Uma vez mais chegou-me da Dinamarca outro desabafo de Fernando Kvistgaard, um cidadão luso-dinamarquês entristecido por ver a sua Língua Materna tão maltratada, no País do seu próprio berço.
O sentimento do Fernando também é o meu sentimento e o de milhares de portugueses que, por esse mundo fora, sofrem ao ver a Língua Portuguesa tão maltratada, tão amesquinhada, tão mal escrita, tão mal falada, tão insultada, tão desprezada, atirada ao lixo acordista.
É natural que quem vive fora de Portugal, sabendo Português, quando se depara com palavras estranhas, como exceções, informacoes, efetiva, entre muitas outras, fique triste, frustrado, doído, sem saber o significado destas palavras alienígenas e como se pronunciam.



Responderei ao Fernando o seguinte: nenhuma dessas palavras tem correspondência no Português, na Língua Portuguesa.
O vocábulo Exceções, que se lê “eisc’ções”, é desconhecido em Língua Portuguesa. É uma parolice criada pela ignorância daqueles que, seguindo o ilógico AO90, acham [se tivessem a capacidade de PENSAR, não achavam] que as consoantes que NÃO se lêem NÃO são para escrever, como se isto pudesse ser uma regra gramatical em linha recta. E esta nem os Brasileiros, que foram os precursores da eliminação, sem critério algum, das consoantes que não se pronunciavam, mas com função diacrítica, a mutilaram. Escrevem-na conforme a grafia portuguesa: excePções. Porquê? Porque os Brasileiros pronunciam o pê em excePções. Porém, NÃO pronunciam as consoantes numa infinidade de vocábulos, como: objeto – “ob’jêtu”; objetivo – “ob’j’tivu; setor – (s’tôr); teto – “têtu”; direto – “dirêtu”, etc., por isso, as mutilaram, e pronunciam-nas com a consoante aberta, erradamente.
Dão umas no cravo, outras, na ferradura, não tendo seguido um critério científico e igual para todas as consoantes, que têm uma função diacrítica, ou seja, a função de acentuar as palavras, abrindo-as.
O mesmo se aplica na palavra efetiva, que se lê “if’tivâ”, que é um vocábulo que NÃO pertence à Língua Portuguesa, sendo exclusivo da Variante Brasileira do Português, portanto, em Português é erro ortográfico.
É por estas e por outras, que sou adepta de que se pronunciem todas as consoantes com função diacrítica, como o fazem, por exemplo, os Ingleses, os Franceses, e os Espanhóis.
Tomemos por exemplo a palavra direCtor, que em Português escreve-se com cê e lê-se di-ré-tôr; em Inglês escreve-se do mesmo modo que em Português, direCtor, e lê-se dai-rék-tuh, com o cê pronunciado; em Francês, escreve-se direCteur, e lê-se di-rrék-târr, com o cê também pronunciado; em Castelhano escreve-se direCtor, e lê-se di-rék-tôr, com o cê pronunciado; em Brasileiro escreve-se diretor e lê-se dji-ré-tô oudji-ré-tôrrr, abrindo o E, ainda que não tenha lá o cê, cuja função é abrir o E, e este é um vocábulo exclusivo do Brasil.
Então pergunto-me: porque é que em Português não havemos também de pronunciar o cê, em direCtor? Desse modo, os governantes e restantes acordistas, uma vez que não conhecem a palavra, saberiam que o vocábulo direCtor escreve-se com cê. E não a conhecem porque NÃO lêem. Aprendemos a escrever, lendo, visualizando as palavras. É desse modo que as crianças aprendem a escrever e a ver os cês e os pês, nos respeCtivos lugares.
Quanto ao vocábulo informacoes, na imagem está cedilhado. Falta-lhe o til, o que torna a palavra difícil de pronunciar: “infurmâçóes” (talvez!) Não sei dizer-lhe.
«E, já agora: Morada = New address em inglês?» Pergunta o Fernando.
O Inglês information, post office, new address justifica-se talvez para chegar a clientes estrangeiros. É comum, em Portugal. Nós lá fora é que não temos dessas sortes. Se não conhecemos a Língua, temos de perguntar, ou levar um dicionário.
Espero ter respondido às suas dúvidas, Fernando Kvistgaard.
Isabel A. Ferreira
Marco Neves é professor na NOVA FCSH e investigador na área das línguas, literaturas e culturas, e autor de vários livros. Diz-se anti-acordo ortográfico. Será mesmo? Ou está a jogar com um pau de dois bicos, para agradar a gregos e a troianos? Será um NIM?
Foi com alguma surpresa [digo alguma, porque já não é a primeira vez que Marco Neves me surpreende com as incongruências acerca da questão da Língua] que num texto da autoria de Fernanda Cachão, Editora da Correio Domingo, do Correio da Manhã, li as palavras do professor, neste excerto que passo a transcrever:
«[O AO90]Tem um grande pecado à partida que é a sua inutilidade. Sempre existiu o português do Brasil e de Portugal e a ortografia era um pormenor. Acho que se criou uma instabilidade na maneira como nós encaramos a ortografia e depois esta consequência quase divertida de termos não duas mas três ortografias da língua portuguesa – que é a do Brasil, porque houve coisas que se mantiveram, a portuguesa de Portugal e a ortografia angolana e moçambicana porque eles não aceitaram o acordo. Eu não tenho solução para isto – andar para trás já não é possível.»
Em primeiro lugar, não existe Português do Brasil e de Portugal. Existe o Português (a Língua dos Portugueses, dos Angolanos e dos Moçambicanos) e a Variante Brasileira do Português, e isto é assim por uma questão óbvia, que não devia passar ao lado da avaliação dos linguistas: o Brasil afastou-se do Português na Ortografia, no Léxico, na Morfologia, na Sintaxe, na Semântica e principalmente na Fonética onde as diferenças são abismais, e não é mais Português.
É verdade que o ilógico AO90, engendrado pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, acolitado por outro brasileiro, Evanildo Bechara e pelo português Malaca Casteleiro, veio criar várias ortografias, trazendo instabilidade e idiotizar o Português, quando a ideia era UNIR as ortografias brasileira e portuguesa, algo que até um calhau com olhos, a olho nu, veria que seria impossível.
Marco Neves diz que não tem solução para isto. Acredito que não tenha. Não tem, porque não está interessado em ter, porque é tão fácil recuar, como se recuou quando o AO90 foi imposto ilegalmente, quase à força, nas escolas e funcionalismo público, nele incluídos os órgãos de comunicação social, que se prestaram a aderir ao acordo, à ceguinha, sem um pingo de espírito crítico, sendo hoje os maiores difusores dos maiores disparates linguísticos, que jamais se viram em Portugal, quiçá, no mundo e arredores.
Quando impuseram o AO90, no ano lectivo de 2011/2012, toda a gente em Portugal usava a grafia de 1945, aliás a que está de jure em vigor. Havia crianças já com o primeiro, segundo e terceiro anos do primeiro ciclo feitos, e tiveram de passar do direCto ao direto, de um dia para o outro.
E foi possível, não foi?
Então por que é que agora NÃO é possível fazer o mesmo, tendo, como se tem todas as ferramentas digitais, como o correCtor ortográfico, apenas para referir um, que ajudam a reaprender a Língua com a maior facilidade?
Qual a impossibilidade disto? Por acaso acham que de repente as crianças, os jovens e os adultos portugueses se estupidificaram tanto com o uso do AO90, ao ponto de já não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna? Os que tiveram de desaprender a Língua para a escreverem incorreCtamente seriam mais espertos?
Não podemos admitir que os falaciosos acordistas, incluindo aqui o Marco Neves, queiram fazer de todos nós os maiores idiotas do mundo.
O ensino está um caos. A ortografia está um caos maior. A ignorância impera, e é com isto que querem fazer evoluir Portugal?
Haja discernimento por parte de quem pode, quer e manda.
Recuar no AO90, obviamente que é POSSÍVEL e DESEJÁVEL!
Urgentemente.

Isto nada terá a ver directamente com o AO90, mas tê-lo-á a ver indirectamente, com a contratação de mão-de-obra barata, que mal sabe escrever, e então uma mulher [escondida] num pombal, foi detida por matar cinco filhos.
Se não fosse trágico dava para rir!
Isabel A. Ferreira
Vem isto a propósito de mais um texto da autoria do linguista brasileiro José Luís Landeira, publicado no jornal PÚBLICO, sob o título «Brasil, Portugal e as gramáticas da língua portuguesa» no passado dia 21 de Setembro, o qual comete alguns deslizes, chamemos-lhes assim, na avaliação histórica e linguística da Língua dos Portugueses, e que esmiuçarei numa próxima ocasião.
E o pior é que a Língua dos Portugueses continua a ser motivo de discussões ocas e absolutamente inúteis, baseadas em premissas falsas, inventadas por quem quer, porque quer, que o Português seja uma coisa que não é, tenha uma origem que não teve, só para preencher a lacuna da compreensão da Linguagem, que os Brasileiros falam e escrevem, considerando erradamente que é um "português brasileiro", quando não passa da VARIANTE brasileira do Português, algo completamente diferente. Português Português fala e escreve a elite culta de Angola, por exemplo.
E ainda pior do que isto é considerarem que existe DUAS variantes do Português: a brasileira e a europeia, quando, a bem da verdade, o que existe é a Língua Portuguesa (Português), a Língua dos Portugueses, e a sua variante brasileira, que é tão válida quanto as variantes de todas as outras Línguas que os ex-colonizadores plantaram por esse mundo fora. O Português NÃO é e jamais será uma variante de si mesmo. Dizer isto é da estupidez.
Por que motivo esta questão da Língua é apenas esgrimida entre Portugal e Brasil? Porque são os dois países onde existem mais ignorantes por metro quadrado.

O Português que os Brasileiros aceitaram como Língua Oficial depois da Independência, em 1822, sofreu várias influências, entre elas as das Línguas indígenas e as dos escravos africanos, as dos povos que se foram fixando no Brasil, mas também da tendência de os Brasileiros abrasileirarem uma infinita quantidade de vocábulos pertencentes à Variante Americana do Inglês, e deslusitanizarem [o termo e a ideia são do enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss] o Português com a intenção de o afastar da Língua do ex-colonizador, castelhanizando-o, italianizando-o, afrancesando-o, de tal modo que deixou de ser Português para ser uma sua Variante: uma linguagem que deriva do Português, um dialecto, um crioulo, muito evidenciado na fonética. Além do distanciamento da fonética e da ortografia em relação ao Português, os Brasileiros ainda lhe introduziram mudanças no léxico (todas as palavras que puderam ser alteradas para se afastarem do Português, foram desfiguradas: umidade, anistia, onipresente, onívoros, balé, entre muitas, muitas outras), na morfologia, na sintaxe e na semântica.
Depois destas alterações intencionais, o que era da honestidade fazer, sendo a Língua Portuguesa um dos símbolos identitários de Portugal, país livre e soberano, que estava a ser usada pelos Brasileiros, apenas porque a escolheram para Língua Oficial? Não era continuar a chamar-lhe “Português” ainda que do Brasil, porque não era mais Português. O que era então da honestidade fazer? Era mudar-lhe o nome para Língua Brasileira (oriunda do Português), como fizeram os Cabo-verdianos com o seu Crioulo, oriundo do Português, que agora é a Língua Cabo-Verdiana.
É que uma coisa são as Línguas oficiais dos países, outra coisa é a linguagem que realmente se fala nesses mesmos países, e que nem sempre são coincidentes com a Língua Oficial, imposta pela via política.
O José Luís Landeira está na linha de alguns professores brasileiros que tive, quando estudei no Brasil. Pelo motivo mais torpe, o de amesquinhar Portugal, a história da colonização portuguesa e a Língua que eles escolheram depois da independência [porque não adoptaram uma das Línguas Brasileiras indígenas, as verdadeiras línguas brasileiras?] inventaram teorias improváveis e adaptaram o facto histórico às conveniências do Brasil, desprezando os factos históricos, e, pior, continuam a espalhar essas falsidades nas escolas, e agora na Internet, sem que ninguém lhes faça frente.
Quem está a ler este meu texto quer que eu lhe diga uma coisa espantosa? Portugal está cheio de uma elite intelectual, principalmente linguistas, que com um medo bacoco de serem apodados de xenófobos e racistas, ou por mero comodismo, calam-se perante as idiotices que os brasileiros vão disseminando por aí, como sendo verdades, verdade deles, que prevalece sobre os factos históricos e linguísticos. O que significa que a nossa República é mesmo uma República DOS Bananas.
Não me incluo nesta República, porque eu não me acomodo, nem tenho medo que me apodem de racista e xenófoba. Sabem porquê? Porque eu sei que NÃO sou nem racista, nem xenófoba. Sou apenas uma defensora da minha Língua Materna, o meu mais precioso instrumento de trabalho. E este é um direito que me assiste.
Isabel A. Ferreira
O presente escrito (o 84.º da série “Em Defesa da Ortografia”), na linha dos recentes antecessores, apresenta, exactamente, as mesmas características.
A aposta continua a ser a de apresentar diálogos, por vezes absurdos, de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu todas as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias. A azul, temos as situações de hipercorrecção, potenciadas pela aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.
XXXVII
— O meu amigo Manuel enviou-me duas imagens que ilustram o caos ortográfico que se instalou após a aplicação do AO90.
— Que imagens são essas?
— São imagens em que o órgão oficial do PS, numa delas, se denomina Ação Socialista e noutra Acção Socialista.
— O que pensas disso?
— Acho que o Ação Socialista não passa no controlo de qualidade.
XXXVIII
— Neste texto, aparece o termo convição. Será uma gralha?
— Não! Nada disso! É só uma crença menos firme.
— Como se fosse alguém a sofrer de disfunção erétil?
— Exactamente.
XXXIX
— Aqui na nossa rua vivem dois eletricistas.
— Calma aí. Vive um electricista e um eletricista.
— Mas isso não é a mesma coisa?
— Claro que não! O electricista é muito mais confiável.
XL
— Já escreveste no teu currículo que és actor?
— Não. Escrevi que sou ator. É a mesma coisa, não?
— És mesmo parvo. Se fores actor, podes ser protagonista, pá!
XLI
— Quando tinha 12 anos, estive à beira da morte.
— Como foi isso?
— Tive febre tifoide.
— Tiveste muita sorte. Se tivesses contraído febre tifóide, os sintomas seriam mais exacerbados e, provavelmente, não terias escapado.
XLII
— Hoje, portei-me mal na aula, o professor marcou-me falta disciplinar e comunicou esse facto à Diretora de Turma.
— E retractaste-te?
— Para quê?
— Para convenceres o professor de que estavas arrependido, é óbvio, não?
— Como é que uma simples fotografia tem esse poder?
— Quem falou em fotografias? És mesmo estúpido!
XLIII
— Ando em baixo.
— Porquê?
— Tive uma deceção amorosa.
— E isso deitou-te abaixo?
— Claro!
— E quando tiveres uma decepção? Suicidas-te?
XLIV
— Estou preocupado com o meu filho.
— Tem algum problema grave?
— O professor diz que ele tem pouca capacidade de abstração.
— E estás preocupado com isso? Isso não tem importância nenhuma. Grave seria se tivesse pouca capacidade de abstracção. Uma consoante a mais ou a menos faz muita diferença.
XLV
— Estou em apuros.
— Porquê?
— O médico de família disse que o meu filho sofre de anorexia.
— Queres dizer que é anoréctico?
— Pior, muito pior. É anorético.
XLVI
— O meu neto é um crânio!
— Porque dizes isso?
— Tem vinte e três anos e é um especialista conceituado em biotaxia.
— Biotaxia é uma palavra curiosa. Qual será o adjectivo da mesma família desse nome?
— O adjectivo deve ser biotáctico. Se fores menos competente e perfeccionista, contentas-te com biotático.
XLVII
— Ó pai, há aqui, neste exercício, uma coisa que não percebo.
— Vamos lá ver se te sei explicar. Qual é a tua dúvida?
— Por que razão a palavra bóia deixou de ser acentuada?
— Boa pergunta. Talvez tenham pensado que com o acento ficava mais pesada e deixava de flutuar.
— Ó pai, essa explicação é só estúpida.
— Pois é, filho, mas não há outra. Tamanha estupidez é inadjectivável.
— Boa, pai! Contribuíste para a sobrevivência de mais uma consoante!
XLVI
— Rafael Alexandre, o teu professor faz auto-avaliação?
— Não.
— Tens a certeza?
— Tenho! O que ele faz é autoavaliação.
— E isso não é a mesma coisa?
— Não. É uma coisa mais rápida, menos perfeita, sem a interrupção do tracinho.
— Como se fosse contrafacção?
— Exactamente!
Ah, como se vê na imagem que acompanha este escrito, com muita frequência, os jornais que dizem aplicar o AO90 têm recaídas e voltam à ortografia de 1945.

João Esperança Barroca
Da Dinamarca, pela pena do cidadão luso-dinamarquês Fernando Kvistgaard, chegou-me mais um desabafo, a observação de alguém que está atento ao que se passa no seu País, mais do que aqueles que cá vivem, e que com a sua permissão, passo a transcrever:
Amiga Isabel
Hoje, deu-me para mais um desabafo que mais parece uma crónica de fim-de-semana. Não tem nada a ver com o estado de saúde da nossa Língua, e ainda assim, de modo indirecto, talvez devido ao laxismo, a indiferença e a falta de respeito pelos valores que caracterizam a nacionalidade, que grande parte do povo português enferma.
Refiro-me à Bandeira de Portugal, que desfraldam por vezes esfarrapadas e descoradas pelos mastros, não só de instituições privadas, mas, pior ainda, de organismos e instituições estatais; por vezes, até de "pernas para o ar", expostas por quem não sabe a posição correcta de um escudo, símbolo da glória e pundonor - atributos de uma nação.
Uma outra situação, também devida à indiferença, quiçá ignorância, é a quantidade de bandeiras de vários tamanhos e cores que se vêem em arruadas e demonstrações, as quais não estão conforme os padrões estabelecidos por lei. Pelo que tenho visto através da TV, noto que a nossa bandeira é a única, em que as cores não são constantes, comparando as bandeiras dos outros países; repare-se nos vários tons da cor verde e vermelha da nossa bandeira.
Ver a secção "Desenho e Especificações" em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Portugal
Um abraço com desejos de bom fim-de-semana
Fernando
***

Origem da imagem: Internet
Boa tarde, amigo Fernando.
Pois eu também tenho reparado que a nossa Bandeira Nacional também anda por aí esfarrapada tal como a Língua Portuguesa, sinal de que os governantes e muito do nosso Povo estão-se nas tintas para os nossos símbolos identitários.
Realmente, nada que se compare com os outros países que preservam os seus símbolos, com dignidade.
O que estará a passar-se em Portugal?
Já fomos um Nobre Povo e uma Nação Valente, e até já demos novos mundos ao Mundo.
Hoje, somos um naco de povo, uma Nação babélica, com governantes sem brio, e onde se escreve numa linguagem alienígena mutilada e se hasteia bandeiras esfarrapadas e descoloridas.
Como é triste esta nossa sina!
Estamos a retroceder desnorteadamente, vertiginosamente.
Portugal afunda-se, amigo Fernando, e os governantes estão-se nas tintas para tudo isto. E a impressão que fica é que estão a fazer tudo para que Portugal se afunde e vá para as mãos de quem nos quer tramar.
Um abraço,
Isabel
Desconhecia que a Maria do Carmo ia ao programa Bom Dia Portugal, e não a ouvi em directo, porém, uma amiga comum enviou-me uma mensagem no dia seguinte a informar-me de que ela esteve na RTP a falar sobre o AO90, a nossa luta comum.
Fui ver, porque, ainda bem que a televisão permite ver os programas dos dias anteriores.
A Maria do Carmo, como não podia deixar de ser, estava a sair-se muito bem, respondendo às questões postas pela jornalista Carla Trafaria, com a lucidez que lhe é característica, no que concerne ao papel do Professor, que a Maria do Carmo considera fundamental na Literacia. Olhando em concreto para o nosso País, a jornalista quis saber que análise a Professora fazia no panorama da Literacia, e a Maria do Carmo, e muito bem, tocou na ferida aberta provocada pela imposição [ilegal] do AO90, sendo os professores obrigados [e aqui devo frisar que os Professores mais ousados não se deixaram obrigar, mas nem todos são dotados dessa coragem] a escrever incorrectamente a Língua Portuguesa, o que constitui uma enorme violência, e aqui notei, pela expressão da Carla Trafaria, que o assunto não estava a agradar, nem era para ser ali considerado, tendo-lhe, então, cortado a palavra.
A Maria do Carmo esteve muito bem e gostei bastante de a ouvir. Disse coisas importantes, estava a dizer coisas importantes, e foi bruscamente interrompida, ou melhor, despachada – foi esse o meu sentir – com a desculpa de um directo com o vice da CML. Fiquei à espera do regresso da Maria do Carmo, depois do directo, para que concluísse o seu raciocínio que ficou pela metade.
Mas não. A Maria do Carmo não regressou.
Estava a dizer coisas proibidas, que não podem ser ditas alto nas televisões.
Isto não se faz a um convidado. E isso também não se faz aos ouvintes que sintonizaram a RTP para ouvir a Professora Maria do Carmo Vieira.
A sensação foi a de a terem despachado, antes que as verdades que ela ainda tinha para dizer entornasse o caldo da RTP, um canal público português nitidamente ao serviço do Brasil.
Que VERGONHA RTP!
Que VERGONHA!!!!
Isabel A. Ferreira

Nota prévia: O “Em Defesa da Ortografia” do mês de Agosto é integralmente dedicado à memória de Maria João Paixão, excelente leitora que, embora tenha partido, permanece. Sempre!
O presente escrito (o 83.º da série “Em Defesa da Ortografia”), na linha dos recentes antecessores, apresenta, exactamente, as mesmas características.
A aposta continua a ser a de apresentar diálogos, por vezes absurdos, de teor humorístico que exemplificam o rotundo falhanço do AO90, pondo a nu todas as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
Os termos a vermelho indicam formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, referem grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos se mantêm como duplas grafias. A azul, temos as situações de hipercorrecção, potenciadas pela aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.
XXV
— Repara na beleza deste verso de Sérgio Godinho: “O Tejo que reflecte o dia à solta”.
— Muito bonito, sim. É impressão minha ou está a cheirar-me a consoante muda?
— Claro que Sérgio Godinho usa a ortografia anterior ao AO90. Outra coisa não seria de esperar de um escritor, cantor e compositor inteligente.
— Velhos do Restelo! Reaccionários!
— Estou a cheirar uma consoante muda!
XXVI
— Os jornais estão a fazer a cobertura do julgamento.
— E já saiu o veredito?
— Não. Mas o que eu aguardo com curiosidade é o veredicto.
— O que é isso?
— É, como tu dizes, um veredito, mas em bom, percebes?
XXVII
— Estou dececionado.
— Então porquê?
— O meu filho foi reprovado, pela segunda vez, no exame de condução.
— Olha, tenho uma má notícia. Há outra decepção para te dar.
— Não me digas…
— Ai, digo, digo. Apesar de saberes usar o verbo reprovar, eu reprovo a tua opção alimentar.
— O quê?
— Andas a comer consoantes a eito, pá.
XXVIII
— Este candidato tem tido um comportamento abjeto. Tudo o que afirma é desmentido pelos fatos.
— Isso é mesmo abjecto. Só há uma parte que não percebo.
— Qual é?
— É essa parte da personificação dos fatos. Como é que eles desmentem o candidato abjecto? Tem de ser um notável trabalho de alfaiataria.
XXIX
— Estou desorientado.
— Com quê?
— A minha mulher quer pôr uns tetos novos e eu não estava a contar com uma despesa tão considerável nesta altura.
— Usa o dinheiro que tens na conta Poupança Habitação.
— Estás parvo? Tenho é de pedir o orçamento a um cirurgião plástico.
XXX
— Ando com um problema grave. Tenho de desabafar contigo.
— Fala à vontade. Sabes que podes contar comigo. Sou tua amiga.
— Então, não é que o meu marido quer que eu ponha uns tetos novos!
— Não vejo motivo para não lhe fazeres a vontade. Vais ver que ele passa a apreciar-te ainda mais.
— Estás parva? Vou é gastar um dinheirão em mão-de-obra, gesso e pladur.
XXXI
— Preciso de contratar uma arquiteta?
— Vais organizar alguma despedida de solteiro?
— Não sejas parvo! Vou reabilitar a casa que era dos meus avós.
XXXII
— Às vezes, o pensamento deriva de uma simples abstração.
— É verdade. De onde deriva essa palavra abstração? Será do latim?
— Claro! De abstractione.
— Mas há uma coisa que continua a intrigar-me.
— O que é?
— Gostava de saber o que aconteceu ao cê.
— Também tenho essa curiosidade. E se contratássemos um detetive?
— Não, de maneira nenhuma. Um fulano desses, que anda por aí sem cê, não é capaz de o encontrar.
— Então, não há solução.
— Há, há! Contratarmos um detective. Tem outra competência.
XXXIII
— Cada vez estou mais satisfeito com o meu emprego.
— Porquê, pá? O salário é qualquer coisa que se veja?
— Não é por aí. São outras razões. Por exemplo, no Natal, o mandachuva da empresa ofereceu um guarda-chuva a todos os funcionários.
— O teu patrão é mesmo um homem altruísta.
— Porque dizes isso? Não o conheces. Nunca o viste.
— Um indivíduo oferecer um hífen, quando não tem nenhum, só pode ser um caso de enorme altruísmo.
XXXIV
— Boa tarde. Pode dar-me uma informação?
— Boa tarde. Claro que posso.
— Já tem saias da nova colecção?
— Tenho, tenho. Ali, ao fundo à esquerda, naquele expositor. Está mesmo indicado na placa.
— Não, não. O que ali está não é da nova colecção. É da nova coleção. Lê-se [kuɫˈsɐ̃w̃]. Não é a mesma coisa. É uma espécie de sucedâneo, percebe?
— Percebo, percebo. Já disse várias vezes à minha gerente, seguidora da dupla Miranda & Moreira, que se deixe de modernices aberrantes, mas ela assobia para o lado.
XXXV
— Inscrevi-me num concurso de televisão chamado Factor X.
— É aberto a qualquer um ou há algum fator de exclusão?
— Não percebo a tua pergunta. Explica-te lá melhor.
— Quero dizer se há situações, como a idade ou outras, que excluam potenciais candidatos.
— Ah, queres dizer factores de exclusão! Não é?
— Sim, deve ser isso.
— Meu caro, factor deriva do latim factore e significava autor.
— Pois, mas no meu emprego sou obrigado a utilizar uma ortografia que não respeita a etimologia.
— Parece uma ortografia com vergonha, não é? E há razões para ter vergonha!
XXXVI
— Estive a ver que no setor…
— Alto! Pára aí! Andas a comer consoantes?
— Ando, ando. Continuando, no setor agroalimentar…
— Alto! Pára aí outra vez! Também andas a comer hífenes?
— Também. O que queres? Disseram que o acordo contribuía para a unidade essencial da língua.
— Comer consoantes e hífenes não é saudável. Ainda dás cabo do sistema imunitário, que fica no intestino, sabes?
— Estou a ver. Acordo, intestino…
Ah, como se pode ver nas imagens que acompanham este escrito, há inúmeras e saudáveis recaídas na comunicação social. É como se estivessem a reaprender as regras.


João Esperança Barroca
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