Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Magnífica lição de Língua Portuguesa que nos vem de Angola

 

Notável! Actualíssima! E que lição para todos os que andam empenhados em destruir este Património que não é só de Portugal.

 

 

 

AO90.jpg

 

 Editorial do "Jornal de Angola" sobre o Acordo Ortográfico, tão actual como no dia em que foi escrito...

 

(Repare-se como os Angolanos, ao contrário de os Brasileiros, não mutilaram a Língua Oficial que herdaram de Portugal, e à qual chamam Língua Portuguesa. Senhores governantes, aprendam com este belíssimo e extraordinário texto: um autêntico Hino de Louvor e de Amor ao nosso INVIOLÁVEL Património: a Língua Portuguesa).

 

 

«PATRIMÓNIO EM RISCO

 

«Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda.

 

A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.

 

Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige.

 

Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às "leis do mercado". Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.

 

Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolanos da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito "Vamos Descobrir Angola", deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única.

 

Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas.

 

Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.

 

Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.

 

Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas.

 

O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.

 

Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos.

 

Nunca descer ao seu nível. Porque é batota!

 

Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples:

 

O patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!

 

Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP.

 

A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que, através de um qualquer acordo, ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras».

 

Fonte 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205046422230807&set=a.1687213710766.2089918.1550379005&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:07

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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018

A tragédia do Ensino em Portugal

 

Universidades portuguesas em queda quase generalizada no ranking Quacquarelli Symonds (QS).

 

Alunos do 2º ciclo não sabem localizar Portugal no mapa.

 

E a isto soma-se a extraordinária degradação do ensino da Língua Portuguesa, com a introdução da falsa obrigatoriedade da aplicação do AO90.

 

ENSINO.jpg

Fonte da imagem: https://m.sorisomail.com/partilha/73524.html

 

«Universidades portuguesas em queda quase generalizada no ranking Quacquarelli Symonds (QS).

 

Fraca reputação junto dos empregadores e baixo número de professores penalizam instituições portuguesas. Apenas três em sete conseguem manter a posição do ano passado.

 

Depois de um ano de boas notícias, o ranking de universidades elaborado pela empresa britânica Quacquarelli Symonds (QS) traça um retrato mais negativo do ensino superior nacional, com uma queda quase generalizada das universidades portuguesas na lista. Das sete representantes, apenas três conseguem manter a mesma posição face a 2017.

 

A Universidade do Porto continua a ser a melhor representante nacional, situando-se na 328.ª posição, mas, em relação ao ano passado, cai 27 lugares. As instituições de Lisboa têm descidas ainda mais evidentes: a Universidade de Lisboa perdeu 50 posições (é agora a 355.ª colocada) e a Nova caiu 44 postos (405.ª). Também a Universidade Católica de Lisboa passou do intervalo 651-700 para o 751-800 – a partir do 500.º lugar, o ranking QS alinha as instituições em intervalos.

 

No entanto, nos indicadores apresentados pelos dois rankings encontram-se semelhanças. Por exemplo, tal como na lista da CWUR, a QS avalia negativamente as instituições portuguesas no que toca ao emprego. “As quedas registadas pelas instituições portuguesas ocorrem principalmente devido à deterioração de sua classificação no indicador de reputação entre empregadores”, sublinha a empresa britânica em comunicado. Este indicador é baseado nas percepções de mais de 42 mil empregadores em todo o mundo sobre a qualidade dos graduados de uma instituição.

 

Outro aspecto que prejudica o resultado das universidades nacionais é o rácio professores/alunos. Nenhuma instituição portuguesa teve mais de 30 pontos – numa escala que vai até 100 – neste indicador. Portugal tem 14 alunos por membro do corpo docente, acima da média da Europa Ocidental (12 alunos por professor).

 

Tal como acontece no ranking CWUR, é na investigação que estão os melhores resultados das instituições de ensino superior nacionais de acordo com os parâmetros da QS. As sete universidades portuguesas tiveram uma melhoria no indicador de reputação académica, que correspondem a 40% da pontuação geral de uma instituição nesta lista. O impacto da investigação nacional também merece sinal positivo por parte dos organizadores desta lista.

 

A nível global, o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) continua a ser, pelo sétimo ano consecutivo, a instituição mais bem cotada. Seguem-se as Universidades de Stanford e Harvard, também nos Estados Unidos. A principal instituição do Reino Unido alterou-se pela primeira vez desde que a QS começou a publicar este ranking (2004), com a Universidade de Oxford (5.ª) a ultrapassar a sua rival histórica, Cambridge (6.ª). A melhor universidade da Europa continental continua a ser a Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, que alcançou a sua melhor posição de sempre (7.º).

 

O Ranking Mundial de Universidades da QS mede aspectos como a reputação da instituição – na academia e entre os empregadores – e a internacionalização. Este é um dos maiores rankings internacionais de universidades, listando um total de 1000 instituições de 85 países. Ao todo, foram analisadas mais de 4500 instituições.

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/06/06/sociedade/noticia/queda-quase-generalizada-no-ranking-qs-1833411

 

***

Alguns dados do Relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre as provas de aferição

 

O relatório revela que dos cerca de 90 mil alunos que realizaram provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, cerca de 45% dos alunos não conseguiram localizar Portugal continental em relação à Europa, utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos. Utilizando os pontos cardeais, apenas 45% dos estudantes localizaram correctamente o continente europeu em relação ao continente asiático, o continente africano em relação ao continente europeu e Portugal continental em relação ao continente americano.

 

Para Hélder de Sousa, presidente do IAVE, o problema não está no conhecimento dos conteúdos apreendidos, mas na capacidade de os aplicar quando não se trata apenas de repetir factos memorizados, e defendeu que estas conclusões «obrigam-nos a repensar no processo que temos, em termos de sala de aula, num processo interactivo entre a atitude dos professores e dos alunos».

 

Estes são alguns dos dados do relatório do IAVE sobre as provas de aferição, que revela algumas das principais dificuldades dos alunos em disciplinas com Geografia, Português ou Matemática.

 

Mas ainda há mais.

 

Segundo o mesmo relatório da IAVE, quase metade dos alunos do 2.º ano do 1º ciclo não consegue saltar à corda. 46% dos alunos do 2.º ano – crianças com idades compreendidas entre os 7 e 8 anos – que realizaram a prova de aferição de expressões físico-motoras no ano passado, não foram capazes de dar seis saltos consecutivos no salto à corda. 40% não conseguiu dar uma cambalhota para a frente, mantendo a direcção e levantando-se com os pés juntos. 31% dos alunos revelaram ainda dificuldades em participar num jogo infantil em grupo.

 

Daí que o presidente da Confederação Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física (CNA-PEF), Avelino Azevedo, tenha referido ao DN que “os resultados reforçam a ideia de que a Educação Física não é dada no 1.º ciclo como devia”.

 

Fonte:

 http://www.iave.pt/

 

***

Posto isto, é preciso mudar o sistema.

É preciso alguém, no Ministério da Educação, que saiba do ofício.

É preciso fazer avançar Portugal, porque, por este andar, se já somos o país com a maior taxa de analfabetismo da Europa, passaremos a ser o país com a taxa de analfabetismo mais alta do mundo. E não estou a exagerar. E não tarda muito.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:08

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Domingo, 4 de Novembro de 2018

A propósito da mensagem da UNESCO para o Dia Internacional da Língua Materna

 

Há 19 anos consecutivos, em 21 de Fevereiro, a UNESCO celebra o Dia Internacional da Língua Materna.

 

O texto que se segue está escrito na minha Língua Materna, a Língua Oficial de Portugal: a Língua Portuguesa, acordada na Convenção Ortográfica Luso-Brasileira 1945, ainda vigente.

 

UNESCO.png

 Vista parcial da Sala Principal de Conferências, na sede da UNESCO, em Paris

 

(Os trechos destacados a negrito são da responsabilidade da autora deste Blogue).

 

Mensagem de Audrey Azoulay, Directora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, celebrado em 21 de Fevereiro de 2018, traduzida por Isabel A. Ferreira, do original em Francês, que pode ser consultado neste link:

 

http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261469f.pdf

 

«A UNESCO celebra hoje a 19ª edição do Dia Internacional da Língua Materna. Esta é uma oportunidade para relembrar os compromissos da nossa Organização no que respeita à defesa e promoção das Línguas.

 

Uma Língua é muito mais do que um meio de comunicação: é a própria condição da nossa humanidade. Nela estão integrados os nossos valores, as nossas crenças, a nossa identidade. É através da Língua que nós transmitimos as nossas experiências, as nossas tradições e os nossos conhecimentos. A diversidade das Línguas reflecte a riqueza inabalável do nosso imaginário e dos nossos modos de vida.

 

Com a finalidade de preservar e revitalizar este elemento essencial do Património Imaterial da Humanidade, a UNESCO, desde há muitos anos, tem vindo a envolver-se activamente na defesa da diversidade linguística e na promoção da educação multilíngue.

 

Este compromisso diz respeito particularmente às Línguas Maternas, que influenciam milhões de jovens mentes, que estão a desenvolver-se e são o vector indispensável para a inclusão na comunidade humana, primeiro no âmbito local, depois, no âmbito global.

 

A UNESCO apoia, deste modo, as políticas linguísticas, particularmente em países multilíngues, que valorizam as Línguas Maternas e as Línguas Indígenas. A Organização recomenda o uso destas línguas desde os primeiros anos de escolaridade: porque uma criança não aprende melhor senão na sua Língua Materna. A UNESCO encoraja igualmente o seu uso em espaços públicos e especialmente na Internet, onde o multilinguismo deve tornar-se norma. Todos, qualquer que seja a sua primeira língua, devem poder ter acesso aos recursos do ciberespaço e criar comunidades de intercâmbio e diálogo. Hoje, esse é um dos maiores desafios do desenvolvimento sustentável, no plano da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

 

A cada duas semanas, uma língua desaparece no mundo e, com ela, uma parte da História humana e do nosso património cultural. A promoção do multilinguismo também contribui para impedir esse desaparecimento programado.

 

Nelson Mandela tinha este preclaro princípio: "Se falais com alguém numa língua que ele entende, falais à sua cabeça; se falais com ele na sua própria língua, falais ao coração dele ". No contexto deste Dia Internacional, a UNESCO convida os seus Estados-Membros a celebrar, através de todo o tipo de iniciativas, educacionais e culturais, a diversidade linguística e o multilinguismo que constituem a riqueza viva do nosso mundo.»

 

***

 

Esta foi a mensagem que a Senhora Audrey Azoulay, Directora-Geral da UNESCO, enviou ao mundo, para celebrar o dia Internacional das Línguas Maternas. E, nesta mensagem, podemos destacar alguns pontos essenciais que o governo português, através do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, cujo Ministério acolhe e tutela a Comissão Nacional para a UNESCO, não cumpre, violando, deste modo, a Convenção de 2003 Para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI), da qual Portugal é Estado-Membro, permitindo, com isso, que a Língua Portuguesa, de Matriz greco-latina, esteja a ser transformada numa língua completamente  desvirtuada e afastada das suas raízes.

 

Augusto Santos Silva não defende a Língua Portuguesa, a Língua Materna dos Portugueses.

Augusto Santos Silva defende tão-só aquela que virá a ser (se já não o é) a Língua Brasileira.

 

Ponto 1 - A UNESCO celebra o Dia Internacional da Língua Materna para relembrar os compromissos (…) com a defesa e a promoção das Línguas… Por conseguinte, Portugal violou claramente o compromisso de defesa e promoção da Língua Portuguesa, porquanto, de um modo ilegal e inconstitucional, e até usando de alguma chantagem, obriga milhares de crianças e jovens estudantes a grafar a Língua Materna delas à moda brasileira, através de algo a que chamam Acordo Ortográfico de 1990, a maior fraude de sempre, e que não foi ratificado por quatro dos oito países ditos lusófonos/lusógrafos. O governo português, além de não defender a Língua Portuguesa, que configura Património Cultural Imaterial de Portugal, ao adoptar o AO90, anda a promover, pelos quatro cantos do mundo, a grafia brasileira, que desvirtua a Matriz da nossa Língua Românica, distanciando-a da Família Indo-Europeia, à qual pertence. A isto chama-se FRAUDE, porque nada disto tem a ver com evolução da Língua. E evocar os milhões, que no Brasil falam e escrevem à brasileira, para justificar a adulteração da nossa Língua, é de uma descomunal ignorância, além da evidente má-fé que está por detrás da imposição do AO90 aos Portugueses. E que ninguém duvide deste facto.

 

Ponto 2 – Se a identidade de um país está integrada na sua própria língua, como declara a senhora Azoulay, a identidade portuguesa desintegrou-se, ao adoptar-se a grafia brasileira, que identifica o Brasil, e mais nenhum outro país, a tal ponto que podemos classificar essa linguagem brasileira, no seu modo de falar e de escrever, como dialecto ou variante brasileira do Português, de acordo com as definições dos mais abalizados estudiosos, nacionais e estrangeiros, da Língua Portuguesa. Consultar este link:

 

Do que falamos quando falamos do dialecto brasileiro?

 

Ponto 3 – Se a diversidade das línguas reflecte a riqueza incontestável da nossa imaginação e dos nossos modos de vida, como refere a Senhora Azoulay, o governo português, ao adoptar a grafia brasileira, não só empobreceu e esmagou essa diversidade, como também não preservou o elemento essencial do Património Imaterial de Portugal, a Língua Portuguesa, uma das línguas mais antigas da Europa, a qual o identifica como País; e se a UNESCO se tem envolvido activamente na defesa da diversidade linguística, Portugal afastou-se da UNESCO, comprometendo desonrosamente a fecunda diversidade linguística que existia na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), antes do AO90 aparecer, ao pretender-se que os oito países, que dela fazem parte, grafem à moda brasileira. Quem está a salvar a Língua Portuguesa, neste momento, são os países africanos de expressão portuguesa (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau e Timor-Leste, que não ratificaram o AO90). O que é manifestamente bastante significativo, provoca o caos e retira a pouca credibilidade que o chamado Acordo Ortográfico de 1990 poderia eventualmente ter. Mas não tem.

 

Ponto 4 – Se o compromisso da UNESCO diz respeito particularmente às Línguas Maternas, que influenciam milhões de jovens, Portugal está a violar esse compromisso, pois a Língua Materna das crianças e jovens portugueses está a ser desvirtuada pela introdução da grafia brasileira, que se afastou da norma culta europeia, e a causar o maior caos ortográfico jamais visto em Portugal.

 

Ponto 5 – Se a UNESCO recomenda o uso da Língua Materna de cada país, desde os primeiros anos da educação escolar, porque as crianças aprendem melhor na sua Língua Materna, Portugal está a violar essa recomendação, uma vez que ludibria as crianças portuguesas, ao obrigá-las a grafar a sua Língua Materna à moda brasileira, sem que isso lhes seja explicado.

 

Ponto 6 – Se a UNESCO convida os seus Estados-Membros a celebrar a diversidade linguística, Portugal faz precisamente o contrário: celebra a pseudo-unificação linguística (o AO90), porque jamais poderá existir, entre os países da dita CPLP, uma unificação linguística, uma vez que o que realmente predomina, e deve continuar a predominar, é a riquíssima diversidade existente no modo de escrever e de falar do Brasil, de Portugal, de Angola (cuja Academia Angolana de Letras acaba de recomendar a não ratificação do AO90), de São Tomé e Príncipe (onde se fala mais Francês do que Português), de Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste (que não adoptam o AO90) e de Cabo Verde que, em 2017, rejeitou a Língua Portuguesa e declarou o Crioulo Cabo-Verdiano como Língua Oficial de Cabo Verde, o que, aliás, está em conformidade com o «Prontuário Ortográfico da Língua Portuguesa», de Manuel dos Santos Alves, situação que colocou esse país, ipso facto, fora dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

 

Chegados aqui, convém lembrar que o Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP), em carta enviada a 7 de Setembro de 2018, à senhora Audrey Azoulay, Directora-Geral da UNESCO, e na sua qualidade de depositária da Convenção Para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI) de 2003 (Artigo 37), a ela apelou para que, nos termos do Artigo 7, informe e chame à atenção o Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, para esta situação calamitosa, no sentido de que o Património Imaterial de Portugal seja preservado e que o uso da Língua Materna Portuguesa seja restaurado, nos termos do Decreto-Lei n.º 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, em vigor desde 1 de Janeiro de 1946, uma vez que o governo português, em vez de defender a Língua Materna dos Portugueses, está a contribuir para a sua degradação, cada vez mais evidente e assustadora.

 

Consultar Carta à Directora-Geral da UNESCO neste link:

 

Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP) apresenta queixa à UNESCO contra o Estado Português 

 

P’lo MPLP

Isabel A. Ferreira

(Coordenadora)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:37

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