Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2020

Votos para 2021: é urgente que as consciências despertem, para que haja futuro…

 

O ano de 2020 trouxe-nos uma mensagem muito clara:

O Homem é apenas um peão no xadrez da Vida. 

O Planeta sucumbe. A Natureza reage. E o Homem concentra-se no seu muito  insignificante umbigo.

 

No passado dia 21 de Dezembro, entrámos na Era de Aquário, a era do conhecimento e do poder da consciência.  Diz quem sabe que esta força trará mudanças nas esferas política, social e espiritual. Como toda a humanidade está debaixo da sua influência, será possível ver cada vez mais o poder da mente sobre a matéria.

 

Acredito nas forças cósmicas, que tudo comandam, no Universo.

E eu, como aquariana, filha de aquariana, sendo também um ser cósmico, e sentindo em mim a energia positiva que a Era de Aquário já começou a espargir pelo mundo, penso que as coisas vão mudar, não digo de hoje para amanhã, mas vão mudar. Além de que é a partir das camadas mais jovens que essa consciência, a que me refiro, actuará.


O capitalismo e os interesses [ainda] falam mais alto, e a ignorância e estupidez são imensuráveis, e o ser humano está a destruir-se, porém, os novos tempos trarão um Novo Homem.  É isto que diz o meu aquariano instinto.

 

Tenham esperança! Não esmoreçam.

Para que haja futuro é urgente que as consciências despertem e que a mediocridade e a irracionalidade, que avassalam as sociedades humanas, sejam banidas da face da Terra.

 

Se queremos um futuro, é urgente que a Humanidade desperte para a Inteliência, Racional e Emocional.

 

“Ouçam” agora o «Prelúdio para uma Nova Terra», da poetisa e escritora portuguesa Idalete Giga.

Isabel A. Ferreira

 

Votos de  2021.png

 

«Prelúdio para uma Nova Terra»

 

A Mãe-Terra descansa

 E não deve ser perturbada

Não há tufões

Não há tsunamis

Não há tempestades

Não há ruido

O silêncio tudo invadiu

O céu está mais azul

O ar mais puro

As águas mais cristalinas

Os peixes nadam tranquilamente

As flores desabrocham

Os pássaros cantam alegremente

Louvando a Primavera

Os animais selvagens

Regressam aos seus habitats

Não perturbemos a Mãe-Terra

E soframos com coragem

O nosso karma colectivo.

 

Idalete Giga

Paço de Arcos, 16/ Abril/2020

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:25

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020

«A Assembleia da República e o Acordo Ortográfico» ou «O monte de lixo a que chamam acordo ortográfico» (de acordo com Duarte Afonso)

 

Em 2008, o romancista Duarte Afonso, escreveu um artigo de (excelente) opinião no «Jornal da Madeira», em que colocou em causa a insustentável leveza com que os políticos portugueses se vergaram a um acordo que, está mais do que provado, é um verdadeiro fiasco, sem a mínima viabilidade, em nenhum dos países lusófonos.

 

O texto está actualíssimo, porque desde 2008 nenhuma medida inteligente foi tomada, no sentido de corrigir o monumental erro que foi a adopção do monte de lixo a que chamam acordo ortográfico (de acordo com Duarte Afonso).

 

Isabel A. Ferreira

 

Eugénio de Andrade.png

 

«A Assembleia da República e o Acordo Ortográfico»

 

 Por Duarte Afonso

 

Depois de a RTP ter anunciado a adopção do acordo ortográfico, agora foi o Dr. Jaime Gama a brindar-nos com mais uma notícia trágica, ao anunciar que a Assembleia da República também o vai adoptar em Janeiro de 2012.

 

A Assembleia antes de adoptar esse monte de lixo a que chamam acordo ortográfico, devia preocupar-se primeiro com os erros e deficiências que existem no mesmo, e explicar ao país por que é que ignorou as recomendações da Comissão de Ética e Cultura da própria Assembleia, que alertava para esses mesmos erros e deficiências, depois de ter analisado e votado por unanimidade a petição contra o aludido acordo, dando razão aos peticionários.

 

Este é o mesmo acordo que em 2005 por solicitação do Instituto Camões a Associação Portuguesa de Linguística, emitiu um parecer que diz bem o que é o acordo ortográfico. Depois de ter demonstrado que o monstro não serve, termina assim:

 

“Em conclusão, por todas as razões acima aduzidas, a Associação Portuguesa de Linguística recomenda:

1 - Que seja de imediato suspenso o processo em curso, até uma reavaliação, em termos de política geral, linguística, cultural e educativa, das vantagens e custos da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

 

2 - Que, a manter-se o texto actual do Acordo, Portugal não ratifique o Segundo “Protocolo Modificativo”.

 

Ainda a respeito dos pareceres pedidos pelo Instituto Camões vale a pena referir uma notícia que saiu no Jornal de Notícias em 12-07-2008. Com a devida vénia passo a citar duas pequeninas passagens:

 

A mesma intitula-se: “Peritos arrasam acordo ortográfico”.

 

“Esmagadora maioria dos linguistas, académicos e editores consultados estão contra o tratado. Se a implementação do Acordo Ortográfico dependesse apenas do processo de consulta, há muito que o projecto teria sido abandonado. Das 27 entidades consultadas, apenas duas se mostraram favoráveis.

 

Nas respostas das 14 entidades que participaram no inquérito promovido pelo Instituto Camões abundam as criticas. Entre pedidos adicionais de informação e o desconhecimento sobre as alterações a introduzir, não faltam, também, entidades como a Associação Portuguesa de Linguística, ou Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que solicitam “a suspensão imediata do processo”.

 

Estes factos demonstram bem o que é o acordo ortográfico, e a atenção que mereceram por parte do Estado. A Assembleia antes de o adoptar também devia ter em atenção o (art.º 2) do próprio acordo que diz o seguinte:

 

“Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível no que se refere às terminologias científicas e técnicas”.

 

Este é o único vocabulário válido para a aplicação do acordo, e não há nenhum outro que o possa substituir. Isto significa que enquanto esse vocabulário comum não for elaborado e não estiver em vigor, o acordo ortográfico não tem qualquer valor, porque foram subvertidas as regras do próprio acordo. É um abuso dizer-se que os textos que seguem as regras do monstro foram escritos ao abrigo do acordo ortográfico, porque o mesmo não tem legitimidade jurídica nem democrática. O único abrigo que dá é à ilegalidade e ao obscurantismo.

 

Não é por acaso que Angola ainda não o ratificou, e o seu deputado Luís Reis Cuanga já veio dizer “que deve haver reciprocidade na aplicação do acordo com a integração do vocabulário angolano no comum”. Deu ainda como exemplo, “que se deve escrever Kanza e não Kuanza como se pretende no novo acordo”. Isto significa ainda que Angola não alinha na irresponsabilidade, e está a chamar a atenção para que as regras do acordo sejam cumpridas.

 

É penoso e revoltante ver a nossa língua ser adulterada por um acordo que nos foi imposto, cheio de erros grosseiros e disparates escandalosos, cozinhado nas costas do povo, protegido pelos nossos governantes e acarinhado por alguns órgãos de comunicação social.

 

Ao longo do tempo, sempre foram introduzidos ajustamentos na nossa língua; mas nunca foram introduzidos através de leis ou decretos, nem o Estado teve intervenção em matérias que dele não dependem nem a ele competem, como é o caso da evolução da nossa língua em qualquer das suas vertentes, sendo a ortografia uma dessas vertentes. Além disso, esses ajustamentos sempre foram elaborados por especialistas sábios e idóneos com conhecimento profundo da nossa língua.

 

Qual é o crédito que merece, este acordo, se o mesmo assenta na facultatividade, na acentuação gráfica, e na consagração pelo uso?

 

A Assembleia da República e o governo, antes de o adoptarem, prestariam um bom serviço à nossa língua e ao nosso país, se tomassem a iniciativa de constituir uma comissão formada por representantes das comunidades cientificas, académicas, literárias, e profissionais, para proceder a uma revisão do texto do acordo, de forma a expurgar os erros e disparates que existem no mesmo.

 

Vejamos agora alguns desses disparates. No preâmbulo do mesmo está escrito o seguinte:

 

“O projecto de texto de ORTOGRAFIA UNIFICADA, de língua portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de Outubro de 1990, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

 

Aqui referem-se à ortografia como se já estivesse unificada. Na nota explicativa (5-2-4) podemos ler:

 

“Considerando que tais casos se encontram perfeitamente delimitados, como se referiu atrás, sendo assim possível enunciar a regra da aplicação, OPTOU-SE por fixar a DUPLA acentuação gráfica como a solução menos ONEROSA para a UNIFICAÇÃO da língua portuguesa”.

 

Esta explicação absurda e ignorante significa precisamente o contrário daquilo que defendem os seus autores. A dupla grafia não une, afasta que é bem diferente. A consagração da grafia dupla reflecte a impossibilidade efectiva e incontornável de unificação. Estes dois exemplos demonstram bem a falta de rigor em que assenta esse embuste a que chamam acordo ortográfico.

 

Primeiro apresentam-no como se a nossa ortografia já estivesse unificada. Depois demonstram que a unificação é impossível. Em que ficamos? Como é que é possível escreverem estes disparates e ao mesmo tempo defenderem esta porcaria de acordo?

 

Perante todos estes factos pergunta-se:

 

Por que é que se dá tanta atenção ao monstro, e por que é que há tanta pressa em adoptá-lo? Por que é que os portugueses foram sempre colocados perante factos consumados e nunca foram ouvidos nesta matéria? Por que é que se vai adoptar um acordo cheio de ilegalidades e erros grosseiros, detectados, inventariados e comentados pelos melhores especialistas do país? Porquê?

 

Por fim, passo a citar com a devida vénia, uma passagem que consta no livro intitulado “Apologia do desacordo ortográfico de António Emiliano, Professor de Linguística da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Investigador – responsável do projecto Origens do Português, no âmbito do qual foi digitalizada, transcrita e objecto de estudo linguístico a mais antiga documentação de Portugal”. Essa passagem consta na página 81 do aludido livro e diz o seguinte:

 

«O Acordo Ortográfico é um monumento de incompetência e ignorância: não interessa que nomes “reputados”, das letras brasileiras e portuguesas tenham nele colaborado; fizeram um mau trabalho e prestaram um péssimo serviço à língua portuguesa e às lusofonias que dizem defender. Meteram-se em assuntos para os quais não tinham, por mais que me custe dizê-lo, competência específica.»

 

Mais palavras para quê? Os factos falam por si. Resta-nos exercer o nosso direito de cidadania, manifestar a nossa indignação de forma activa, responsável, e esperar que os portugueses olhem o mais depressa possível para esta realidade. Temos ainda o dever de apoiar a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, para podermos tirar a nossa língua do atoleiro em que a meteram.

 

Duarte Afonso

Romancista»

 

Fonte: https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-assembleia-da-republica-e-o-acordo-83832

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:52

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Domingo, 27 de Dezembro de 2020

Aos governantes portugueses que promovem a destruição da Língua Portuguesa comprometendo, desse modo, a inteligência das gerações futuras…

 

… por mera relutância em reconhecer que o Acordo Ortográfico de 1990 foi a maior idiotice que alguma vez ocorreu em Portugal, porque, na verdade, só Portugal se esmera nesta garabulha ortográfica.

 

«Não há liberdade sem necessidade. Não há beleza sem o pensamento da beleza». Um interessantíssimo texto, da autoria de Christophe Clavé, que liga o empobrecimento da Línguagem à diminuição dos níveis de inteligência.

 

Algo que está a passar-se em Portugal, aceleradamente. E se ninguém fizer nada, urgentemente, chegaremos ao nível zero da inteligência, já na próxima geração.

 

Isabel A. Ferreira

 

Schermata-2020-10-24-alle-15.24.15-980x743.png

 

Por Christophe Clavé

 

«Não há liberdade sem necessidade. Não há beleza sem o pensamento da beleza».

 

«É a inversão do efeito Flynn.

 

Parece que o nível de inteligência medido pelos testes diminui nos países mais desenvolvidos.

 

Pode haver muitas causas para este fenómeno.

Um deles pode ser o empobrecimento da linguagem.

 

Na verdade, vários estudos mostram a diminuição do conhecimento lexical e o empobrecimento da linguagem: não é apenas a redução do vocabulário utilizado, mas também as subtilezas linguísticas que permitem elaborar e formular pensamentos complexos.

 

O desaparecimento gradual dos tempos (conjuntivo, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado) dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento: incapaz de projecções no tempo.

 

A simplificação dos tutoriais, o desaparecimento das letras maiúsculas e da pontuação são exemplos de "golpes mortais" na precisão e variedade de expressão.

 

Apenas um exemplo: eliminar a palavra "signorina" (agora obsoleta) não significa apenas abrir mão da estética de uma palavra, mas também promover involuntariamente a ideia de que entre uma menina e uma mulher não existem fases intermediárias.

 

Menos palavras e menos verbos conjugados significam menos capacidade de expressar emoções e menos capacidade de processar um pensamento.

 

Muitos estudos têm mostrado que parte da violência nas esferas pública e privada resulta directamente da incapacidade de descrever as emoções em palavras.

 

Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível.

 

Quanto mais pobre a linguagem, mais o pensamento desaparece.

 

A história está cheia de exemplos e muitos livros (Georges Orwell - "1984"; Ray Bradbury - "Fahrenheit 451") contam como todos os regimes totalitários sempre atrapalharam o pensamento, reduzindo o número e o significado das palavras.

 

Se não houver pensamentos, não há pensamentos críticos. E não há pensamento sem palavras.

 

Como construir um pensamento hipotético-dedutivo sem o condicional?

Como pensar o futuro sem uma conjugação com o futuro?

 

Como é possível captar uma temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo, passado ou futuro, e a sua duração relativa, sem uma linguagem que distinga entre o que poderia ter sido, o que foi, o que é, o que poderia ser, e o que será depois do que pode ter acontecido, realmente aconteceu?

 

Quero dirigir-me a pais e professores:  façamos com que nossos filhos, nossos alunos falem, leiam e escrevam. Ensinar e praticar o idioma nas suas mais diversas formas. Mesmo que pareça complicado. Principalmente se for complicado.

 

Porque nesse esforço existe liberdade.

 

Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a ortografia, libertar a linguagem dos seus "defeitos", abolir géneros, tempos, matizes, tudo que cria complexidade, são os verdadeiros arquitectos do empobrecimento da mente humana.

 

Não há liberdade sem necessidade.

Não há beleza sem o pensamento da beleza. "

 

Christophe Clavé

 

Traduzido do texto original, neste link:

https://libplus.it/non-ce-liberta-senza-necessita-non-ce-bellezza-senza-il-pensiero-della-bellezza/?fbclid=IwAR2Xi8PO0W--v-1SobsXNuDfrp612WOA4luy8Q8qx2OCRJnQFZQCd1uniUA

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:39

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2020

Votos de um Natal tranquilo…

 

... com muita Saúde e muita Paz  ...

 

Votos de Natal.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:55

link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Domingo, 20 de Dezembro de 2020

«O grande Eça no Panteão Nacional?»

 

Subscrevo este texto de João-Afonso Machado, publicado no Blogue Corta-Fitas.

 

Por tudo o que conhecemos do carácter de Eça de Queiroz, ele jamais desejaria que a sua ossada repousasse no Panteão Nacional. Eça está acima dessa vã vaidade, além de que Tormes é o lugar ideal para acolher um corpo que deu guarida a um espírito que, se existisse nos dias de hoje, demoliria os que, para proveito político, pretendem desalojá-lo da paz da sua sepultura, varrida pelos ventos…

 

Contudo, como refere João-Afonso Machado, a derradeira palavra pertencerá à Família Eça de Queiroz.


 Isabel A. Ferreira

 

Eça de Queiroz.jpeg

 

Por João-Afonso Machado, em 19.12.20

 

«O grande Eça no Panteão Nacional?»

 

«Está na ordem do dia: os restos mortais de Eça de Queiroz, pretende o Governo de Costa trasladá-los para o chamado Panteão Nacional.

 

O grande Eça, caso não saibam - e muitos não saberão... - morreu em Neuilly, França, e foi o cabo dos trabalhos para o trazer para Portugal, onde foi sepultado nos Prazeres, Lisboa, e, posteriormente, levado para Tormes, em Santa Cruz do Douro.

 

Ali repousa na sua merecida paz, longe da política e de todos os Abranhos deste mundo.

 

Agora, manifesta o Governo a sua vontade em o levar para o Panteão Nacional. Onde jazem figuras várias, nenhuma com a sua visão da política, do mundo e da Arte. Aliás (sem procurar apoio historiográfico), arrisco dizer - quase todos os sepultos no dito Panteão, far-se-iam mais depressa em nada se Eça sobre eles escrevesse...

 

Eu suponho - e espero! - a derradeira palavra caiba à Família Eça de Queiroz. E contra a Família Eça de Queiroz, é óbvio nada tenho a contradizer. Tenho é algumas ideias na cabeça. Por exemplo:

 

- Os governantes da época de Eça não perderam muita atenção com a sua morte. Só devido aos esforços de alguns amigos dele, atribuiram uma "pensão de sobrevivência" (aliás, de extrema necessidade) à viúva,  a Senhora Dona Emília de Castro, e aos Filhos;

 

- Os ditos Filhos perderam essa pensão em virtude das suas convicções monárquicas, pelas quais se manifestaram nas "Incursões" de 1911-12;

 

- Eça, monárquico que foi, é lido da frente para trás, assim se esquecendo os seus romances A Cidade e as Serras, e A Ilustre Casa de Ramires, entre outros escritos do maior significado;

 

- Eça, confrontado com esta III República morreria do primeiro mal que lhe desse. Calcula-se que esse mal seria a própria enunciação do termo - "III República". É só imaginar o grande Eça em conversa com o Eduardo (Dâmaso) Cabrita;

 

- Pensando em As Farpas, Ramalho acompanhá-lo-ia, também, em tal desterro no Panteão. Mas Ramalho, politicamente, não é tão sonante. Mais a mais, sobreviveu à Monarquia e (in Últimas Farpas) escreveu - «A República continua dando ao mundo o mais inacreditável espectáculo - existe»...

Costa quer popularidade. Eça, que na História vai imenso mais além deste batoteiro, quer sossego. Está bem em Tormes, e recomenda-se. Por isso... Vamos todos zurzir bengaladas nestes Palmas Cavalões (e cavalonas...) da sacanice governamental. Pelo inesquecível e inigualável Eça de Queiroz.»

 

Fonte: 

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/o-grande-eca-no-panteao-nacional-7168155?view=35892891#t35892891

Nota: clicar no link para ler os comentários ao texto, porque vale a pena.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:59

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (2)
partilhar
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2020

Urgente: "rececionisto" precisa-se!

 

recepcionisto.jpeg

Origem da imagem:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1798039893542644&set=gm.2054571048120733&type=3&theater&ifg=1

 

Repescando um texto de 2018, cada vez mais actualíssimo, devido a uma estranha moda, que circula por aí, inventada por alguém (= um, uma) muito complexado/complexada (?) com uma necessidade urgente de afeminar a linguagem, porque acha (se ao menos pensasse!) que o Português é uma língua machista. Então há que feminizá-la, para que as mulheres possam garantir o seu lugar ao sol, igual ao do homem, na sociedade. E quem assim cisma, vergonhosamente, nada sabe de  Português.

 

As mulheres ganham menos 14% do que os homens, mas se todos e todas começarem a falar deste modo, a que eles e elas chamam linguagem inclusiva, elas chegarão à almejada igualdade salarial, num piscar de olhos. Então, não?

 

O pior é que quando se começa um discurso neste registo, tem de se ser coerente do princípio ao fim, o que raramente acontece, por ser absolutamente inexequível, e o discurso inclusivo transforma-se, então, numa patetice pegada.

 

Um exemplo: no passado dia 6 de Novembro, num dos seus discursos à Nação, o presidente da República dizia que cada uma e cada um dOs portuguesEs deviam fazer qualquer coisa que não vem agora ao caso. Então, o cada uma integrou-se no masculino daquele dOs, e a frase ficou estéril. Para falar à inclusiva o senhor presidente teria de dizer: cada uma das portuguesas e cada um dos portugueses, para que o feminino e o masculino ficassem ali bem definidos, porque é essa a função da malnascida linguagem inclusiva, que é a maior parolice que poderiam ter inventado, para dar visibilidade ao género feminino que, visto pela óptica dos inclusivistas, afinal, pode ser masculino, porque não há maneira feminina de dizer género feminino.

 

Isto para dizer que o Português não é uma língua machista, mas simplesmente uma Língua muito mal ensinada, muito mal falada, muito mal escrita, muito mal estudada e muito mal tratada.

 

O texto que se segue mostra bem a patetice da tal linguagem inclusiva, usada inclusive, por pessoas que ocupam altos cargos da Nação e são candidatas ao cargo de Presidente da República.

Uma vergonha!

 

***

 

Um grupo de amigos e uma grupa de amigas, portugueses e portuguesas, da região norte do país, dirigiram-se a Lisboa, para que os administradores e administradoras da Daylight Lda. (não devo escrever “Daylit”? A professora Lúcia Vaz Pedro anda sempre a dizer no JN que as consoantes que não se lêem não se escrevem) escolhessem os secretários e as secretárias e os rececionistos e as rececionistas com entrada imediata, porque estão muito necessitados e necessitadas de novos e de novas empregados e empregadas.

 

Para quem não sabe, “rececionisto” é um novo posto de trabalho criado pelo governo português, para diminuir a taxa de desempregados e desempregadas… Não, desempregadas não, aqui não se aplica… É só desempregados. Ai o que faz o hábito!!!

 

Talvez o Senhor Presidente da República Portuguesa esteja a precisar de um rececionisto, para que este possa receber os cidadãos e as cidadãs, que estão fulos e fulas com o rumo que a Língua Portuguesa está a tomar, pois qualquer dia estamos todos e todas metidos e metidas num manicómio, por causa desta monumental idiotice que se apoderou de alguns homens e de algumas mulheres, do nosso pobre País, que escorrega vertiginosamente para um abismo de loucos e de loucas.

 

Isto só comigo, ou deverei dizer isto só comiga!!!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Terça-feira, 15 de Dezembro de 2020

«Viagem alucinante pelo país das cinco ortografias»

 

«Podemos livrar-nos de Trump ou até do bicho coroado que nos atormenta, mas tardamos a livrar-nos da pseudo-ortografia.» (Nuno Pacheco)

 

NUNO PACHECO.jpg

 

Por Nuno Pacheco

 

Por má sina ou fatalidade, há coisas de que não nos livramos. Podemos livrar-nos de Trump, poderemos até livrar-nos do bicho coroado que nos atormenta, mas há um mal que continua a perseguir-nos sem desfalecer e que alastra como uma praga: a pseudo-ortografia. Houve até quem, de forma brilhante e acertadamente, lhe inventasse nome: pentaortografia. Num artigo bem recente, de 5 de Dezembro, no Diário do Minho, M. Moura Pacheco (ao qual, apesar do apelido, não me unem laços familiares) veio explicar de forma sucinta esta magno problema.

 

Começa assim: “Quando eu aprendi a escrever, havia duas ortografias: a certa e a errada. Agora há, pelo menos cinco. E todas auto-consideradas certas – é a pentaortografia.” Quais são? Ele explica: primeiro, a ortografia clássica ou antiga (a do acordo, ou reforma, de 1945); depois, “a do chamado ‘acordo ortográfico’ que, por sinal, nunca foi acordado”; em seguida, há “a ortografia do ‘super-acordo’ ou dos fanáticos do ‘acordo’. São aqueles que não podem ver uma consoante antes de outra sem que, zelosamente, a façam cair”; em quarto lugar, vem “uma mistura das três anteriores, em doses e proporções ao gosto de cada um, em ‘cocktails’ sortidos de um extenso cardápio.”; e, por fim, a quinta ortografia: “É a que não se integra em nenhuma das anteriores, que está errada à luz de qualquer delas, que desvirtua a fonética, atraiçoa a etimologia, ofende a morfologia e atropela a sintaxe. Uma espécie de sublimação da anterior. Mas é, talvez, a mais popular de todas.” Daí esta conclusão do autor, professor universitário aposentado: “Das duas velhas ortografias, o ‘acordo’ que ninguém acordou conseguiu fazer cinco – a pentaortografia. É o que se chama produtividade cultural!!!” Outra voz que se tem levantado, com regular insistência, contra tal realidade e dando exemplos, é a de João Esperança Barroca, na série “Em defesa da ortografia”, no jornal Cidade de Tomar.

 

Exagero? Antes fosse. Todos os dias, e é bom aqui sublinhar todos, surgem exemplos desta novilíngua que se vai insinuando pela má escrita e que, sem ameaçar a língua portuguesa (que já resistiu a tanto e há-de resistir a tudo), ameaça impiedosamente a nossa paciência. Alguns exemplos, recolhidos por olhares atentos, permitem uma avaliação sumária de tais misérias.

 

pseudo-ortografia.jpg

 

Na rua, um sinal de proibição de trânsito ressalva excepo [por excepto] acesso à escola”, bem perto de um outro onde se anuncia “Todas as direcções” (à “antiga”, com ). Na RTP, no Jornal da Tarde, lemos este aviso: “Restrições do fim-de-semana impõem novos horários para espétaculos [!] culturais”; enquanto isso, num anúncio governamental de restrições devido à pandemia, lia-se nas projecções atrás do primeiro-ministro: “Limitação de circulação na via pública nos 121 concelhos, ao fim-de-semana a partir das 13h.” Um desgoverno no aplicar do Acordo Ortográfico de 1990, que, na caça aos hífenes, impôs como norma fim de semana.

 

Quem diz hífenes diz acentos. Mão zelosa deve ter achado por bem este título “A ERC pode por [em lugar de pôr] em causa a sobrevivência da TVI” (Visão, 24/11). Quanto a “impatos”, “patos” ou “estupefatos”, vão surgindo a eito, apesar de se pronunciar claramente o omitido C em impaCtopaCto ou estupefaCto. No artigo “Costa apresenta plano para investir 43 mil milhões até 2030”, no Observador (22/11), lá vinha: “com menor impato no clima”; o mesmo numa circular de formação escolar, onde se menciona o “impato nos currículos”. Já num antigo artigo da Visão (“Quando a Europa vai à Escola”), apesar de aí se escrever “impacto” sem erro, surge esta linda frase: “É sempre preciso patuar com algo que não é o ideal”; e na TVI (26/2) tivemos ainda esta pérola: “Setor bancário está estupefato com esta decisão.”

 

Isto já para não falar nos “artefatos tecnológicos” (numa comunicação sobre Tecnologia Educativa), no “julgamento por corrução do ex-presidente Sarkozy” (Lux, 30/11), na “interrução de trânsito” (Câmaras do Machico e do Funchal), ou na “queda de um helicótero” [por helicóptero] em notícias publicadas em 2019 em jornais de Coimbra e da Madeira.

 

impato de tudo isto deixa-nos estupefatos. O melhor é ir a um espétaculo, a ver se passa.

 

Fonte: https://www.publico.pt/2020/12/10/culturaipsilon/opiniao/viagem-alucinante-pais-cinco-ortografias-1942286

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:33

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
Domingo, 13 de Dezembro de 2020

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILC-AO): «À espera de Godot?»

 

Definitivamente, não vivemos num Estado de Direito, pois as leis do País são sistematicamente atropeladas, a favor dos interesses dos que nos governam, que fazem o que bem querem, porque em Portugal é assim: as leis estão apenas ao serviço de quem as cria.

 

Deixo-vos com mais um capítulo da saga ILC-AO, algo que o governo português e Marcelo Rebelo de Sousa deviam ter em conta, mas assobiam para o lado, como bons déspotas que são.

 

Isabel A. Ferreira

 

ILC-1.jpg

 

Por Rui Valente 

 

«À espera de Godot?»

 

«Já sabemos, há alturas em que não vale a pena insistir. Pelos critérios da Assembleia da República, os temas mediáticos, financeiros e/ou polémicos são sempre prioritários. A crise do Orçamento de Estado para 2021, que nos ocupou durante longuíssimas semanas, fazia o pleno nestas três alíneas.

 

Já o debate sobre o Acordo Ortográfico, pelo contrário, parece nunca ser oportuno. Na sala de espera e triagem do Parlamento, a Língua Portuguesa pode estar em coma — nem assim se livra da pulseira verde.

 

ILC-2.jpg

 

É por isso que escrevemos hoje este artigo. Mesmo à luz das prioridades da Assembleia da República, esta é uma boa altura para darmos seguimento à “questão ortográfica” (que de Ortografia nada tem). A saga do OE2021 está finalmente ultrapassada e até o Estado de Emergência motivado pela COVID-19 foi agora renovado. Estamos à espera de quê? Este é o tempo certo para que finalmente debatam o Projecto de Lei 1195/XIII.

 

Na aparência, a nossa proposta pode parecer um assunto meramente burocrático — limitamo-nos a propor à Assembleia da República a reavaliação de uma Resolução que tomou há doze anos. A simples reparação de um (trágico) erro, em suma. Mas não tenhamos ilusões: se os deputados continuarem a protelar “sine die” este debate, as consequências para a Língua e para a cultura portuguesa serão gravíssimas — seguramente mais graves do que o chumbo de um Orçamento de Estado ou de outra legislação avulsa.

 

ILC-3.jpg

 

Recordamos que a Conferência de Líderes propôs-nos, no já longínquo mês de Setembro, a conversão da ILC-AO em petição. Perante a nossa recusa, em que ficamos? Logicamente, o assunto deverá regressar à Conferência de Líderes para que esse órgão se pronuncie, em definitivo, sobre o agendamento para debate e votação em Plenário da nossa Iniciativa Legislativa.

 

Infelizmente, a ILC-AO não é um partido político e, como tal, não está representada na Conferência de Líderes. É-nos vedada toda e qualquer possibilidade de influenciar a agenda do Plenário.

 

Estarão as Iniciativas Legislativas de Cidadãos condenadas à orfandade, competindo de forma desigual com os diversos interesses partidários? Não deveria ser assim. Permitimo-nos lembrar que os subscritores da ILC-AO são também cidadãos eleitores. Se os diversos líderes partidários representam, em primeiro lugar, os cidadãos que os elegeram, então a ILC-AO deve ser representada por qualquer um deles.

 

ILC-4.jpg

 

De resto, estamos certos de que nunca houve, até hoje, uma ILC que tenha recolhido tantos apoios distintos, de todos os quadrantes políticos. Se há uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos acima de quaisquer ordens profissionais, sindicatos, religiões ou partidos, capaz de reunir um largo consenso na sociedade portuguesa, é a ILC-AO. Temos, seguramente, eleitores de TODOS os partidos políticos com assento na Assembleia da República e, por conseguinte, na Conferência de Líderes. Por força da Lei, a casa da democracia representativa é também a casa da democracia participativa.

 

ILC-5.jpg

 

As ILC não podem ser vistas como um parente afastado (ou parente pobre ou parente de chapéu na mão, como um pedinte), cuja visita nunca é oportuna ou conveniente. Por maioria de razões, uma Iniciativa transversal como a ILC-AO é, por definição, o momento em que a democracia participativa e a democracia representativa podem e devem complementar-se, actuando de forma concertada.

 

Sabemos que pelo menos o PAN, em face da nossa resposta à Conferência de Líderes, já manifestou a intenção de abordar novamente o assunto numa próxima reunião da CL. Saudamos desde já essa decisão e esperamos que mais líderes partidários possam seguir o exemplo, dando voz aos eleitores que neles confiaram. De preferência, agora! — antes que sobrevenha a próxima crise política, que será inevitavelmente mediática e inadiável.

 

ILC-6.jpg

 

Não podemos ignorar que a admissão da ILC-AO teve lugar já na anterior Legislatura, há mais de um ano. Os sucessivos atrasos e adiamentos desde há muito tempo ultrapassaram todos os limites. Mesmo tendo em conta o ano atípico que estamos a viver, é por demais evidente que esta demora não é neutral e, pelo contrário, beneficia claramente a manutenção da desortografia em que vivemos actualmente. Neste contexto, a resposta da Assembleia da República perante um exercício de cidadania como a ILC-AO não pode ser… a falta de resposta.

 

ILC-7.png

Um exemplo entre muitos: enquanto esperamos, o apagamento do Português Europeu continua, metodicamente substituído por um “Português” único, pretensamente “universal”. Quaisquer semelhanças com o Português do Brasil não são mera coincidência.

 

Imagens: capturas de écran, a partir de uma emissão em “streaming” da Prime Video (Amazon).

Esperando a Godot (en francés: En attendant Godot), a veces subtitulada Tragicomedia en dos actos, es una obra perteneciente al teatro del absurdo, escrita a finales de los años 1940 por Samuel Beckett y publicada en 1952 por Éditions de Minuit. Beckett escribió la obra originalmente en francés, su segunda lengua. La traducción al inglés fue realizada por el mismo Beckett y publicada en 1955.1


La obra se divide en dos actos, y en ambos aparecen dos vagabundos llamados Vladimir y Estragon que esperan en vano junto a un camino a un tal Godot, con quien (quizás) tienen alguna cita. El público nunca llega a saber quién es Godot, o qué tipo de asunto han de tratar con él. En cada acto, aparecen el cruel Pozzo y su esclavo Lucky (en inglés, «afortunado»), seguidos de un muchacho que hace llegar el mensaje a Vladimir y Estragon de que Godot no vendrá hoy, “pero mañana seguro que sí”. [Wikipedia]
 

Fonte:

https://ilcao.com/2020/12/10/continuamos-a-espera/?fbclid=IwAR045outbMFvgc1aMBYWqtG6-x9JbGqPZF6jaS0F-7PZsJNdJXfmmO24Wd4

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:33

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2020

Um texto acabado de chegar do outro lado do Atlântico: «Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Eis um texto escrito por um Professor universitário brasileiro, Arthur Virmond de Lacerda, que estudou em Portugal, e conhece a fundo a Língua Portuguesa, e também ele se ofende com o abrasileiramento do Português.

 

Tanto os políticos portugueses, como os políticos brasileiros meteram o pé na argola, e o povão, à ceguinha, vai atrás deles, sem a mínima noção de que caminham para o abismo, ou seja, para a extinção da Língua Portuguesa…

Um texto para ler e meditar.

Isabel A. Ferreira

 

Carmen de Frias e Gouveia.png

 

Por Arthur Virmond de Lacerda

 

«Portugal: Colônia lingüística do Brasil»

 

Portugal é colônia lingüística do Brasil, cujas expressões e palavras coloquiais aí grassam: tudo bem, dica, dar a volta por cima, bora, a gente, acho e sem-número de dizeres populares, bem como a alteração do sentido de palavras, a ausência das segundas pessoas, da mesóclise, dos pronomes contraídos, o desuso do pronome "vosso". As telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, quer na agressividade verbal, na cólera, no destempero de suas personagens, quer na sua elocução (não no sotaque).

 

Comunicadores falam à brasileira (Marques Mendes [já ouvi Marques Mendes a parabenizar já não sei quem] Carlos Vaz Guedes, Ricardo Araújo Pereira) e parece-me que fazem questão de marcar seu abrasileiramento, pela repetição, várias vezes, dos recursos brasileiros (como o verbo achar e "a gente"). Por outro lado, é raríssima qualquer palavra tipicamente portuguesa no Brasil ("cimeira" até circula, ocasionalmente; "mais do mesmo" circula um pouco). Mesóclise, segundas pessoas, pronomes contraídos, passam por lusitanismos. Importante corrente lingüística preconiza a recusa da herança idiomática portuguesa, a inovação da gramática, a independência idiomática de Portugal, o desprezo da mesóclise, da ênclise etc. No Brasil, saber mal e falar mal o idioma é traço da identidade cultural, bem assim condenar a forma culta do idioma como pedantismo e lusitanismo.

 

Ainda ontem (10.XII.2020) em telenovela da SIC, personagem feminina falava em tom colérico (o que é típico das telenovelas brasileiras, em que há ira, raiva, agressividade verbal) e com elocução brasileira de todo. Empregou, por exemplo, a palavra "aposta" em "fulano é nossa aposta" ou coisa por este estilo. Por que os redatores de telenovelas portuguesas, exibidas em Portugal, são brasileiros ou escrevem abrasileiradamente?

 

Livros portugueses são abrasileirados, em suas edições brasileiras (salvo os de Saramago e de Miguel de Sousa Tavares).

 

A edição juvenil da Ilíada e da Odisséia, de Frederico Lourenço, foi abrasileirada, com a supressão das segundas pessoas, de mesóclises, alteração de alguma sintaxe. O que seria leitura educadora para jovens e adultos brasileiros, é apenas mais da mesma mediocridade reinante no Brasil.

 

Ao mesmo tempo, o livro de ensinança de latim do próprio Frederico Lourenço leva título abrasileirado: "Latim do zero", em que "do zero" é como se diz no Brasil: comecei a estudar latim do zero, ou seja, sem dele nada saber.

 

Vá lá que o idioma é o mesmo e o que se incorpora do Brasil, incorpora-se do mesmo idioma. Mas pergunto-me por que os portugueses gostam tanto dos brasileirismos, por que comunicadores fazem questão de dizer à brasileira, por que as telenovelas portuguesas são abrasileiradas? A simpatia pelo Brasil vai a esse ponto?

 

É como praticam lusofonia? Seja, mas praticá-la envolve falar à brasileira, como se estivessem no Brasil?

 

É claro que há liberdade de falarem assim; cada um é livre de adotar brasileirismos (ou não), máxime porque o idioma é o mesmo. Até certo ponto, a influência dá-se naturalmente, pela presença já antiga de 40 anos de telenovelas brasileiras e de brasileiros em Portugal. Mas por que as telenovelas portuguesas são redigidas provavelmente por brasileiros, com elocução brasileira?

 

Por que comunicadores e até o presidente da república falam à brasileira? Julgam (os brasileiros dizem "acham") que assim aproximam Portugal do Brasil? Enganam-se. Julgam que assim granjearão ouvintes brasileiros? Necessitam disto?

 

Enquanto a influência brasileira em Portugal é maciça, é ínfima a presença da fala portuguesa no Brasil: tirante os livros de Saramago e M. S. Tavares (acaso também outro), os mais são adaptados, ou seja, descaracterizados em sua construção original, com supressão das segundas pessoas, mesóclises, vocabulário. Enquanto os portugueses leem Jorge Amado tal como ele escreveu, os brasileiros não leem F. Lourenço tal como ele escreveu. Enquanto as telenovelas portuguesas são abrasileiradas há décadas, os dizeres portugueses no Brasil resumem-se a "mais do mesmo", "cimeira" e mais uma ou duas expressões. João Pereira Coutinho e Ricardo Araújo Pereira escrevem na Folha de S. Paulo: à brasileira?

 

Isto tudo é lusofonia e aproximação cultural entre Brasil e Portugal no sentido limitado e unilateral da presença da fala brasileira em Portugal e da modificação da elocução portuguesa ao modo brasileiro. A pouco e pouco, a lusofonia vai se tornando em brasileirofonia, o que, aliás, presumivelmente fortalece a concepção, típica de certos meios brasileiros, de que a quantidade de usuários serve como padrão do idioma e que, portanto, o estilo brasileiro representa a língua portuguesa: os brasileiros são mais, os portugueses são menos e já falam à brasileira. Tal critério não leva em conta a profundidade do conhecimento do idioma, que até poucos anos distinguia os portugueses dos brasileiros: aqueles eram menos e melhores; estes são mais e piores (melhores e piores no conhecimento do idioma e no seu uso).

 

A influência brasileira é deletéria, com sua pobreza de elocução quanto aos recursos do idioma.

 

Até 10 ou 15 anos, era educativo os brasileiros freqüentarem Portugal e portugueses, para aprimorarem seu uso do idioma; já agora, não mais: a influência brasileira leva aos portugueses, além de locuções, vícios, empobrecimentos, alterações de sentido, supressão de recursos. Está na hora de os portugueses combaterem a influência brasileira no idioma.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/arthur.virmonddelacerda/posts/3671609496211434?comment_id=3671680132871037&notif_id=1607689856195518&notif_t=comment_mention&ref=notif

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:43

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar
Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2020

Neste Natal compre ou ofereça livros de Bons Autores e Bem escritos ou traduzidos em Bom Português

 

Quando digo escritos e traduzidos em Bom Português, obviamente, quero dizer livres do intragável AO90.

 

Deixo aqui aos leitores apenas uma amostrinha da pilha de livros (todos de bons autores e boa escrita) que vou amontoando aqui na minha mesa de trabalho, por já não ter lugar nas estantes que forram as paredes da minha casa.

 

Também vos deixo aqui alguns dos livros que foram escritos acerca da maldição acordista, que assolou Portugal, e que tenho aqui na mesa, sempre à mão, para consulta, porque quem escreve deve informar-se com quem sabe da matéria… Aconselho vivamente a leitura destes livros. São autênticas bíblias da Língua Portuguesa.

 

Recomendo igualmente a consulta deste link, para a página do Facebook Português de Facto, onde podem encontrar sugestões de livros escritos em Bom Português, em edições recentes, um verdadeiro oásis no deserto da incultura linguística, surgido em Portugal depois do advento do AO90.

https://www.facebook.com/portuguesdefacto

 

Por favor, não comprem livros acordizados, porque estão a prestar um péssimo serviço à Cultura Portuguesa, e a dar lucro a mercenários.

 

Isabel A. Ferreira

 

LIVROS RECENTES.png

LIVROS ACORDO.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:42

link do post | comentar | adicionar aos favoritos (1)
partilhar

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Junho 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
13
14
15
16
17
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. «Economês e Republiquês» ...

. Todos os caminhos vão dar...

. Ainda no rescaldo do dia...

. Hoje celebrarei, a três t...

. “Neo(i)logismos” – uma ex...

. «Pronome no lugar certo é...

. Celebrar o quê no Dia Mu...

. «A Língua Portuguesa no s...

. Por via da “igualdade de ...

. Diz o autor Helder Guégué...

.arquivos

. Junho 2021

. Maio 2021

. Abril 2021

. Março 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. a href="https://www.facebook.com/portuguesdefacto/" target="_blank">https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. Sobre a grafia utilizada neste Blogue

Este Blogue rejeita automaticamente a grafia brasileira, preconizada pelo falso acordo ortográfico de 1990, que foi imposto ilegalmente aos Portugueses. Este Blogue adopta a Língua Oficial de Portugal – a Língua Portuguesa, na sua matriz culta e europeia - na grafia de 1945, a que está em vigor. Grafia brasileira só em textos escritos por Brasileiros.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.
blogs SAPO