De Paulo Martins a 20 de Agosto de 2018 às 01:51
Cara Isabel Ferreira, tenho vindo a seguir o seu blogue de algum tempo a esta parte. Saúdo o seu esforço e admiro a sua militância pela nossa língua portuguesa, que tem sido tão maltratada por políticos imbecis, e académicos? mentecaptos como Malaca Casteleiro, Telmo Verdelho, etc., que conceberam e defendem este AO90 aviltante e abjecto.
Embora já tenha tido vontade de manifestar esta opinião, não o fiz porque tanto quanto me é possível deduzir pelo conteúdo das suas publicações, não é adepta da ideia mas, aproveitando este post deixo então esta minha opinião ainda que lhe possa parecer descabida ou pior: a única forma, ou pelo menos a melhor maneira de ultrapassar os constrangimentos e o caos ortográfico trazido pelo AO90 (Anormalidade Ortográfica) é o regresso à "orthographia etymológica" anterior à reforma de 1911 (com congruentes alterações). Bem sei que pode parecer obtuso, mas desde 1911, a língua portuguesa tem vindo a ser despojada de uma enorme riqueza, e a ser depauperada continuamente até chegarmos a esta desilusão. Chega de descaracterizar a nossa língua. Julgo que seria a maior homenagem que poderíamos fazer a Fernando Pessoa e ao legado de tantos escritores portugueses. EU QUERO ESCREVER COMO SE ESCREVIA ANTES DE 1911.
Considero que com o AO 90 chegámos a uma categoria distinta de uma reforma ortográfica: o crime linguístico e cultural que tem denunciado incansavelmente! Daqui para a frente só falta acabar com a Língua Portuguesa e passar a chamar-lhe língua brasileira. Se nada for feito, lá chegaremos. Julgo que esta atitude radical acabaria com qualquer veleidade de voltar a cometer tamanho delito mascarado de reforma ortográfica.
A língua do Brasil já é distinta do Português há muito tempo e nada vai alterar isso. Deixem a língua brasileira seguir o seu próprio caminho, diferente da língua portuguesa, para o bem de todos nós, e acabem com os delírios megalómanos de afirmar que o português é falado por 250 milhões de pessoas.
Para terminar, saúdo a sua publicação, contudo, não deixa de ser bizarro da parte de Rui Ramos ter escrito esta diatribe incoerente, ainda que em 2015, pois este aderiu ao AO90, e o Observador, que R.R. co-fundou e onde escreve não poupa genuflexões ao horrendo AO90 desde que surgiu.
Bem haja.
De Isabel A. Ferreira a 23 de Agosto de 2018 às 16:28
Agradeço a gentileza das suas palavras.
Quanto à sua opinião no que respeita ao regresso à "orthographia etymológica" anterior à reforma de 1911, obviamente, não posso concordar. Seria um retrocesso tão nocivo quanto o ilegal Acordo Ortográfico de 1990.
A Língua Portuguesa evoluiu com a reforma de 1911. Foi perfeita? Não foi.
A Língua Portuguesa evoluiu ainda mais com a reforma de 1945 (ainda vigente). Foi perfeita? Também não foi. Mas podemos aperfeiçoá-la, sem a retalhar.
Não concordo quando diz que «desde 1911 a língua portuguesa tem vindo a ser despojada de uma enorme riqueza, e a ser depauperada continuamente até chegarmos a esta desilusão. Chega de descaracterizar a nossa língua». Porque o que tem vindo a acontecer à Língua Portuguesa desde 1911 é uma normal evolução, sem a descaracterizar. Quem a descaracterizou foram os Brasileiros, a tal ponto que criaram um dialecto, distanciado da Matriz greco-latina. A reformas de 1911 e 1945 redesenharam a escrita, sem a desenraizarem. Não vejo qualquer problema em grafar “ortografia etimológica”” em vez de “orthographia etymológica””, porque a pronúncia mantém-se, e apenas se substituiu os fonemas gregos, pelos correspondentes latinos, que fazem parte do Alfabeto Português. Também no que respeita ao U e V e consoantes duplas, escrevia-se SVPPLICAÇÃO, ma temos a letra U, para o som U, e ao retirarmos um P, a palavra continuou a ler-se suplicação, com o mesmo significado. Simplificou-se a grafia, mas a essência da palavra manteve-se.
Por isso, aqui houve evolução, sem deturpar. Sem descaracterizar.
O de 1945, seguiu os mesmos critérios, e simplificou-se mais no que respeita à acentuação, que não ficou perfeita, e, claro, existem algumas incongruências. Porém, nada que nos leve à descaracterização.
Portanto, discordando da sua opinião: a única forma, ou pelo menos a melhor maneira de ultrapassar os constrangimentos e o caos ortográfico trazido pelo AO90 não será retroceder na grafia, mas começar a ler todas as consoantes MUDAS. A única forma de resolver isto, e uma vez que o que está em causa no AO90 é a mutilação das palavras, é pronunciar os Cês e os Pês, onde eles são mudos: faCtor, direCtor, percePção, recePção, excePto, etc., etc., etc... Esta é a maneira mais simples de resolver a mixórdia ortográfica que anda por aí. E claro recuperar os acentos e os hífenes, onde eles foram retirados, e voltar ao trema, e a outros vÔos.
Quanto ao que diz sobre a língua brasileira, concordo com o senhor.
Fiquei, no entanto, muito surpreendida com o que diz do Rui Ramos. Desconhecia, por completo, essa baldeação dele. A ser verdade, não tem personalidade própria e será um bom pau-mandado. E obviamente, merece o meu repúdio.

Não leio o Observador, por ser um jornal que escreve mal. Prefiro o PÚBLICO. Mas vou confirmar o que diz.
Por fim, dada a balbúrdia que por aí vai, com cada um a escrever conforme lhe dá na telha, o senhor tem todo o direito de regressar à “orthographia etymológica” (repare: na mesma palavra o som I escrito de dois modos: um, à grega, outro, à latina)
Muito obrigada, por este seu comentário.
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