Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

PORTUGAL (COMO SEMPRE) ORGULHOSAMENTE SÓ, DESTA VEZ, NA ROTA DO DERROTADO AO90

 

Um texto de Ana Cristina Pereira Leonardo, publicado no Facebook.

 

Apenas uma observação: os acordistas não venceram os não-acordistas pelo barulho e pelo cansaço. Os acordistas venceram apenas alguns não-acordistas, que se “encolheram” como lagartos, e desistiram da luta. Mas há ainda muitos que resistem e estão a trabalhar seriamente para derrotar os predadores da Língua Portuguesa.

 

LÍNGUA.png

Concordo plenamente com o Zé Bento Machado.

 

«O HUMOR COM AGÁ

 

Aquando da assinatura do Acordo Ortográfico de 1990 – acordo que a Academia Angolana de Letras continua a criticar ferozmente e a Academia de Ciências de Lisboa tibiamente – embora nem assim, com toda a delicadeza do mundo (a mesma de que se queixava Rimbaud), se tivessem convencido, os nossos doutos deputados, a reconsiderar pelo menos alguns dos disparates mais gritantes… – as vozes que se lhe opuseram foram muitas. Depressa silenciadas aos gritos de “Retrógrados!”, “Conservadores!” ou mesmo “Nacionalistas do piorio”, foram-se ignorando olimpicamente os pareceres oficiais negativos assim como os intelectuais que, tendo a língua como instrumento de trabalho, repudiavam (e repudiam) o AO.

 


Para se ter uma ideia da dimensão do embuste, quando, em 2005, o Instituto Camões realiza um inquérito junto de 27 instituições universitárias e editorias, apenas duas se mostram favoráveis à decapitação do português europeu! Nada, porém, demoveu os acordistas, escudados na argumentação triunfante e triunfalista de que agora, unificada, é que a língua de Camões ia dominar o mundo, alegação que se fazia acompanhar de uma outra, ainda mais arrebatada e arrebatadora, de que, com a simplificação, as criancinhas passariam a dar muito menos erros, recusando contra-argumentos tão simples, como: se os petizes ingleses, norte-americanos, jamaicanos, etc., etc., conseguem aprender a escrever what, o que impedirá os infantes portuguesas de aprender a escrever “acção” (e não “a São”)?

 


Tão deslumbrados com a novilíngua como os comunistas de antanho com o Homem Novo, os acordistas venceram os não-acordistas pelo barulho e pelo cansaço (algo que a Sena ou a O’Neil, por ex., em nada admiraria).


Na mixórdia reinante, com os erros a subir em catadupa (dos rodapés da TV ao Diário da República), a tal unificação a provar-se um logro e a obrigatoriedade do AO a só ser respeitada, de facto e de fato, em Portugal e no Brasil, eis que nos chega uma notícia do Novo Mundo capaz de criar muito estresse aos adeptos da coisa. Chegou via Twitter, assina Filipe Martins, assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, e diz assim: “Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditávris [sic] e do acordo ortográfico”.


Fixem o que vos digo: ainda vamos acabar a ver
espetáculos sozinhos! Com sorte, acompanhados pelo Teodoro da Guiné-Equatorial.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/ana.c.leonardo/posts/10214125917250566

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:55

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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