Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2026

Artigo do novo Provedor do Leitor do jornal PÚBLICO, a fazer a apologia do AO90, é um insulto à inteligência dos Portugueses Pensantes, pois os argumentos que apresenta para o justificar não têm o mínimo fundamento linguístico

 

Como foi possível o PÚBLICO chegar a este patamar tão básico?

A quem o novo Provedor do Leitor do PÚBLICO anda a fazer o frete?

 

PROVEDOR PÚBLICO.PNG

Os meus caros leitores façam o favor de atentarem nos comentários que se fizeram ao artigo  Um provedor infiltrado na aldeia de Astérix, da autoria do jornalista João Garcia:


Henrique Lopes Valente (publicado no PÚBLICO):

  • O texto do novo Provedor do Leitor parte de um equívoco estrutural: confunde norma jurídica com qualidade linguística, e facto consumado administrativo com legitimidade cultural e científica. O Acordo Ortográfico de 1990 não é consenso científico nem linguístico; é um instrumento político-administrativo profundamente contestado desde a sua origem.
  • Não compete ao Provedor legitimar uma opção ortográfica que o próprio jornal nunca assumiu como linha editorial, nem reescrever retroactivamente a identidade do PÚBLICO, que sempre foi — e é reconhecido como — o último grande órgão de comunicação social português a preservar uma escrita cuidada, historicamente informada e não submissa ao AO.
  • A invocação da “realidade” e da “inevitabilidade” não é argumento: é retórica de desistência. A História da língua portuguesa mostra precisamente o contrário — resistências fundamentadas, pluralidade normativa e evolução orgânica, não decretada.
  • O argumento pedagógico é particularmente falacioso. A escola não é critério de verdade linguística, nem o jornalismo existe para simplificar artificialmente a língua em nome de um suposto facilitismo geracional. Um jornal forma leitores; não os infantiliza.
  • A comparação com variações regionais (Minho/Algarve, oralidade, léxico local) é intelectualmente desonesta: não se comparam variações vivas e naturais com uma amputação ortográfica artificial, imposta por via política e sem adesão efectiva da comunidade científica.
  • A sugestão de que a ortografia anterior é “formalmente ultrapassada” é factualmente falsa. Essa ortografia continua plenamente válida, funcional, ensinável e utilizada em múltiplos contextos académicos, literários e editoriais — em Portugal e fora dele.
  • A defesa do “aviso” nos textos escritos sem AO é, em si mesma, um acto de estigmatização. Implica que a escrita correcta e historicamente consolidada carece de justificação, enquanto a escrita acordizada não.
  • O PÚBLICO não é — nem deve tornar-se — mais um jornal indiferenciado. A sua credibilidade construiu-se, entre outras coisas, por não ceder a modas, pressões administrativas ou consensos artificiais. Abdicar disso é abdicar de uma parte essencial da sua identidade.
  • Enquanto assinante, leitor e cidadão, deixo claro: cancelarei imediatamente a minha assinatura caso o PÚBLICO adopte o Acordo Ortográfico de 1990 como norma editorial ou caso este Provedor se mantenha em funções sem uma clarificação inequívoca da sua posição nos próximos três meses.
  • Um jornal é para os leitores. E muitos leitores do PÚBLICO escolheram-no precisamente por não trair a língua que escrevem, pensam e defendem.

 
***

Maria José Abranches (publicado no PÚBLICO):

«Uma vergonha! O "Público", de que sou assinante há anos, 'um jornal que se respeita e nos respeita'- a começar porque respeita a Língua de Portugal, na sua ortografia correcta e legal - ousa optar por um provedor cuja primeira intervenção é desfigurar a Língua nacional, que suporta o jornal, e defender a imposição política ilegítima e ilegal do AO90 ao país! Fui professora de Português e sei o que significa a sua língua, para qualquer povo que se preze. A submissão da nossa ortografia às opções brasileiras, destruindo a nossa identidade europeia e a nossa origem latina, é um atentado à democracia que devemos ao 25 de Abril e um insulto a Camões: «A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.» -V. G. Moura"

Maria José Abranches (publicado no Público):

"Estatuto do Provedor", sobre a relação de "confiança dos leitores": «Essa relação de confiança é o capital mais precioso do PÚBLICO, tal como o seu estatuto editorial reconhece quando afirma: o "PÚBLICO é responsável apenas perante os leitores, numa relação rigorosa e transparente, autónoma do poder político e independente dos poderes particulares".» Esta adopção intempestiva do indefensável AO90 é um insulto à 'confiança' que o "Público" tem mantido com os seus leitores. Ant. Emiliano: «Falar da ortografia portuguesa, um bem que levou 700 anos a estabilizar-se, como se fosse coisa pouca,[...] e falar de uma mudança ortográfica como de uma simples alteração cosmética do sistema linguístico padronizado de uma nação multissecular [...] é simplesmente não se saber do que se está a falar.»


***

Do Facebook enviaram-me os seguintes comentários ao artigo:
 

Tradutor João Roque Dias:

 

«O aborto ortográfico, coisa de doidos vendida e comprada por políticos também doidos, falhada em toda a linha, continua a incomodar os acordistas. Este, que é agora provedor no Público, é mais um deles. O Malaca justificava a sua nefasta obra com a violência imposta às crianças de sete anos por terem de escrever as consoantes mudas portuguesas. Este, o provedor, está muito incomodado porque as crianças das escolas, que nem o aborto ortográfico sabem aplicar, porque nem o governo, nem os professores também não sabem, podem ler um jornal sem as malaquices dos doidos.»

 

Ex-bastonário da Ordem dos Advogados Luís Menezes Leitão:

LUÍS MENESES LEITÃO - PÚBLICO.PNG

https://www.facebook.com/fseixasdacosta/posts/pfbid02zCd3FFtdgb9pUYCnaWCvaZcDHDbg8UVF4SfsjL3KybgDHuWZg8hNLe2zUgNSHKXKl?comment_id=1369903607574470

Comentário de A. E. QUEIROZ.PNG

***

E aqui está uma amostra muito significativa do que deve ser dito sobre o artigo.

Faço minhas as palavras destes comentadores.

Eu nunca quis ser assinante do PÚBLICO, porque nele, já há bastante tempo, havia sinais de que isto poderia vir a acontecer, estavam no Público/Br; nos artigos acordistas, na ausência de respostas às acções levadas a cabo pelo Grupo Cívico de Cidadãos Portugueses Pensantes, enfim...

E tanto quanto me é dado a saber, o PÚBLICO perderá os seus assinantes, quase todos desacordistas, caso o jornal ceda à ignorância acordista.  

 

***

 

Depois de uma pausa, e de regresso ao Planeta Terra, deparo-me com um mundo virado do avesso, sem perspectiva alguma de racionalidade, e o que nos resta é o GRITO que nos sai da alma.

Estamos nas mãos de gente da mais doida que existe, insana, completamente desvairada, o que não augura nada de bom. É por estas e por outras que há muito deixei de festejar a chegada do Ano Novo, porque o ano nunca é novo, é simplesmente a continuação do ano velho, para pior.

 

Nesta luta que parece inglória contra o AO90, que nos impinge a grafia dos fracos, dos servilistas, dos menos instruídos, dos apátridas, dos ignorantes optativos, dos que não têm coluna vertebral, dos desinformados por opção, dos comodistas, dos acomodados, dos que não cumprem a Lei vigente, dos que se estão nas tintas para Portugal,  aqui incluídos os governantes portugueses,  presidentes da República, e agora também o Provedor do Leitor do PÚBLICO, há que ter em conta que jamais a ignorância medrou em terreno fértil. Enquanto houver Portugueses a defender o seu Património Linguístico, que ao contrário dos que dizem que só os velhos é que defendem (muito se enganam!) a Língua Portuguesa estará a salvo e salvar-se-á, em nome da Lei. É necessário apenas que sejamos persistentes e tenhamos a força das águas...

Por exemplo, nenhum professor é obrigado, por Lei (porque essa lei não existe) a ensinar incorrectamente o Português aos seus alunos. Se optar por cumprir a Lei vigente, usa a grafia de 1945, e ninguém pode penalizar o professor, porque aos professores acenam-lhes com a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) que não faz lei, tratando-se apenas de uma “recomendação”, e eles nem sequer se dão ao trabalho de ver que “recomendação” não significa “ser obrigado”.     

É preciso não desistir da luta e mostrar aos alunos a VERDADE.
Nenhum professor será digno de o ser ao enganar os seus alunos, ao ponto de andar a impingir-lhes uma grafia que não pertence à sua Língua Materna.

Eu espero que o Ano 2026 seja o ano da morte do AO90, o acordo mais PARVO alguma vez gerado no mundo.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:03

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comentários:
De Octávio dos Santos a 8 de Janeiro de 2026 às 18:05
Nuno Pacheco publicou hoje um artigo em resposta ao novo Provedor do Leitor do Público:

https://www.publico.pt/2026/01/08/opiniao/opiniao/ortografia-lanca-romana-aldeia-gaulesa-2160182
De Isabel A. Ferreira a 10 de Janeiro de 2026 às 15:20
Já publiquei o artigo.
Obrigada, Octávio dos Santos.

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