comentários:
De Jorge Pacheco de Oliveira a 27 de Março de 2022 às 14:09
Há dias, numa conversa entre amigos, surgiu o problema do “para” e do “pára”. Embora nenhum dos elementos do grupo fosse adepto do AO90, um deles levantou uma questão curiosa.

Dizia ele que palavras como “cara” e “tara” são lidas com acentuação na primeira sílaba sem necessitarem de nenhum acento agudo.

Por sinal, percorrendo o abecedário para a primeira letra encontram-se mais como “jara”, “mara”, “rara”, “sara” e “vara”…

Por que razão não acontece o mesmo com “para” ? Será apenas porque, sem acentuação na primeira sílaba, nenhuma das outras palavras desta forma tem significado?

Se assim é, seria oportuno usar estas construções para justificar a necessidade de distinguir "para" e "pára" com um acento agudo na forma verbal.

Cumprimentos
Jorge Pacheco de Oliveira
De Isabel A. Ferreira a 27 de Março de 2022 às 18:12
Senhor Jorge Pacheco de Oliveira o problema do “para” e “pára” é que “para” é uma preposição e também prefixo; pára é uma forma do verbo parar, e também é um prefixo: pára-quedas; pára-brisas.

Os acentos como também os hífenes e os sinais da pontuação existem para simplificar a leitura, tornando mais perceptível o que se pretende dizer.

As outras palavras que referiu não têm similares.

Vou dar-lhe um exemplo, se eu disser: “nada para Putin”, o que quererei eu dizer? Que nada pára Putin, ou que [não há - subentendido] nada para Putin?

Todos sabemos que o AO90 foi engendrado por Antônio Houaiss, o enciclopedista brasileiro-libanês, para quem a Língua Portuguesa nada dizia. E todos sabemos também que os Brasileiros ABREM todas as vogais (à maneira do Castelhano, enão do Português), não precisando de sinais diacríticos (acentos, ou as consoantes cê e pé) para as abrir.

Logo, para os engendradores do AO90, a preposição “para” lê-se “párá” tal como pára do verbo parar.

Por que é que se acentua pôr (verbo) e não se acentua por (preposição)?

Existem algumas palavras às quais se retiraram os acentos, ERRADAMENTE.

Por exemplo: VEDE (do verbo VER) e VEDE (do verbo vedar?)

Se eu disser: VEDE aquele muro. O que estarei a dizer?
É imprescindível o acento circunflexo em VÊDE do verbo VER.

Conclusão: a acentuação é importante, para não andarmos às aranhas para perceber o que queremos dizer.

Outro exemplo: PARA PARA PENSAR PARA ENTENDERES.
De Daniel a 27 de Março de 2022 às 23:57
Acho que deveriamos escrever "diccionário" como em "dicção"
De Isabel A. Ferreira a 29 de Março de 2022 às 12:15
Penso que o tem toda a razão, Daniel. Afinal, “dicção” e “diccionário”” têm a mesma raiz latina: “dictio”.

Ainda existem muitas incongruências na Grafia de 1945, porém, nada que se compare com as incongruências absurdas que o AO90 introduziu no Português, recuando de Língua, para Variante da Língua.

E poder-se-ia aperfeiçoar ainda mais a Língua Portuguesa, NÃO mutilando as palavras, como preconiza o AO90, que assenta na grafia brasileira, mas repondo a etimologia das palavras, nas quais, sem motivo algum do foro linguístico, foi retirada.

Outra maneira de simplificar a grafia de 1945, seria pronunciar TODAS as consoantes, ditas mudas, por exemplo, seCtor, afeCto, direCtor, arquiCtecto, teCto, excePto, recePção, etc., etc., etc., como, aliás se pronunciam nas restantes línguas europeias.

Em vez de se desenraizar as palavras, mantinha-se a sua origem, pronunciando-se as consoantes duplas, que têm uma função diacrítica, e todos, até os ACORDISTAS ADULTOS, os ÚNICOS que não conseguem PENSAR a Língua, escreveriam correCtamente, sem qualquer dificuldade, as palavras, e sem precisarem de ir buscar ao léxico da Variante Brasileira da Língua Portuguesa, as palavras que o Brasil mutila desde 1943, para diminuir o analfabetismo, que aliás continua elevadíssimo no Brasil.

Saiba-se que as palavras afeto, setor, diretor, arquiteto, teto, e todas as outras palavras mutiladas pertencem ao LÉXICO brasileiro, NÃO, ao léxico português.

Há que fazer a Língua Portuguesa regressar às suas origens, e as suas origens não estão no Brasil, mas em Portugal.

Comentar post