Segunda-feira, 28 de Agosto de 2023

A mitologia lusófona

 

Por João Gonçalves

Jurista

 

 https://www.jn.pt/4802568616/a-mitologia-lusofona/

 

JOÃO GONÇALVES.png

 

Terminou ontem, em São Tomé e Príncipe, mais uma reunião da CPLP. Convém descrever brevemente o que é a CPLP. Trata-se da mundialmente famosa Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, uma espécie de “Commonwealth” de trazer por casa entre Portugal e as suas antigas colónias, mais um. Esse “mais um” é a extraordinária Guiné Equatorial, admitida ali há nove anos, a que preside, vai para 45 anos, o sr. Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

 

Em 2014, aquando da absurda admissão da ditadura do sr. Obiang, as “condições” incluíam a “promoção do português” e uma espécie de moratória para a abolição da pena de morte num país que queria integrar uma “comunidade” com alguns pergaminhos nessa matéria, pelo menos por parte da antiga potência “colonizadora” que a abolira há muito. Quanto ao português, ignoro os progressos. E a pena de morte, apesar de teoricamente abolida em Setembro de 2022, ainda consta da Constituição autóctone.

 

Se falo nisto, é porque à hora que escrevo ainda não é certo que, como desejava nomeadamente Portugal, ali representado por Marcelo e Costa, a próxima presidência da CPLP vá parar às mãos da outra Guiné, a de Bissau. O regime de Obiang estava a pressionar para ser a Guiné Equatorial, como se depreendeu da curta intervenção do seu presidente numa reunião restrita da “cimeira”. Desde 2010 que Portugal foi efectivamente “engolido” no processo de adesão da Guiné Equatorial à CPLP, não obstante a clara oposição do presidente Cavaco Silva. Angola, Moçambique e, muito provavelmente, o Brasil do sr. Lula (a sua antecessora Dilma deixou a coisa passar) são os mais proeminentes apoiantes de Obiang, apesar da natureza do regime, por causa do abençoado dinheiro e dos não menos abençoados negócios.

 

Para os devidos efeitos, aquilo é uma potência económica, fale, ensine, ou não, português como língua oficial, e elimine ou não de vez a pena de morte. Em 2014, aconteceram umas promessas de negócios com petróleo e, imagine-se, de dinheiro fresco para o Banif que se extinguiria, famosamente, no ano seguinte.

 

Dito isto, ainda falta o Acordo Ortográfico, que nós oficialmente adoptámos - e que a CPLP, como tal, não - para andar a babujá-lo por livros, escolas e órgãos de comunicação social, em modo original de libertinagem gramatical, nem carne nem peixe, enquanto os nossos parceiros, nomeadamente Angola, praticam o excelente português que herdaram antes de 1990. Já que, pelos vistos, nada se respeita particularmente na frívola CPLP, ao menos respeite-se a matriz de uma língua secular com milhões de falantes pelo Mundo fora.

 

O autor escreve segundo a antiga ortografia

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:37

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comentários:
De Samuel a 28 de Agosto de 2023 às 19:27
Apesar de tudo a que a Língua Portuguesa fora forçada a subjugar-se por parte daqueles com interesses mais pobres que qualquer coitado, no meu dia-a-dia tenho vindo a observar lentamente um ressurgimento - ou melhor, regresso - do Português correcto. Não consigo dar exemplos concretos, mas já vi muitos destes casos um pouco por todo o lado; até mesmo dentro de "grupos", digamos, que superficialmente parecem serventes.
Parece que, sem darmos por isso, de tão absortos que podemos estar CONTRA o abortográfico, este relativamente pequeno movimento tem dado luta por detrás dos bastidores - ou então as pessoas começaram a acordar para a vida!
Temo, mas ao mesmo tempo regozijo-me, que esta revolução seja como a revolta do 25 de Abril: silenciosa e controlada, sem grandes confrontos, mas definitivamente efectiva. Estamos mais próximos de saboreá-la do que pensamos.
De Isabel A. Ferreira a 29 de Agosto de 2023 às 18:54
Que todos os deuses de todos os olimpos o ouçam.

Eu ainda não vislumbrei essa luzinha. Cada vez vejo mais calinadas nas televisões e jornais. E então a falarem? É de fugir, Samuel.
De Manuel Figueiredo a 1 de Setembro de 2023 às 13:05
É, em certa medida, animador adivinhar a esperança de vitória sobre a extinção do AO90. Mas quando se toma como exemplo a "revolta do 25 de Abril" - silenciosa e controlada, sem grandes confrontos, mas definitivamente efectiva - só podemos concluir que haveria que esperar uma eternidade pelo desfecho favorável, e isso seria demasiado tarde: já não existiria a Língua Portuguesa!
De Isabel A. Ferreira a 1 de Setembro de 2023 às 14:55
É verdade o que diz, Manuel Figueiredo.

Mas vamos ter esperança de que a vitória sobre a extinção do AO90, e a devolução da Grafia Portuguesa aos Portugueses não estará longe.

Um País não se aguenta se não tiver a SUA Língua em boas condições.

O que se passa em Portugal, actualmente, é que temos uma linguagem esfarrapada, cada uma escrevê-la como bem ou mal entende, e uns governantes que rastejam vergonhosamente aos pés do USURPADOR da Língua Portuguesa.

Como disse Alzira Seixo: «Ao menos, António Oliveira Salazar SABIA escrever correCtamente a sua Língua».

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