Sábado, 30 de Agosto de 2025

A batalha pela Língua Portuguesa, em Portugal, ainda não está perdida, embora esteja em modo silencioso, por falta de coragem de quem de direito, para virar a mesa, permitindo à Língua Madrasta que se instale...

 

Mas no estrangeiro, há quem esteja atento, mas também desesperado com a inacção dos que apregoam ser desacordistas, e em nada contribuem para que se possa recuperar a nossa Língua Materna.

 

Um dos vários portugueses que estão atentos ao que se passa em Portugal em relação à submersão da Língua Portuguesa, que está a ser substituída pelo Brutoguês dos medíocres que se apoderaram da Língua como se fossem donos delas, é  Fernando Kvistgaard, cidadão luso-dinamarquês, que me enviou a seguinte mensagem:

 

Amiga Isabel.

A luta pela nossa Língua é uma batalha perdida?

Portugal é, que eu saiba, o único país do mundo, onde os políticos mandam na Língua e, estragando-a, a ridicularizaram. O pior de tudo isto é que ninguém se importa, a não ser uma "meia-dúzia" de patriotas que nada podem e mandam.

***

Respondi-lhe, e aqui publico o que disse, com o seu consentimento, para ver se os desacordistas ACORDAM.

 

Caro amigo Fernando.

Vou tentar responder à sua pergunta:

A luta pela nossa Língua é uma batalha perdida?

Nenhuma batalha está perdida antes de acabar, amigo Fernando.

 

Alguns de nós ainda não desistiram da luta. O que acontece é que somos poucos a lutar. São uma meia-dúzia aqueles que ainda mantém acesa a chama desta luta.

 

Em Portugal já não há guerreiros, nem padeiras de Aljubarrota com fartura. Somos meia-dúzia a fazer, o que milhares deveriam fazer.  Mas não, estão todos caladinhos, nos seus cantinhos, e quando dizem alguma coisa em público, não ferem a fera do Poder, aqui-d’el-rei porque lhe devemos respeito.  

 

Qual respeito? Eles respeitam os Portugueses? Eles interessam-se por resolver os problemas de Portugal? Como podemos respeitar quem se avassalou a um país sul-americano, que nos quer tramar?

 

Sim, Portugal é o único país do mundo e arredores em que os políticos (ignorantes) mandam na Língua, destruindo-a e ridicularizando-a, sim. E isto diz da pequenez actual deste rectangulozinho que deu novos mundos ao mundo, e hoje está na cauda da Europa em quase tudo, e em muita coisa é ainda um país terceiro-mundista.

 

E sim, caro Fernando, o pior de tudo isto é que ninguém se importa, a não ser uma "meia-dúzia" de patriotas que nada podem e mandam.

 

Nada podem e mandam, mas têm voz, e enquanto houver vozes a protestar, ainda que meia-dúzia delas, há esperança. Porque não?

***

Porém, se a esta meia-dúzia de vozes se juntassem as vozes individualmente das 297 pessoas, que fazem parte do  Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes,  e dos milhares de vozes dos elementos que fazem parte dos Grupos que se dizem anti-AO90 do Facebook, talvez as coisas fossem diferentes.

 

É preciso abanar as estruturas e fazer soar os tambores e ferir a fera do Poder mostrando-lhe que os Portugueses não são os parvos que eles querem fazer de nós.

 

Eu abandonei um pouco o Blogue, porque ando pela Internet, Google, Facebook e YouTube a fazer mossa em tudo o que encontro escrito em Brutuguês e a pôr na linha aqueles que (talvez) a soldo de mandantes poderosos, andam por aí a açoitar o Português com uma ignorância de bradar aos céus. É que, pelo que sei, é intenção dos governos envolvidos nesta teia, dar um golpe final à Língua Materna dos Portugueses, e substituí-la pela Língua Madrasta, que não pedimos, não queremos e rejeitamos veementemente.



Também deixei de enviar os textos que aqui escrevo às autoridades de Portugal, por começar a sentir-me uma idiota. Não é da idiotice enviar textos a Blocos de Betão para que os leiam e neles reflictam? Quem no seu perfeito juízo o faria? Eu fiz, por não acreditar que o Povo Português pudesse andar a votar em Blocos de Betão. Enganei-me. Abandonei a minha idiotice.

Os Blocos de Betão.png


Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:07

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Terça-feira, 12 de Agosto de 2025

«DIVAGAÇÃO DOMINICAL - Nossa pátria ainda é nossa língua?», por Sidney Silveira (*)

 

Introdução:

«É bom saber que no Brasil nem todos são "palha", há quem PENSE a Língua, até porque as Línguas não servem apenas para comunicar, mas também para fixar o SABER, e se podemos "folgar" com a Língua na oralidade, na escrita temos de ser perfeitos.»

Isabel A. Ferreira

***

Sidney Silveira.PNGSidney Silveira

 

DIVAGAÇÃO DOMINICAL

Nossa pátria ainda é nossa língua?


Por que em Portugal se manteve a colocação do hífen no verbo "haver" seguido da preposição "de", em construções como "há-de", "hei-de", "hás-de", etc.? Houve razões de natureza histórica para a manutenção desta tradição proveniente de usos antiquíssimos do idioma português. No Brasil, por que o referido hífen foi abolido na reforma ortográfica de 1943? Houve razões de natureza gramatical para isto, mantendo-se o hífen nas composições lexicais e nos pronomes oblíquos átomos ligados a formas verbais – e a locução "haver de" não se enquadra em nenhum destes casos.

Que dizer da manutenção, em Portugal, da consoante muda em palavras como "correcção", "tecto", "facto", "projecto" "óptimo" (recém-suprimidas no funestíssimo acordo ortográfico vigente), ao passo que no Brasil grande parte delas foi suprimida em 1943, ficando apenas aquelas que eram claramente pronunciadas, "como "decepção", "recepção" e outras? Há sólidas razões para estes dois usos diferenciados, com critérios exclusivamente fonéticos para o caso brasileiro, e étimo-morfológico-fonéticos para o caso português.

O idioma é selvagem e, ao longo do tempo, desenvolve-se nos hábitos de linguagem dos que nele se expressam quer oralmente, quer por escrito. O gramático registra as mudanças, classifica-as, justifica-as ou não, à luz de sua ciência, porém não lhe cabe colocar camisas-de-força demasiado rígidas quando novas formas são consagradas pelo uso.

No caso do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO90), não se tratou de mudanças justificáveis por novos usos consagrados, mas de uma arbitrária imposição política sem esteio histórico nem lingüístico (observe-se que estou aqui usando o trema!).

Penso que essa desgraceira foi mais deletéria para os portugueses do que para nós, por ser uma afronta aos hábitos de linguagem contemporâneos dos nossos irmãos d'além-mar, que, à luz do AO90, devem agora grafar os mostrengos "receção", "aceção", "perceção" e muitíssimos outros. A propósito, para os portugueses as consoantes mudas têm, nestes casos, a função de "abrir" a pronúncia da vogal subseqüente.

Atiraram-nos a todos num vale-tudo que contribui para a degeneração do idioma, ai de nós.

"César" colocou-se acima da prudência gramatical.

 

Sidney 2.png

Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=30639052805738812&set=a.390828200988004

(*) Sidney Silveira é um jornalista, editor, escritor, professor e estudioso da filosofia medieval, conhecido por ser um dos maiores divulgadores da escolástica no Brasil – com ênfase na obra de Tomás de Aquino, o “Doctor Communis” da Igreja Católica.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:23

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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2025

Em país nenhum do mundo, se anda a travar uma luta pela integridade de um Idioma quase milenar, apenas porque uma ex-colónia, que o adoptou, mexeu na sua estrutura, transformou-o numa outra linguagem e continuou abusivamente a chamar-lhe Português

 

A imagem abaixo foi retirada daqui, com a seguinte introdução:

 

«Não se pode dizer a uma criança que vem de uma escola brasileira, onde aprendeu de uma determinada forma, que aquilo que aprendeu está incorrecto. O que tem de ser dito é que existem variedades e, estando aqui, também é bom conhecer a variedade de Portugal para poder usá-la cá, caso venha a continuar a viver no país, sem perder a variedade que já conhece.», sublinha Marco Neves.

 

 É obvio que não pode dizer-se a uma criança que vem de uma escola brasileira que a linguagem que aprendeu está incorrecta, porque não está. O que tem de ser dito é que no Brasil aprende-se a escrever e a ler a Variante Brasileira do Português, que é diferente do Português que as crianças portuguesas aprendem nas escolas portuguesas, e aproveita-se para acrescentar que a diferença não está apenas na fala (a fonética é a parte mais audível das diferenças), mas também na ortografia (onde as diferenças são inúmeras), no léxico, na morfologia, na sintaxe, na semântica, na acentuação, na construção frásica, explicando de um modo simples, o que tudo isto quer dizer.

 

O que se fala e escreve em Portugal NÃO é nem uma variedade nem uma variante do Português. O que se fala e escreve em Portugal é o Português ou Língua Portuguesa, ou Idioma Português, a Língua de Portugal,  e desta Língua criaram-se muitas variantes ( = dialectos) como a do Brasil, a de Cabo Verde (Crioulo Cabo-verdiano, que evoluiu para Língua Cabo-Verdiana), e muitas outras espalhadas pela Ásia e África, de acordo com o mais conceituado dialectologista português: José Leite de Vasconcelos. Sendo que Angola, Moçambique, Timor escrevem e falam Português, com um ligeiro sotaque característico de cada um desses países. O modo de falar brasileiro NÃO é um sotaque, porque tem elementos sonoros bem distanciados da fonética portuguesa.

 

Sotaque é o modo como se fala no Norte e no Sul de Portugal, portuenses e alentejanos, por exemplo.

 

O que se tem de dizer às crianças, não só brasileiras, mas de todas as outras nacionalidades (e são muitas) que frequentam as escolas portuguesas, é que devem aprender o Português original, livre do AO90, sem, contudo, esquecer as suas Línguas Maternas. Porque o Português só é Língua Materna de quem nasceu português.

 

Marco Neves -1.png

 

O que se lê nesta imagem não é verdade. Aprendi a ler e a escrever no Brasil, lá passei por todos os ciclos de ensino e sei que isto não é verdade.

 

Quando regressei a Portugal, tive de aprender a ler e a escrever a minha Língua Materna. E tanta, tanta coisa nova tive de aprender! O Brasileiro NÃO era a minha Língua Materna.

 

O Brasileiro é brasileiro. O Português é português.

 

Por muito que queiram não podem distorcer o que é factual, e o que é factual, é que o Brasil usa a Variante Brasileira do Português (Língua do Brasil) e Portugal usa o seu Idioma de raiz greco-latina, o Português ou Língua Portuguesa (Língua de Portugal).

 

Manuel Lameira, a propósito disto, escreveu um texto, que me foi enviado via Messenger, por uma amiga anti-acordista, e que tomo a liberdade de transcrever, concordando com ele:

  

«A língua é muito mais que a ortografia. Porque é que uma criança brasileira há-de ser tratada de forma diferente de uma marroquina ou ucraniana quando frequente as nossas escolas? Aquilo que ela aprendeu noutro lado tem alguma coisa a ver? Em Portugal as regras são as nossas e são essas que todos devem seguir (infelizmente aldrabadas com os acordos ortográficos).

 

Além disso se a maioria das palavras se escrevem do mesmo modo, em Portugal e no Brasil, o seu uso e significado - a língua - podem ser totalmente diferentes. Nós vamos "para casa" e os brasileiros vão "em casa"; facto e fato escrevem-se do mesmo modo em Portugal e Brasil, mas não significam o mesmo. Além do mais, isso de variedades é treta de "professores" que se armam em donos "onipotentes" da língua. Por esse andar ainda falamos todos variantes do galego, do latim, ... dos grunhidos do Pai Adão.

 

O que há é uma língua original, com séculos, o Português genuíno, e outra derivada que evolui de forma independente há 200 anos, e pelo número de falantes, e pela forma como é favorecida no nosso país de subservientes (com a gente que hoje temos a mandar - o fraco rei, já dizia Camões ... - , nem às Berlengas teríamos chegado!) acaba por inquinar a nossa língua. Falar em variantes é meter tudo no mesmo saco e já se sabe quem sai a perder, e não é o brasileiro. Tratar o português e o brasileiro como variantes (*), é imaginar uma árvore só com ramos e sem tronco, coisa que só cabe na cabeça de professores "amigos da onça", que sabem "tudo" sobre a matéria que ensinam, mas desconhecem o essencial. E o essencial, que as universidades não ensinam e a inútil Academia das Ciências não defende, é que o Português é a língua que se fala em Portugal. Como diria o Senhor de La Palice.»

Manuel Lameira

***

 Obs. da autora deste Blogue:

 (*) O Português é a Língua original, NÃO é variante de coisa nenhuma. Já foi dialecto, e hoje é uma Língua oriunda do Latim. O Brasileiro é a Variante Brasileira do Português, que um dia será uma Língua oriunda do Português.

***

Em país nenhum, em parte alguma do mundo, se andou ou anda a travar uma luta pela integridade de um Idioma, com quase mil anos de história, apenas porque uma ex-colónia, que o adoptou, mexeu na sua estrutura, transformou-o numa outra linguagem e continuou abusivamente a chamar-lhe Português.

 

Já é tempo de parar com este abuso.

O Brasil tem a sua Língua.  

E nós temos a nossa.


***

E posto isto, aqui deixo um recado para o Brasil:

 

«Excelentíssimo Senhor Inácio Lula da Silva, venho aqui apenas para lhe lembrar que o que de mal se faz neste mundo, cá se paga. O Brasil está metido em alhadas com as tarifas de Trump, e Vossa Excelência não está a gostar nada disso. É para ver!

 

Nós, Portugueses, também não estamos a gostar nada da ingerência de Vossa Excelência na vergonhosa questão da Língua Portuguesa. O Brasil tem uma Língua própria, que já não é a Portuguesa, porém, o Brasil insiste em destruir um Idioma quase milenar, para impor a Variante Brasileira do Português, com o aval dos muito servis políticos portugueses, que serão todos julgados pela História.

 

Nós não gostamos disto. Nós não aceitamos isto. Nós não vamos acatar o que nos querem impor.

 

Espero que Vossa Excelência aprenda a lição que a vida quis dar ao Brasil, com esta ingerência das taxas de Trump (que está na lista dos que também hão-de sofrer as consequências dos seus actos desprezíveis). A História está cheia de exemplos desse “sofrer as consequências pelos actos desprezíveis cometidos”.



Há um ditado português que diz: «o que cá se faz, cá se paga». É a mais pura verdade.
Não queremos mal a Vossa Excelência.

 

Só queremos que liberte Portugal do jugo brasileiro (de qualquer modo, havemos de nos libertar), e venha para o evoluído século XXI d. C.. Só assim poderá redimir-se e, talvez, entrar para a História. Os nossos políticos, que não souberam defender a soberania linguística de Portugal, já têm lugar garantido do lado de fora da História.

Com os meus mais cordiais cumprimentos,

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:48

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Terça-feira, 5 de Agosto de 2025

«Ainda não desesperei totalmente dos professores de Português, meus colegas: é urgente defender a Língua de Portugal!», desabafo da Professora Maria José Abranches

 

 

Maria José Abranches.PNG

 

Por Maria José Abranches

 

É espantoso que tanto se fale agora do estado lastimoso em que se encontra o nosso sistema de ensino, sem que se ouça uma voz que ponha em causa a imposição política do AO90, que tanto veio agravar a situação já desastrosa do ensino do Português, língua materna, cujo conhecimento e domínio são fundamentais em todo o processo de aprendizagem e desenvolvimento humano dos portugueses.

 

Chamo a vossa atenção para este artigo do "Público"

 

Ensino secundário: 42% dos alunos não conseguiram ter positiva no exame de Matemática

Português teve a melhor média em muitos anos, mas professora correctora diz que isso não reflecte qualidade dos alunos, que “estão pior”. Modelo de classificação “está a criar uma ilusão”.

 

que já comentei (ver abaixo).

 

Permito-me ainda recordar a responsabilidade dos nossos governantes em toda esta vergonhosa situação: veja-se (também abaixo) essa declaração de Cavaco Silva, então Presidente da República, estando no Governo o PS de José Sócrates, autor da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, aplicada depois acriticamente por Passos Coelho e mantida por António Costa e agora por Montenegro!

Ainda não desesperei totalmente dos professores de Português, meus colegas: é urgente defender a língua de Portugal!

 

 Deixo-vos com Fernando Pessoa, e os últimos versos do seu último poema da "Mensagem":

 

 «Tudo é incerto e derradeiro.

 Tudo é disperso, nada é inteiro.

 Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

 É a Hora!

 

Valete, Fratres.»

 

 ***

 

Comentário de Maria José Abranches ao artigo acima referido:

 

"E a adopção imbecil do AO90, que desfigura a nossa língua, lhe retira lógica ('Egito', mas Egípcio), ignora a sua história e assim a afasta das outras línguas latinas, não preocupa ninguém? Acham normal que se tenha desprezado o esforço feito desde 1945, para combater o tradicional analfabetismo nacional? Os professores de Português, meus colegas, continuam a achar normal e aceitável esta imposição política ignorante e autoritária? Por que razão maltrata Portugal a sua língua, que aqui nasceu e aqui se escreve há séculos, e que a nossa História espalhou pelo mundo?! Ainda gostava que algum psiquiatra se dedicasse a estudar esta questão, pois me parece que somos um caso único, pelo menos a nível europeu!... Democracia, isto?!..."

 

cavaco.PNG

in: https://www.publico.pt/2012/05/22/culturaipsilon/noticia/cavaco-elogia-acordo-ortografico-mas-confessa-que-em-casa-ainda-escreve-a-moda-antiga-1547095

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Sábado, 2 de Agosto de 2025

Morreu o filólogo brasileiro Sérgio de Carvalho Pachá, demitido da Academia Brasileira de Letras (ABL) por discordar publicamente da aprovação do “acordo ortográfico de 1990” ...

 

 

... e o Brasil perdeu uma das suas mentes mais brilhantes no que concerne à defesa da Língua Portuguesa. Tinha 85 anos. Morreu no passado dia 26 de Julho, no Rio de Janeiro. Do seu legado constam obras literárias e audiovisuais em defesa da Língua e da Cultura Portuguesas.

 

Não resisto a registar o Epitáfio, que ele próprio escreveu, no Rio de Janeiro, em Maio de 2023:

 

Não era mau sujeito

O sucumbido enfim Sergio Pachá.

Verdade é que tinha um humor acídico

E pouca paciência com pedantes.

Mas gostava de gatos, de Camões,

Dos pés molhados

De caminhar na areia à beira-mar.

Prometeu, não cumpriu

E partiu sem saber que trem tomava.

 

Sérgio Pachá.PNG

Descanse em paz, Sérgio Pachá!

 

Presto a minha homenagem a Sérgio Pachá, filólogo, escritor, tradutor, investigador e professor, por ter lutado contra o AO90, e em Defesa da Língua Portuguesa.

 

Contudo, apesar da sua voz gritante e do seu peso intelectual, nenhuma alminha brasileira se dignou a ouvi-lo. E pior do que isso, depois de ter chefiado, entre 2002 e 2009, o sector de Lexicografia da Academia Brasileira de Letras (ABL), período em que lutou abnegadamente pela integridade da Língua Portuguesa, foi mesquinhamente demitido por ter discordado da aprovação do acordo ortográfico de 1990, conforme pode ser consultado neste vídeo/documento histórico sobre o percurso d’A fraude intelectual da reforma ortográfica da Língua Portuguesa:

 

Silveira Dixit.PNG

Fonte da imagem: https://contraimpugnantes.blogspot.com/2014/04/a-fraude-intelectual-da-reforma.html

 

Por aqui podemos avaliar o embuste em que os governantes portugueses caíram como patos, ao se curvarem à simples vontade de Inácio Lula da Silva, que  até hoje desconhece o valor de um Idioma, que mal sabe falar.

Sérgio Pachá 5.png

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia: https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/o-adeus-sergio-pacha-filologo-autor-consultor-brasil-paralelo-lumine/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:05

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2025

Em Defesa da Ortografia (LXXXII), por João Esperança Barroca

 

João Esperança Barroca.PNG

João Esperança Barroca

 

O 82.º escrito da série “Em Defesa da Ortografia”, na linha do artigo de Junho, apresenta as mesmas características do seu antecessor.

 

A aposta continua a ser, agora, a de apresentar diálogos de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias.

 

XIII

— Vou abrir uma alfaiataria.

— Tens a certeza de que é um investimento rendível?

— Claro! Até o Diário da República, nos últimos anos, como o mostra o Francisco Miguel Valada, está cheio de fatos. Queres melhor sinal?

— E tens a certeza de que são todos fatos de vestir?

 

XIV

 — A minha mulher, que está sempre com modernices, vai fazer uma redução mamária com um cirurgião estrangeiro. Diz que vai ficar com melhor aspeto.

— Já tu especializaste-te em fazer reduções estúpidas. Primeiro no cérebro e depois na ortografia. Ou terá sido ao contrário?

 

XV

— Estive agora a ler, no jornal Público, que os agricultores estão na rua com os seus tractores, de norte a sul do país, para reclamar valorização do sector e condições justas, num protesto que deverá bloquear várias estradas.

— Faz sentido. Se tivessem levado os tratores, teriam muito menos impacto, ou impato, como já se ouve por aí…

 

XVI

 — O meu filho é muito impetuoso, mas também extremamente afetuoso. É muito sensível e qualquer tragédia o deixa muito afetado.

— Já pensaste levá-lo ao médico?

— Que médico?

— Estomatologista, é claro! Não disseste que ele anda cheio de aftas?

 

XVII

— Estou furibundo.

— Porquê?

 ­— Fui multado.

— Como é que te aconteceu isso?

— É muito fácil explicar como foi. Ia a caminho da máquina para tirar o talão e li numa placa “Máquina para pagamento”. Como aplico o coiso ortográfico, entendi que a máquina parava o pagamento. Por isso, fui à procura de outra máquina, mas não encontrei nenhuma.

 — Eu bem te avisei que adoptar o AO90 era sinal de estupidez. Como vês, saiu-te cara a modernice.

 

XVIII

 — O meu primo, que é brasileiro, vem trabalhar para cá como rececionista. Conheces alguma oferta de emprego aqui perto?

 Não, não conheço nada. E o teu primo tem alguma experiência nessa área?

— Só sei que no Brasil era recepcionista num hotel. Que eu saiba, não é a mesma coisa. Parece-me até muito mais completo.

 

XIX

— Nunca negociarei sob coação!

— Eu também não. Debaixo do coador, corro sérios riscos de ficar com o fato molhado. O preço das limpezas a seco está pela hora da morte.

 

XX

— Deparei-me há dias com a palavra fatura.  Não percebi o que significa. Não consegui entender se é uma fractura nos dedos, pois dizia lá “fatura digital”.

— Não te posso ajudar porque também não sei. Talvez, seja uma espécie de miacoutismo.

— Que raio de coisa é essa?

— É a criação de novas palavras a partir de outras já existentes.

— Então, a fatura poderá ser uma fartura pouco estaladiça?

 

XXI

— Por causa da recessão, adiei as obras na receção.

— O quê? Que estás a dizer? Não percebo nada.

— É a novilíngua, estúpido.

— Seja lá o que for, não percebo.

— É a maravilhosa língua unificada.

— Continuo sem perceber!

— Se queres que seja franco, também não sei explicar-te. Aprendi este palavreado e que a língua evolui…

 

XXII

— Andas acabrunhado, pá. Passa-se alguma coisa?

— Tenho uma disfunção erétil.

— Isso não é grave. É uma disfunção ligeira.

— O que percebes de urologia para dizeres isso?   

— Se é erétil, é ligeira e localizada. Grave e mais disseminada seria se fosse eréctil. Assim é que terias um problema preocupante.

 

XXIII

— Há dias, li num cartaz a palavra táctil. Como não a entendi, consultei o dicionário.

— O que é que dizia?

— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.

— É curioso! Já eu procurei o sentido de tátil.

— O que é que dizia?

— Que é um adjectivo uniforme, derivado do latim tactile e que se refere a tato.

— Não percebo. Será a mesma coisa?

— Talvez, mas com menos tacto, seguramente.

 

XXIV

— O meu pai foi ao Egito e trouxe-me vários artefatos indígenas.

— São mesmo egícios esses artefatos?

— São, são.

— E são esculturas?

— Não, pá! São fatos de artista ou fatos feitos com arte.

 

Ah, a página de Facebook dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico de 1990 continua a publicar imagens elucidativas do caos ortográfico que se instalou.

 

Ah, Maria do Carmo Vieira publicou no jornal Público um excelente artigo de opinião intitulado “O acordo ortográfico e ‘a sonolência passiva’ que silenciou o espírito crítico”. Como é habitual, vale a pena ler. Por essa razão, aqui deixamos um excerto razoavelmente extenso: “Antes de se decretar o que os Portugueses nunca haviam pedido e tinham sistematicamente ignorado, escrevia-se, naturalmente, ‘acto’, ‘recepção’, ‘concepção’ ou ‘retractar’, entre muitos exemplos, vocábulos agora truncados na sua marca etimológica que determinava a abertura da sílaba. Não admira, pois, que esta alteração ao ‘traje’ da palavra tenha prejudicado a sua leitura, dando azo a distorções, escritas e ouvidas. Realce-se os vocábulos ‘recepção’ ou ‘concepção’ que, pelo ‘critério da pronúncia’, se mantêm assim, no Brasil, alterando-se, em Portugal, para ‘receção’ ou ’conceção’, num evidente desmentido da ‘unidade ortográfica’ pretendida. No caso de ‘retractar’, o equívoco, que toda ortografia pretende eliminar, é notório porque agora tudo é ‘retratar’.

 

Ah! Quando tiver dúvidas, faça como os jornalistas de revista Flash: numa ocorrência, grafe a consoante dita muda; noutra, omita-a. Nalgum caso, há-de acertar.

João Esperança Barroca

 

João Barroca 3.png

 

João Barroca 2.jpg

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:23

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