Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

«O português brasileiro precisa de ser reconhecido como uma nova língua»

 

Quem o afirma é o professor universitário, jornalista e escritor brasileiro Nelson Valente, num artigo publicado no Diário do Poder, sob o título «Acordo Ortográfico: Fracasso linguístico», e que aqui transcrevo.

 

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O texto está escrito segundo a grafia brasileira, preconizada pelo Formulário Ortográfico de 1943, um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras, para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano. O texto do Formulário Ortográfico de 1943 é composto por duas partes: uma Introdução com 12 artigos que aclara os princípios de fixação para a grafia do português brasileiro; e as Bases do Formulário (17). Ora, a Base IV (a que mais interessa a Portugal) diz o seguinte: consoantes mudas - extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não.

 

Qualquer semelhança com a grafia que o governo português impôs nas escolas portuguesas, a alunos portugueses, não é mera coincidência, é intencional.

 

(Os excertos a negrito e a azul, no texto do Professor Nelson Valente, são da responsabilidade da autora do Blogue, para que fique bem claro que essas palavras não fazem parte da Língua Portuguesa, e são exclusivas do "português" brasileiro, que o professor considera que deve ser reconhecido como uma nova língua, algo com que estou completamente de acordo, pelos motivos mais óbvios.

 

«ACORDO ORTOGRÁFICO: FRACASSO LINGUÍSTICO»

 

 Por Nelson Valente

 

«O Acordo termina com cem anos de guerra linguística entre Brasil e Portugal?

 

O português é a língua oficial em nove países da Europa, América, África e Ásia. A dispersão favorece as diferenças linguísticas. Éramos a única língua com duas ortografias diferentes oficiais.

 

De acordo com o Ministério da Educação, entre 2008 e 2012 foram gastos mais de 2,2 bilhões de reais para atualização de obras didáticas.

 

Quando o acordo foi assinado em 1990, os jornais portugueses se comprometeram a não aplicá-lo. Hoje só o jornal Público mantém a promessa. Que acordo é esse? O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. E isso é uma decisão política.

 

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um requerimento para “realização de Audiência Pública a fim de discutir a revogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.” O requerimento, aprovado no dia 25 de Abril, foi apresentado pelo deputado Jaziel Pereira de Sousa e ali subscrito pela deputada Paula Belmonte. Não dá para impor uma língua de uma hora para outra a um povo. O padrão da língua no Brasil deve ser a língua falada pela maioria da população brasileira contemporânea, que é o português brasileiro. Acordo Ortográfico: “aberrações”, “arbitrariedades”, “caos” e “fracasso linguístico”.

 

Um manifesto dos “Cidadãos em Portugal contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990”, que é hoje revelado, afirma que este novo modelo de escrita abriu “uma caixa de Pandora”, criou “um monstro” e “não uniu, não unificou, não simplificou” o uso da língua.

 

O Acordo é um ato lesivo a nosso patrimônio cultural e o Estado não deve regulamentar a ortografia de um povo. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. A língua é feita pelos povos, e não pelos Governos; mas está claro que, a ortografia, é mais de academias.

 

Qual era a necessidade de unificar? Entendemo-nos perfeitamente, não há problema algum. Deveriam respeitar o português daqui e o do Brasil. O Acordo só dificulta o ensino com seu contexto arbitrário e suas muitas opções facultativas. Não sou contra; sou a favor da revisão do Acordo. Se fizer uma mudança radical da ortografia, estará condenando um material histórico à obsolescência em uma geração.

 

Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. Enquanto as regras e contradições são discutidas e a nova norma não é obrigatória, as regras gramaticais viram alvo de brincadeira. Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. A situação atual é de um verdadeiro caos ortográfico.

 

“Saudade” não é exclusividade da língua portuguesa. A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa, ao contrário do mito que existe desde o século XVI. Na forma ou no sentido, há correspondentes em outros idiomas.

 

Porque derivada do latim, variantes da palavra existem em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. (*) O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.

 

A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: “saudade” é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mas mesmo no campo semântico há correspondências. Por exemplo, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”). É um sentimento que existe também em árabe, na expressão alistiyáqu ‘ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nossa “saudade”, tanto quanto o latim.

 

O que ocorre com o dito Novo Acordo Ortográfico é que na verdade Portugal “colonizador” quer colonizar a língua portuguesa. (**) Veja o exemplo: A antiga Iugoslávia se fragmentou em seis pequenos países e a língua que, então era considerada uma só, o servo-croata, agora se chama bósnio, croata, sérvio, montenegrino… Mas, para esses nomes aparecerem, ocorreu uma guerra horrorosa, com muitas mortes, uma coisa terrível.

 

Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se. No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.

 

A miscigenação no Brasil foi muito mais intensa e, evidentemente, a miscigenação linguística também. O português foi língua minoritária no Brasil durante todo o período colonial. Falava-se como língua geral o tupi e nossa população, até a época da Independência, era 75% mestiça.

 

Com os professores brasileiros nas condições em que estão – mal pagos, mal formados, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação.

 

Este acordo é sobretudo político, fazendo com que os aspectos linguísticos, que deveriam estar à frente das preocupações dos redatores do acordo, quer em Portugal quer no Brasil, tivessem sido ou insuficientemente amadurecidos, ou demasiadamente sujeitos à lógica do acordo, o que implicou cedências, uma uniformização, mas não uma unificação. Não há uma norma absolutamente comum, não poderia haver.

 

Tudo o que tenho lido e ouvido sobre o Acordo Ortográfico revela quase sempre posições extremas, a favor ou, mais frequentemente, contra. É claro que todos têm o direito de se sentirem lesados com estas mudanças, afinal aprenderam a ler e a escrever as palavras da sua língua de uma determinada maneira, e essa maneira de escrever, que se tornou automática, é agora alterada. (***)

 

A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade.

 

Não é preciso que se escreva exatamente igual para que haja entendimento mútuo e não é porque se estabeleceu uma regra comum que se falará perfeitamente igual em todos os países. Do ponto de vista político, essa é uma má política linguística. É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam.

 

Um aluno do interior perguntou-me se deveríamos condenar a linguagem popular, “pois esse pessoal fala de forma inadequada”. Fo necessário esclarecer a diferença entre linguagem popular e regionalismos. Primeiro, as expressões, apesar de inovadoras, podem vir a figurar em dicionários e vocabulários de transmissão da norma culta ou padrão, sem nenhuma dificuldade. Os regionalismos são sempre aceitos.

 

Em segundo lugar, temos a questão controvertida da chamada popular. O filólogo Antonio Houaiss (in memorian) chegou a popularizar o verbete “mengo”, diminutivo do clube mais popular do Brasil. Mas, ele jamais aceitaria adotar a palavra “probrema” ou “areoporto” – e dar-lhes o status de uma expressão legítima do português contemporâneo.

 

Vê-se, pois, que há uma abissal diferença entre linguagem popular e regionalismos.

 

A prosódia, que é a forma de dizer a palavra, tem total liberdade, não se devendo exigir que um gaúcho fale com a mesma pronúncia do que um paranaense.

 

O que, em virtude do Acordo de Unificação da Língua Portuguesa, que é eminentemente ortográfico, passemos a impor a Portugal ou Angola, por exemplo, o nosso gostoso e incomparável sotaque. (****)

 

Cada povo que cuide das suas peculiaridades prosódicas. Mas escrever de uma forma é medida de inteligência e simplificação, que já vem tarde.

 

Nelson Valente

Fonte:

https://diariodopoder.com.br/acordo-ortografico-fracasso-linguistico/?fbclid=IwAR3P4nxwRyLW0koQU5RDazEsNryRtS2kijBZPJhLg7qRksG0llyGNBTbkgo

 

***

Notas:

(*) Se o Professor Nelson Valente me permite, as palavras “soledad” e “soledat” significam mais “solidão” do que saudade. No Diccionario Cúspide de la Lengua Española lê-se: Soledad 1. Carencia de compañía. 2. Lugar desierto o tierra no habitada. 3. Pesar que se siente por la ausencia, muerte o pérdida de alguna persona o cosa (no sentido de consternação); 4. Tonada andaluza de carácter melancólico; 5. Copla que se canta y danza que se baila con esta música, o que não corresponderá exactamente à nossa saudade, aquele sentimento indizível. Podemos sentir saudade sem solidão. Estarmos melancólicos ou pesarosos sem sentir saudade.

 

(**) O que se passou foi que Antônio Houaiss chamou Portugal para uma aventura ortográfica, em que a sílaba tónica era introduzir a grafia brasileira em Portugal, com a ilusão de unificar o que jamais seria possível unificar, entre outras razões Houaiss não fez mais do que puxar a brasa para a sardinha do Brasil. E Portugal não fez mais do que deixar a brasa pender para o lado brasileiro. Não chamarei a isto uma pretensão de Portugal “colonizador” colonizar a Língua Portuguesa. Direi antes que é uma patetice de Portugal deixar-se colonizar pela língua brasileira. Não será?

 

(***) Aqui peço desculpa, mas as coisas não podem ser vistas deste modo. Todos, particularmente os Portugueses, os mais prejudicados com este acordo, temos o direito de nos sentirmos lesados pelas substanciais mudanças na grafia portuguesa (os Brasileiros ativeram-se apenas aos acentos e à hifenização. Mais nada) não porque aprendemos a ler e a escrever as palavras da nossa Língua de uma determinada maneira, que se tornou automática, e é agora alterada, mas fundamentalmente porque a Língua Portuguesa foi abrasileirada (refiro-me à supressão das consoantes mudas) o que afastou o Português da sua matriz greco-latina, da sua família Indo-Europeia; desaportuguesou-se a Língua Portuguesa, e tornaram-na abrasileirada. Por que se fosse apenas a questão do aprender, não seria uma questão, porque os seres humanos ou são dotados da capacidade de aprendizagem ou não são. Se são, conseguem aprender e desaprender com a maior facilidade. Se não conseguem, não saem da cepa torta.

 

Eu aprendi a ler e a escrever no Brasil, com a grafia de 1943, e nas minhas vindas para Portugal e idas para o Brasil, na infância, adolescência e juventude, ora escrevia à brasileira, ora escrevia à portuguesa, e isso nunca foi impedimento para seguir os meus estudos com notas razoáveis. Domino a Língua Brasileira tão bem quanto domino a Língua Portuguesa, porque quer queiramos quer não, existem substanciais diferenças entre uma e outra, na fonética, na sintaxe, no léxico, na construção frásica.

 

(****) Devo dizer que também considero gostoso o sotaque brasileiro, inconfundível em todo o mundo, tão inconfundível que ninguém diz que estão a falar português, mas  sim a falar brasileiro. Por isso, Professor Nelson Valente, também penso que o "Português" Brasileiro deve ser reconhecido como uma nova língua: a brasileira, oriunda do Português, tal como o Português é oriundo do Latim. A evolução das Línguas passa por esta metamorfose, não por unificações impossíveis.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:18

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comentários:
De Eduardo Silva a 18 de Janeiro de 2022 às 18:15
Sim, tambem nao vejo mal em falar brasileiro, alias preferia que assim fosse oficialmente. Nao vejo mal em termos nos desviados da lingua portuguesa, isso mostra que temos nossa propria cultura, nossa propria forma de expressar-se, de sentir e ver o mundo e a vida. Por isso, para quem quiser falar brasileiro, nao precisa ir a Origem, no caso portugues europeu, a nao ser que essa pessoa queira aprender o Portugues europeu. Porque isso nao faz sentido se estamos a falar que o brasileiro e' uma nova lingua, e nao uma variante como voce sugere. Ou entao quem quer que queira estudar qualquer lingua romanica teria que ir a origem e estudar o latim.

Eu sei a diferenca entre a lingua escrita e a falada! As linguas faladas no Brasil e Portugal continuam a ser consideradas a mesma, o portugues, por causa desse ridiculo acordo ortografico! A lingua falada deve sim ser considerada porque e' ela que impulssiona na lingua escrita as mudancas e nao o contrario, por isso que consideramos a lingua viva! Caso contrario estariamos ainda a falar latim.

Nao quis dar exemplo caricato, somente o que pude acompanhar quando vivi em Portugal (que alias amei viver la'), mas se achas que essa diferenca falada nao serve como argumento, tudo bem!

Sobre os africanos perceberem melhor voces do que nos, talvez se da ao fato de eles falarem de forma mais proxima ao portugues falado em Portugal e nao por causa da escrita (veja que usei talvez e que nao quero afirmar nada, pois nao sou de Angola nem Mocambique). Na minha experiencia, eu nunca tive problemas para entender o portugues escrito em Portugal. Lia muitos documentos e livros de legislacao (por conta do trabalho) e tambem livro de regras de transito e era praticamente igual a escrita de documentos oficiais no Brasil.

Nao precisa escrever correCtamente com C em caixa alta, pois ja sei que no portugues essa e' a forma correta e que no brasileiro e' corretamente!

Espero que um dia possamos falar oficialmente que falamos linguas diferentes, sera um dia de grande alegria pra mim.

No mais passar bem!
De Isabel A. Ferreira a 18 de Janeiro de 2022 às 19:23
Caro Eduardo Silva, vou começar a responder a este seu comentário pelo fim, porque devo-lhe uma explicação. O faCto de eu escrever correCtamente com o CÊ em letra maiúscula, só tem um significado, algo que me impus ao escrever, para que quem lê saiba que eu pronuncio aquele cê, e que a palavra se escreve com um CÊ que, embora mudo, deve ser escrito. Aliás sou apologista de que se comece a pronunciar todos os cês e pês mudos, porque facilitava a escrita, para quem não consegue PENSAR (as maiúsculas vão para evidenciar a minha ideia, e não para gritar) a Língua, por isso, também ao falar eu pronuncio esses cês. E isto vale apenas para PORTUGAL.

Por exemplo, nunca entendi por que os Brasileiros pronunciam o pê em percePção, e não pronunciam o cê de faCto, e de infinitos outros vocábulos, com consoantes não-pronunciadas que têm função diacrítica, e que foram mutilados.

De resto, meu caro Eduardo, as Línguas faladas no Brasil e em Portugal continuam a ser a mesma apenas no nome.

Sobre isso estamos conversados.

Mudando do assunto da Linguagem para a História, hoje, uma prima que tenho no Brasil (90% da minha família é brasileira, já na terceira geração) enviou-me o “link” de uma série brasileira denominada “Brasil – A Última Cruzada”, numa edição de “Brasil Paralelo”, totalmente realizada por BRASILEIROS, onde se trata da História do Brasil contada com base em faCtos históricos reais e não em mentiras inventadas pelos marxistas ignorantes, que as introduziram no Ensino da História, nas escolas Brasileiras.
Só vi ainda o primeiro vídeo e fiquei maravilhada. Recomendo vivamente que TODOS os brasileiros vejam esta série e aprendam a ter orgulho no passado português, porque a VERDADE está lá toda.

Espero que partir de agora, esta VERDADE seja ministrada nas escolas, para que os Brasileiros possam libertar-se do complexo do colonizado que os impede de avançar para o futuro.

Não sei se o Eduardo já conhecia, mas pelo sim, ou pelo não, deixo-lhe aqui o “link” para a série:

https://www.youtube.com/watch?v=TkOlAKE7xqY

E espero que brevemente o Brasil e Portugal dêem as mãos, como dois Povos unidos por uma mesma História até ao dia 07 de Setembro de 1822, quando, por todo o Brasil, se ouviu o Grito do Ipiranga, e os dois Povos seguiram um caminho diferente, como acontece com os filhos que a partir da maioridade abandonam a casa dos pais e vão viver a sua independência. Como deve ser. Como é da natureza da vida, que seja.

E não é isto tão bonito, Eduardo?
De Eduardo Silva a 18 de Janeiro de 2022 às 20:54
Interessante voce estar a ver um pouco da historia do Brasil. Entretanto, no quesito historia, prefiro livros canais de midia isentos da politica. Conheco o Brasil Paralelo, ja assiste muitos conteudos deles e por isso posso dizer que nao gosto pois e' cheio de ideologia. Me da mais jeito conteudos com os fatos, sem vies e visoes (sei que e' dificil) politicas.

Provavelmente, por eles terem uma visao conservadora, eles rejeitariam a ideia de separacao da lingua brasileira do portugues. Inclusive muitos deles vivem a falar sobre volta de monarquia (com a familia Orleans e Bragança). Prefiro manter um pouco de distancia desses pensamentos hehehe' mas ha' coisas interessantes produzidas por eles, tem que de saber filtrar.
De Isabel A. Ferreira a 19 de Janeiro de 2022 às 16:11
Não vejo motivo nenhum para o Eduardo considerar “interessante” o facto de eu estar a seguir NÃO um pouco da História, mas - A - História verdadeira do Brasil. Qualquer pessoa com um neurónio a funcionar a seguirá.

Sei perfeitamente por que motivo o Eduardo rejeita a História do Brasil, contada por gente que SABE, e que vai às fontes históricas, e não é pelos motivos que refere, pois se prefere livros como, com certeza, os de Laurentino Gomes, baseados em crónicas de viajantes, que valem zero, historicamente, ou canais dos media, eivados de politiquices e mentiras. E com esta sua opção, fica explicada a aversão ao trabalho do Grupo “Brasil Paralelo”, que tenha a ideologia que tiver, é um EXCELENTE trabalho, que devolve ao Brasil a sua dignidade de País. E isso é o que mais conta.

Tem todo o direito de não gostar do “Brasil Paralelo”. Não conheço os outros conteúdos deste Grupo. Contudo, neste trabalho «Brasil – A Última Cruzada», daquilo que já vi, a ideologia ficou de fora. O que ficou DENTRO foram unicamente os factos e as fontes históricas que contam a História do Brasil tal como ela aconteceu, e não como a “pintaram” mentes ignorantes, com base em ideologias cegas. E isto, para quem aprendeu as histórias da carochinha, contadas por quem desconhece a VERDADE HISTÓRICA, fica difícil de encaixar.

Dado o actual miserabilista contexto político brasileiro, é perfeitamente natural que muitos brasileiros anseiem pelo regresso da monarquia, que hoje seria totalmente diferente da monarquia pré-1822. O Brasil perdeu o seu rumo depois da independência, e as opções que hoje se apresentam aos Brasileiros são péssimas e pobres. Pelo menos a Família de Orleães e Bragança não envergonharia o Brasil.

É preciso saber separar o trigo do joio. Verdade?
De Eduardo Silva a 19 de Janeiro de 2022 às 16:40
Quando disse que acho interessante nao e' para te ofender, e' para mostrar que acho porreiro, que e' agradavel ver portugueses a consumir historia brasileira falada por uma otica brasileira, ainda que seja uma enviesada politicamente.

O Brasil nao precisa do "canal do youtube Brasil Paralelo" para recobrar sua dignidade de pais. Ja vi alguns videos dessa serie que estas a citar, sim e' interessante, mas nada que nao seja ensinado e que esteja nos livros didaticos (pelo menos na epoca que andei pelo ensino fundamental). Acho que ja' falaei aqui, na escola nunca teve um professor ou livro que fizessem aos alunos alimentar odio a Portugal. Lembro sim de ficarmos tristes em descobrir quanta riqueza tem o nosso pais (mesmo depois de 5 seculos de exploracao) e ainda termos tanta pobreza. Lembro-me de ficar triste com a escravidao (inclusive apos a abolicao) e com o derespeito com os indios nativos. Lembro-me de ficar triste por saber que a indepencia brasileira foi comprada (herdamos uma divida que Portugal tinha junto da Inglaterra, para que pudessemos ser oficialmente aceitos como colonia livre), ou seja, o pais ja nasce atolado em dividas.

Sobre uma volta da monarquia, nao faz sentido algum, especialmente no Brasil. O Brasil precisa se abrir economicamente, diminuir o poder do estado, descentralizar o poder das maos de Brasilia e passar ao cidadao, resumo da opera, o Brasil precisa ser livre, coisa que nunca foi desde a chegada o homem europeu!
De Isabel A. Ferreira a 19 de Janeiro de 2022 às 19:09
Eu não fiquei ofendida com o “interessante”, por que haveria de ficar? Fiquei surpreendida com a expressão. Até porque, no que a mim diz respeito, tudo o que diz respeito ao Brasil, diz-me respeito a mim também. Estudei no Brasil e a História que nos impingiam era mentirosa. E ainda hoje é, pelo que se vê nos comentários lusófobos e ignorantes espalhados por brasileiros, no YouTube e pela Internet, em geral.

A História apresentada pelo Brasil Paralelo NÃO é apresentada por uma óPtica brasileira, e muito menos “enviesada politicamente”, mas é SIM assente em fontes e factos históricos documentados. Que é algo muito diferente.
O Brasil PRECISA sim, da VERDADE HISTÓRICA para recuperar a sua DIGNIDADE de País, perdida há muito, porque a dignidade do Brasil anda cotada por muito baixo, devido às mentiras vergonhosas que brasileiros ignorantes espalham sobre a sua própria história, e que o resto do mundo CULTO sabe ser mentira. E isso só traz desprestígio para o Brasil.

O que essa série apresenta NÃO é ensinado nas escolas brasileiras. Sou testemunha e testemunhas são também os milhares de comentários à série. Até querem que a série passe nas escolas, para que os brasileiros possam sentir-se orgulhosos de serem brasileiros. Leia os comentários, e aprenderá muita coisa.

Não sei que idade tem, nem em que época viveu, para dizer que a lusofobia não existe nas escolas brasileiras. Existe e não é pouco. e eu sou testemunha dessa lusofobia, ao mais alto nível.

E basta ler o que o Eduardo diz a partir da frase « Lembro sim de ficarmos tristes em descobrir quanta riqueza tem o nosso país…» para ficarmos a saber quão deturpado foi o que lhe “ensinaram” na escola. Que visão mais distorcida tem das coisas, o que só vem dar razão ao que eu disse: a VERDADE HISTÓRICA do Brasil NÃO é ensinada nas escolas, e o Eduardo NÃO a aprendeu.

Quanto ao que diz do regresso da monarquia não fazer sentido, realmente não faz. Concordo. Mas compreendo muito bem o anseio de quem quer esse regresso. O Brasil não tem gente com capacidade intelectual para poder erguê-lo do chão, onde rasteja?

Que o Brasil precisa de ser livre, precisa, mas que me diga que «foi coisa que nunca foi desde a chegada do homem europeu» é uma ignorância, é a prova de que a HISTÓRIA não está a ser ministrada adequadamente, nas escolas.

Explico-lhe porquê: até à chegada do homem europeu, o Brasil NÃO existia. O que existia era um território ocupado por indígenas, os verdadeiros DONOS do Brasil, que os actuais brasileiros EXPLORAM e MALTRATAM INDECENTEMENTE, como nunca foram explorados e maltratado pelos Portugueses, que os tinham como aliados nas guerras contra os invasores. Depois, esse território, a que deram o nome de Brasil, foi sendo colonizado pelos portugueses, e por muitos outros povos, e quando o Brasil se tornou independente, em 1822, ficou LIVRE do colonizador, mas nunca se sentiu LIVRE porque nunca souberam aproveitar essa liberdade em proveito próprio. O povo brasileiro (excePtuando os indígenas, que não sofrem de lusofobia) ficaram ATADOS a um passado que já tinha passado, e até hoje arrastam esses grilhões como se nunca tivessem sido libertados.

Esta é que é a verdade. Uma verdade triste.

Como vê, a História que lhe “ensinaram” está completamente truncada. Por isso recomendo-lhe que veja toda a série «Brasil – A Última Cruzada» para saber a VERDADE sobre a História brasileira, sem a venda da ideologia, que não é para aqui chamada. as ideologias só servem para atrapalhar. Veja a série com olhos de VER.

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