When the band first started, I went for a vocal approach that was rhythmic and spoken, but sometimes unleashed, because of all the different guitar tunings we used. — Kim Gordon
Ministro das Finanças entregou OE no Parlamento (foto:Rui Gaudêncio)
Ontem, um dia antes da data prevista, o Governo apresentou a proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). É sabido queem 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 [1] e [2], 2023, 2024e 2025as coisas não correram bem. Prevê-se que, para 2026, tudo esteja como dantes. Recorde-se que,nas palavras do Governo, a Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2026 é um dos documentos políticos e legislativos mais importantes da vida colectiva de Portugal (e das “vidas individuais das pessoas e empresas”), por isso, “é urgente, inadiável e uma exigência categórica de transparência, a apresentação e explicação aos portugueses do seu conteúdo”.
Sem mais delongas, vejamos alguns exemplos do Relatório (pdf), para compreendermos um bocadinho melhor aquilo que efectivamente se passa no mundo ortográfico português:
--“redireccionamentodo comércio com os EUA” (p. 23) e “redirecionar o investimento público” (p. 382);
-- PLANO DEACÇÃODA COMUNICAÇÃO SOCIAL (p.180) e “Plano deAçãopara as Migrações do XXIV Governo” (pp. 9-10);
-- “PROTECÇÃOSOCIAL DE BASE” (p. 180) e “sistema deproteçãosocial de cidadania” (p. 69);
-- "informação decarácterpatrimonial (p. 45) e “eventos decaráterinternacional” (p. 341)
-- “Entidade Nacional para o Sector Energético, E.P.E.” (p. 68) e Entidade Nacional para oSetorEnergético, E.P.E (p. 68) — exactamente, na mesma página;
--“Aquisição líquida deactivosfinanceiros (exceptoprivatizações)” (p. 112) e “são registadas como ativosfinanceiro” (p. 45) + “excetuandoo período da pandemia de COVID-19″ (p. 259)
-- “Aumento do número de casos de branqueamento de capitais detectados, face ao ano anterior” (p. 242) e “será monitorizado o número de casosdetetados” (p. 247);
-- “EDA –Electricidadedos Açores, SA” (p. 357) e “A interrupção do fornecimento deeletricidade(«apagão»)” (p. 316);
-- “FERCONSULT- Consultoria, Estudos eProjectosde Engenharia de Transportes, S.A.” (p. 400) e “serviços eprojetos” (p. 191).
Embora a Direcção-Geral da Educação diga que NÃO é obrigatório usar o acordo ortográfico de 1990, em termos legais, porque NÃO é um aCto ilegal, a própria Direcção-Geral opta por adotaro ato ilegal, escondendo-se no que ela diz ser “exceção” (lê-se "eisc’ção"), vocábulo inexistente na Língua Portuguesa.
Conclusão: os documentos oficiais têm de obedecer às regras da ortografia brasileira (emato eadotar) conforme está assinalado a vermelho, na imagem, à excePção de exceção, que no Brasil grafam excePção, ou seja, grafam à portuguesa, conforme a Lei vigente em Portugal.
Se grafar correCtamente a Língua Portuguesa NÃO é um acto ilegal, por alma de quem, quem grafa os documentos oficiais preferem cometer um acto ilegal, até porque o AO90 é ilegal e inconstitucional, do que optar pela grafia de 1945, a que está de jure em vigor em Portugal?
Por alma de quem preferem desrespeitar a LEI em vigor, a de 1945, e violar a Constituição da República Portuguesa?
Aqui há Gato!!!!! Um GRANDE Gato!!!!!
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Não percebemos, por que NÃO sendo obrigatório escrever conforme o AO90, e, não sendo as legendas dos canais televisivos documentos oficiais, temos de levar com estes palavrões, como os que se seguem, que não fazem parte da Língua Portuguesa, e que não nos diz nada?
Vamos ler o vocábulo contracetivocomo deve ser lido: "contrâc’tivu. O que será que isto significa?
Nesta imagem, a mixórdia ortográfica está bem representada.Temos "téctónicâ", "arquit’tónicâ" e "éção" civil.
Ao ver esta imagem, o Dr. Bagão Félix deve ter trepado pelas paredes: a sua imagem aliada à mixórdia ortográfica: aspeCto correCtamente escrito, e“il’trónicu”, assim, em modo parvo, obviamente para os Portugueses Pensantes.
Nesta, temos os “insp’tôrs”, seja lá o que isto for, detidos.
E esta??? Nada tem a ver com o AO90, mas é um efeito colateral da ignorância que tal acordo fez desabrochar entre as gentes da comunicação social televisionada.
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Isto é apenas uma pequena amostra de como ordens emanadas de quem não tem a mínima noção do mal que está a fazer ao nosso Idioma, pode criar o caos e promover a ignorância entre os que, não sendo obrigados a escrever incorrectamente a Língua de Portugal, à conta de um servilismo bacoco, andam por aí a espalhar uma mixórdia ortográfica, que envergonha os Portugueses e põe Portugal na cauda de todos os países do mundo, porque é, sem a menor dúvida, um caso ÚNICO da mais pura estupidez!
Como é triste viver no nosso País, sem rei nem roque!!!!!!
Este excelente artigo devia ser lido, sobretudo, pelo ministro da reforma administrativa. Que atrevimento formatar, com tecnologias duvidosas, as crianças como se fossem peças de xadrez e sua Exª. fosse o dono da personalidade e alma das crianças. Está tudo obcecado com a IA como se fosse a deusa da sabedoria. Esta medida é um absurdo, uma falta de respeito não só para com as crianças, mas para com os pais e toda a comunidade escolar.
Mais uma medida neonazi do ministro da reforma administrativa. É de bradar aos céus!
Isto tem de ser travado o mais depressa possível. É um atentado contra toda a comunidade educativa. (!)
Por favor, escreva no seu Blogue um artigo sobre esta pouca vergonha. Irá percorrer todo o mundo onde houver portugueses.
A este artigo, Idalete Giga deixou no Jornal PÚBLICO, o seguinte comentário:
Obrigada, Caro José Pacheco Pereira pelo seu artigo que não navega na superfície, mas vai ao fundo da questão da IA, agora impingida pelo Sr. ministro da reforma administrativa às crianças na forma de tutora "inteligente". Para V. Exª. é mesmo um "deslumbramento tecnológico”, e eu completo: uma fixação perversa para ajudar a destruir definitivamente a Escola. As crianças não são peças de xadrez, mas para V. Exª. são e, por isso, quer manipulá-las à sua vontade e mandar para as silvas não só as crianças, mas os pais e os professores. Vou citar o sábio Noam Chomosky expressamente para V. Exª.: "A IA é o maior ataque ao pensamento crítico, à inteligência crítica e, sobretudo, à Ciência, que eu já alguma vez vi (...) pensar que podemos aprender alguma coisa com a IA, é um erro".
Com a clarividência de Idalete Giga e com o saber científico de Noam Chomsky, por ela citado, penso que fica tudo dito, e o que terei eu mais para acrescentar?
Apenas isto: gosto de testar a “inteligência” da IA, que em muitas, mas muitas circunstâncias, quando lhe ponho questões de SABER, poderíamos ler Ignorância Artificial, se não soubesse que a construção da IA depende da recolha de dados, e se os dados estão incorrectos, a IA não tem capacidade de discernir o que é certo e o que é errado, de modo que por vezes, muitas vezes, dá a informação errada.
Não é de fiar.
Como poderão os governantes querer dar a cada aluno um tutor de inteligência artificial, que não é infalível? Erra quando os humanos erram, quando os dados, que os humanos espalham por aí, estiverem errados. E quando se trata da História, da Cultura e da Língua Portuguesas, as invenções, as incorrecções, as mentiras que andam espalhadas pela Internet são de bradar aos céus!
É isto que o governo português pretende oferecer aos já a caminho de serem os analfabetos funcionais do futuro? Isto, podemos dizer alto, configura um crime de lesa-alunos.
Nem tudo o que é moderno é da IN -- Inteligência Natural.
A notícia diz isto: “O Governo quer dar a cada aluno um tutor de inteligência artificial.” A notícia refere que o ministro da Reforma Administrativa fez esta promessa na abertura do Web Summit, o que presumo deve ter dado grande satisfação ao crescente e altamente lucrativo negócio à volta da inteligência artificial. Esta é mais uma medida “modernizadora” na sequência do computador Magalhães, dos quadros interactivos, da supremacia dos ecrãs relativamente aos livros. O único travão a este caminho foi a proibição dos telemóveis nas salas de aula, que abrange um número escasso de estudantes e está longe de ser aplicada como norma. Duvido que o actual ministro da Educação esteja tão disponível para os tutores de inteligência artificial e duvido que ambos se tenham entendido.
Ter e saber usar um computador é bom? Certamente que é. Saber “navegar” na Internet é bom? Em absoluto é, é aliás fundamental. Saber usar os ecrãs de telemóveis e tablets é bom? De novo, certamente que é, em particular no uso do hipertexto. Começar a usar as enormes vantagens da inteligência artificial é bom? É excelente, se houver inteligência dos dois lados.
Convém é não esquecer uma realidade tão básica, e que devia entrar pelos olhos dentro, ensinada pelos tutores de inteligência artificial usados pelos governantes: os homens são analógicos e não digitais. Têm sentidos que os limitam, não vêem tudo que está à sua volta, não ouvem tudo que está à sua volta, não têm memória das máquinas, envelhecem e não lêem como os jovens, não têm a velocidade de processar dados dos computadores, e toda a sua experiência de uma vida, tudo o que vêem, tudo o que ouvem, tudo o que dizem cabe em escassos terabytes. Mas combinam tudo numa realidade cuja dimensão é a da sua humanidade, razão, emoções, virtudes, medos, coragem e, acima de tudo, vida, escassa, pobre, difícil por regra. Pode haver um dia em que tudo isto possa ser entendido pelas máquinas, mas mesmo assim faltará sempre alguma coisa.
O problema não está aqui, está no modo como cada um destes instrumentos entra na escola e de modo mais geral na vida quotidiana e no trabalho das pessoas, e no que é que eles substituem nas políticas de educação e como afectam o processo de aprendizagem e, mais importante ainda, de socialização. E é aqui que entra um dos mais perversos e poderosos mecanismos que é a moda, a moda impulsionada pelo deslumbramento tecnológico, a ideia de que é mais “moderno” usar os instrumentos das novas tecnologias para realizar tarefas que implicam outro tipo de conhecimentos e uma sociabilidade mais rica. Ora, o que acontece é que elas são usadas com escassa vantagem, com efeitos negativos que vêm do modo como se inserem na sociedade, acentuando o individualismo, a solidão, o antagonismo, o conflito, e a ignorância. Nenhuma destas coisas vem das máquinas, vem do modo como estamos a construir o nosso viver, só que as máquinas oferecem um amplificador gigantesco para estas perversões sociais, e isso muda muita coisa. Uma das áreas em que os seus efeitos são mais devastadores é na educação e no ensino, impulsionadas por governantes que só querem ser “modernos” nestas coisas, e pelo cada vez mais importante negócio tecnológico.
A primeira coisa que este “tutor” artificial vai fazer é minimizar o papel do professor. Ora, o mecanismo mais importante na eficácia do ensino é a relação de empatia entre o estudante e o professor. Falar com uma máquina é uma coisa muito diferente do que com um humano e se, pelas piores razões – infelizmente, hoje demasiado comuns –, isso cria habituação e dependência, isso vai cada vez mais acentuar formas de solidão modernas e de sociabilidade pobre. É como considerar que os likes são uma forma de amizade e aceitação afectiva.
Depois, vai acentuar o caminho de ignorar que o uso capaz de todas as tecnologias, a começar pelo modo como se “procura” na rede, quanto mais dialogar com o “tutor”, depende de literacias a montante, que vão desde o mais simples ler, escrever e contar, todas em risco nos nossos dias. E parte desse risco também é resultado do deslumbramento tecnológico, com a desvalorização da leitura, e da escrita resultante do modo gutural como se “escreve” nas redes sociais, do vocabulário cada vez mais reduzido e do modo como essas ignorâncias se reflectem em dificuldades de compreensão.
A ideia de que os estudantes podem ler livros como Os Maias, de Eça, com o vocabulário restrito que possuem e usam, como também com a ruptura de saberes que estão presentes na nossa tradição cultural, como é a da Bíblia ou do mundo clássico greco-romano, é mirífica. A minha experiência de falar em dezenas de escolas do ensino secundário é a de encontrar centenas de estudantes que não sabem quem são Adão e Eva (com excepção dos evangélicos), já para não falar de Aquiles ou do Cavalo de Tróia. Como é que podem ler Eça? E esses mesmos estudantes não sabem o significado de palavras correntes no português de hoje, quanto mais vocábulos menos comuns mas circulantes na literatura. Acresce que é evidente a diferenciação social entre falar para estudantes de colégios ou escolas em zonas “da alta” e de zonas que um eufemismo designa como “desfavorecidas”, onde a socialização pela escola é praticamente nula na competição entre a rua, o bairro e o telemóvel. Embora eu tenha esta experiência directa, não me limito a ela, todos os estudos a confirmam perante a impotência de professores e autoridades governativas.
Quem saiba história sabe que momentos como este, na história do mundo, já se verificaram e todos acabaram mal. É a sociedade que manda nas máquinas, e não o contrário, e é sociedade que está mal. Não façam um upgrade tecnológico desse mal, porque fica pior.
Ontem, publiquei neste Blogue o texto Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa. E da Dinamarca, onde está radicado o meu amigo Fernando Kvistgaard, chegou-me o lamento transcrito mais abaixo, por ser também o meu lamento e o lamento de milhares de Portugueses na diáspora, por sabermos todos que o nosso País está a caminhar para o abismo, nas mãos dos irresponsáveis que foram eleitos, NÃO para pugnar pelos interesses de Portugal, mas SIM pelos interesses dos estrangeiros.
Fernando Kvistgaard sente-se profundamente humilhado e decepcionado. E o que mais custa, é ver que estão a destruir a Língua Portuguesa, a Língua que une os Portugueses, dentro e fora de Portugal, a Língua que identifica os Portugueses, a Língua que é o Pilar do Saber e do Pensamento do Povo Português.
Terão os governantes portugueses o direito de humilhar e decepcionar, desde modo tão ilógico, os cidadãos portugueses, sobretudo os que estão fora do País? O que de mal fazem ao País, fazem-no também aos que, longe dele, o sentem como um colo materno, quando a saudade bate à porta da alma.
Não, não têm esse direito.
Isabel A. Ferreira
Lamento de um cidadão português que se despede da sociedade portuguesa com tristeza.
O que veio a lume no Blogue de sábado, 15 de Novembro, sobre como os políticos portugueses tencionam abastardar mais uma vez a Língua portuguesa, chocou-me de tal maneira que, pela primeira vez me sinto humilhado em ter nascido em Portugal, e descender de um povo outrora glorioso, que lutou pelos valores nacionais.
Nasci em Santarém em 1941 onde aprendi, através das lições de História dadas pelo único professor – ex-jesuíta – que conseguiu atear em mim a chama do interesse pela História e a sentir orgulho e respeito pelo passado.
A certo ponto, até vim a sentir-me privilegiado pela minha cidade berço. Quando me senti confortável com o parco domínio da Língua Francesa, passei os meus tempos livres na loja do Turismo, onde tive oportunidade de servir de guia turístico a turistas franceses. Com o que agora me veio ao conhecimento tudo se desvaneceu, entristeceu, revoltou.
Enquanto vivi em Portugal, sempre ouvi dizer que Portugal estava 40 anos atrasado, comparado com outros países mais desenvolvidos. Comecei a viajar pela Europa depois dos 18 anos de idade e, triste, constatei a veracidade de tal observação. Traduzindo-a, vejo a imagem de quem chega tardiamente à estação de caminho de ferro, e corre desesperado ao lado do comboio sem conseguir entrar na carruagem; mas antes a vê distanciar-se sem a esperança de, alguma vez, poder entrar nela.
Portugal, a meu ver, é como um feudalismo que se arroga o título de democracia, onde o povo deixou de pensar, mas segue o carneiro da frente do rebanho com destino ao abismo. A elite é presidida pelo chefe que dá beijinhos a torto e a direito e se expõe disponível a “selfies”. Estranho que ainda ninguém notou que ‘O Rei Vai Nu’ segundo a história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
Com esta gota que fez transbordar o somatório das decepções, despeço-me da ‘sociedade portuguesa’ antes que a nave se afunda.
Um abraço amigo de um decepcionado,
Fernando
PS: é com receio de mais decepções que, no entanto, vou acedendo ao Blogue.
***
Nota: quanto a ninguém ter notado que «O Rei Vai Nu», como na história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, tenho a dizer que eu fui uma das que notou, e até já escrevi algo sobre isso, num texto algures, neste Blogue. (Isabel A. Ferreira)
As crianças portuguesas em idade escolar podem ter de aprender a sua língua materna com sotaque de uma variante da mesma, se a contratação de professores brasileiros for aprovada por imbecis.
Aug 16, 2025
O anúncio de que um político “português”, Montenegro, pretende “importar” professores brasileiros para ensinar Português na Primária é um sinal mais da choldra de políticos que domina, de forma feudal, um país que se deixa enrolar em todas as tretas.
Afinal, um povo tem os políticos que merece… e este povinho – que não merece a designação de Povo porque de há muito perdeu o sentido do que isso é – tem umMontenegro, que pretende mesmo ser o coveiro maior da Língua Portuguesa. Com o beneplácito de Lula, esse polvo político do Brasil.
Depois dos Cavacos, Sócrates e outros políticos de má fama que este País teve - e tem - de sustentar, se terem comprometido com a hegemónica ambição de Lula da Silva de querer “todo o mundo a falar brasileiro” – uma meta que aparentemente António Costaperfilha, ciumento do sotaque da variante brasileira do Português falada naquele país – é a vez de Montenegro vir dizer que “Nós temos todo o interesse, temos mesmo todo o interesse, em recrutar professores, nomeadamente professores para o ensino primário, o ensino do ciclo básico, do primeiro ciclo” , o que parece ser a forma mais rápida de acabar com o Português. Mata-se a Língua de forma rápida, fazendo com que logo na chegada à escola as crianças comecem a falar… brasileiro. Imagino o que diria Camões se soubesse quão estúpido este outro Luís é! Ou talvez esse seja o plano desta “montanha negra” que ensombrou a política portuguesa.
Para que fique claro: o Português é uma Língua. O que se fala no Brasil é uma variante brasileira do Português. Deixem-se de tretas com a ideia de uma variante europeia do Português e outras idiotices quejandas. O Português é a matriz, o que se fala no Brasil é algo que perdeu a ligação às origens da língua e enveredou por uma senda própria que, por não ter matriz, corta “cês” e “pês” a eito. Como muitos sugerem, e o autor há muito defende, chamem-lhe Brasileiro, Brasilês, o que quiserem… mas não toquem na minha Língua! (...)
Infelizmente, apesar do que esta medida que Montenegro pretende implementar significa para a sobrevivência da Língua Portuguesa – que tantos parecem querer matar – poucos parecem importar-se, porque Portugal é um País de Patetas, de modo geral, havendo mui poucas cabeças pensantes numa população que, sempre avessa à escrita e leitura, mal consegue passar ao papel as suas ideias. E para quem a felicidade está no futebol, centros comerciais, apps de desconto e pouco mais…
A importação de professores Brasileiros para ensinar Português só podia mesmo sair da cabeça de PATETAS – e da corja de políticos e seus sequazes d’aquém e d’além mar, interessados nessa medida, – mesmo se isso significa, além da morte da Língua Portuguesa, um maior desemprego para os professores portugueses… que talvez agora se arrependam de não terem feito frente à implementação – ILEGAL diga-se – do A(b)cordo Ortográfico, quando o podiam ter feito. Tivessem os professores os ditos no sítio para dizer não ao “Abortês” e teriam, agora, menos uma preocupação pela frente. Mas como nem tugiram nem mugiram, salvo algumas excepções, e acataram a ordem de cortar “cês” e “pês” contentes com essa “modernização” simplista da Língua Portuguesa, agora vão ter de engolir mais um sapo.
Afinal, são mais uns PATETAS num reino de PATETAS que engole sapos a torto e a direito. Agora vão ter de engolir mais um sapo, este de Montenegro… a mando de um Lula.
“Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.”
É oficial: já não há repercussões, efeitos, consequências, embates, colisões — há impactos. Impactos que impactam. Não se consegue, muitas vezes, divisar se beneficiam, prejudicam, influenciam, mas que importa isso? Importante é a violência sonora e o perfume inglês (língua em que a palavra impact superabunda): os impactos impactam e deixam outros impactados (há quem diga a palavra tão rapidamente, que soa a “empacotados”). As pessoas e as coisas são constantemente impactadas. Disse “constantemente”? Isso já não se usa. Nada é frequente, ou ocorre frequentemente, nada é comum, ou ocorre comummente, nada é usual, costumeiro, habitual, regular, e os diferentes matizes das palavras, as modulações de significado dos diferentes vocábulos só atrapalham. Papagueemos o que ouvimos a toda a hora (sem sequer haver poupança silábica): tudo é recorrente, tudo acontece recorrentemente. É mais simples. É mais rápido. É mais moderno.
Regressemos ao “impacto”. Não raro, Fulano não tem influência no balneário (entre uma caterva de exemplos) — ele tem impacto no balneário. Não raro, Fulano nem deixa a sua marca — deixa o seu impacto. Ou, como se diz hoje, naquilo que é o balneário. É impressionante. Ou impactante. Whatever!
Em cima disto tudo, ainda temos as aberrações fomentadas pelo espírito do infausto acordo ortográfico (que pouco tem de acordo e de ortográfico) — em 31 de Julho deste ano, podemos ler no Diário da República: “colete de impato e flutuação”. De “impato”. Quem anda frequentemente (recorrentemente, leia-se) atento a estas monstruosidades do acordês já havia encontrado (e denunciado, incluindo em Camilo e Saramago) e ferido os olhos e ouvidos com patos de silêncio, patos de estabilidade, patos com o Diabo, patos com Satanás.
Naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude. Ou como sói dizer-se hoje: dizer que,naquilo que é a língua portuguesa, Santa Rita de Cássia nos ajude.
A macaqueação, a redução do léxico, a mecanização da linguagem e do pensamento são metuendas, isto é, creepy, mas nunca desistamos, porfiemos sempre, isto é, sejamos sempre resilientes, pesem embora as baixas expectativas (outra palavra de todas as horas). Afirmar que o expectável não é incrível (leia-se: “maravilhoso”), mas pelejemos. Quem lê este texto poderá pensar que o estado de espírito (o mood, aliás) daquele que burila estas linhas não é incrível, mas, se de ora em diante, tiver os olhos e os ouvidos de vigia, não passará um dia sem tropeçar recorrentemente nestes aleijões. Concentre-se e comprove-o por si. Sentir-se-á overwhelmed.
Concentre-se? Perdão, foque-se. Foca-te, foco-me, o meu foco, o importante é focar de três em três minutos: atente (foque-se, quero dizer) na quantidade de focas e focos (quais animais fêmeos e machos) que ouve e lê por hora. É por essa razão que estou a inventariá-los. Inventariar? Pausa, pausa, pausa. Não se inventaria, nem se lista, nem se enumera — elenca-se.
Nem tudo é mau, porém, porque, nos dias de hoje, há sempre, sempre, sempre janelas de oportunidades para coisas bonitas. Que disse? Também já não se diz assim: para coisas diferenciadas, leia-se. Eis uma palavra que vai invadindo as diferentes áreas do saber e sendo crescentemente utilizada, ou seja, e traduzindo para português hodierno: há uma escalada do vocábulo “diferenciado”. Escalada essa que… vai escalando e escalando. Vivam os automatismos que evitam pensar e perder tempo!
Lembremo-nos sempre: já temos um adjectivo obrigatório para quando morre certa pessoa com determinada exposição mediática — na esfera pública, impõe-se dizer que morreu uma figura incontornável. Lembremo-nos ainda: se não sabemos o que foi, diga-se que foi um evento interessante. Essas duas palavrinhas dão para tudo. São, no fundo, brutais. Ou incríveis. Em suma: são vocábulos que provocam boas vibes.
E, claro, nos diálogos, mormente das gerações mais novas, enxameia-se a linguagem escrita e falada com “imagina”, “tipo”, “é do género”, “basicamente”, e os verboscolocar e partilhar (que deslizou do mundo digital para o dia-a-dia, tal como o pesquisar; já só falta pesquisar se temos as chaves, a carteira e o telemóvel quando saímos de casa).
— Imagina, tipo, é do género: foca-te basicamente naquilo que é mais impactante.
— Tens razão nessa cena, basicamente. Quando coloco a minha atenção nas cenas, tipo, é incrível. Obrigado por partilhares comigo.
Quanto mais familiarizado o leitor estiver com outras línguas (olá, inglês), mais fundamente perceberá que as hodiernas palavras ubíquas são um epifenómeno da globalização linguística.
Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Novembro (o 86.º da série “Em Defesa da Ortografia”), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.
A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias. A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.
LXI
— Com o AO90, os hífenes tornaram-se uns invejosos de primeira.
— Não percebo. Porquê?
— Nunca estão no sítio. Queriam ser como os tomates.
— E não achas admissível? Sempre habitaram aquelas palavras e, de um momento para o outro, vêem-se despejados.
LXII
— Tenho de ir ao dentista.
— Para quê?
— Para fazer a extraçãode um dente do siso.
— Não vás em modernices, pá! É mais assisado fazeres extracção.
LXIII
— Ó pai, não percebo aqui esta expressão.
— Que expressão, Rafael Alexandre?
— Patode silêncio.
— Cheira-me a mais uma estupidez modernaça.
— O que queres dizer com isso, pai?
— Aposto que é um nome moderno para pato-mudo.
LXIV
— Ó pai, hoje a professora chamou-me debiloide.
— Não te preocupes com isso, Rafael Alexandre! Ela não sabe o que diz.
— Não é um insulto, pai?
— Insulto seria te chamasse debilóide.
LXV
— Porque tens uma ligadura no braço?
— Caí e fraturei o escafoide.
— Tiveste muita sorte!
— Estás a gozar comigo? Tu é que devias ter estas dores!
— Só estou a dizer que muito pior seria se tivesses fracturadoo escafóide. Aí é que verias o que são dores!
LXVI
— Estou num dilema.
— Que dilema?
— Encerro a filial em Oeiras ou invisto em mão-de-obra qualificada.
— No teu lugar, contrataria mão de obra. Poupas um dinheirão em hífenes.
LXVII
— Este nosso treinador é fraquinho.
— Devíamos contratar aquele a quem chamam o mestre da tática.
— Não concordo contigo, e ele agora está na Arábia, onde ganha balúrdios.
— Qual a tua ideia, então?
— Um treinador mais completo. Podem, até, chamar-lhe o mestre da táctica.
LXVIII
— Vamos lá escolher os temas que vamos tocar no próximo concerto.
— Quando é essa atuação?
— Dia 24 de Abril. E não acho boa ideia preparar a atuação.
— Não? Porquê?
— É muito mais eficaz se prepararmos a actuação.
LXIX
— Onde vais nas férias de Verão?
— À Antártida.
— Sem mais, digo-te que é uma má escolha.
— Porquê? Só vou pagar 800 euros por sete dias…
— Eu prefiro pagar 900 euros e visitar a Antárctida a pagar esse dinheiro e ficar na Antártida. É preciso andar com os olhos abertos, como nos casos de contrafacção ou de contrafação, como se diz por aí, e não enfiar a primeira carapuça.
LXX
— Fonseca, quem tratou da torra deste lote?
— Patrão, foi o Martins que procedeu à torrefação dos últimos lotes.
— Quantas vezes é preciso dizer que devem fazer a torrefacçãocomo deve ser? Eu não quero, como os do AO90, vender gato por lebre, percebeste?
LXXI
— Ó Fonseca, será que o Martins e os colegas vêem bem o que fazem quando estão na zona da torrefacção?
— Patrão, eles dizem que veem.
— Pois, veem, mas não vêem. Veem é uma aberração, nem parece ser forma do verbo ver.
LXXII
— A UEFA parece estar preocupada com a segurança dos espetadores.
— E se apreendessem os espetos e proibissem a sua venda? Assim é que os espectadores estariam seguros.
Ah, as imagens que acompanham este escrito mostram o calibre da linguagem que por aí vai circulando. Uma exemplifica uma situação de corte desenfreado de consoantes, criando o termo impato, uma verdadeira aberração. A outra imagem, bastante recente, demonstra a insanidade que presidiu à redacção de grande parte das Bases do AO90.
Ah, como se lê, agora: “Nada para Isaac Nader na corrida ao ouro”? O que significa? Nada impedirá Isaac Nader de conquistar a medalha de ouro ou o atleta, que passou parte da infância em Tomar, ficará arredado do pódio? O contexto esclarece as dúvidas?
Ah, como se pronuncia, agora: “Projetopara Lisboa”? O que significa? Lisboa ficará parada por causa de um qualquer projecto? Ou existe um projecto destinado à cidade de Lisboa?
Ah! Toda a gente fala, por estes dias, no Orçamento de Estado para 2026. Como é habitual, Francisco Miguel Valada, no blogue Aventar, faz uma análise exaustiva desse documento. Nessa análise, fica claro que o documento terá sido escrito, pelo menos, a quatro mãos, pois coexistem, entre outros: Acção e Ação; Protecção e proteção; carácter e caráter; Sector e setor; activos e ativos; excepto e excetuando; conectividade e conetividade; detectados e detetados; Projectos e projetos; Electricidade e eletricidade. Obviamente, merece reprovação.
Fluido ou fluído? O nome, o adjectivo e o particípio passado. Desfaçamos esta confusão de vez. E de forma fluida.
Na rubrica 'Língua na Cama', Manuel (Matos) Monteiro escalpeliza erros frequentes do nosso idioma, curiosidades linguísticas, maravilhas idiomáticas. Aprenda e divirta-se. 'Língua na Cama' é serviço público de qualidade.
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ERROS NOS RESTAURANTES - Língua na cama: Episódio 31
Qual o plural de «arroz-doce»? Sabia que «filhós» é plural de «filhó»? Que «caldo-verde» e «bolo-rei» são hifenizados? Porque se transforma a «baba-de-camelo» em puro asco ao perder os hífenes?
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VERBOS E CLÁSSICOS - Língua na cama: Episódio 30
O Verão é uma boa altura para compulsar os clássicos, muito citados e pouco lidos. Prefere fazer isto e aquilo mal do que ou a não fazer nada? «O que mais gosta» ou «do que mais gosta»? Disse o João e a Joana? Ou disseram? Ou ambos?
Está em circulação o número 5, relativo ao primeiro semestre de 2025, da revista “Academia”, publicação da Academia Angolana de Letras (AAL). Com o tema de capa “Literaturas Africanas em Língua Portuguesa”, desde logo é de destacar a Nota do Editor, assinada pelo académico António Fonseca, que considera que a não subscrição por Angola do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 “talvez tenha sido um dos principais factos culturais que marcaram os 50 anos da nossa Independência”.
Domingo, 09 de Novembro de 2025
O Editor da revista “Academia” salienta que a não subscrição do Acordo “tratou-se, obviamente, de um acto de soberania em defesa da Língua Portuguesa, nosso património comum, que visou evitar os equívocos que decorrem dos alicerces em que aparentemente, basicamente tal acordo foi elaborado, o que pode levar a uma deriva da Língua Portuguesa”.
Num contexto em que a República de Angola celebra os 50 anos da sua Independência sob o signo da Independência Cultural, segundo António Fonseca, “talvez seja oportuno que os países que têm o Português como língua oficial voltem a sentar-se e assumam a necessidade de revisão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (*), isto para o bem de todos os nossos países e da própria Língua Portuguesa, na qual os erros decorrentes das alterações introduzidas no Acordo são inúmeros”. O académico e Editor do órgão oficial da Academia Angolana de Letras acrescenta que “importa dizer que cada um dos países que tem a Língua Portuguesa como sua língua oficial, tem as suas especificidades a que é preciso atender e respeitar”.
Entretanto, a Nota do Editor lembra que, dado que “se Angola soberanamente não subscreveu o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990 (…), outros países membros da CPLP, subscreveram-no igualmente soberanamente”, isto para justificar o uso na revista de duas grafias, de acordo com a norma dos países de onde os autores colaboradores enviaram os seus artigos “e onde, portanto, estão sujeitos a cumprir as regras do Acordo que esteja em vigor”. Logo, o leitor encontrará na revista “textos escritos de harmonia com o Acordo de 1945 e textos de harmonia com o Acordo de 1990, alguns dos quais com variações brasileiras”.
Eis um apanhado dos títulos dos artigos, e respectivos autores, insertos nas várias secções temáticas da revista: “O contributo das mulheres anónimas na luta pela independência de Angola: nome, rosto e voz às protagonistas”, por Anabela Francisca do Nascimento Cunha; “A História de África na perspectiva dos ancestrais”, Vieira Mário Mauelele; “Angola e Brasil: irmãos d’além mar”, Dagoberto José Fonseca; “Ecos do luso-tropicalismo em Angola. O artigo de José Redinha sobre o 15 de Agosto de 1648”, João Ngola Trindade; “Dos grupos de carnaval ao Semba: um passeio pela história da música em Luanda na primeira metade do século XX”, Washington Nascimento; “Espaço e pobreza em bairros de Luanda”, Gilson Lázaro; “O papel da psicologia na formação e actuação dos docentes do ensino superior angolano: uma revisão bibliográfica sobre práticas, desafios e implicações pedagógicas”, Maria Adelina Lima do Nascimento Alberto; “Os comportamentos do líder como preditores de liderança: impactos positivos e negativos sobre o potencial criativo das pessoas nas organizações”, Fátima Tomás Dias dos Santos Gama.
“Literaturas africanas em língua portuguesa: o caso dos predecessores da literatura angolana”, Aníbal Simões; “Traduzimos o quê, para quem e para quê?”, Bento Sitoe; “A cidade de Luanda: uma viagem urbana e descolonial, na obra de Manuel”, Rui Luís Gaivão; “Verosimilhança em a Revolta da Casa dos Ídolos”, Adelino J. Mavinga; “Luandino Vieira e as vidas verdadeiras que ele inventa”, Rita Chaves; “Antropocentrismo, poéticas culturais e a crítica ao antropoceno na literatura angolana: uma leitura a partir de Luandino Vieira”, Abreu Paxe.
Como sempre, os artigos de Nuno Pacheco geram muitos comentários, uns mais a favor do que outros, e como para esta questão da Língua Portuguesa parece que ainda não se vislumbra o fim, que virá, só ainda não se sabe quando, respigo alguns comentários feitos ao texto de Nuno Pacheco que chamaram a minha atenção, e é sobre eles que me proponho a discorrer hoje.
Mas antes quero dizer isto: Portugal está na cauda da Europa em quase, quase tudo, e também no desleixo que governantes, professores, canais televisivos, alguns escritores, jornalistas e tradutores, e uma massa amorfa de portugueses servilistas, que vão atrás de modismos, apenas porque não sabem pensar por si próprios, dedicam à Língua Oficial do País que servem de um modo bastamente medíocre.
Penso que já era tempo de se deixar de venerar a Ignorância e a Estupidez que grassam por aí, chamando a atenção dos que as veneram para o mal que estão a fazer a Portugal e a si próprios, quando decidem expor publicamente a miséria cultural que os embriaga, ainda que anonimamente, como é apanágio dos cobardes.
O Fernando. Camencelha deu a sua opinião, e a ela tem todo o direito. Porém, na realidade, e tal como disse a Maria do Vieira, o Fernando não tem a noção do que diz.
Limitou-se a repetir o argumento sem pés nem cabeça usado pelos acordistas-mor, para justificar a introdução em Portugal, de uma grafia que não nos diz respeito e jamais dirá. Sabe porquê? Porque enquanto houver no mundo um português, apenas UM português, que se preze de o ser e que respeite os símbolos do seu País, a Língua Portuguesa estará a salvo.
Se em 2125 só houver quatro milhões de portugueses, a Língua Portuguesa será uma Língua minoritária, mas continuará VIVA. O Galego, Língua-gémea do Português, esteve quase a extinguir-se, com a imposição, na Galiza, do Castelhano, e vou citar uma passagem do livro «Historia da Língua Galega», referido no texto que ontem publiquei, contada na primeira pessoa como se o Galego fosse gente: «Ora ben, afortunadamente, mesmo nas peores épocas, sempre contei com defensores entre os galegos, com xente que loitou pola dignificación e defensa da súa fala dentro da Galiza, tradición reivindicativa procedente das classes sociais cultas e que estivo acesa ininterrompidamente até a actualidade». (Pág. 28).
Fiz questão de não traduzir esta passagem do livro, do Galego para Português, porque como Línguas-gémeas, e quem assim as designa são os autores do livro, que português não conseguirá perceber o que aqui está escrito?
Pois o mesmo está a acontecer com o Português, genetriz de muitas Variantes, o qual tem muitos defensores espalhados por todo o mundo, e que também manterão acesa a Língua ininterrompidamente até ao final dos tempos. Graças aos defensores do Galego, esta Língua foi recuperada e hoje é uma das Línguas co-oficiais de Espanha.
Ai o a.galrinho! Escreve em que linguagem? Nem é Português, nem é Acordês, nem é Brasilês. Tem todo o direito de opinar, mas ao menos opine numa linguagem correCtamente escrita, e que se entenda. O a.galrinho quer regressar à linguagem básica, de comunicação apenas. Porém, a função de um Idioma bem estruturado é fixar o Saber e o Pensamento dos Povos. E pobre é aquele que mesmo sabendo as letras, não sabe escrever.
O a.galrinho ou é o protótipo do menino que foi à escola, aprendeu as letras, e depois desistiu, porque não conseguiu aprender mais do que isso, ou é um adulto que, continuando a não conseguir juntar o B com o A, vem para aqui gozar com a Língua. A isto chama-se, como bem disse a Maria do Vieira, ignorância, e uma vez que é ignorante, quer que todos sejam ignorantes também. Há gente assim. O que vale é que também há gente assado.
Martim Joane, isso é que é escrever com estilo! Muito bem. Quanto ao vocábulo percePção, o Brasil grafa-o, vá-se lá saber porquê, à portuguesa, tal como os Portugueses, mas atenção! a falar, os Brasileiros acrescentam-lhe um i: dizem “pêrrcépição”. Quem escreve perceção são aqueles que não têm a percePção do que é um Idioma, ou seja, são uns requintados ignorantes.
Para que a parvoíce não se espalhe por aí como uma praga, declara-se aqui que a palavra percePção, em Portugal, leva o P, ainda que muitos não o queiram. Porém, como a grafia de 1945 é a que está em vigor “de jure”, a palavra escreve-se com pê., e não adianta dizer que o correCto é escrever sem pê. Eu, por exemplo, pronuncio-lhe o pê, e, neste caso, concordo com os Brasileiros. O mais correCto é, portanto, pronunciar todos os pês e cês não pronunciados, como fazem os restantes povos de Línguas Românicas. Deste modo, os acordistas já conseguiriam escrever correCtamente.
Ó a.galrinho, o documento do acordo ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é uma enxurrada de ignorâncias, de incongruências, de disparates jamais reunidos num só lugar. Um deles, mas há-os aos montes, é o facto de o AO90 ter sido engendrado para unir as ortografias do Brasil e de Portugal. Certo? Veja-se essa união, por exemplo, no artigo 6º do dito documento: «Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam blálábláblá...».
Como é sabido, o AO90 foi gerado e criado no Brasil pelo enciclopedista brasileiro Antônio Houaiss, para unir as ortografias, ou seja, para que Portugal começasse a escrever à brasileira, porque eles são milhões blábláblá... blábláblá... Porém, eles lá não abdicaram dos acentos circunflexos, em Antônio, Amazônia, topônimos, enfim uma salgalhada dos diabos. Querem enganar quem?????? O documento do AO90, nem para estrumar uma terra infértil serve.
O Pedro Penha é que disse bem: o AO90 foi uma medida colonialista fora do tempo, uma fazedora de analfabetos funcionais, a começar pelos governantes que nos impuseram e continuam a impor tal palermice.
Decididamente o a.galrinho é adepto da simplicidade linguística. Ora isso é um sintoma muito comum entre aqueles que, não tendo nenhuma capacidade para PENSAR a Língua, precisam de a reduzir ao mínimo, para poderem escrevê-la ainda que, mesmo assim, mal.
Uma escrita que se aproxime da fala é a escrita das gentes primitivas.
Não se andou milhares de anos a aprimorar a Linguagem do Homem, para virem agora uns omens que, devido a uma incapacidade atávica, querem recuar a tempos em que se faziam desenhos para que o outro percebesse o que se estava a dizer.
Isto só acontece porque existem dois países no mundo, Brasil e Portugal, com mais ignorantes por metro quadrado. Por este motivo, foram os dois únicos países do mundo que fizeram mais acordos ortográficos, e ainda assim, inutilmente...
A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.
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