Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

«EUGÉNIO LISBOA E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO»

 

Texto de Rui Baptista publicado a 20 de Janeiro de 2019, no Blogue DE RERUM NATURA (A Natureza das Coisas):

https://dererummundi.blogspot.com/2019/01/eugenio-lisboa-e-o-novo-acordo.html?fbclid=IwAR17K5ZsDQ69nluBfSWOlUE8XSqBr9FM5aVDqzdeWU8GZJdHpaD27ZofOpY

 

EUGÉNIO.jpg

 

«Com dedicatória amiga, recebi, dias atrás, o último livro de Eugénio Lisboa, intitulado “APERTO LIBRO”, personalidade da vida literária portuguesa de um longo e prestigiante acervo biográfico e obra literária.

 

Neste seu livro, já em Outubro de 1986, tendo passado, entretanto, muita água debaixo das pontes (e quanta haverá de passar mais?), criticava Eugénio Lisboa o Novo Acordo Ortográfico com o texto extraído da supracitada obra (página 100) que se transcreve imediatamente abaixo numa altura em que a solução deste imbróglio corre o risco de se estender por mais anos pela prática bem portuguesa de deixar correr o marfim deixando para amanhã o que pode (e deve!) ser feito hoje:

 

«Novo acordo ortográfico – idiota e completamente fútil. Pretende-se uma ‘unificação’ à qual os factos vão, necessária e melancolicamente, dizer não. Esta ânsia de acordo a todo o custo, de mais um acordo, descontados os casos dos que se perduram nele ou para darem nas vistas ou para fazerem umas viagens à custa do contribuinte, pode também ter que ver – quem sabe? – com a angústia de se ter perdido um império e o acordo passar a ser uma espécie de compensação. Anda muita gente à procura de um ‘quinto império’ qualquer. De resto, como já tenho observado, alguma da nossa esquerda anda transcendental, ocultista, irracionalista e bandarrista. E fútil. De tanto querer ser ‘imparcial’, acaba por aceitar o inaceitável. Em Portugal, hoje em dia, quase ninguém faz aquele esforço continuado, concentrado e articulado, que antigamente dava pelo nome de pensar. Hoje, as pessoas preferem dizer coisas giras, coisas que dão nas vistas. Quanto mais surpreendem ou ultrajam a razão razoável, melhor. E há sempre dois ou três intelectuais, com alguma responsabilidade, para darem corda a este relógio».

 

Como diria Pessoa, deixemos no bengaleiro a inclinação de discutir os assuntos. O acordo ortográfico está mais do que discutido. Falta, apenas, dar-lhe um enterro condigno para não apodrecer em vala-comum, como mais uma ‘boutade’ nacional, em que o estudo da origem latina e grega do nosso léxico atapeta o chão das causas perdidas com folhas outonais que desbotaram o verde da esperança!»

 

Rui Baptista

 

Porque considero esta página de grande utilidade para todos os desacordistas, que se recusam a comprar livros acordizados, passo a incluir nos meus textos do Blogue esta preciosa informação:

PORTUGUÊS DE FACTO - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de Livros em Português CorreCto, permanentemente actualizada:

https://www.facebook.com/pg/portuguesdefacto/posts/?ref=notif

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:05

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