Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020

AO90: o maior erro histórico desde a fundação de Portugal, em 1139

 

Nem o Rei mais avoado, cometeu a insensatez de estrangeirar a Língua herdada de Dom Diniz, o Rei Trovador. Nenhum dos mais incompetentes governantes republicanos jamais se rebaixou ao poder estrangeiro. Tinha de vir um socialista (José Sócrates) e um social-democrata (Cavaco Silva) já na era pós-25 de Abril (que se arma em democrata), para substituir a grafia portuguesa, pela grafia de uma ex-colónia que desprezou a língua que herdou, mutilando-a e desenraizando-a das suas nobres origens europeias.  

 

Vem isto a propósito do comentário que recebi de Sérgio Lopes, ao meu texto «(Des)concerto de Ano Novo».

 

ESCRITORES.png

 

Sérgio Lopes comentou o post (Des)concerto de Ano Novo às 00:26, 03/01/2020 :

Isabel, pode fazer chegar ao Senhor ministro mais isto, sff? https://www.ufmg.br/online/arquivos/015374.shtml

 

***

Caro Sérgio Lopes,

 

Não sei a que senhor ministro se refere. O primeiro-ministro? O dos Negócios (DOS) Estrangeiros? O da (Des) Educação? Na dúvida, faz-se chegar isto a todos. E a mais alguns.


Não sei se tudo o que lhes envio é lido por eles ou não. Alguns têm a amabilidade de me responder. Outros, não. Tenho cá para mim, que talvez leiam, quando muito, por mera curiosidade. Se lêem e levam em conta o que lhes envio, isso é outra história.

 

Mas o que lhe quero dizer, caro Sérgio Lopes, é que é devido aos “marios perinis” brasileiros que se escreve e fala tão mal no Brasil. (Atenção! E isto não é ser xenófoba ou racista, como os ignorantes gostam de me taxar. Isto é relatar um facto. Certo?).

 

Esses “marios” transformaram o que ainda chamam “Português” (porque lhes dá jeito, para parecer que têm um idioma a sério) numa linguagem que já não é a portuguesa. Nem pouco mais ou menos.



Todos os que estudam Línguas estrangeiras (Inglês, Francês, Alemão, Castelhano) estudam a GRAMÁTICA como ponto fundamental de partida para uma LINGUAGEM ESCRITA ESCORREITA, porque é a escrita (e não a oralidade) que fixa o pensamento, algo que no Brasil se perdeu por completo. Nenhum país com uma Língua Íntegra, abdica da aprendizagem da Gramática. Nenhum. E todos fixaram a Língua.

 

Apenas países, com índices elevados de analfabetismo, como é o caso único do Brasil e de Portugal, se atiram para a triste aventura de simplificar o estudo da Língua, apenas porque ao Povo, conduzido por políticas e políticos culturalmente pobres e ignorantes, não lhe deram oportunidade de desenvolverem capacidades intelectuais para uma primorosa aprendizagem. E isto só acontece no Brasil e em Portugal. Em mais nenhum país do mundo civilizado.



O Brasil abdicou do estudo do Português e da Gramática (que foram substituídos pela disciplina «Comunicação e Expressão» paupérrima em saberes), simplesmente porque está-se nas tintas para a Língua herdada do colonizador, a pedra no sapato dos brasileiros que sofrem da “síndrome do colonizado”, e apenas destes, o que os impede de avançar culturalmente, mas não só. Os “marios”, que espigam no Brasil como uma lepra, não contentes com os estragos que já fizeram no que respeita à Língua herdada do repudiado colonizador, pretendem estender esses estragos à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mas não vão conseguir.

 

São os que sofrem da “síndrome do colonizado” que suspiram por algo que nunca acontecerá: «Se tivéssemos sido colonizados pelos Ingleses seríamos os Estados Unidos da América do Sul…».  Este sonho americano dos “marios” está assente numa gigantesca ignorância. Aos “marios” da Língua juntam-se os “marios” da História que, no Brasil, é ministrada de um modo completamente pervertido, induzindo os desventurados alunos a monumentais erros, que depois espalham por aí (a Internet está cheio deles) numa lamentável demonstração de ignorância, também monumental, sobre a realidade histórica, que não pode ser sonhada, mas tão-só admitida tal como ela foi. Não podemos reescrever a História, tal como ela aconteceu. O que podemos é aprender com os erros da História, para não os repetir no futuro.

 

Lamento muito que, passados tantos anos, desde que frequentei escolas brasileiras, nada tenha mudado para melhorar o Ensino, muito pelo contrário, comprovo que tudo piorou desastrosamente.

 

O Brasil, sendo um país grande, jamais será um grande país, enquanto não aceitar o seu passado português e a História comum a todos os países colonizadores. Enquanto não aprenderem que a HISTÓRIA não se faz sobre aquilo que nós gostaríamos que tivesse acontecido, mas sobre a realidade que caracteriza cada época.


Os Brasileiros desconhecem que, de todos os povos colonizadores (Espanhóis, Ingleses, Franceses, Holandeses), os Portugueses foram os menos cruéis, os menos destruidores, os menos racistas, e os que deixaram um maior legado cultural, algo que os Brasileiros pós-1822, não souberam absorver nem valorizar, fechando-se, infortunadamente, no seu “complexo de vira-lata”, conforme lhe chamou o dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, o que os impediu de crescer.

 

Portanto, meu caro Sérgio Lopes, mandarei esta resposta ao seu comentário, a todos os ministros, para que eles próprios possam tirar ilações e escrever, ao menos, uma página sem nódoas, na nossa História Coeva, extinguindo aquele que foi o maior erro histórico, desde a fundação de Portugal.

 

É que nem o Rei mais avoado, cometeu a insensatez de estrangeirar a Língua herdada de Dom Diniz, o Rei Trovador.  Nenhum dos mais incompetentes governantes republicanos jamais se rebaixou ao poder estrangeiro.

 

Tinha de vir um socialista (José Sócrates) e um social-democrata (Cavaco Silva) já na era pós-25 de Abril, que se arma em democrata, para substituir a grafia portuguesa, pela grafia de uma ex-colónia que desprezou a língua que herdou, mutilando-a e desenraizando-a das suas nobres origens europeias.

 

Por conseguinte, meu caro Sérgio Lopes, dispensamos todos os “marios”.

 
Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:01

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comentários:
De Sergio Lopes a 6 de Janeiro de 2020 às 00:28
Cara Isabel,
O ministro que tinha em mente era o dos Negócios Estrangeiros, dado que foi dele que ouvi que o AO1990 era imutável.
De resto estou de inteiro acordo consigo. Mas vamos à luta.
Ocorre-me perguntar-lhe se teve contacto com o "nosso Mário" e traidor de se nome Malaca Casteleiro?
Votos de muitos sucessos em 2020.
Sérgio Lopes
De Isabel A. Ferreira a 7 de Janeiro de 2020 às 12:45
Caro Sérgio Lopes,

Ah! era esse ministro! Mas tudo o que escrevo envio também para ele.

Pois não me surpreende nada que esse ministro tivesse dito que o AO1990 era imutável, pois esse ministro é um ZERO a Línguas e um ZERO à esquerda a Língua Portuguesa. Além disso, para ele, o AO1990 não passa de um negócio, negociado com gente, também zeros à esquerda, no que respeita à Língua, e o que ele não sabe é que só é imutável o que é BOM, o que é MAU, como é o caso do AO90, é imutável, em qualquer parte do Universo e arredores. E não será ele que ditará o que é mutável ou imutável, numa matéria que não domina.

A vantagem dele é que os que tinham o DEVER de se chegar à frente e acabar com isto, estão encolhidos por medos inexistentes, ou acomodados, porque é mais fácil CEDER do que desobedecer com legitimidade.

E como todos sabemos, o AO90 é uma aberração, uma mixórdia ortográfica que está a causar gravíssimas deficiências no ensino em geral, e a “fabricar” analfabetos funcionais, uma vez que é um meio de fixação do pensamento, e insistir nessa aberração faz parte de mentes anquilosadas, e não de mentes abertas.

O AO90 é uma daquelas coisa MUTÁVEIS a olho nu. E acabará por cair, porque “Deus suporta os maus, mas não eternamente” (Miguel de Cervantes dixit). É como uma fruta podre no galho. O AO90 é algo tão podre, tão podre, que cairá, mais dia, menos dia. Contudo, entretanto, os pingos da podridão do AO90 já deixaram nódoas na aplicação da Língua, que vão ter de ser bem “raspadas”, até desaparecerem.
De Laura Borelli Cabral a 5 de Junho de 2020 às 11:43
Ficar de braços cruzados e ficar a destilar veneno na internet não adianta. Já se passaram dez anos e nada de Portugal voltar atrás com o AO90.

O mundo está mudando e precisamos encontrar uma forma genérica para as duas variantes é uma desvantagem continuarmos assim no mercado de softwares.

A maioria dos estrangeiros procuram o português brasileiro para aprender a falar. Os padres jesuítas que adaptaram o idioma depois que Marques de Pombal proibiu a pronunciação de qualquer outro idioma que não fosse o português. E anos mais tarde Getúlio Vargas proibiu que os imigrantes europeus e asiáticos famintos, depois da segunda grande guerra, falassem outro idioma além do português.

Lembre-se: a língua é um organismo vivo em constante mudanças.
De Isabel A. Ferreira a 7 de Janeiro de 2020 às 14:50
Sérgio Lopes, respondendo ainda à sua questão: não, nunca tive contacto com esse que é um dos maiores traidores de Portugal (pois será este o epíteto com que ficará para a História): o “mario” Malaca Casteleiro.


Também lhe desejo um óptimo 2020, se bem que, segundo as previsões de abalizados vaticinadores, este será um ano muito, muito difícil para o nosso Mundo.

Mas para a Língua Portuguesa ele tem tudo para ser o ano da sua libertação, dos calabouços, onde gente, sem o mínimo sentido de Estado e sem a mínima inteligência activa, a mantém cativa.

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