Quinta-feira, 15 de Setembro de 2022

Diferenças lexicais entre a Língua Portuguesa e a sua Variante Brasileira

 

De tanto se escrever errado, o erro passará a ser correcto?

 

Uma coisa é evolução natural da Língua. Outra coisa é a sua destruição.  E outra coisa é a sua variação.


Sabemos que, no Brasil, existiu (e ainda existe), uma corrente, iniciada por Antônio Houaiss, o enciclopedista libanês, de quem Millôr Fernandes (jornalista e escritor brasileiro) dizia que «conhecia todas as palavras da Língua, só não sabia juntá-las», a qual deslusitanizou a Língua Portuguesa intencionalmente, para a afastar das sua raízes greco-latinas, o que viria a dar origem ao Acordo Ortográfico de 1990, também engendrado por Houaiss, ao qual se juntou Malaca Casteleiro, para ajudar à missa. Tudo o que fosse português Houaiss modificava, inventava, americanizava, puxava ao Português antigo, para se distanciar da Língua de Portugal. Uma mania como outra qualquer que, contudo, teve consequências absolutamente desastrosas para a NOSSA Língua.

 

Ando a elaborar uma espécie de dicionário (para já é uma lista) de palavras que o Brasil fez questão de diferenciar do léxico Português, deslusitanizando-o, tendo algumas das palavras, introduzidas nesse novo léxico brasileiro, um significado completamente diferente do original.

 

É uma pequena amostra dessas diferenças lexicais que proponho nesta publicação.

 

Paulo Franchetti.jpeg

 

O léxico brasileiro está a negrito. São palavras e expressões que encontro, por aí, nos falares e nos escritos  brasileiros.


Isabel A. Ferreira



Liberar/libertar

Ímã/íman

Seriados/séries

Embutidos/enchidos

Caminhão/camião

Caminhonista/camionista

Touros de briga/Touros de lide

Nos hospitais as ambulâncias tomam e largam doentes/nos hospitais as ambulâncias recebem e deixam doentes

Comentarista/comentador

Tomar um carro de aluguel/Apanhar um táxi

Conosco/connosco

Umidade/humidade

Pausar/parar

Empossamento/tomada de posse

Bitucas de cigarros/ponta de cigarros, beatas

Cotidiano/quotidiano

Fechamento/encerramento

Porcentagem/percentagem

Alvejante/branqueador

Parada cardíaca/paragem cardíaca

Chapéu papal/solidéu

Acessar/aceder

Fato/facto

Psicodélico/psicadélico

Mensurar/medir

Covarde (coward)/cobarde

Estórias em quadradinhos/histórias aos quadradinhos/banda desenhada/BD

Tampar/fechar

Recorrer para a justiça/recorrer à justiça

Cargos de vereança/cargos de vereação

Breque/travão

Sacola véia/sacola velha

Viralizar/ornar-se viral

Ambientalizar/ambientar

Planizava/planeava

Clinicar/exercer clínica

Câmara filmadora/câmara de filmar

Vai-se no médico/vai-se ao médico

Virada do ano/passagem de ano

Coalizão/coligação

Câmeras/câmaras

Eu te preciso/eu preciso de ti

Beija eu/beija-me

Eu lhe amo/eu amo-te

Te amo/amo-te

Eu te gosto/eu gosto de ti

Para eu/para mim

Irã/Irão

Estadunidense/norte-americano

Terno/fato

Banheiro/quarto-de-banho

Gestando/gerindo

Câncer/cancro

Gestar/gerir

Chutou as flores para o cesto/atirou as flores para o cesto

/não é

Oi/olá

Pet/animal de estimação

Friezzer/congelador

Sorvete/gelado

Registrar/registro/registar/registo

Mar do Caribe/Mar das Caraíbas

Caribe/Caraíbas

Parabenizar/felicitar

Israelense/israelita

Estrelar (um filme)/protagonizar? 

Apenado/condenado

Estoriador/ou historiador

Poloneses/polacos

Pausar/fazer pausa

Deletar/eliminar

Panaca/panasca

Galera/pessoal (grupo de pessoas)

Parada de ônibus/paragem de autocarro

Guris/crianças

Geladeira/frigorífico

Café da manhã/pequeno-almoço?

Aquele trem é horrível/aquela coisa é horrível

Trem/combóio

Cidade litorânea/cidade do litoral

Cassino/casino

Bala/rebuçado

Grama/relvado

Grama/relva

Bilhão/Bilião

Torcida/adeptos

Enquete/questionário

Escanear/digitalizar

Estresse/stress

Esporto/desporto

Ganhador/vencedor

Balé/ballet

Espírito natalino/espírito natalício

Campesinos/camponeses

Festejos natalinos/festejos natalícios

Missivista/pessoa que leva ou escreve missivas (cartas)   

Ducha/duche

Planejar/planear

Bonde/eléctrico

Mídia/média

Time/equipa

Copa (do mundo)/taça  

Amsterdã/Amsterdão

Cafifa/papagaio de papel

Enterramento/enterro

Conscientização/consciencialização

 Apoiadores/apoiantes

Buzinaço/buzinão

Chefe da ONU (Guterres)/Director-Geral da ONU

Acessar/ter acesso a

Detento/detido

Concreto/betão

Rifle/espingarda

Cromossomo/cromossoma

Sutileza/subtileza

Sutil/subtil

Traslado do coração/trasladação do coração

Fabricação/ou fabrico

Conscientização/consciencialização

Apuração/apuramento

Maquiagem/maquilhagem

Exterior/estrangeiro

Zumbi/zombie

Esse/este

Em uma/Numa

Cachorro/cão

Mouse/rato

Tela/ecrã

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:10

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comentários:
De Joana a 19 de Setembro de 2022 às 11:55
Bom dia Dona Isabel!
Espero que se encontre bem.

Tenho mais algumas diferenças léxicais para adicionar à sua lista, juntamente com dois reparos. Penso que covarde, ainda que seja pouco utilizado, ainda exista em Portugal, como acontece com: oiro/ouro, toiro/touro. Nunca ouvi ninguém dizer histórias aos quadradinhos, mas sim banda desenhada (BD).
Outros exemplos: sutil/subtil, te amo/ amo-te, Irã/Irão, súdito/súbdito, maquiagem/maquilhagem, exterior/estrangeiro, zumbi/zombie, sobrenome/apelido, esse/este, Em uma/Numa, cachorro/cão, mouse/rato, tela/ecrã, abacaxi/ananás, resfriado/constipação, xícara/chávena, carpatos/atacadores.
Embora existam algumas diferenças léxicais dentro do nosso próprio país e nas PALOP.s, não é na quantidade que existe no Brasil
O que se fala no Brasil já diferenças suficientes para ser uma língua diferente, a qual teve origem na língua portuguesa.
Um amigo brasileiro disse-me que na escola não existe o tu nem o vós é a referência é o dialecto de São Paulo. No entanto, já ouvi vários brasileiros (inclusive nas telenovelas brasileiras) dizerem coisas como : tu ouviu? Tu é burro! Outras vezes, usam o discurso todo em você mas utilizando palavras exclusivas dum discurso com tu, por exemplo: contigo (consigo não existe no Brasil), te amo, me dá em vez de dê-me. Escrevem Meus pais em vez de Os meus pais, por exemplo.

Isto não acontece no português falado e escrito nas PALOP.s e em Timor. Além disso, uma criança portuguesa que esteja diariamente a ver artistas angolanos, por exemplo, não vai falar com sotaque nem usar vocabulário exclusivo do português de Angola (equivale a uma criança lisboeta ouvir constantemente alguém do Porto ou dos Açores a falar), ao contrário do que acontece quando ouvem brasileiros (é semelhante ao que acontecia quando uma criança portuguesa vi o cartoon network em inglês no meu tempo, aprendia inglês).
O que se fala no Brasil já devia ser chamado de língua brasileira e não língua portuguesa.

De Isabel A. Ferreira a 20 de Setembro de 2022 às 15:58
Boa tarde Joana.

Eu estou bem. Obrigada. Espero que a Joana também esteja.

Agradeço os seus reparos e os seus acrescentos.

O termo coBarde, vem do francês “couard”, que nós, portugueses, aportuguesámos para “coBarde, com bê. A palavra coVarde também existe, mas são os brasileiros que a usam, porque a americanizaram de “coward”.

Quando à designação “histórias aos quadradinhos” está correcta, e era deste modo que no meu tempo de criança se dizia. O uso da designação Banda Desenhada apareceu muito depois, e hoje já ninguém diz “histórias aos quadradinhos”, assim designada porque as histórias eram desenhadas em quadradinhos. E BD ou “histórias AOS quadradinhos é exactamente a mesma coisa. Os brasileiros dizem isto de um modo diferente, o que não significa que esteja errado. É simplesmente um outro modo de dizer, que NÃO é o nosso.

Acrescentei algumas das diferenças que mencionou, porém, abacaxi é um termo que vem do tupi-guarani, e é uma variedade de ananás do Brasil. E o ananás é um fruto tropical que tem várias espécies. E dizem que há diferenças entre um abacaxi e um ananás. Eu não os distingo.

Nós por cá também dizemos resfriado, que é sinónimo de constipação.

Não encontrei o termo “carpatos” para designar atacadores.

Existem algumas diferenças lexicais até dentro do nosso país como estrugido/refogado, porém são sinónimos. Mas na lista que apresento não há sinónimos, mas sim diferenças que nos conduzem para um outro tipo de linguajar.

Concordo consigo: o que se fala e escreve no Brasil já não é Língua Portuguesa, mas uma língua que se originou a partir da Língua Portuguesa. Daí que tenha de ser chamada Brasileira.

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