Domingo, 7 de Janeiro de 2018

A CAMPANHA “NÃO ADÔTO” DA TVI CONDIZ COM UM LOGRO CHAMADO AO90

 

Todos (ou quase) devem ter visto as reportagens que a TVI transmitiu acerca das inacreditáveis adoPções ilegais de crianças, que se encontravam à guarda de entidades oficiais portuguesas.

 

Não é matéria deste Blog esmiuçar os contornos obscuros que envolveram estas adoPções, mas tão-só dissecar a estranhíssima palavra “adoto” (que, segundo as regras gramaticais, pelas quais se rege a Língua Portuguesa, obrigatoriamente deve ler-se adôto) que apareceu nuns cartazes que várias personalidades se prestaram a “segurar”, pronunciando mal a dita palavra que, tal como as crianças roubadas pela IURD às famílias biológicas, também se desenraizou da sua “família latina” e perdeu a identidade.

 

Todos os que seguraram o cartaz pronunciaram mal aquele “adoto”, excePto Ricardo Araújo Pereira:

 

RAP.png

 

O Ricardo foi o primeiro a aparecer segurando o cartaz.

 

A minha primeira reacção foi de descomunal estranheza. O Ricardo Araújo Pereira consentiu “segurar” um tal cartaz? Eu recusar-me-ia.

 

Porém, a segunda reacção, quase imediata, foi de um enorme alívio e admiração pela postura erecta do Ricardo, que afinal não defraudou as minhas expectativas: aproveitou a ocasião para dizer bem alto: «Eu não adoPto, com PÊ, este silêncio, como também não adoPto, com PÊ, o acordo ortográfico».

 

Ah! Grande Ricardo. É assim mesmo. Não podemos SILENCIAR o roubo de crianças, como também não podemos SILENCIAR o roubo da ortografia portuguesa.

 

Os outros, limitaram-se a segurar o cartaz e pronunciar mal a palavrinha “adoto” que, ali metida, entre o NÃO, o ESTE e o SILÊNCIO parece um vocábulo alienígena, oriundo de uma desconhecida linguagem extraplanetária. E, se no Brasil a adoPtam, por simpatia (uma vez mais) do italiano adottare, os Portugueses nada têm a ver com isso.

 

Não se esqueçam de que (e estou sempre a repetir-me, mas quando os cérebros são de pedra…), por enquanto, Portugal é um país europeu. Por enquanto.

 

Para os mal informados ou para os que optaram pela ignorância, deixamos aqui a origem da palavra adoPtar, que vem do Latim adoPtare, e todas as palavras desta família são escritas com , em Língua Portuguesa e em todas as línguas greco-latinas, à excePção da italiana.

 

Sem o , essas palavras são alienígenas e nada significam.

 

Por exemplo, lê-se nos dicionários brasileiros: «O que é adoção: A palavra adoção tem origem do latim "adoptio", que em nossa língua significa "tomar alguém como filho"».

 

Não, não significa.

Se adoção (deve ler-se adUção) significar alguma coisa, significará apenas algo que foi demasiado adoçado (adUçado) ou seja, açucarado).

 

De resto, deve escrever-se adoPtar, adoPção, adoPtivo, adoPtante, adoPtado, adoPtável, e obviamente eu ADOPTO, tu adoPtas, ele adoPta… etc.. lendo-se com o Ó aberto. Isto é Língua Portuguesa.

 

Adotar (adUtar), adoção (adUção), adotivo (adUtivo), adotante (adUtante), adotado (adUtado), adotável (adUtável), obrigatoriamente com o Ó passando ao som U, obviamente NÃO É Língua Portuguesa.

 

Não sei por quais cartilhas estudou Malaca Casteleiro (o Bob o Construtor desta absurda ortografia que estão a impingir-nos), mas não foi, com toda a certeza, pelas mesmas cartilhas que, desde o nosso Dom Diniz, rei que ordenou o uso exclusivo da Língua Portuguesa nos documentos oficiais (ao contrário dos nossos actuais políticos que escrevem pela cartilha brasileira nos documentos oficiais) todas as gerações de Portugueses desde então e até Janeiro de 2012, estudaram e pensaram a Língua, falando-a e escrevendo-a escorreitamente, excePto os semianalfabetos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:56

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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