Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2021

«Hoje não se fala Português… Linguareja-se!»

 

Um interessante exercício, da escritora Helena Sacadura Cabral, sobre o novo-riquismo linguístico, a linguagem dita “politicamente correcta”, usada num mundo linguisticamente (mas não só) pobre, onde começa a proliferar também a linguagem pimba (aquela do todos e todas), tudo embrulhado numa ignorância pavorosa, que está a transformar Portugal num deserto linguístico-cultural.


A não ser que, do nada, surja uma mente brilhante, dentre a intelectualmente pobre governação deste nosso tão desditoso País, que possa pôr o Bom Português nos carris da prioridade do Ensino.

 

Obviamente, livre do malvisto AO90, e do linguajar pseudo-correcto.

 

Isabel A. Ferreira

 

Lingureja-se.jpeg

 

Por Helena Sacadura Cabral

 

«Hoje não se fala Português… Linguareja-se!»

 

«Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos negros de 'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se agora para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico'.

 

De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram todos a 'auxiliares da acção educativa' e agora são 'assistentes operacionais'.

 

Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'.

 

E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em 'técnicos de vendas' ou "comerciais".

 

O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez'.

 

Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'.

 

Os operários fizeram-se de repente 'colaboradores'.

 

As fábricas, essas, vistas de dentro são 'unidades produtivas' e vistas de exterior são 'centros de decisão nacionais'.

 

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante. Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.

 

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» – eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.

 

Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo' Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação' , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.

 

Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)

 

As p.... passaram a ser 'senhoras de alterne'.

 

Quando a vida corre bem é "bué de fixe".

 

À mentira passou a chamar-se de inverdade.

 

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.

 

Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.»

 

 Helena Sacadura Cabral

 

Fonte:  https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/tag/%22helena+sacadura+cabral%22

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:19

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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

A minha resposta ao comentário de um defensor do AO90

 

PROJETO.jpeg

 

Origem da imagem neste excelente Blogue:

http://diganaoainercia.blogspot.pt/2016/02/reforma-do-ao90-no-brasil.html

 

«Luis Gaivao, deixou um comentário ao post O indefensável AO90 às 12:16, 2016-05-29.

 

Defendo o AO. Ele apenas, só, unicamente mexe na ortografia. Não muda, não modifica, não ataca a Língua Portuguesa. Está continuará a ter os usos e as pronúncias, as sintaxes e as semânticas que cada região, país, latitude e longitude, cultura e povo lhe acrescentarem, para a enriquecer de localismos. O que eu vejo, para além de ser necessário estudar o AO, é uma imensa e pesada inércia e preguiça para modificar hábitos adquiridos. Dos impostos sobre os livros, tratem os governos, e já agora, sabiam que quem alterou a escrita do maior número de palavras foi o Brasil? (Ex-Presidente da Academia de Letras do Brasil). Não ao deitar poeira para os olhos! Não existe neocolonialismo nos cientistas de linguística que trabalharam no AO. Apenas querem unificar (admitindo variantes por respeito às diferenças de pronuncia) a ortografia da Língua. Ganha força e peso como bloco dos falantes de Português, num mundo cuja globalização em inglês e uma perda irreparável para as diferenças culturais. E, além do Português vivam todas as línguas representativas das culturas anti-hegemonicas.»

 

***

Pois lamento muito dizer-lhe que ao defender o AO90 está a defender:

 

1 - O “acordo” do maior desacordo que jamais se viu entre os países lusófonos.

 

2 - Um “acordo” ilegal, inconstitucional, algo que não está efectivamente em vigor em país nenhum da lusofonia, e que é usado apenas pelos desinformados, pelos mais distraídos, pelos ignorantes, pelos comodistas, pelos acomodados, pelos subservientes, pelos escravos da ignorância, pelos lacaios do poder, enfim, por quem desconhece por completo a Língua Portuguesa, por dentro e por fora.

 

3 - Um aborto ortográfico que é a maior fraude de todos os tempos.

 

4 - Um monumental insulto à inteligência de todos os (bem) falantes e (bem) escreventes da Língua Portuguesa, culta e europeia.

 

Desculpe, mas o seu comentário só diz do seu gravíssimo desconhecimento acerca da Língua Portuguesa, e de tudo o que se passa ao redor desta aberração ortográfica, denominada AO90, que políticos/ditadores incultos estão a impingir a um povo que maioritariamente o rejeita repulsivamente.

 

Sugiro que leia o que os Portugueses e os Brasileiros Cultos pensam acerca desta aberração, nestes links:

 

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-os-portugueses-cultos-pensam-33885

 

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-os-brasileiros-cultos-pensam-8246

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:54

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Sábado, 21 de Maio de 2016

A aberração ortográfica

 

Uma excelente síntese de César Faustino, dos motivos pelo qual o Acordo Ortográfico de 1990 tem de ser exterminado com a máxima urgência.

 

POrtuguês.jpeg

 

«O facto de |ALEGADAMENTE| mais de meio milhão de crianças serem forçadas, por decreto, a usar a nova ortografia não pode servir de cómoda justificação para se não corrigir urgentemente o desastroso erro da adopção precipitada e ditatorial de um acordo ortográfico que abastarda aberrantemente a língua de toda uma nação, empobrecendo-a marcantemente, e no qual a esmagadora maioria dos portugueses não se revê.

 

Ao contrário daqueles que, por leviandade ou preguiça intelectual, predicam varrer-se o assunto para debaixo do tapete (“caso arrumado, não se fala mais nisso”…), não é, de modo algum, uma questão irreversível. Trata-se da obrigatoriedade de reverter quanto antes uma decisão política inconsciente e irresponsável, que estabeleceu a confusão geral e o caos e que, provocando estigmas profundos na sociedade, se insere na funesta tendência do apagamento da memória e da negação da História – ignorando que a língua portuguesa é, verdadeiramente, o nosso maior património, o nosso atestado de identidade. Mais importante que a bandeira, o hino, a Constituição ou o Estado.

 

César Faustino, Cascais»

in

Cartas à directora do Jornal Público

https://www.publico.pt/opiniao/noticia/cartas-a-directora-1732624

 

***

Se os políticos estão a contar que os portugueses desistam, pelo cansaço, de lutar pelo aniquilamento do AO90, podem tirar o cavalo da chuva, porque os verdadeiros guerreiros nunca se cansam. E continuaremos a EXIGIR que o governo português recue no que nunca devia ter aceitado: o cabresto dos becharas e malacas que pariram este aborto.

 

Se a falta de lucidez matasse, bechara e malaca, lula, sócrates, cavaco silva, santana lopes, santos silva, antónio costa, marcelo rebelo de sousa (assim grafados com letra minúscula para condizer com janeiro, fevereiro, março, abril...) estes matadores da Língua Portuguesa, uns, por acção, outros, por omissão e encobrimento de uma fraude, estariam mortos e enterrados.

 

O aborto ortográfico de 1990, mais conhecido, por bechara-malaquês, acordês, socratês, lulês, cavaquês, mixordês irá parar à incineradora, por não ter pés nem cabeça, e, consequentemente, estar condenado à morte desde nascença.

 

É preciso que ninguém tenha qualquer dúvida disto. Nada é irreversível, a não ser a morte. E A Língua Portuguesa, a Portuguesa, não está morta. Cada vez está mais viva, e sobreviverá a esta hecatombe, a este atentado à sua integridade linguística.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

O AO90 não tem pernas para andar…

 

… logo, sendo um aborto, vai acabar no caixote do lixo…

 

A cidade do Porto deixou de ser a cidade InviCta, e os programas nas televisões portuguesas são agora em dirÊto… seja lá o que isso for...

 

INVITA.jpeg

 Origem da imagem:

http://totalitarismouniversalista.blogspot.pt/2015/02/mais-uma-perola-do-aborto-ortografico.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015

A Portugal, o que é de Portugal! Ao Brasil o que é do Brasil!

 

BANDEIRAS.jpeg

 

A aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 é ilegal em Portugal

 

No Brasil, se está a ser aplicado ou não, que diferença faz, se os Brasileiros continuarão a escrever contato, em vez de contaCto, fato, em vez de facto?

 

É preciso lutar para que haja um recuo na imposição deste absurdo “acordo”.

 

Portugal não pode perder a sua identidade linguística ao aplicar a grafia brasileira, que apenas ao Brasil pertence.  

 

Portugal não pode perder a sua portugalidade.

 

Aos Portugueses o que é dos Portugueses.

 

Aos Brasileiros o que é dos Brasileiros.

 

Os Brasileiros escrevem e pronunciam à maneira deles a Língua Portuguesa, que dizem ser oficial, mas que não é mais do que a Variante Brasileira do nosso Português, a que caracteriza o Brasil, em qualquer parte do mundo. Quando um brasileiro abre a boca, ninguém diz que está a falar Português, mas sim, Brasileiro.

 

Por que não designá-la assim? E isto não tem nada de pejorativo. Por que não hão-de os Brasileiros, que não entendem o nosso Português, precisando até que os nossos livros sejam traduzidos para a língua deles (algo que os africanos lusófonos não têm necessidade) de ter uma língua que os caracteriuza melhor do que o Português?  Porque Português  não é.

 

E penso que isto não ofenderá os nossos irmãos Brasileiros. Estes deveriam até sentir-se orgulhosos de possuírem uma Língua só deles, enriquecida com vocábulos oriundos dos falares indígenas e dos antigos escravos africanos, para além de muitos termos castiços, que foram reinventados e hoje fazem parte do riquíssimo léxico brasileiro.

 

Para mim, e para milhares de lusógrafos, o lugar mais apropriado do AO90 é o caixote do lixo, por não servir a nenhum país da CPLP. E não há qualquer interesse em ser revisto. Para quê? Se todos os países devem manter a sua própria identidade linguística, agora que são independentes?

 

O AO90 é tão-só a imposição da ortografia propopsta na Base 4 do Formulário Ortográfico  de 1943, para facilitar a aprendizagem da Língua Portuguesa aos milhares de analfabetos mal alimentados, logo, pouco desenvolvidos intelectualmente (não por culpa deles, claro), numa tentativa de se baixar o índice de analfabetismo que, ainda hoje, e apesar desta tentativa, é bastante elevado naquele país. Mas não só isto moveu a vontade de nos impor a ortografia brasileira (com algumas excePções). Motivos políticos esquerdinos estão por detrás desta vontade de colonizar Portugal através da Língua.

 

Então, por que carga de água havemos de mutilar a nossa Língua Materna para satisfazer interesses político-diplomático-jurídicos (que nada têm a ver propriamente com a Língua)  e espalhar por aí uma grafia incorreCta, simplificada, sem raízes e descaracterizada, deixando Portugal de calças na mão, com uma grafia que nada tem a ver com a sua identidade linguística?

 

As nossas crianças não serão mais estúpidas do que nós fomos, quando éramos crianças. Não precisam de simplificações. Precisam de um ensino de qualidade.

 

A Língua Portuguesa, europeia e culta, é património português. Não está à venda, nem pode ser manipulada ao sabor dos interesses de ignorantes.

 

***

O fim do prazo de "transição" só acaba em 22 de Setembro de 2016.

 

Até lá muita água ainda vai correr por baixo da ponte… e ninguém tem autoridade para penalizar nenhum aluno.

 

Há uma ordem do ministério da desiducação para penalizar os alunos até 5 valores (escala 0-20) que não usem o AO90 nos exames. Quanto aos professores que não cumpram estas regras podem ter sanções disciplinares. Dizem-me. A isto chama-se chantagem.

 

Pois essa ordem é ilegal e as penalizações são ilegais. Quem recorrer à justiça, tem ganho de causa. O problema é que os governantes SABEM que nem professores, nem pais de alunos mexerão uma palhinha, que seja, para se INCOMODAREM. É mais fácil OBEDECER a uma IMPOSIÇÃO ILEGAL, do que EXIGIR JUSTIÇA.

 

Nas escolas portuguesas, qualquer aluno que seja prejudicado por escrever (e muito correCtamente) a Língua Materna, pode intentar uma acção judicial por violação do Dec-Lei 35228 de 08/12/1945.

 

O pior, é que estão a impingi-lo a inocentes crianças, que ainda não têm voz, porque discernimento já têm, pois a maioria sabe que lhe estão a "vender" gato por lebre.   E é por elas que temos de continuar a lutar contra este linguicídio.

 

Qualquer professor pode e deve recusar os manuais escolares escritos em Português incorreCto, porque o AO90 é ILEGAL. Foi imposto ilegalmente nas escolas e nas repartições públicas.

 

Então, por que não o fazem? Por MEDO? Mas ninguém, em Portugal, pode PENALIZAR nem um professor, nem um estudante que se RECUSE a utilizar o AO90 e os manuais incorreCtamente escritos.

 

As crianças, essas, estão inocentemente nas mãos dos predadores da Língua. E o que estão a fazer com elas é criminoso.

 

E os paizinhos instruídos têm uma grande parcela de culpa.

 

Mas quem quer incomodar-se?

 

Por isso, os governantes apostam nessas penalizações...

 

Não se destrua o que levou séculos a construir. A comunicação oral e escrita é uma das poucas aquisições que nos diferencia dos outros animais. Não a reduzamos a uma mixórdia de palavras sem sentido algum, por interesses absolutamente inúteis e obscuros.

 

Deixem a Língua fluir naturalmente. Eficazmente. Lucidamente.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:33

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