Quinta-feira, 21 de Maio de 2020

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada...

 

Tal como um Dom Quixote há muito que também eu luto contra o Medo, contra a Injustiça e contra a Ignorância… muitas vezes com êxito, outras, nem por isso.

 

Em 2016, escrevi o texto que aqui hoje reproduzo, porque já naquele tempo eu pressentia um mundo a vir, povoado por algo que não podia ainda imaginar.

 

Hoje, que o mundo anda virado do avesso, devido a uma essência invisível, mais poderosa do que o mais poderoso dos homens, repito essas palavras, escritas com desalento, mas mantendo a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada

 

Foi nessa esperança que Dom Quixote assentou toda a exuberância da sua saga…

 

Dom Quixote.jpg

 

É com profundo descrédito no bom senso, na inteligência e no poder de discernimento dos homens que entro no ano de 2016 [leia-se 2020].

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Bem gostaria de aqui deixar uma mensagem optimista dos tempos que estão para vir, mas as notícias que nos chegam do mundo não são as mais propícias.

 

Quanto mais a Humanidade avança no tempo, mais retrocede o poder de raciocínio do homem, mais irracional ele se torna e, por este andar, não tarda, regressaremos ao tempo das trevas, ou talvez ao fim de uma era.

 

Até há alguns anos, à partida, para mim, todos os homens eram bons, até demonstrarem o contrário. Hoje, o meu pensamento mudou: tantas foram as decepções, tantos foram os desaires!...

 

Hoje, à partida, para mim, todos os homens são maus, até demonstrarem o contrário. E esta mudança, bastante radical, confesso, começou a operar-se depois que entrei neste mundo imundo que aqui vou denunciando, quando fui penetrando a fundo nos problemas políticos, melhor dizendo, nos desajustes dos políticos que estão na base de todos (ou quase todos) os desequilíbrios sociais, económicos, morais, culturais e até religiosos de toda a sociedade humana.

 

O avanço tecnológico, mal orientado e mal aproveitado, tem levado a Humanidade ao caos. Os valores humanos estão a diluir-se, e o homem está a transformar-se num ser vazio e irracional.

 

Já não há respeito pela vida, não há respeito pelos outros animais, mão há respeito pelo Ambiente, não há respeito por absolutamente nada, porque o homem deixou de se respeitar a si próprio, e este é o pior dos desrespeitos, é o começo da desestruturação do ser, que leva à desintegração de toda a sociedade.

 

E aqueles que, agarrados a um fiozinho da racionalidade que ainda se vislumbra algures, entre as ruínas do mundo, parece que perdem o seu tempo, tentando abrir os olhos e os ouvidos daqueles que há muito deixaram de ver e ouvir, não por motivo de alguma doença súbita, mas levados por um egoísmo desmedido que os lançou na ignorância, ao ponto de se ignorarem a si próprios.

 

Chico Mendes.jpg

(Origem da imagem)

http://semeadoresdadiscordia.blogspot.pt/2008/01/chico-mendes.html

 

Recordo, hoje, aqui e agora, Chico Mendes, um seringueiro, sindicalista, activista político e ecologista brasileiro, assassinado nas vésperas do Natal de 1988, apenas porque compreendia as árvores, acarinhava a água e respeitava as flores, ao ponto de não querer flores no seu enterro, pois sabia que as iam arrancar da floresta…

 

Chico Mendes era um ambientalista, que apenas pretendia defender a Amazónia, pretendia defender a vida do nosso Planeta, e os tais ignorantes assassinaram-no.

 

Por todo o mundo, em pleno século XXI depois de Cristo, ouvimos falar de guerras, de um terrorismo com consequências incalculáveis, porque os governantes endoideceram, e o povo endoideceu com eles, e não há nada nem ninguém que faça parar esta loucura.

 

Na Rússia e nos EUA passa-se fome. Em países da dita civilizada Europa vegeta-se e morre-se. Na África, milhares de pessoas estão condenadas. Nos países ricos esbanjam-se bens, esbanja-se dinheiro e esbanjam-se vidas.

 

Um desequilíbrio cósmico instalou-se no nosso Planeta, e mais perigosamente no íntimo dos homens, e a poluição do meio ambiente aliou-se a uma poluição mental, que está a conduzir o mundo para o abismo.

 

Num destes dias, em conversa com uns amigos, chamaram-me a atenção para a visão pessimista que eu tenho em relação à sociedade, aos políticos, aos governantes…

 

É verdade!

Mas que motivos terei eu para ser optimista?

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me vêem sorrir para as flores, mas é que eu entendo a linguagem das flores…

Podem chamar-me de desatinada quando canto ao desafio com os pássaros, mas eu sei de cor todas as canções que os pássaros cantam, sem pauta, sem métrica, mas com muita harmonia…!

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me encontram a acarinhar um Lobo, mas eu tenho alma de Lobo, sei das emoções dos meus irmãos animais…

 

Podem chamar-me de desatinada quando me quedo a escutar o silêncio, mas podem crer que o som do silêncio é extasiante, é o mais eloquente som da Natureza.

 

Não me perguntem como, nem por que tenho a percepção deste meu mundo feito de coisas invisíveis, acantoado por detrás desse outro mundo que todos julgam real, mas que, na realidade, não passa de uma miragem no infinito deserto, que é a vida dos que não conseguem ver o invisível…

 

Que razões tenho eu para ser optimista quando os que me rodeiam não conseguem ver o mundo das flores; não conseguem acompanhar o canto harmonioso dos pássaros; não conseguem sentir a respiração da alma dos Lobos; ou ouvir o vibrante som do silêncio?

 

Apenas uma certeza faz com que possa vislumbrar uma luz ao fundo do túnel: é que, tal como Miguel de Cervantes, eu também acredito ferverosamente que «Deus suporta os maus, mas não eternamente» …

 

Por isso, um a um, aqueles homens maus, cujo único objectivo da existência deles é violar a harmonia cósmica, cairão um dia. Sempre assim foi, desde o princípio dos tempos… Todos os tiranos da Humanidade caíram inevitavelmente… E aos maus, jamais nenhum Homem de bem ergueu uma estátua. E se as ergueram, por equívoco, logo as derrubaram.

 

E nesta mensagem de Ano Novo que aqui vos deixo, um tanto ou quanto pessimista, continuo a manter a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada… 

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte: 

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/no-entanto-mantenho-a-esperanca-de-608100

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:01

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Domingo, 17 de Maio de 2020

Matemos a charada, amigos desacordistas!

 

Enviei aos senhores governantes de Portugal um texto com este título:

 

PARA PORTUGAL!

E perguntei-lhes: «Qual o sentido de PARA PORTUGAL

Este “para” é uma preposição ou um verbo? E conforme for uma ou outra coisa, o sentido da minha pergunta ou vai para norte ou vai para sul.

O que eu pretendo dizer depende da decifração desta charada.

Mas há mais.

 

IGNORÂNCIA.jpg

Vamos fazer de conta que o boneco da esquerda representa os desacordistas, e o da direita, os acordistas.

 

O da esquerda pergunta:

- O que é pior? A ignorância ou a indiferença?

 

Responde o da direita:

- Nem sei, nem me importa!

 

Devido a este não saber e não importar, a Língua Portuguesa anda por aí a morrer de fome de consoantes, de acentos, de hífenes, empobrecida, esfarrapada, maltratada, e Suas Excelências, lá do alto dos seus postos de faz-de-conta que governam Portugal e zelam pelos seus interesses e pelos interesses dos Portugueses, estão a permitir um caos ortográfico que, a continuar assim, acabará por arruinar definitivamente o Português, que já perdeu o seu berço, a sua História de mais de 800 anos, a sua beleza.



O Português que se escreve por aí, e que os órgãos de comunicação social, particularmente os televisivos (que dão mais nas vistas) disseminam abundantemente, e cujas legendas e rodapés de notícias estão nas mãos de semianalfabetos, já não é Português, mas tão-só uma mal-amanhada massamorda, graças a políticos pouco esclarecidos e muito desalumiados que decidiram arvorar-se em donos da Língua, e fazer dela o tapete comunitário em que todos limpam os pés, à entrada de Portugal. E apenas em Portugal, onde, reza a História, nasceu a Língua Portuguesa. Mas não parece. Por incrível que pareça, parece mais que nasceu em África, nomedamente em Angola ou Moçambique, onde a Língua mantém as suas origens europeias.

 

Querem uma amostra?

 

CORROPIO.png

DEFENIR.png

Deficientes audiovisuais.png

EXTENDIDA.png

EXTENDER.png

 

excessionais.png

TRAGEFONAS.png

VINHAIS.png

Fonte das imagens:  

https://www.facebook.com/groups/observatoriodaasneira.emaccaocontraoacordo/

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:00

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020

«Defender a Língua Portuguesa é defender a parte crucial da nossa existência como povo soberano e independente»

 

Em tempo de crise sanitária, económica e financeira, não podemos baixar a guarda, na luta contra esta outra crise, que abala a soberania e a independência portuguesas: a venda da Língua Portuguesa ao Brasil.

 

«Defender a Língua Portuguesa é defender a parte crucial da nossa existência como povo soberano e independente». Quem o diz é um amigo meu, Doutor em Engenharia Civil, Professor Catedrático em Angola, onde além dos muitos dialectos locais, também se fala e escreve Português culto e europeu, o qual não quis identificar-se, por motivos óbvios.

 

Um texto crucial, absolutamente obrigatório ler e reter e nele reflectir, para que possamos continuar a ser europeus e, sobretudo, portugueses.

 

PORTUGAL.jpg

 

Os que acham que Portugal é um país sul-americano olhem bem para este mapa: Portugal é um país que, com a Espanha, constitui a Península Ibérica, situada na parte mais ocidental de um continente chamado Europa. Em Espanha fala-se Castelhano, Galego, Catalão e Basco; em Portugal, fala-se Português (uma das primeiras línguas cultas da Europa medieval a par do Provençal), e Mirandês (as duas Línguas oficiais portuguesas) somando-se a estas, mais quatro dialectos – Sendinês, Guadramilês, Riodonorês e Minderico (este último em extinção).

 

Esse meu Amigo, ausente há vários anos de Portugal, e cujo nome é considerado por ele um aspecto relativamente secundário, visitou o meu Blogue e inteirou-se da luta que se trava em Portugal em defesa da Língua Portuguesa.

 

Inacreditável, não é?

 

É que os Portugueses já foram chamados a defender o território contra a investida de vários invasores, entre eles, Mouros, Espanhóis, Ingleses e Franceses, na sua fase histórica. Já tiveram de defender direitos, ideais e ideias. Mas jamais passaria pela cabeça de ninguém (daí ser caso único, desde que o mundo é mundo) um povo (ou parte dele, porque há sempre os seguidistas, aqueles que seguem alguma coisa, seja boa ou má,sem nunca se questionarem ou fazerem juízos de valor) ter de vir defender a sua Língua Materna, apenas porque uns poucos ignorantes (e como bastam uns poucos!) querem substituí-la por uma ortografia estrangeira.

 

Pois esse meu Amigo, a propósito de um artigo onde apresento argumentos assertivos contra esta “invasão de bárbaros acordistas”, escreveu um texto, em Bom Português, que nos devolve a confiança no povo que já fomos, mas ainda podemos ser. Uma lição daquela História que já não se ensina nas escolas portuguesas e, por isso, tanto faz, como tanto fez, escrever esta ou aquela Língua, desde que se facilite a escrita, que é o que mais me dói ouvir da boca dos que aceitaram, sem pestanejar, a ortografia brasileira, com a supressão das consoantes mudas com uma função diacrítica, e de acentos e hífens, onde tudo isso faz falta, para se compreender a Língua.

 

Escreve então esse meu Amigo:

 

«De todos os modos o essencial do que ali diz é certamente o que repetirá (como eu, até à exaustão) em todos os seus escritos, defendendo aquilo que é a parte crucial da nossa existência como Povo Soberano e Independente, a nossa Língua.

 

Sem saudosismos ou passadismos retrógrados, penso que nos falta, na actualidade, como Povo, o reconhecimento daquilo que fomos capazes de fazer, quando libertos de amarras e de constrangimentos que não os nossos. Começámos por ser os primeiros a libertar a nossa parte da Península da presença dos muçulmanos, enquanto os nossos vizinhos só o fizeram quase 250 anos depois. Partimos para o mar, e embora não tivéssemos sido os primeiros (os Vikings, segundo parece, haviam-no feito com Eric, o Vermelho, por alturas do ano 1000, mas de resto sem quaisquer consequências sociais ou económicas), fizemo-lo em todas as direcções e demos início à globalização, há quase 600 anos. Dobrámos a África, chegámos à índia, à China, à Austrália e ao Japão, descobrimos o Novo Mundo (acredito, porque bem provada, na tese de Mascarenhas Barreto sobre a naturalidade portuguesa de Cristóbal Colón) e dominámos uma boa parte da África por onde tínhamos de passar nas nossas andanças para Leste. 

 

Deixámos, por onde andámos, uma forma de viver única, não massacrámos, nem eliminámos fisicamente nenhum povo da Terra, como fizeram americanos e espanhóis, e a forma como nos relacionámos com todo o Mundo foi, essencialmente, feita na base da diplomacia. Houve naturalmente confrontos, mas quase nunca provocados por nós, que basicamente nos defendemos ou ajudámos a defender os nossos aliados. Deixámos atrás de nós um legado de saudade e de um humanismo imenso. Ainda hoje as gentes de Goa, de Malaca ou de Timor, recordam com um enorme respeito os Portugueses, para não falar na forma como somos recebidos no interior de Angola ou Moçambique pelos mais-velhos, aqueles que tiveram a oportunidade de conviver connosco. Eu sou testemunha disso, todos os dias em Angola. 

 

Sem nacionalismos bacocos, poderemos dizer que atrás de nós ficou um legado muito peculiar, feito com erros, com imperfeições, certamente, mas com muita entrega, muito empenho, dedicação e carinho. Creio que a palavra "paternalismo" tem inteiro cabimento na forma de nos relacionarmos com os outros povos, não tanto na parte que pode significar superioridade, mas sobretudo naquilo que exprime aproximação e mesmo afecto. E é curioso verificar que é como Pai que olham para nós.

 

Para um povo que tinha 1.5 milhões de almas ou pouco mais no início da arrancada, vivemos num mundo onde quase 300 milhões de pessoas falam a nossa língua. Que é deles também, sem deixar de ser a NOSSA, e só perdemos identidade, só nos deslustramos perante todos eles se deixarmos de ser quem sempre fomos e tentarmos agora, como muitos imbecis procuram, disfarçar-nos atrás das cortinas da História, procurando fazer-nos desaparecer da vida desses povos, desvanecer o nosso carácter, quase a pedir desculpa de existirmos. Essa gente, que nos ataca e pretende afinal destruir-nos por dentro, não é Portuguesa, essa gente faz-se de Portuguesa por razões de interesse, e por isso porfia em contestar o que fomos, negar os nossos sucessos, tentando com isso apagar-nos da História. E a Língua, essa forma NOSSA de comunicarmos e de veicularmos o que somos, disseminar-se-ia de algum modo numa multidão de gentes, vindo a perder-se assim o rasto das suas origens.

 

Nos tempos que correm, em que vemos todos os dias soçobrar um pouco mais tudo aquilo que tem sido ao longo destes 875 anos de história colectiva, a razão que nos aproxima e justifica entre os demais povos da Terra, é com esperança redobrada que percebemos que não estamos sós e que aqui e ali se levantam cada vez mais vozes indignadas que protestam. E por isso me apraz muito participar neste seu blogue, onde encontro a primeira linha de defesa dos valores que são nossos, daquilo que nos pertence.

 

E diz mais à frente:

 

Foi esse querer que nos levou para longe, e que dá força ao pensamento de Gilberto Freire, o ilustre sociólogo brasileiro que definia o português "como alguém que nasce em Portugal e vai morrer não se sabe aonde". Talvez seja essa uma parte do nosso drama, o nosso verdadeiro estigma, saímos e não voltamos, acreditando que a retaguarda estivesse sempre protegida. Hoje, regressados ao quinhão natal vindos das 7 partidas do Mundo, espantamo-nos com a recepção fria quando não agreste com que nos acolhem e mal entendemos a vontade que impera no desfazer de tudo o que fomos e ainda somos. A Língua é o espaço vital, o traço de união que liga todo o Mundo onde já vivemos soberanamente e onde ainda sobrevivemos por força da nossa razão e de modo algum pela razão da força, que já não temos, ou quase nunca tivemos. Neste aspecto eu não posso deixar de me maravilhar com a capacidade extraordinária de um Paiva Couceiro, que acompanhado de meia dúzia de auxiliares (os chamados sipaios), desceu o Rio Cubango em Angola e trouxe para Portugal os povos de um território imenso (maior do que o território que nos sobra hoje), designado como Cuando-Cubango, construindo os fortes de Cuangar, Calai, Dirico e Mucusso, com duas ou três praças europeias em cada um. Ou o extraordinário Henrique de Carvalho que "abraçou" as Lundas (também maiores do que Portugal), sozinho, em conversações com os muatas quiôcos, e as ligou à nossa bandeira.

 

Onde está essa gente? Onde vive o espírito desses homens que olhavam para longe e impunham aos demais, sem usar necessariamente da força, a sua maneira de pensar? Fizemos um Brasil imenso, o maior país da América do Sul, com uma decisão e um querer impressionantes, resistindo ao "esfrangalhamento" em que caíram os territórios espanhóis (vale a pena ver o site Brasil Paralelo onde jovens historiadores brasileiros se fascinam a perceber o que lhes foi escondido por tantos anos). São eles as nossas melhores testemunhas.

 

Há uns anos a esta parte foi descoberto nas florestas da Amazónia uma fortaleza feita em cantaria de granito, onde se destacava uma placa que tinha os seguintes dizeres: - “Sua Majestade D. Pedro II, Rei de Portugal e dos Algarves (segue-se toda a panóplia de títulos que bem conhecemos)… queria que aqui se fizesse um forte. E fez-se.”

 

E hoje parece que nos envergonhamos de olhar para trás. Parece ser incorrecto tomar como exemplo os exemplos do passado, ou referir a grandeza única do nosso querer e do nosso pundonor. Não se trata de nacionalismos exacerbados ou fora do tempo, trata-se tão-somente de percebermos quem somos e porque estamos aqui. E olhando à nossa volta, percebemos que a estrénua resistência e enorme vontade que se lê e entende por detrás da evidente pobreza cultural da nossa gente, apenas demonstra que faltam os líderes, os guias que apontam os caminhos e a quem ninguém ousa desobedecer. Como dizia Pessoa ao terminar a Mensagem: - «mais que o mostrengo que a minha alma teme, manda a vontade que me ata ao leme, d’El-Rei D. João II». Ou lembrando o épico, no mais conhecido: - "um fraco rei faz fraca a forte gente"...

 

Será que nem a Língua, nem aquilo que falamos e que traduz quem somos, resiste ao ímpeto destruidor da “canalha”(*)?

 

«Floresça, fale, cante e ouça-se e Viva a Portuguesa Língua. E já, aonde for, Senhora vá de si, Soberba e Altiva…» (Lembro António Ferreira, no já distante século XVI, na carta que então escrevia a Pêro de Andrade Caminha, e pergunto-me: - o que nos aconteceu, que maldição é esta? Como pudemos chegar a este ponto, a esta encruzilhada que parece fatal, e onde o Futuro se decide em todos os momentos?).

 

Não faço do Passado uma forma de viver. Mas tenho certo que o Presente e o Futuro só existem para quem tem Passado.

 

Será talvez esta a explicação do nosso descontentamento, não sei...»

 

Um Amigo

 

(*) Como melancolicamente se queixava D. Pedro V aos seus amigos, dos ataques, já nesse tempo incisivos, dos predadores de serviço.

 

***

 

Pois é! Também não sei, meu caro Amigo.

 

Mas uma coisa eu sei, nós dois sabemos: «Por detrás da evidente pobreza cultural da nossa gente, está realmente a falta de verdadeiros líderes, os guias que apontam os caminhos e a quem ninguém ousa desobedecer».

 

Sabemos que os «fracos governantes, que actualmente nos (des)governam fazem fraca a forte gente que ainda somos».

 

Sabemos também que destes fracos governantes não rezará a nossa gloriosa História, pois nela serão perpetuados como os que tentaram destruir uma das primeiras línguas cultas da Europa medieval – a Língua Portuguesa, que continuaremos a defender até que a Irracionalidade dê lugar à Razão.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:17

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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020

E assim vai o ensino da Língua Portuguesa, em Portugal...

 

Um excelente texto da Escritora e Professora Catedrática Teolinda Gersão,  publicado no Facebook em 06 de Abril de 2018.

 

Se fosse escrito hoje, o ensino da Língua Portuguesa, que neste texto foi exposto como sendo mau, teria de ser revisto e qualificado de péssimo, porque, entretanto, as coisas degradaram-se de tal modo, que até os professores (salvo raras excePções) já não sabem ensinar ou sequer escrever correCtamente a Língua que, oficialmente, continua a ser a Portuguesa, assente na grafia proposta pela Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 (*), que entrou em vigor no nosso país através do Decreto N.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, o qual não foi revogado, logo, continua em vigor. Regra básica que qualquer estudante de Direito, do primeiro ano, sabe, e o cidadão comum, mais informado, também sabe.

 

E é este Decreto que dá validade jurídica ao facto de o Ensino da Língua Portuguesa dever ser efectuado segundo a grafia de 1945, delegando, assim, para a ilegalidade, a aplicação do AO90, em Portugal.  

 

LÍNGUA PORTUGUESA.png

 

«VOU CHUMBAR A LÍNGUA PORTUGUESA»…

 

Este texto é da autoria de Teolinda Gersão

 

Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

(Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português, e colocou-o no Facebook).

 

"Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, “em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, “algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

 

A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

 

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impor a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

 

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática?

Respondo: «Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito».

 

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

 

Fonte:

https://www.facebook.com/pedrovalcerto/posts/1826140224076035

 

***

(*) A Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 (Acordo Ortográfico de 1945) foi assinada em Lisboa em 6 de Outubro de 1945, entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras. Este acordo, ligeiramente alterado pelo decreto-lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro, estabeleceu as bases da ortografia portuguesa para todos os territórios portugueses (que à data do acordo e até 1975 compreendiam o território europeu de Portugal e as províncias ultramarinas portuguesas - na Ásia e África), e que até aos dias de hoje está em vigor.  No Brasil, o Acordo Ortográfico de 1945 foi aprovado pelo decreto-lei 8.286 de 5 de Dezembro de 1945, contudo, o texto nunca foi ratificado pelo Congresso Nacional, e os Brasileiros logo o abandonaram para continuar a regular-se pela ortografia do Formulário Ortográfico de 1943. O texto foi posteriormente revogado pela lei 2.623, de 21 de Outubro de 1955, passados 10 anos.

 

Portugal anda vai muito a tempo de dar o dito pelo não dito (como o fez o Brasil, com o AO45), reconhecer o gravíssimo erro que foi adoPtar a grafia da ex-colónia sul-americana, e mandar repor a grafia portuguesa, nas Escolas portuguesas, e em todas as instituições estatais e privadas, fazendo, desde modo, cumprir a LEI VIGENTE.

***

Para complementar o que aqui foi dito, aconselho a leitura deste texto:

 E assim, vai o inadmissível e arruinado ensino, em Portugal...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2020

(Des)concerto de Ano Novo

 

Desde sempre me preocupei com as crianças, afinal, são elas o futuro da Humanidade. E foi por elas que escrevi o «(Des)concerto de Ano Novo», no já longínquo fim de ano de 2009.

 

Chamo-o” para o dia de hoje, porque passados 10 anos, continuo preocupada, ainda mais,  com as crianças, esquecidas neste mundo enlouquecido, sobretudo, com as crianças portuguesas, pois nada mudou, nada avançou, tudo se transformou, para pior, desde 2009, quando o normal seria evoluir-se…

 

O que se tem feito contra as crianças, em Portugal, constitui um crime de lesa-infância, ao qual nenhuma autoridade dá a mínima importância, talvez porque as crianças não votam, não se manifestam, não têm voz.

 

Além de não lhes assegurarem um futuro condigno, neste Planeta que se esvai, estão a impingir-lhes uma grafia que não lhes pertence. Estão a enganá-las de um modo vil. O desrespeito que a elas os governantes, os parlamentares, a maioria dos professores e muitos pais consagram é horripilante!

 
É motivada pelas crianças que faço esta reflexão, desejando que o ano de 2020 traga a lucidez e a racionalidade, que tão arredadas andam da sociedade portuguesa e das esferas do Poder.

 

Ano Novo1.png

 

Um novo ano abre caminho para um lugar velho.

 

Nestas ocasiões costumo reflectir acerca do que se passa no mundo e ao meu redor: se os homens cresceram ou continuam crianças, eternamente teimosas, brincando aos chefes e aos bandidos, enfim, se renitentes em deixar crescer a mente para se tornarem homens responsáveis e poderem governar os destinos dos outros homens, com a lucidez necessária.

 

Reflicto igualmente no que eu própria fiz ou fui, e como tudo poderia ter sido diferente SE...

 

Entretanto, e porque foi época de troca de prendas, chegou-me do Brasil a obra «Amor – Um Livro Maravilhoso Sobre a Maior Experiência da Vida», da autoria de Leo Buscaglia, escritor de origem italiana, que me ensinou muitas coisas e fez-me reflectir sobre outras, nomeadamente a Criançaessa eterna esquecida.

 

Eu tinha imaginado para este início de ano uma crónica algo idêntica a um belo prelúdio, executado num bosque, com chilreio de pássaros à mistura. Contudo, uma qualquer força misteriosa (sempre presente em mim) conduz os meus pensamentos para a Criança – espécimen em extinção.

 

Alarmei-me, e desconfio que o meu pretendido prelúdio se transforme num desconcertado concerto de Ano Novo.

 

No seu livro, Leo Buscaglia fala de uma professora de arte que, um dia, desenhou, no quadro negro, uma árvore que parecia um pirolito (era a árvore dela), e pediu aos alunos que também desenhassem uma, nos seus cadernos.

 

Um garoto (que conhecia bem as árvores, pois já «subira numa árvore, abraçara-a, caíra de lá, ouvira uma brisa através dos seus galhos...» desenhou uma «linda monstruosidade com os seus lápis roxo, amarelo, laranja e verde». Mostrou-a à professora, e esta comentou: «Que loucura!» Porque o que na realidade pretendia era que o menino desenhasse uma árvore igual ao “pirolito” que ela desenhara no quadro negro.

 

Esta passagem, fez-me recordar uma outra história, esta verídica, passada numa escola da cidade onde resido, com uma menina, minha amiga, tímida, por natureza (não serão as flores tímidas também, no seu desabrochar?) mas muito perspicaz e observadora.

 

A professora mandara a turma desenhar e pintar uma árvore. A menina desenhou então a “sua” árvore, semelhante às das outras crianças, com excepção da cor: a sua era avermelhada.

 

Ano Novo2.png

 

A professora ao ver tal cor na árvore, disse-lhe: «A tua árvore está errada, porque as árvores são verdes e não vermelhas.» A menina, como era tímida, calou-se. Nada explicou à professora. Se esta não tinha entendido a “sua” árvore, de nada valeria explicar-lhe o que quer que fosse.

 

Nesse dia, a menina chegou triste a casa, e contou à mãe o sucedido: ela havia desenhado uma árvore e pintara-a de uma cor avermelhada, igual à que tinha visto no Jardim Botânico de Coimbra, numa manhã de Outono. Era tão bonita! A professora dissera-lhe que a “sua” árvore estava errada, pois as árvores são verdes. Porém, a menina já tinha visto árvores com folhas amarelas, castanhas, vermelhas, e, além disso, aquela era a “sua” árvore de Outono.

 

A mãe tranquilizou-a dizendo: «Deixa lá! Talvez a professora nunca tivesse olhado para as árvores, no Outono. Talvez tu pudesses ter-lhe sugerido que observasse melhor as árvores no Outono...»

 

Mas a menina entendeu que não valia a pena. Se a professora cresceu sem nunca ter observado as árvores no Outono, agora já não fazia diferença nenhuma...

 

O certo é que essa menina começou, desde então, a rejeitar a escola e a desmotivar-se pelo estudo. Na verdade, o que poderia aprender com alguém que nem sequer uma árvore de Outono conhecia?...

 

Se, ao contrário daquela frase seca «A tua árvore está errada», a professora tivesse perguntado: «Por que pintaste a árvore de vermelho?», a menina teria tido oportunidade de explicar-se, e que bela aula sobre o Outono e as transformações da Natureza poderia ter acontecido!

 

Daí para diante, a escola para esta menina foi um lugar de desencanto. E para quantas mais, por idênticos ou outros motivos, a escola não passa de um lugar de tédio?

 

Embora na prática, e quase inconscientemente, sempre tivesse lutado pela preservação da minha própria individualidade (cada ser humano tem a sua, e existe algo dentro de cada um que o diferencia de todos os outros), o que determinou o modo como estou no mundo, enfrentando os preconceitos dos outros, para poder ser livre (só criamos sendo livres), teoricamente, foi o que aprendi fora da escola, o que significa que o Ensino em Portugal, apesar de todas as reformas e contra-reformas, sempre dificultou o processo de ajudar o aluno a descobrir e a entender a sua própria individualidade, não lhe apontando os caminhos que poderão desenvolver essa particularidade, nem lhe mostrando como a partilhar com os outros. O que temos é um Ensino que tenta fazer com que todas as crianças sejam iguais. E é isso que me assusta.

 

A propósito, recordo-me que quando frequentava a Faculdade, tive uma discussão académica com o meu professor de Pré-História, na aula em que ele tentava “impingir-nos” a teoria de Darwin, sobre a Origem do Homem. Como eu já havia lido algumas outras opiniões (não entra aqui a de Adão e Eva) sobre a matéria, formulei a minha própria teoria, não menos lógica do que a de Darwin. Mas quem era eu para me atrever a desenvolver teorias que se opusessem ao que estava estabelecido como certo? Uma simples aluna, que devia papaguear o que o professor dizia, sem poder emitir opiniões?

 

Recordo-me igualmente do meu primeiro e único “chumbo” na minha vida de estudante, quando me atrevi, num exame final, a tecer considerações sobre o «comportamento libertino do clero na Idade Média». Pedi revisão de prova, e verifiquei que em todas as minhas respostas haviam sido retirados alguns pontos (mais nessa do clero) por “irreverências” (ou seja, opinião pessoal) num tempo em que tínhamos de calar o pensamento, o que transformava os alunos em autênticos “papagaios”, o que eu, naturalmente, me recusava a ser (daí a minha nota de curso ter-se ficado por um simples 13,5).

 

Hoje, no pós-25 de Abril, tudo continua quase na mesma ou pior ainda. Os alunos são tratados como atrasados mentais, não lhes deixando muito campo para a criatividade (serão os professores criativos?). Nem os deficientes mentais devem ser tratados como tais. A normalidade gera a normalidade. E a criatividade gera a criatividade.

 

O professor deve limitar-se a mostrar as “ferramentas” do saber aos alunos, e deixar que estes criem, soltem o pensamento, sonhem, descubram algo de novo no mundo que têm ao seu alcance.

 

No tempo em que dei aulas (era ainda bacharel), tentei “fugir” ao programa oficial, dando liberdade às crianças (ensinava História e Língua Portuguesa) de voarem com as suas próprias asas. Cheguei mesmo a recusar-me a dar a matéria tal qual vinha no Compêndio, nomeadamente sobre as Colónias Portuguesas de África, a Guerra no Ultramar e a Acção de Oliveira Salazar, por considerar que estaria a mentir às crianças. Não tive tempo de deixar os alunos comporem o seu próprio juízo, pois nesse ano, o primeiro em que dei aulas (1973/74) aconteceu o 25 de Abril e o ensino da História levou outro rumo: acabarm com ela.

 

Porém, se eu não podia, por força das circunstâncias, conduzir os meus alunos à descoberta da sua própria individualidade, deixá-los criar o seu próprio universo (nem todos vemos as árvores do mesmo modo) então melhor foi abandonar o ensino (no ano lectivo de 1974/75), e, liberta de todas as amarras, dedicar-me ao jornalismo e essencialmente à criação literária, lugar onde podemos voar até ilimitadas imaginações, com as asas do pensamento.

 

O que fundamentalmente pretendo dizer com tudo isto é alertar os agentes da educação e do ensino (um dos grandes podres da nossa sociedade) que eventualmente possam vir a ler estas palavras, para o facto de que há um tempo para a infância, outro tempo para a adolescência, outro, para a juventude, outro, para o estado adulto, e outro ainda para envelhecer.

 

Se o ser humano não passar por estes estágios adequadamente, virá a ser um autêntico fracasso enquanto indivíduo.

 

A tendência, hoje, é para “fabricar” adultos precoces, autênticos “robôzinhos” informatizados e estandardizados. Se uma criança cresce pensando e agindo como um adulto, aos vinte anos sentir-se-á velha e desencantada.

 

Quando entre esses “robôzinhos” aparece uma verdadeira criança, dizem que «é muito infantil para a idade», embora a idade seja para ser infantil. O que é feito de valores como a inocência, a ingenuidade, a candura, tão características das crianças?

 

Estão a desaparecer. Vão sendo raras aquelas que pintam árvores vermelhas de Outono, uma vez que é proibido ser criativo, ser infantil, ser criança; é proibido sonhar com bolas de sabão, porque os computadores, os tablets, os i-phones, i-pads, as consolas é que são o futuro.

 

Avançamos no século XXI. Encontramo-nos já na segunda década do século, no ano 2020. Receio que no final deste século já não hajam crianças, por muitos, muitos motivos. Apenas uma humanidade velha e esfarrapada, aquela que sobrará de uma sociedade em decadência, num planeta igualmente a caminho da extinção.

 

O facto é que não sei se o tempo, ou se os homens e as mulheres do nosso tempo pretendem exterminar aquele encanto, aquela fantasia e até os sonhos cor-de-rosa que constituem uma parte muito essencial de toda a infância.

 

Hoje, pretende-se que as crianças cresçam depressa, para não ter de se perder tempo com elas. Conheço mães que, para as substituir, oferecem cães aos filhos. E à noite, os filhos ficam sozinhos em casa, aos cuidados do amigo não-humano, e eles (pais e mães) vão à discoteca, aos bares, e nem sonham com o que, entretanto, se passa em casa com os filhos.

 

Vem depois a droga, como alternativa, e a sociedade revolta-se contra os drogados, porque são uns marginais, uns delinquentes, uns irresponsáveis, mas ninguém procura saber o que, na realidade, está por detrás dessas fugas para o mundo da total alienação. São poucos aqueles que se drogam por caírem em armadilhas ou por simples curiosidade. A grande maioria tem uma história triste para contar. Uma história que tentam esquecer, entrando num mundo que julgam ser eternamente tranquilo e colorido...

 

O que pretendem os adultos fazer com a infância?

 

É esta reflexão que proponho para este início de ano, uma vez que não existirá futuro se as crianças de hoje não puderem sorrir e sonhar... Se não puderem ser crianças...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2019

«A cartilha da “Turma da Mônica” no contexto da consulta pública sobre o Acordo Ortográfico»

 

Um muito elucidativo texto, que veio de Angola, da autoria do Dr. Filipe ZauPh. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais.

 

«Percebo que o Brasil sinta necessidade de divulgar a variante brasileira da língua portuguesa e, através dela, a cultura e as indústrias criativas, com especial realce para a literatura e o áudio-visual. Sempre o fizeram e todos os Estados-membros da CPLP o deveriam fazer. Todavia, será que é necessário a adopção de um mau Acordo Ortográfico, assente em falsos pressupostos, para que tal possa ocorrer?» (Filipe Zau)

 

A verdade é que nem Angola, nem Moçambique, nem os restantes países africanos, de expressão portuguesa, foram chamados à liça, no processo da engendração do AO90. As negociatas foram sendo feitas entre Brasil e Portugal, com muitas fraudes à mistura, e ainda pretendem impor, àqueles países, que ficaram de fora (e ainda bem, de outro modo seriam hoje cúmplices dessas fraudes) uma ortografia que nada tem a ver com nenhum deles?

 

Como faz bem à alma ler um texto onde impera a lucidez, publicado no Jornal de Angola, e escrito em boa Língua Portuguesa.

Obrigada, Dr. Filipe Zau.

 

Filipe Zau.jpg

 

Por Filipe Zau |*

 23 de Outubro, 2019

 

«No passado dia 3 de Setembro de 2019, tive a grata oportunidade de assistir em directo, à transmissão da Consulta Pública sobre o Acordo Ortográfico de 1990, que teve lugar na Comissão de Educação do Senado Brasileiro, a pedido de professores que manifestam dificuldades em leccionar as suas aulas de didáctica da Língua Portuguesa, face ao elevado número de incongruências de que o AO90 é fértil.

 

O Ministério da Educação do Brasil e a Academia Brasileira de Letras (ABL), desde há muito cientes do elevado número de situações aporéticas e constrangimentos deste acordo, primaram pela ausência, evitando, assim, esgrimir argumentos em defesa do indefensável.


Sérgio de Carvalho Pachá (gramático, lexicógrafo, filólogo, tradutor e escritor, que, durante sete anos, foi lexicógrafo-chefe da ABL, onde resolvia questões gramaticais e vernaculares da língua portuguesa), Sidney Luiz Silveira da Costa (jornalista, escritor e estudioso da Filosofia medieval, conhecido como um dos maiores divulgadores da escolástica no Brasil) e Amini Boainnain Haouy (professora doutorada em Filosofia e Língua Portuguesa e autoras de várias obras) evidenciaram, todos eles, a enorme fragilidade científica do texto oficial do AO90 e solicitaram a sua anulação.


“A língua portuguesa não tem proprietários políticos” referiu o Prof. Sidney, que ao “rectificar-se o que era bom, se estragou”, razão que o levou a solicitar a anulação do AO90. Já o Prof. Pacha referiu que o AO90 “é uma falácia desmentida pelos factos” e informou que o próprio promotor (Professor Evanildo Cavalcante Bechara, gramático, filólogo e presidente da ABL), considerava uma bomba o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, usando a expressão: “Deus nos livre daquela bomba!”.


A Prof.ª Amini referiu que o Acordo Ortográfico de 1990 “ocasionou um caos na compreensão e na transmissão” e que envolve profundamente a educação. Por esta razão sugere, a bem do ensino e dos professores, a sua “anulação ou a sua revisão com a presença de especialistas de todos os Estados-membros”.


Na realidade, o “Parecer de Angola sobre o Acordo Ortográfico”, apresentado numa reunião em Lisboa, do Conselho de Ministros da CPLP, em Fevereiro de 2012, já colocava preocupações sobre o AO90. Aquando das reuniões sectoriais dos ministros da Educação e dos ministros da Cultura da CPLP, ambas realizadas em Luanda, respectivamente, em Março e Abril de 2012, duas relevantes conclusões foram apresentadas: “proceder a um diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990”; e proceder a “acções conducentes à apresentação de uma proposta de ajustamento do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico”. Fora de uma cultura de rigor e honestidade académica, houve até quem se apropriasse de partes daquele Parecer para levar a cabo o seu projecto de Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), o que levaria ao reconhecimento da relevância do Parecer de Angola como importante instrumento para o aperfeiçoamento do AO90.


Na Consulta Pública realizada na Comissão de Educação do Senado Brasileiro, apenas a embaixadora Márcia Doner Abreu, secretária de Comunicação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, se apresentou para defender o AO90, apesar de não ser especialista na matéria, reconhecer que ali estava a receber uma verdadeira aula sobre o assunto e que, face à evidência dos factos apresentados, “esse Acordo pode ser aperfeiçoado”. Contudo, não deixou de afirmar que, em nome da dita “lusofonia”, o AO90 era muito importante.


Evidentemente, a diplomata brasileira, que contou com o apoio de uma outra diplomata portuguesa, nunca se referiu ao Parecer de Angola ou às conclusões das reuniões sectoriais acima referenciadas. Em contraponto com a posição angolana de “rectificar para ratificar”, optou por propor o contrário, ratificar para depois rectificar, como se alguém, no seu perfeito juízo, possa caucionar o que está mal (??). Desde 2012, já se colocada a necessidade de aperfeiçoamento do AO90. Porém, o Itamaraty e o Palácio das Necessidades foram afirmando, através das suas Comissões Nacionais do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que, da parte deles, “não havia qualquer constrangimento”, assumindo uma total oposição às decisões dos seus ministros da Educação e da Cultura, reunidos no contexto da CPLP.


Percebo que o Brasil sinta necessidade de divulgar a variante brasileira da língua portuguesa e, através dela, a cultura e as indústrias criativas, com especial realce para a literatura e o áudio-visual. Sempre o fizeram e todos os Estados-membros da CPLP o deveriam fazer. Todavia, será que é necessário a adopção de um mau Acordo Ortográfico, assente em falsos pressupostos, para que tal possa ocorrer?


Já não tenho dúvidas que, fora do consenso de verdadeiros académicos, os políticos, falsos proprietários da língua, nunca conseguirão impor o AO90 por decreto. Em África, nem com o apoio do livrinho da viagem da “Turma da Mônica”, referenciado pela diplomata brasileira, na perspectiva da afirmação doutrinária da “lusofonia”. Para mitos, basta-nos os relatos das viagens de Gilberto Freyre às antigas colónias portuguesas, quando, sozinho, descobriu o “lusotropicalismo” por encomenda.»


* Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

 

Fonte:

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/a-cartilha-da-turma-da-monica-no-contexto-da-consulta-publica-sobre-o-acordo-ortografico

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:06

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Domingo, 22 de Setembro de 2019

«Passados dez anos o AO90 parece contribuir para o enfraquecimento da Língua de Camões»

 

Nada se sabe (tanto quanto sei) sobre o que está a passar-se no Brasil, depois daquela primeira audiência para se discutir a “revogação” do AO90, requerida pelo Deputado Dr. Jaziel Pereira de Sousa.

 

Até agora, lutava-se pela “revogação” do AO90, porque todos pensavam que existia um acordo, à excepção de um antigo lexicógrafo brasileiro, que lhe chamou logo de início uma FRAUDE (conforme vem referido mais abaixo).

 

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Porém, agora que já se sabe que o Acordo não existe e não passa de uma real FRAUDE, não se pode revogar uma fraude. Terá de ser, pura e simplesmente, EXTINTO, sem qualquer hesitação.

 

Andam todos muito calados sobre este assunto. Talvez estejam à espera da conclusão das denúncias (sempre comprovadas com documentos fidedignos) que este Blogue, servindo de veículo ao Conselho Internacional de Oposição ao Acordo Ortográfico de 1990, tem andado a apresentar.

 

O Brasil (bem como TODOS os outros países de expressão portuguesa), não tem outra alternativa senão dar o dito pelo não dito, e, não havendo nada para revogar, há tão-só que apagar o AO90, como se apaga uma vela. E ter-se-á de concertar o grave e desmedido erro que foi o de forçar ilegalmente e inconstitucionalmente a aplicação de algo que, de facto, nunca existiu, e quiçá, processar os envolvidos nesta fraude que prejudicou essencialmente as crianças e os jovens portugueses, que andam a ser enganados.

 

Actualmente já não faz sentido andar por aí a discutir se o AO90 é bom ou é mau, porque agora, nem que ele fosse excelente, o que está em causa é a TRAFULHICE que envolve o “acordo”, que na realidade NÃO EXISTE entre nenhum país.

 

Em torno disto continua a haver um silêncio, se bem que muito esclarecedor. À primeira vista, parece que ninguém está interessado nos novos factos. Contudo, é pela trafulhice, e não por ser um "abortográfico" que o AO90 CAIRÁ.

 

José Augusto Filho.jpg

Origem da foto: página do Facebook de José Augusto Filho

 

E enquanto o epílogo desta tramóia não se concretiza, vejamos o que nos diz José Augusto Filho, jornalista brasileiro, oriundo de Pirapora, município do Estado de Minas Gerais, que escreveu um texto sob o título «Uma comunidade às avessas», publicado no Jornal Observador, sobre o qual diz o seguinte:

 

(Esta é) «uma contribuição ao debate sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Neste texto, refuto o argumento dos políticos representantes de Estados que enxergam a língua portuguesa, por si só, instrumento de poder catalisador do aprofundamento das relações no espaço lusófono e de projeção internacional da comunidade e seus países. Passados dez anos, as mudanças impostas, à revelia da opinião de profissionais e populações, parecem contribuir muito mais para o enfraquecimento da língua de Camões do que qualquer outra coisa pretendida por seus formuladores. O artigo é uma adaptação da minha comunicação na conferência "Perspectivas de Valorização da CPLP", que teve lugar em Óbidos (Portugal), entre 12 e 14 de setembro. Agradeço mais uma vez a João Orlando Carvalho e Paula Lavado o convite. Boa leitura!

 

«Uma Comunidade às Avessas»

 

 Texto de José Augusto Filho (.)

 

O Acordo Ortográfico de 1990 é um falhanço total. Ele em nada tem facilitado a integração política e económica entre os estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Bem ao contrário, tem antes servido a alimentar nacionalismos e ressentimentos. A relutância de parte da comunidade lusófona em aderir ao famigerado Acordo desnuda o imbróglio, típico produto da grandiloquência oca do Brasil lulopetista.

 

A lebre em realidade era um gato. Bastou que o Acordo entrasse em vigor (*) para que o que fora vendido como instrumento de uniformização da língua se convertesse em trincheira de resistência por uma legião de descontentes. Os governos dos dois maiores Estados lusófonos em África, Angola e Moçambique, em larga medida seguem a ignorar o Acordo. Por outro lado, reconhece-se que em seus territórios o português concorre com outros idiomas. Mas não faltam acusações de negligência e incompetência da parte das suas autoridades em decretar a entrada em vigor das mudanças ortográficas.

 

Apesar da polémica que o envolve, a imposição política do Acordo a muitos beneficiou, sobretudo no final dos anos 2000. Um dos setores mais favorecidos foi o editorial. À revelia de gramáticos e filólogos – o antigo lexicógrafo da Academia Brasileira de Letras chegou a denunciá-lo como “fraude” (**) –, o Acordo justificou a multiplicação das compras governamentais de livros didáticos.

 

Os caudalosos rios de dinheiro canalizados para as bibliotecas públicas acabaram por irrigar também os bolsos de particulares no governo. Finda a orgia de corrupção, sobrou o bode na sala. Especialistas são praticamente unânimes: o Acordo deveria ser revogado. Argumentam que “uma língua não se muda por decreto, nem muito menos para atender a interesses escusos”. Mas muitos políticos insistem na unicidade do idioma como fator de coesão da CPLP na arena internacional.

 

Alguns dos outrora mais entusiasmados defensores do Acordo, já não conseguem esconder o falhanço. Nesse sentido, a mais recente apologia por parte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil pecou por um simplismo pueril na pretensão de justificá-lo à luz do conceito de soft power. Para o seu formulador, o cientista político norte-americano Joseph Nye Jr., “o poder suave é um conceito descritivo e não normativo”. Ou seja, a ideia de soft power não se prestaria a justificar iniciativas como o Acordo.

 

Na seara da cultura, resultados efetivos dependem de uma série de outras condicionantes. Por si só, um acordo cultural não chega a produzir influência. Na ausência de outros recursos, a tentativa de se uniformizar um idioma não gera a coesão necessária para convertê-lo em recurso de poder.

 

O Acordo enfrenta dificuldade de adoção na totalidade dos países da CPLP. Mesmo naqueles que o adotaram legalmente, (***) nota-se imensa resistência por parte da população, sobretudo a de Portugal. Não há mais como se remediar a impopularidade do Acordo, o que subtrai largamente da sua legitimidade. Se ele falha em atrair a própria população lusófona, o que se dirá de estrangeiros? Como ressalta Nye Jr., “a atração e a persuasão são criadas socialmente. O poder suave é uma dança que exige parceiros”.

 

Para lograr aproveitar o poder suave latente na língua portuguesa, os países da CPLP devem antes desenvolver dois outros recursos: valores políticos e uma estratégia em política externa. Aos olhos do resto do mundo, o idioma português muitas vezes é associado a instituições políticas corruptas. No âmbito da CPLP, a democracia liberal é muitas vezes um mero verniz formal, a mal encobrir o extrativismo autárquico que caracteriza a maioria dos seus regimes.

 

Contraste-se com o caso das comunidades francófona e anglófona: o soft power dos seus idiomas é, em significativa medida, também produto da atratividade das instituições governativas dos seus países. Da mesma forma, a pujança de suas economias e o notável poderio militar fazem delas modelo até para os seus concorrentes. Trata-se de circunstâncias em que o hard power se converte em soft power.

 

As potências não se podem dar ao luxo de ignorar o terreno cultural. Atenta às possibilidades de influenciar as relações internacionais por meio do idioma, em 2004, a China passou a patrocinar uma rede de instituições para a difusão da cultura mandarim: o Instituto Confúcio. O Partido Comunista Chinês parece esperar que o brilho milenar das tradições do Império do Meio possa ofuscar o autoritarismo do seu regime.

 

Mas mesmo países como Portugal e Brasil, com parcos recursos de hard power, podem e devem se valer do potencial de soft power latente no idioma português. Contudo, para tanto, a sua língua comum precisa de ser tratada com mais zelo e honestidade.

 

Da forma em que foi conduzido, o Acordo serve antes para enfraquecer a língua de Camões do que para disseminá-la. Quanto aos ganhos políticos e económicos decorrentes, foram até agora praticamente nulos. A CPLP permanece a patinar sobre muitas das questões que a acompanham desde a criação. É, por exemplo, notável a lentidão com que é conduzido o tema da mobilidade de pessoas no espaço lusófono.

 

Em grande medida, a valorização da lusofonia está a depender mais de iniciativas da sociedade civil, que tem demonstrado real interesse numa “comunidade de povos”. Por outro lado, a completa omissão de organizações políticas como a CPLP apenas a torna uma “comunidade de croquete”, expressão que aos poucos vai se fixando à marca daquela instituição multilateral. Infelizmente, a língua portuguesa parece prestar-se particularmente bem à verborragia dos demagogos cínicos.

 

É sabido que o principal patrocinador do Acordo, o Brasil, pretendeu dele obter alguns dos muitos quilos que lhe faltam para se apresentar como importante player no xadrez do sistema internacional. O lulopetismo hipnotizou mentes e recrutou vassalos para o messianismo sindical. Assim, a maior parte da classe “bem-pensante” – intelectuais, artistas e comunicação social – foi levada a abraçar o Acordo como um passo adicional rumo ao status de potência.

 

Lula da Silva e seus companheiros miravam uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Contudo, desde 2017, sabe-se que o Brasil ficará de fora do mais importante órgão do sistema ONU ao menos até 2033, simplesmente por não ter apresentado candidatura. Se o plano lunático falhou, os delírios de poder deixaram para a posteridade o imbróglio do Acordo.

 

O mais grave é que o governo de Jair Bolsonaro parece disposto a absorver nacos do projeto lupetista de poder, inclusive a defesa do Acordo. Em discurso na XXIV Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, em Mindelo (Cabo Verde), no último 19 de julho, o Ministro da Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, destacou o interesse do atual governo na sua manutenção. Ou seja, “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

 

  • Jornalista e doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Pesquisa os desafios do multilateralismo liberal no presente contexto de transformação da ordem mundial.

 

 

Fonte:

https://observador.pt/opiniao/uma-comunidade-as-avessas/

 

***

 

Notas da autora do Blogue:

 

(Os trechos destacados a negrito  e a a amarelo são da minha responsabilidade)

 

(*) Na verdade o acordo nunca entrou em vigor em nenhum país. Porque para entrar em vigor teria de ser através de uma LEI, e essa LEI não existe. Em Portugal ele é simplesmente aplicado ilegalmente e inconstitucionalmente. No Brasil, passou despercebido. E nos outros países, nem sequer é aplicado.


(**) E o antigo lexicógrafo brasileiro, bem sabia o que dizia, porque, na realidade, o AO90 não passa de uma fraude, desde o seu início.

 

(***) O acordo não foi adoptado legalmente, porque não se pode adoptar legalmente algo só porque alguém quer, pode e manda, e também porque o AO90 é uma FRAUDE, algo que nem sequer existe, nem na ordem jurídica internacional, nem na ordem jurídica nacional, pelas razões e provas já referidas e publicadas no seguinte link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/documentosprovasmentirasfraudes-do-204404?tc=19181608972

O AO90 foi simplesmente APLICADO pelos mais servilistas, completamente à ceguinha.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:12

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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019

Papa Francisco virá a Portugal em 2022 celebrar a Jornada Mundial da Juventude, e para Marcelo Rebelo de Sousa isto é a “vitória da Língua Portuguesa” (!)

 

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Foto: Agência Ecclesia

 

Quando ouvi Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa (não era o cidadão e católico Marcelo) jubilante, de braços estendidos a dizer que a escolha de Portugal para a Jornada da Juventude em 2022, maior acontecimento juvenil católico do mundo, foi uma vitória de Portugal, do povo católico português, vitória da Igreja Católica, vitória de D. Manuel Clemente que tanto lutou por isto, mas sobretudo uma vitória da Língua Portuguesa e da Lusofonia, PASMEI! Aquele sobretudo foi espantoso. Vitória da Língua Portuguesa? Mas que Língua Portuguesa?

 

 

Confesso que não entendi. Mas depois ouvi dizer que a escolha recaiu sobre Portugal, pela sua ligação aos países africanos de Língua Portuguesa, e não só. Então, comecei a vislumbrar uma luzinha. Ah! Ligação a países africanos onde a Língua Portuguesa é escrita e falada correCtamente. E se assim é, podemos celebrar a Língua Portuguesa, porque lá, na África, a Língua Portuguesa continua a ser a portuguesa e não a abrasileirada.

 

E se o Papa Francisco escolheu Portugal, SOBRETUDO por esta nossa ligação a África, e Marcelo Rebelo de Sousa entendeu que foi uma vitória da Língua Portuguesa, fico mais descansada. O que interessou a Marcelo, não foi a parte Católica, Apostólica Romana destas Jornadas Mundiais da Juventude, que reúne milhares de jovens para celebrar a fé católica, para partilhar a vivência da espiritualidade, para conhecer melhor a doutrina católica e para construir pontes de amizade e esperança entre continentes, povos e culturas. O que Marcelo viu na escolha de Portugal para esta Jornada foi sobretudo a vitória da Língua Portuguesa e da Lusofonia africana.

 

Quem sabe se o Papa Francisco, com esta escolha, não pretendeu enviar um recado a Portugal: atenção! A Língua Portuguesa é a africana. Não é a brasileira.

 

E das duas uma: a haver uma hipotética intenção papal, no sentido de celebrar a Língua Portuguesa, nesta Jornada, ou Marcelo Rebelo de Sousa não entendeu nada desta mensagem subtil do Papa, ao escolher Portugal, para que Marcelo visse nisso uma vitória sobretudo da Língua Portuguesa e da Lusofonia; ou anda tão obcecado com o “negócio da Língua” que já lê Língua Portuguesa onde devia ler missão evangelizadora de Portugal em África (porque, penso eu, será essa a ligação a fazer com África, nesta escolha de Portugal para a próxima Jornada) e não a tal lusofonia. Porque lusofonia lusofónica, só em África e em Portugal.

 

De qualquer modo, se Marcelo Rebelo de Sousa entendeu que esta escolha do Papa Francisco constituiu a vitória da Língua Portuguesa, menos mal, porque se trata da Língua Portuguesa africana desacordizada (à excepção de Cabo Verde que já não pertence à lusofonia, porquanto a sua língua oficial é o Crioulo Cabo-Verdiano, e o Português, língua estrangeira).

 

O que mais dizer e pensar acerca desta tirada de Marcelo Rebelo de Sousa, numa altura em que a Língua Portuguesa está na mó de baixo?

 

Isabel A. Ferreira

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:36

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Domingo, 25 de Novembro de 2018

As racionais razões de Miguel Mattos Chaves contra o Acordo Ortográfico

 

Excelente razões, racionais razões, que apenas os cegos mentais não vêem, e que também são as minhas, e que deviam ser as razões de todos os Portugueses que se prezam de o ser; dos que utilizam as palavras como instrumento de trabalho, nas profissões que exercem; e também dos que governam Portugal, para que a Língua Portuguesa retome o lugar que é o dela, por direito, e que lhe foi abusivamente violado por ignorantes e  mercenários.

 

Um texto objectivo, que resume o essencial da argumentação contra a fraude ortográfica, chamada AO90.

(Isabel A. Ferreira)

 

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Por Miguel Mattos Chaves

 

«Razões contra o Acordo Ortográfico

  1. A Língua materna é o Português estabelecido ao longo de Séculos, neste sítio do Sudoeste Europeu;
  2. Esta Língua foi exportada para África, Ásia, Oceânia e América do Sul, a partir dos séculos XIV e XV;
  3. Foi adoptada como linguagem de comunicação comum, por vários povos;
  4. Foi tendo uma evolução de vocabulário e de escrita, tanto na origem, como nos povos adoptantes da mesma;
  5. Com a diáspora foi-se espalhando para outros países e territórios;
  6. Mas tendo sempre por base... a MATRIZ.
  7. Fazendo algum paralelismo com a expansão de outras línguas:

(A) O Castelhano expandiu-se, a partir da sua matriz europeia, para a América do Sul e Norte de África;

(B) O Inglês para a Ásia, Oceânia, América do Norte e África, a partir da sua matriz europeia;

  1. Nenhuma destas línguas é falada e escrita da mesma forma, nos territórios de origem e nos territórios (hoje países) de destino;
  2. Daí não advém nenhuma questão de comunicação; Não se dificultou, de nenhuma forma, a comunicação entre os vários Povos adoptantes e o Povo da matriz;
  3. Não há Nenhum Acordo Ortográfico que submeta qualquer das Línguas (Castelhano, Inglês ou Francês) à dimensão de outros territórios onde se adoptou a Língua Mãe;
  4. Isso não prejudicou, nem prejudica a Língua, nas suas diversas matizes, nem a sua força internacional;
  5. Todos respeitam os matizes diversos da língua comum e entendem-se bem na sua essência;
  6. Os EUA têm 300 milhões de habitantes, a Índia 1 bilião, a Inglaterra apenas cerca de 40 milhões, os Escoceses e Galeses cerca de 30 milhões;
  7. Nem por isso deixam de manter a sua autonomia Linguística;
  8. Não vejo, à face destes factos, nenhuma razão Teórica ou Prática, para Portugal adoptar (com carácter de Normas Positivas, de cumprimento obrigatório) as nuances da Língua falada e escrita noutras partes do Mundo;
  9. Não vejo a necessidade de se Desvirtuar a Língua Matriz;
  10. Por isso, e porque a Língua é um dos factores mais fortes da Identidade Lusíada.

Não vejo a utilidade de se atenuar a identidade de um Povo com 8 séculos de história, em favor de nuances com menos de 300 anos;

  1. Não vejo qualquer utilidade (a não ser pelo nacional-saloísmo) de adoptarmos um acordo que desvirtua a Língua Matriz do Mundo Lusófono.

Por mim nunca adoptarei a dita "nova" escrita.

Miguel Mattos Chaves»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10206310261130607&set=gm.700266263410166&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:22

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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2018

O que se diz por aí acerca do AO90

 

No que respeita à aplicação ilegal do fraudulento acordo ortográfico de 1990, a ignorância é descomunal.

Dizem-me que a modernidade exige mudanças. Sim, até posso concordar.

Mas para ser moderno não é obrigatório ser ignorante.

E a ignorância que anda por aí, ao mais alto nível, é realmente o elemento mais violento da sociedade portuguesa. Mete dó e está a   levar Portugal pelo caminho de um retrocesso nunca visto.

A gerigonça está muito enferrujada, e não funciona adequadamente…

 

IGNORÂNCIA.jpg

 

Esta é uma minúscula amostra do que corre por aí. Proponho-me ir recolhendo mais considerações acerca do AO90 e ir dando conta disso.

 

«Todo o governante que compactue com o descalabro da abortografia é intelectual e politicamente desonesto e realmente antipatriótico, sem nenhum apego ao nosso povo, à nossa terra, à nossa língua. A qual irradiou da Europa para a América, África e Ásia. E sua raiz europeia, latina, saxónico-latina, inclusive, poluem na mente da juventude, que ainda mais ficará acéfala e sem pátria. Um crime. Uma desonra. Inadmissível. É uma vergonha, o que estão a fazer à Língua Portuguesa. E ninguém demite o governo! Incluso o Augusto Santos Silva, um homem culto, que ministra os assuntos externos, parceiros do PLP's, calado, estúpido, sem a autoridade intelectual de se rebelar perante tamanho abortográfico. Tenho vergonha dos mentecaptos que nos governam. (Vasco Bizarro)

 

Uma pessoa culta tem de o ser em todas as circunstâncias, porque é da Cultura não ser intelectualmente desonesto ou vendido. Ele (Augusto Santos Silva) terá apenas os conhecimentos que adquiriu quando se licenciou. E apenas isso. Ser Culto é outra coisa. Se fosse realmente culto, teria a capacidade de ver que o lixo AO90 não serve nem para reciclar. (Isabel A. Ferreira)

 

Só compra um livro com AO90 quem quer. Eu deixei de ir a livrarias comprar livros. Já nem me chateio nem perco tempo a procurar um livro decente no meio daquelas aberrações escritas com AO. Agora, só os compro on-line em editoras que não adoptaram o AO, como é o caso da Tinta-da-China, ou cujos autores que não adoptaram o AO. (Diana Coelho)

 

Muitos doutores, mas muito ignorantes ...

Muito pouca cultura geral e quanto à língua mãe, cada vez mais se constata que a ignorância é imensa, tanto escrita como falada. (Maria Helena Sousa Moura)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:30

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.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

. «Português de Facto» - Facebook

Uma página onde podem encontrar sugestões de livros em Português correCto, permanentemente aCtualizada. a href="https://www.facebook.com/portuguesdefacto/" target="_blank">https://www.facebook.com/portuguesdefacto/

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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