Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019

NOS CANAIS DE TELEVISÃO, PARA ALÉM DO AO90, REINA O ESPÍRITO DA IMITAÇÃO BACOCA

 

O que pretendo demonstrar com o que aqui apresento hoje, é que nos canais de televisão servilistas portugueses, não se limitam a aplicar ilegalmente a grafia brasileira, ou seja, o AO90. Começaram já a introduzir outros brasileirismos, para além dos vocábulos mutilados, e de uma acentuação e hifenização completamente obtusas.

 

E das duas uma: ou a legendagem está estrategicamente entregue a cidadãos brasileiros, para que garantam que a língua seja a Brasileira, ou os portugueses decidiram êscrêvê à brasileira, numa imitação muito bacoca, para além do exigido pelo AO90.

 

Então vejamos a amostragem seleccionada:

 

BAGUNÇA.jpg

 

A palavra BAGUNÇA é brasileira (de origem duvidosa) e significa desordem, confusão, em Língua Portuguesa. No Brasil, “bagunça” também significa máquina de remover aterro. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

 

PARABENIZAR.jpg

 

 

A palavra PARABENIZAR é brasileira, e significa dar os parabéns a, felicitar, congratular, saudar, em Língua Portuguesa. O que é que isto tem a ver com Portugal? Nada.

Ver mais neste link:

AO REDOR DA PALAVRA “PARABENIZAR"…

 

RIFLE.png

 

A palavra RIFLE significa espingarda em Língua Portuguesa, e vem do Inglês rifle, e que os Brasileiros preferiram usar, em detrimento da palavra portuguesa espingarda, que é como em Portugal se diz.

 

VIRA.png

 

Em Língua Portuguesa, o verbo VIRAR tem vários significados, mas apenas no Brasil tem o significado que a legenda lhe dá: transformar-se em.

 

DIZER A VOCÊ.png

 

Em Portugal, esta legenda pode escrever-se de dois modos, dependendo do grau de relação entre as personagens: se se tratam por tu, escrever-se-á: tenho uma coisa para dizer-te; se se tratam com cerimónia: tenho uma coisa para dizer-lhe.

Em brasileiro falado: “Eu tênhu úmá côisá párá djizê à vôcê”.

 

VAGÕES.png

 

Neste caso, não era um vagão (do Inglês wagon) que, em Língua Portuguesa, significa veículo que circula sobre carris, especialmente destinado ao transporte de mercadorias. Era sim, uma carruagem de passageiros, a que se referia a notícia, no entanto, usaram a palavra vagão que, no Brasil, tem um significado mais alargado: é cada um dos carros de um comboio ferroviário, utilizados no transporte de mercadorias, animais ou passageiros.

 

Em Portugal os passageiros viajam em carruagens. Em vagões transportam-se mercadorias e, infelizmente, também animais vivos.

 

PINGUINS.png

 

O trema é um sinal ortográfico (¨) usado para indicar que certas vogais não formam ditongo com a vogal anterior. Em Língua Portuguesa, o trema era utilizado nas vogais átonas -i- e -u- e foi (a meu ver, infelizmente) suprimido depois do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945, antes do qual se escrevia, por exemplo saüdade .

 

Porém, no Brasil, o trema continuou a usar-se, e muito bem, e só foi hipoteticamente suprimido com o AO90 (porque no Brasil apenas os acordistas o suprimiram), o que traz, e muito naturalmente, os restantes Brasileiros tão importunados, como os Portugueses desacordistas com a parvoíce da supressão do acento em pára do verbo parar. Porque para os Brasileiros, ter acento ou não ter acento, tanto faz, porque eles abrem o A, em pára (verbo) e em para (preposição).

 

E isto tudo para dizer que em Portugal, em Língua Portuguesa, escreve-se Pinguins sem trema, e no Brasil, com trema. Contudo, fica-nos a dúvida: ou este grupo carnavalesco, da minha terra (Ovar) é escrito com trema, para imitar a grafia brasileira, ou por ser um grupo que integra um carnaval quase 100% à moda do Brasil.

 

CONFECCIONADOS.png

Pois a Lagoa da são e os “peixes mais confeccionado” até pode ser gralha, ou então aquele pavoroso desleixo com que agora se trata a Língua, mas bem podia ser um fraseado à brasileira, como eu te preciso, beija eu, eu lhe amo, nós vai, ou aquele super-irritante para eu, com que o Gmail nos atira à cara, nos e-mails.

 

***

 

Bem, os exemplos são às centenas. Esta foi uma pequena amostra, da invasão da Língua Brasileira, em Portugal. Os canais de televisão servilistas, filmes e séries e documentários na TVCINE e outros canais da NOS estão cheios de legendas escritas tipicamente à brasileira, na acentuação (econômico, atômico), na grafia, na sintaxe, no vocabulário, enfim, fica-nos a quase certeza de que as legendas são escritas por Brasileiros. Se são Portugueses que as escrevem, então, são uns paus-muito-mal-mandados.

 

E, tal como milhares de Portugueses, também me questiono: por que será que todos os (des)governantes olham para o lado quando se trata de reverter esta caótica situação? Esta anormalidade? Poderá ser possível que no contrato desta parceria público-privada (entre o Estado e as editoras) constem cláusulas de indemnização às editoras, caso o AO90 seja anulado? Que outro motivo poderá haver? O da irreversibilidade, por as crianças não conseguirem reaprender a escrever correCtamente a sua Língua Materna, depois de lhes ser ensinado a escrevê-la incorreCtamente?

 

Consulte-se os Pedopsicólogos. As crianças têm uma capacidade superior à dos adultos, no que respeita à aprendizagem. Mais difícil será pôr os professores a reaprenderem o que andaram anos a ensinar correCtamnente.

 

Foi um (des)governo do PS que pôs o AO90 em prática. Seguiu-se outro (des)governo, do PSD/CDS, no qual os líderes, enquanto na oposição eram contra, passaram a defender o AO90 ao chegarem ao "poder". Formou-se depois mais outro (des)governo, liderado por um antigo elemento do (des)governo que impôs o AO90 à população. Claro que o actual primeiro-ministro não iria contra as decisões que ele próprio havia apoiado enquanto ministro. O actual (des)governo tem na sua composição partidos que eram opositores do primeiro (des)governo "socialista", mas apesar disso, um deles (o BE) até adoptou o AO90, e o outro (o PCP) faz de conta que não percebe o que aconteceu!

 

Por vezes digo que nisto há muita ignorância por parte dos políticos. Mas não, aqui além da ignorância da Língua e muita distracção, há, também, muita, muita corrupção e traição.

 

Tudo isto acontece com a conivência de quem nos (des)governa. Infelizmente, para eles, a Língua Portuguesa não é prioridade!

 

O grande problema é sermos desgovernados por traidores. Que os Brasileiros se queiram impor é um problema deles, e estão no seu direito, mas que quem nos deveria defender ceda aos interesses dos estrangeiros é que já é um problema nosso.

 

Tal como muitos intelectuais e linguistas brasileiros, e porque conheço bem a Língua que aprendi no Brasil, sou defensora de que o Brasil mude o nome da sua língua para Língua Brasileira. É que se o vão fazer (como é certo e seguro, todos o sabemos) que o façam já, pois este é o momento certo. Brasil acima de tudo!

 

Se o Brasil mudasse oficialmente (porque oficiosamente já circula por aí, na Internet) o nome da Língua para Brasileira, a Língua Portuguesa não ficaria mais pobre, pelo contrário, haveria, até, de se manter mais rica. Porque empobrecida ficou ela agora, com a imposição ilegal do AO90.

 

Com essa mudança não haveria necessidade de "uniformizar" o que não tem uniformização possível, e jamais será uniformizado.

 

O tempo vai passando, e dado o vergonhoso desleixo a que está votada a Língua Portuguesa, as novas gerações "lusitanas” a quem os (des)governantes não dão oportunidades em Portugal, irão interessar-se muito mais pelo Inglês, Língua de Comunicação Internacional, do que por um Português que nem é carne nem é peixe, mal-amanhado, desenraizado, empobrecido, menosprezado, desrespeitado... 

 

E é como disse Marcos Bagno, um dos mais importantes linguistas do Brasil, numa entrevista, que hei-de transcrever neste Blogue: «Essa ideia de que existe uma coisa chamada “lusofonia”, com vários países de Língua Portuguesa é uma bobagem»…

 

E que BOBAGEM! Acrescento eu, concordando, em absoluto, com Bagno.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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comentários:
De Paola a 6 de Fevereiro de 2019 às 21:17
Sou brasileira, falante da língua portuguesa e espero que meus esclarecimentos sejam levados em consideração. Primeiramente, posso garantir que no "brasileiro" falado não existe "coisá", nem "umá" e, sim, "côisa" e "úma". Em segundo lugar, são raros os livros e outros escritos que levam trema atualmente, somente as encontramos em publicações mais antigas, anteriores ao último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Em terceiro lugar, quero esclarecer que não existe diferença na pronúncia do "para" verbo e do "para" preposição, porém também gostaria que houvesse a distinção na grafia. Apesar de tais equívocos, acho seus pontos de vista interessantes, apesar do tom desrespeitoso em relação ao falar brasileiro.
De Isabel A. Ferreira a 7 de Fevereiro de 2019 às 16:53
Cara Paola,

Agradeço o seu comentário, que me mereceu toda a consideração, até porque servirá para desfazer equívocos.

Naturalmente, a Paola, como brasileira culta, pronunciará “coisâ” e “umâ” com vogais fechadas, como na pronúncia portuguesa. Ou pronuncia Á ou pronuncia Â. Contudo, o brasileiro comum, pronuncia “umá” e “coisá” com o A aberto (não acentuado). Acentuei os vocábulos na transcrição fonética. O acentuado é apenas para (pârâ – pronuncia portuguesa) demonstrar que aquele A é aberto. Veja: “êu áprendji à fálá e à êscrêvê nú Brásiu”. Com vogais abertas. Sempre. E com “djis” e “tchis”; mas conheço brasileiros, que pronunciam os tês e os dês, à portuguesa, e o L final de BrasiL. E o R final de escreveR e de falaR.

Pois sei que no Brasil, actualmente, apenas os que se renderam ao acordo ortográfico, não usam o trema. Os Brasileiros em geral, USAM o trema. Ainda. Porque o AO90 no Brasil não está em vigor, tal como não está em Portugal e em parte alguma.
Quanto à pronúncia de pára (verbo) e para (preposição), em Portugal pronuncia-se párâ (verbo) e pârâ (preposição). No Brasil em ambos os casos os “ÁS” são abertos. Ou vai dizer-me que pronuncia a preposição PARA com os “ÁS” fechados - “ÂS” pÂrÂ? O PÁRA perdeu o acento com a introdução do catastrófico AO90.

Em Portugal, quem não perdeu o juízo, escreve PÁRA (verbo).

Para finalizar, peço à Paola que especifique onde eu uso um tom desrespeitoso em relação ao falar brasileiro.

Penso que estará muito equivocada. Eu já falei brasileiro. Considero o falar brasileiro uma doçura. Não tenho nada contra o falar brasileiro, tal como não tenho nada contra o falar francês, o falar inglês, o falar italiano, o falar castelhano, o falar português. São todos falares que pertencem a países diferentes.

O Brasil já não é território português, como o era antes de 1822. O Brasil agora é uma potência estrangeira. O Brasil distanciou-se substancialmente do Português. E assim como existem muitos que criticam a introdução no nosso Português de anglicismos e galicismos, também criticamos a introdução de brasileirismos, porque na realidade nós temos o nosso vocabulário. O Brasil tem o dele.

Nada contra o Brasil. Tudo pelo Brasil. Desde que cada um fique com a sua Língua. Não concorda, Paola?

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