Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

«TORNA-SE IMPERIOSO VOLTAR A ENSINAR A ESCREVER CORRECTAMENTE O PORTUGUÊS»

 

Porquê?

Porque só assim se chega ao acto de pensar.

Excerto de um texto da autoria da professora Maria do Carmo Vieira, ao redor da missão do Professor.

 

AO90.jpg

 

«Um professor (…) não pactua com ciladas que aprofundam a ignorância e anestesiam o acto de pensar.


A facilidade que alimenta a infantilização e ignora as capacidades de crianças e jovens, a apologia do funcional em detrimento do belo, não propiciando a educação da sensibilidade e o desenvolvimento sério do espírito crítico, são exemplos de ciladas que se têm armado aos alunos sob a capa de um discurso falsamente bondoso que põe em risco o seu futuro pois não os prepara para a Vida.


A facilidade foi o argumento usado, por exemplo, pelos criadores do Acordo Ortográfico de 1990, que a ela se referiram focando bizarramente o facto de os alunos não gostarem de acentuar as palavras ou de terem de se esforçar demasiado para decorar as que na sua escrita continham consoantes mudas.


Servindo-se dos alunos, subvalorizaram a etimologia, fomentaram o equívoco e invocaram o critério da pronúncia para simplificar a ortografia, numa atitude de ignorância lamentável pormenorizadamente expressa na Nota Explicativa do Acordo Ortográfico, decretado contra a vontade dos portugueses e das comunidades culturais consultadas.


O resultado está à vista na escrita atabalhoada e caótica da Língua Portuguesa, na dificuldade em ensiná-la, tais são as contradições e os erros que a todo o momento surgem e sobre os quais os próprios alunos se questionam, bem como na violência que representa para um professor ser forçado a «ensinar» o que considera ser um erro.


Um Acordo cuja Nota Explicativa põe, na verdade, em causa o Saber e o Conhecimento e determina a perda da função normativa da ortografia.


Comungando todo o professor, independentemente da sua área de ensino, da ideia de que só o domínio da língua portuguesa permitirá aos alunos bem pensar, e que esse domínio exige que a compreendam, que a escrevam correctamente e sobre ela reflictam, o que a imposição do AO 90 tem impedido, torna-se imperioso voltar a ensinar a escrever correctamente o português, não perpetuando incongruências e erros, e demonstrando igualmente aos alunos que fazê-lo constitui da parte do professor um profundo acto de amizade e de fidelidade ao Saber. Seguramente que nos agradecerão um dia, conscientes de que não os traímos na confiança que em nós, desde o primeiro momento, depositaram.»

 

Maria do Carmo Vieira,

Professora

 

Texto retirado daqui:

https://dererummundi.blogspot.com/2019/06/aos-professores.html?fbclid=IwAR2wqTlhDV0umTSGT6C1b8Zg9V2hba62g9laTWwNLweI0i6MGHt8lQIRW8k

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:36

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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