Quem o afirma é o professor universitário, jornalista e escritor brasileiro Nelson Valente, num artigo publicado no Diário do Poder, sob o título «Acordo Ortográfico: Fracasso linguístico», e que aqui transcrevo.

O texto está escrito segundo a grafia brasileira, preconizada pelo Formulário Ortográfico de 1943, um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras, para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano. O texto do Formulário Ortográfico de 1943 é composto por duas partes: uma Introdução com 12 artigos que aclara os princípios de fixação para a grafia do português brasileiro; e as Bases do Formulário (17). Ora, a Base IV (a que mais interessa a Portugal) diz o seguinte: consoantes mudas - extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não.
Qualquer semelhança com a grafia que governo português impôs nas escolas portuguesas, a alunos portugueses, não é mera coincidência, é intencional.
(Os excertos a negrito e a amarelo, no texto do Professor Nelson Valente, são da responsabilidade da autora do Blogue, para que fique claro que essas palavras não fazem parte da Língua Portuguesa, e são exclusivas do português brasileiro, que o professor considera que deve ser reconhecido como uma nova língua, algo com que estou completamente de acordo, pelos motivos mais óbvios.
«ACORDO ORTOGRÁFICO: FRACASSO LINGUÍSTICO»
Por Nelson Valente
«O Acordo termina com cem anos de guerra linguística entre Brasil e Portugal?
O português é a língua oficial em nove países da Europa, América, África e Ásia. A dispersão favorece as diferenças linguísticas. Éramos a única língua com duas ortografias diferentes oficiais.
De acordo com o Ministério da Educação, entre 2008 e 2012 foram gastos mais de 2,2 bilhões de reais para atualização de obras didáticas.
Quando o acordo foi assinado em 1990, os jornais portugueses se comprometeram a não aplicá-lo. Hoje só o jornal Público mantém a promessa. Que acordo é esse? O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. E isso é uma decisão política.
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um requerimento para “realização de Audiência Pública a fim de discutir a revogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.” O requerimento, aprovado no dia 25 de Abril, foi apresentado pelo deputado Jaziel Pereira de Sousa e ali subscrito pela deputada Paula Belmonte. Não dá para impor uma língua de uma hora para outra a um povo. O padrão da língua no Brasil deve ser a língua falada pela maioria da população brasileira contemporânea, que é o português brasileiro. Acordo Ortográfico: “aberrações”, “arbitrariedades”, “caos” e “fracasso linguístico”.
Um manifesto dos “Cidadãos em Portugal contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990”, que é hoje revelado, afirma que este novo modelo de escrita abriu “uma caixa de Pandora”, criou “um monstro” e “não uniu, não unificou, não simplificou” o uso da língua.
O Acordo é um ato lesivo a nosso patrimônio cultural e o Estado não deve regulamentar a ortografia de um povo. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. A língua é feita pelos povos, e não pelos Governos; mas está claro que, a ortografia, é mais de academias.
Qual era a necessidade de unificar? Entendemo-nos perfeitamente, não há problema algum. Deveriam respeitar o português daqui e o do Brasil. O Acordo só dificulta o ensino com seu contexto arbitrário e suas muitas opções facultativas. Não sou contra; sou a favor da revisão do Acordo. Se fizer uma mudança radical da ortografia, estará condenando um material histórico à obsolescência em uma geração.
Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. Enquanto as regras e contradições são discutidas e a nova norma não é obrigatória, as regras gramaticais viram alvo de brincadeira. Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. A situação atual é de um verdadeiro caos ortográfico.
“Saudade” não é exclusividade da língua portuguesa. A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa, ao contrário do mito que existe desde o século XVI. Na forma ou no sentido, há correspondentes em outros idiomas.
Porque derivada do latim, variantes da palavra existem em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. (*) O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.
A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: “saudade” é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mas mesmo no campo semântico há correspondências. Por exemplo, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”). É um sentimento que existe também em árabe, na expressão alistiyáqu ‘ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nossa “saudade”, tanto quanto o latim.
O que ocorre com o dito Novo Acordo Ortográfico é que na verdade Portugal “colonizador” quer colonizar a língua portuguesa. (**) Veja o exemplo: A antiga Iugoslávia se fragmentou em seis pequenos países e a língua que, então era considerada uma só, o servo-croata, agora se chama bósnio, croata, sérvio, montenegrino… Mas, para esses nomes aparecerem, ocorreu uma guerra horrorosa, com muitas mortes, uma coisa terrível.
Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se. No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.
A miscigenação no Brasil foi muito mais intensa e, evidentemente, a miscigenação linguística também. O português foi língua minoritária no Brasil durante todo o período colonial. Falava-se como língua geral o tupi e nossa população, até a época da Independência, era 75% mestiça.
Com os professores brasileiros nas condições em que estão – mal pagos, mal formados, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação.
Este acordo é sobretudo político, fazendo com que os aspectos linguísticos, que deveriam estar à frente das preocupações dos redatores do acordo, quer em Portugal quer no Brasil, tivessem sido ou insuficientemente amadurecidos, ou demasiadamente sujeitos à lógica do acordo, o que implicou cedências, uma uniformização, mas não uma unificação. Não há uma norma absolutamente comum, não poderia haver.
Tudo o que tenho lido e ouvido sobre o Acordo Ortográfico revela quase sempre posições extremas, a favor ou, mais frequentemente, contra. É claro que todos têm o direito de se sentirem lesados com estas mudanças, afinal aprenderam a ler e a escrever as palavras da sua língua de uma determinada maneira, e essa maneira de escrever, que se tornou automática, é agora alterada. (***)
A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade.
Não é preciso que se escreva exatamente igual para que haja entendimento mútuo e não é porque se estabeleceu uma regra comum que se falará perfeitamente igual em todos os países. Do ponto de vista político, essa é uma má política linguística. É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam.
Um aluno do interior perguntou-me se deveríamos condenar a linguagem popular, “pois esse pessoal fala de forma inadequada”. Fo necessário esclarecer a diferença entre linguagem popular e regionalismos. Primeiro, as expressões, apesar de inovadoras, podem vir a figurar em dicionários e vocabulários de transmissão da norma culta ou padrão, sem nenhuma dificuldade. Os regionalismos são sempre aceitos.
Em segundo lugar, temos a questão controvertida da chamada popular. O filólogo Antonio Houaiss (in memorian) chegou a popularizar o verbete “mengo”, diminutivo do clube mais popular do Brasil. Mas, ele jamais aceitaria adotar a palavra “probrema” ou “areoporto” – e dar-lhes o status de uma expressão legítima do português contemporâneo.
Vê-se, pois, que há uma abissal diferença entre linguagem popular e regionalismos.
A prosódia, que é a forma de dizer a palavra, tem total liberdade, não se devendo exigir que um gaúcho fale com a mesma pronúncia do que um paranaense.
O que, em virtude do Acordo de Unificação da Língua Portuguesa, que é eminentemente ortográfico, passemos a impor a Portugal ou Angola, por exemplo, o nosso gostoso e incomparável sotaque. (****)
Cada povo que cuide das suas peculiaridades prosódicas. Mas escrever de uma forma é medida de inteligência e simplificação, que já vem tarde.
Nelson Valente
Fonte:
***
Notas:
(*) Se o Professor Nelson Valente me permite, as palavras “soledad” e “soledat” significam mais “solidão” do que saudade. No Diccionario Cúspide de la Lengua Española lê-se: Soledad 1. Carencia de compañía. 2. Lugar desierto o tierra no habitada. 3. Pesar que se siente por la ausencia, muerte o pérdida de alguna persona o cosa (no sentido de consternação); 4. Tonada andaluza de carácter melancólico; 5. Copla que se canta y danza que se baila con esta música, o que não corresponderá exactamente à nossa saudade, aquele sentimento indizível. Podemos sentir saudade sem solidão. Estarmos melancólicos ou pesarosos sem sentir saudade.
(**) O que se passou foi que Antônio Houaiss chamou Portugal para uma aventura ortográfica, em que a sílaba tónica era introduzir a grafia brasileira em Portugal, com a ilusão de unificar o que jamais seria impossível de unificar, entre outras razões Houaiss não fez mais do que puxar a brasa para a sardinha do Brasil. E Portugal não fez mais do que deixar a brasa pender para o lado brasileiro. Não chamarei a isto uma pretensão de Portugal “colonizador” colonizar a Língua Portuguesa. Direi antes que é uma patetice de Portugal deixar-se colonizar pela língua brasileira. Não será?
(***) Aqui peço desculpa, mas as coisas não podem ser vistas deste modo. Todos, particularmente os Portugueses, os mais prejudicados com este acordo, temos o direito de nos sentirmos lesados pelas substanciais mudanças na grafia portuguesa (os Brasileiros ativeram-se apenas aos acentos e à hifenização, todos os outros implica a supressão de consoantes mudas) não porque aprendemos a ler e a escrever as palavras da nossa Língua de uma determinada maneira, que se tornou automática, e é agora alterada, mas fundamentalmente porque a Língua Portuguesa foi abrasileirada (refiro-me à supressão das consoantes mudas) o que afastou o Português da sua matriz greco-latina, da sua família Indo-Europeia; desaportuguesou-se a Língua Portuguesa, e tornaram-na abrasileirada. Por que se fosse apenas a questão do aprender, não seria uma questão, porque os seres humanos ou são dotados da capacidade de aprendizagem ou não são. Se são, conseguem aprender e desaprender com a maior facilidade. Se não, conseguem, não saem da cepa torta.
Eu aprendi a ler e a escrever no Brasil, com a grafia de 1943, e nas minhas vindas para Portugal e idas para o Brasil, na infância, adolescência e juventude, ora escrevia à brasileira, ora escrevia à portuguesa, e isso nunca foi impedimento para seguir os meus estudos com notas razoáveis. Domino o que chamo a Língua Brasileira tão bem quanto domino a Língua Portuguesa, porque quer queiramos quer não, existem substanciais diferenças entre uma e outra, na fonética, na sintaxe, no léxico, na construção frásica.
(****) Devo dizer que também considero gostoso o sotaque brasileiro, inconfundível em todo o mundo, tão inconfundível que ninguém diz que estão a falar português, mas dizem que estão a falar brasileiro. Por isso, Professor Nelson Valente, também penso que o Português Brasileiro deve ser reconhecido como uma nova língua: a brasileira, oriunda do Português, tal como o Português é oriundo do Latim. A evolução das Línguas passa por esta metamorfose, não por unificações impraticáveis.
Isabel A. Ferreira
No dia 27 de Março de 2019, o MPLP, publicou um Comunicado que pode ser consultado neste link:
para informar não só os seus membros, mas também todos os portugueses que continuam a lutar contra a destruição da Matriz da Língua Portuguesa, ou seja, contra a imposição brutal, ilegal e inconstitucional da grafia brasileira em Portugal, através de um pseudo-acordo ortográfico (AO199), que na verdade é um Tratado Internacional, e como tal é regido pela Convenção de Viena, a qual foi igualmente violada.

Recapitulando e informando
1)- Por carta endereçada à Directora-Geral da UNESCO com data de 7 de Setembro 2018, cuja versão portuguesa foi publicada na Imprensa
https://www.publico.pt/2018/09/27/opiniao/opiniao/carta-a-unesco-pela-salvaguarda-da-lingua-portuguesa-como-patrimonio-cultural-imaterial-1845511, o MPLP formalizou uma queixa contra o Estado Português [e os sucessivos governos desde a famigerada Resolução em Conselho de Ministros 8/2011 do governo de José SÓCRATES], junto da UNESCO, por violação de vários artigos da Convenção de 17 de Outubro de 2003, para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (CSPCI).
2)- Por carta de 7 de Janeiro de 2019, o MPLP forneceu à Directora-Geral da UNESCO vários outros documentos suplementares e informações relevantes para a devida instrução dessa queixa contra o Estado Português.
3)- Por carta com data de 22 de Março de 2019, a UNESCO respondeu ao MPLP. O núcleo coordenador do MPLP, com o apoio do seu assessor jurídico, Dr. Carlos Borges, decidiu estudar atentamente esta carta que lhe pareceu deveras interessante e prometedora para a continuação da luta contra a imposição ilegal e inconstitucional de um pseudo-acordo ortográfico (AO1990), calcado sobre a grafia da "Língua Brasileira", contribuindo assim para a destruição da Matriz da Língua Portuguesa. A UNESCO comunicou-nos claramente que «tomou nota da nossa inquietação no que respeita à autenticidade da Língua Portuguesa”.
4)- Por carta datada de 10 de Abril de 2019, o MPLP, enviou uma carta à Directora-Geral da UNESCO agradecendo a resposta da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Nesta carta o MPLP confirmou e consubstanciou a sua queixa relativa a vários outros artigos da CSPCI que foram também manifestamente violados. O MPLP decidiu igualmente pedir agora uma “intervenção vigorosa” da UNESCO, assim como uma clarificação jurídica e técnica necessária.
5)- Com efeito, o artigo 2º/7 da Lei de Bases do Património Cultural (Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro) estatui que o “ ensino, a valorização e a defesa da Língua Portuguesa e das suas variedades regionais no território nacional, bem como a sua difusão internacional, constituem objecto de legislação e de políticas próprias” (…) Essa legislação, prevista na CSPCI, não existe. (Dr Carlos Borges).
“O governo não procedeu à salvaguarda e à valorização do Património Cultural - maxime da Língua Portuguesa - , antes promovendo a sua mutilação e incoerente reformulação das regras orientadoras da grafia e ortografia “ (Dr Carlos Borges), ao impôr ilegal e inconstitucionalmente um “acordo” ortográfico que, de maneira irresponsável e autoritária, pretendia UNIFICAR a grafia da Língua Portuguesa nos 8 Países de Língua Oficial Portuguesa [o que é IMPOSSÍVEL].
O MPLP referiu, portanto, na sua queixa contra o Estado Português, que este objectivo, fantasista, FALHOU TOTALMENTE, como era de esperar.
6)- A declaração de 6 de Abril de 2019 de Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República Federativa do Brasil, para assuntos internacionais, expressando a intenção de o Brasil revogar o “acordo“ ortográfico AO1990 (citação : “Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditáveis e do acordo ortográfico”), levou o núcleo coordenador do MPLP, a ter de informar a Directora-Geral da UNESCO que, depois da publicação em 1943 do “Formulário Ortográfico", o Brasil separou-se objectivamente da Matriz da Língua Portuguesa e começou na realidade, de maneira soberana, o longo processus de formação da sua própria língua.
Mais tarde, esse processo de “libertação” linguística foi confirmado pelo facto de o Brasil ter denunciado unilateralmente a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de Dezembro de 1945 , significando claramente o seu desejo de seguir o seu próprio caminho, enveredando pela formação da sua própria língua, isto é, a “Língua Brasileira”.
Isto é um facto, e está na altura certa de o Brasil assumir plenamente e oficialmente o seu novo grito do IPIRANGA, desta vez, LINGUÍSTICO, depois do seu grito inicial, no dia 7 de Setembro de 1822, que lhe deu a independência política, e já lá vão 196 anos !
Qual será o Dirigente Brasileiro que deixará o seu nome gravado para sempre na História do seu País, proclamando urbi et orbi que a língua oficial do Brasil é a “Língua Brasileira”?
Aqui fica a questão ! Espera-se a resposta do POVO Brasileiro e dos seus representantes democráticamente eleitos .
7)- Informações mais completas e outros documentos serão publicados, na devida altura, no Blogue “O Lugar da Língua Portuguesa”.
Os Coordenadores do MPLP
Francisco João Da Silva e Isabel A. Ferreira
Ao cuidado de todos os que estão envolvidos no sistema de (des)ensino português, incluindo pais e encarregados de educação.
A imagem que aqui reproduzo (tive o cuidado de esconder o nome do Agrupamento, por motivos óbvios) chegou-me via-email, destinada a uma querida aluna, a meu cargo, nestas férias de Páscoa.
4º ano de escolaridade.
Fotocopiei a mensagem, e dei-a a ler à aluna. Só lhe pedi para ler alto o que a professora escreveu. E aguardei o resultado, esperando que a criança (de 10 anos) tivesse a mesma reacção que eu (porque as crianças não são as estúpidas que os governantes querem que sejam), quando me vi diante deste documento timbrado, do Governo de Portugal, Ministério da Educação e Ciência.

Marquei a vermelho os trechos com os quais a aluna esbarrou e me questionou, com os olhos esbugalhados (e não estou a inventar), e reproduzo fielmente as falas da menina (em sublinhado) que se seguiram.
Primeira linha: o trabalho de féria é importe. Hã? Não é assim, pois não?
Não, não é. Então como será?
Imediatamente a menina disse: o trabalho de férias é importante.
Muito bem.
Mas a professora não sabe escrever?
Saberá, mas está baralhada. Continua.
Segunda linha: agradeço que percam um pouco do vosso de tempo. O quê? Do vosso DE tempo? É do vosso tempo, não é?
Exactamente.
Mas o que é isto? A professora não sabe escrever?
Estaria distraída.
Sim, sim, ela é muito distraída. Às vezes ela escreve mal no quadro e temos de a corrigir.
Isso acontece. Vá, continua a ler.
E fomos parar à sexta sugestão onde se fala de treinar os algoritmos e (…) a subtração (que a aluna leu subtrâção, e muito bem).
E mais adiante os números fraccionários (frácionárius), inclusive a (…) subtracção (que a aluna leu subtráção, e muito bem)…
O quê? É subtracção ou subtração?
Não havia como enganar a criança. Jamais o faria.
Expliquei: subtracção (subtráção) é grafia portuguesa, é Português. Subtração (subtrâção) é grafia brasileira, é Brasileiro.
Mas nós somos portugueses!
Pois somos.
Então porque querem que se escreva à brasileira? Isto só me baralha!
Como responder a esta pergunta? Com a verdade, evidentemente. Às perguntas das crianças sempre devemos responder com a verdade, para que elas possam desenvolver o espírito crítico que falta aos governantes, a muitos pais e encarregados de educação, e aos próprios professores, que se entregam a esta missão desonrosa de enganar as crianças.
E a verdade é que os governantes portugueses, desde Cavaco Silva a Marcelo Rebelo de Sousa, todos eles, primeiros-ministros, ministros e deputados da ex-Nação Portuguesa, e professores e jornalistas servilistas e todos os outros marias-vão-com-as-outras, dotados de coluna vertebral cartilaginosa, trocaram a Língua Portuguesa pela Língua Brasileira, pelos motivos mais vis: mania de grandeza e dinheiro.
A aluna bem sabe o que é a Língua Brasileira, porque tem uma colega brasileira na turma, que fala diferente e diz coisas diferentes das nossas. Não fala Português.
Não fala.
Esta “carta aos alunos” escrita atabalhoadamente (sem revisão) em mixordês (mistura de português com brasileiro) é inadmissível.
Não será a única.
Os maiores exemplos da mixórdia ortográfica vêm de cima, da presidência da República, do gabinete do primeiro-ministro, dos restantes ministros, de todos os grupos parlamentares. Dos próprios professores que, nas páginas do Facebook, escrevem as maiores barbaridades, incluindo palavrões.
Os manuais escolares são uma autêntica mina de disparates, desde as águias com grandes dentes, às invasões francesas para prender Dom João VI, e cheios de desenhos e desenhinhos, como se as crianças fossem muito estúpidas, não dando qualquer oportunidade à imaginação.
O que pretendem os governantes com este tipo de ensino idiota? Formarem os analfabetos funcionais do futuro, para que sejam tão submissos como os analfabetos funcionais da actualidade?
E há mais: é proibido dar más notas ou chumbar os alunos, para mostrar ao mundo que o sucesso escolar em Portugal existe. Quando isto não passa de uma grande aldrabice!
Alunos que escrevem gatafunhos, que ninguém entende, têm MUITO BOM a Português, ou melhor, a Brasileiro. Intolerável.
É inadmissível o que está a passar-se em Portugal no que respeita à Educação, ao Ensino, à Cultura.
DEMITA-SE senhor ministro da Educação e Ciência. Permitir uma tal balbúrdia no Ensino é um postura terceiro-mundista.
E os pais e encarregados de educação deviam tomar uma atitude drástica e EXIGIR um ensino de qualidade para os seus filhos, como está consignado na Constituição da República Portuguesa.
Com esta “carta” fiquei tão escandalizada e indignada quanto a aluna, que apesar dos seus dez anos, tem algo que falta aos actuais governantes: inteligência para ver as coisas tal como elas estão, ou seja, MAL. Muito MAL.
Isabel A. Ferreira

O Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP) tem o prazer de informar que recebeu uma comunicação oficial da UNESCO em resposta à sua carta de 7 de Setembro de 2018.
O núcleo coordenador do MPLP reunir-se-á em breve, para examinar, com a devida atenção, o conteúdo da resposta da UNESCO, que lhe pareceu ser muito interessante e prometedor para a continuação da luta contra a imposição ilegal e inconstitucional de um pseudo-acordo ortográfico (AO1990), calcado sobre a grafia da "Língua Brasileira", e que contribui para a destruição da Matriz da Língua Portuguesa, a qual é considerada um vector da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial (CSPCI) da UNESCO.
O MPLP relembra que a Língua Oficial da República Portuguesa, tal como consagrada na Constituição, é a Língua Portuguesa, assente na Convenção Ortográfica Luso-Brasileira 1945, segundo o Decreto-lei nº 35.228, de 8 de Dezembro de 1945, e a qual não pode ser alterada ou substituída pela língua de um país estrangeiro, sem uma revisão constitucional, ou um referendo nesse sentido.
Na devida altura daremos conta das conclusões do MPLP, relativamente a esta comunicação oficial da UNESCO.
Os coordenadores do MPLP,
Francisco João da Silva
Isabel A. Ferreira
Sabem o que distingue os “Velhos do Restelo” (os que defendem a Língua Portuguesa), dos “Novos de São Bento e Belém” (os que estão a destruir a Língua Portuguesa)? Responderei a esta pergunta, mais adiante.

Para já vamos a outra questão: recebi, via e-mail, a imagem, que aqui reproduzo, de um texto, assinado por Luciano Amaral, publicado no Correio da Manhã em 03 de Março de 2014, um texto com cinco anos, mas de validade actualíssima. Infelizmente.
Todos os que estamos a trabalhar para restaurar a Língua Portuguesa, em Portugal, sabemos que ela será restaurada, mais dia, menos dia, porque um País não pode avançar para o futuro, sem uma Língua que o identifique.
E neste momento, Portugal não tem uma Língua que seja SUA.
O que se passa actualmente é que Portugal perdeu a sua Língua, perdeu a sua identidade linguística, perdeu o brio, perdeu o profissionalismo, perdeu a vergonha, perdeu a dignidade, e agora só quer ser “grande” outra vez, como no tempo do Império, à pala do Brasil.
Concordo em absoluto quando Luciano Amaral diz que «os portugueses só entendem a sua imaginada grandeza como algo para além de Portugal: antes era o império. Agora é a lusofonia (…), a coisa vai tão longe que chega muitas vezes ao ponto da anulação do País».
Bem, mas acontece que o País já está anulado. Um país que perde a sua Língua, fica automaticamente anulado. Portugal desviou-se da Europa, e anda por aí, à deriva, sem rei nem roque: é que nem é deste lado do Atlântico, nem do outro. Não tem uma Língua que o identifique: nem portuguesa, nem brasileira.
Um País que não cuida da sua Língua, não merece o estatuto de País. É simplesmente uma colónia da ex-colónia.
Estão muito enganados aqueles que acham que o “Acordo Ortográfico de 1990” é essencial para o “prestígio” da Lusofonia. Mas que acordo, que prestígio, que lusofonia?
Uma Língua só dá prestígio a alguma coisa, quando é uma LÍNGUA. Neste momento, a língua que circula em Portugal é apenas uma imitação de língua, que identifica o Brasil, mas não identifica Portugal. Por isso se insiste que cada país fique com a respectiva Língua.
A língua que actualmente é grafada (e já começa a ser falada) em Portugal é made in Brazil (escrito assim à americana). E digam-me lá: que outro país do mundo, senão Portugal, mudou a Língua que o identificava, para adoptar uma língua, made num país estrangeiro?
Todos sabemos o que está por trás deste “acordo” para o qual não foram chamados os restantes seis países ditos lusófonos. Apenas o Brasil e Portugal se enfronharam numa negociata de bradar aos céus, cheia de mentiras. Repletíssima de fraudes!
Como diz Luciano Amaral, e muito bem, este “acordo” nasceu apenas do delírio português de que (ainda) existe uma entidade chamada “Lusofonia” e da ambição do Brasil.
Acontece que o Brasil não se distanciou, do modo como se distanciou, e cada vez se distancia mais, da Língua Portuguesa, para ficar eternamente ligado à língua do colonizador, e não fruir de uma língua própria, de uma língua que o identifique como uma Nação independente. E quem não acredita ou não aceita este incontestável facto, é bocó (já agora, e uma vez que estamos numa de brasileirismos…)
Portugal amesquinhou-se. Portugal deixou-se levar pelo “sonho brasileiro”. O Brasil acenou-lhe com os “milhões” de falantes e escreventes de uma língua a que eles, por enquanto, ainda chamam Portuguesa, mas que, na verdade, já não é portuguesa, e nem sequer é estudada nas escolas, como tal. E Portugal sentiu-se um pigmeu, e deslumbrou-se com a ideia de se agigantar à pala de uma Língua que tem o destino marcado para ser Brasileira.
Nada é mais perverso e caracterizador da pequenez de espírito, do que políticos pigmeus deslumbrados com a fictícia grandeza de um gigante. Se ao menos soubessem a história de David e Golias!
O Brasil tem todo o direito de ter o seu “sonho brasileiro”. Porque não? O nosso Rei Dom Diniz também teve o seu “sonho português” e ficou para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Portuguesa. Em 1290, Dom Diniz decretou que a “língua vulgar” (o galaico-português falado) fosse usada na corte, em vez do Latim, e designada como “Português”. E é facto que o Rei adoptou uma língua própria para o reino de Portugal, tal como o seu avô Afonso X “O Sábio”, e de quem era tradutor, fizera com o Castelhano.
E foi assim que do Latim se passou ao dialecto galaico-português, e deste, à Língua Portuguesa. E será assim que o Português (ainda dito) do Brasil, e que tecnicamente é classificado como um dialecto, evoluirá naturalmente para Língua Brasileira.
Resta saber quem será o governante brasileiro que ficará para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Brasileira.
Este é o percurso natural das línguas que os povos que dominam outros povos vão deixando pelo caminho…
No que a isto diz respeito, não entendo a estranheza e os ataques de certas pessoas, que não param para pensar, que não lêem, que não procuram informar-se, nem querem, porque deliram com as falsas grandezas.
Portugal está dividido entre os ditos “Velhos do Restelo” e os “Novos de São Bento e Belém”. Qual a diferença entre uns e outros?
É que os “Velhos do Restelo” escrevem correCtamente a Língua Portuguesa, a oficial, a que permanece em vigor, a do Convénio Luso-Brasileiro 1945.
E os “Novos de São Bento e Belém” desprezaram a Língua Portuguesa, e substituíram-na por uma novilíngua conhecida por Mixordês, uma mistura do Português e do Brasilês.
E para que não digam que estou a inventar coisas (o Brasilês) aqui deixo a fonte onde fui beber o significado deste termo, que considero bastante interessante: Dicionário inFormal, neste link:
https://www.dicionarioinformal.com.br/brasil%C3%AAs/
Significado de Brasilês Por C (SP) em 02-03-2011
Brasilês é uma lingua falada no Brasil.
Embora derivada do português, tem sintaxe, morfologia, fonética, semântica e vocabulário autóctones, especialmente pela absorção de elementos lingüísticos de origem indígena e africana,
Em virtude da grande extensão do nosso país, o brasilês apresenta grande diversidade de sotaques sem que isto afete o significado das palavras.
Isto é muito natural para um universo de mais de 180 milhões de pessoas falando o mesmo idioma.
***
Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-ver.
Isabel A. Ferreira
Nascida há 42 anos em Barcelos, Isabelle Oliveira foi levada em bebé para França. Hoje, preside ao Instituto do Mundo Lusófono, um órgão criado em 2015, para promover a lusofonia além-fronteiras.
Mas que lusofonia?

Foto: Adelino Meireles/Global Imagens
E o que Isabelle Oliveira disse acerca da Língua Portuguesa pode ser ouvido neste link:
E o que há a dizer sobre o que se acabou de ouvir?
Há a dizer que a Língua Portuguesa está, de facto, em decadência, em Portugal, e apenas em Portugal, desde que foi imposto, à revelia dos Portugueses, o ilegal, o imoral, o inconstitucional, o inútil, o fraudulento AO90, assente na grafia brasileira, e o que se escreve hoje, é simplesmente uma mixordice que não tem paralelo no mundo, porque nem é brasileiro, nem português.
Antes disto, a Língua Portuguesa gozava de muito boa saúde, em Portugal, que é o que mais nos interessa (mas também nos países africanos de expressão portuguesa). O Brasil está fora desta apreciação, porque criou uma linguagem própria, distanciada do Português usado pelos restantes países ditos lusófonos.
Nenhum português está interessado em que se escreva e fale incorreCtamente a sua Língua Materna, por milhões de pessoas. Esta matemática não interessa a Portugal.
Reponha-se a grafia portuguesa, regressemos à NOSSA Língua Portuguesa, e ela renascerá das cinzas, da escuridão, da vergonhosa imposição do estrangeirismo que ninguém pediu: o AO90, assente basicamente na grafia que os Brasileiros começaram a usar a partir de 1943, a mesma que aprendi, quando comecei a ler e a escrever, numa escola brasileira, aos seis anos de idade.
A decadência não está na Língua, está nos políticos que, ignorantemente, querem, porque querem, que a Língua Portuguesa desapareça do mapa. Hoje mesmo, li algures, na Internet, que quando o dito "Português do Brasil" passar a designar-se Língua Brasileira, o que é tão certo como eu estar aqui a escrever isto, em Portugal, falar-se-á e escrever-se-á o "português brasileiro". Assim mesmo.
E nisto está toda a decadência da Língua Portuguesa.
Aliás a Língua Portuguesa desapareceu da Internet.
Não interessa fundar institutos de Português, se é para ensinar o "brasileiro”, porque a Língua defendida pelo AO90, não é e jamais será a Portuguesa.
Isabel A. Ferreira
O que pretendo demonstrar com o que aqui apresento hoje, é que nos canais de televisão servilistas portugueses, não se limitam a aplicar ilegalmente a grafia brasileira, ou seja, o AO90. Começaram já a introduzir outros brasileirismos, para além dos vocábulos mutilados, e de uma acentuação e hifenização completamente obtusas.
E das duas uma: ou a legendagem está estrategicamente entregue a cidadãos brasileiros, para que garantam que a língua seja a Brasileira, ou os portugueses decidiram êscrêvê à brasileira, numa imitação muito bacoca, para além do exigido pelo AO90.
Então vejamos a amostragem seleccionada:

A palavra BAGUNÇA é brasileira (de origem duvidosa) e significa desordem, confusão, em Língua Portuguesa. No Brasil, “bagunça” também significa máquina de remover aterro. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

A palavra PARABENIZAR é brasileira, e significa dar os parabéns a, felicitar, congratular, saudar, em Língua Portuguesa. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.
Ver mais neste link:
AO REDOR DA PALAVRA “PARABENIZAR"…

A palavra RIFLE significa espingarda em Língua Portuguesa, e vem do Inglês rifle, e que os Brasileiros preferiram usar, em detrimento da palavra portuguesa espingarda, que é como em Portugal se diz.

Em Língua Portuguesa, o verbo VIRAR tem vários significados, mas apenas no Brasil tem o significado que a legenda lhe dá: transformar-se em.

Em Portugal, esta legenda pode escrever-se de dois modos, dependendo do grau de relação entre as personagens: se se tratam por tu, escrever-se-á: tenho uma coisa para dizer-te; se se tratam com cerimónia: tenho uma coisa para dizer-lhe.
Em brasileiro falado: “Eu tênhu úmá côisá párá djizê à vôcê”.

Neste caso, não era um vagão (do Inglês wagon) que, em Língua Portuguesa, significa veículo que circula sobre carris, especialmente destinado ao transporte de mercadorias. Era sim, uma carruagem de passageiros, a que se referia a notícia, no entanto, usaram a palavra vagão que, no Brasil, tem um significado mais alargado: é cada um dos carros de um comboio ferroviário, utilizados no transporte de mercadorias, animais ou passageiros.
Em Portugal os passageiros viajam em carruagens. Em vagões transportam-se mercadorias e, infelizmente, também animais vivos.

O trema é um sinal ortográfico (¨) usado para indicar que certas vogais não formam ditongo com a vogal anterior. Em Língua Portuguesa, o trema era utilizado nas vogais átonas -i- e -u- e foi (a meu ver, infelizmente) suprimido depois do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945, antes do qual se escrevia, por exemplo saüdade .
Porém, no Brasil, o trema continuou a usar-se, e muito bem, e só foi hipoteticamente suprimido com o AO90 (porque no Brasil apenas os acordistas o suprimiram), o que traz, e muito naturalmente, os restantes Brasileiros tão importunados, como os Portugueses desacordistas com a parvoíce da supressão do acento em pára do verbo parar. Porque para os Brasileiros, ter acento ou não ter acento, tanto faz, porque eles abrem o A, em pára (verbo) e em para (preposição).
E isto tudo para dizer que em Portugal, em Língua Portuguesa, escreve-se Pinguins sem trema, e no Brasil, com trema. Contudo, fica-nos a dúvida: ou este grupo carnavalesco, da minha terra (Ovar) é escrito com trema, para imitar a grafia brasileira, ou por ser um grupo que integra um carnaval quase 100% à moda do Brasil.

Pois a Lagoa da são e os “peixes mais confeccionado” até pode ser gralha, ou então aquele pavoroso desleixo com que agora se trata a Língua, mas bem podia ser um fraseado à brasileira, como eu te preciso, beija eu, eu lhe amo, nós vai, ou aquele super-irritante para eu, com que o Gmail nos atira à cara, nos e-mails.
***
Bem, os exemplos são às centenas. Esta foi uma pequena amostra, da invasão da Língua Brasileira, em Portugal. Os canais de televisão servilistas, filmes e séries e documentários na TVCINE e outros canais da NOS estão cheios de legendas escritas tipicamente à brasileira, na acentuação (econômico, atômico), na grafia, na sintaxe, no vocabulário, enfim, fica-nos a quase certeza de que as legendas são escritas por Brasileiros. Se são Portugueses que as escrevem, então, são uns paus-muito-mal-mandados.
E, tal como milhares de Portugueses, também me questiono: por que será que todos os (des)governantes olham para o lado quando se trata de reverter esta caótica situação? Esta anormalidade? Poderá ser possível que no contrato desta parceria público-privada (entre o Estado e as editoras) constem cláusulas de indemnização às editoras, caso o AO90 seja anulado? Que outro motivo poderá haver? O da irreversibilidade, por as crianças não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, depois de lhes ser ensinado a escrevê-la incorreCtamente?
Consulte-se os Pedopsicólogos. As crianças têm uma capacidade superior à dos adultos, no que respeita à aprendizagem. Mais difícil será pôr os professores a reaprenderem o que andaram anos a ensinar correCtamnente.
Foi um (des)governo do PS que pôs o AO90 em prática. Seguiu-se outro (des)governo, do PSD/CDS, no qual os líderes, enquanto na oposição eram contra, passaram a defender o AO90 ao chegarem ao "poder". Formou-se depois mais outro (des)governo, liderado por um antigo elemento do (des)governo que impôs o AO90 à população. Claro que o actual primeiro-ministro não iria contra as decisões que ele próprio havia apoiado enquanto ministro. O actual (des)governo tem na sua composição partidos que eram opositores do primeiro (des)governo "socialista", mas apesar disso, um deles (o BE) até adoptou o AO90, e o outro (o PCP) faz de conta que não percebe o que aconteceu!
Por vezes digo que nisto há muita ignorância por parte dos políticos. Mas não, aqui além da ignorância da Língua e muita distracção, há, também, muita, muita corrupção e traição.
Tudo isto acontece com a conivência de quem nos (des)governa. Infelizmente, para eles, a Língua Portuguesa não é prioridade!
O grande problema é sermos desgovernados por traidores. Que os Brasileiros se queiram impor é um problema deles, e estão no seu direito, mas que quem nos deveria defender ceda aos interesses dos estrangeiros é que já é um problema nosso.
Tal como muitos intelectuais e linguistas brasileiros, e porque conheço bem a Língua que aprendi no Brasil, sou defensora de que o Brasil mude o nome da sua língua para Língua Brasileira. É que se o vão fazer (como é certo e seguro, todos o sabemos) que o façam já, pois este é o momento certo. Brasil acima de tudo!
Se o Brasil mudasse oficialmente (porque oficiosamente já circula por aí, na Internet) o nome da Língua para Brasileira, a Língua Portuguesa não ficaria mais pobre, pelo contrário, haveria, até, de se manter mais rica. Porque empobrecida ficou ela agora, com a imposição ilegal do AO90.
Com essa mudança não haveria necessidade de "uniformizar" o que não tem uniformização possível, e jamais será uniformizado.
O tempo vai passando, e dado o vergonhoso desleixo a que está votada a Língua Portuguesa, as novas gerações "lusitanas” a quem os (des)governantes não dão oportunidades em Portugal, irão interessar-se muito mais pelo Inglês, Língua de Comunicação Internacional, do que por um Português que nem é carne nem é peixe, mal-amanhado, desenraizado, empobrecido, menosprezado, desrespeitado...
E é como disse Marcos Bagno, um dos mais importantes linguistas do Brasil, numa entrevista, que hei-de transcrever neste Blogue: «Essa ideia de que existe uma coisa chamada “lusofonia”, com vários países de Língua Portuguesa é uma bobagem»…
E que BOBAGEM! Acrescento eu, concordando, em absoluto, com Bagno.
Isabel A. Ferreira
Um destes dias, publiquei um texto neste meu Blogue, no qual questionei o motivo que levou um cidadão português (?) (o actor Ricardo Pereira) a falar brasileiro, num programa dirigido aos portugueses lá de casa. Ver este link:
E a questão é: Portugal e Brasil falam a mesma língua?
A propósito disto, recebi alguns comentários, e imagens que circulam por aí, que deixam claro que Portugal e Brasil não falam a mesma língua. Porque em Portugal, fala-se Português, e no Brasil, fala-se Brasileiro.
Vamos conferir?

Neste site, seleccione-se a Língua: o Brasileiro é a língua (entre outras línguas estrangeiras). E em Brasileiro escreve-se projeto (prujêtu) claro está. Porque em Português escrevemos projeCto, e em Inglês projeCt.
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Até a Porto Editora sabe que não falamos a mesma Língua, embora este grupo editorial seja um dos que fomenta o negócio do AO90. Este dicionário é exclusivo para o Brasil, pois para Portugal existe este outro, exclusivo, em acordês.
E isto cheira a um nítido negócio da China.

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Observe-se com atenção a 2ª. bandeira na fila de baixo, das Línguas a bordo deste autocarro panorâmico, o Yellow Bus, que circula em Lisboa: nitidamente a bandeira é a brasileira, que corresponde à Língua Brasileira. A bandeira portuguesa está confinada ao 3º. lugar, na fila de cima, mas em casa de ferreiro, o espeto não é de pau? Conclusão: neste autocarro fala-se Português e Brasileiro (entre outras línguas). Alguém duvida que são duas Línguas distintas?
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Neste vídeo José Saramago teve de ser legendado, sim, porque José Saramago fala Português, uma língua incompreensível no Brasil. Desconhecia que, no Brasil, programas, novelas ou filmes portugueses são legendados e dobrados (no Brasil, dublados, do Francês doublage) em Brasileiro (no tempo em que por lá andei, não eram, até porque não se emitia nada em português). Em Portugal isto é algo que não acontece com os programas, novelas e filmes brasileiros.
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Equador é uma série televisiva portuguesa de ficção histórica, de drama e romance, produzida pelo canal TVI, baseada na obra Equador, de Miguel Sousa Tavares. Os actores são portugueses e falam PORTUGUÊS, língua estrangeira para os Brasileiros, que necessita de ser dobrada, tal como o Inglês, o Francês e outras línguas estrangeiras.
Brasil e Portugal falam a mesma língua? Não me parece. Se falassem, não haveria necessidade de dobrar ou legendar o Português. Nenhum africano de expressão portuguesa o faz, porque eles falam e escrevem Português.
Qual a explicação para isto? Será a de que nós, Portugueses, somos mais dotados para as línguas estrangeiras do que os Brasileiros, por isso não necessitamos de legendar as novelas, os filmes e os programas brasileiros?
Para os Brasileiros, a Língua Portuguesa é língua estrangeira (tal como já é em Cabo Verde), para ser legendável e dobrável? Então? Não falamos a mesma língua?
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Este é um texto que encontrei no frasesparaoface.com, (um site brasileiro). E como este, há centenas deles, que circulam no “face” e levam até aos facebookianos este tipo de linguagem que, ao ser lida e relida e treslida, passa a ser a mais utilizada. E esta não é a linguagem portuguesa. Se os políticos portugueses e brasileiros pretendem que falemos a mesma língua, muita coisa tem de mudar da parte brasileira, porque os restantes países lusógrafos não escrevem deste modo anómalo. A Internet está repleta de uma linguagem a que chamam “português do Brasil ou brasileiro”, mas que de Português tem apenas vestígios. Este tipo de linguagem é exclusivamente brasileira.
Definitivamente, não me parece que Portugal e Brasil falem a mesma língua. E andam por aí trapaceiros portugueses a vender-nos gato por lebre. Comentei, perante tanta evidência.
E o meu amigo João M. Galizes respondeu-me assim:
«Claro que venderam gato por lebre aos incautos portugas-esponjas. Muitos portugueses absorvem facilmente as ideias que vêm de fora. Os negociadores pegaram em dois pulhíticos corruptos: o Molusco no Brasil, e o Filósofo, em Portugal, e no pseudo-linguista maleiro castelaca (com minúsculas, como o sujeito gosta), e disseram que iam uniformizar o Português - mentira - e que as crianças iam passar a escrever mais facilmente sem consoantes que atrapalhavam. No entanto, incentivam o uso do Inglês, em Portugal, que é uma Língua, como nós sabemos, que "não" tem consoantes desnecessárias!»
E a minha amiga Idalete Giga disse isto:
«Algo vai péssimo nesta república labrega e nova rica de Portugal (!) Como é possível que o tal actor se preste assim a cair num ridículo total? Isto já nem é pornografia linguística à maneira do dom Cangalheiro. É deboche (!!!!!)»
E o meu amigo Francis Likin, acrescentou:
«Há já algum tempo, creio que durante o Campeonato Mundial de Futebol, as autoridades brasileiras exigiram a um jornalista português a apresentação de uma TRADUÇÃO OFICIAL do seu PASSAPORTE PORTUGUÊS, para que pudesse dispor das credenciais oficiais e ser "acreditado" como jornalista português no Brasil durante esse mesmo campeonato!»
Duvidei disto, porque isto é um pouco DEMASIADO!
Contudo, Francis Likin insistiu: «Mas é VERDADE. É REAL. A desculpa dada pelas autoridades brasileiras é que a lei diz que todo e qualquer passaporte estrangeiro tem de ser traduzido para "português do Brasil" Isso circulou por aqui. Proibiram também uma miúda de 15 anos de ir para a Escola com uma camisola da Selecção Portuguesa. Só a do Brasil era permitida. Há muitos exemplos desses...»
Pasmei! Desconhecia isto.
E o meu amigo Pedro Soares comentou o que se segue, referindo-se aos governantes que temos e que permitem estas coisas que põem os portugueses abaixo de cão:
«Mas será que este desgraçado País está condenado a bater no fundo? Será que estamos condenados a esta gente medíocre, que em 44 anos não produziu um só Estadista? Quando chegará o D. Sebastião?...... Já chega de nevoeiro!»
Todos têm razão. Por tudo isto, não podemos baixar os braços. Não podemos deixar que a Língua Portuguesa seja deste modo desprezada, em nome de coisa nenhuma que valha a pena ser.
Cada um de nós tem de ser um D. Sebastião, para se acabar com este nevoeiro que obscurece Portugal e a sua Cultura Linguística.
Definitivamente, está na hora de o Brasil assumir a sua língua: a BRASILEIRA. Serão milhões a propagá-la, sem terem de arrastar atrás de si, o cordão umbilical do país que os colonizou. Não deixem para amanhã o que podem fazer hoje. Porque é certo e seguro, que o destino da língua falada e escrita no Brasil é o de ser BRASILEIRA. É o que eles querem, é o que eles farão. E eu concordo plenamente.
Isabel A. Ferreira
***
Um amigo meu, Pedro Soares, chamou-me a atenção para um programa exibido no Canal Globo, aos sábados, chamado “Sem Cortes”, apresentado pelo actor português Ricardo Pereira (suponho que ainda seja português), usando a fala brasileira, para se dirigir aos portugueses lá de casa, mas, suponho, para também e principalmente melhor se dirigir aos brasileiros que vivem em Portugal.

Fonte da imagem:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=346970589229041&set=a.100824393843663&type=3&theater
Como a televisão, para mim, é para ver telejornais, documentários e filmes, apressei-me a confirmar esta absurdez, ou seja, um cidadão português dirige-se aos seus conterrâneos na fala brasileira, com todos os djis e tchis e gerúndios no devido lugar. Confirmado.
Porém, dado o rumo que o actual governo português está a dar a Portugal, já nada me surpreende nesta azáfama de nos impingirem, à força, a linguagem brasileira, na forma grafada e, pelo que ouvi, também falada, com a estúpida desculpa esfarrapada de que os Brasileiros são milhões a falar o Português.
Mas os milhões de Brasileiros falarão mesmo o Português?
É isto que me proponho a esmiuçar, com base no programa do Ricardo Pereira, que me levanta algumas questões:
A primeira é saber se o Ricardo Pereira se naturalizou brasileiro e optou por ter o Brasil como sua Pátria, fazendo o programa, muito naturalmente, com a fala brasileira. Se assim foi, calo-me já. Está no seu direito. É um brasileiro a falar na sua Língua. Nada a obstar.
Porém, e se o Ricardo Pereira não se naturalizou e não tem o Brasil como sua Pátria, por que motivo apresenta um programa dirigido aos portugueses lá de casa na fala brasileira? Isto intrigou-me.
Sabemos, desde há muito, que os Brasileiros têm muita dificuldade em entender o Português (perguntem aos alunos brasileiros que frequentam as escolas portuguesas, por exemplo) mas também sabemos que os Portugueses, entendem perfeitamente o Brasileiro. Como o programa se baseia em entrevistar actores brasileiros, será que o Ricardo Pereira, sendo português, optou por falar brasileiro, para que os entrevistados brasileiros e os telespectadores brasileiros o entendessem? Porque, o problema não é os portugueses lá de casa, estes entendem perfeitamente as duas linguagens, se não entendessem, as novelas e filmes brasileiros teriam de levar legendas, e não levam, como levam os programas falados em Português, passados nas televisões brasileiras (isto foi o que me transmitiram, mas não acredito, porque comigo é ver para crer, e no tempo que por lá andei, a televisão brasileira não passava programas portugueses.)
Questão: se realmente os Brasileiros e os Portugueses falam a mesma língua, o Português, que necessidade tem o Ricardo Pereira, sendo português, de falar à brasileira, num programa dirigido ao público português, mas também ao público brasileiro? Isto lembra-me quando uns editores brasileiros, interessados em publicar um livro meu, no Brasil, me pediram para o traduzir para Brasileiro (tal e qual), e eu recusei-me. Então? Não falamos a mesma Língua? Traduzir, traduz-se para uma língua estrangeira. Nessa altura, tive a certeza de que o Brasil não falava a mesma língua que eu, porque a minha Língua era a Portuguesa. A deles, era a Brasileira. E como domino estas duas línguas, desde a infância, para mim, ler os autores brasileiros, em Brasileiro, nunca foi obstáculo.
O meu amigo, ao expor este caso insólito, na sua publicação, refere: «Convido o sr. Ricardo Pereira a ouvir as centenas de brasileiros que estudam, trabalham, residem no nosso Portugal e verificará que, apesar dos muitos anos em terras lusas, estes nossos irmãos não traem a sua Língua. É bonito de ver e de ouvir. (…) Lembro-lhe Fernando Pessoa, conhece? “Minha Pátria é a Língua Portuguesa”. Qual é a sua Língua? Qual é a sua Pátria?»
Na verdade, os Brasileiros não abdicam da sua Língua (nem os Brasileiros nem nenhum outro estrangeiro, que entre eles continuam a falar as respectivas línguas), embora a adaptem ao vocabulário Português, porque em Portugal não vestem ternos, não andam de trem, nem de bonde, nem de ônibus, não vão ver os seus times de futebol favoritos, não vão ao açougue, não compram balas para os filhos, não tomam ducha, não têm um pet, não registram cartas...
Onde eu quero chegar com isto? A lado nenhum. Só quero dizer que algo vai mal nesta república DOS bananas de Portugal.
Isabel A. Ferreira
Existe um vocábulo bem português para designar isto, o qual me dispenso a proferir, porque será óbvio para as mentes pensantes.
A nossa guerra não está perdida. Faltam (ainda) algumas poucas batalhas a vencer, por isso, em 2019, continuaremos a dizer o que centenas já disseram e redisseram, porque há mentes que não encaixam as coisas à primeira.
Nesta imagem, que encontrei na Internet, podemos ler os quatro principais pretensos objeCtivos do acordo ortográfico que impingiram a sete países da dita lusofonia (excluo o Brasil, porque a grafia preconizada pelo AO90 é a grafia brasileira (excePtuando algumas excePções), e eles, lá no Brasil, só tiveram de mudar as mal-amanhadas acentuação e hifenização, e o protesto deles limita-se unicamente a elas).
Então vejamos:

Nota prévia: o vocábulo objetivo (lê-se obrigatoriamente ôb’j’tivu) pertence à grafia brasileira, introduzida no Brasil em 1943. Em Língua Portuguesa escreve-se objeCtivo (lê-se ôb’jétivu) palavra que deriva do Latim objectus + sufixo -ivo.
ObjeCtivo um:
Pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes.
ObjeCtivo falhado, porquanto, em vez de duas normas ortográficas divergentes, temos agora umas quantas normas ortográficas divergentes: a norma ortográfica portuguesa (intocável nos países africanos de expressão portuguesa, e mantida em Portugal pelos Portugueses que não se vergaram à imposição ilegal de um acordo que nem sequer existe); a norma ortográfica do acordês assente na grafia brasileira, e que, em Portugal, criou palavras que nem na norma brasileira existem (ex.: receção, exceção, perceção, etc.), continuando a grafar-se diferentemente AmazÔnia e anistia (Brasil) e AmazÓnia e amnistia (restantes países lusófonos); a norma do mixordês (a mistura da grafia brasileira com a grafia portuguesa numa mesma frase (actual, mas atualidade) intercalando palavras inexistentes cá (ex.: fato por faCto; contato por contaCto; intato por intaCto, etc.); e a norma do à vontade do freguês, a mais generalizada, ou seja, cada um escreve conforme lhe dá na gana (ex.: corrução, exeto, interrução, invita, etc.); fora as numerosas grafias que as chamadas facultatividades proporcionam.
ObjeCtivo dois:
Permitir que um único documento, numa grafia única, represente todos os países da CPLP internacionalmente.
Objectivo falhado. Porquê? Porque nenhum país da dita CPLP (uma comunidade muito colonial, para países que lutaram pela sua independência, com o intuito de se livrarem do colonizador, mas esquecendo-se de cortar o cordão umbilical) escreverá numa grafia única, simplesmente porque não existe uma grafia única, como ficou demonstrado. E se quisessem escrever numa grafia única qual grafia escolheriam: AmazÔnia ou AmazÓnia? ExcePção ou exceção? Anistia ou amnistia? (Isto apenas para simplificar a ideia).
ObjeCtivo três (o mais estúpido dos objeCtivos):
Facilitar a aprendizagem no ensino do Português como língua estrangeira.
ObjeCtivo falhadíssimo. Nunca nenhum país do mundo e arredores mutilou ou simplificou a sua grafia para facilitar o ensino da sua Língua aos estrangeiros. Até porque um inglês, um francês, um alemão, um espanhol ou mesmo um oriental aprenderá mais facilmente a Língua Portuguesa original, uma língua greco-latina, com todas as consoantes mudas nos respeCtivos lugares, do que uma língua sul-americanizada, mutilada, desenraizada, que nada tem a ver com a grande família linguística Indo-Europeia, que deu origem às línguas europeias mais faladas do mundo, na qual está incluída a Língua Portuguesa e a Língua Inglesa, a língua de comunicação INTERNACIONAL, e jamais a Língua Portuguesa acordizada será uma língua de comunicação internacional, simplesmente porque essa não é uma Língua, mas tão-só um dialecto que já foi Língua e, por uma questão político-económica com muita ignorância à mistura, passou de cavalo para burro. E um dialecto jamais poderá ser língua de comunicação internacional. E, porque não pode, o que é dialecto (brasileiro) passará a língua, que, contudo, não terá a designação de Portuguesa, muito brevemente. Além disso, qualquer estrangeiro aprenderá muito mais facilmente o Português correCto, do que o Português mutilado. Para eles, o termo correto à brasileira (lê-se obrigatoriamente currÊtu) não tem o mínimo sentido. E a razão é bastante óbvia.
ObjeCtivo quatro (outro objeCtivo dos mais parvos):
Promover a unidade ortográfica do Português, concedendo-lhe assim uma maior visibilidade internacional.
ObjeCtivo com falhanço total. Porquê? Porque jamais haverá uma unidade ortográfica do Português, conforme já ficou demonstrado. E ainda que isto pudesse acontecer, a maior visibilidade internacional que se pretende dar à língua é à da norma brasileira, que se afastou substancialmente do Português, e o que circularia por aí seria (será) em breve designado por Língua Brasileira, conforme já se vê, ouve e lê. Quando se ouve um brasileiro a falar diz-se que fala brasileiro. Ou não?
Ainda ontem, no YouTube, e a este propósito, um cidadão brasileiro dizia-me isto num comentário:
@Isabel A. Ferreira Aliás, que coisa feia, hein, Dona Isabel! Cuspindo no prato que comeu. Viveu um pedacinho da infância no Brasil e fala mal desse jeito da nossa variante. A senhora não sabe que não se deve cuspir no prato que comeu? Repense seus conceitos.
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E eu respondi-lhe isto:
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Sinto muito que não saiba INTERPRETAR o que escrevi. A Literacia não é o seu forte, estou a ver. Sim, eu vivi parte da minha infância e parte da minha adolescência e juventude no Brasil, e aprendi a ler e a escrever no Brasil, sim. O Brasil é a minha segunda pátria, e tal como a minha primeira pátria (Portugal) é passível de CRÍTICAS. Não tenho nada contra o DIALECTO BRASILEIRO, desde que não lhe chamem PORTUGUÊS. Para dialeCto, a palavra "dialeto" (como vocês escrevem) está muito bem. Em Português essa palavrinha sem o CÊ, lê-se OBRIGATORIAMENTE dialÊtu, e "dialÊtu” não faz parte do vocabulário PORTUGUÊS. E já agora, QUEM CUSPIU NO PRATO EM QUE COMERAM foram os brasileiros, ao mutilarem a Língua dos seus antepassados: o Português. Nenhuma outra ex-colónia o fez.
Fui clara?
***
Ainda não obtive resposta.
O problema aqui é essencialmente este: o Brasil quer impor-se ao mundo através da Língua do ex-colonizador, deslusitanizada, reduzida a dialecto, mutilada, afastada das suas raízes europeias greco-latinas, como o preconizou Antônio Houaiss, tudo isto assente numa inconcebível lusofobia, introduzida no Brasil pelos marxistas brasileiros que, ignorantemente, lêem a História à luz dos valores actuais, e não à luz dos valores da época dos Descobrimentos. Isto é como criticar o Homem das Cavernas por usar a moca para resolver problemas, e não o diálogo, como as gentes civilizadas hoje fazem (e apenas as civilizadas, as outras, as incivilizadas, usam armas nucleares).
E este é o busílis da questão, que os governantes portugueses, enceguecidos pelo deslumbre de eles (os Brasileiros) serem milhões e nós milhares, se recusam a ver. E jamais a quantidade foi bitola para descartar a qualidade. Em parte alguma do mundo e, quiçá, do Universo.
Isabel A. Ferreira
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