O requerimento para a realização de uma Audiência Pública com o objectivo de se discutir a revogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, apresentado à Câmara dos Deputados do Brasil, pelo Dr. Jaziel Pereira de Sousa, deputado brasileiro do Partido da República (ver vídeo), e subscrito pela deputada Paula Belmonte, do partido Cidadania, foi aprovado pela Comissão de Educação daquela Câmara.

Finalmente, os esforços que o Movimento em Prol da Língua Portuguesa (MPLP) tem vindo a desenvolver, há bastante tempo, junto de diversas entidades, incluindo entidades brasileiras, parece estar a dar os seus frutos.
Sempre dissemos que a revogação do AO90 teria de vir de fora, porque, em Portugal, desde 2011, a Racionalidade e a Inteligência não fizeram ninho.
O requerimento, com o número 119/2019 da 1ª Sessão Legislativa Ordinária da 56ª Legislatura, fundamentado no Art.º 255 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, diz o seguinte: «Após uma década de efetividade [do acordo ortográfico], o presidente Jair Bolsonaro expressou a possibilidade de revogação desse Acordo. Antecipando o debate sugiro essa discussão aqui na Câmara dos Deputados para elaboramos uma proposta de Lei que altere esse Decreto».


Mais dia menos dia, isto já era de esperar.
Já são longos os anos em que o Brasil (que tem ainda um índice de analfabetismo muito considerável) e Portugal (igualmente com o índice de analfabetismo mais elevado da Europa) andam em bolandas por causa da Língua que, no Brasil, nem é Portuguesa, nem Brasileira, designam-na por “Português Brasileiro”, mais Brasileiro do que Português, devido à deslusitanização da Língua, e que, em Portugal, actualmente, também não é portuguesa, nem brasileira, mas uma “mixórdia ortográfica”, assente num pseudo-acordo ortográfico, que é o maior desacordo de todos os tempos, e que não interessa a nenhum país dito lusófono, e isto não é favorável nem ao Brasil, que não tem uma identidade linguística própria, nem a Portugal, que está a perder a sua identidade, com a introdução da grafia especificamente brasileira, que também não interessa aos restantes países de expressão portuguesa, nomeadamente aos africanos, que se recusam a aceitar tal “acordo”. Recorde-se aqui o que diz a Academia Angolana de Letras: DECLARAÇÃO DA AAL – ACADEMIA ANGOLANA DE LETRAS – SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE 1990
Porquê manter um acordo ilegal e inconstitucional (em Portugal), o qual, na verdade é um Tratado Internacional entre oito países de expressão portuguesa, regido pela Convenção de Viena, tendo esta sido violada por Portugal, assim como a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial (CSPCI), da UNESCO, e que não beneficia o chamado “mundo lusófono”, que de lusófono já quase nada tem, simplesmente porque cada ex-colónia tem a sua especificidade e diversidade linguística, que se deve manter, para garantir a identidade dos países que constituem a CPLP, que devia ater-se apenas aos negócios, e não acrescentar a estes, a negociata da Língua. Para mais detalhes sobre esta matéria, sugiro a leitura do texto «O NEGÓCIO DO ACORDO ORTOGRÁFICO», onde se conta como Antônio Houaiss, passando por Inácio Lula da Silva, se enredaram nessa negociata obscura, chamada Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) que Portugal acolitou, e que acabou por não dar certo, só prejudicando o Brasil e a Língua Portuguesa, arrastando os restantes países lusófonos para esse brejo.
Além de se ter falhado redondamente, naquilo que era a principal justificação para o AO90 a unificação ortográfica, absolutamente impossível de concretizar, não só nos países de expressão portuguesa, como também em outros países, de outras expressões linguísticas.
Veja-se que na Commonwealth of Nations, constituída por 53 países que, à excepção de Moçambique (antiga colónia do Império Português), Ruanda (antiga colónia do Império Belga) e Namíbia (antiga colónia do Império Alemão), faziam parte do Império Britânico, do qual se separaram, tornando-se, de facto, independentes, e cujas línguas oficiais é o Inglês, nunca houve necessidade de fazerem “acordos ortográficos” para unificar o que é absolutamente impossível de unificar, por que cada país sofreu influências linguísticas e culturais dos diversos e diversificados povos que neles se foram fixando, e dos próprios dialectos indígenas, tal como acontece na CPLP.
Não é da inteligência o que está a passar-se na CPLP, com esta imposição da grafia brasileira, que é exclusiva do Brasil. E porque pertence apenas ao Brasil, seria da inteligência, o Brasil libertar-se desta amarra linguística, colonialista, e admitir que tem uma língua própria, com asas para voar longe e livre.
Recordo aqui que, na minha qualidade de Jornalista e Escritora portuguesa, que viveu parte da infância e da adolescência e da juventude, no Brasil, num constante cá e lá, que me obrigou ora a falar e escrever à portuguesa, ora a falar e a escrever à brasileira, até que me fixei em Portugal e tive de aprender o Português, de raiz greco-latina, para poder dar aulas de Língua Portuguesa (a minha primeira profissão), e cedo me apercebi de que vivi em dois países com línguas diferentes, embora a língua do Brasil estivesse tão assente na Língua Portuguesa, como a Língua Portuguesa está assente na Língua Latina.
O Brasil, possuindo um riquíssimo léxico, que inclui vocabulário oriundo de diversos povos, e uma Literatura de excelência, tem potencial para seguir o seu próprio caminho, e desligar-se da herança linguística colonial. Tem o direito de ter uma Língua própria, como há muito, linguistas e escritores brasileiros e até gente do povo, vêm, legitimamente, reivindicado.
E nós, porque concordamos com essa reivindicação, particularmente eu, porque aprendi a ler e a escrever Brasileiro, no Brasil, aos seis anos de idade, e quando vim para Portugal, aos oito anos, tive de aprender Português, e depois no meu cá e lá, foi sempre assim, sei, melhor do que ninguém, que o Brasil tem uma Língua especificamente brasileira, na sua fonética, na sua ortografia, no seu léxico, na sua sintaxe, na sua acentuação, e tem todo o direito e está na altura certa, passados 196 anos, desde o Grito do Ipiranga, de adoptá-la como Língua Oficial da República Federativa do Brasil.
O MPLP partilha a intenção das autoridades brasileiras discutirem a revogação deste acordo ortográfico, que não serve a nenhum país lusófono.
É preciso manter a diversidade linguística, para que realmente haja lusofonia.
Os coordenadores do MPLP,
Isabel A. Ferreira e Francisco João da Silva
Sabem o que distingue os “Velhos do Restelo” (os que defendem a Língua Portuguesa), dos “Novos de São Bento e Belém” (os que estão a destruir a Língua Portuguesa)? Responderei a esta pergunta, mais adiante.

Para já vamos a outra questão: recebi, via e-mail, a imagem, que aqui reproduzo, de um texto, assinado por Luciano Amaral, publicado no Correio da Manhã em 03 de Março de 2014, um texto com cinco anos, mas de validade actualíssima. Infelizmente.
Todos os que estamos a trabalhar para restaurar a Língua Portuguesa, em Portugal, sabemos que ela será restaurada, mais dia, menos dia, porque um País não pode avançar para o futuro, sem uma Língua que o identifique.
E neste momento, Portugal não tem uma Língua que seja SUA.
O que se passa actualmente é que Portugal perdeu a sua Língua, perdeu a sua identidade linguística, perdeu o brio, perdeu o profissionalismo, perdeu a vergonha, perdeu a dignidade, e agora só quer ser “grande” outra vez, como no tempo do Império, à pala do Brasil.
Concordo em absoluto quando Luciano Amaral diz que «os portugueses só entendem a sua imaginada grandeza como algo para além de Portugal: antes era o império. Agora é a lusofonia (…), a coisa vai tão longe que chega muitas vezes ao ponto da anulação do País».
Bem, mas acontece que o País já está anulado. Um país que perde a sua Língua, fica automaticamente anulado. Portugal desviou-se da Europa, e anda por aí, à deriva, sem rei nem roque: é que nem é deste lado do Atlântico, nem do outro. Não tem uma Língua que o identifique: nem portuguesa, nem brasileira.
Um País que não cuida da sua Língua, não merece o estatuto de País. É simplesmente uma colónia da ex-colónia.
Estão muito enganados aqueles que acham que o “Acordo Ortográfico de 1990” é essencial para o “prestígio” da Lusofonia. Mas que acordo, que prestígio, que lusofonia?
Uma Língua só dá prestígio a alguma coisa, quando é uma LÍNGUA. Neste momento, a língua que circula em Portugal é apenas uma imitação de língua, que identifica o Brasil, mas não identifica Portugal. Por isso se insiste que cada país fique com a respectiva Língua.
A língua que actualmente é grafada (e já começa a ser falada) em Portugal é made in Brazil (escrito assim à americana). E digam-me lá: que outro país do mundo, senão Portugal, mudou a Língua que o identificava, para adoptar uma língua, made num país estrangeiro?
Todos sabemos o que está por trás deste “acordo” para o qual não foram chamados os restantes seis países ditos lusófonos. Apenas o Brasil e Portugal se enfronharam numa negociata de bradar aos céus, cheia de mentiras. Repletíssima de fraudes!
Como diz Luciano Amaral, e muito bem, este “acordo” nasceu apenas do delírio português de que (ainda) existe uma entidade chamada “Lusofonia” e da ambição do Brasil.
Acontece que o Brasil não se distanciou, do modo como se distanciou, e cada vez se distancia mais, da Língua Portuguesa, para ficar eternamente ligado à língua do colonizador, e não fruir de uma língua própria, de uma língua que o identifique como uma Nação independente. E quem não acredita ou não aceita este incontestável facto, é bocó (já agora, e uma vez que estamos numa de brasileirismos…)
Portugal amesquinhou-se. Portugal deixou-se levar pelo “sonho brasileiro”. O Brasil acenou-lhe com os “milhões” de falantes e escreventes de uma língua a que eles, por enquanto, ainda chamam Portuguesa, mas que, na verdade, já não é portuguesa, e nem sequer é estudada nas escolas, como tal. E Portugal sentiu-se um pigmeu, e deslumbrou-se com a ideia de se agigantar à pala de uma Língua que tem o destino marcado para ser Brasileira.
Nada é mais perverso e caracterizador da pequenez de espírito, do que políticos pigmeus deslumbrados com a fictícia grandeza de um gigante. Se ao menos soubessem a história de David e Golias!
O Brasil tem todo o direito de ter o seu “sonho brasileiro”. Porque não? O nosso Rei Dom Diniz também teve o seu “sonho português” e ficou para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Portuguesa. Em 1290, Dom Diniz decretou que a “língua vulgar” (o galaico-português falado) fosse usada na corte, em vez do Latim, e designada como “Português”. E é facto que o Rei adoptou uma língua própria para o reino de Portugal, tal como o seu avô Afonso X “O Sábio”, e de quem era tradutor, fizera com o Castelhano.
E foi assim que do Latim se passou ao dialecto galaico-português, e deste, à Língua Portuguesa. E será assim que o Português (ainda dito) do Brasil, e que tecnicamente é classificado como um dialecto, evoluirá naturalmente para Língua Brasileira.
Resta saber quem será o governante brasileiro que ficará para a História como o responsável pelo nascimento oficial da Língua Brasileira.
Este é o percurso natural das línguas que os povos que dominam outros povos vão deixando pelo caminho…
No que a isto diz respeito, não entendo a estranheza e os ataques de certas pessoas, que não param para pensar, que não lêem, que não procuram informar-se, nem querem, porque deliram com as falsas grandezas.
Portugal está dividido entre os ditos “Velhos do Restelo” e os “Novos de São Bento e Belém”. Qual a diferença entre uns e outros?
É que os “Velhos do Restelo” escrevem correCtamente a Língua Portuguesa, a oficial, a que permanece em vigor, a do Convénio Luso-Brasileiro 1945.
E os “Novos de São Bento e Belém” desprezaram a Língua Portuguesa, e substituíram-na por uma novilíngua conhecida por Mixordês, uma mistura do Português e do Brasilês.
E para que não digam que estou a inventar coisas (o Brasilês) aqui deixo a fonte onde fui beber o significado deste termo, que considero bastante interessante: Dicionário inFormal, neste link:
https://www.dicionarioinformal.com.br/brasil%C3%AAs/
Significado de Brasilês Por C (SP) em 02-03-2011
Brasilês é uma lingua falada no Brasil.
Embora derivada do português, tem sintaxe, morfologia, fonética, semântica e vocabulário autóctones, especialmente pela absorção de elementos lingüísticos de origem indígena e africana,
Em virtude da grande extensão do nosso país, o brasilês apresenta grande diversidade de sotaques sem que isto afete o significado das palavras.
Isto é muito natural para um universo de mais de 180 milhões de pessoas falando o mesmo idioma.
***
Porque é da inteligência olhar para as coisas com olhos de ver, e não com olhos de não-ver.
Isabel A. Ferreira
Nascida há 42 anos em Barcelos, Isabelle Oliveira foi levada em bebé para França. Hoje, preside ao Instituto do Mundo Lusófono, um órgão criado em 2015, para promover a lusofonia além-fronteiras.
Mas que lusofonia?

Foto: Adelino Meireles/Global Imagens
E o que Isabelle Oliveira disse acerca da Língua Portuguesa pode ser ouvido neste link:
E o que há a dizer sobre o que se acabou de ouvir?
Há a dizer que a Língua Portuguesa está, de facto, em decadência, em Portugal, e apenas em Portugal, desde que foi imposto, à revelia dos Portugueses, o ilegal, o imoral, o inconstitucional, o inútil, o fraudulento AO90, assente na grafia brasileira, e o que se escreve hoje, é simplesmente uma mixordice que não tem paralelo no mundo, porque nem é brasileiro, nem português.
Antes disto, a Língua Portuguesa gozava de muito boa saúde, em Portugal, que é o que mais nos interessa (mas também nos países africanos de expressão portuguesa). O Brasil está fora desta apreciação, porque criou uma linguagem própria, distanciada do Português usado pelos restantes países ditos lusófonos.
Nenhum português está interessado em que se escreva e fale incorreCtamente a sua Língua Materna, por milhões de pessoas. Esta matemática não interessa a Portugal.
Reponha-se a grafia portuguesa, regressemos à NOSSA Língua Portuguesa, e ela renascerá das cinzas, da escuridão, da vergonhosa imposição do estrangeirismo que ninguém pediu: o AO90, assente basicamente na grafia que os Brasileiros começaram a usar a partir de 1943, a mesma que aprendi, quando comecei a ler e a escrever, numa escola brasileira, aos seis anos de idade.
A decadência não está na Língua, está nos políticos que, ignorantemente, querem, porque querem, que a Língua Portuguesa desapareça do mapa. Hoje mesmo, li algures, na Internet, que quando o dito "Português do Brasil" passar a designar-se Língua Brasileira, o que é tão certo como eu estar aqui a escrever isto, em Portugal, falar-se-á e escrever-se-á o "português brasileiro". Assim mesmo.
E nisto está toda a decadência da Língua Portuguesa.
Aliás a Língua Portuguesa desapareceu da Internet.
Não interessa fundar institutos de Português, se é para ensinar o "brasileiro”, porque a Língua defendida pelo AO90, não é e jamais será a Portuguesa.
Isabel A. Ferreira

A CPLP é uma comunidade constituída por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste. O que unia estes países era a Língua Portuguesa mais ou menos uniformizada na sua essência e diversificada na sua especificidade, à excepção do Brasil, que criou uma outra língua, distanciando-se do Português, na fonética, na ortografia, na sintaxe, no léxico, na acentuação e até na semântica.
A dada altura, foi introduzida nesta comunidade de países de Língua Portuguesa, a Guiné-Equatorial, que não fala Português, mas passou a integrar (à pressão) a Língua Portuguesa (que ninguém fala) nas línguas oficiais dom país, a Castelhana e a Francesa, apenas para se entranhar na CPLP.
E Portugal, um país que se diz democrático, permitiu unir-se por laços fantasmas, a um país que vive numa terrível ditadura militar, e cujo presidente foi apontado pela revista Forbes como o oitavo governante mais rico do mundo, apesar do seu país ser considerado um dos mais pobres da Terra, e onde se usa o canibalismo como arma psicológica de guerra.
Depois temos Cabo Verde, um país aparentemente lusófono, mas onde a maioria do povo nunca deixou de falar os seus dialectos, nomeadamente o Crioulo Cabo-Verdiano, uma língua crioula, de base lexical portuguesa. Como os restantes outros países ditos lusófonos, Cabo Verde aderiu ao AO90, com bastantes benefícios para a mais importante editora local: a do escritor Germano Almeida.
No entanto, em 2017, a Língua Portuguesa passou a ser ensinada em Cabo Verde como segunda língua (língua estrangeira) e o Crioulo Cabo-Verdiano passou a ser a língua oficial de Cabo Verde. Pela lógica das coisas, Cabo Verde está fora da lusofonia.
No entanto o chefe do Estado cabo-verdiano, José Carlos Fonseca, preside a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
É bem verdade que a CPLP não gira apenas ao redor da Língua Portuguesa, gira essencialmente ao redor de negócios, onde, no entanto, também está incluída a negociata da Língua, através da qual uns tantos mercenários enchem os bolsos.
Nesta negociata do AO90, que está a destruir a Língua Portuguesa, em Portugal, e apenas em Portugal, não colaboraram Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Timor Leste. E embora São Tomé e Príncipe tivesse assinado o dito, e dito que aderiu, na verdade, naquele País, a língua mais falada e utilizada é a Língua Francesa, e percebe-se bem porquê: os seus vizinhos não são Portugueses. São Franceses.
Dito isto, que espécie de Comunidade de Países de Língua Portuguesa é a CPLP? Terá razão de existir? Há quem diga que não. E eu sou uma delas.
Portugal é um país territorialmente pequeno, mas já teve uma ALMA GRANDE. Agora não tem mais. E mais pequeno fica, quando se verga aos interesses dos estrangeiros, porque não tenhamos dúvidas: todos estes países (à excepção da Guiné-Equatorial, que nem sequer é para aqui chamada) são nossos irmãos. São. Mas até entre irmãos deve reinar a máxima: amigos, amigos, negócios à parte, para que o caldo não se entorne. Mas todos eles são fundamentalmente países estrangeiros, livres, autónomos. Com culturas próprias, riquíssimas, bastante diversificadas, incluindo as variantes linguísticas. Algo que cada país deve preservar para si próprio.
E todos, à excePção de Portugal, estão a preservar as suas culturas e a tratar da vida deles.
Portugal é o único que se está nas tintas para a sua Cultura, para a sua Língua e para a sua Identidade.
E eu, como cidadã portuguesa LIVRE, envergonho-me dos governantes que actualmente desgovernam Portugal, sem espinha dorsal. No futuro serão recordados como aqueles que optaram pelo lado errado da História. E isto é muito triste.
Isabel A. Ferreira
* Redigida em conformidade com o Acordo Ortográfico de 1990."
(Texto recebido via e-mail)

Origem da imagem: Internet
"CARTILHA DO ACORDISTA*
— Falar em abstrato em modernidade, simplificação e necessidade de mudança
— Mencionar insistentemente a lusofonia
— Dizer que querem voltar a escrever "pharmacia" [muito importante]
— Invocar Teixeira de Pascoaes e o "y" de "lagryma" e "abysmo" só para ridicularizar
— Deve escrever-se como se fala [muito importante]
— A ortografia anterior era arcaica e desatualizada
— Invocar a figura do Velho do Restelo [várias vezes]
— Com a ortografia do acordo, poupa-se espaço e deixam de se escrever letras, acentos e hífenes que não dão jeito nos teclados
— Dizer que o português é a única língua de cultura com mais do que uma ortografia [mesmo que não seja verdade]
— Se não resultar, dizer que é a única do hemisfério norte com duas ortografias [mesmo que não seja verdade]
— Referir que a língua muda constantemente
— Dizer que já houve mudanças antes e justificar tudo com isso (mesmo que o AO90 reverta por completo a Reforma de 1911 e a Convenção de 1945)
— Perante qualquer dúvida apresentada, remeter sempre para a Nota Explicativa do acordo
— Não somos donos da língua
— Angola e Moçambique estão prestes a ratificar o acordo, é uma questão de tempo [repetir de tempos a tempos]
— Acusar quem é contra de ser nacionalista, xenófobo, isolacionista, divisionista, antibrasileiro e preguiçoso [muito importante]
— Acusar a ortografia anterior de ser salazarista e do Estado Novo
— Se alguém disser que o acordo não unifica, dizer que uniformiza/harmoniza/homogeneíza
— Se não resultar, dizer que o que acordo unifica são as regras, agora num só documento
— O acordo consagra a diversidade na unidade [para confundir]
— Sem o acordo, o português de Portugal será uma língua residual, como o holandês, ou uma língua morta, como o latim
— Lançar para o ar que já toda a gente escreve com a nova grafia [mesmo que não seja verdade]
— Assinalar que só mudam 2 % das palavras [mesmo que os números variem]
— Invocar que seria catastrófico para as crianças voltar atrás [ainda que só mudem os tais 2 %; ocultar este facto neste argumento]
— Defender os erros do acordo, dizendo que nada é perfeito e que a ortografia anterior também tinha incorreções
— Perante novos erros causados pelo acordo, dizer que erros ortográficos sempre houve ou que são apenas gralhas
— O acordo está a ser aplicado sem problemas [insistir]
— Grafias duplas já havia e ninguém achava mal
— Dizer que antes já havia palavras homógrafas
— Daqui a uns anos já ninguém vai falar disto, é melhor conformarem-se
— Falar do intercâmbio cultural, das vantagens económicas e da circulação de livros [importante, mesmo que não se verifique]
— O acordo destina-se às novas gerações [pode acrescentar-se que só daqui a 10 ou 20 anos é que se vão ver os resultados]
— Com o acordo, o português irá tornar-se uma língua global, com caráter oficial na ONU [não explicar como é que isso acontecerá]
— Posso não escrever segundo o acordo, mas sou a favor
— Cumpro a lei, ninguém vai desrespeitar as regras de trânsito só porque não concorda com elas
— Ter sempre um corretor informático/automático à mão
— Quando encurralado, dizer que não se é especialista, mas que... [inventar qualquer coisa ou recorrer aos argumentos anteriores]
* Redigida em conformidade com o Acordo Ortográfico de 1990."
Fonte:
![Risos-AhAhAh[1].jpg Risos-AhAhAh[1].jpg](https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc81861dc/21346048_gtDSm.jpeg)

Foto: Agência Ecclesia
Quando ouvi Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa (não era o cidadão e católico Marcelo) jubilante, de braços estendidos a dizer que a escolha de Portugal para a Jornada da Juventude em 2022, maior acontecimento juvenil católico do mundo, foi uma vitória de Portugal, do povo católico português, vitória da Igreja Católica, vitória de D. Manuel Clemente que tanto lutou por isto, mas sobretudo uma vitória da Língua Portuguesa e da Lusofonia, PASMEI! Aquele sobretudo foi espantoso. Vitória da Língua Portuguesa? Mas que Língua Portuguesa?
Confesso que não entendi. Mas depois ouvi dizer que a escolha recaiu sobre Portugal, pela sua ligação aos países africanos de Língua Portuguesa, e não só. Então, comecei a vislumbrar uma luzinha. Ah! Ligação a países africanos onde a Língua Portuguesa é escrita e falada correCtamente. E se assim é, podemos celebrar a Língua Portuguesa, porque lá, na África, a Língua Portuguesa continua a ser a portuguesa e não a abrasileirada.
E se o Papa Francisco escolheu Portugal, SOBRETUDO por esta nossa ligação a África, e Marcelo Rebelo de Sousa entendeu que foi uma vitória da Língua Portuguesa, fico mais descansada. O que interessou a Marcelo, não foi a parte Católica, Apostólica Romana destas Jornadas Mundiais da Juventude, que reúne milhares de jovens para celebrar a fé católica, para partilhar a vivência da espiritualidade, para conhecer melhor a doutrina católica e para construir pontes de amizade e esperança entre continentes, povos e culturas. O que Marcelo viu na escolha de Portugal para esta Jornada foi sobretudo a vitória da Língua Portuguesa e da Lusofonia africana.
Quem sabe se o Papa Francisco, com esta escolha, não pretendeu enviar um recado a Portugal: atenção! A Língua Portuguesa é a africana. Não é a brasileira.
E das duas uma: a haver uma hipotética intenção papal, no sentido de celebrar a Língua Portuguesa, nesta Jornada, ou Marcelo Rebelo de Sousa não entendeu nada desta mensagem subtil do Papa, ao escolher Portugal para que Marcelo visse nisso uma vitória sobretudo da Língua Portuguesa e da Lusofonia; ou anda tão obcecado com o “negócio da Língua” que já lê Língua Portuguesa onde devia ler missão evangelizadora de Portugal em África (porque, penso eu, será essa a ligação a fazer com África, nesta escolha de Portugal para a próxima Jornada) e não a tal lusofonia. Porque lusofonia lusofónica, só em África e em Portugal.
De qualquer modo, se Marcelo Rebelo de Sousa entendeu que esta escolha do Papa Francisco constituiu a vitória da Língua Portuguesa, menos mal, porque se trata da Língua Portuguesa africana desacordizada (à excepção de Cabo Verde que já não pertence à lusofonia, porquanto a sua língua oficial é o Crioulo Cabo-Verdiano, e o Português, língua estrangeira).
O que mais dizer e pensar acerca desta tirada de Marcelo Rebelo de Sousa, numa altura em que a Língua Portuguesa está na mó de baixo?
Isabel A. Ferreira
Façamos um raciocínio e (porque não?) um juramento de sete, para um outro acordo: em vez de sete cederem a um, esse um cede a sete…
(Este meu texto está baseado na leitura deste outro texto: «Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira», de Marco Nunes Carreiro (repórter e escritor brasileiro), que pode ser lido neste link:
http://cedilha.net/ap53/?p=4096
(É preciso acrescentar que a grafia usada por Marco Nunes Carreiro (efetivo, ação, atual, janeiro, reflete, didáticos) é a que o Brasil utiliza desde 1943, quando começaram a suprimir as consoantes mudas, ou seja, a mesma que o AO90 defende, mais acento, menos acento, mais hifene, menos hifene, mais pê e cê numa ou outra palavra. E atenção! No Brasil, com o AO90, os Brasileiros apenas têm de mudar hífenes e acentuação. Nós, Portugueses, mudamos os mesmos hifenes e acentuação, e suprimimos as consoantes mudas que os brasileiros suprimiram, mas também as que os brasileiros não suprimiram), e tudo isto para UNIFICAR.)

O Juramento dos sete chefes, de Alfred Church (inspirado num episódio da tragédia de Ésquilo Os Sete Contra Tebas).
São oito os países que fazem parte da Lusofonia: Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Brasil e Timor-Leste, único país que ficou a leste do acordo. Certo?
Destes oito países lusófonos, apenas o Brasil, por motivos que já todos nós conhecemos (mas que nunca é demais repetir), ou seja, para facilitar a aprendizagem da Língua que foi escolhida para língua oficial depois da independência, em 1822 (poderiam ter escolhido uma das línguas tupi-guarani, por exemplo), com o intuito de diminuir o elevado índice de analfabetismo que então grassava no país (e que permanece até hoje, apesar de…), adoptou a estratégia simplista de suprimir consoantes mudas, atropelando a Etimologia de vocábulos que têm uma história, transformando a Língua Portuguesa numa espécie de Dialecto Brasileiro, assente nessa escrita mutilada, onde as mais básicas regras gramaticais são também atropeladas.
Ora é este Dialecto Brasileiro, designado, erradamente, por Português do Brasil, agora apelidado de AO90, que Portugal e Brasil querem, impor aos seis outros países que sempre se mantiveram fiéis à versão culta e europeia da Língua Portuguesa, e quando digo culta e europeia, não quero dizer com isto que a versão brasileira seja inculta; europeia sabemos que não é. E inculta não será, se falarmos de dialecto.
Portanto a pergunta que se faz é a seguinte: por que carga de água é que sete países têm de deixar de escrever correCtamente a Língua Oficial deles, apenas porque um país que a escreve mutilada, assim o entende, e por razões das mais absurdas, como se pode atestar no texto que escrevi sob o título «Eu acuso o governo português de tentativa de homicídio da Língua (Oficial) Portuguesa» que pode ser consultado neste link:
http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/eu-acuso-o-governo-portugues-de-42284
Então, o que proponho é que Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste se unam e, em vez de sete países, que sempre escreveram correCtamente a Língua Oficial, que faz parte da identidade desses países, passarem a escrever incorreCtamente a língua, seja o Brasil, que se desviou da matriz dessa mesma Língua, a regressar às origens e, deste modo, a Língua Portuguesa ficaria, de facto, unificada nos oito países lusófonos.
Os Brasileiros são milhões? São.
Mas são milhões a escrever incorreCtamente uma Língua que milhares (talvez também abeirando os milhões, se exceptuarmos os milhares de analfabetos ainda existentes no Brasil) escrevem correCtamente.
Não queiramos passar de cavalo para burro, que significa ficar pior do que se está, trocar o que se tem de bom por coisa pior ou descer de categoria... Neste caso, trocar uma Língua pelo dialecto de uma ex-colónia.
E diz-nos a lógica que não se deve impor a sete povos o que apenas um só povo não faz certo.
Nunca entendi esta vergonhosa subserviência do governo português a um país que não respeitou a língua que herdou de antepassados comuns. Que a desfez, desenraizando-a, apartando-a das suas origens: na pronúncia, na sintaxe, na gramática, na ortografia, no vocabulário que afrancesaram, americanizaram, italianizaram, castelhanizaram, enfim, deslusitanizaram a Língua Portuguesa, como o pretendeu o linguista Antônio Houaiss.
Sete países não podem vergar-se à vontade de um.
Sete países têm em comum uma ortografia unificada. Por que estes sete países deveriam destruir essa união, apenas para fazer o jeito a editores/livreiros e políticos brasileiros e portugueses impatriotas que apenas pretenderam encher os bolsos à custa desta negociata de dois contra seis?
Digo isto, e nunca é demasiado dizê-lo, porque a ortografia que o governo português quer impingir-nos ilegalmente não é mais do que a ortografia utilizada no Brasil, desde 1943, quando se começou a suprimir as consoantes mudas) com a agravante de desunificar mais do que unificar as duas grafias existentes, até porque os Portugueses já começaram a escrever incorrectamente, palavras que os Brasileiros sempre escreveram correCtamente, dando, deste modo, uma no cravo, outra na ferradura.
Por exemplo: recepção, infecção, concepção, espectador… Mas porquê recePção, mas adoção (âdução – é assim que se lê isto), no Brasil? Por que os Brasileiros lêem o P de recePção e não lêem o P de adoPção? Isso não é motivo, é ignorância. Assim como é ignorãncia, os subservientes portugueses escreverem “receção” (lê-se rec’ção) em vez de recePção (lê-se recéção, se bem que eu leio o P de recePção).
Que seja então como na tragédia de Ésquilo: os sete países lusófonos que sempre tiveram a língua unificada, contra o AO90, engendrado no Brasil, e que só desunifica a língua comum.
Ou não seja este acordo a verdadeira tragédia do desacordo.
Contudo há que acrescentar um detalhe: se o AO90 se engendrou a partir do Brasil, foi em Portugal que ele assentou arraiais com a união do Malaca Casteleiro (traidor da pátria) a Evanildo Bechara, os engendradores-mores do AO90, que governantes incultos de Portugal e Brasil querem impor aos Portugueses e aos restantes países lusófonos.
(Observação: este texto foi escrito sem qualquer preconceito contra o Brasil, que tenho como minha segunda Pátria, e como tal, passível de ser criticada como a minha primeira Pátria – Portugal. É que para mim, amigos, amigos, negócios à parte. Não misturo negócios (neste caso, obscuros) com o meu relacionamento pessoal com os meus irmãos brasileiros. E quem me conhece sabe disso. Quero o melhor e na mesma medida, para o Brasil tal como quero o melhor para Portugal, o meu país natal. Apenas isso. E que o Brasil mantenha o seu Dialecto como Língua oficial).
Isabel A. Ferreira
Não concordo com o Fernando Ribeiro quando diz que «o acordo ortográfico é uma ficção portuguesa». O acordo ortográfico não é uma ficção portuguesa. O acordo ortográfico é uma concertação entre Brasil e Portugal, na qual Portugal se curvou à grafia brasileira, a que decidiram chamar "acordo ortográfico de 1990". Porque a grafia preconizada pelo AO90 é a grafia brasileira que está em vigor no Brasil desde 1943. E foi por isso, que o Brasil, apesar de ter assinado a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira 1945, mandou-a às malvas, para ficar com a ortografia facilitada, que já tinham mutilado em 1943.
De resto, concordo com tudo. Concordo quando diz que o AO90 irá autodestruir-se. Ele já nasceu nado-morto. E que é inútil, é uma grande verdade. E que os outros países lusófonos estão-se nas tintas para o acordo, também é outra verdade. E que apenas Portugal está a aplicá-lo ilegalmente é outra verdade, e a verdade maior é que Portugal é o único país, da dita lusofonia, que está a fazer um papel de parvo, no meio disto tudo.
E só os parvos não vêem isto.

Origem da imagem:
Um texto de Josefina Maller

Origem da imagem: Internet
Eu não sabia o que era uma “Egrégora”. Confesso.
Contudo, quando comecei a ler um texto que me enviaram, via e-mail, não passei destas linhas:
«Se dá o nome de Egrégora à uma Força gerada por uma potente corrente espiritual e alimentada depois por intervalos regulares, segundo um ritmo, em harmonia com a Vida Universal do Cosmos, ou à uma reunião de Entidades unidas por um caráter comum.»
Recuso-me a ler textos que estejam escritos em Língua que pretende ser Portuguesa, mas falta-lhe a essência.
Em Língua Portuguesa escreveríamos:
«Dá-se o nome de Egrégora a uma Força gerada por uma potente corrente espiritual, e alimentada depois por intervalos regulares, segundo um ritmo, em harmonia com a Vida Universal do Cosmos, ou a uma reunião de Entidades unidas por um carácter comum.»
Dizem-me: «Aquele é o modo de dizer brasileiro».
Que seja. Contudo, o dizer é volátil. Ouve-se, mas não visualizando as palavras, elas deslizam pelos ouvidos, passando ligeiras, como um vento apressado, e não nos ferem os olhos.
O modo de dizer não tem fixação visual, e existem tantos modos de dizer, tantos regionalismos, que se escrevêssemos conforme falamos haveria uma infinidade de escritas. Mas uma Língua tem duas vertentes: a falada e a escrita, e para ser Língua, terá de seguir regras, que, desde que se descobriu a escrita, têm vindo a ser apuradas, acompanhando a evolução dos tempos.
Em todos os países da mal denominada lusofonia, existem milhares de modos de dizer. Se os falantes desses milhares de modos de dizer escrevessem conforme falam, não poderíamos falar de uma Língua, mas obrigatoriamente de um mistifório linguístico, babélico, a raiar o absurdo.
Fiquei a saber o que é uma “Egrégora”.
Mas esse saber deixou-me um amargo no olhar, com aquela frase onde o Português é tratado como um bastardo.
Josefina Maller
Porque (ainda) é pertinente, porque está actualíssimo, porque diz verdades indesmentíveis, porque só pelo que aqui é dito já deveríamos estar livres do monstro ortográfico que está a destruir a Língua Portuguesa, transcrevo o que Pedro Quartin Graça publicou acerca da declaração de voto que José Mendes Bota fez a 28 de Fevereiro de 2014, no Plenário da Assembleia da República.
Envergonhem-se senhores governantes, presidente da República incluído, que apesar de saberem que José Mendes Bota olhou para o AO90 com a lucidez dos sábios, passados quatro anos, ainda teimam em manter-se em silêncio, arrastando na lama o símbolo maior de uma nação – a Língua Materna.

«DECLARAÇÃO DE VOTO
Quem dá a cara merece ser elogiado
por Pedro Quartin Graça, em 28.02.14
Podia estar acomodado, calado e insensível. Prestígio internacional não lhe falta. Tampouco experiência em grandes combates. Hoje deu corajosamente a cara por mais um. Aquele que marcou, de forma triste, a sua vida parlamentar de mais de 24 anos, sempre eleito e reeleito pela população portuguesa, e pelo Algarve em particular. Na hora em que muitos, de forma cobarde, se esconderam debaixo da tradicional disciplina do voto, José Mendes Bota soube interpretar o sentir de um Povo que rejeita uma escolha política que não sufragou e com que não concorda e tudo fez para que a mesma não tivesse lugar. Merece o nosso aplauso pela luta sem fim que protagonizou juntamente com todos quantos se erguem de forma firme contra o Acordo. Um abraço José. E obrigado.
Declaração de voto do Deputado Mendes Bota a propósito da votação dos Projectos de Resolução nºs 890/XII/3ª (Ribeiro e Castro e outros) que “recomenda ao Governo a criação urgente de um Grupo de Trabalho sobre a Aplicação do Acordo Ortográfico”),965/XII/3ª (PCP) que “recomenda a criação do Instituto Português da Língua, a renegociação das bases e termos do Acordo Ortográfico ou a desvinculação de Portugal desse Acordo) e 966/XII/3ª (BE) que “recomenda a revisão do Acordo Ortográfico”
Plenário da Assembleia da República, 28 de Fevereiro de 2014 « Tenho 24 anos de actividade parlamentar – e hoje, é provavelmente o dia mais triste desse percurso, em que senti à evidência a impotência do deputado individualmente considerado.
Esta foi uma oportunidade perdida para colocar um travão, uma suspensão para pensar, num processo que está a conduzir à destruição da Língua Portuguesa, e a semear o caos ortográfico junto do povo português. Este é um processo eivado de inconstitucionalidades orgânicas e formais.
Houve um pressuposto que não se verificou: ao contrário do que se julgava, este acordo não unifica ortograficamente a Língua Portuguesa, antes pelo contrário. A questão das consoantes mudas, a questão dos hífenes, o critério, o critério das facultatividades o critério da pronúncia, e a forma como funcionam os instrumentos do VOP e do LINCE, destroem pela base o pressuposto inicial. Desunifica-se em vez de unir. Politicamente, Portugal corre o risco absurdo de chegar ao início de 2016 e ser o único país a aplicar obrigatoriamente uma ortografia que nem sequer era sua.(*)
Este é um acordo feito à margem dos povos a que se destina, que não foi pedido, nem é desejado, seja em Dili, em Luanda, em Lisboa ou em S. Paulo
Nem é necessário. A Língua Inglesa tem 20 variantes, e nunca precisou de um tratado. Tampouco o Francês, que tem 15 variantes. Como disse Adriano Moreira: «A Língua não obedece aos tratados. Não se dão ordens à Língua.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que o meu Grupo Parlamentar tivesse uma posição diferente, propus um projecto de resolução claramente no sentido da suspensão da aplicação do Acordo Ortográfico, mas a decisão foi outra – tenho que respeitar esta decisão, mas esse respeito não me obriga ao silêncio, estou num partido democrático.
Seguiu-se em Portugal a estratégia do facto consumado – perdão! Eu disse “facto”? Errado! É a estratégia do “fato” consumado, pois tenho um “LINCE” às costas, qual patrulheiro das palavras, que não me deixa falar em bom Português.
A solução hoje aqui aprovada é o mínimo dos mínimos dos mínimos, é uma solução fraca, não vinculativa, e que nada fará para inverter o rumo traçado por este estranho consenso político rendido às conveniências económicas, diplomáticas e operacionais.
Um deputado do Partido Socialista fez há dias circular um email acusando-me dc estar equivocado. Sou um ser humano, e admito que também erro, e também me equivoco.
Mas, quando olho à minha volta e vejo tantas personalidades da vida literária, cultural, política, com as quais partilho a mesma opinião, de rejeição da aplicação deste Acordo Ortográfico: Lobo Antunes e Agustina; António Barreto, Paulo Rangel e Francisco Assis; Manuel Alegre e Barbosa de Melo; Adriano Moreira e Freitas do Amaral; Maria Teresa Horta e José Manuel Mendes; Miguel Sousa Tavares e Vasco Graça Moura; Pacheco Pereira e Nuno Melo. E imensos linguistas como: António Emiliano ou Maria Regina Rocha; e os imensos milhares de subscritores da petição que hoje veio à tona do debate parlamentar, não creio estar equivocado na rejeição deste acordo ortográfico. Mas, se estiver, estou muito bem acompanhado.»
(*) Actualmente, Portugal é o único país que aplica o AO90. Os restantes países, ditos da lusofonia, incluindo o Brasil (que nunca cumpriu as convenções ortográficas assinadas com Portugal), estão-se nas tintas para este acordo.
Fonte:
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/3238687.html
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