Ontem, publiquei neste Blogue o texto Montenegro quer ser o coveiro da Língua Portuguesa. E da Dinamarca, onde está radicado o meu amigo Fernando Kvistgaard, chegou-me o lamento transcrito mais abaixo, por ser também o meu lamento e o lamento de milhares de Portugueses na diáspora, por sabermos todos que o nosso País está a caminhar para o abismo, nas mãos dos irresponsáveis que foram eleitos, NÃO para pugnar pelos interesses de Portugal, mas SIM pelos interesses dos estrangeiros.
Fernando Kvistgaard sente-se profundamente humilhado e decepcionado. E o que mais custa, é ver que estão a destruir a Língua Portuguesa, a Língua que une os Portugueses, dentro e fora de Portugal, a Língua que identifica os Portugueses, a Língua que é o Pilar do Saber e do Pensamento do Povo Português.
Terão os governantes portugueses o direito de humilhar e decepcionar, desde modo tão ilógico, os cidadãos portugueses, sobretudo os que estão fora do País? O que de mal fazem ao País, fazem-no também aos que, longe dele, o sentem como um colo materno, quando a saudade bate à porta da alma.
Não, não têm esse direito.
Isabel A. Ferreira

Lamento de um cidadão português que se despede da sociedade portuguesa com tristeza.
O que veio a lume no Blogue de sábado, 15 de Novembro, sobre como os políticos portugueses tencionam abastardar mais uma vez a Língua portuguesa, chocou-me de tal maneira que, pela primeira vez me sinto humilhado em ter nascido em Portugal, e descender de um povo outrora glorioso, que lutou pelos valores nacionais.
Nasci em Santarém em 1941 onde aprendi, através das lições de História dadas pelo único professor – ex-jesuíta – que conseguiu atear em mim a chama do interesse pela História e a sentir orgulho e respeito pelo passado.
A certo ponto, até vim a sentir-me privilegiado pela minha cidade berço. Quando me senti confortável com o parco domínio da Língua Francesa, passei os meus tempos livres na loja do Turismo, onde tive oportunidade de servir de guia turístico a turistas franceses. Com o que agora me veio ao conhecimento tudo se desvaneceu, entristeceu, revoltou.
Enquanto vivi em Portugal, sempre ouvi dizer que Portugal estava 40 anos atrasado, comparado com outros países mais desenvolvidos. Comecei a viajar pela Europa depois dos 18 anos de idade e, triste, constatei a veracidade de tal observação. Traduzindo-a, vejo a imagem de quem chega tardiamente à estação de caminho de ferro, e corre desesperado ao lado do comboio sem conseguir entrar na carruagem; mas antes a vê distanciar-se sem a esperança de, alguma vez, poder entrar nela.
Portugal, a meu ver, é como um feudalismo que se arroga o título de democracia, onde o povo deixou de pensar, mas segue o carneiro da frente do rebanho com destino ao abismo. A elite é presidida pelo chefe que dá beijinhos a torto e a direito e se expõe disponível a “selfies”. Estranho que ainda ninguém notou que ‘O Rei Vai Nu’ segundo a história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
Com esta gota que fez transbordar o somatório das decepções, despeço-me da ‘sociedade portuguesa’ antes que a nave se afunda.
Um abraço amigo de um decepcionado,
Fernando
PS: é com receio de mais decepções que, no entanto, vou acedendo ao Blogue.
***
Nota: quanto a ninguém ter notado que «O Rei Vai Nu», como na história do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, tenho a dizer que eu fui uma das que notou, e até já escrevi algo sobre isso, num texto algures, neste Blogue. (Isabel A. Ferreira)
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