![Poesia_Gonçálves_Dias[1].JPG Poesia_Gonçálves_Dias[1].JPG](https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bac171e48/21338716_BnGY8.jpeg)
Quando falamos de Língua Inglesa, falamos de que país?
De Inglaterra, obviamente.
Quando falamos de Língua Castelhana, falamos de que país?
De Espanha, evidentemente.
Quando falamos de Língua Francesa, falamos de que país?
De França, claramente.
Ainda que estas três línguas, destes três países, antigos colonizadores, sejam as línguas oficiais de vários países que se tornaram independentes, espalhados pelos cinco continentes.
Teremos alguma dúvida? Não temos, certamente.
E quando falamos de Língua Portuguesa, falamos de que país?
Eu não tenho qualquer dúvida: falamos de Portugal, seguramente.
É que a Língua Portuguesa, tal como as línguas que referi, tem origem na Europa, não tem origem em África, nem nas Américas (do Norte e do Sul), nem na Ásia, nem na Oceânia.
Mas os nossos políticos ignorantes, mais uns tantos apátridas, também ignorantes, e outros tantos traidores, igualmente ignorantes, dirão sem pestanejar (como já ouvi): quando falamos de Língua Portuguesa, falamos do Brasil, porque no Brasil os falantes são milhões…
São milhões, os falantes? E daí? O que é que isso significa?
Nos EUA, também serão milhões, os falantes, mas quando falamos de Língua Inglesa, falamos de Inglaterra, naturalmente.
Na América do Sul, igualmente serão milhões, os falantes, mas quando falamos de Língua Castelhana, falamos de Espanha, decididamente.
Sempre assim foi e sempre assim será, porque podemos reescrever a História (se houver novas fontes que anulem as anteriores), mas não podemos reescrever a Origem.
Não conhecendo exactamente a negociata obscura que está por trás da tentativa de destruição da Língua Portuguesa, (reparem que eu disse tentativa), mas desconfiando, podemos dizer, sem qualquer margem de dúvida, que a nossa identidade linguística está a sofrer o maior atentado jamais perpetrado contra uma qualquer Língua do mundo, e todos os responsáveis pela governação de Portugal, desde o presidente da República, ao primeiro-ministro, e ministros, principalmnte o dos negócios DOS estrangeiros, ao presidente da Assembleia da República, passando pelos deputados (e deputadas, deverei dizer assim, à parola?) da Nação, estão-se nas tintas para que se diga que assim como o Hino Nacional é A Portuguesa, a Língua Nacional é a Brasileira, porque a grafia preconizada pelo AO90 é a grafia brasileira.
Mas para que não digam que eu tenho algum sentimento menor pela Cultura Brasileira, que aprendi como sendo também a minha, deixo aqui uma declaração de amor à Língua Portuguesa, através de um poema que aprendi, era ainda adolescente, e que sempre guardei nas minhas mais gratas memórias, como um dos mais belos poemas do Poemário Brasileiro.
Trata-se da Canção do Exílio, do poeta Gonçalves Dias, expoente do romantismo brasileiro.
Este é um dos poemas mais conhecidos da Literatura brasileira. Curiosamente, foi escrito em Julho de 1843, em Coimbra, a cidade eleita do meu coração.
A Canção do Exílio, escrita em Português, tornou-se emblemática na cultura brasileira, por aludir à tão saudosa pátria distante… um sentimento que foi também o meu, quando, no Brasil, suspirava pelo suave murmúrio das águas do rio Mondego, deslizando por entre o arvoredo, no Choupal…
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
***
Unificar o quê?
Para quê?
Porquê?
Com que (obscura) intenção?
Isabel A. Ferreira
A crónica da portuguesa e do português…
Eu já me vi a fazer muitas coisas na vida, mas nunca imaginei vir a escrever o que me propus escrever hoje porque, para mim, era um dado adquirido que a minha Língua Materna, o meu instrumento de trabalho, fazia parte do Património Cultural Português e era o símbolo maior da Identidade do meu País, e como tal, estaria protegida na Constituição da República Portuguesa (como na realidade está, mas faz-se-de-conta que não está).
Sempre pensei que a Língua Portuguesa estava para Portugal, como a Língua Inglesa está para a Inglaterra, ou o Castelhano para a Espanha (línguas que aprendi tal como aprendi a minha Língua Materna e que tal como a minha Língua Materna fazem parte da minha Cultura).
Aprendi a ler e a escrever no Colégio de São Sebastião, no Brasil, (para onde viajei aos dois anos de idade) numa língua que, regressada a Portugal, com oito anos, me disseram que não era a nossa língua e, portanto, teria de reaprender a ler e a escrever.
Comecei tudo outra vez, e progredi.
De volta ao Brasil, já adolescente, tive de tornar a reaprender a ler e a escrever, porquanto ali não reconheciam a minha Língua como sendo a do Brasil.
Fui então obrigada a regredir.
Quando regressei a Portugal, para poder terminar o meu Curso de História, na Universidade de Coimbra, tive de não só tornar a reaprender a escrever Português correctamente, como estudar Latim e Grego para fazer as cadeiras de Epigrafia, Paleografia, História da Civilização Grega, História da Cultura Clássica e História da Civilização Romana.
Agora sim, tinha ficado com todas as “ferramentas” necessárias ao conhecimento mais aprofundado da minha Língua Materna que, a partir de então, jurei a mim própria, não mais deformaria, em hipótese alguma.
Contudo, foi numa escola inglesa que dei os primeiros passos na Escrita. Os meus primeiros contos foram escritos em Inglês, e foi Mr. Brooks que me incentivou a seguir uma carreira literária. E enquanto frequentei aquela escola inglesa segui, de facto, essa “carreira”, escrevendo short stories para o jornal de parede.
Mas o mundo dá muitas voltas.
Concluído o Bacharelato em História, em Coimbra, fui dar aulas de História e também de Português (era obrigatório) como também foi obrigatório, por iniciativa própria, ter de estudar mais aprofundadamente a Língua, para poder ser competente na profissão que fui forçada, pelas circunstâncias, a abraçar. E foi este o verdadeiro começo da minha paixão pela escrita em Língua Portuguesa, descobrindo os autores clássicos portugueses. Até ali, os autores que havia lido e estudado eram os brasileiros, ingleses, americanos e espanhóis, e franceses (entre outros) em traduções inglesas e castelhanas.
A partir de então, e porque não me encaixei num sistema de ensino bastante deficiente e a abeirar o absurdo (anos lectivos de 72/73, 73/74) terminada a Licenciatura (74/75) abandonei o ensino e dediquei-me ao Jornalismo.
Em 1979 comecei a minha carreira jornalístico-literária.
E eis-me chegada a um ponto que nunca imaginei poder chegar.
Eu, que andei em bolandas pelo mundo e tinha nas línguas Inglesa e Castelhana as minhas maiores referências linguísticas, apaixonei-me pela Língua Portuguesa, a língua do meu país, e tudo corria bem até que um dia, pela calada, os governantes portugueses decidiram impingir-nos uma ortografia inculta, e declarar obrigatória a sua aplicação nas escolas e repartições públicas, sem base legislativa alguma, portanto, de um modo ilegal.
E porque, em Portugal, a Cultura Crítica anda emigrada, aconteceu que os medrosos, os subservientes, os escravos do poder (a maioria dos órgãos de comunicação social), os menos informados e os que não têm espinha dorsal e um pingo de espírito crítico, vergaram-se perante esta afronta à identidade portuguesa, e andam por aí a pisar a Língua, como se ela fosse um capacho colocado à saída de um chiqueiro.
Então lemos por aí textos hilariantes, como este que encontrei no Facebook, publicado pela Ana Sara Cruz:
«O que estão a fazer à nossa Língua?
Então e esta moda parva, que anda por aí, de se empregarem os dois géneros?
Ainda ontem ouvi, na rádio, um jovem "empreendedor" dizer o seguinte: "Eu tenho amigos e amigas, arquitectos e arquitectas, que estão desempregados e desempregadas...".
Também há dias, num evento que teve lugar por estes lados, estava um grupo de formandos com a formadora. De repente, a senhora pega num megafone e grita: "Atenção, vamos lá ter calma, fiquem sentados e sentadas...".
Perante tamanha parvoíce...desculpem lá... mas tenho que me rir...!
Com tanta cretinice, idiotice e parvoíce instalada em Portugal, estamos tramados e tramadas!»
***
É que estamos mesmo muito tramados e tramadas.
Principalmente os meninos e meninas que frequentam escolas onde professores e professoras, servis aos governantes e governantas, ministros e ministras, deputados e deputadas, directores e directoras, presidentes e presidentas, andam por aí a espalhar incultura e a criar bronquinhos e bronquinhas, que mais dia, menos dia, poderão vir a ser os governantes e governantas deste nosso pobre país descaracterizado, que já não tem uma língua que o identifique como tal, e andam todos e todas muito lampeiros e lampeiras a derramar sorrisos e sorrisas (já agora!) como se fossem muito cultos e cultas.
Isto é mesmo para ficarmos indignados e indignadas, ao ponto de precisarmos de procurar um modo e uma moda que possa devolver à Língua Portuguesa a dignidade perdida.
O que dizem, portugueses e portuguesas (parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, que já entrou nesta onda dos pacóvios e pacóvias)?
Isabel A. Ferreira
De facto, «a mentalidade “acordista” é retrógrada, irrealista, insensível, impatriótica, irresponsável, incompetente e ignorante. Representa o triunfo (…) da ignorância arrogante», diz António Emiliano***, na Apologia do Desacordo Ortográfico, pg. 49
*** António Emiliano (Lisboa, 1959) é um linguista, professor e músico português. É doutor em Linguística Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa e professor na mesma instituição. É sócio fundador da Associação Portuguesa de Linguística e da Associação Internacional de Linguística do Português, membro cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores.
No Brasil o AO/90 é desconhecido entre o POVÃO. A esmagadora maioria dos brasileiros não o UTILIZA.
Os Brasileiros cultos não o aplicam.
Os restantes países lusófonos também não o aplicam. Em Portugal apenas os que não têm ESPINHA DORSAL o fazem.
Logo, este AO/90 está condenado ao CAIXOTE DO LIXO que é o lugar adequado para a mixórdia ortográfica que uns poucos IGNORANTES inventaram para VENDER LIVROS e ENCHER OS BOLSOS.
E não, não é uma minoria de Portugueses que acredita que a Língua Portuguesa é PROPRIEDADE de Portugal.
Apenas uma minoria linguicida e ignorante ACHA que a Língua Portuguesa NASCEU ali... numa rocinha... debaixo de uma bananeira...
Todos os outros sabem que a Língua Portuguesa é uma Língua EUROPEIA e CULTA. Não nasceu do nada, nem foi idealizada para facilitar a aprendizagem dos que nasceram com preguiça mental.
O AO/90 NUNCA vingará, simplesmente porque é um ABORTO ORTOGRÁFICO.
***
E há quem fale na Síndrome do Colonizado.
Germano Almeida (um escritor cabo-verdiano que recentemente declarou em público que a Língua Portuguesa não é de Portugal) está equivocado, disse António Patrício, que é um conhecedor da Língua Portuguesa.
Na verdade, a Língua Portuguesa é nossa, dos Portugueses. Fomos nós que a espalhámos pelo mundo, e cada povo tomou-a e adaptou-a à sua cultura e fonética.
António Patrício gostava de ver o senhor Germano Almeida ir dizer aos Ingleses que o Inglês não é deles. Mais, o senhor Germano Almeida é originário de um país fundado pelos Portugueses.
Mas a verdade é que ficámos a saber que o senhor Germano Almeida não sabe escrever... É a editora e o corrector ortográfico que fazem esse trabalho por ele.
Para este senhor vale tudo na escrita do Português! É engraçado vir isto de um escritor cabo-verdiano...
Já Cesária Évora (cantora de mornas e coladeiras que gostava muito de França e dos Franceses) dizia "cobras e lagartos" de Portugal e da Língua Portuguesa, e nós, os eternos complexados por termos sido colonizadores, lá andávamos com a senhora ao "colo". Devem ser os ventos daquele lado do Atlântico que levam os intelectuais das ilhas cabo-verdianas a sofrerem, ainda, da síndrome do colonizado.
E não são só os cabo-verdianos.
Existem cidadãos brasileiros que são grandes defensores da anarquia escrita do Português...
E António Patrício coloca a questão: Por que será? Será que a síndrome do colonizado ainda infecta a cabeça de tanta gente assim?
Pelo que vemos, infecta. É que nestas coisas, conclui o António, pior do que o colonizador é o colonizado que, depois de ter deixado de o ser, continua a sentir as dores do que foi e já não é.
***
O que se vê mais por aí são FATOS... mal talhados.
É que "fato" deriva do gótico FAT, que significa uma peça de vestuário. Nunca poderá ser entendido como FACTO, que deriva do Latim FACTUM, e significa acontecimento.
Os Brasileiros dizem FATO por FACTO, mas não sabem o que dizem. E os Portugueses, sendo portuguesinhos, vão atrás, porque é atrás que vão aqueles que não têm capacidade de IR À FRENTE.
***
Para os que refutam que a ortographia mudou desde os seus primórdios, temos a dizer que, de facto, essas mudanças existiram, mas com base em estudos linguísticos, e não impostas por interesses meramente económicos.
Quem as fez SABIA O QUE ESTAVA A FAZER.
Os do AO/90, não sabem o que fazem... Apenas querem GANHAR DINHEIRO. Como se a ORTOGRAFIA pertencesse à FÍSICA QUÂNTICA e não à LÍNGUA!!!!
O AO/90 NÃO PASSOU A SER OFICIAL em Portugal. A sua aplicação é ILEGAL e INCONSTITUCIONAL.
Os que o aplicam demonstram uma ignorância monumental. E por mais que lhes demonstremos que estão errados, eles insistem no erro. Porquê?
Ora… porque OPTAM pela ignorância.
Contudo, o tempo encarregar-se-á de ATIRAR AO LIXO esta mixórdia ortográfica que, falaciosamente, pretende UNIR as variantes da Língua Portuguesa existentes nos oito países lusófonos. Mas jamais essa união se verificará, pelos motivos mais ÓBVIOS.
***
Nenhuma Língua Europeia Culta, oriunda de países que outrora foram colonizadores (Inglaterra, França, Espanha, Holanda, Portugal) foi tão destruída pelos colonizados como a Língua Portuguesa, escrita e falada, foi destruída pelo Brasil.
Nos restantes países lusófonos, a Língua Portuguesa manteve as suas raízes.
E esta é a grande diferença entre uns e outros.
E no meio disto tudo, se tem de haver um país que tenha de recuar e adaptar-se a um novo modo de escrever a Língua Portuguesa, esse país é o Brasil.
Portugal não tem de atirar ao lixo a sua Língua, apenas para fazer o frete a uns poucos editores ignorantes e a políticos incompetentes, impatrióticos e irresponsáveis.
Isabel A. Ferreira
(Jornalista, escritora, tradutora)
Porque o que disse na “Quadratura do Círculo” sobre o AO/90 é bastante grave, para ser dito por um primeiro-ministro: é um atentado à inteligência de milhares de Portugueses; é uma desonra para Portugal, é um insulto à Lusofonia; é uma violação ao direito das crianças aprenderem uma Língua Materna íntegra.
António Costa, instado por José Pacheco Pereira na "Quadratura do Círculo" especial (SIC Notícias, 08/01/2016), pronuncia-se pela primeira vez sobre o Acordo Ortográfico na qualidade de primeiro-ministro: «Não faz sentido mexer no Acordo Ortográfico. Eu, por mim, não teria tomado a iniciativa de fazer o acordo, mas não tomo a iniciativa de o desfazer.» (Tradutores Contra o AO/90)
Exmo. Senhor primeiro-ministro de Portugal
Doutor António Costa,
Não posso ficar calada perante o que na passada sexta-feira ouvi Vossa Excelência dizer na “Quadratura do Círculo”, quando confrontado com a monumental cacetada que José Pacheco Pereira, falando por milhares de portugueses, deu ao AO/90.
Confesso que esperava outra resposta de alguém que não poupou meios para chegar ao poder, em nome da mudança que queria para Portugal, tendo como palavras de ordem: rever, revogar e reverter as medidas tomadas pelo anterior governo, que Vossa Excelência tanto criticou e quis, porque quis, substituir.
Pasmei com a resposta que deu à pergunta de José Pacheco Pereira.
Primeiro, porque me pareceu bastante superficial, e deu a entender que percebe tanto do AO/90, como eu de Física Quântica, ou seja, nada, deixando o seu eleitorado muito, muito desiludido, pelo que consegui apurar.
Segundo, porque ficou muito mal a um primeiro-ministro o facto de estar-se completamente nas tintas para um assunto de suma importância para Portugal e para os Portugueses, e que atinge a identidade nacional, dado tratar-se da venda da Língua Portuguesa a um país com cerca de 15 milhões de analfabetos adultos (fora os outros) à revelia dos restantes países lusófonos, que se recusam a aplicar esta mixórdia ortográfica, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990 (no que se mostram muito mais inteligentes do que Portugal), aligeirando os argumentos que levaram àquela resposta indigna de um primeiro-ministro: «Eu, por mim, não teria tomado a iniciativa de fazer o acordo, mas não tomo a iniciativa de o desfazer».
Isto demonstra a atitude de um senhor feudal, que tem milhares de pessoas à porta do seu castelo a pedir clemência para uma bela dama de alta linhagem que foi condenada ao degredo, porque um outro senhor feudal, que prometeu alargar os domínios do primeiro, por mero capricho, assim o quis. Contudo, o todo-poderoso senhor feudal faz ouvidos moucos ao clamor dessa multidão e manda os seus lacaios executar a pena: envie-se a bela dama para o degredo.
Foi exactamente assim que me soou aquela resposta, despida de qualquer sensibilidade pela Língua Portuguesa. Até me pareceu vislumbrar nela um certo desprezo e cinismo.
E ainda tem a ousadia de dizer que acha que temos convivido todos bem, e ninguém deixou de compreender bem… o dito AO/90, quando milhares de pessoas, em todos os países lusófonos, incluindo Brasil e Portugal (o único que aplicou ilegalmente o AO90) têm feito um ruidoso protesto ao redor desta imposição absurda?
Isto é andar fora da realidade, ou num faz-de-conta que não sei, não ouço, não vejo, inadequado a um primeiro-ministro que pretende distanciar-se dos erros cometidos pelos seus antecessores.
Então Vossa Excelência vem dizer que no seu tempo se escrevia Luiz (com Z) e agora é Luís (com S)? Quando quem nasce Luiz, Baptista, Lourdes, Izabel, Queiroz, deve morrer Luiz, Baptista, Lourdes, Isabel, Queiroz? Porque neste AO/90, os nomes próprios, são nomes próprios e não sofrem alterações?
E em que tempo é que se escrevia Luiz com Z? No tempo da avozinha… O senhor ministro será assim tão antigo?
Então Vossa Excelência diz que não faz sentido mexer no AO, e faz sentido deixar que a sociedade evolua naturalmente na sua aplicação?
Qual sociedade? Que evolução, Senhor Ministro?
Este acordo está a ser ilegalmente imposto nas repartições públicas e nas escolas portuguesas que, por medo ou ignorância, o aplicam, estando-se a enganar as crianças e o povo menos esclarecido.
Este acordo não faz parte de qualquer evolução linguística. Estão mais do que provadas as incongruências, o desatino, a desunião e a desordem ortográfica provocada pelo AO/90, criado unicamente para satisfazer interesses polítoco-juridico-diplomáticos, e também económicos de uns tantos editores brasileiros e portugueses, que deviam ir todos à falência.
Quiseram unificar a língua e o resultado foi este: a coexistência (nada pacífica) do acordês, do brasileirês e da Língua Portuguesa. Uns escrevem em acordês e brasileirês. Outros escrevem em Língua Portuguesa. E ainda outros escrevem como calha, um mixordês vergonhoso, porque o ensino da língua está depauperado. Cá (em Portugal) e lá (no Brasil), onde já não se ensina a disciplina de Português.
Os documentos oficiais são uma vergonha. No mesmo texto, ora se se escreve aCtividade (e muito bem) ora atividade (muito mal). Os livros para crianças ora são coleCções (e muito bem) ora coleções (muito mal) - devendo ler-se col’ções.
E sabemos mais. Sabemos que algumas editoras e forças ocultas, por mais absurdo que isto seja, controlam os governantes portugueses. Talvez por isso (talvez!) a resposta de Vossa Excelência foi como foi.
O que não faz sentido, senhor primeiro-ministro, é o actual governo andar a revogar tudo e mais alguma coisa, em nome da mudança pretendida, e que os portugueses exigem, e não revogar esta vergonhosa venda da Língua Portuguesa ao Brasil.
Que democracia será esta?
As novas gerações não merecem este insulto. Esta afronta. Esta violação ao direito de aprenderem uma Língua Materna íntegra, e não uma fraude linguística.
Se Vossa Excelência continuar a insistir nesta posição de senhor feudal, não terá valido a pena ter derrubado muralhas, para invadir domínios alheios. Porque outras muralhas se erguerão, e ficará isolado no seu feudo.
Sendo português e primeiro-ministro de Portugal ficava-lhe bem ter dito que o seu Governo iria pensar no assunto, e que a revogação do AO/90 poderia ser uma possibilidade. Mas não disse. Portou-se muito mal.
Ao contrário de Inglaterra, que não se submeteu à gigante América do Norte, Portugal verga-se ao gigante Brasil, como um país indigente, sem dignidade, sem orgulho algum na sua própria História.
Sinto o maior orgulho em ser portuguesa, e gostaria de ter orgulho num Governo que não rastejasse, e defendesse os verdadeiros interesses de Portugal e dos Portugueses.
Será que ainda não é desta que poderemos vir a orgulhar-nos de um Governo Português que se mova com verticalidade?
Com os meus cumprimentos,
Isabel A. Ferreira
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