comentários:
De Susana Bastos a 25 de Julho de 2020 às 18:38
«A única concessão que o Brasil fez foi no trema»

Isto é uma mentira factual. Ou então é ignorância pura, mas não faltam informações na Internet. Só não as lê quem não quer. Não foi só o trema, foi o acento circunflexo em palavras como "vôo" e "enjôo" e o acento agudo em palavras como "idéia" e "assembléia". Depois, houve mudanças que afectaram os dois países, como a queda dos acentos diferenciais (como em "pára"), dos circunflexos em "crêem", "vêem", etc. e a supressão de hífenes em inúmeras palavras.
Todas estas mudanças são altamente contestadas no Brasil, menos as consoantes mudas, pois eles já não as usavam, mas há um manancial de palavras em que eles as conservam e nós tirámos. Portanto, não se diga que o AO90 é a ortografia do Brasil imposta a Portugal, pois factualmente não é, é antes uma mixórdia que não agrada nem a Brasileiros nem a Portugueses. Só unidos podemos derrotar este monstro.
De Isabel A. Ferreira a 27 de Julho de 2020 às 10:49
Susana Bastos, dizer que «a única concessão que o Brasil fez foi no trema» NÃO é uma mentira factual. É simplesmente um modo de dizer que para o Brasil as modificações que o AO90 impôs foi o trema (que eles tinham como uma preciosidade, daí a ênfase) e alguns acentos, como vôo, enjôo, idéia, assembléia… Isto e mais uns poucos hífenes. De resto, a grafia ficou IGUAL para os Brasileiros. O que mudou, no Brasil, foram alguns acentos e hífenes. SÓ. E isto é que é o FACTO, que o autor do comentário ao dizer o que disse quis enfatizar. Porque a supressão do trema fez TREMER o Brasil. E apenas por isso, os Brasileiros mais letrados se incomodaram com o AO90.

Nós, Portugueses, além dos acentos e hífenes (exceptuando o trema que já não usávamos) temos uma infinidade de vocábulos mutilados, desenraizados, sem qualquer significado no mundo das Línguas românicas, e se a isto juntarmos o que o Brasil escreve bem (excePto, recePção, infeCção etc.) e os acordistas portugueses, e apenas os portugueses, escrevem mal (exceto, receção, infeção, etc.) temos que o AO90 só veio criar mais “variedade” do que união.

Susana Bastos, o AO90 é a grafia brasileira (mais acentos, menos acentos, mais hífenes, menos hífenes) IMPOSTA a Portugal ilegalmente. Isto é um FACTO e não há como desmenti-lo.

E em nome de uma unificação LUNÁTICA se destrói uma Língua, das mais ricas e belas do mundo (segundo os linguistas estrangeiros). Nisto, Portugal ficou mal na fotografia. É tido, pela imprensa internacional, como o único país do mundo que se deixou colonizar pela ex-colónia, através da Língua, uma vez que não podiam colonizá-lo de outro modo. E os que sofrem do complexo de pequenez (políticos e quejandos) desprestigiaram-se no mundo, graças a este servilismo pacóvio. Até os Brasileiros o dizem. Segundo sei, eles continuam a usar o trema e todos os acentos que lhes retiraram, e os hífenes também.
Apenas os portuguesinhos complexados e servilistas é que aplicam estas “regras” desregradas fabricadas por ignorantes. Daí a urgência de mandar às malvas esta parolice. E isto está mais nas mãos do Brasil, do que de Portugal. Isto também é um facto.
De Susana Bastos a 27 de Julho de 2020 às 20:57
Se os Brasileiros também estão contra esta aberração, como é que o AO90 é a grafia brasileira, já pensou nisso? Creio que existe aí um grande erro de análise. Repito: só juntos, Portugueses e Brasileiros, podemos derrotar este monstro, até porque estamos do mesmo lado da barricada.
De Isabel A. Ferreira a 28 de Julho de 2020 às 14:30
Susana Bastos, por favor, PENSE. PENSE.

Eu sei do que falo, porque aprendi a escrever, no Brasil, à moda do AO90 (exceptuando os acentos e os hífenes que o AO90 veio modificar). Aprendi a grafia que o Brasil, unilateralmente, adoPtou (no Brasil escreve-se adotou) – o Formulário Ortográfico de 1943, rejeitando a Convenção Ortográfica de 1945, que o Brasil assinou, mas rejeitou mais tarde.

Os Brasileiros são contra a aberração que o AO90 representa APENAS por causa dos acentos e dos hífenes. A restante “grafia”, ou seja, a supressão dos pês e dos cês, onde eles são absolutamente essenciais (para nós, mas não para eles) e que eles suprimiram e que o AO90 EXIGE, é grafia BRASILEIRA: setor, diretor, adotar, adoção, afeto, aspeto, e todas as outras palavrinhas sem sentido para os PORTUGUESES, mas NÃO para os Brasileiros, onde se suprimiram os pês e os cês. À excePção de excePção e seus derivados; infeCção e seus derivados, recePção e seus derivados, e demais vocábulos (uns poucos) que os Brasileiros escrevem bem, e os Portugueses escrevem de um modo básico, primário, a roçar o analfabetismo.

Aqui não existe nenhum erro de análise. Existe um FACTO, mais do que comprovado, por quem tem um cérebro a funcionar em pleno, e conhece a VARIANTE BRASILEIRA da Língua Portuguesa, tanto quanto conhece a Língua Portuguesa. E não pense a Susana que sou só eu.

E eu repito: nós não estamos do mesmo lado da barricada. Isto é uma falácia. Aparentemente parecemos estar. Mas não estamos.

Os Brasileiros são os únicos, dentre os restantes povos lusófonos, que só têm a ganhar se Portugal ceder à pretensão de se fixar na GRAFIA BRASILEIRA.

Lembre-se de que para eles é uma questão apenas de acentuação e hifenização.

Para nós é TUDO: acentuação, hifenização, grafia, identidade, dignidade e tudo o resto.

Aconselho a Susana Bastos a estar mais atenta ao que por aí se escreve a este respeito: a grafia preconizada pelo AO90 é a GRAFIA BRASILEIRA, mais pês, menos pês, mais cês, menos cês, e mais hífenes e acentos, menos hífenes e acentos. Os Brasileiros apenas tiveram de ceder em poucos acentos e poucos hífenes. De resto ficou tudo na mesma. Aliás ficou tudo igual, porque eles NÃO aplicam o AO90. Só os servilistas portugueses, e apenas os portugueses, o aplicam.


O AO90 só se mantém devido à FALTA DE INFORMAÇÃO que por aí grassa. Os meios de comunicação social SERVILISTAS estão proibidos de INFORMAR a este respeito. E se não fosse essa desinformação, o AO90 há muito que já tinha dado o berro.

Informe-se, Susana Bastos. Informe-se. No meu Blogue, mas não só, há muita informação. Não se fie na desinformação oficial.
De Susana Bastos a 29 de Julho de 2020 às 02:20
Agradeço, mas estou muito bem informada sobre este assunto. Conhecer o inimigo é dominá-lo. Recomendo-lhe a conhecida análise da professora Maria Regina Rocha que demonstra que, na questão das consoantes mudas, passaram a escrever-se mais palavras de forma diferente entre Portugal e o Brasil do que antes. Isto demonstra que o AO90 não é a grafia brasileira. "Aspecto", por exemplo, que refere, continua a escrever-se assim no Brasil, só nós mudámos. Bem, que se destrua este monumento à ignorância, será bom para os dois povos.
De Isabel A. Ferreira a 29 de Julho de 2020 às 15:39
Vai desculpar-me, Susana Bastos, mas devo dizer-lhe que NÃO ESTÁ muito bem informada sobre este assunto. Não está. Se estivesse, não diria que a ortografia preconizada pelo AO90 não é a brasileira. Pois se ela é ESSENCIALMENTE a brasileira! Não é outra.

Pois se o O objectivo foi precisamente esse: uma pretensão lunática de unificar as DUAS ortografias que existiam: a brasileira e a portuguesa, com supremacia para a brasileira, até porque (dizem) eles são MILHÕES, e foi por causa desses MILHÕES que os nossos políticos, que sofrem de um gigantesco complexo de inferioridade, cederam a essa pressão.

No Brasil, as consoantes suprimidas continuam a ser as mesmas. Em Portugal, as consoantes suprimidas são TODAS as que o Brasil suprimiu em 1943, excePto, umas excePções pontuais. O grosso do vocabulário mutilado é BRASILEIRO. E só não vê isto quem não quer ver, e pretende continuar DESINFORMADO, que é o seu caso, Susana Bastos.

Quanto à análise que a Professora Maria Regina Rocha fez, demonstra apenas que na questão das consoantes mudas passaram-se a escrever UMAS POUCAS palavras diferentemente do Brasil. Umas poucas. Em vez da unificação, criou-se umas poucas (serão uma dúzia) de palavras diferentes das do Brasil, onde se inclui a excePção. POUCAS.

Relembre aqui o que diz a Professora:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/maria-regina-rocha-no-coloquio-191754

E aqui veja o negócio do acordo ortográfico, em que, na sua génese, está a GRAFIA BRASILEIRA:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-negocio-do-acordo-ortografico-172469

Todos sabemos disto.

Por que teima a Susana Bastos em dizer que o AO90 NÃO ESTÁ assente na grafia brasileira? Tem algum motivo especial para teimar nesta falácia?
De Susana Bastos a 29 de Julho de 2020 às 20:06
O que relatei são factos, não é nenhuma falácia. Mas a colagem do AO90 à grafia brasileira, sim, é uma falácia e que não ajuda nada à luta contra esta aberração. Atente no que diz a professora Maria Regina Rocha: «Esta última situação é a mais aberrante: são 200 as palavras inventadas, que não existiam e passam a ser exclusivas da norma ortográfica em Portugal.» Não, não é uma dúzia, como refere.
De Isabel A. Ferreira a 30 de Julho de 2020 às 16:08
Susana bastos é uma FALÁCIA dizer que o AO90 NÃO ESTÁ assente na grafia brasileira. É óbvio que está. Repito.

Como também é óbvio que este (des)acordo introduziu no léxico português as palavras em que os brasileiros pronunciam os cês e os pês (a tal dúzia, mais coisa menos coisa, MAIS TODAS as suas derivações, que poderão chegar aos tais 200) e que os portugueses NÃO PRONUNCIAM. Daí o vergonhoso grupo de palavras/mostrengos que envergonha a racionalidade de qualquer ser humano que fale e escreva em Língua Portuguesa.

E ainda há a ter em conta as facultatividades.
Vou repetir: o AO90 está assente na grafia brasileira, com vergonhoso desvio de Portugal, para uma grafia que nem é brasileira, nem portuguesa, nem coisa nenhuma: exceto, receção, etc.

Isto é que é O FACTO, Susana Bastos.

Não aceitar isto é tentar justificar a aplicação, À CEGUINHA, do AO90, por quem o devia REJEITAR: professores, jornalistas e escritores acordistas, ou seja, TODOS os que têm a Língua Portuguesa como seu instrumento de trabalho. E se aceitassem isto, há muito que o AO90 estava atirado ao lixo.

Mas não, continuam a negar o óbvio, ou seja, que o AO90 não assenta na grafia brasileira. E enquanto isto não for encaixado por quem o aplica, não sairemos deste impasse. Continuarão a ser coniventes com o que convém ao Brasil: que o Português passe a ser brasileiro.

Veja neste link, o que diz o historiador Rui Ramos (que é a mais pura verdade):

«O Acordo Ortográfico é, entre nós, a última manifestação de um paroquialismo colonial que se voltou contra si próprio: não podendo aportuguesar o Brasil, vamos abrasileirar Portugal.»

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-imperio-ortografico-253891

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