Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

«Parabéns lusófonos.: a Língua Portuguesa comemorou, em 27 de Junho, 804 anos»

 

por  VxMag

 

Fonte: https://www.vortexmag.net/parabens-lusofonos-a-lingua-portuguesa-comemora-hoje-804-anos/

 

«Celebrar o aniversário da nossa língua é um enorme atrevimento. E fazê-lo numa data precisa envolve obviamente algum grau de arbitrariedade; e de escolha. É, na verdade, uma escolha: escolhemos 27 de Junho de 1214. Não nos atrapalhemos, porém. Assumamos essa escolha dos 800 anos da língua portuguesa, que é a escolha de uma troika: nós, que subscrevemos o Manifesto 2014; Roberto Moreno, que inicialmente teve e apresentou esta ideia; e o rei D. Afonso II, que fez esse dia.

 

curiosidades sobre fernando pessoaFernando Pessoa

Quando festejamos um aniversário de alguém, não celebramos os anos – celebramos a pessoa. É a pessoa e não os anos que verdadeiramente festejamos. Assim é também aqui: ao celebrarmos oito séculos da língua, não celebramos os anos; festejamos, agradecemos e abraçamos a língua. É a língua portuguesa o objecto, o coração e o centro da nossa atenção. Por outro lado, é evidente que uma língua não nasceu num dia só. Ninguém disse: “Ó língua, nasce!” A língua formou-se de um longo processo social e cultural – e, a certa altura, já era.

Fernando Pessoa

A data que escolhemos, 27 de Junho de 1214, é a data do Testamento de D. Afonso II, o terceiro Rei de Portugal, que é tido pelos especialistas como o mais antigo documento régio, conhecido, escrito em português – e, portanto, o mais antigo texto escrito já na nossa língua ao mais alto nível de um Estado, precisamente o Estado que lhe deu o nome (Portugal) e, mais tarde, o estatuto.

Fernando Pessoa

É certo que são conhecidos outros textos anteriores ou coevos, que poderiam disputar a primazia: uma Notícia de Fiadores, datada de 1175; recentemente descoberto, um Auto de Partilhas dos irmãos Sanches, de 1192; a Notícia de Torto, em data incerta (1211? 1214? 1216?), contemporânea do Testamento de D. Afonso II; e alguns registos de poesia medieval, em cantigas de amor, de amigo ou de maldizer, cuja datação nem sempre é certa e uniforme, mas se situam na última década do século XII e no início do século XIII.

Camões

Porém, o Testamento de D. Afonso II, em 27 de Junho de 2014, cuja datação foi reverificada e está confirmada com todo o rigor, pode bem ser considerado, numa imagem, como a “carta de alforria” da nossa língua. Não pela sua exacta datação. Mas em razão de quatro factores: primeiro, já é considerado escrito em português e não galaico-portucalense; segundo, não é um texto particular, mas documento oficial; terceiro, não é documento oficial qualquer, mas um documento ao mais alto nível do Estado, um documento do soberano; e, quarto, é a primeira vez que tal acontece, arredando o latim, muito antes de, segundo aprendemos, D. Dinis, em 1290, ter tornado oficial e obrigatório o curso e o uso do português.

Camões

Ou seja, este Testamento de D. Afonso II é o marco que simboliza o momento em que a nossa língua se liberta e autonomiza das suas raízes e ascende ao mais nível do soberano: não é apenas uma língua com curso popular incerto; mas é já uma língua distinta, adoptada e usada pelo soberano e apta, portanto, a vir a tornar-se língua oficial. Assim foi, na verdade, com o português: viria a ser assumida como língua oficial e, mais tarde, séculos volvidos, na esteira de uma longa e rica evolução, uma língua global, uma das mais importantes línguas globais contemporâneas: nada mais, nada menos do que a terceira língua europeia global, terceira língua também nas Américas, língua crescente em África, a terceira língua do Ocidente, uma língua em crescimento na Internet e em todos os continentes, a quarta mais falada do mundo, a língua mais usada no Hemisfério Sul.

língua portuguesaPaíses de Língua Oficial Portuguesa

Ao escolhermos a data de 27 de Junho de 1214, não estamos a excluir nada. Pelo contrário, estamos a incluir tudo, a convocar tudo, a gerar uma saborosa oportunidade para conhecer e divulgar tudo isso. E não só conhecer; estimar! Todos sabemos que nós, quando nascemos, já éramos antes. Já existíamos e já éramos nós mesmos antes do dia do nascimento; e até nos enternecemos e deliciamos com os pontapés por dentro da barriga da mãe de cada criança antes de nascer. Já é; e já mexe. Comparando, digamos, pois, que esses outros textos da nossa língua, coevos ou anteriores – Notícia de Fiadores, Auto de Partilhas, Notícia do Torto, Cantigas de poesia trovadoresca –, são os “pontapés na barriga da mãe” da nossa língua em processo final de gestação, de afirmação e de ascensão.

 

Língua Portuguesa: os 32 idiomas de origem portuguesa espalhados pelo mundo

 

Sabia que existem 32 idiomas de origem portuguesa espalhados pelo mundo? A época das navegações e da expansão e colonização portuguesas foi propícia ao contacto linguístico e à formação de crioulos. As situações sociolinguísticas decorrentes dos diferentes tipos de contacto entre a língua portuguesa e as outras línguas africanas, asiáticas e americanas, estiveram na origem de manifestações linguísticas também diferentes.

Os primeiros contactos favoreceram, naturalmente, a formação de pidgins, para efeitos de comunicação imediata, sobretudo quando as línguas veiculares tradicionalmente usadas para o mesmo fim, como o árabe, deixavam de ser funcionais. Estes pidgins perduraram como línguas de comércio na África e na Ásia até ao século XVIII.

Pidgin ou pídgin, também chamado de língua de contacto, é o nome dado a qualquer língua que é criada, normalmente de forma espontânea, de uma mistura de outras línguas, e serve de meio de comunicação entre os falantes de idiomas diferentes.

 

Crioulos de Base Portuguesa: África

Crioulos de Base Portuguesa: África

 

Os crioulos de base portuguesa são habitualmente classificados de acordo com um critério de ordem predominantemente geográfica embora, em muitos casos, exista também uma correlação entre a localização geográfica e o tipo de línguas de substrato em presença no momento da formação.

Em África formaram-se os Crioulos da Alta Guiné (em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Casamansa) e os do Golfo da Guiné (em S. Tomé, Príncipe e Ano Bom).

 

Crioulos de Base Portuguesa: Ásia

Crioulos de Base Portuguesa: Ásia

Classificam-se como Indo-portugueses os crioulos da Índia (de Diu, Damão, Bombaim, Chaul, Korlai, Mangalor, Cananor, Tellicherry, Mahé, Cochim,  Vaipim e Quilom e da Costa de Coromandel e de Bengala) e os crioulos do Sri-Lanka, antigo Ceilão (Trincomalee e Batticaloa, Mannar e zona de Puttallam). Quanto a Goa (na Índia), é discutível se aí se terá formado um crioulo de base portuguesa.

Theban (1985) e Tomás (1995) consideram, contrariamente a Holm (1989) e Clemens (1996, 2000), que a pressão muito forte do português, língua oficial e de instrução, teria impedido a formação de um crioulo em Goa.

Na Ásia surgiram ainda crioulos de base portuguesa na Malásia (Malaca, Kuala Lumpur e Singapura) e em algumas ilhas da Indonésia (Java, Flores, Ternate, Ambom, Macassar e Timor) conhecidos sob a designação de Malaio-portugueses. Os crioulos Sino-portugueses são os de Macau e Hong-Kong.

 

Crioulos de Base Portuguesa: América do Sul

 

Crioulos de Base Portuguesa: América do Sul

Na América encontramos ainda um crioulo que se poderá considerar de base ibérica, já que o português partilha com o castelhano a origem de uma grande parte do léxico (o Papiamento de Curaçau, Aruba e Bonaire, nas Antilhas) e um outro crioulo no Suriname, o Saramacano, que, sendo de base inglesa, manifesta no seu léxico uma forte influência portuguesa.

Alguns autores referem-se a variedades de um semi-crioulo de base portuguesa no Brasil e a variedades dialectais afro-brasileiras que corresponderiam a uma fase avançada de descrioulização de antigos crioulos, como a de Helvécia.

Relativamente a Helvécia, infelizmente muitas das características da língua crioula da região foram perdidas por causa da tardia decisão de estudar esta variante dos crioulos de base portuguesa no Brasil.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:53

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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

PALAVRAS E CONSIDERAÇÕES AO REDOR DO AO90 – O MEU COMBATE

 

Via e-mail, frequentemente recebo pedidos de informação, ou mesmo uma opinião sobre o que está a passar-se a propósito do despropósito de um acordo ortográfico que ninguém pediu, não é necessário, sendo, portanto, inútil, e muito menos é um acordo racional.

 

E é sobre o que escrevo em privado, que partilho, hoje, em público.

 

PALAVRAS.jpg

 

Não sou Filóloga, nem Linguista. Tive de dar aulas de Português, porque os de História tinham de dar também a disciplina de Português, para a qual, no entanto, nunca foram preparados na Universidade. Daí, ter tido a necessidade de estudar a Língua Portuguesa, mais aprofundadamente, para não defraudar os meus alunos.

 

Aprendi a ler e a escrever no Brasil, e fui estudando cá e lá, ao longo da infância, adolescência e juventude. Conheço a fundo as duas versões do Português, para poder dizer, com conhecimento de causa, e sem titubear, que o que nos estão a impingir, hoje, é a ortografia brasileira, que eu aprendi na escola primária, no Brasil. Com que intenções fazem isso? Naturalmente com as intenções mais obscuras por parte de Portugal que, servilmente, se curva aos interesses exclusivos do Brasil.

 

Não sou propriamente avessa aos neologismos, quando estes têm fundamento. Não gosto de certas adaptações de palavras estrangeiras para Língua Portuguesa, se lhes retiram a elegância. Estou a lembrar-me de “avalanche”, do francês “avalanche”. Detesto a palavra aportuguesada “avalancha” que não tem graciosidade nenhuma. É uma palavra espessa. Eu utilizo o termo “avalanche”, que existe nos nossos dicionários (quando digo nossos, descarto os novos dicionários acordistas, que não são nossos). E isto é como chamar João Lenão ao John Lennon. Não gosto de palavras espessas, e agora com o AO90 é o que mais existe, por aí: palavras espessas e muito deselegantes.

***

Passando às questões:

Acessibilidade (do latim accessibilitas, -atis) significa qualidade do que é acessível, alcançável, atingível.

Jamais pode ser aplicada como acesso (entrada) a alguma coisa.

Os que usam o vocábulo acessibilidade para significar “acesso” cometem uma grande calinada.

 

Mas as calinadas são aos milhares: eles “cOmprimentam-se”, eles “fOncionam”, eles dizem das suas "circOnstâncias", à última DA hora, eles aplicam mal os tempos dos verbos, eles não sabem Português. Estou a referir-me aos governantes responsáveis pela decadência da Língua Portuguesa. Estejam atentos ao modo como falam.

 

***

Quanto ao “contratualizar” (contratual + izar), significa estabelecer as regras contratuais de…; pôr em contrato.

 

Deriva da palavra CONTRATUAL do francês “contractuel” relativo a um CONTRATO (= convenção, acordo).

Contratar = empregar (do latim contractare)

Contrato (do latim contractus)

Ambas as palavras perderam o C antes do AO90. São daquelas excepções, à regra.

 

A palavra “contratualizar” não existe nos dicionários de Língua Portuguesa, mas não me faz mossa.

Porque o vocábulo “contractar” não existe.

O que existe é “contracto” (do latim contractus) = contraído, encolhido, que sofreu contracção = CONTRAÍDO.

E como contratualizar significa “fazer um contrato”, é um neologismo que não faz mossa na Língua.

 

***

 

Agora, não me venham com “parabenizar”, uma palavra horrorosa que os portugueses andam a adoptar do brasileiro (e que me desculpem os brasileiros, também as temos horrorosas, por cá). É como “apenado” (condenado, o que sofreu uma sanção penal); ou “estrelar” (protagonizar - o Johnny Depp estrelou o filme «Piratas das Caraíbas», talvez com umas batatinhas fritas…), palavras americanizadas, escusadamente, até porque temos vocábulos tão mais graciosos, em Português.

 

Mas há muitos mais que agora não me ocorrem.

 

***

Pois se fôssemos a seguir essa regra parva de "perde a consoante porque não é pronunciada" teríamos de aumentar a lista em várias centenas de palavras.

 

É que a lógica dos acordistas quanto à supressão das consoantes mudas é tão ilógica que se lhes perguntamos porque (h)avemos de suprimir a consoante em faCtor, porque não pronunciamos o C, por que não a suprimir em (h)avemos, uma vez que também não pronunciamos o H? E eles não têm uma explicação racional para o fazer. Mas eu já vi por aí escrita este conjunto de letras - ospital. Talvez porque o H passe despercebido… como no vocábulo “umidade” (humidade em Portugal), que no Brasil se grafa sem H, porque o H passa "despercebido" na palavra... (li isto no Ciberdúvidas), e li mais, ainda se escreve, por exemplo, (h)oje e (h)ora, com H, porque, por força do uso, algumas palavras com H inicial já têm fixação visual e deixa alguma perplexidade grafias como "oje" ou "ora"... Foi o que li no Ciberdúvidas.

 

Considero esta “explicação” de uma inteligência raríssima.

 

Pois se aos acordistas a grafia “oje” (por hoje) e “ora” (por hora) causa perplexidade, porque aquele H mudo inicial já tem fixação visual, a mesma perplexidade, causam grafias como "fatura" (fâturâ), "fator" (fâtôr), "fração" (frâção), “direto” (dirêtu), “diretor” (dir’tôr, “objeto” (objêtu), “rutura”, “receção” (r’c’ão),”exceto” (eiscêtu), “Egito”, “aspeto” (âspêtu), “adoção” (âdução), “inseto” (insêtu), “ação” (âção), “deteta” (d’têtâ), “exato” (ixâtu), enfim, estes e centenas de abortinhos ortográficos, que assim escritos, é obrigatório pronunciá-los conforme está entre parêntesis e não significam nada.

 

E é deste modo híbrido que os acordistas justificam a supressão das consoantes mudas em palavras onde elas são indispensáveis, e não fazem cair as outras porque, visualmente, elas criam perplexidade!!!!! Isto é de quem não tem a mínima noção do que diz, o mínimo conhecimento da estrutura das Línguas, de todas as Línguas.

 

Depois existe um outro detalhe: quando me dizem que os estrangeiros percebem o “brasileiro” melhor do que o Português… é mentira! Na escrita, um inglês, um francês, um espanhol ou um alemão que não saibam muito bem o Português, se depararem, por exemplo, com as palavras directo, director, factor, saberão reconhecê-las-ão. Ao contrário, se depararem com “direto”, diretor, fator, não saberão o que isto é.

 

Eu, que não domino o Alemão, mas domino o Inglês, consigo entender uma frase em alemão tirando pela a pinta as palavras. E isto acontece porque a etimologia é a mesma. Somos da família indo-europeia. Não somos da família sul-americana, aliás, cuja língua, à excepção das línguas nativas, é oriunda da Europa.

 

Quando eu digo que se fala mal, ou escreve mal, no Brasil, refiro-me ao emprego do tempo dos verbos, dos plurais, dos artigos, dos pronomes, da acentuação, que o comum dos Brasileiros não sabe aplicar, muito por culpa do "não-ensino" da Gramática, nas escolas. Não me refiro ao "sotaque" que, até lhe acho piada.

 

E o que se fala e escreve no Brasil será a mesma Língua Portuguesa que, por exemplo, os Angolanos e Moçambicanos instruídos falam e escrevem?

 

É óbvio que os Timorenses, Angolanos, Moçambicanos e restantes povos ditos lusófonos não falam todos do mesmo modo. Até em Portugal, de Norte para Sul, o modo de falar difere.

 

Mas não é ao "modo" que me refiro. É à "forma" como a Língua é utilizada, é grafada, é pronunciada. Não se conhecendo a Gramática, dizem-se e escrevem-se os maiores disparates.

 

Quanto à escrita, dos sete povos ditos lusófonos ou lusógrafos, apenas os Brasileiros deformaram a ortografia, mutilando-a e criando palavrinhas sem significação real alguma.

 

No que respeita ao Inglês e ao Castelhano o que se passa não é bem a mesma coisa. Os povos colonizados pelos Ingleses e Espanhóis não mutilaram as línguas que adoptaram do colonizador. Têm novos vocábulos para designar as mesmas coisas, uma grafia diferente, muito pontualmente, o “sotaque” difere de país para país, mas não mutilaram ostensivamente as palavras. E jamais Inglaterra ou Espanha fariam um "acordo" para adoptar a grafia das ex-colónias. E os falantes e escreventes das Línguas Inglesa e Castelhana também são aos milhões nas ex-colónias deles.

 

Então porquê substituirmos a nossa Língua Portuguesa, pelo Dialecto Brasileiro? Por eles serem milhões e nós milhares? Isso nunca será argumento válido, em parte alguma do mundo.

 

E é essencialmente isto que combato.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Que Português para a ONU?

 

ONU.jpg

 

Na entrevista feita pelo acordista Jornal Expresso a Luís Faro Ramos, presidente do “Camões” – Instituto da Cooperação e da Língua (mas qual língua?) li que fazer do Português uma das línguas oficiais da ONU é uma aposta estratégica do Governo (mas qual governo?). E esta foi uma das razões que levaram Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios dos Estrangeiros, a nomear pela primeira vez um diplomata para dirigir o instituto que tutela a língua e a cooperação.

 

E aqui colocam-se algumas questões: o tal “Camões” que agora é cooperador dos verdugos da Língua Portuguesa, nesta questão, estará a servir os interesses de quem? De Portugal, como Estado soberano e independente de influências estrangeiras, ou do Portugal subserviente aos interesses do Brasil?

 

É que a Portugal só interessa apresentar na ONU a Língua Materna Portuguesa, na sua versão culta e europeia, para não destoar das restantes Línguas Maternas cultas (algumas europeias) que fazem parte das línguas oficiais da ONU, a saber: o Inglês (de Inglaterra e não das ex-colónias); o Francês (de França e não das ex-colónias); o Chinês (o mandarim e não nenhum dos dialectos chineses); o Espanhol, (de Espanha e não das ex-colónias); o Árabe culto e não nenhuma das suas variantes; e o Russo, Língua Materna da Rússia e de vários outros países da Eurásia, e não nenhuma das suas variantes.

 

Ora não podemos apresentar na ONU outra língua que não seja a Língua Materna de Portugal, que é a Língua Portuguesa na sua versão falada e escrita, culta e europeia, e não na variante ortográfica brasileira que tem implicações com a oralidade (por exemplo, os que escrevem “direto” terão forçosamente de ler “dirêto”, sob pena de estarem a pronunciar mal o monstrinho ortográfico), e a qual andam a impingir aos Portugueses.

 

Sabemos que a aposta estratégica do Governo é a de apresentar à ONU a versão brasileira da Língua Portuguesa, no que respeita à ortografia, até porque foram os Brasileiros que tiveram a ideia primeiro, porque acham que eles são milhões, e nós, os outros escreventes e falantes lusófonos, que incluem os Angolanos, Moçambicanos, Timorenses, Cabo-Verdianos, São-Tomenses e Guineenses somos apenas milhares. Por isso, é tão importante para Santos Silva que os portuguesinhos aceitem o AO90 sem barafustar. A negociata passa por este pormenor. Por isso, o nosso ministro dos negócios DOS estrangeiros anda tão empenhadíssimo nesta negociata, e o “Camões” (quanto desprestígio para o Poeta!) ajuda a esta “missa (ão)”.

 

Portugal não pode impor-se internacionalmente com uma variante da Língua Portuguesa. Seria o desprestígio total. E penso que a ONU descartará essa possibilidade, a exemplo do que já fez o Vaticano: a Língua Portuguesa deixou de ser língua de trabalho na Cúria Romana, por ter perdido o seu cunho de língua culta europeia...

 

(Ler notícia aqui)

 

A Santa Sé fartou-se do Acordo Ortográfico 1990

 

Lusofonia: bispos lamentam suspensão do uso da Língua Portuguesa nos processos de canonização

 

Seria uma vergonha, um país europeu impor-se internacionalmente com uma variante ( = dialecto) da Língua Portuguesa, e não com a Língua Materna, como todo os outros países.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Domingo, 9 de Outubro de 2016

Lusofonia: Bispos lamentam suspensão do uso da Língua Portuguesa nos processos de canonização

 

 

«Não era o Acordo Ortográfico que ia prestigiar e expandir internacionalmente a língua portuguesa? Não ia tornar o Português idioma oficial da ONU e dos fóruns internacionais? E mais um par de botas?» (Tradutores contra o Acordo Ortográfico)

 

Repare-se que se diz Língua Portuguesa, não se diz Acordês

 

Depois que Portugal começou a espalhar por aí o Acordês, que é a versão inculta do Português, a Santa Sé descartou-o. É que o uso de uma ortografia terceiro-mundista não prestigia nenhum país lusófono, nem o Vaticano. 

 

1foto4 AGÊNCIA ECCLÉSIA.jpg

 

Agência Ecclesia 27 de Setembro de 2016, às 14:24

 

Responsáveis dos países lusófonos lembram que está em causa a quinta língua mais falada no mundo

 

Aparecida, Brasil, 27 Set 2016 (Ecclesia) - Os bispos católicos dos países lusófonos manifestaram-se hoje contra a suspensão do uso da Língua Portuguesa nos processos de postulação das Causas dos Santos na Santa Sé.

 

Desejamos que a Língua Portuguesa, a quinta língua mais falada do mundo, por 260 milhões de pessoas, continue a ser utilizada nos processos de canonização”, assinala o comunicado final do 12.º Encontro de Bispos de Países Lusófonos, que decorreu desde sexta-feira na cidade brasileira de Aparecida.

 

A Congregação para as Causas dos Santos, organismo responsável pelo acompanhamento dos processos de beatificação e canonização na Santa Sé, invocou “dificuldades logísticas” para justificar a intenção de eliminar o Português do conjunto de línguas de trabalho.

 

Os participantes no encontro de bispos lusófonos apresentam agora o seu “lamento e preocupação por esta decisão” que, segundo os representantes dos episcopados católicos, “vai dificultar e encarecer o bom andamento dos processos de canonização com origem nos países de expressão portuguesa”.

 

O texto, enviado à Agência ECCLESIA, é subscrito por responsáveis católicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

 

O uso da Língua Portuguesa foi determinado por uma instrução da Santa Sé, a ‘Sanctorum Mater’ de 17 de Maio de 2007, no n.º 127: ‘As línguas admitidas junto da Congregação para o estudo das causas são: Latim, Fancês, Inglês, Italiano, Português e Espanhol’”.

 

Ainda na reunião de Aparecida, os participantes mostraram o seu “apoio unânime” ao acordo das conferências episcopais do Brasil e Portugal sobre a tradução do Missal Romano, junto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), para que “se mantenham as fórmulas sacramentais e a resposta «Ele está no meio de nós» à saudação «O Senhor esteja convosco»”.

OC

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Se Moçambique e Angola quiserem, acaba-se o Acordo Ortográfico?

 

Então vamos lá acabar de uma vez por todas com este ABORTO.

 

É uma vergonha para Portugal que a salvação da Língua Portuguesa esteja nas mãos de Angola e Moçambique, e não do país-berço da língua.

 

Mas se Angola e Moçambique puderem salvar a Língua, SALVEM, por favor, porque todos os Portugueses lúcidos ficar-vos-ão eternamente gratos.

 

E as televisões não dizem nada? São assim tão subservientes ao Poder que não podem sequer INFORMAR o povo português do que está a passar-se em torno desta matéria?

 

Desacordo Ortográfico.jpeg

 (Origem da imagem: Internet)

 

«As declarações foram feitas ontem pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: se Angola e Moçambique não quiserem escrever pelo novo Acordo Ortográfico, Portugal pode rever também a aplicação do documento

 

Aprovado em 2008, mas não feito lei, o Acordo Ortográfico/1990 tinha (mas não conseguiu) como objectivo uniformizar a escrita da Língua Portuguesa, comum aos países ditos da Lusofonia.

 

Contudo, essa uniformização, que devia ser orientada pela raiz da Língua, e não por uma Variante, não foi bem aceite pela esmagadora maioria dos países envolvidos. Apenas Portugal (que se colocou à venda impatrioticamente,) o Brasil (por interesses políticos)  e Cabo Verde (por simples subserviência a Portugal, por motivos sócio-políticos) aplicam o tortográfico acordo, que além de ser ilegal e  inconstitucional, é linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral e estar a criar uma geração de analfabetos , não tendo recebido o aval dos PALOP africanos.

 

Em visita oficial a Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa falou à RTP África (mas a RTP1 mantém-se muda) e admitiu que, se Angola e Moçambique não quiserem adoptar o novo Acordo, Portugal poderá ter de recuar em todo o processo e repor a Língua original. Marcelo Rebelo de Sousa explicou: «Nós estamos à espera que Moçambique decida sim ou não ao Acordo Ortográfico. Se decidir que não, mais Angola, é uma oportunidade para repensar essa matéria». Sim, porque Portugal, não tem personalidade própria, para dizer NÃO a este acordo.

 

Marcelo admitiu que, enquanto cidadão, escreve de acordo com as antigas regras, mas que enquanto Presidente da República é obrigado (???) a respeitar as regras novas. É OBRIGADO? É obrigado por qual LEI? Quais regras novas, se o AO90 é ilegal?

 

Marcelo jurou defender, respeitar e fazer respeitar a Constituição da República Portuguesa e diz ser obrigado a escrever de acordo com o desacordo que os juristas dizem ser inconstitucional? Há aqui alguma coisa que não bate certo.

 

Não haverá aqui uma contradição "à la Marcelo"?????

 

Fonte : http://www.buzztimes.pt/n/se-mocambique-e-angola-quiserem-acaba-se-o-acordo-ortografico/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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Este Blogue rejeita automaticamente a grafia brasileira, preconizada pelo falso acordo ortográfico de 1990, que foi imposto ilegalmente aos Portugueses. Este Blogue adopta a Língua Oficial de Portugal – a Língua Portuguesa, na sua matriz culta e europeia - na grafia de 1945, a que está em vigor. Grafia brasileira só em textos escritos por Brasileiros.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

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