É essa xenofobia tão característica de nosso amado e triste Portugal. Triste como o nosso fado. É por isso que ainda evoluimos pouco e talvez nunca cheguemos ao que sonhamos ser como país: um país moderno. As diferenças entre o Português de Portugal e o Português do Brasil são dialetais. Existem, mas não justificam de maneira alguma a consideração do Português do Brasil como língua diferente. O resto é isso mesmo, xenofobia. É algo que tem acontecido entre vizinhos, como na Sérbia e na Croácia. Como se diz moeda no Brasil? Moeda. Em espanhol Moneda. Como se diz Lua no Brasil? Lua. Em Espanhol Luna. Como se diz Engraçado no Brasil? Engraçado. Como se diz em Espanhol: Gracioso. O Espanhol é uma língua diferente. O PortuguÊs do Brasil NÃO é. É uma variedade dialetal da mesma língua. Como o Flamengo e o Holandês. E tantos outros exemplos. A ignorância do povo, que é incapaz de aceitar mudanças positivas, por essa alergia que as pessoas fechadas têm às mudanças é a verdadeira causa dessa reação em Portugal ao Acordo Ortográfico. Unificar a ortografia da nossa língua favorece o aprendizado por parte de estrangeiros (que até hoje não entenderam essa parvoíce de ter duas ortografias para a mesma língua). Favorece o comércio. Favorece o intercâmbio cultural. Só os retrôgrados que não conseguem sequer se adaptar a mudar como escrevem 1% DAS PALAVRAS(!!! Oh meu Deus, que enorme sacrifício) são contrários a isto. As crianças aprenderão a ortografia atual e nem mais vão lembrar daquela velha ortografia, que é desnecessária. Como quando Portugal mudou a ortografia de palavras como producto para produto e não aconteceu ABSOLUTAMENTE NADA. Então, querida, velha um pouquinho além do seu nariz. A vida não é apenas sobre VOCÊS. Viram outras geração e usufruirão este Acordo Ortográfico. Enquanto isso, seria bom s e darem conta do antiquados e rabugentos que vocês são. Estamos fartos de tanta parvoíce.

 

***

Bem, pelo estilo da linguagem deste comentário e pelo que se diz na parte final, é um autêntico papo de brasileiro.

 

Pois, senhor Gonçalo, não me surpreende nada que fique de boca aberta com o que nós, defensores da Língua Portuguesa, comentamos ou escrevemos. Vivemos em mundos diferentes, com opções e saberes muito diferentes.

 

O senhor Gonçalo, por exemplo, não sabe o significado de xenofobia. Mas de lusofobia, sabe, com toda a certeza, tanto sabe que deixou escapar, no final deste seu brilhante comentário, essa lusofobia que vos revolve as entranhas.

 

Pelo choradinho da sua prosa, triste Portugal, triste como o fado (isto até dava letra de fado) vê-se que é alguém que ama Portugal tanto como eu amo um monte de lixo. E, na verdade, com gente como o senhor Gonçalo, um país não tem condições de evoluir.

 

Os acordistas, coitados, no seu fraco e pobre entendimento, acham que para se ser moderno tem de se ser idiota e ignorante. Mas enfim, cada um opta pelo que lhe dá mais jeito, para encher os bolsos e o ego.

 

Depois alapam-se na ignorância, e não se interessam por ler, por se informarem, por se cultivarem. Os linguistas (os verdadeiros) portugueses e brasileiros (e há publicações sobre esta matéria, que já citei no meu Blogue) dizem claramente que o que se escreve e fala no Brasil é o Dialecto Brasileiro, e até já há linguistas brasileiros, que lhe chamam Língua Brasileira (e se já não é, muito brevemente será) de tão distanciado que já está da Língua Portuguesa, na sua forma oral e grafada. E não há Português de Portugal, e muito menos Português do Brasil. O que há é Língua Portuguesa e Dialecto Brasileiro. E quem não sabe isto é ignorante. E quem sabe isto não é xenófobo. É esclarecido. Vá esclarecer-se, senhor Gonçalo, para não andar por aqui a ignorantar.

 

O seu argumento para explicar o inexplicável, é tão infantil, mas tão infantil, que mete dó. O senhor que idade tem? Se já escreve (se bem que muito mal) terá uns sete anos?

 

Olhe a sua lógica: como se diz eléCtrico no Brasil? Bonde. Como se diz comboio no Brasil? Trem. Como se diz rebuçado no Brasil? Bala. Como se diz quarto-de-banho no Brasil? Banheiro. Bem, podia estar aqui o dia todo. Mas chega desta conversa, porque não nos interessa esta parte. O que nos interessa é a grafia. Como é que se grafa António, Amazónia, ideia, no Brasil? Antônio, Amazônia, idéia… E como se grafa seCtor, direCto, excePto, Setembro, no Brasil? Setor (s’tôr), direto (dirêtu), exceto (excÊtu), setembro.

 

E chamar a isto mudanças positivas é como dizer que existe luz nas trevas.

 

Depois, chamar a isto UNIFICAÇÃO para facilitar a vida aos estrangeiros, é passar um atestado de uma monumental estupidez a si próprio. Quem troca uma Língua por um dialecto, para favorecer a aprendizagem de estrangeiros, é a coisa mais estúpida que já ouvi na vida.

 

Ó senhor Gonçalo, que o senhor tenha vocação para a estupidez, nada contra, mas vá ser estúpido assim lá na Cochinchina. Isso não é um argumento é uma monumental idiotice.

 

E pensar que a Língua Portuguesa está ameaçada (ainda não foi, e garanto-lhe, não será destruída) por uns ignorantes deste calibre!

 

E se você, como brasileiro que parece ser, acha que os portugueses são antiquados e rabugentos, imagine o que nós, Portugueses, pensamos dos gonçalos brasileiros. Nem lhe digo, nem lhe conto! Dos Brasileiros, dos outros, pensamos que devem estar muito envergonhados deste seu comentário tão ignorante quanto idiota.

 

***

Quatro segundos depois, chega-me este outro comentário, também do lado de lá e do mesmo estilo:

 

vincedee comentou o post HOJE (2 DE SETEMBRO DE 20016) NUM TELEJORNAL DA SIC às 14:46, 05/09/2018 :

Isto é apenas conhecido como uma EXCEÇÃO. Todas as regras têm exceções. O acordo ortográfico reconhece de maneira específica o termo FACTO usado em Portugal. Dever ser escrito e pronunciado em Portugal posto que é efetivamente pronunciado em Portugal. Parece-me que não conheces bem o Acordo. Leste bem? O Acordo aplica-se, neste caso, apenas ao que não é pronunciado. Como o "p" de EXCEPÇÃO". Escrever aqui sem ter conhecimentos adequados, é um pecado

 

Primeiro: não lhe dei confiança alguma para me tratar por tu. Isso é coisa de gente sem educação.

 

Pois, exceção (lê-se exc'ção). Se soubéssemos o que isso significa, poderia dizer alguma coisa. Infelizmente, este monstrinho ortográfico, sem família, sem origens, sem raiz, não significa NADA, em parte alguma do Planeta Terra e arredores.

 

Segundo: o acordo ortográfico NÃO reconhece coisa nenhuma, porque o acordo mortográfico é uma FRAUDE. É um nado-morto. Em Portugal usamos fatos. Não usamos ternos. E um faCto é um acontecimento, tal como o é em Inglaterra e no vosso tão amado “States”.

 

If’tivâmente” (transcrição fonética do que escreveu) eu conheço demasiado bem o que este acordo fajuto propõe, porque aprendi a ler e a escrever no Brasil. A vossa “rêcépição” salvou-se. No Brasil continua recePção, nem sei por alma de quem. Cá em Portugal, perdeu o PIO, quero dizer o PÊ, e a coisa ficou preta, ou seja, ficou receção (que se lê r’c’ção) que é um monstrinho ortográfico à portuguesa. Como os há à brasileira, por exemplo, anistia, mas se me dizem que isto faz parte do Dialecto Brasileiro, retiro o monstrinho.

 

Para terminar, digo-lhe que tem toda a razão: é um pecado escrever mal a Língua Portuguesa. Para se escrever comentários no meu Blogue é preciso ter conhecimentos profundos de Língua Portuguesa, que é algo que os gonçalos demonstraram não ter.

 

Passem bem. E cultivem-se. E principalmente abandonem a ideia obtusa de que para se ser moderno é preciso ser-se idiota.

 

Isabel A. Ferreira

 

Do mesmo autor destes dois comentários acima referidos (já confirmado) eis outro texto:

O que concluir quando um cidadão confunde indignação com ódio, e espírito crítico com negatividade?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:18

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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

Nada para os professores

 

Os professores andam em luta.

Querem o descongelamento das carreiras e melhores condições de trabalho e maiores salários.

Estão no seu direito.

Ser professor num país terceiro-mundista, com um governo ditatorial não é nada fácil.

 

PROFESSORES.jpg

Imagem: internet

 

Os professores manifestam-se. Têm saído à rua, em massa. Fazem greves. Não desistem.

O governo não sai à rua. Não se manifesta. Mas bate o pé. Não quer ceder.

 

E agora, senhores professores, expliquem aos vossos alunos o significado do título deste meu texto, mediante o que acabo de escrever.

 

Espero que sejam sinceros. E que lhes digam a verdade.

Aproveitem para explicar-lhes, também, a importância de se aprender a Lógica da Linguagem, a qual contribui para facilitar a comunicação entre os seres humanos, tornando-a inequívoca.

 

A função de uma Língua é exactamente facilitar a comunicação entre os seres humanos. Começou por sons, depois vieram os símbolos (hieróglifos), e dos símbolos passou-se à escrita, e com esta vieram as regras baseadas numa Lógica comum a todas as Ciências desenvolvidas pelo Homem.

 

Nada para os professores.

À primeira vista, esta poderá parecer uma frase enigmática. Mas para mim, que a escrevi, é claríssima.

 

Perguntem aos vossos alunos o que verdadeiramente eu quero dizer, quando digo nada para os professores.

 

Mas se preferirem perguntar-me, eu respondo. Só deixo no ar a pergunta: será verbo? Será preposição?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:09

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