Isabel A. Ferreira

O Orçamento do Estado e a Conta Geral do Estado: um retrato do País

«É que eu li o Relatório.» Eva Cruzeiro, deputada do PS, 30/10/2025
Duas importantes características das relações públicas portuguesas, já mencionadas na actual campanha presidencial, são o improviso e a falta de rigor. Um aspecto complementar é o da aparência da exactidão das medidas, frequentemente tomadas de modo impetuoso e frenético. Todavia, como sabemos, as aparências iludem. Repare-se, por exemplo, na adopção urgente, com prego a fundo, do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), patrocinada por um poder político que acredita piamente em mentiras como “agora facto é igual a fato de roupa” e afins (cf. PÚBLICO, 13/11/2012) e acelerada por uma comunicação social arrebatada, imprudente e apaixonada (com honrosas excepções, como o PÚBLICO).
Os pareceres científicos foram para a gaveta e o desastre está à vista de todos. De todos? Não. Só daqueles que lêem. Houvera ouvidos do poder político atentos aos argumentos linguísticos e jurídicos há muito aduzidos e teríamos, porventura, um Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) condigno. Não temos. A deputada Eva Cruzeiro, do Partido Socialista, leu o Relatório do OE2026, como podemos verificar na epígrafe e, mesmo assim, absteve-se.
Efectivamente, o OE2026 foi aprovado e essa é uma má notícia para os portugueses. Como se sabe, em reunião da respectiva Comissão Política Nacional, o PS formalizara já a decisão de se abster. Uma “abstenção exigente”, garantiram, com o objectivo de “assegurar a estabilidade do país”. Uma abstenção exigente, mas que me entristece pessoalmente, a mim, claro, por uma única razão: ao contrário de muitos decisores, li, de facto, como aparentemente o fez também a deputada Eva Cruzeiro, o Relatório do OE2026 e estabilidade, garanto-vos, é conceito que prima pela ausência. Sabemos que a senhora deputada leu a página 25 (do ficheiro PDF, página 9 do documento em papel), onde terá certamente apanhado o “Plano de Ação para as Migrações do XXIV Governo” (última linha dessa página). No entanto, ter-lhe-á passado despercebido o “Plano de Acção da Comunicação Social” (página 196 do ficheiro PDF, página 180 do documento em papel). De outro modo, creio, não se teria abstido da tal forma exigente: teria votado contra. O PS, com uma deputada que efectivamente leu o Relatório do OE2026, deveria ter-lhe feito perguntas acerca do conteúdo e da forma e, perante a denúncia do saliente opróbrio, desistido da abstenção e votado contra esta enormidade. Mas isso seria num mundo ideal, em que os documentos são de facto lidos por aqueles que tomam medidas e decisões. Em todos os recentes Relatórios do OE, entre 2012 (o primeiro com AO90) e 2026 (o mais recente), vemos a malsã convivência de grafias pré-AO90 (as melhores) com grafias AO90 (chumbadas por pareceres técnicos que o poder político ignorou) e grafias que não são nem pré-AO90, nem AO90, nem coisíssima absolutamente nenhuma. No início, nesse inaugural 17 de Outubro de 2011, quando o Relatório do OE2012 foi entregue pelo então ministro de Estado e das Finanças à então presidente da Assembleia da República, tivemos caráter e carácter, setor e sector, exceto e excepto, ações e acções e houve inclusive activos e ativos, tudo em amena cavaqueira no mesmo documento. Como bem se lembrará quem então leu tal preciosidade, apareceram, pela primeira vez, formulações fixas e grafemicamente opostas, como “despesa efetiva” e “despesa efectiva” ou até “protecção do meio ambiente e conservação da natureza” em pleno convívio, na mesma página, com “proteção do meio ambiente e conservação da natureza”. Exactamente, na mesma página.
Viajando rapidamente no tempo, voltamos ao Relatório mais actual, o do OE2026, e verificamos que o triste espectáculo ortográfico continua, com “redireccionamento do comércio com os EUA”, mas “redirecionar o investimento público”, “Plano de Acção da Comunicação Social”, mas, como vimos, “Plano de Ação para as Migrações do XXIV Governo”, “protecção social de base”, mas “sistema de proteção social de cidadania”, “informação de carácter patrimonial, mas “eventos de caráter internacional”, etc. Tudo isto, realço, são meras amostras.
Entre estes dois Relatórios (OE2012 e OE2026), muitos anos passaram, sempre com mais do mesmo, incluindo os inevitáveis fatos em vez de factos (por exemplo, “fato de ser intenção da tutela”, no Relatório do OE2014 ou “sublinha-se o fato de o valor previsto”, no Relatório do OE2015) e contatos em vez de contactos (por exemplo, “através de contatos *diretos com empresas”, no Relatório do OE2015 ou “centro de contato consular”, no Relatório do OE2021).
No meio deste desastre ortográfico, que, como sabemos, por falta de leitura, tem passado despercebido a quem vota o OE, há outro documento, ao qual não tenho prestado uma merecida atenção. Ricardo Paes Mamede (PÚBLICO, 9/10/2025) sugeriu recentemente que estivéssemos atentos à Conta Geral do Estado (CGE). Debrucei-me sobre a CGE e, depois de encontrados “investimento colectivo” e “investimento coletivo”, “Sector Empresarial do Estado” e “Setor Empresarial do Estado”, “protecção do ambiente” e “proteção do ambiente”, fiquei ainda mais esclarecido. Se acrescentarmos os “contatos encetados em 2021” ou o “em contato com os alimentos” (Relatório de 2022), verificamos (se quisermos verificar, obviamente) que o caldo está entornado.
Ortograficamente, a execução (CGE) é tão má como o anúncio anual (OE) e a tortura diária (Diário da República). Tudo isto ajuda a demonstrar a absoluta inutilidade do AO90. Já que não leram os documentos, leiam este resumo. Resumo muito resumido, acrescente-se.»
Francisco Miguel Valada - Público/
Fonte:
Assunto: a aplicação ilegal e inconstitucional do AO90, matéria que nenhum dos candidatos se atreveu, até ao momento, a expor publicamente, nos debates televisivos e não só.
Minhas Senhoras e meus Senhores.
É com tristeza que assinalamos a mediocridade dos nossos órgãos de Comunicação Social (OCS), salvo raríssimas excepções, coniventes com a destruição da Língua Portuguesa, na Educação degradante, na subordinação a interesses obscuros e ao alheamento dos temas a cargo dos órgãos democraticamente eleitos (Assembleia da República e Governo).
Em causa está a deslealdade de todos os que se renderam ao AO90, perante a Constituição da República Portuguesa (CRP), nomeadamente, perante o Art.º 11.º, que trata dos símbolos nacionais e Língua oficial:
A Bandeira Nacional (que anda por aí usurpada indevidamente)
O Hino Nacional (por enquanto intocável, apesar de já ter havido uma tentativa de o desvirtuar)
A Língua Oficial de Portugal – a Língua Portuguesa (que está a ser espezinhada nas Escolas Portuguesas, lugar onde deveria ser posta no pedestal da nossa Identidade como um Povo livre e soberano, e anda por aí a rastejar, como a mais indigente das Línguas).
É sobre este símbolo nacional – a Língua Portuguesa – que a finalidade desta carta se centra, e que muito resumidamente aqui se expõe.
A Língua Portuguesa, nos termos que a definem, actualmente está legislada pelo Decreto-Lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro, que aprovou o Acordo Ortográfico de 1945, aplicado e usado com exemplos literários notáveis, em Portugal Continental, Insular e Ultramarino, o qual continua de jure em vigor, uma vez que não foi revogado. Alguns dos novos Estados, de Língua Oficial Portuguesa, não promulgaram, nem ratificaram o AO90, continuando a cumprir o supracitado Decreto-Lei.
Para ilustrar esta afirmação, aqui deixamos uma imagem da capa do livro que o Embaixador Carlos Fernandes escreveu, provando a ilegalidade do AO90, e um seu parecer.

O AO90: «O projecto nascido da cabeça do intelectual esquerdista brasileiro Antônio Houaiss, foi desde o início um empreendimento com fins lucrativos, apoiado por uma poderosa máquina política e comercial com ramificações em Portugal» in Jornal «O Diabo», num artigo de investigação, sob o título O Negócio do Acordo Ortográfico , artigo que recomendamos a Vossas Excelências, como candidatos à Presidência da República Portuguesa, bem como a leitura do livro do Embaixador Carlos Fernandes, porque pensamos que o que falta a quem escreve segundo o AO90 é informação.
A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, recomendou [não obrigou, porque só uma Lei obriga] a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) em Portugal. Uma resolução do Conselho de Ministros não faz Lei, portanto, não havendo Lei, ninguém em Portugal é obrigado a usar a grafia brasileira, proposta no AO90.
O Decreto-Lei n.º 35 228, de 8 de Dezembro, que aprovou o Acordo Ortográfico de 1945, não foi revogado, pelo que existe uma RCM que se sobrepõe a um Decreto-Lei, e isto é inconstitucional.
Para esta ilegalidade, que já destruiu a educação das gerações pós 2011, e tende a fazer desaparecer a Língua Portuguesa, contribuíram:
Presidentes da República
Presidentes da Assembleia da República
Deputados na Assembleia da República
Governos
Um Acordo Internacional é entre Estados soberanos. Este AO90 não foi ratificado por Angola, nem Moçambique, nem Guiné-Bissau, nem Timor-Leste, pelo que não pode ser cumprido por Portugal, um Estado de direito democrático (Art.º 2.º da CRP).
Vossas Excelências decidiram não cumprir a Lei vigente, e seguir uma simples RCM que não faz lei, e a tal não eram obrigados. Como candidatos continuam a escrever incorretamente [saibam que este vocábulo, segundo as regras da Gramática Portuguesa, lê-se incurrêtâmente] a Língua Oficial de Portugal, e além de a escrever incurrêtâmente, pronunciam-na também incurrêtâmente. Esperava-se – e continua a esperar-se – que como candidatos à Presidência da República assumam, desde já, o compromisso de anular o ilegal e inconstitucional e abominável (para milhares de Portugueses Pensantes) AO90. Portugal merece! Os Portugueses merecem.
A Educação, o Ensino e a Cultura, pilares de um País que se quer civilizado, evoluído e culto, estão fora dos debates, como se estas matérias não tivessem importância alguma para as gerações mais novas, às quais estão simplesmente a passar diplomas de analfabetos funcionais.
Porém, não podemos falar de Educação, nem de Cultura, nem de Identidade Portuguesa, sem primeiro garantir a integridade do seu maior pilar: a Língua Portuguesa. E a Língua Portuguesa anda por aí de rastos, estando a ser ilegalmente aplicada nas Escolas, instituições públicas, órgãos de comunicação social, empresas, e por demais pessoas que talvez não saibam o que andam a fazer, e por que o fazem.
Precisávamos desta linha de pensamento. Necessário se torna, pois, concretizá-la.
Por fim, e contra o AO90, destacamos dois valiosos depoimentos: o do conceituado escritor e crítico literário brasileiro, Paulo Franchetti, e o de Vasco Graça Moura, então Director do Centro Cultural de Belém, escritor e tradutor português, onde se comprovam o valor da Cultura e a relevância da verticalidade dos Homens:


Esperando que Vossas Excelências acolham com simpatia estas nossas palavras, apresentamo-vos os nossos melhores cumprimentos,
P’lo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes
(Clicar no link para ter acesso aos nomes dos subscritores)
Isabel A. Ferreira
Porquê?
E isto é tão verdade que na apresentação do livro «Gouveia e Melo - As Razões», uma iniciativa da Porto Editora, os possíveis (e)leitores foram convidados a fazer perguntas ao candidato Gouveia e Melo, mas... que grande MAS se entrepôs...
Este foi o repto:

Como não pude estar presente, ousei enviar uma pergunta, via e-mail, seguindo a propaganda da editora, conforme imagem acima, publicada na página do Facebook, não querendo perder a oportunidade única de participar na entrevista, ainda que à distância, feita pela autora do livro, Valentina Marcelina...
Esta foi a minha pergunta:
Correspondendo a este repto que a Porto Editora lança aos eleitores que terão de escolher o próximo candidato a Presidente da República Portuguesa, em Janeiro de 2026, eis a pergunta que gostaria de ver respondida:
Vossa Excelência, Senhor Almirante Henrique de Gouveia e Melo, cumpriu e fez cumprir, nas instituições da Marinha, o acordo ortográfico de 1990, porque a tal, naturalmente, foi obrigado – uma vez que as Forças Armadas obedecem ao poder político. Porém, o Candidato à Presidência da República Portuguesa/2026, cidadão Henrique de Gouveia e Melo terá de obedecer a essa imposição ilegal e inconstitucional, comprometendo o juramento que terá de fazer ao assumir o cargo, caso seja eleito como o próximo Presidente da República Portuguesa, ou cumprirá de facto e de jure a Constituição da República Portuguesa, depois de proferir estas palavras: «Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa», algo que os últimos presidentes da República não cumpriram?
A cidadã portuguesa Isabel A. Ferreira
***
A partir daqui, troquei alguns e-mails com a Porto Editora, que não posso divulgar, porque é estritamente proibido o uso, distribuição, cópia ou qualquer forma de difusão não autorizada das mensagens e respectivos anexos.
Mas contarei em duas penadas o seguimento desta minha ousadia.
A Porto Editora recebeu a minha pergunta e informou-me de que as respostas seriam filmadas e partilhadas.
Aguardei a partilha das respostas, que não encontrei em parte alguma.
Entretanto voltei a perguntar e informaram-me de que receberam muitas questões para pôr ao Almirante, e a sessão alongou-se e foi impossível dar resposta a todos, e nesses todos estava eu e a minha questão, mas também a questão de um amigo que me informou que também tinha participado com a seguinte pergunta sobre o mesmo tema:
O candidato Gouveia e Melo vai cumprir a CRP, defendendo a Língua Portuguesa. Disso não restam dúvidas.
Os dois últimos PRs, neste tema tão importante, NÃO cumpriram a Constituição, pois mantiveram a ilegalidade e a inconstitucionalidade.
Pode o próximo Presidente da República garantir a reposição da legalidade?
M. Figueiredo
Entretanto, recebi da Editora duas perguntas e respectivas respostas de Gouveia e Melo, e mais nada, nem sequer onde estariam partilhadas todas as restantes perguntas e respostas. Então decidi responder o seguinte:
Agradeço o envio destas duas amostras de perguntas feitas ao Almirante Gouveia e Melo.
Pergunto: só houve tempo para fazer estas duas perguntas, ou há mais? Se há mais onde posso encontrá-las?
Fui ao Facebook da Porto Editora, e não vi lá nada.
Mais: quero acrescentar que quando enviei a minha pergunta, já sabia que ela jamais seria respondida, ainda que fosse a única pergunta apresentada. O tema que abordei, é dos mais importantes para um candidato a presidente da República responder, porque mexe com a violação da Constituição da República Portuguesa, com a ilegalidade e inconstitucionalidade de um acto governamental e com a perda da nossa soberania, bem como com a destruição do símbolo maior da Identidade Portuguesa.
E agradeci uma resposta, que até hoje não veio, e jamais virá, porque a questão da Língua Portuguesa é uma questão menor para os candidatos, infelizmente, todos acordistas, para os actuais governantes e para os jornalistas que fazem perguntas nos debates presidenciais, nas televisões.
A campanha eleitoral para as eleições presidenciais/2026 é uma coisa estranha.
Nos debates NÃO se discutem as competências de um Presidente da República, mas competências de primeiros-ministros e afins, e, por vezes, incompetências de políticos de meia-tigela. Passam muito tempo a insultarem-se uns aos outros, o que faz baixar o nível dos debates presidenciais.
É preciso ter em conta que estas eleições são eleições presidenciais, não são eleições legislativas.
Nenhum candidato a Presidente da República devia estar pendurado em partidos políticos, porque levam para os debates os VÍCIOS da política partidária, que devem estar fora do cargo da Presidência da República.
De modo que, apesar da lista de candidatos ser longa, para mim, não há nenhum que, para já, me encha o olho, a não ser que se comprometa publicamente, com juramento por alma da Mãe, «defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa», lugar onde estão todas as competências do cargo, para que possamos abandonar a designação da República DOS Bananas, sendo os bananas-mor gente que eu cá sei, e que não fizeram mais do que INCUMPRIR a CRP no que à Identidade e Soberania portuguesas diz respeito, consentindo que nos impusessem uma grafia ilegal e inconstitucional.
Por isso, o meu destino será votar em branco, lamentando que a percentagem dos votos em branco e da abstenção (que vislumbro elevada) não possam corresponder a cadeiras vazias, no Parlamento.
Isabel A. Ferreira
Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Dezembro (o 87.º da série “Em Defesa da Ortografia” e o último do corrente ano), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.
A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.
As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias. A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.
LXXIII.
— Como vamos sair deste túnel sem luz?
— Temos de tatear. É a única solução.
— Não é suficiente.
— Porquê?
— Porque, para sairmos daqui, temos de usar o tacto, isto é, temos de tactear.
LXXIV.
— Ó pai, como se chama um circuito usado numa subtracção entre números binários?
— Acho que é um subtractor, Rafael Alexandre.
— Pensei nisso, mas não consta no dicionário
— Experimenta procurar subtrator.
— Devem ter tido vergonha de pôr mais uma consoante em reclusão. Além disso, parece que estão a falar de um tractor que anda debaixo do chão.
LXXV.
— Vou fazer uma intervenção cirúrgica na próxima semana.
— Que intervenção?
— Vou retirar as adenoides.
— E não precisas de uma segunda intervenção depois?
— Para quê?
— Para retirar o acento.
LXXVI.
— O meu filho tem problemas respiratórios e vai ser operado às adenoides.
— O que é isso?
— É o mesmo que as amídalas faríngeas.
— Olha lá, além de acentos, também andas a comer consoantes?
LXXVII.
— Este ano, em Agosto, vou passar férias no Gerês.
— E já preparaste tudo?
— Tenho tudo controlado. Até já decidi o trajeto.
— Mais uma vez, fizeste mal. Embora pareça mais longo, é muito mais seguro escolher o trajecto.
LXXVIII.
— Olha, olha! Já estou a ver! Repara, ali, à esquerda, na trajetória do asteroide.
— Que alarido! Estou a ver mais e melhor que tu.
— Porquê?
— Porque estou a ver a trajectória do asteróide, não te parece?
LXXIX.
— Estive a ler um livro sobre o Apocalise.
— Apocalise? Que raio de palavra é essa?
— Nunca ouviste? És um ignorante! Significa o fim do mundo, pá!
— Parece-me, antes, o fim da ortografia.
LXXX.
— Estou a sentir as primeiras contrações. É melhor acionar o INEM.
— Calma, calma…
— Dizes isso porque não é contigo!
— Por enquanto, só estás a sentir contrações, não é?
— Sim, sim.
— Exactamente por isso, deves ter calma. Quando começares a ter contracções, accionamos o INEM e damos ao canelo, pode ser?
LXXXI.
— O meu advogado contatou-me, dizendo que sou arguido e acusado de corrução.
— E estás preocupado com isso?
— Claro que estou preocupado. Nunca me vi nestas alhadas.
— Pois eu acho que não há razão para te preocupares.
— Qual é a tua ideia?
— O crime de corrução é uma coisa de somenos. Tenho sérias dúvidas de que seja crime. Grave seria se fosses acusado de corrupção. Aí, piava mais fino. Ah, e contrata um advogado que te contacte.
LXXXII.
— Ó pai, preciso da tua opinião.
— Sobre que assunto?
— Estou a pensar oferecer à mãe um cato no Dia da Mãe. O que achas?
— Um cato? Parece-me que estás a juntar um artigo indefinido com uma forma verbal do verbo catar.
— Não percebo, pai.
— Um é um determinante, artigo indefinido e cato é a 1.ª pessoa do presente do indicativo do verbo catar.
— Não é nada disso, pai. Um cato é uma planta.
— Da família das Cactáceas. Faz lá falta o cê.
LXXIII.
— Ó pai, o que é um dador?
— É alguém que dá ou doa aos outros, a maior parte das vezes, sem querer algo em troca.
— Tem sinónimos conhecidos, desses de que tu gostas?
— Podes usar benemérito ou filantropo.
— Então um conadador doa o quê?
LXXXIV.
— Ó pai, o que quer dizer mandante?
— Mandante significa o que manda ou instiga outros a cometer determinados actos.
— Há algum sinónimo?
— Sim. Instigador.
— Um cocomandante instiga os cocos? Não percebo.
— Não estás sozinho. Ninguém compreende as questões da nova ortografia. Já o saudoso António-Pedro Vasconcelos o dizia.
Ah! Uma das imagens que acompanha este escrito demonstra como, vários anos após o início da aplicação do nefando Acordo Ortográfico de 1990, alguns órgãos de Comunicação Social continuam a ter saudáveis recaídas, distinguindo, neste caso, um verbo de uma proposição.
Ah! A outra imagem, sobre o desempenho de um futebolista português em França, mostra o estado a que isto chegou, como diria Salgueiro Maia, em que o verbo retratar-se, vítima da sanha de amputar indiscriminadamente consoantes, significa, agora, além de fotografar, desdizer-se, dar o dito por não dito…
Ah! É completamente obrigatório ler o artigo de Manuel Monteiro “A língua de pau de todos os dias”, publicado recentemente pelo jornal Público.
Ah! Como é habitual, vale a pena ler dois textos recentes de José Pacheco Pereira, também dados à estampa pelo Público: “O desprezo da pátria por via do desprezo da língua” e “O papel destrutivo do deslumbramento tecnológico na educação”.
Ah! O blogue O Lugar da Língua Portuguesa, administrado por Isabel A. Ferreira, continua a ser um local bem frequentado, onde os bons espíritos se vão regularmente reencontrando. Salubérrimo, portanto.
João Esperança Barroca



Nem destes, nem de nenhum dos outros candidatos.
Nenhum deles sabe escrever correctamente a Língua Oficial de Portugal na sua grafia em vigor, de jure: a de 1945.
E quem não sabe honrar o símbolo maior da Identidade Portuguesa, NÃO serve para ocupar o maior cargo da Nação.
Como cidadã portuguesa, livre pensadora, com deveres e direitos consignados na Constituição da República Portuguesa (CRP), entre eles, o direito de voto, tenho o direito de exigir determinados requisitos para que o próximo presidente da República seja digno de ocupar o trono do Palácio de Belém.
O que espero?
1 - Espero que o próximo representante da República Portuguesa, cumpra escrupulosamente e acima de tudo, o que, no acto de posse, irá jurar, perante todo o País:
«Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido, e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa» [CRP].
Funções que, apesar de juradas, até agora não foram cumpridas fielmente pelos investidos, nesta função. Foi o caso do ainda presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no que à questão da Língua de Portugal diz respeito.
2 - Espero, especificamente, e porque esta é uma das minhas bandeiras, que mantenha intacto, um dos maiores símbolos da identidade portuguesa: a sua Língua, que foi vendida como uma mercadoria menor a um país estrangeiro cuja única motivação é uma desmedida e insultuosa apetência para espezinhar a Língua de Portugal e fazê-la desaparecer do rol das Línguas cultas indo-europeias.
3 - Mas não só. Existem motivos políticos obscuros que estão a destruir, intencionalmente, a Língua de Portugal.
Espero que o próximo presidente da República não permita que este linguicídio vá avante, até porque a aplicação do AO90, que o governo português impôs ao funcionalismo público, incluindo os que deveriam ser os primeiros a rejeitar tal imposição, os professores de Língua Portuguesa, é ilegal e inconstitucional, de acordo com abalizados juristas, não estando, deste modo, a ser nem defendida nem cumprida a CRP, por quem de direito.
4 - Espero igualmente, que o novo Presidente saiba honrar, com dignidade, a Cultura Portuguesa (a minha outra bandeira) da qual não faz parte a crueldade e a violência contra seres sencientes. Algo que não enobrece um Povo que se quer civilizado, evoluído e culto. Mas também a História de Portugal, que está a ser reescrita ignorantemente, espezinhando a CRP descaradamente.
5 - Finalmente espero o que todos esperamos que um Presidente da República faça pelo país que representa, no que respeita à governação do País, à corrupção reinante, às injustiças e desigualdades sociais, enfim, o que todos nós já sabemos, por não ser tabu.
Posto isto, como cidadã portuguesa, livre pensadora, com deveres e direitos, só me resta desejar que o próximo Presidente da República não me desiluda, como me desiludiu Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República, como me desiludiu como cidadão comum e como professor universitário com responsabilidades no Ensino, Educação e Cultura Culta.
Se o próximo Presidente da República me desiludir, não me terá nunca como uma inimiga, porque a minha genética não permite germinar, dentro de mim, inimizades, mas ter-me-á, seguramente, e com todo o respeito, como uma grande pedra no sapato.
Isabel A. Ferreira
... no entanto, ao que parece, o encontro serviu apenas para continuar a empurrar com a barriga um problema que afecta Portugal mais do que outro qualquer país da dita CPLP.
Na Iª reunião Portugal foi representado pela Academia Brasileira de Letras, e isto diz tudo da subserviência de Portugal ao Brasil, não tendo ninguém com capacidade para substituir a Academia de Ciências de Lisboa, que não pôde estar presente nesse encontro.
Já basta o estrago que fizeram até aos dias de hoje!!!!
Errar é humano, mas insistir no erro é INSANO!
Nesta IIª reunião continuou a insistir-se no ERRO.
A notícia, um tanto ou quanto SECRETA [os média portugueses estão proibidos de noticiar tais encontros dos predadores da Língua] está escrita em acordês, e para que os Portugueses saibam como se escreve, em PORTUGUÊS, as palavras que estão assinaladas a vermelho, elas vão correCtamente escritas entre parêntesis reCtos, a verde.
O secretismo destas reuniões diz da má-fé, com que elas são feitas. Muito, muito lamentável.
Tenha-se em conta as sábias e lúcidas palavras de Constança Cunha e Sá, falecida há dias.

Exactamente, Constança Cunha e Sá.
Descanse em paz, se puder, porque nós cá neste pedaço de terra à beira mar plantado, em que vivemos, temos de continuar a defender a nossa amada Língua, de predadores, dos mais idiotas que existem.
Isabel A. Ferreira
***
A II Reunião do Grupo Multilateral de Reflexão sobre Língua Portuguesa (GMR-LP) do IILP teve ontem, dia 4, início com a presença de representantes de Angola (Ministério da Educação e Comissão Nacional do IILP), Brasil (Academia de Letras do Brasil e Representação Permanente do Brasil junto da CPLP), Cabo Verde (Ministério da Educação), Portugal (Academia de Ciências de Lisboa e Camões - Instituto da cooperação e da Língua/Comissão Nacional do IILP de Portugal), Timor-Leste (Comissão Nacional do IILP e Representação Permanente de Timor-Leste junto da CPLP) e do IILP (Diretor [DIRECTOR] Executivo e Assistente da Direção) [DIRECÇÃO] . Por problemas logísticos, as delegações de Moçambique (Ministério da Educação) e da Guiné-Equatorial (Ponto focal e Coordenador Nacional para Assuntos CPLP) juntam-se à reunião no segundo dia de trabalhos.
Por proposta da Academia das Ciências de Lisboa no decurso da primeira reunião, na cidade da Praia, em 2024, este segundo encontro decorre em Lisboa, na sede da ACL, tendo o seu Presidente, Prof. Doutor José Francisco Rodrigues, salientado, na intervenção de abertura, a sua satisfação pelo acolhimento da reunião, o compromisso da organização, no exercício da missão que lhe cumpre, com a promoção da língua portuguesa através de várias iniciativas e projectos [PROJECTOS] do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa e o balanço muito positivo queefetua [EFECTUA] da colaboração com o IILP, formalizada no protocolo assinado em maio [MAIO], que apresenta já resultados concretos e linhas de trabalho futuras já bem definidas, a que se junta o firme interesse em continuar a colaborar com este grupo de trabalho, em concreto.
Na sua intervenção, o Diretor [DIRECTOR] Executivo destacou o facto de a realização desta segunda reunião, com uma adesão crescente de entidades representativas dos Estados-Membros da CPLP, representar, desde logo, o reconhecimento da pertinência e da oportunidade da criação, em 2024, deste fórum de partilha e de reflexão em torno de matérias de política e gestão linguística de interesse para todos os países, procurando plataformas de colaboração e de articulação que concorram para o melhor cumprimento da missão do IILP, o fortalecimento das comissões nacionais e o enriquecimento de uma agenda para a promoção da língua portuguesa como língua pluricêntrica.
A agenda da reunião, que se estende ao dia 5, compreende três tópicos de discussão (Ampliação das discussões sobre recursos lexicais e ferramentas digitais para a promoção da diversidade e da variação da língua portuguesa; VOC: Estratégias para a ampliação, atualização [ACTUALIZAÇÃO] e gestão do Vocabulário Ortográfico Comum e Tecnologias da língua e variação linguística). Aprofundar temas e reflexões que integraram a agenda da primeira reunião; efetuar [EFECTUAR] o balanço de ações [ACÇÕES] cuja realização decorreu já de recomendações da primeira reunião; articular novas iniciativas conjuntas no âmbito do desenvolvimento de projetos [PROJECTOS] e de ferramentas de promoção da língua portuguesa numa perspetiva [PERSPECTIVA] pluricêntrica figuram entre os principais objetivos [OBJECTIVOS] do encontro.
Fonte:
Esta tentativa de espezinhar a Língua Portuguesa, a Língua de Portugal, só acontece porque o governo português é um governo frouxo e servil, sem coluna vertebral, acolitado pela franja menos instruída e subserviente da população portuguesa.
Podem dizer o que quiserem, nesse Festival Literário da Paraíba, porque digam o que disserem, jamais conseguirão impor essa ideia de que o Português não pertence a ninguém.
A Língua de Portugal seria parida pelo vento, que a todos pertence?
As Línguas pertencem a quem as gera, as estima, as ama, as fala e escreve correCtamente, as defende de predadores políticos, de literatos de meia-tigela e de mercenários.
As Línguas pertencem a quem NÃO tem a pretensão de querer que sejam as Línguas mais faladas no mundo, porque nem sempre as mais faladas são as mais Cultas. O que interessa é que sejam as Línguas que fixam o Saber e o Pensamento dos Povos que as geraram, e não apenas as Línguas com que se comunicam uns com os outros.
As Línguas são o Bilhete de Identidade de cada Povo, e cada Povo é representado por essa Língua que é a sua, e os outros Povos NÃO têm o direito de usurpar uma Língua que não lhe pertence, apenas para tirar proveitos político-jurídico-económicos.
As Línguas podem gerar variantes entre os Povos que as adoptaram, mas não passam disso mesmo: variantes das Línguas-Mães. E essas variantes pertencem apenas aos Povos que as criaram, NÃO sendo da decência humana, significando isto dizer da dignidade e honestidade humanas, e dos preceitos morais e éticos, tentar impingir as variantes aos Povos que geram as Línguas-Mães.
Digam o que disserem no Festival Literário da Paraíba, a Língua Portuguesa pertence a Portugal, é o símbolo Identitário de Portugal, e as variantes geradas pela Língua de Portugal pertencem aos Povos que as criaram.
E esta idiotice de dizer que o Português não pertence a ninguém, só e possível entre os dois únicos países do mundo com mais desinstruídos por metro quadrado. Em mais nenhuns Países do mundo, tal acontece.
Basta desta ignorância aleivosa, porque ainda há esperança para a Língua Portuguesa:

Isabel A. Ferreira

Possivelmente o João Baião e a Diana Chaves cumpriram ordens “superiores”, e ai deles se não cumprissem!!!! Podemos ilibá-los de culpa?

Foi escolhida uma senhora professora universitária para transmitir regras assentes na ignorância da Língua Portuguesa, preconizadas por um acordo desacordado, que nem sequer está em vigor em Portugal, porque não existe LEI alguma que obrigue os portugueses a escrever conforme a grafia mutilada, deshifenizada e desacentuada que torna a Língua apalermada, em Portugal.
A lei vigente é a de 1945, e é essa que os Portugueses são obrigados, POR LEI, a usar.
Mas como vivemos num país sem rei nem roque, onde cada um escreve como lhe dá mais jeito, de acordo com o seu pequeno saber ou para fazer o frete a quem realmente manda em Portugal [e não é nenhum governante português] o caos ortográfico impera nas escolas, nas televisões, nas empresas, em todos os lugares onde a ignorância se instalou, transformando Portugal na cloaca linguística do Mundo.
Isto está mais do que provado, em artigos, em livros, em opiniões de pessoas abalizadas para tal, mas mesmo assim, há gente que recusa o Saber e a Informação e opta pela Ignorância e pela Desinformação, e o pior ignorante é aquele que entre o Saber e a Informação, e a Ignorância e a Desinformação, opta pela Ignorância e pela Desinformação.
E pior: além de optar pela Ignorância e pela Desinformação, divulgam-nas através de um programa de televisão, ao estilo de Aula de Brutoguês (onde vÊem Português, devem ler BRUTOGUÊS).
E a aula que se seguiu, foi uma desconstrução da Língua Portuguesa, desintegrando-a, mentindo aos Portugueses, porque o AO90 NÃO é obrigatório, inventando monos ortográficos como minissaia [o que será uma ssaia pequena?]quando o correcto, em Português, é escrever mini-saia, uma palavra elegante e condizente com a regra da hifenização da Língua Portuguesa, enfim, a SIC, vergonhosamente, prestou um péssimo serviço a Portugal.
E a continuar assim, os analfabetos funcionais, serão mais do que as mães, dentro de pouco tempo.
E para não ser só eu a dizer mal do AO90 e a criticar quem o divulga, aqui deixo o SABER de dois Brasileiros que não foram na conversa dos que ignorantemente inventaram o abortográfico que veio desaprimorar a Língua de Portugal.
Isabel A. Ferreira



Como pode ver-se, a imagem faz publicidade à TV CINE, em painéis publicitários, à beira da estrada.
Como se não bastasse difundirem ignorância q.b. nas legendas, agora querem que os telespeCtadores sejam espetadores de quê????????
Isto só acontece neste nosso País, sem rei nem roque, onde tudo é permitido, até escrever-se incorrectamente a Língua Oficial de Portugal, a Língua Portuguesa, no meio da rua, para que todos vejam e imitem a estupidez que por aí vai.
Isabel A. Ferreira
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