Segunda-feira, 14 de Agosto de 2023

Ponto único: os decisores políticos portugueses e, muito menos, os decisores políticos brasileiros NÃO são os donos da Língua Portuguesa. BASTA de negociar o património linguístico de Portugal como se fosse um cacho de bananas...

 

ATENÇÃO.png

 

Vem isto a propósito de um artigo publicado no Expresso, no passado dia 20 de Julho, sob o título O português de Portugal está em risco?, assinado pelo  economista português Rodrigo Tavares, o qual passa bem por brasileiro.

 

Ao ler este artigo senti-me insultada. E não fui a única.

 

Vou fazer completamente minhas as palavras do cidadão pensante Sérgio Teixeira que,   sobre a argumentação apresentada pelo articulista, no referido artigo, o qual se prestou a vender gato por lebre, talvez  pensando que todos os leitores são tão servis como os decisores políticos portugueses, disse o seguinte: «Repudio por completo esta argumentação sofística vestida com jargões inacessíveis e léxico brasileiro para dar ideia, no texto, que o dialecto brasileiro por ter estes termos pluri-étnicos inseridos por alporquia na Língua Portuguesa, que é mais virtuoso, dinâmico e adaptável. (Adaptável a quê?). Na óptica dele, um economista (!), quanto mais descaracterizada, delapidada, esfrangalhada e, obviamente, mais abrasileirada, mais interessante é a Língua Portuguesa! São assim tão importantes os negócios no e com o Brasil para que estes senhores digam estas alarvidades com cara e tom sérios?» 

 

Eu também repudio.

Nem todos os leitores e nem todos os portugueses são servis, nem servos da gleba.

 

Eis uma outra opinião sobre o mesmo artigo, da cidadã pensante Maria José Abranches, a qual também subscrevo inteiramente, e que aqui deixo como testemunho do sentimento de rejeição que estes arautos da novilíngua provocam nos portugueses que têm a capacidade de PENSAR:

 

«Leiam, por favor: «A língua portuguesa está efectivamente em risco», Francisco Miguel Valada, no "Público", a 03/08/2023.

Felizmente há quem não se cale, e a persistência incansável deste autor é de salientar e louvar (...).

Peço desculpa por me repetir, mas creio sinceramente que o maior crime nesta matéria é o silêncio, sobretudo de quem tem posição cultural, política e socialmente visível! Porque é indispensável 'gritar', até que alguém responsável nos ouça e tenha vergonha da traição, ao país e ao povo que somos há séculos, de que são responsáveis - a começar pelo Presidente da República!

Os meus dois comentários ao artigo que referi, já publicados, que passo a transcrever:

Excelente! «Porque há-de haver quem ouça, ainda há-de haver / quem ouça.» (Jorge de Sena, "O Grito do Silêncio"). Sim, a nossa língua «estará sempre em risco, enquanto (...) pairar sobre ela» "uma classe tecnocrático-burocrática, de aleatório saber, mas, sobretudo de específica vontade de poderio e gozo de privilégios, a única que até hoje tem fabricado a 'imagem portuguesa' em função da qual Portugal parece escolher-se «livremente», quando afinal é (e foi) apenas por ela 'escolhido'. (Eduardo Lourenço, "O Labirinto da Saudade").

Não assino nem compro nada em 'acordês', mas fui ler esse artigo de Rodrigo Tavares, "O português de Portugal está em risco?" - de que vou salientar uma passagem: «Não convém esquecer que o português deriva do Latim Vulgar, aquela língua do povo que se misturou a dialetos locais. Por isso é que sobreviveu.» Qual é a ideia?! Evitar o referido 'murchar' do português europeu, adoptando tudo o que vem de fora, até que surja uma outra 'nova' língua? E que tal ensinar Português capazmente nas nossas escolas e cuidar do seu emprego nos 'media', evitando, por exemplo, a perda colossal de vocabulário que está a acontecer, visto que já poucos lêem e poucos se exprimem, por escrito e oralmente, com profundidade e riqueza?»

 

As análises que acabei de reproduzir dizem tudo ou quase tudo o que há a dizer sobre esta imposição forçada de uma linguagem que nada diz aos Portugueses, porque a NOSSA Cultura é diferente da Cultura brasileira. Nem é melhor, nem é pior, é simplesmente DIFERENTE, e cada Povo deve ficar com a sua, porque é a maneira mais inteligente de estar no mundo.

 

O economista Rodrigo Tavares tem todo o direito de escrever artigos de opinião e publicá-los em jornais que se prestam a aceitá-los acriticamente, mas não tem o direito de vir para o país dos outros tentar impingir uma linguagem que só ao Brasil pertence. Não queiram que os Portugueses passem a dizer “xará” (vocábulo tupi, que significa que tem o mesmo nome que outro), só porque o Brasil descartou o vocábulo português homónimo (do Latim homonymus < Grego συνώνυμος) que significa que tem o mesmo nome que outro. O Brasil tem toda a legitimidade de escolher entre “homónimo” e “xará”, mas NÃO tem a legitimidade de insinuar que passemos todos a dizer “xará”.

 

Ao ler este artigo fica-se com a nítida sensação de que existe um conluio entre Portugal e Brasil, para impor aos Portugueses, de um modo FORÇADO, ou seja, ditatorialmente, a Variante Brasileira do Português, e, para tal, até se forjou uma artimanha, que dá pelo nome de acordo ortográfico de 1990, saído da mente do enciclopedista brasileiro-libanês, Antônio Houaiss, que acenou aos políticos portugueses com os milhões de falantes sul-americanos do mal denominado “português” do Brasil, DESLUSITANIZADO (e o termo é dele), e os muito subservientes políticos portugueses, aceitaram sem pestanejar. E nada mais falacioso do que usar os “milhões”, quando todos sabem que esses “milhões” NÃO falam Português, mas, sim, o dialecto brasileiro oriundo do Português, conforme o classificou José Leite de Vasconcelos, o nosso maior dialectologista (consultar o Prontuário da Língua Portuguesa, de Manuel dos Santos Alves, páginas 12/13, 2ª Edição 1993: Universitária Editora, LDA.):

CLASSIFICAÇÃO do PORTUGUÊS.png

 

Por alma de quem a linguagem mais AFASTADA do Português, ou seja, uma Variante do Português (um dialecto) tem de se impor à Língua-mãe, a não ser por muita má-fé e muita ignorância de quem pretende substituir uma Língua Culta por uma sua Variante?


Sofrendo os políticos portugueses do mesmo mal de que sofrem os políticos brasileiros, ou seja, de um acentuado complexo de inferioridade, tendo necessidade de se porem em pedestais para se imporem ao mundo, e, no caso dos portugueses, faz com que sejam servis capachos daqueles que eles julgam ser “grandes” (e isto é coisa de mentes pequenas), logo arranjaram um modo de aliciar arautos para propagandear a linguagem brasileira, infiltrando-a sub-repticiamente em todas as redes sociais e no Google, chamando-lhe simplesmente “português” e ilustrando-o, até, com a bandeira brasileira

 

Português.PNG

para enganar os mais incautos, como fizeram, por exemplo,  com o Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude

Quando o Papa foi à Universidade Católica, os serviçais jornalistas de serviço, informaram que o Sumo Pontífice iria saudar os presentes em “português”. Foi então quando ele nos surpreendeu com um bem brasileiro “bom djia”. Saberia o Papa o que disse? Ou alguém o enganou ao dizer-lhe que “bom djia” era uma saudação em Português? Não era. Djia NÃO é Português. Também não é um sotaque. Djia faz parte da fonética brasileira, que é totalmente djifêrêntchi dá fônétchicá pôrrtuguêsá, o que lhe dá estatuto de Variante.

 

Untitled.png

 

Certo dia, um acordista disse-me isto: «Mas, então, a escrita de português atingiu o máximo da sua perfeição? Já não poderá ser modernizada, acompanhar a evolução dos tempos?»

 

Respondi-lhe: «Quem faz semelhante pergunta, desconhece o que é uma Língua, e que as Línguas até podem modernizar-se, como o Português, o Inglês, o Francês, o Castelhano (...) se modernizaram, contudo, "modernizar" não é sinónimo de MUTILAR, DETURPAR, EMPOBRECER e MODIFICAR as palavras desligando-as das suas origens [algo que nenhum outro país fez] e isto nada tem a ver com “modernização”, nem com "acompanhar a evolução dos tempos". Isto tem a ver [galicismo por opção de elegância linguística] com RECUO, com IGNORÂNCIA, ao reduzir-se as palavras à sua forma mais BÁSICA, ou seja, ao patoá dos que não têm capacidade de PENSAR a Língua.» E isto vale apenas para Portugal, porque nada tenho contra a Variante Brasileira do Português.

 

Realmente, a introdução do AO90 que, como toda a gente sabe, assenta na deslusitanização ou no abrasileiramento [como se queira] do Português, só veio fabricar ignorância e analfabetos funcionais, em Portugal.

 

Mas o objectivo dos que criaram o AO90, acolitados actualmente por Marcelo Rebelo de Sousa (PR), por António Costa (PM), por Augusto Santos Silva (PAR) e pela maioria dos deputados da Nação, é não só DESTRUIR a Língua Portuguesa, como fabricar analfabetos funcionais, para melhor poder manipulá-los. Quanto mais culto for um Povo mais insubmisso ele é, e isto não convém aos governantes.

 

E os nossos muito subservientes órgãos de informação, ou são funcionários públicos, ou, se não são, não passam de meros serviçais, de bonifrates à mercê dos cordelinhos dos que desgovernam Portugal, os quais se vergaram, sem o mínimo espírito crítico e brio profissional, ao AO90, e pior do que isso, propagam os disparates que dizem e escrevem nas televisões e jornais (salvaguardando, obviamente, as raríssimas excepções, que, no entanto, se mantêm silenciosas, não vão perder empregos e tachos), disseminando, deste modo, o não-saber e o desprezo pelo seu instrumento de trabalho: o Idioma Português.

 

Não existe Democracia [δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder")] em Portugal. Existe uma espécie de "democracia" onde o POVO tem a liberdade de protestar à vontade, mas NÃO é ouvido pelos "kratos", ou seja, pelos que se julgam “poderosos”, que querem, podem e mandam, e o POVO que se lixe.


A questão da Língua Portuguesa continua cada vez mais grave, e os decisores políticos cada vez mais subservientes ao "Krata" brasileiro. E os decisores judiciais são cúmplices dessa "aliança com benefícios apenas unilaterais”, porque ainda que se esteja a violar a Constituição da República Portuguesa, NADA fazem para repor a legalidade.


Portugal está a ser altamente prejudicado por essa atitude COBARDE dos quatro Órgãos de Soberania: Presidente da República, Assembleia da República (Parlamento), Governo e  Tribunais.

 

Isto está péssimo. Somos um país terceiro-mundista, à conta de gente com mentalidade terceiro-mundista, onde uma elite intelectual compactua, com o seu silêncio, com este assalto à NOSSA Língua, e não só.

 
Portugal é um fruto podre, e não tardará a cair em mãos ainda mais podres.

 

Para fechar esta reflexão, quero partilhar algo, e apenas o partilho por ser o prato do dia na Internet, redes sociais, YouTube, em publicações sobre a Língua Portuguesa, sobre imigração etc.. Trata-se de uma publicação no Facebook, que não me deixou indiferente, aliás coisas destas nunca deixam, seja onde for, porque sou adepta desta "filosofia": se nada dissermos ou fizermos, se não demonstrarmos a nossa indignação diante do enxovalho, vão pensar que tudo está bem na República DOS Bananas de Portugal, por isso vou deixando mensagens aos ignorantes, com a esperança de que nem todos sejam calhaus com olhos.

 

Quanta ignorância leio em publicações como a que refiro! Só gente com mente muito pequena precisa de USURPAR uma das Línguas mais antigas da Europa, e DETURPAR a História de uma das Nações mais antigas da Europa, para se impor ao mundo, quando todos os povos CULTOS sabem que a Língua Portuguesa NÃO é falada no Brasil. No Brasil, fala-se e escreve-se a Variante Brasileira do Português. E quem quer aprender o Português para fixar o Pensamento, a Cultura, o Saber, não procura a Variante, mas a original. A Variante, para a grande maioria dos estrangeiros que a aprendem, serve apenas para língua de comunicação passageira, de viagem.


Sei disto porque aprendi a ler e a escrever no Brasil, e estudei nas escolas brasileiras, cujo ensino está bem patente nas publicações e comentários ignorantes que pululam na Internet, fruto da lavagem cerebral que os esquerdistas, da ala mais ignorante, fizeram aos brasileiros menos instruídos, e que, por serem menos instruídos propagam essa ignorância, sem terem a noção disso.  Isto só envergonha a minoritária elite culta brasileira, e passa uma imagem PODRE e POBRE do Brasil, algo que me deixa muito triste, e incomodada, porque tenho o Brasil como a minha segunda Pátria.

 

Se assim o quiserem os desacordistas, ainda vamos muito a tempo de salvar a NOSSA Língua, porque a linguagem que anda por aí escrita e falada, um pouco por toda a parte, mais visível nas televisões e nos manuais escolares (um autêntico atentado à inteligência das crianças e jovens alunos) é uma linguagem pobre, andrajosa, deformada, desenraizada das suas origens, um verdadeiro insulto à Cultura Linguística Portuguesa, e isto não pode continuar assim.

 

O que temos de fazer?

 

Em primeiro lugar ter consciência de que os muito subservientes decisores políticos portugueses se vergaram aos muito perseverantes decisores políticos brasileiros (e não se pense que isto é uma alucinação) e NADA, NADA, NADA farão para defender os interesses dos Portugueses, e disso é prova máxima o DESPREZO que o presidente da República está a votar ao APELO subscrito por 297 cidadãos pensantes portugueses e também alguns brasileiros, que lhe foi enviado por quatro vias, através do formulário de Contacto, do site da presidência.

 

Em segundo lugar temos de AGIR em GRUPO e obrigar o Chefe de Estado Português a DEFENDER os interesses dos Portugueses, os quais passam pela PRESERVAÇÃO da Língua Portuguesa, ainda que MINORITÁRIA, aliás, como tantas outras Línguas de Povos que NÃO sofrendo da Síndrome da Pequenez são grandes Povos, porque a grandeza do Povos não se mede pela quantidade, mas pela qualidade do seu saber ser e estar em sociedade.

 

As Línguas Minoritárias fixam o Pensamento, a Cultura, a História e o Saber dos Povos, com tanta grandiosidade como as Línguas de grande tiragem.gente de mentalidade pequena e mirrada NÃO se orgulha de uma Língua minoritária, tão grandiosa como a Língua Portuguesa.

 

Por que haveríamos nós, Portugueses, de substituir a NOSSA Língua, que já foi dialecto do Latim, mas construiu um caminho próprio, transformando-se numa Língua autónoma, que, como sabemos, é uma das mais antigas da Europa, e que, pela simples vontade de políticos que sofrem da síndrome do pequeno poder (*) pretendem substituí-la pelo dialecto de uma ex-colónia que, de má-fé, USURPOU a Língua do ex-colonizador, com um objectivo pouco nobre, que acabou por contaminar a classe política portuguesa, que não teve o menor pejo em trair Portugal.

 

Pode não ser fácil eliminar o CAOS linguístico, no nosso País, mas NÃO é impossível. Basta empenharmo-nos, SEM MEDO de melindrar quem nos USA como trampolim para negociatas obscuras, que NÃO servem os nossos interesses.

 

Isabel A. Ferreira

 

(*) Segundo a Psicologia, a síndrome do pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de indivíduos que, ao alcançar o poder, usam-no de forma absoluta e autoritária, desprezando as consequências e problemas que possam vir a causar. Nem mais nem menos isto é o que está acontecer em Portugal.

***

Comentários na Página  NOVO MOVIMENTO CONTRA O AO90  (Facebook):

USURPAÇÃO 1.PNG

USURPAÇÃO 2.PNG

USURPAÇÃO 3.PNG

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:45

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
comentários:
De Susana Bastos a 15 de Agosto de 2023 às 18:31
O economista em causa não é brasileiro, é português... Aliás, isso depreende-se do artigo (que me escuso de comentar por ser um absurdo e estar cheio de equívocos).
Já quanto aos dialectos, o equívoco continua e vou-me repetir: também em Portugal têm a designação de dialectos todas as variedades da língua, sejam continentais ou insulares, como se pode inferir da imagem que publicou. Um dialecto não é nada inferior ou superior a uma língua, é a decomposição desta em variedades, apenas isso.
De Isabel A. Ferreira a 15 de Agosto de 2023 às 19:10
Susana Bastos, agradeço a sua chamada de atenção para a nacionalidade do economista Rodrigo Tavares, que já foi corrigida, mas bem poderia ser brasileiro, devido à sua subserviência ao país que USURPOU a Língua Portuguesa e ao qual os acordistas se vergam tão servilmente, e à apologia que faz à Variante Brasileira.

Quanto aos dialectos, se bem leu as páginas que reproduzi com a classificação de José Leite de Vasconcelos, devia ter notado que não fui eu que classifiquei de “dialecto” a Variante Brasileira do Português. E se bem leu também o que escrevi, não digo que o Português é superior à Variante Brasileira, mas apenas DIFERENTE, porque eivada da Cultura Brasileira, que não tem nada a ver com a Cultura Portuguesa, devido à miscigenação de povos que se fixaram no Brasil. Eles, são eles e a sua Cultura. Nós, somos nós, e a nossa Cultura.

NÃO digo em parte alguma que os dialectos são inferiores ou superiores a uma Língua.

A Variante Brasileira fará o percurso de todos os dialectos: transformar-se-á em Língua, logo que derem cabo da Língua Portuguesa. E aí temos a vingança dos que não souberam aceitar o seu passado português. E quem está a contribuir para isto trai o País, e traindo o País não merece ser português, nem sequer respeitado.

Mas isto acontecerá, se nós deixarmos.
De Andrea Fossetta a 15 de Agosto de 2023 às 20:59
Boa tarde, S.ra Ferreira

há muito tempo que leio este blog, mas nunca tive o coragem de escrever aqui um comento.

Sou cidadão italiano, precisamente da cidade de Veneza. Apesar de não ter estudado o português na escola (tendo escolhido o espanhol), sempre gostei da sua maravilhosa língua, e há algum tempo decidi aprendê-la sozinho. Obviamente, quando falo de "português", entendo dizer o Português falado em Portugal e não o falado no Brasil, embora goste muito de música brasileira, especialmente bossanova.

Ontem lei um artículo PDF chamado "Elogio da mesóclise", escrito por Arthur de Lacerda Neto (aqui o documento original: https://arthurlacerda.files.wordpress.com/2017/06/elogio-da-mesc3b3clis1.pdf), no qual o autor escreve isto:

«Não considero que a perfeição ou a escorreição da fala e da escrita constituem-lhe pechas. Não percebo que se possa, racional e sensatamente, increpar de preciosismo o uso correto ou corretíssimo do idioma nem concebo que se possa desqualificar a perfeição a título do seu alegado “exagero”. Vislumbro na pecha de preciosismo, assim
entendida, manifestação da CULTURA DA MEDIOCRIDADE (minha ênfase), de condescendência com o defeituoso trivial e de impaciência com o augusto»

Ora, queria perguntar-lhe: poder-se-ia dizer o mesmo do uso do futuro e do condicional em Portugal, pelo menos no falado (é o que leio na Internet)? Por que muitas vezes leio que as pessoas consideram o condicional quase como um "preciocismo", algo que deve ser utilizado só em circunstâncias formais, o que poderia soar forçado ou mesmo "pretensioso"...
...coisa que me soa muito mal, sindo que eu sou falante de italiano e também da língua véneta (obtusamente considerada "dialecto" aqui em Itália), nas quales futuro e condicional são muito mais usadas, sem qualquer problema. Sim, não sou português, e sei que não deveria falar dos critérios dos falantes extrangeiros, mas igualmente não usá-los me soa muito mal...

A senhora diria que o não-emprego destes tempos verbais pode ser atribuída à qualidade do ensino após a introdução do AO90?

Peço desculpa pela extensão do meu comentário, e pelo facto de este meu comentário não ter muito a ver com o AO90 , mas senti que era necessário escrever-lhe todo isto.

Desejo boa sorte à Língua Portuguesa e abaixo o AO90!

Andrea, Veneza
De Andrea Fossetta a 15 de Agosto de 2023 às 21:08
Boa tarde, S.ra Ferreira

há muito tempo que leio este blog, mas até agora, por qualquer causa, nunca tive o coragem de escrever aqui um comento.

Sou cidadão italiano, precisamente da cidade de Veneza. Apesar de não ter estudado o português na escola (tendo escolhido o espanhol), sempre gostei da sua maravilhosa língua, e há algum tempo decidi aprendê-la sozinho. Obviamente, quando falo de "português", entendo dizer o Português falado em Portugal e não o falado no Brasil, embora goste muito de música brasileira, especialmente bossanova.

Ontem lei um artículo PDF chamado "Elogio da mesóclise", escrito por Arthur de Lacerda Neto (aqui o documento original: https://arthurlacerda.files.wordpress.com/2017/06/elogio-da-mesc3b3clis1.pdf), no qual o autor escreve isto:

«Não considero que a perfeição ou a escorreição da fala e da escrita constituem-lhe pechas. Não percebo que se possa, racional e sensatamente, increpar de preciosismo o uso correto ou corretíssimo do idioma nem concebo que se possa desqualificar a perfeição a título do seu alegado “exagero”. Vislumbro na pecha de preciosismo, assim
entendida, manifestação da cultura da mediocridade, de condescendência com o defeituoso trivial e de impaciência com o augusto»

Ora, queria perguntar-lhe: poder-se-ia dizer o mesmo do uso do futuro e do condicional em Portugal, pelo menos no falado (é o que leio na Internet)? Por que muitas vezes leio que as pessoas consideram por exemplo o condicional quase como um "preciocismo", algo que deve ser utilizado só em circunstâncias formais, o que poderia soar forçado ou mesmo "pretensioso"...
...coisa que me soa muito mal, sindo que eu sou falante de italiano e também da língua véneta (obtusamente considerada "dialecto" aqui em Itália), nas quales futuro e condicional são muito mais usadas, sem qualquer problema. Sim, não sou português, e sei que não deveria falar dos critérios dos falantes extrangeiros, mas igualmente não usá-los me soa muito mal...

A senhora diria que o não-emprego destes tempos verbais pode ser atribuída à qualidade do ensino após a introdução do AO90?

Peço desculpa pela extensão do meu comentário, e pelo facto de este meu comentário não ter muito a ver com o AO90 , mas senti que era necessário escrever-lhe todo isto.

Desejo boa sorte à Língua Portuguesa e abaixo o AO90!

Andrea, Veneza
De Isabel A. Ferreira a 17 de Agosto de 2023 às 17:12
Caro Andrea Fossetta, agradeço o seu comentário.

O professor brasileiro Arthur de Lacerda Netto escreveu o prefácio da segunda versão da minha «Contestação» do livro «1808» do jornalista brasileiro Laurentino Gomes. O Arthur é uma pessoa extremamente culta, que gosta de cultivar a Língua, embora na sua versão brasileira. Já tinha conhecimento deste seu excelente trabalho - o "Elogio da mesóclise".

Uma vez que é italiano quero dizer-lhe que tenho uma amiga escritora italiana, Zeri Sa Zen/Matilde Maruri Alicante (os seus dois pseudónimos), e é com ela que vou aprendendo o Italiano, e digo-lhe que “l'italiano è una lingua molto cantabile, aggraziata e spiritosa, e apprezzo molto questa lingua”.

Se gosta da Língua Portuguesa e quer aprofundar o estudo da Língua Portuguesa, é a Língua Portuguesa que deve escolher, uma vez que a Variante Brasileira da Língua Portuguesa é outra Língua, tem outra estrutura e difere da Língua Portuguesa na fonologia, na ortografia, no léxico, na morfologia, na sintaxe, na semântica. A mesma origem, caminhos diferentes, porque culturas completamente diferentes.

Quanto à sua questão, digo-lhe que o AO90 só veio arruinar a Língua Portuguesa, em todos os aspectos, incluindo no mau uso dos verbos, até porque a Gramática, tal como no Brasil, foi posta de lado, e a Gramática é o esqueleto de uma Língua, é o que estrutura a Língua, e sem ela a Língua não passa de uma linguagem básica, para básicos.

Será preciso muito mais do que sorte para que a Língua Portuguesa não desapareça. Mas estamos aqui para a defender.

Imagine se um povo estrangeiro fosse humilhar a Língua Italiana e a mutilasse e a desestruturasse e a transformasse numa outra linguagem? Quão triste seria para a Itália e para os Italianos!
De Henrique Jurais a 17 de Agosto de 2023 às 13:17
Gosto em vê-la de regresso.
Por falar - mais uma vez - na vergonhosa idolatração do Brasil (e, atenção, nada contra essa nação), deparei-me com um vídeo dum americano a fazer uma crítica geral à língua portuguesa... ou melhor, à brasileira... e a desrespeitar, vá-se lá saber o porquê, Portugal. A cada dia que passa, estou cada vez mais certo que existe uma conspiração...
O vídeo em questão é intitulado «Language Review: Portuguese» do canal Language Simp, caso esteja interessada nas baboseiras pegadas que este indivíduo profere com tanto carinho e soberba.
De Isabel A. Ferreira a 17 de Agosto de 2023 às 15:05
Obrigada, pela saudação, Henrique Jurais.

Quanto ao vídeo, agradeço que mo tivesse enviado.
Deixei lá o seguinte comentário:

««Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana [aliás, não existe outra, a não ser a humana]. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta” afirmou o físico e teórico alemão Albert Einstein, e eu corroboro. O que acontece quando a ESTUPIDEZ vem ao YouTube? Isto que estamos a ouvir.»

Obviamente, existe uma conspiração, algo que já tem barbas brancas e longas. Mas estou convicta de que os conspiradores provarão do próprio veneno, não tardará muito.

Isto é gente que não sabe SER nem ESTAR em sociedade. Gente-ralé que envergonha a essência humana.

Obviamente, no Brasil existe gente culta. Nem todos os brasileiros pertencem à ala mais inculta. Porém, esta última é, sem dúvida, a ala maioritária, por isso, o Brasil não saiu da cepa torta, desde que se livrou do colonizador, em 1822, e jamais sairá, enquanto os ignorantes forem a maioria.

Nada contra o Brasil. Tudo contra quem opta pela IGNORÂNCIA. Pobre gente!

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Junho 2024

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Repondo a verdade dos faC...

. Lançamento de novo livro ...

. Considerações racionais d...

. Em Defesa da Ortografia (...

. Para quem anda desalentad...

. Feira do Livro de Lisboa/...

. «Parlamento Europeu e Lín...

. O “DN Brasil”, projecto j...

. Juristas da SPA dixit: «O...

. A perplexidade de milhare...

.arquivos

. Junho 2024

. Maio 2024

. Abril 2024

. Março 2024

. Fevereiro 2024

. Janeiro 2024

. Dezembro 2023

. Novembro 2023

. Outubro 2023

. Setembro 2023

. Agosto 2023

. Julho 2023

. Junho 2023

. Maio 2023

. Abril 2023

. Março 2023

. Fevereiro 2023

. Janeiro 2023

. Dezembro 2022

. Novembro 2022

. Outubro 2022

. Setembro 2022

. Agosto 2022

. Junho 2022

. Maio 2022

. Abril 2022

. Março 2022

. Fevereiro 2022

. Janeiro 2022

. Dezembro 2021

. Novembro 2021

. Outubro 2021

. Setembro 2021

. Agosto 2021

. Julho 2021

. Junho 2021

. Maio 2021

. Abril 2021

. Março 2021

. Fevereiro 2021

. Janeiro 2021

. Dezembro 2020

. Novembro 2020

. Outubro 2020

. Setembro 2020

. Agosto 2020

. Julho 2020

. Junho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Março 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. https://www.facebook.com/portuguesdefacto

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. Comentários

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome. 2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.

.Os textos assinados por Isabel A. Ferreira, autora deste Blogue, têm ©.

Agradeço a todos os que difundem os meus artigos que indiquem a fonte e os links dos mesmos.

.ACORDO ZERO

ACORDO ZERO é uma iniciativa independente de incentivo à rejeição do Acordo Ortográfico de 1990, alojada no Facebook. Eu aderi ao ACORDO ZERO. Sugiro que também adiram.
blogs SAPO