Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

«O português brasileiro precisa de ser reconhecido como uma nova língua»

 

Quem o afirma é o professor universitário, jornalista e escritor brasileiro Nelson Valente, num artigo publicado no Diário do Poder, sob o título «Acordo Ortográfico: Fracasso linguístico», e que aqui transcrevo.

 

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O texto está escrito segundo a grafia brasileira, preconizada pelo Formulário Ortográfico de 1943, um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras, para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano. O texto do Formulário Ortográfico de 1943 é composto por duas partes: uma Introdução com 12 artigos que aclara os princípios de fixação para a grafia do português brasileiro; e as Bases do Formulário (17). Ora, a Base IV (a que mais interessa a Portugal) diz o seguinte: consoantes mudas - extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não.

 

Qualquer semelhança com a grafia que o governo português impôs nas escolas portuguesas, a alunos portugueses, não é mera coincidência, é intencional.

 

(Os excertos a negrito e a azul, no texto do Professor Nelson Valente, são da responsabilidade da autora do Blogue, para que fique bem claro que essas palavras não fazem parte da Língua Portuguesa, e são exclusivas do "português" brasileiro, que o professor considera que deve ser reconhecido como uma nova língua, algo com que estou completamente de acordo, pelos motivos mais óbvios.

 

«ACORDO ORTOGRÁFICO: FRACASSO LINGUÍSTICO»

 

 Por Nelson Valente

 

«O Acordo termina com cem anos de guerra linguística entre Brasil e Portugal?

 

O português é a língua oficial em nove países da Europa, América, África e Ásia. A dispersão favorece as diferenças linguísticas. Éramos a única língua com duas ortografias diferentes oficiais.

 

De acordo com o Ministério da Educação, entre 2008 e 2012 foram gastos mais de 2,2 bilhões de reais para atualização de obras didáticas.

 

Quando o acordo foi assinado em 1990, os jornais portugueses se comprometeram a não aplicá-lo. Hoje só o jornal Público mantém a promessa. Que acordo é esse? O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. E isso é uma decisão política.

 

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um requerimento para “realização de Audiência Pública a fim de discutir a revogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.” O requerimento, aprovado no dia 25 de Abril, foi apresentado pelo deputado Jaziel Pereira de Sousa e ali subscrito pela deputada Paula Belmonte. Não dá para impor uma língua de uma hora para outra a um povo. O padrão da língua no Brasil deve ser a língua falada pela maioria da população brasileira contemporânea, que é o português brasileiro. Acordo Ortográfico: “aberrações”, “arbitrariedades”, “caos” e “fracasso linguístico”.

 

Um manifesto dos “Cidadãos em Portugal contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990”, que é hoje revelado, afirma que este novo modelo de escrita abriu “uma caixa de Pandora”, criou “um monstro” e “não uniu, não unificou, não simplificou” o uso da língua.

 

O Acordo é um ato lesivo a nosso patrimônio cultural e o Estado não deve regulamentar a ortografia de um povo. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. A língua é feita pelos povos, e não pelos Governos; mas está claro que, a ortografia, é mais de academias.

 

Qual era a necessidade de unificar? Entendemo-nos perfeitamente, não há problema algum. Deveriam respeitar o português daqui e o do Brasil. O Acordo só dificulta o ensino com seu contexto arbitrário e suas muitas opções facultativas. Não sou contra; sou a favor da revisão do Acordo. Se fizer uma mudança radical da ortografia, estará condenando um material histórico à obsolescência em uma geração.

 

Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. Enquanto as regras e contradições são discutidas e a nova norma não é obrigatória, as regras gramaticais viram alvo de brincadeira. Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. A situação atual é de um verdadeiro caos ortográfico.

 

“Saudade” não é exclusividade da língua portuguesa. A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa, ao contrário do mito que existe desde o século XVI. Na forma ou no sentido, há correspondentes em outros idiomas.

 

Porque derivada do latim, variantes da palavra existem em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. (*) O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.

 

A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: “saudade” é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mas mesmo no campo semântico há correspondências. Por exemplo, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”). É um sentimento que existe também em árabe, na expressão alistiyáqu ‘ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nossa “saudade”, tanto quanto o latim.

 

O que ocorre com o dito Novo Acordo Ortográfico é que na verdade Portugal “colonizador” quer colonizar a língua portuguesa. (**) Veja o exemplo: A antiga Iugoslávia se fragmentou em seis pequenos países e a língua que, então era considerada uma só, o servo-croata, agora se chama bósnio, croata, sérvio, montenegrino… Mas, para esses nomes aparecerem, ocorreu uma guerra horrorosa, com muitas mortes, uma coisa terrível.

 

Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se. No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.

 

A miscigenação no Brasil foi muito mais intensa e, evidentemente, a miscigenação linguística também. O português foi língua minoritária no Brasil durante todo o período colonial. Falava-se como língua geral o tupi e nossa população, até a época da Independência, era 75% mestiça.

 

Com os professores brasileiros nas condições em que estão – mal pagos, mal formados, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação.

 

Este acordo é sobretudo político, fazendo com que os aspectos linguísticos, que deveriam estar à frente das preocupações dos redatores do acordo, quer em Portugal quer no Brasil, tivessem sido ou insuficientemente amadurecidos, ou demasiadamente sujeitos à lógica do acordo, o que implicou cedências, uma uniformização, mas não uma unificação. Não há uma norma absolutamente comum, não poderia haver.

 

Tudo o que tenho lido e ouvido sobre o Acordo Ortográfico revela quase sempre posições extremas, a favor ou, mais frequentemente, contra. É claro que todos têm o direito de se sentirem lesados com estas mudanças, afinal aprenderam a ler e a escrever as palavras da sua língua de uma determinada maneira, e essa maneira de escrever, que se tornou automática, é agora alterada. (***)

 

A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade.

 

Não é preciso que se escreva exatamente igual para que haja entendimento mútuo e não é porque se estabeleceu uma regra comum que se falará perfeitamente igual em todos os países. Do ponto de vista político, essa é uma má política linguística. É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam.

 

Um aluno do interior perguntou-me se deveríamos condenar a linguagem popular, “pois esse pessoal fala de forma inadequada”. Fo necessário esclarecer a diferença entre linguagem popular e regionalismos. Primeiro, as expressões, apesar de inovadoras, podem vir a figurar em dicionários e vocabulários de transmissão da norma culta ou padrão, sem nenhuma dificuldade. Os regionalismos são sempre aceitos.

 

Em segundo lugar, temos a questão controvertida da chamada popular. O filólogo Antonio Houaiss (in memorian) chegou a popularizar o verbete “mengo”, diminutivo do clube mais popular do Brasil. Mas, ele jamais aceitaria adotar a palavra “probrema” ou “areoporto” – e dar-lhes o status de uma expressão legítima do português contemporâneo.

 

Vê-se, pois, que há uma abissal diferença entre linguagem popular e regionalismos.

 

A prosódia, que é a forma de dizer a palavra, tem total liberdade, não se devendo exigir que um gaúcho fale com a mesma pronúncia do que um paranaense.

 

O que, em virtude do Acordo de Unificação da Língua Portuguesa, que é eminentemente ortográfico, passemos a impor a Portugal ou Angola, por exemplo, o nosso gostoso e incomparável sotaque. (****)

 

Cada povo que cuide das suas peculiaridades prosódicas. Mas escrever de uma forma é medida de inteligência e simplificação, que já vem tarde.

 

Nelson Valente

Fonte:

https://diariodopoder.com.br/acordo-ortografico-fracasso-linguistico/?fbclid=IwAR3P4nxwRyLW0koQU5RDazEsNryRtS2kijBZPJhLg7qRksG0llyGNBTbkgo

 

***

Notas:

(*) Se o Professor Nelson Valente me permite, as palavras “soledad” e “soledat” significam mais “solidão” do que saudade. No Diccionario Cúspide de la Lengua Española lê-se: Soledad 1. Carencia de compañía. 2. Lugar desierto o tierra no habitada. 3. Pesar que se siente por la ausencia, muerte o pérdida de alguna persona o cosa (no sentido de consternação); 4. Tonada andaluza de carácter melancólico; 5. Copla que se canta y danza que se baila con esta música, o que não corresponderá exactamente à nossa saudade, aquele sentimento indizível. Podemos sentir saudade sem solidão. Estarmos melancólicos ou pesarosos sem sentir saudade.

 

(**) O que se passou foi que Antônio Houaiss chamou Portugal para uma aventura ortográfica, em que a sílaba tónica era introduzir a grafia brasileira em Portugal, com a ilusão de unificar o que jamais seria possível unificar, entre outras razões Houaiss não fez mais do que puxar a brasa para a sardinha do Brasil. E Portugal não fez mais do que deixar a brasa pender para o lado brasileiro. Não chamarei a isto uma pretensão de Portugal “colonizador” colonizar a Língua Portuguesa. Direi antes que é uma patetice de Portugal deixar-se colonizar pela língua brasileira. Não será?

 

(***) Aqui peço desculpa, mas as coisas não podem ser vistas deste modo. Todos, particularmente os Portugueses, os mais prejudicados com este acordo, temos o direito de nos sentirmos lesados pelas substanciais mudanças na grafia portuguesa (os Brasileiros ativeram-se apenas aos acentos e à hifenização. Mais nada) não porque aprendemos a ler e a escrever as palavras da nossa Língua de uma determinada maneira, que se tornou automática, e é agora alterada, mas fundamentalmente porque a Língua Portuguesa foi abrasileirada (refiro-me à supressão das consoantes mudas) o que afastou o Português da sua matriz greco-latina, da sua família Indo-Europeia; desaportuguesou-se a Língua Portuguesa, e tornaram-na abrasileirada. Por que se fosse apenas a questão do aprender, não seria uma questão, porque os seres humanos ou são dotados da capacidade de aprendizagem ou não são. Se são, conseguem aprender e desaprender com a maior facilidade. Se não conseguem, não saem da cepa torta.

 

Eu aprendi a ler e a escrever no Brasil, com a grafia de 1943, e nas minhas vindas para Portugal e idas para o Brasil, na infância, adolescência e juventude, ora escrevia à brasileira, ora escrevia à portuguesa, e isso nunca foi impedimento para seguir os meus estudos com notas razoáveis. Domino a Língua Brasileira tão bem quanto domino a Língua Portuguesa, porque quer queiramos quer não, existem substanciais diferenças entre uma e outra, na fonética, na sintaxe, no léxico, na construção frásica.

 

(****) Devo dizer que também considero gostoso o sotaque brasileiro, inconfundível em todo o mundo, tão inconfundível que ninguém diz que estão a falar português, mas  sim a falar brasileiro. Por isso, Professor Nelson Valente, também penso que o "Português" Brasileiro deve ser reconhecido como uma nova língua: a brasileira, oriunda do Português, tal como o Português é oriundo do Latim. A evolução das Línguas passa por esta metamorfose, não por unificações impossíveis.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:18

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comentários:
De Batista a 16 de Junho de 2020 às 00:01
Concordo plenamente consigo.
Não percebo porque é que os brasileiros ficam ofendidos quando alguém lhes diz que eles falam brasileiro?.
Eu no entanto sinto amargura quando em qualquer site ou aplicação do telemóvel procuro o idioma português e em vez que ter a bandeira portuguesa a representar, tem a brasileira.
Sou a favor dos brasileiros assumirem a própria língua e que o governo português desista de alterar o acordo ortográfico, como se estivessem desesperadamente a tentar manter o mínimo de ligação entre Portugal e Brasil.
De que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo quando na realidade referem-se ao português brasileiro??
De Isabel A. Ferreira a 16 de Junho de 2020 às 16:24
Caro Batista,

O texto não é meu. É assinado por um brasileiro. Mas estou absolutamente de acordo com ele.

Também não percebo por que é que os brasileiros não aceitam o óbvio. Eu tenho uma teoria, que também não é inteiramente minha, porque a retirei de um contexto que me levou a isto: a mal informada, mal formada e ignorante esquerda brasileira pretende colonizar Portugal através da Língua, como “vingança do colonizado”. E eu acredito que sim.

Tudo leva para esse caminho, incluindo o das bandeirinhas. A bandeira portuguesa desapareceu da Internet.

Estou completamente de acordo consigo: de que vale dizer que o Português é das línguas mais faladas no mundo quando na realidade referem-se ao “brasileiro” (retiro-lhe o “português” porque é uma designação errada) que será a nova língua do Brasil. Tão certo, como eu estar aqui a escrever isto.
De Edu a 8 de Novembro de 2020 às 02:39
Quais são as línguas mais faladas do mundo? Enumere por favor!
De Isabel A. Ferreira a 8 de Novembro de 2020 às 17:17
Senhor Edu,

Se pretendeu, com este seu comentário autoritário, que eu enumerasse e incluísse a Língua Portuguesa nas Línguas mais faladas do mundo, enganou-se redondamente.

Têm-se, por aí, o “Português” como uma das Línguas mais faladas no mundo (está em 9º lugar em 2020) apenas porque os Brasileiros, que são milhões, acham que falam e escrevem Português.

Mas estão muito enganados. Os Brasileiros, que são milhões, falam e escrevem uma VARIANTE Brasileira do Português, mas que já não é Português.

Logo, a Língua Portuguesa NÃO É uma das línguas mais faladas , mas ainda assim, contando com os africanos de expressão portuguesa e Timor-Leste, que AINDA falam e escrevem PORTUGUÊS, somos cerca de 80 milhões.

Existem na Europa línguas minoritárias, que não precisam juntar-se a milhões, porque estão muito bem de saúde, e cujos respectivos governantes não sofrem de nenhum complexo de inferioridade, como sofrem os políticos portugueses e brasileiros.

Fique então com as Línguas Oficiais Europeias, que é o que me interessa, na qual a Língua Portuguesa se inclui, muitas das quais não constam das línguas mais faladas do mundo:

Alemão, Búlgaro, Castelhano, Croata, Checo, Dinamarquês, Eslovaco, Esloveno, Estónio, Finlandês, Francês, Grego, Húngaro, Inglês, Irlandês, Italiano, Letão, Lituano, Maltês, Neerlandês, Polaco, Português, Romeno, Sueco.

De TODAS estas línguas Europeias, as mais faladas são, por ordem decrescente: o Inglês, o Castelhano e o Francês.

E das restantes Línguas, quem precisa de ser milhões, se se tem uma Língua correcta, sã, digna e preciosa? Preferimos estar no rol das línguas menos faladas, mas preciosas.

Só mesmo os que sofrem de um exacerbado complexo de inferioridade é que se preocupam em ser milhões…

Mais vale ser poucos a falar e a escrever escorreitamente a Língua Materna, dos que milhões a escrevê-la mal e parcamente, que é o caso de Portugal e Brasil, depois que políticos ignorantes impuseram ilegalmente o AO90.

No Brasil, cerca de 213 milhões de Brasileiros, falam e escrevem a VARIANTE Brasileira do Português, que um dia será a Língua Brasileira.

O que nos vale é que em Portugal, 99% da população não tem o mínimo complexo de inferioridade em relação à área territorial ou à quantidade de cidadãos que falam e escrevem Português, e não aplica o AO90, nem quer saber para nada de ser milhões.

Somos europeus e pertencemos ao grupo de pequenos países da Europa com alma grande e orgulhosos do seu Idioma e da sua Cultura.

Desde que não estejamos na lista dos mais incultos e violentos países do mundo, o resto não nos merece a mais pequena preocupação, senhor Edu.

Já agora, se não reparou, o texto que está a comentar foi um BRASILEIRO que o escreveu.
De Marco Lemonte a 13 de Dezembro de 2020 às 04:42
Muito ignorante e preconceituosa, Isabel.
Vocês estão mamando nas tetas da Comunidade Europeia/ UE desde os anos 1980 e em 2020 conseguem a façanha de ser o país mais pobre da Europa Ocidental, já ultrapassados em PIB per capita por quase todos os países europeus que estavam sob o jugo soviético até o final da década de 1990.

Deveria tomar vergonha na cara e pararem de ser tão etnocêntricos e arrogante.

Digo isto em bom PORTUGUÊS, pois somos nós falantes que definimos o nome da língua que falamos. Não foi o Português do Brasil que se "castelhanizou", foi o Português de Portugal que passou por um processo de redução vocálica.

Tugas incomodados que mudem o nome da sua língua para algo como neo-lusitano.

Incultos e violentos são os portugueses que torturam africanos até 1975.
De Isabel A. Ferreira a 13 de Dezembro de 2020 às 15:14
Marco Lemonte, o seu comentário retrata magnificamente a existência de uma lusofobia assente na lavagem cerebral que os extremistas marxistas brasileiros ignorantes (porque os há cultos) introduziram no ensino da História, nas escolas brasileiras, mais exactamente àquela História que diz respeito ao Brasil e Portugal.

E o resultado é este: uma enxurrada de apedeutismos que diz de um complexo de inferioridade, a que Nelson Rodrigues chamou “complexo de vira-lata”, que os marcos lemontes brasileiros do pós-1822 AINDA não conseguiram resolver.

Não sei se se dá conta de que este tipo de comentário só diz da SUA (não da minha) ignorância e do seu preconceito e da sua lusofobia, e deixa muito mal o Brasil, porque este AINDA produzir cidadãos com base em premissas completamente erradas.

Não sei se se dá conta também de que os etnocêntricos e arrogantes são essa fatia de brasileiros, na qual você se inclui, à qual fizeram uma lavagem cerebral, e agora andam por aí a envergonhar o Brasil. E o Brasil não merece andar por aí enxovalhado, deste modo, por gente tão inculta.

Quanto ao seu bom PORTUGUÊS, sinto muito, mas a sua ignorância, a este respeito, continua em alta. Se alguém tem de mudar o nome da Língua não são os Portugueses. Sabia disto?

Quanto aos Portugueses serem incultos e violentos, que TORTURARAM (o tempo do verbo é PASSADO) africanos até 1975, deve estar a achar (porque se PENSASSE, nem ousaria tocar nesta matéria, da qual está muito mal informado) que no Brasil ACTUAL não há incultura, nem violência, e é tudo um mar de rosas, tão mar de rosas e tão pacífico, que os brasileiros estão a debandar para Portugal à procura dessa “violência” e dessa “ignorância”, que você refere e que eles tanto desejam. Só no meu prédio de 17 apartamentos, vivem 10 brasileiros, que fugiram do pacifismo e da cultura do Brasil, e estão felicíssimos com a violência e incultura portuguesas.
Facto: você NÃO sabe onde fica a Europa, e muito menos onde fica Portugal.

Não, a Europa não se situa na América do Sul, e Portugal NÃO fica ali para os lados do Complexo do Alemão, e tão-pouco são os portugueses que andam a exterminar os indígenas brasileiros, os únicos e verdadeiros donos do território que ocupam.

E mais: não sei se reparou, o texto desta publicação foi escrito por um professor universitário, jornalista e escritor brasileiro.

Se tiver mais alguma dúvida, pode perguntar, que terei o maior gosto em esclarecê-lo
De LuizAntony a 6 de Setembro de 2020 às 21:26
Em português de Portugal, o termo "consigo" tem o mesmo sentido de "contigo" ou isso é mais uma variação linguística a qual só se encontra nesse blog?
De Isabel A. Ferreira a 7 de Setembro de 2020 às 14:46
LuizAntony, há gente que sabe, e há gente que não sabe. Parece-me que o seu caso é “gente que NÃO sabe". Então aqui vai:

consigo | pron. pess. 2 g.
1ª pess. sing. pres. ind. de conseguir

con·si·go
(latim cum, com + secum, consigo)
pronome pessoal de dois géneros
1. Flexão do pronome si, quando se emprega com a preposição com.
2. Em companhia da pessoa a quem ou de quem se fala.
3. De si para si.
4. Coisa sua; dependente da sua resolução.

Ver também dúvida linguística: si e consigo.
Palavras relacionadas:
conseguimento, sigo, si, monologar, intrapessoal, arbitrista, automobilizado
.

con·se·guir |guí| - Conjugar
(latim consequor, -i)
verbo transitivo e pronominal
1. Chegar a um objectivo. = ALCANÇAR, ATINGIR
2. Obter.

"consigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/consigo [consultado em 07-09-2020].
De Batista a 7 de Setembro de 2020 às 14:56
Tem o mesmo significado, mas "consigo" é mais respeituoso, e "contigo" é mais pessoal e familiar.
Por exemplo, com os meus avós e clientes uso "consigo", com irmãos e amigos uso "contigo".
De Isabel A. Ferreira a 7 de Setembro de 2020 às 17:35
Exactamente. Mas ainda não entendi qual o seu problema.
Seja mais explícito, por favor.
De Luiz Antonio a 6 de Setembro de 2020 às 21:28
Em português de Portugal, o termo "consigo" tem o mesmo sentido de "contigo" ou isso é mais uma variação linguística a qual só se encontra nesse blog?
De Isabel A. Ferreira a 4 de Junho de 2021 às 16:05
consigo | pron. pess. 2 g.
1ª pess. sing. pres. ind. de conseguir

con·si·go
(latim cum, com + secum, consigo)
pronome pessoal de dois géneros
1. Flexão do pronome si, quando se emprega com a preposição com.
2. Em companhia da pessoa a quem ou de quem se fala.
3. De si para si.
4. Coisa sua; dependente da sua resolução.

Ver também dúvida linguística: si e consigo.
Palavras relacionadas:
conseguimento, sigo, si, monologar, intrapessoal, arbitrista, automobilizado
.

con·se·guir |guí| - Conjugar
(latim consequor, -i)
verbo transitivo e pronominal
1. Chegar a um objectivo. = ALCANÇAR, ATINGIR
2. Obter.

"consigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/consigo [consultado em 07-09-2020].

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