comentários:
De Susana Bastos a 3 de Maio de 2019 às 00:19
Não concordo... No Brasil fala-se e escreve-se português, a prova disso é que é possível ler esse texto do princípio ao fim sem se poder afirmar que não é português. Trata-se apenas de uma variante com especificidades próprias, como acontece com as variantes do inglês e de outras línguas. Simplesmente não é possível afirmar que existe uma língua brasileira, essa posição só se compreende por razões políticas ou outras, não por razões estritamente linguísticas. Qualquer linguista sério o dirá. Quem sabe daqui a alguns séculos se possa formar outra língua, mas agora não.
De Isabel A. Ferreira a 3 de Maio de 2019 às 11:55
Susana Bastos, tem tanto direito discordar de mim, quanto eu tenho de discordar de si.

No Brasil fala-se mais brasileiro do que português, sabe porquê? Porque é o único país do mundo lusófono, cuja pronúncia se distanciou substancialmente do Português falado nos restantes países lusófonos. Apenas no Brasil se fala como se fala, com djis e tchis e iu, por L (Brásiu, pápéu); come-se os érres finais (cômê por cumêr, bêbê por b’bêr, (confundindo-se com o nosso bebé), abre-se as vogais (à espanhola). E por aí fora, desde o analfabeto ao mais ilustre. Quando um brasileiro fala ninguém diz que ele é angolano ou é português. Quando um angolano fala, ninguém diz que ele é brasileiro e poderá ser português. E isto é que marca a diferença.

Quanto à escrita: este texto foi escrito por um professor universitário, culto, que se limitou a grafar determinadas palavras à brasileira, pois foi assim que aprendeu, tal como eu aprendi, e seguiu regras gramaticais que no tempo dele existiam, e agora não existem mais, e a sua construção frásica (tirando uma ou outra, como por exemplo: «O Acordo é um ato lesivo a nosso património», nós dizemos «acto lesivo AO nosso património») não se distanciou da construção frásica portuguesa, daí termos essa percepção (que no Brasil continua a ser percePção e em Portugal, parvamente, “perceção”, só porque eles pronunciam o PÊ e nós não, mas isso não é motivo para mutilar as palavras, desenraizando-as.

Contudo, a generalidade dos Brasileiros, o brasileiro comum não entende o nosso Português, daí que os editores brasileiros, queiram que nós, escritores portugueses, escrevamos à brasileira, porque os brasileiros não entendem o nosso Português. Daí as legendas e dobragem nos nossos filmes e novelas e nas entrevistas dadas por portugueses.

O que se fala e escreve no Brasil até pode ser uma variante do Português, mas não a compare ao Inglês porque nenhuma ex-colónia inglesa se distanciou substancialmente da Língua Inglesa, bem como os países de expressão castelhana não se distanciaram substancialmente da Língua Mãe, como o fizeram os Brasileiros.

É preciso ter em conta que os Brasileiros mutilaram o Português, e castelhanizaram, americanizaram, afrancesaram, italianizaram a Língua Portuguesa, em suma, desaportuguesaram o Português, daí podermos falar em outra língua, uma língua assente na Língua Portuguesa, mas outra língua.

Um linguista sério dirá isto mesmo.

E encurte esses séculos, Susana Bastos. Esse futuro já começou, começou ontem.

E não sei qual o motivo de tanto prurido em aceitar que o que se fala e escreve no Brasil possa ser Língua Brasileira. Temos alguma pretensão de continuar a colonizá-los a esse ponto? Ou pretenderá Portugal ser colonizado linguisticamente, aceitando, como aceitou à ceguinha, grafar à brasileira, distanciando-se da sua raiz europeia?

Conhece o léxico brasileiro? Sabe quantas palavras eles desaportuguesaram? Tantas que dá para falar em outra língua. Para não falar no “para eu”, “beija eu”, “vou no médico”…


Uma Língua é uma Língua, não é para desconstruir.

Esta desconstrução linguística entre Portugal e Brasil é caso único no mundo. Em nenhum outro país jamais isto aconteceu. E tudo isto por causa da não aceitação de um passado, que não pode ser alterado, por muito que se queira ou se faça.
De Batista a 16 de Junho de 2020 às 00:01
Concordo plenamente consigo.
Não percebo porque é que os brasileiros ficam ofendidos quando alguém lhes diz que eles falam brasileiro?.
Eu no entanto sinto amargura quando em qualquer site ou aplicação do telemóvel procuro o idioma português e em vez que ter a bandeira portuguesa a representar, tem a brasileira.
Sou a favor dos brasileiros assumirem a própria língua e que o governo português desista de alterar o acordo ortográfico, como se estivessem desesperadamente a tentar manter o mínimo de ligação entre Portugal e Brasil.
De que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo quando na realidade referem-se ao português brasileiro??
De Isabel A. Ferreira a 16 de Junho de 2020 às 16:24
Caro Batista,

O texto não é meu. É assinado por um brasileiro. Mas estou absolutamente de acordo com ele.

Também não percebo por que é que os brasileiros não aceitam o óbvio. Eu tenho uma teoria, que também não é inteiramente minha, porque a retirei de um contexto que me levou a isto: a mal informada, mal formada e ignorante esquerda brasileira pretende colonizar Portugal através da Língua, como “vingança do colonizado”. E eu acredito que sim.

Tudo leva para esse caminho, incluindo o das bandeirinhas. A bandeira portuguesa desapareceu da Internet.

Estou completamente de acordo consigo: de que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo quando na realidade referem-se ao “brasileiro” (retiro-lhe o “português” porque é uma designação errada) que será a nova língua do Brasil. Tão certo, como eu estar aqui a escrever isto.
De Edu a 8 de Novembro de 2020 às 02:39
Quais são as línguas mais faladas do mundo? Enumere por favor!
De Isabel A. Ferreira a 8 de Novembro de 2020 às 17:17
Senhor Edu,

Se pretendeu, com este seu comentário autoritário, que eu enumerasse e incluísse a Língua Portuguesa nas Línguas mais faladas do mundo, enganou-se redondamente.

Têm-se, por aí, o “Português” como uma das Línguas mais faladas no mundo (está em 9º lugar em 2020) apenas porque os Brasileiros, que são milhões, acham que falam e escrevem Português.

Mas estão muito enganados. Os Brasileiros, que são milhões, falam e escrevem uma VARIANTE Brasileira do Português, mas que já não é Português.

Logo, a Língua Portuguesa NÃO É uma das línguas mais faladas , mas ainda assim, contando com os africanos de expressão portuguesa e Timor-Leste, que AINDA falam e escrevem PORTUGUÊS, somos cerca de 80 milhões.

Existem na Europa línguas minoritárias, que não precisam juntar-se a milhões, porque estão muito bem de saúde, e cujos respectivos governantes não sofrem de nenhum complexo de inferioridade, como sofrem os políticos portugueses e brasileiros.

Fique então com as Línguas Oficiais Europeias, que é o que me interessa, na qual a Língua Portuguesa se inclui, muitas das quais não constam das línguas mais faladas do mundo:

Alemão, Búlgaro, Castelhano, Croata, Checo, Dinamarquês, Eslovaco, Esloveno, Estónio, Finlandês, Francês, Grego, Húngaro, Inglês, Irlandês, Italiano, Letão, Lituano, Maltês, Neerlandês, Polaco, Português, Romeno, Sueco.

De TODAS estas línguas Europeias, as mais faladas são, por ordem decrescente: o Inglês, o Castelhano e o Francês.

E das restantes Línguas, quem precisa de ser milhões, se se tem uma Língua correcta, sã, digna e preciosa? Preferimos estar no rol das línguas menos faladas, mas preciosas.

Só mesmo os que sofrem de um exacerbado complexo de inferioridade é que se preocupam em ser milhões…

Mais vale ser poucos a falar e a escrever escorreitamente a Língua Materna, dos que milhões a escrevê-la mal e parcamente, que é o caso de Portugal e Brasil, depois que políticos ignorantes impuseram ilegalmente o AO90.

No Brasil, cerca de 213 milhões de Brasileiros, falam e escrevem a VARIANTE Brasileira do Português, que um dia será a Língua Brasileira.

O que nos vale é que em Portugal, 99% da população não tem o mínimo complexo de inferioridade em relação à área territorial ou à quantidade de cidadãos que falam e escrevem Português, e não aplica o AO90, nem quer saber para nada de ser milhões.

Somos europeus e pertencemos ao grupo de pequenos países da Europa com alma grande e orgulhosos do seu Idioma e da sua Cultura.

Desde que não estejamos na lista dos mais incultos e violentos países do mundo, o resto não nos merece a mais pequena preocupação, senhor Edu.

Já agora, se não reparou, o texto que está a comentar foi um BRASILEIRO que o escreveu.
De Marco Lemonte a 13 de Dezembro de 2020 às 04:42
Muito ignorante e preconceituosa, Isabel.
Vocês estão mamando nas tetas da Comunidade Europeia/ UE desde os anos 1980 e em 2020 conseguem a façanha de ser o país mais pobre da Europa Ocidental, já ultrapassados em PIB per capita por quase todos os países europeus que estavam sob o jugo soviético até o final da década de 1990.

Deveria tomar vergonha na cara e pararem de ser tão etnocêntricos e arrogante.

Digo isto em bom PORTUGUÊS, pois somos nós falantes que definimos o nome da língua que falamos. Não foi o Português do Brasil que se "castelhanizou", foi o Português de Portugal que passou por um processo de redução vocálica.

Tugas incomodados que mudem o nome da sua língua para algo como neo-lusitano.

Incultos e violentos são os portugueses que torturam africanos até 1975.
De Isabel A. Ferreira a 13 de Dezembro de 2020 às 15:14
Marco Lemonte, o seu comentário retrata magnificamente a existência de uma lusofobia assente na lavagem cerebral que os extremistas marxistas brasileiros ignorantes (porque os há cultos) introduziram no ensino da História, nas escolas brasileiras, mais exactamente àquela História que diz respeito ao Brasil e Portugal.

E o resultado é este: uma enxurrada de apedeutismos que diz de um complexo de inferioridade, a que Nelson Rodrigues chamou “complexo de vira-lata”, que os marcos lemontes brasileiros do pós-1822 AINDA não conseguiram resolver.

Não sei se se dá conta de que este tipo de comentário só diz da SUA (não da minha) ignorância e do seu preconceito e da sua lusofobia, e deixa muito mal o Brasil, porque este AINDA produzir cidadãos com base em premissas completamente erradas.

Não sei se se dá conta também de que os etnocêntricos e arrogantes são essa fatia de brasileiros, na qual você se inclui, à qual fizeram uma lavagem cerebral, e agora andam por aí a envergonhar o Brasil. E o Brasil não merece andar por aí enxovalhado, deste modo, por gente tão inculta.

Quanto ao seu bom PORTUGUÊS, sinto muito, mas a sua ignorância, a este respeito, continua em alta. Se alguém tem de mudar o nome da Língua não são os Portugueses. Sabia disto?

Quanto aos Portugueses serem incultos e violentos, que TORTURARAM (o tempo do verbo é PASSADO) africanos até 1975, deve estar a achar (porque se PENSASSE, nem ousaria tocar nesta matéria, da qual está muito mal informado) que no Brasil ACTUAL não há incultura, nem violência, e é tudo um mar de rosas, tão mar de rosas e tão pacífico, que os brasileiros estão a debandar para Portugal à procura dessa “violência” e dessa “ignorância”, que você refere e que eles tanto desejam. Só no meu prédio de 17 apartamentos, vivem 10 brasileiros, que fugiram do pacifismo e da cultura do Brasil, e estão felicíssimos com a violência e incultura portuguesas.
Facto: você NÃO sabe onde fica a Europa, e muito menos onde fica Portugal.

Não, a Europa não se situa na América do Sul, e Portugal NÃO fica ali para os lados do Complexo do Alemão, e tão-pouco são os portugueses que andam a exterminar os indígenas brasileiros, os únicos e verdadeiros donos do território que ocupam.

E mais: não sei se reparou, o texto desta publicação foi escrito por um professor universitário, jornalista e escritor brasileiro.

Se tiver mais alguma dúvida, pode perguntar, que terei o maior gosto em esclarecê-lo
De LuizAntony a 6 de Setembro de 2020 às 21:26
Em português de Portugal, o termo "consigo" tem o mesmo sentido de "contigo" ou isso é mais uma variação linguística a qual só se encontra nesse blog?
De Isabel A. Ferreira a 7 de Setembro de 2020 às 14:46
LuizAntony, há gente que sabe, e há gente que não sabe. Parece-me que o seu caso é “gente que NÃO sabe". Então aqui vai:

consigo | pron. pess. 2 g.
1ª pess. sing. pres. ind. de conseguir

con·si·go
(latim cum, com + secum, consigo)
pronome pessoal de dois géneros
1. Flexão do pronome si, quando se emprega com a preposição com.
2. Em companhia da pessoa a quem ou de quem se fala.
3. De si para si.
4. Coisa sua; dependente da sua resolução.

Ver também dúvida linguística: si e consigo.
Palavras relacionadas:
conseguimento, sigo, si, monologar, intrapessoal, arbitrista, automobilizado
.

con·se·guir |guí| - Conjugar
(latim consequor, -i)
verbo transitivo e pronominal
1. Chegar a um objectivo. = ALCANÇAR, ATINGIR
2. Obter.

"consigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/consigo [consultado em 07-09-2020].
De Batista a 7 de Setembro de 2020 às 14:56
Tem o mesmo significado, mas "consigo" é mais respeituoso, e "contigo" é mais pessoal e familiar.
Por exemplo, com os meus avós e clientes uso "consigo", com irmãos e amigos uso "contigo".
De Isabel A. Ferreira a 7 de Setembro de 2020 às 17:35
Exactamente. Mas ainda não entendi qual o seu problema.
Seja mais explícito, por favor.
De Luiz Antonio a 6 de Setembro de 2020 às 21:28
Em português de Portugal, o termo "consigo" tem o mesmo sentido de "contigo" ou isso é mais uma variação linguística a qual só se encontra nesse blog?
De Isabel A. Ferreira a 4 de Junho de 2021 às 16:05
consigo | pron. pess. 2 g.
1ª pess. sing. pres. ind. de conseguir

con·si·go
(latim cum, com + secum, consigo)
pronome pessoal de dois géneros
1. Flexão do pronome si, quando se emprega com a preposição com.
2. Em companhia da pessoa a quem ou de quem se fala.
3. De si para si.
4. Coisa sua; dependente da sua resolução.

Ver também dúvida linguística: si e consigo.
Palavras relacionadas:
conseguimento, sigo, si, monologar, intrapessoal, arbitrista, automobilizado
.

con·se·guir |guí| - Conjugar
(latim consequor, -i)
verbo transitivo e pronominal
1. Chegar a um objectivo. = ALCANÇAR, ATINGIR
2. Obter.

"consigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/consigo [consultado em 07-09-2020].

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