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De Paola a 6 de Fevereiro de 2019 às 21:17
Sou brasileira, falante da língua portuguesa e espero que meus esclarecimentos sejam levados em consideração. Primeiramente, posso garantir que no "brasileiro" falado não existe "coisá", nem "umá" e, sim, "côisa" e "úma". Em segundo lugar, são raros os livros e outros escritos que levam trema atualmente, somente as encontramos em publicações mais antigas, anteriores ao último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Em terceiro lugar, quero esclarecer que não existe diferença na pronúncia do "para" verbo e do "para" preposição, porém também gostaria que houvesse a distinção na grafia. Apesar de tais equívocos, acho seus pontos de vista interessantes, apesar do tom desrespeitoso em relação ao falar brasileiro.
De Isabel A. Ferreira a 7 de Fevereiro de 2019 às 16:53
Cara Paola,

Agradeço o seu comentário, que me mereceu toda a consideração, até porque servirá para desfazer equívocos.

Naturalmente, a Paola, como brasileira culta, pronunciará “coisâ” e “umâ” com vogais fechadas, como na pronúncia portuguesa. Ou pronuncia Á ou pronuncia Â. Contudo, o brasileiro comum, pronuncia “umá” e “coisá” com o A aberto (não acentuado). Acentuei os vocábulos na transcrição fonética. O acentuado é apenas para (pârâ – pronuncia portuguesa) demonstrar que aquele A é aberto. Veja: “êu áprendji à fálá e à êscrêvê nú Brásiu”. Com vogais abertas. Sempre. E com “djis” e “tchis”; mas conheço brasileiros, que pronunciam os tês e os dês, à portuguesa, e o L final de BrasiL. E o R final de escreveR e de falaR.

Pois sei que no Brasil, actualmente, apenas os que se renderam ao acordo ortográfico, não usam o trema. Os Brasileiros em geral, USAM o trema. Ainda. Porque o AO90 no Brasil não está em vigor, tal como não está em Portugal e em parte alguma.
Quanto à pronúncia de pára (verbo) e para (preposição), em Portugal pronuncia-se párâ (verbo) e pârâ (preposição). No Brasil em ambos os casos os “ÁS” são abertos. Ou vai dizer-me que pronuncia a preposição PARA com os “ÁS” fechados - “ÂS” pÂrÂ? O PÁRA perdeu o acento com a introdução do catastrófico AO90.

Em Portugal, quem não perdeu o juízo, escreve PÁRA (verbo).

Para finalizar, peço à Paola que especifique onde eu uso um tom desrespeitoso em relação ao falar brasileiro.

Penso que estará muito equivocada. Eu já falei brasileiro. Considero o falar brasileiro uma doçura. Não tenho nada contra o falar brasileiro, tal como não tenho nada contra o falar francês, o falar inglês, o falar italiano, o falar castelhano, o falar português. São todos falares que pertencem a países diferentes.

O Brasil já não é território português, como o era antes de 1822. O Brasil agora é uma potência estrangeira. O Brasil distanciou-se substancialmente do Português. E assim como existem muitos que criticam a introdução no nosso Português de anglicismos e galicismos, também criticamos a introdução de brasileirismos, porque na realidade nós temos o nosso vocabulário. O Brasil tem o dele.

Nada contra o Brasil. Tudo pelo Brasil. Desde que cada um fique com a sua Língua. Não concorda, Paola?
De Carlos Gonçalo a 7 de Abril de 2021 às 23:53
Muito bem dito.

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