Nunca me havia deparado com o vocábulo TOXINFEÇÃO (tóksinf’ção?)
Ontem vi essa palavra escrita numa legenda, na televisão, e embora seja fácil chegar ao significado de tal palavrinha, fui averiguar se existiria, em dicionários de Língua Portuguesa.
Não vi essa palavra em parte alguma. Nem sequer nos dicionários da Variante Brasileira do Português.
Então fui ao Priberam.
O Priberam já foi um Dicionário confiável, mas, por algum motivo, quando mudou de visual, mudou também de filosofia linguística, e passou a misturar alhos com bugalhos, retirou a etimologia de um número muito significativo de palavras, introduziu a Variante Brasileira do Português, para agradar aos gregos e aos troianos acordistas, e o resultado é uma salgalhada, como se pode ver nesta explicação do significado de TOXINFEÇÃO. E isto não é caso único.
Afinal, como se escreve esta palavra nascida do nada?
Atenção que no Brasil sempre se pronunciou e escreveu infeCção.
No que pretendem transformar a Língua Portuguesa? Numa colectânea de palavras visualmente horrorosas e pronúncia horrenda?
Isabel A. Ferreira
De Susana Bastos a 15 de Agosto de 2023 às 18:36
Não é uma palavra vinda do nada, existe e tem uso já há muitos anos, basta usar o Google. Não estar ainda num ou noutro dicionário não significa que não exista, e os dicionários são feitos por pessoas e têm falhas, gralhas e omissões como qualquer obra feita por humanos...
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/toxi-infeccao-e-toxinfeccao/18801
https://linguagista.blogs.sapo.pt/526098.html
Cara Susana, “toxinfeção” (que em PORTUGUÊS se lê “tóksinf’ção”, pode até nem ter vindo do nada, mas NÃO existe nos dicionários de Língua Portuguesa. E o Google é para esquecer, porque se VENDEU à Variante Brasileira do Português.
É inadmissível que tenhamos nos telemóveis, computadores e redes sociais a opção Português de Portugal, e o conteúdo estar no dialecto brasileiro. O mesmo acontece com o Google. Por isso prefiro consultar tudo em Inglês, até porque é mais fiável.
Uma professora, a propósito disto, enviou-me o seguinte:
«A propósito do vocábulo "toxinfeção", eu descobri, aqui em casa, a palavra escrita da seguinte forma: "Toxi-infecção". Encontrei-a no "Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa" de António de Morais Silva (1980). No dicionário Completo da Língua Portuguesa da Texto Editores (2006) não existe tal vocábulo e na 3ª Edição do Dicionário de Português da Porto Editora (não consigo ver a data porque é muito antigo, mas creio ser dos anos sessenta) também não existe tal vocábulo. Gostaria de partilhar consigo a página do dicionário de António de Morais Silva e coloquei-a nos anexos. Seria bom que houvesse coerência no estudo da Língua Portuguesa, mas cada um escreve como quer e já ninguém se entende. É por isso que temos salgalhada.»
A Susana apresenta-me o Houaiss, que não serve de bitola para se falar de Português.
Leio no Linguagista que este «é vocábulo que continua a estar ausente dos dicionários”.
Pudera! É um vocábulo HORROROSO.
Devia ser proibido criar monos ortográficos como este e muitos outros que o AO90 gerou com a supressão dos hífenes, como, por exemplo, “corréu” (o que é isto?), quando com mais elegância e propriedade se escreve em BOM Português co-réu (quem não saberá imediatamente o que significa co-réu?)
E o Priberam, meteu os pés pelas mãos, e ficámos a saber o mesmo, ou seja, nada, sobre como escrever “toxinfeção”. Aliás o PRIBERAM prostituiu-se. Já não é um dicionário online de referência. Está uma completa mixórdia.
Isto é uma vergonha para Portugal, onde a ignorância impera, a começar pelos decisores políticos, que aceitam este enxovalhamento sem pestanejar.
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