Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026

Desmistificando a ideia da irreversibilidade do AO90

 

Nem só os comboios de tempestades assolam Portugal.

 

É preciso não esquecer que a Língua Portuguesa anda pelas ruas da amargura, neste tempo de crises de todas as espécies. É necessário combater todas essas crises, mas não esquecer que depois delas virá a bonança, e nessa bonança, porém, a ortografia portuguesa estará mais arruinada do que nunca, e é necessário e urgente recuperá-la.


É preciso limpar Portugal do lixo ortográfico que cada vez mais se expande nas escolas, nas universidades, nas televisões, nos jornais, nas revistas, nos documentos oficiais do Governo, da Presidência da República e dos Partidos Políticos, e um pouco por todo o lado onde é preciso comunicar através da escrita.


Para os que consideram que não se pode voltar atrás, porque muitas crianças, adolescentes e jovens já aprenderam a escrever segundo o AO90, e porque o erro já está instalado em Portugal, de casa e pucarinho, há que desmistificar esta ideia obtusa.

 

Não queiram rotular as nossas crianças de “mais estúpidas” do que as das gerações anteriores, porque elas de estúpidas nada têm.

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Passei a minha infância, adolescência e juventude entre o Brasil e Portugal e, de todas as vezes que mudava de país, tinha de mudar de Língua, porque a Língua, na sua forma grafada e falada, não é a mesma nos dois países, apesar de os governantes e de quem nada sabe de Línguas dizerem que sim, por conveniências políticas, mais do que económicas.

 

Aprendi a ler e a escrever no Brasil, com seis anos, com todos os djis e tchis no devido lugar, e suprimindo as consoantes mudas, com função diacrítica, na Língua original, e designar uma infinidade de coisas com palavras diferentes das da minha Língua Materna, ou seja, duas línguas diferentes na fonética, na ortografia, no léxico, na morfologia, na sintaxe, na semântica,  na construção frásica. Aos oito anos, regresso a Portugal e tive de abandonar os djis e tchis e introduzir as consoantes mudas onde elas são necessárias, e reaprender a estruturar a Língua, em todas as vertentes que já referi. Aos 13 anos abalei para o Brasil novamente, e tive de abandonar o que tinha aprendido em Portugal, e regressar ao Brasileiro. Aos 20, vim definitivamente para Portugal e foi então que me fixei na minha Língua Materna. E tudo isto com a maior facilidade. Foi como aprender duas Línguas: a Portuguesa e a Brasileira; às quais juntei a Inglesa, a Castelhana e a Francesa, que me ajudou a aprender a Brasileira, pois esta está assente nestas três Línguas, e também na Italiana,  mais do que na Portuguesa.


Não sendo eu mais DOTADA do que a mais comum das crianças portuguesas do século XXI, não vejo que estas possam ter dificuldade em desaprender o coxo AO90 e aprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, que apesar de parecer mais difícil, tem uma virtude: é de compreensão mais fácil e ajuda na aprendizagem das restantes Línguas europeias, da mesma família da Língua Portuguesa.

  

 Se eu consegui, qualquer criança hodierna consegue, pois têm à sua disposição mais instrumentos, como o corrector ortográfico, por exemplo.

 

E essas mudanças de linguagem nunca me fez qualquer mossa, muito pelo contrário, aprendi tanto, mas tanto sobre a Língua Portuguesa nas duas versões (a original e a desviada da sua matriz, a Brasileira) que hoje (e que me perdoem os meus irmãos brasileiros) tenho aversão ao AO90, quase por instinto, porque este veio destruir o meu mais precioso e belo instrumento de trabalho: a minha Língua Materna

 

Além disso, insistir no erro trará mais prejuízo para o futuro, do que se se recuar e atirar ao lixo esta vergonhosa maneira de escrever incorreCtamente o Português, em Portugal. Além de que, ao contrário do que os acordistas consideramse quisermos preservar a Língua Portuguesa, temos de abandonar urgentemente o AO90, de outro modo, ela extinguir-se-á, como uma fogueira à qual se atira um balde de água gelada.

 

Sejamos racionais.

 

Se alguém tem de perder alguma coisa, que sejam os culpados do crime de lesa-língua e de lesa-pátria (os responsáveis pela desintegração da Língua Portuguesa), e NÃO as crianças, os adolescentes e os jovens portugueses, mas também os estrangeiros que cá se fixaram e que estão a ser vilmente enganados, porque não estão a aprender a Língua  de Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:51

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026

O caos ortográfico está instalado. É hora de acordar Portugal!

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 18:36

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«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções» (*)

 

Francisco Miguel Valada diz, e muito bem, no artigo que dá título a esta publicação:

«O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos».

Na minha perspeCtiva, o que FMV escreveu neste texto, seguindo uma óPtica correCtíssima, assim muito, muito espremidinho, significa isto: se os acordistas não assentaram o AO90 na mais profunda ignorância do Português (e já nem falo no de lá ou no de cá) parece, pois demonstram-no constantemente, diariamente, insistentemente, mentendo dó...

Além disso, se pretenderam unificar as ortografias brasileira e portuguesa, esqueceram-se de um pormenor importantíssimo: ou o Brasil começava a escrever totalmente à portuguesa, pois é à portuguesa que todas as outras ex-colónias escrevem, ou Portugal e todas as outras ex-colônias começavam a escrever à brasileira. De outro modo, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e lá vai a tontice de querer unificar algo que é absolutamente impossível de unificar, pelos motivos mais óbvios a qualquer ser pensante.

E é bem verdade o que diz, FMV: convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos de todos os que os têm bem abertos e são capazes de raciocinar...

Isabel A. Ferreira

 

FMV.jpg

 

Por Francisco Miguel Valada

 

«O Acordo Ortográfico e as respectivas facções»

 

«Está nisto desde que veio. (…) De curtas e compridas tem-nos chamado de tudo.»
António Lobo Antunes, Memória de Elefante

 

«A primeira frase de um recente despacho da Lusa, divulgado pelo Expresso, ilustra bem a farsa do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Passo a transcrever: “As fações rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respetiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.” Efectivamente, esta frase está e não está de acordo com o esperado de uma frase cumpridora do estabelecido na base IV do AO90. Por um lado, temos *fações e *respetiva, porque em português europeu a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ nas palavras facções e respectiva não é pronunciada. Por outro lado, como em português do Brasil a oclusiva velar correspondente à letra ‘c’ naquelas palavras é pronunciada, o resultado seria diferente se este texto, em vez de aparecer no Expresso, tivesse aparecido na Folha de S. Paulo, ou seja, haveria facções e respectiva.

 

Isto é, actualmente, em português do Brasil escrito, versão 1990, aquelas grafias correspondem às fabulosas formas já existentes no português europeu escrito com a ortografia de 1945, a ortografia óptima, segundo a melhor informação científica disponível. Assim sendo, em português do Brasil com AO90 e em português europeu sem AO90, temos esta deliciosa frase: “As facções rivais líbias convidadas pela ONU a participar em negociações políticas na quarta-feira em Genebra (Suíça) anunciaram esta segunda-feira separadamente a decisão de suspenderem a respectiva participação no diálogo, alegando motivos diferentes.”

 

Com efeito, apesar do reconhecido valor grafémico da letra ‘c’ em facções e respectiva, os autores do AO90 decidiram aniquilá-la em português europeu. É evidente que tal decisão de supressão da letra ‘c’ foi tomada ao arrepio de pareceres e artigos científicos, aos quais os deputados e o Governo não ligaram nenhuma, escolhendo o pouco corajoso acto da fuga para a frente. Alguns, aliás, têm preferido mesmo o recurso à provocação e à deselegância. Recentemente, um deputado do Partido Socialista (PS) aproveitou a morte de João Malaca Casteleiro para ofender quem estuda e trabalha. De facto, Ascenso Luís Simões lamentou que “quem nega a atual [sic] ortografia não entenda que a língua portuguesa não pode ficar agarrada a uma visão é [sic] um tempo marcados pelo colonialismo”. Aguarda-se uma retractação, uma vez que pedir para ler pareceres e artigos, pelos vistos, é pedir imenso. Convém, apesar de tudo, separar o trigo do joio. Por exemplo, Pedro Cegonho, também ele deputado do PS, tem disponibilidade para ouvir educadamente argumentos contra o AO90. É essa, aliás, a impressão que fica do excelente e minucioso relato feito por Rui Valente, sobre o encontro de uma delegação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico com representantes do Grupo Parlamentar do PS.

 

Voltando ao assunto que aqui trago, a supressão da letra ‘c’ tem, portanto, duas consequências: uma consequência interna e outra externa. Quanto à interna (do ponto de vista português europeu), temos a provável homonímia de *fação com uma localidade do concelho de Sintra chamada Fação e a potencial rima de *respetiva com discretiva. No que diz respeito à externa, cria-se um novo fosso entre as normas europeia e brasileira, afastamento provocado justamente pela principal base do AO90. Em suma, exactamente o oposto das promessas e juras de negociadores, promotores e amigos do dito cujo.

 

O impacto real do AO90 verifica-se em textos concretos e não em ilusões. Como vimos no início, a primeira frase de um despacho da Lusa não tem qualquer palavra afectada pelo AO90 em português do Brasil, mas tem duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu. Convém que o poder político deixe de insultar quem o elege e de atirar areia para os olhos ou, segundo a doutrina vigente, arena para os óculos.

 

Autor de “Demanda, Deriva, Desastre: Os Três Dês do Acordo Ortográfico” (Textiverso, 2009)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/03/10/culturaipsilon/opiniao/acordo-ortografico-respectivas-faccoes-1906712?fbclid=IwAR2pSbfyKLv1OdVY4d5L3TLVE-0K8DeUYhWNeKChCfPwZrvEqJhOCSIBoY8

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

Em Defesa da Ortografia (LXXXIX), por João Esperança Barroca

 

     Na linha dos seus antecessores, o texto do mês de Fevereiro (o 89.º da série “Em Defesa da Ortografia”), continua a apresentar, exactamente, as mesmas características.

 

     A aposta continua a ser a de mostrar diálogos, por vezes absurdos, de índole humorística, que ilustram a fantochada do AO90, expondo as suas fragilidades, as suas incoerências e a completa ausência de lógica.

 

     As palavras a vermelho indicam as formas alteradas pelo AO90. As formas a verde, quando ocorrerem, remetem para grafias do Acordo Ortográfico de 1945, que, nalguns casos, se mantêm como duplas grafias.  A azul, temos os casos de hipercorrecção, decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

 

XCVII

             — Para amanhã, é expetável um aumento da nebulosidade.

             — Não percebi metade do que disseste. O que é isso de ser expetável?

             — Expetável quer dizer provável, que se espera que aconteça…

             — Para significar tudo isso, falta-lhe qualquer coisa. É expectável que o que está em falta seja uma consoante.

 

XCVIII

 

             — A direção do canil quer lançar uma campanha de adoção.

             — Para quê?

             — Para resolver os problemas da falta de instalações e do excesso de animais.

             — Digo-te que não resolve nada.

             — És vidente?

             — Para resolver esses problemas, a direcção teria de lançar uma campanha de adopção, que é uma medida diferente.

 

XCIX

 

             — Rafael Alexandre, já traçaste a reta?

             — Sim, setor.

             — E ela interseta a reta inicial?

             — Sim. Mas acho que não está perfeito, falta qualquer coisa.

             — O que achas que falta?

             — Talvez, duas consoantes: uma, na recta e outra no verbo intersectar. O meu pai disse-me que elas estão no étimo.

 

C

             — O tema da aula de hoje é a inércia, que é uma propriedade dos corpos. Alguém quer intervir? Podes ser tu, Rafael Alexandre.

             — Ó setor, a inércia não é o que mantém o Acordo Ortográfico de pé?

             — Como assim, Rafael Alexandre?

             — Ontem, estive a ler um artigo de José Pacheco Pereira no jornal Público e foi isso que entendi.

 

CVI

             — No Carnaval, vou comprar um manto, uma coroa e um cetro.

             — Um cetro? Que raio de coisa é essa?

             — É um bastão curto…

             — Pois, deve ser mesmo curto. Falta-lhe um pê.

 

CII

             — A nossa empresa garante-lhe um desconto na fatura da eletricidade.

             — Isso não me interessa nada!

             — Não quer pagar menos na eletricidade. É um caso único!

             — Não. Cá em casa, ninguém consome eletricidade, seja lá isso o que for. Aqui só se consome electricidade, que é outra coisa. Além disso, eu não pago faturas. Só pago facturas, que também é outra coisa. E não sou o único, como dizem os Xutos & Pontapés.

 

CIII

 

             — O governo não conseguiu contatar o serviço de helicóteros para combater os incêndios.

             — E isso causa algum problema?

             — Claro que sim! Eles são eficazes no combate aos incêndios.

             — Não o creio. Se ainda estivesses a falar de helicópteros, isso seria outra conversa. Como deves saber, não é seguro andar de helicótero.

 

CIV

             — Não tenho ido trabalhar há vários dias.

             — Porquê?

             — Fiz uma fratura no braço direito e tenho de ir a uma junta médica na próxima semana.

             — Estás tramado.

             — Porquê?

             — Com uma fratura, vão dar-te como apto para trabalhar.

             — Mas estou cheio de dores…

             — Pois, mas para te renovarem a baixa, dava-te jeito teres uma fractura.

 

CV

 

             —  Tenho ouvido as notícias sobre a Venezuela e reparei que os venezuelanos pronunciam actas e sectores, articulando o cê.

             — E qual é a admiração?

             — Não percebo.

             — Isso acontece nas línguas que não se envergonham do seu passado, da sua história.

             — Já percebi. É como dizia o nosso vizinho, o pai do Professor B. O AO90 é uma cagada em três actos.

 

CVI

             — Já estou aqui há duas horas e ainda não fui atendida.

             — Isso não é connosco. Tem de reclamar junto da Direção.

             — E isso serve de alguma coisa?

             — Sim. A Direção é o órgão a quem deve comunicar as ocorrências anómalas.

             — Não será antes a Direcção? Na Direção não confio lá muito!

 

CVII

             — No próximo fim-de-semana, queres ir à caça?

             — À caça? Tu agora és caçador? Não sabia.

             — Sou, sou. Desde 1990 ando à caça da pronúncia culta. E nem perto dela consegui chegar.

             — Pois… Não vai ser fácil. Talvez, a Assembleia da República decrete onde para.

             — Para quê? Acaba as frases!

 

CVIII

             — Sugiro-te que não convides o Lemos para a tua lista.

             — Porquê?

             — O homem é o anti-Salazar em pessoa.

             — Um anti-salazarista, queres dizer?

             — Muito pior, muito mais reaccionário, um antissalazarista.

 

     Ah! Uma das imagens que acompanha este escrito, demonstra como, vários anos após o início da aplicação do nefando Acordo Ortográfico de 1990, a RTP, que em 2010 desenvolveu uma intensa actividade formativa, como refere o seu Relatório de Contas desse ano, continua a ter a capacidade de, a cada dia, repetir os erros. É como calha. Mais consoante, menos consoante, é igual ao litro.

 

     Ah! A segunda imagem, copiada do blogue O Lugar da Língua Portuguesa, reunindo cortes de vários órgãos da comunicação social também repete o erro, mostrando que há ali muita convição, quer dizer, convicção.

 

     Ah! É obrigatório ler o artigo de Nuno Pacheco “O silêncio não se escreve?

Grafemos ‘umanidade’ e ‘erói’”, publicado no dia 15 de Janeiro pelo jornal Público. Nesse artigo, pode ler-se: «Levado às últimas consequências o foneticismo invocado para justificar o AO90, a escrita corrente transformar-se-ia numa mistela irreconhecível. Só que esse foneticismo, como sabemos, foi apenas pretexto para vender a políticos ignorantes nesta matéria uma “unificação” ortográfica tão patética que mesmo os seus criadores afirmam que não passou dos 2%.»

 

     Ah! Do mesmo autor, vale a pena ler o texto “Ainda a ortografia, ou uma lança romana na aldeia gaulesa”, também dado à estampa pelo Público no dia 8 de Janeiro.

 

     Ah! Obviamente, nenhum dos candidatos à Presidência da República quis abordar o assunto do Acordo Ortográfico. 

 

João Esperança Barroca

 

BARROCA 1.png

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publicado por Isabel A. Ferreira às 14:22

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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2026

Uff! António José Seguro venceu! Foi um alívio, porém, por outro lado, não fica garantida a defesa e a consideração pela Constituição da República Portuguesa, no que à Língua de Portugal diz respeito (*)

 

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Porque o pacto está feito [há quem escreva pato], e fosse qual fosse o inquilino de Belém, qualquer um dos que ficaram de fora NÃO garantiria a defesa e a consideração pela Constituição da República Portuguesa (CRP).

 

Milhares de palavras já foram gastas, a este respeito, em vão.

Agora que ando a organizar o Arquivo dos textos publicados no Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa»  vejo (já não me lembrava do muito que aqui se escreveu)  que este era o lugar onde a Língua de Portugal estava segura, pela quantidade de artigos que uma infinidade de muito ilustres portugueses e brasileiros escreveu, com provas mais do que comprovadas, sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade do AO90  –  apenas os governantes, professores, comunicação social acordista, magistrados e presidentes da República passaram e continuam a passar por essa ilegalidade e inconstitucionalidade como o cão por vinha vindimada, ou seja, passar sem querer que se perceba que se passa. Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos.

 

Não é nada com eles. A Língua Portuguesa não lhes diz respeito. Eles escrevem conforme lhes dá na telha. O que interessa é poder estar no Poder. Prometem o que não podem cumprir. Todos os candidatos prometeram defender a CRP, mal sabendo que, ao não saberem grafar a sua Língua Materna, violam a Constituição.

 

Ninguém tem intenção de desfazer o pacto, tal como o outro interlocutor desse pacto desfez os acordos que assinou, mas nunca cumpriu.

 

A subserviência dos governantes portugueses ao senhor de engenho ultrapassa toda a razoabilidade, a lucidez, a lógica do dever para com a defesa e cumprimento da Constituição da República Portuguesa. E quem se importa com isto?

 

Não pensemos que com Seguro a nossa Língua vá estar segura em Belém. Não vai.

 

Seguro é acordista. Usa o mixordês, junta a grafia portuguesa com a grafia brasileira, num mesmo texto, aliás como todos os acordistas fazem, incluindo professores.  É adepto de dizer portuguesas e portugueses.  Já se vê por esta aragem quem vai na carruagem, e no que NÃO vai fazer pela Língua de Portugal.

 

No próximo dia 09 de Março, Seguro jurará defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, e essa será a sua primeira mentira como Presidente da República. A não ser que, respeitando-se a si próprio, desfaça o pacto e diga o dito pelo não dito, bem alto, para o mundo ouvir: em Portugal mandam os Portugueses. Mandaremos o AO90 às malvas, e o nosso maior símbolo identitário, a Língua de Portugal, regressará à sua Genetriz.

Só assim teremos um PR diferente de Marcelo Rebelo de Sousa, no que a esta questão gravíssima diz respeito.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:53

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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2026

À conta do AO90 a RTP goza com quem lhe paga os salários (*)

 

A história é mirabolante. Nada que já não esperasse da RTP.

 

Tem a ver com a Carta Aberta que o Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes    escreveu aos candidatos à presidência da República, com o seguinte assunto: a aplicação ilegal e inconstitucional do AO90, matéria que nenhum dos candidatos se atreveu, até ao momento, a expor publicamente, nos debates televisivos e não só.

Um dos subscritores da Carta, o meu amigo António Magalhães, cidadão com espírito cívico apurado, e activista em Defesa da Língua de Portugal, incomodado com a indiferença que os candidatos e a comunicação social votaram a este gravíssimo assunto, que põe Portugal na cauda de todos os países do mundo, que têm uma Língua Materna escorreita, enviou à RTP a seguinte mensagem:

 

RTP 1.PNG

Resposta da RTP:

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António Magalhães, ficou estupefacto com tal resposta, e apressou-se a dar-me conhecimento de tal despautério, no que fez muito bem, porque há coisas que, só vendo, acreditamos. E logo eu, que sou como o São Tomé! Fiz uma pesquisa, não vá o António ter-se enganado. Mas não se enganou, porque eis a prova:

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Obs.: os vocábulos assinalados a vermelho são erros ortográficos, de acordo com a lei vigente, que obriga à grafia de 1945. A grafia do AO90 é ilegal e inconstitucional para TODOS os Portugueses. Todos, todos, todos, sem excePção.

Eis o que respondi ao António:

Caríssimo António Magalhães.

Fiquei surpreendida com os seus e-mails.

Com o primeiro, por ter tido a coragem de se dirigir à RTP [que se está nas tintas para os cidadãos que lhes pagam os salários] expondo o assunto da Carta Aberta, que dirigimos aos candidatos à presidência da República, ficando tudo em águas de bacalhau, por nos terem ignorado, tal como é apanágio dos autocratas. Muito, muito obrigada, pela sua coragem.

 

Com o segundo, pela resposta absolutamente PARVA que lhe enviaram, como se o director de informação da RTP NÃO fosse o Dr. Vítor Gonçalves. Estou estupefacta com a resposta que lhe deram, que é uma resposta de quem anda a gozar com os cidadãos, tal como os governantes e os candidatos a PR andam. Uma refinada vergonha, que repudiamos, por provocar-nos asco!!!! Ainda os hei-de ver todos caídos na sarjeta [quando se fizer justiça, e a Língua Portuguesa for devolvida a Portugal].

Este é um retrato mórbido e insultuoso do estado do País: pobre e podre.

Obviamente que não deve seguir o mau conselho que lhe deram.

(...)

Com as minhas saudações desacordistas,

Isabel A. Ferreira

***

Fiz questão de tornar pública esta cena, para que os Portugueses PENSANTES saibam quem anda a tramar Portugal, no que ao seu maior símbolo identitário diz respeito: a Língua Materna original, NÃO a fotocópia, mal fotocopiada.

FICHTE.png

 

E seja quem for que ganhe as eleições no próximo domingo, fará a mesma triste figura que Marcelo Rebelo de Sousa fez nestes últimos dez anos: violar a Constituição da República Portuguesa e virar as costas a Portugal e aos Portugueses. Por isso, o meu voto, tal como na primeira volta, continuará a ser em branco, um voto de protesto, cuja percentagem  devia valer com assentos vazios no Parlamento.


Quanto à RTP, não é a primeira vez que insulta um subscritor do Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes.

Não nos esquecemos do que fizeram com a Dra. Maria do Carmo Vieira: A RTP convidou a Professora de Português, Maria do Carmo Vieira, para ir ao programa «Bom Dia Portugal» assinalar o Dia Internacional da Literacia, que se celebrou no passado dia 08 de Setembro, e o que lhe fez é imperdoável...

... tal como é imperdoável e asqueroso o que fizeram com António Magalhães.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:26

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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2026

«Da matemática e do vício», por Manuel Matos Monteiro, no Jornal PÚBLICO (*)

 

Da matemática e do vício

Fonte: https://www.publico.pt/2026/02/01/opiniao/opiniao/matematica-vicio-2163156

 

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Comentários a este texto de Maria José Abranches, Professora de Português aposentada.

 

1 - "Muito obrigada, por mais esta demonstração do estado lastimoso em que a nossa língua se encontra. A facilidade e a irresponsabilidade com que o poder político impôs a Portugal a aplicação do - a todos os títulos condenável - AO90 impõe-nos a todos nós, portugueses e democratas, a obrigação de reagir e denunciar as suas consequências nefastas. «E sejam quais forem as nossas ideias e as nossas situações políticas, nenhum de vós que me escutais ou não, pode viver sem uma ideia que, genericamente, é inerente à própria condição humana: o 'resistir' a tudo o que pretende diminuir-nos ou confinar-nos.» (Jorge de Sena, "Discurso da Guarda", 1977)"

 
2 - «Não compro nada, para ler, que empregue o AO90, que desfigura e ridiculariza a língua de Portugal. Sou, há anos, assinante do "Público", que considero, como costumo dizer, 'um jornal que se respeita e nos respeita', com particular destaque, porque respeita a ortografia correcta da nossa língua. Este Sr. Provedor, melhor dizendo, 'promotor' do AO90, é a negação dum aspecto básico motivador da minha fidelidade a este jornal... Espero que os responsáveis pelo "Público" acabem rapidamente com este verdadeiro 'insulto' aos seus fiéis leitores. Errar é humano, mas permanecer no erro é estupidez - simplificando as sábias palavras de Sófocles, na "Antígona".»


 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:47

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Domingo, 1 de Fevereiro de 2026

«Blogger acha que "Língua Portuguesa" é SPAM» (*)

 

Recebi via e-mail, o texto que passarei a transcrever, inserido no Blogue 3P - Portugal País de Patetas.

Porque se trata de um texto onde  o Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» e a minha pessoa são citados, e porque, na verdade, o que se passou foi algo surrealista, que,  de certa forma tinha de ser denunciado, pois todos pensamos que vivemos numa Democracia, onde a liberdade de expressão é um direito adquirido, porém , onde existe censura, NÃO existe Democracia, ficando a liberdade de expressão comprometida.


Quero agradecer ao 3P - Portugal País de Patetas,  o facto de denunciar algo que nunca imaginei que pudesse acontecer depois do dia 25 de Abril de 1974, dia em que todos apregoam em altos berros a LIBERDADE!  Qual delas?

Isabel A. Ferreira


***

«Blogger acha que "Língua Portuguesa" é SPAM»

Quando o SAPO anunciou o fim do seu espaço de blogs, a autora de “O Lugar da Língua Portuguesa” alojou-o no Blogger. Durou poucas horas, porque o Blogger removeu o blogue, por o considerar SPAM!!!

 

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Num país que se vergou ao nefasto Aborto Ortográfico (ele não há nada mais que se lhe possa chamar), espaços como o de Isabel A. Ferreira são faróis na escuridão que grassa neste canto da Ibéria. Com um povo analfabeto, manso que nem um cordeiro a caminho do matadouro, num país europeu onde poucos parecem preocupados se os “cês” e “pês” desapareceram, mesmo que fora de qualquer norma, das palavras da Língua Portuguesa, o blogue que desde 2015 pugna pela defesa da matriz do Português tem servido como baluarte da luta contra tamanha estupidez.

 

Quando o SAPO anunciou que vai descontinuar o seu espaço de blogs no próximo dia 30 de Junho de 2026, Isabel A. Ferreira anunciou aos seus leitores que alojara o blog “O Lugar da Língua Portuguesa” em Blogger.com, para onde migrou alguns textos e publicou um novo texto para teste.

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A experiência foi curta, porque o blog foi removido, de imediato. Segundo Isabel A. Ferreira escreveu, no seu espaço no Sapo, ainda activo, “Não durou mais do que o tempo necessário para decidirem que o «Novo Arco de Almedina» iria continuar a ser a pedra no sapato de quem pode, quer e manda.”

Segundo a mensagem do Blogger enviada a Isabel A. Ferreira, o blog “O Lugar da Língua Portuguesa” foi removido por violar a política de SPAM da companhia. Brilhante execução de estupidez esta, não é? O Blogger faz parte da Google, que é um cancro nas nossas vidas, uma das maiores fontes de mentira e desinformação de que há memória. Veja-se este exemplo acabado de ser noticiado:

https://www.theguardian.com/technology/2026/jan/24/google-ai-overviews-youtube-medical-citations-study

A leitura da mensagem enviada a Isabel A. Ferreira diz tudo. Está escrita no nefasto AO – que está ILEGALMENTE em uso – e isso explica por que razão o blogue foi silenciado. Como a autora escreveu, em resposta a uma mensagem que lhe enviei, “Eu estava à espera que alguma coisa pudesse acontecer. O que não esperava era a remoção dos Blogues, sem um pingo de argumentos racionais que o justificassem, e tão grosseiramente anunciada por quem não tem nome, nem cara para apresentar em público” a que acrescentou ainda “Desconhecia que usavam o lápis azul como se fazia em tempos que já lá vão”.

De facto, a remoção de “O Lugar da Língua Portuguesa” de o Blogger sugere “encomenda” de quem não gosta do espaço. Como escreveu Rui Leite nos comentários ao sucedido “Lamento imenso, e estou chocado com esta vil perseguição. O blog nada tem de censurável. Quem a denunciou tem certamente razões de (baixa) política.”

Pois, o que esta acção do Blogger revela é que gente sem uma gota de discernimento faz o que quer e ninguém os consegue parar. Julgam-se reis quando não são mais do que analfabetos servis que de há muito perderam o Norte.

Na troca de mensagens com a autora do blogue referi que o Blogger já anteriormente calara uma voz incómoda em Portugal, acrescentando “o Público fez notícia do caso anterior, espero que agora faça uma história à volta deste caso com “O Lugar da Língua Portuguesa”. Mas com aquele provedor (em caixa baixa, mais não merece o tonto) que agora por lá anda... não sei se o Público se debruçará sobre mais um caso de como o Google/Blogger defende a liberdade de expressão. Como eles dizem:

“Blogger is a platform that promotes freedom of expression and our policies serve this purpose.”

Falta acrescentar... “ quando lhes interessa”.

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© 2026 PortoGraal

  

 Fonte: https://portugalpaispatetas.substack.com/

  

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:26

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